Acorrentadas

Blake Pierce · Capítulo 12 de 30

Páginas do PDF

Acorrentadas

Capítulo 16

As mãos de Riley suavam quando bateu à porta. Ela esperava e rezava para que descobrisse o que precisava de saber ali.

Seis minutos antes, tinha percorrido freneticamente os números de telefone do telemóvel de April até encontrar aquele que procurava. O número de Brian, o rapaz que apanhara a fumar erva com April. Ligara-lhe e dissera-lhe que ia ao seu encontro. Nem se dera ao trabalho de explicar porquê.

Uma mulher alta e elegante abrira a porta. Parecia ter feito um grande esforço para não parecer mãe de um filho adolescente.

Riley mostrou o distintivo à mulher.

“Sou a Agente Riley Paige,” Disse.

Não sabia bem o que dizer de seguida. Era uma situação verdadeiramente estranha – uma agente do FBI a investigar o desaparecimento da sua própria filha.

A mulher libertou Riley da incómoda explicação.

“Entre,” Disse nervosamente. “Sou Carol, mãe do Brian. Ele disse-me que vinha.”

Riley seguiu a mulher para uma sala de estar espaçosa e elegante onde Brian já estava à espera. Ao sentar-se, Riley notou quão pequeno o rapaz franzino parecia sentado naquela enorme cadeira de braços. Mal parecia o mesmo rapaz pedrado mas engraçado que encontrara a fumar com a April.

Parecia assustado. Sem dúvida que pensava que Riley estava ali para informar a mãe da situação ocorrida no outro dia.

Deve mesmo ter medo, Pensou Riley. Mas o seu próprio medo era tão abrasador que não desejava sujeitar mais ninguém a esse desnecessário trauma.

A mãe do rapaz postou-se atrás da cadeira. Também ela parecia assustada.

“Algum problema com o Brian?” Perguntou.

Por um momento, Riley sentiu-se mais uma vez com dificuldade em dizer o que quer que fosse. É claro que sabia que Brian nada tinha a ver com o rapto de April. Mesmo assim, eles tinham andado de boleia juntos. E a verdade era que Riley estava zangada. Recordou firmemente a ela própria que tinha que manter os sentimentos de parte. Tirou o seu bloco de notas.

“Brian,” Disse, olhando-o nos olhos, “A April foi raptada.”

Os olhos do rapaz abriram-se muito e ficou pálido. Riley compreendeu porquê. Há apenas um segundo atrás, a pior coisa que ele podia imaginar era ter sarilhos por fumar erva. Agora o seu medo escalara para um nível completamente diferente.

“Quem é a April?” Perguntou Carol.

“É… É a minha namorada,” Gaguejou o rapaz nervosamente.

“Ah,” Disse Carol, parecendo perplexa.

“E é minha filha,” Acrescentou Riley, sabendo perfeitamente como aquelas palavras deviam soar estranhas na atual circunstância.

Por um momento, quase pareceu que a mulher estava à beira do desmaio. Caminhou debilmente para outra cadeira e sentou-se.

“Lamento muito,” Desabafou. “Que terrível.”

Também Riley sentiu uma súbita onda de emoção a apoderar-se dela. Era fúria e medo, tudo misturado. Por um momento, temeu desconjuntar-se ali mesmo. Porque é que se deixara arrastar para aquela situação? Porque é que não tinha esperado que outro agente estivesse disponível para ali estar – alguém cujos nervos não estivessem crus e expostos?

Desejou que Bill ali estivesse. Ou Lucy. Lucy seria o tipo de presença de que ela precisava naquele momento – calma, inteligente e compreensiva. Devia ser Lucy a colocar aquelas perguntas e não Riley.

Mas nada mais podia fazer naquele momento. E não havia tempo a perder. Da sua própria experiência, Riley sabia muito bem aquilo por que April estava a passar. Mas não sabia quanto tempo mais é que April ia viver.

Brian e a mãe fitavam-na. Após algum tempo, Carol perguntou trémula, “Mas o que é que o Brian… O que tem o meu filho a ver com isso?”

Riley engoliu com dificuldade e tentou falar com um a voz firme.

“Brian, tu e a April apanharam boleia para a minha casa no outro dia. Penso que o homem que vos deu boleia levou a April.”

“Oh meu Deus,” Disse o rapaz.

“Tens que me dizer tudo o que te lembrares sobre aquele dia. Que carro era?”

Brian tentou lembrar-se.

“Penso que era um Ford. Sim, um Focus, já para o velho. Talvez de 2010.”

“De que cor?”

“Cinzento. Estava muito usado. Tinha uma grande amolgadela na porta do passageiro.”

Riley conseguiu respirar mais facilmente ao apontar a informação que Brian lhe transmitia. O que quer que pensasse do rapaz, uma coisa era óbvia: ele queria ajudar. Mas a pergunta mais importante vinha a seguir. Pegou no seu telemóvel e procurou a foto de Peterson. Olhou para ela sem a mostrar a Brian.

“Qual era o aspeto do homem?” Perguntou.

“Era um homem grande. Não gordo, mas alto e… largo, parece-me.”

Riley sentiu-se ainda animada. Apesar de não ter conseguido ver Peterson com nitidez durante o seu cativeiro, lembrava-se de ele ter uma presença imponente. A foto indicava que ele tinha mais de 1,82 m.

“Isso é bom,” Disse Riley. “Continua.”

“Tinha um cabelo meio despenteado,” Continuou Brian. “E tinha uma pera no queixo. Mas não parecia que se tinha esquecido de barbear. Era assim mais uma coisa da moda.”

Riley comparou a descrição que Brian fizera à foto. Nela, Peterson tinha cabelo curto e estava barbeado. Recordava-o sem pera. Riley tinha razão ao pensar que Peterson tinha mudado o seu aspeto.

O rapaz esforçava-se para se lembrar de mais pormenores.

“E a forma do rosto?” Perguntou Riley.

“Ah, sim, lembro-me que tinha um queixo grande e quadrado.”

Riley recordava-se do queixo proeminente do homem, como sobressaía na luz proveniente do maçarico de gás propano. O mesmo queixo era visível na foto que tinha no telemóvel.

Pensou fugazmente em mostrar a foto a Brian para confirmar se reconhecia o homem. Mas rapidamente desistiu da ideia. Já não tinha a mínima dúvida de que o condutor era Peterson. Mas também sabia que ainda tinha que convencer os colegas na UAC. Para conseguir isso, seria melhor se Brian descrevesse o condutor de memória. Não podia parecer que Riley o tinha influenciado.

Riley voltou-se para a mãe do rapaz.

“Carol, preciso que você e o Brian venham comigo à esquadra de polícia,” Disse.

Os lábios da mulher tremiam e a voz estava trémula.

“É preciso ligar a um advogado?” Perguntou.

“Não é nada disso,” Disse Riley. “O Brian não está metido em nenhum sarilho. Apenas preciso que ele faça uma descrição a um retratista. Ele é um excelente observador e será muito útil.”

Carol pareceu aliviada.

“Então vamos,” Disse. “Ficamos contentes por ajudar naquilo que pudermos.”

Riley estava grata pela sua vontade em ajudar. Iria deixá-los entregues a um retratista da polícia.

Depois teria que ir à UAC e obter aquilo de que precisava para apanhar o Peterson e matá-lo.