Acorrentadas

Blake Pierce · Capítulo 24 de 30

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Acorrentadas

Capítulo 31

Riley pensou que talvez aquele longo dia terminasse bem afinal. Começando com a viagem a Sing Sing, as peças que tinham conseguido juntar apontavam para aquela morada em Hoxeyville, Pensilvânia. Ela e Bill aproximaram-se cautelosamente da casa.

Tinha demorado mais do que esperavam conseguir um mandato de busca e a viagem demorara duas horas, por isso já era muito tarde e estava muito escuro. O modesto bairro de classe trabalhadora parecia agradável e pacífico. Apesar de não se verem luzes nem dentro, nem fora de casa, a rua estava bem iluminada. Riley conseguia ver que a casa tinha janelas de cave – o lugar ideal para manter alguém cativo. Apesar de não estar nenhum veículo estacionado perto da casa, havia uma garagem fechada. A carrinha estaria provavelmente lá dentro.

“Armas?” Perguntou Riley silenciosamente, preparando-se para sacar a sua Glock. Pensaram que a prisioneira tinha mais hipóteses de sobreviver se não irrompessem por lá adentro com uma equipa SWAT.

“Ainda não,” Disse Bill. “Com sorte, nem vamos precisar delas. Ele não é um atirador e não é muito forte.”

Ao encaminharem-se para o alpendre, Riley esperou que Bill tivesse razão. A verdade era que não tinha lidado com muitos assassinos que não resistissem. E a maior parte estava armado.

Bill tocou à campainha e bateu na porta da frente. Ninguém apareceu e Bill bateu outra vez.

“FBI,” Gritou Bill. “É aqui que mora Walter Sattler? Temos um mandato.”

Mais uma vez ninguém apareceu, mas pareceu a Riley ter ouvido um movimento atrás da porta. Instintivamnete, sacou a arma apesar da relutância de Bill em usar armas.

De repente, a porta abriu-se. Um homem pequeno de pijama estava à porta a apontar-lhes uma shotgun. Riley apontou-lhe a Glock à cara.

“Largue a arma,” Disse Bill, sacando a sua própria arma.

“Calma,” Disse o homem, apontando o cano da arma ora para Riley, ora para Bill. “Tenham calma. Eu não quero problemas. Só quero ver os vossos distintivos.”

Com as mãos livres, Bill e Riley mostraram os distintivos. O homem baixou a arma.

“Largue a arma,” Repetiu Bill.

“Ok. Raios.” O homem colocou a arma no chão. Riley apanhou-a.

“Mãos na cabeça,” Disse Bill.

O homem obedeceu. “Estou a cooperar,” Disse. “O que é que se passa?”

O coração de Riley quase parou quando o ouviu falar.

Ele fala perfeitamente bem, Pensou. O homem parecia nervoso como qualquer pessoa estaria naquela situação, mas não havia qualquer vestígio de gaguez.

Ainda assim, reconheceu o homem da fotografia da carta de condução. Este era mesmo Walter Sattler. Tinha que haver uma razão para as pistas apontarem para ele.

Estariam a lidar com dois criminosos a trabalhar em equipa?

Mas não, isso não encaixava.

Riley preparava-se para colocar a arma no coldre quando uma voz de mulher chamou a sua atenção.

“Walter, o que é que se passa? Chamo o 112?”

A mulher estava de pé no topo das escadas em camisa de noite. Tinha rolos no cabelo.

“Não, não é preciso, Peg,” Disse Walter Sattler. “É o FBI. Não sei o que querem. Vê só se os miúdos não estão assustados. Volta para a cama. Eu trato disto.”

A mulher voltou para cima. Sattler tinha as mãos perfeitamente visíveis.

Bill revistou-o rapidamente para confirmar se não tinha mais armas em sua posse. Não descobrindo mais nada, colocou a sua arma no coldre, mas Riley manteve a dela a postos para qualquer eventualidade.

“Temos um mandato de busca para revistar a casa,” Disse Bill, exibindo o documento.

“E se eu não quiser que a revistem?” Perguntou Sattler.

Riley respondeu, “Pode tratar disso mais tarde com o seu advogado.” E virando-se para Bill disse, “A base parece o local mais provável.”

Bill entrou pela casa adentro e desapareceu.

“De que é que se trata?” Perguntou Sattler a Riley. “De que é que estão à procura, afinal?”

“É proprietário de uma carrinha Ford branca?”

Sattler parecia completamente apanhado de surpresa.

“O quê? Não! Temos uma Nissan. Está na garagem. Não tenho uma Ford desde…”

E a sua voz sumiu-se. Parecia ter-se lembrado de algo. Entretanto, Bill tinha regressado da cave.

“Nada suspeito na cave,” Informou Bill. “Vou ao sótão?”

“Não,” Disse Riley. “Espera alguns minutos.”

Com mulher e filhos no andar de cima, Riley sabia que não era provável que a mulher desaparecida ali estivesse. Parecia bastante óbvio que Sattler não tinha ninguém preso, pelo menos não naquela casa.

O comportamento de Sattler era agora muito mais dócil.

“Ouça, houve um mal-entendido,” Disse o homem. “Sente-se. Penso que consigo resolver isto.”

Riley e Bill sentaram-se com ele na sala.

“Falem-me mais dessa carrinha Ford que procuram,” Disse Sattler.

“Vou mostrar-lha,” Disse Riley.

No telemóvel, mostrou a Sattler a foto que Lucy tirara juntamente com a foto de segurança.

“Raios,” Rugiu Sattler. “Pensava que nunca mais ia ouvir falar dessa carrinha.”

“Explique-se, por favor,” Incentivou-o Riley.

Sattler respirou longa e profundamente.

“Ouçam, o tipo que procuram não sou eu,” Disse. “Estão à procura do meu primo, Eugene Fisk. Não o vejo há anos. O que é que ele fez?”

“É suspeito de dois homicídios e um rapto,” Informou Bill.

Sattler ficou boquiaberto de choque.

Riley perguntou, “Como é que ele ficou com a sua carrinha?”

“Dei-lha há nove anos,” Disse Sattler. “Queria tanto que se fosse embora que nem me dei ao trabalho de tratar dos documentos. Entreguei-lhe as chaves e disse, ‘Desaparece daqui e nunca mais me apareças à frente.’ E foi o que ele fez.”

A cabeça de Sattler pendeu num mea culpa.

“Sei que não foi a coisa mais certa,” Disse. “Às vezes penso nisso. Mas se conhecessem o Eugene… Bem, só queria que ele desaparecesse da minha vida de vez.”

Sattler olhou para o outro lado da sala com uma expressão de vergonha e arrependimento.

“O que nos pode dizer sobre ele?” Perguntou Riley.

“O Eugene era filho da irmã da minha mãe,” Disse Sattler. “Ela chamava-se Sherry Fisk. Nunca a conheci. Toda a família – os meus pais incluídos – encaravam-na como lixo que vivia em caravanas. Há quem diga que era maluca.”

Sattler parou o seu relato por um momento.

“Ninguém sabia quem era o pai do Eugene,” Disse. “E eu nunca conheci verdadeiramente o Eugene – não enquanto criança. A mãe foi assassinada quando eu era adolescente. Penso que o Eugene tinha dez anos. Nunca soube dos pormenores, como tinha acontecido. Era um daqueles segredos de família de que ninguém queria falar. Nunca apanharam o assassino.”

Riley tirava notas.

“O que aconteceu ao Eugene quando a mão foi morta?” Perguntou Riley.

“Penso que esteve numa família adotiva,” Disse Sattler. “Meteu-se em algum tipo de sarilho e acabou internado devido a problemas mentais.”

Sattler parou novamente.

“Deixaram-no sair quando tinha dezoito anos. Eu tinha vinte e tal anos, casado, a começar a vida. Como disse, nunca o tinha conhecido quando éramos miúdos. Mas de repente, agia como se tivéssemos sido sempre chegados. E era…”

Sattler abanou a cabeça.

“Bem, era estranho, é tudo. Mal conseguia falar. Era tão mau que às vezes escrevia notas em vez de falar. E não tinha meios de subsistência. Estava sempre a pedir-me dinheiro, a rondar para lhe darmos comida. Não era apenas esquisito. Era assustador. Era quase uma perseguição. Tinha esse sentimento quando ele estava por perto…”

A voz sumiu-se novamente.

“De qualquer das formas,” Disse. “foi aí que lhe dei a carrinha e disse-lhe para nunca mais aparecer.”

Riley pensou naquilo durante um bocado. Talvez houvesse alguém em Hoxeyville que lhes pudesse dizer algo mais sobre Eugene Fisk.

“Os seus pais estão vivos?” Perguntou a Sattler.

“Não. Sou o último da minha família. Com exceção do Eugene.”

“Onde é que o Eugene esteve internado?”

“No Centro Psiquiátrico de Hoxeyville, aqui mesmo na cidade.”

Riley imaginou que aquela seria a sua próxima paragem. Certamente que ali saberiam mais pormenores. Mas talvez conseguisse saber algo mais de Sattler.

“Tem fotos do seu primo? Perguntou.

“Nenhuma que mostre o seu aspeto atual,” Disse Sattler. “Mas acho que tenho uma antiga…”

Levantou-se da cadeira e abriu uma gaveta. Vasculhou até encontrar uma foto que entregou a Riley.

“Esta foi tirada quando éramos miúdos,” Disse. “Guardei-a porque não era habitual estarmos juntos.”

Enquanto Bill colocava as últimas perguntas, Riley olhou para a foto. Mostrava dois rapazes. O mais alto era Sattler. O mais baixo era uma criança de aspeto estranho e com traços algo exagerados.

Ainda assim, Riley não conseguiu evitar pensar…

Que sorriso doce ele tem!

Não conseguia imaginar o que teria transformado aquela criança sorridente num assassino em série.

CAPÍTULO 32

Carla não tinha noção de há quanto tempo estava acorrentada naquela cave. As janelas altas nas paredes de cimento estavam cobertas com cartão, impedindo a entrada de luz exterior. Quando a luz do teto estava apagada, como naquele momento, ficava completamente às escuras.

Sabia que tinha fome, que estava suja e que tinha dores horríveis. Não comera nada desde que chegara àquele local. Por vezes, o monstruoso homenzinho afrouxava um pouco as correntes na boca e dava-lhe um pouco de água e era tudo.

Há muito que deixara de se sentir incomodada com o seu prório fedor. A dignidade já não lhe interessava, mas sim a sobrevivência.

Mas até àquele momento, a fuga não lhe parecia possível.

Tinha-a prendido com uma corrente quando a capturara em Albany. Agora que o delírio provocado pelo ferimento tinha passado, estava atordoada e desorientada com as dores e a fome. Dormia ou desmaiava de vez em quando, depois acordava sem saber onde estava ou o que tinha acontecido.

Mas conseguia sempre regressar à sua horripilante realidade. A clarividência era fundamental. Não havia saída, tinha certeza. Debateu-se um pouco na escuridão, contorcendo o corpo para trás e para a frente. Fizera aquilo todo o dia sempre que ele não estava ali. Amarrara as correntes a ela e ao berço, mas parecia não estarem muito apertadas. Aos poucos, senti-as a soltarem-se.

Naquele momento, parecia-lhe estarem suficientemente lassas para tentar libertar-se. O colete-de-forças era outro problema, mas lidaria com ele mais tarde.

Começando pelos ombros, agitou-se e contorceu-se para que as correntes escorregassem.

Mas foi então que ouviu passos. Provavelmente, ele estaria a caminho da cave. Agora não era o momento para lutar com as correntes. Deixou o seu corpo exausto amolecer.

Ouviu a porta abrir-se no topo do lanço de escadas que conduziam da casa à cave. Depois ficou cega pela luz do teto. Fechou os olhos, fingindo dormir. Ouviu o som dos seus passos a descer as escadas.

Dali a poucos segundos, ouviu a sua respiração ao inclinar-se sobre ela. Sentia que ele tocava nas correntes. Como sempre fazia. Começou a sussurrar-lhes – um sussurro tão ténue que ela não conseguia perceber o que dizia. Era como se ela não estivesse ali e as correntes fossem a única coisa viva naquela cave.

Como enfermeira, lidara no passado com doentes psicóticos. Aquele homem estava gravemente afetado mentalmente e ela sabia-o bem. Frequentemnete ia para a sua mesa de trabalho e esticava outras correntes que ali guardava. Conversava longamente com elas, às vezes discutindo, outras vezes jurando-lhes lealdade, outras assegurando-lhes que tudo estava a correr como planeado.

Quando tentava dizer-lhe alguma coisa, era sempre impedido por um indindável gaguejo. Mas com as correntes conseguia sempre comunicar sem problemas.

Ela respirava lenta e regularmente como se estivesse a dormir. Passado algum tempo, ouviu passos a subir as escadas e a entrar na casa. Ouviu a porta da frente a abrir e a fechar. Abriu os olhos. Estava escuro como breu novamente.

Ficou à escuta mais atentamente. Não ouviu mais passos acima de si. Isso devia querer dizer que ele tinha saído. Às vezes desaparecia durante várias horas e era isso que ela esperava tivesse sucedido agora.

Todo o seu corpo gritava de dor ao começar a contorcer-se novamente. Qual traça lutando para sair de um casulo, ela conseguiu que as correntes escorregassem pelo seu abdómen. Passados alguns segundos estava livre de correntes da cintura para cima.

Lutando contra o colete-de-forças conseguiu sentar-se. Por momentos ficou tonta e quase desmaiou, mas rapidamente recuperou e abanou e contorceu as pernas até as correntes escorregarem pelos tornozelos. Ergueu os joelhos e libertou-os.

Estava sentada à beira do berço, ainda presa ao colete-de-forças. Agora chegara o momento de lidar com esse problema. Desde que ali chegara que pensava na forma de se libertar dele. Estava inconsciente quando ele a prendera com ele, mas devia tê-lo feito apressadamente porque não estava muito apertado.

Lembrou-se de ter visto um mágico na televisão a demonstrar como se libertar de um colete-de-forças. Recordou tudo o que o que tinha visto nesssa altura.

Eu posso fazer aquilo, Pensou. Eu vou fazer aquilo.

Primeiro relaxou e exalou, tornando o corpo o mais pequeno possível. O colete-de-forças ficou mais lasso. Depois balançou um braço na direção do ombro oposto. Daquela posição, não era difícil levantar o braço e puxar a alça que a prendia sobre a cabeça e a frente do corpo. Levantou o cinto da manga até ao rosto, depois abriu-o com os dentes. Depois repetiu a operação no outro braço.

Agora tinha as mãos completamente livres. Era fácil desatar os restantes cintos, levantar-se e libertar-se do colete-de-forças.

Mas já livre, a dor era maior do que nunca e caiu no berço. Os músculos não eram utilizados há vários dias e estavam a agonizar, e havia partes do seu corpo dormentes devido à falta de circulação de sangue.

Agitou-se e depois reuniu toda a sua força de vontade e obrigou-se a erguer-se novamente. Sabia que havia uma porta na cave que conduzia ao exterior. Também havia uma escada que conduzia à casa. O homem que a tinha presa entrara por ambos os lugares.

Apalpando com as mãos e os pés, encontrou uma saída para a porta das traseiras. Tateou até encontrar a maçaneta da porta. Rodou-a. A porta não se abriu. Apalpou a maçaneta e percebeu que não a poderia abrir sem uma chave.

Durante alguns momentos, Carla quase pensou em desistir. Para sair daquela cave teria que subir à casa. Finalmente reuniu coragem para o fazer. Na verdade, não tinha outra opção.

A cave estava completamente às escuras, mas ainda assim tinha uma ideia de como chegar às escadas. Deambulou até encontrar o corrimão e o primeiro degrau. Passo a passo, moveu-se o mais silenciosamente possível para cima. Quando alcançou a porta no topo das escadas, não estava trancada.

Carla empurrou a porta e entrou na casa do assassino. A sala de estar exígua e sombria estava silenciosa. O assassino não devia estar em casa.

A fraqueza de Carla quase a atraiçoou naquela altura. Não comia há vários dias e foi acometida por uma tontura. Mas conseguiu reunir a determinação necessária e mover-se pela pequena sala até à porta da frente.

Quando abriu a porta, olhou lá para fora para a fraca luz do dia. Não sabia dizer se era manhã ou tarde. Uma carrinha branca estava estacionada à porta – a mesma carrinha que o homem utilizara para a capturar. Para além disso, viu outra casa a uma curta distância ao fundo da rua.

É para lá que tenho de ir, Disse a si própria.

Mas ao mover-se naquela direção, o pequeno homem de pesadelo apareceu do outro lado da carrinha. Devia andar por ali e agora surgira mesmo a tempo de a ver. Segurava um monte de correntes pesadas numa das mãos quando os seus olhos se encontraram. Ela abriu a boca e tentou gritar, mas nenhum som saiu.

Virou-se para dentro de casa e tentou fechar a porta para manter o homem lá fora, mas ele era demasiado rápido e alcançou-a sem dificuldade.

Agora Carla apelou a todas as suas energias. Apesar das dores e tonturas, pegou no que encontrou para lhe atirar. Virou uma pequena mesa no seu caminho. Ele contornou a mesa e atirou-se sem piedade na sua direção.

Ela recuou até à pequena cozinha e apanhou uma frigideira pesada que estava na bancada. Deu-lhe uma pancada com força na cabeça e ele caiu de joelhos.

Carla observou-o e mediu-o de alto a baixo, compreendendo, chocada, que ela era mais robusta do que ele. Ele era um homem extremamente frágil.

Carla nunca tinha magoado ninguém na vida, mas agora sentia-se dominada por um instinto animal primário. Sentiu o corpo inundado de raiva e saltou para cima do seu raptor. Imobilizou-o no chão e ficou surpreendida ao perceber que era mais forte do que ele. Aterrou em cima dele e levantou os punhos, esmurrando-o na cara vezes sem conta.

O assassino tentou reagir, mas não conseguia. Em vez disso, gemeu como um rapazinho.

Por fim, parou de se mexer, a cara numa massa sanguinolenta.

Carla olhou para baixo espantada. Sentiu a sala rodopiar e quando se afastou, percebeu como estava fraca e tonta.

Saiu de cima dele, não querendo tocar-lhe ou sequer estar perto dele. Cuspiu-lhe na cara, pisou-o e caminhou na direção da porta sentindo um imenso alívio.

De repente, Carla não conseguia respirar. Não percebia o que se estava a passar até o ouvir atrás dela e sentir correntes à volta do pescoço. Ela lutou e contorceu-se para se libertar, mas desta vez ele era mais forte.

E dali a poucos segundos, tudo ficou completamente negro.

*

Eugene arrastou a mulher pelo pescoço para a porta da cave. Estava inconsciente e era pesada, e caiu nos degraus. Quando olhou com atenção, percebeu que a mulher estava morta. Partira-lhe o percoço ao arrastá-la daquela forma.

“Oh, não,” Lamentou-se.

Lágrimas de sofrimento e pânico inundaram-lhe os olhos. Não era desta forma que as coisas deviam ter acontecido. Ele esperava mantê-la viva pelo menos durante mais uma semana.

Abriu a porta das traseiras, ligou a luz da cave e empurrou o corpo pelas escadas abaixo. Viu as correntes que a haviam preso no berço. Estavam zangadas com ele. Ele sabia que estavam. Tinha-as desapontado.

Pensou que talvez as conseguisse apaziguar com um gesto familiar – fazendo o que tinha feito para matar as outras mulheres. Então pegou na navalha e cortou-lhe a garganta. Mas não valia a pena. Não podia fingir que fizera o que as correntes exigiam.

Agora teria que a levar para o lugar onde a capturara, exibindo-a para que o mundo pudesse ver. Depois disso, precisava de encontrar uma nova vítima rapidamente. As correntes fariam da sua vida um inferno até a encontrar.