Acorrentadas

Blake Pierce · Capítulo 15 de 30

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Acorrentadas

Capítulo 19

Riley estava outra vez aninhada no escuro. Conseguia sentir o odor a mofo do lugar, sentir a terra debaixo dela. Mas desta vez estava pronta. Agarrava com força na Remington. Estava carregada e pronta a disparar.

“Mostra-te, seu filho da puta,” Rosnou Riley.

Estava tão escuro que não conseguia ver nada, nem mesmo a sua arma. Mas no momento em que viu a luz daquela chama, só o queria matar.

Foi então ouviu aquela risadinha familiar.

“Achas que te vou facilitar a vida?”

De imediato apontou a arma na direção da voz, mas de repente o som surgiu de uma outra direção.

“Não é fácil ver-me sem o meu maçarico, não é?”

Ela apontou a arma para essa nova direção mas agora a voz vinha diretamente detrás dela.

“Desiste,” Disse Peterson. “Estou a ficar cada vez melhor nisto.”

Agora a voz estava à direita dela.

“E estou a divertir-me imenso.”

Agora ouviu-a à esquerda.

“Nunca vais chegar a ela a tempo.”

Ergueu a arma e disparou.

Riley acordou ao som da voz de Bill.

“Toma alguma coisa para comeres.”

Riley abriu os olhos, ainda a estremecer do pesadelo. Estava deitada no banco de trás do SUV. Bill estava sentado com um saco de papel e dois copos de café fumegante nas mãos.

Riley lembrava-se – a longa e fútil procura, fazer perguntas que não levavam a lado nenhum e a luta à saída do bar. Tinha voltado para o SUV para se deitar. Só queria dormir um pouco.

“Que horas são?” Perguntou.

“Quatro,” Respondeu Bill.

Riley sentou-se e viu que agora o SUV estava parado num pequeno parque de estacionamento.

“Porque é que me deixaste dormir?”

Bill vasculhou o conteúdo do saco.

“Já não havia ninguém com quem falar – pelo menos ninguém sóbrio. De qualquer das formas, parecia que tinhas tido ação suficiente para uma noite. Eu também dormi um pouco. Quando acordei, vim até esta loja de conveniência em que estive a noite passada. Está sempre aberta.”

Bill entregou-lhe um copo de café e uma sanduíche.

“Obrigado,” Disse Riley, grata por Bill não lhe fazer perguntas. Não queria falar sobre a sua tentação de beber, nem sobre como pulverizara aqueles dois tipos. Desembrulhou a sanduíche. Era de ovo e salsicha. Riley trincou-a com sofreguidão, estava esfomeada.

“Tenho boas notícias,” Disse Bill. “O tipo da caixa no restaurante mudou desde que lá estive pela primeira vez. O novo tipo disse-me que tinha visto o Peterson. Pensa que ele trabalha numa mercearia de bairro aqui perto.”

Riley bebeu um último gole de café.

“De que é que estamos à espera?”

Riley entrou na loja para ir à casa de banho. Quando saiu, ela e Bill caminharam alguns quarteirões até chegarem à pequena mercearia. Parecia um negócio familiar. Havia luzes no interior, mas Riley ficou desiludida ao perceber que a loja só abria às nove. Depois olhou pelo painel de vidro fosco da porta e detetou movimento lá dentro. Alguém se inclinava sobre uma caixa e tirava coisas lá de dentro.

Riley bateu à porta com força. Uma mulher pequena de tez morena levantou-se e olhou para ela, depois continuou a colocar a mercadoria na prateleira. Devia ser a proprietária a encher as prateleiras antes de abrir. Riley bateu novamente à porta, segurando o distintivo contra a janela. A mulher acorreu à porta e olhou para a identificação.

“FBI,” Gritou Riley. “Abra a porta.”

A mulher destrancou a porta, olhou para Bill e Riley e finalmente deixou-os entrar.

“Sou a Agente Especial Riley Paige e este é o meu parceiro, o Agente Especial Bill Jeffreys. Estamos à procura de um suspeito de homicídio.”

Bill mostrou-lhe o panfleto.

“Viu este homem?” Perguntou.

“Parece…” Principiou por dizer, olhando para as fotos. Encarou Riley. “Parece-me um homem que trabalhou aqui até há umas semanas atrás. Mas porque é que estão à procura dele?”

Riley disse, “É procurado por rapto e homicídio.”

A mulher parecia chocada. “Sempre foi muito agradável por aqui,” Disse, sorrindo como se se estivesse a lembrar de alguma coisa. “Conseguia ser muito encantador.”

Bill advertiu-a, “Este homem é muito perigoso. Não o deixe aproximar-se de si nunca mais.”

A mulher ficou mais séria. Apontou na direção da foto. “Mas este não era o seu nome. Era Bruce. Deixe-me ver…”

Levou Bill e Riley até ao balcão e consultou o computador à procura de informação. “Sim, Bruce Staunton.”

A mulher olhou para Riley e Bill ansiosamente.

“Dizem que é suspeito de homicídio?”

“Temo bem que sim,” Disse Riley. “Precisamos que nos diga qualquer coisa que nos permita encontrá-lo. Tem a morada dele?”

A mulher procurou novamente no computador.

“Sim, mas está desatualizada. Vivia aqui perto. Dissera que se acabara de mudar e queria trabalhar mais perto de casa. Foi por isso que se despediu.”

Riley reprimiu um grunhido de desilusão.

“Não deixou qualquer morada de encaminhamento? Perguntou Riley.

“Ou onde estaria a trabalhar?” Perguntou Bill.

“Não, mas disse que ia para Nordeste. Disse que planeava ficar mais próximo do rio.”

Riley sabia que Washington D.C. estava dividida em quatro quadrantes geográficos. Eles estavam agora a Noroeste, por isso o distrito Nordeste de que a mulher estava a falar devia ser logo a este dali. Mas era uma área grande.

“Que rio?” Perguntou Bill.

“O Anacostia. Nunca lá estive, mas sei que é nesse distrito.”

A mulher mostrou um mapa no computador.

“Vejam,” Disse, apontando para onde suspeitava que ficasse. “Pelo que ele disse, era para onde iria. Algures por aqui, no Nordeste e do outro lado do rio.”

Riley agradeceu à mulher que destrancou a porta e os deixou sair.

“Posso estar enganada,” Disse a mulher. “Pode não ser o homem da foto.”

“É ele mesmo,” Disse Bill. “Não o deixe entrar se voltar. Chame a polícia.”

Ela assentiu e fechou a porta.

Riley já regressava para o local onde tinham estacionado o carro. Bill apanhou-a e disse. “Vou passar esse nome, pode ser que surja algo.”

Quando chegaram ao SUV, Riley sentou-se no lugar do condutor enquanto Bill começou a ligar para a UAC. Passados alguns momentos, Bill olhou para Riley com uma expressão de surpresa.

“Um homem chamado Bruce Staunton alterou recentemente a morada,” Disse Bill.

“Onde é a nova?”

Alguns segundos depois Bill disse, “É na área que a mulher da mercearia referiu.”

“Então vamos.” Riley ligou o carro.

“Não tão depressa,” Disse Bill. “Há qualquer coisa de errado. Isto foi demasiado fácil. O Peterson é esperto. Ele sabia que íamos fazer perguntas sobre ele. E mesmo assim, disse à patroa que se ia mudar e até se deu ao trabalho de alterar a morada para o encontrarmos? O que depreendes disto?”

Riley não respondeu. Fez marcha atrás no SUV e saiu do lugar de estacionamento. Depois ficou virada para a rua.

“Tu dizes para onde, eu conduzo.”

Bill tinha razão e ela sabia. O Peterson tinha dado a informação à mulher por uma de duas razões. Ou a queria afastar ou a queria atrair a uma armadilha.

Riley esperava que a estivesse a atrair para uma armadilha. Estaria mais do que preparada para tratar dele.