Acorrentadas
Capítulo 40
Ao olhar para a sua casa nova, Riley sentiu-se mais livre, mais sortuda e mais rica do que alguma vez fora, mesmo na elegante casa que partilhara com Ryan. Afinal de contas, esta casa, era dela.
Mesmo assim, algo a incomodava.
O que é? Pensou.
Não conseguia perceber.
Sem dúvida que aquela casa superava todas as suas expetativas. O piso principal era aberto com as áreas de estar e de jantar unidas, e um grande terraço nas traseiras. A cozinha era fabulosa, maior do que o necessário, mas Gabriela adorava-a.
E fora o quarto de Gabriela que decidira Riley a comprar a casa. O quarto da cave que se abria para um pequeno quintal traseiro tinha sido convertido naquilo que a agente imobiliária designara de “in-law suite”. Era um quarto com carpete, lareira a gás e uma casa de banho privativa.
Gabriela estava lá naquele momento, a desfazer as malas e a organizar as suascoisas.
April apareceu vinda da cozinha a comer uma sanduíche.
“Como está a ser organizar o teu quarto?” Perguntou Riley.
“É tão grande!” Disse. “É o dobro do tamanho do que tinha! E também o roupeiro!”
Riley sorriu, sentindo-se feliz pela primeira vez em muito tempo. Sentindo-se como uma verdadeira mãe.
“Então já o posso ver?” Perguntou Riley.
“Ainda não. Ainda me falta arrumar mais algumas coisas. Depois vou precisar da tua ajuda para pendurar algumas coisas na parede.”
“Diz-me quando.”
April engoliu o resto da sanduíche e depois disse, “Mãe.”
“Sim.”
“Mãe, adoro isto tudo! Adoro esta casa. Adoro o meu quarto.”
“E eu adoro-te,” Disse Riley, dando-lhe um abraço.
April também a abraçou e depois subiu as escadas.
Riley suspirou de alívio. Não só a filha adorava a casa nova como era outra vez a alegre adolescente que se apagara durante vários meses.
Tivera a sorte de encontrar a casa antes de entrar no mercado graças à dica de um colega. Quantico ficava a apenas trinta minutos de distância e April poderia utilizar transportes públicos – nada de boleias. E não teria que mudar de escola.
Sem dúvida que era um novo começo, o início de uma vida diferente. Estava confiante que seria melhor para ambas. O divórcio concluira-se e Ryan estava a pagar o apoio prometido. Riley e April compreendiam que o seu contacto com Ryan não seria muito frequente. Riley pensou que seria o melhor para todos.
Ryan já tinha uma ligação com uma mulher divorciada de D.C. que o podia sustentar e não ficaria surpreendida se ele se mudasse para Washington mais tarde ou mais cedo.
Sim, Pensou Riley, isto é mais do que bom para nós – April, Gabriela e eu.
Ainda assim, algo a incomodava. Decidiu ignorar. Olhou em seu redor, pensando onde deveria colocar uma nova mobília.
Os seus pensamentos foram interrompidos pela campainha. Quando abriu a porta, deparou-se com Bill.
“Pensei em passar por cá para ver a tua casa nova,” Disse.
Riley percebeu pelo seu sorriso forçado e aspeto cansado que não estava ali só para isso.
“O que é que se passa?” Perguntou.
“Posso entrar?” Perguntou Bill.
“Claro.”
Bill entrou e sentaram-se no sofá.
“A Maggie avançou com o divórcio,” Disse Bill. “Já saí de casa, estou num apartamento perto da UAC.”
“Lamento,” Disse Riley.
Bill abanou a cabeça, confuso e desanimado.
“É só porque tentei que desse certo durante tantos anos,” Disse. “É estranho pensar que acabou. A Maggie e eu éramos estranhos há muito tempo. Mas os miúdos… Não quero ser um estranho para os meus filhos.”
Riley deu-lhe uma plamadinha na mão.
“Não vais ser,” Disse-lhe.
“Não sabes,” Disse Bill.
Riley suspirou. Bill tinha razão. Ela não sabia nada. Havia demasiadas coisas na vida que ela desconhecia.
Bill parecia ansioso para mudar de assunto.
“Este último caso,” Começou, depois abanou a cabeça e suspirou. Percebeu que ainda o assombrava também a ele. De alguma forma, era reconfortante perceber que não era a única a ser assombrada. “Já tínhamos lidado com um tão retorcido?”
Riley pensou por um momento.
“Retorcido? Não, não era bem isso. Mas era o mais ferido.”
“Ferido, retorcido, venha o diabo e escolha,” Disse Bill, abanando a cabeça. “Correntes e coletes-de-forças e uma navalha – é uma nova combinação para mim.”
Riley recordou a sua experiência com a mente do assassino das correntes.
“O Eugene foi o assassino mais relutante que já conheci,” Disse. “Mas ele nunca pararia se não o tivéssemos impedido.”
“E nós impedimo-lo,” Disse Bill. “Somos bons nisso. Juntos, somos muito bons.”
*
Passado um pouco, Bill foi-se embora. Tinha dito que não a queria incomodar agora que tudo lhe estava a correr tão bem. Ela tinha protestado dizendo que ele nunca incomodava e nunca incomodaria, mas foi-se embora na mesma.
Ao vê-lo ir-se embora, pensou no homem profundamente decente que era. Tinha sorte em tê-lo como parceiro e como amigo. O que quer que acontecesse dali para a frente, esperava que nunca colocasse a sua amizade em risco. Já tinham estado muito perto de a perder.
Depois entrou em casa e foi para a varanda das traseiras. Várias casas abaixo, crianças brincavam no quintal. Riley desejara exatamente aquilo – uma vizinhança onde as pessoas vivessem vidas normais de uma forma normal.
O que faltava? O que é que estava errado?
Depois lembrou-se – ainda tinha dificuldade em ver-se ao espelho. Os rostos de todas aquelas vítimas e monstros a encararem-na de frente. E agora também havia o rosto de Eugene, os seus olhos brilhantes cheios de sofrimento, culpa e ódio de si mesmo. Ela compreendia demasiado bem o que estava por detrás daqueles olhos. E por muito horrível que ele fosse, o seu destino ainda a assombrava.
Com Peterson tinha lutado e morto num acesso de instinto primário, de autopreservação, por ela e pela filha.
Com Eugene usara os seus poderes de empatia e compreensão.
Com Eugene tinha usado a sua força mental.
E mais ninguém poderia compreender isso a não ser ela.
Ela sabia que mais monstros espreitavam por esse mundo fora, provavelmente em mais variantes do que ela poderia jamais imaginar. O seu trabalho era pará-los. Mas o que faria da próxima vez que enfrentasse os que atormentavam e destruíam?
Lembrou-se do que Hatcher lhe dissera.
“Páre de lutar contra isso.”
Ainda não sabia o que ele quisera dizer com aquilo, mas começava a pensar que era algo grande, talvez tão enorme como a sua própria vida. E que significado retirar do facto de um assassino compreender coisas a seu respeito que ela própria não compreendia?
O telemóvel interrompeu as suas dúvidas. A chamada era de Brent Meredith. Ela sabia que ele não ligava apenas para saber como estavam as coisas.
O seu coração bateu com mais força. Ele estava a ligar por causa de um novo caso.
Ficou algum tempo a olhar para o telemóvel a tocar. Virou-se, olhou pela janela, para o quarteirão, para a sua nova casa – para todo o lado menos para o telemóvel.
Mas continuava a tocar insistentemente. Era como a sua vida, como a maré de casos que nunca terminavam, sempre a voltar.
Páre de lutar contra isso.
Queria ele dizer lutar contra a necessidade de aceitar um caso? Ou outra coisa? Lutar para ter uma vida? Viver a vida pela primeira vez?
Riley observou o telemóvel a tocar, sem parar.
Desta vez não foi tão rápida a atender.
E não sabia se o voltaria a ser.
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ANSIAVA
(Um Mistério de Riley Paige—Livro #3)
ANSIAVA é o livro #3 da série de mistério de Riley Paige que começou com SEM PISTAS (Livro #1) – um livro de download gratuito com mais de 100 opiniões com cinco estrelas!
Quando prostitutas aparecem mortas em Phoenix, não se dá grande importância ao caso. Mas quando é descoberto um perturbador padrão nos homicídios, a polícia local depressa compreende que se trata da obra de um assassino em série que os ultrapassa. Devido à natureza única dos crimes, é chamado o FBI que precisará de chamar à ação a sua mente mais brilhante para deslindar o caso: A Agente Especial Riley Paige.
Riley, ainda a recuperar do seu último caso e a tentar reconquistar a sua vida, está de início relutante em aceitar o caso. Mas depois toma conhecimento da natureza grave dos crimes e compreende que o assassino atacará novamente em breve e deixa-se convencer. Começa a sua busca pelo assassino e a sua natureza obsessiva leva-a longe demais – talvez demasiado longe desta vez para poder recuar.
A busca de Riley leva-a ao perturbador mundo da prostituição, de casas desfeitas e de sonhos quebrados. Riley aprende que mesmo entre essas mulheres há esperança, esperança que está a ser roubada por um violento psicopata. Quando uma jovem adolescente é raptada, Riley, numa corrida frenética contra o tempo, luta para entrar nas profubdezas da mente do assassino. Mas o que descobre vai conduzi-la a uma reviravolta demasiado chocante até para ela.
Um thriller psicológico negro com suspense inimaginável, ANSIAVA é o livro #3 da incrível nova série – com uma inesquecível nova personagem – que o obrigará a não largar o livro até o terminar.
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ANSIAVA
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Blake Pierce
Blake Pierce é autor da série de mistério de sucesso RILEY PAIGE que inclui os thrillers de
suspense e mistério SEM PISTAS (livro #1), ACORRENTADAS (livro #2) e ONCE CRAVED (livro #3). Blake Pierce também é autor da série de mistério MACKENZIE WHITE.
Leitor ávido e eterno fã do género thriller, Blake gosta de interagir com os leitores por isso, não
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LIVROS DE BLAKE PIERCE
SÉRIE DE MISTÉRIOS RILEY PAGE
SEM PISTAS (Livro 1)
SÉRIE DE MISTÉRIOS MACKENZIE WHITE
ANTES QUE ELE MATE (Livro 1)
SÉRIE DE MISTÉRIOS AVERY BLACK
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