Dias perfeitos

Raphael Montes · Capítulo 8 de 32

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Dias perfeitos

Capítulo 8

Téo estava bem-humorado, quase bobo. Havia colocado um CD do Caetano Veloso para tocar. Admirava Clarice dormir — um filete de saliva escorria de sua boca até o queixo, e ele o enxugava com carinho. Ainda na garagem do prédio, aproveitando que estava deserto, pusera Clarice no banco do carona, algemada, sem que pudesse bater os pés ou as mãos. Tinha verificado se as algemas eram perceptíveis pelo lado de fora: os vidros fumê impediam quase toda a visão. Apenas alguém muito atento conseguiria notá-las.

O carro serpenteava a estrada a noventa por hora, mas reduziu quando começou a subida da Serra dos Órgãos.

Teresópolis ficava a quase mil metros de altitude, cercada por florestas e montanhas. No horizonte, Téo conseguia ver o Dedo de Deus, uma formação rochosa que lembra um indicador apontando o céu. Havia pesquisado na internet o Hotel Fazenda Lago dos Anões.

O site disponibilizava fotos dos quartos, das áreas de lazer e da mata verde. Era ótimo que o lugar fosse isolado, alguns quilômetros antes da entrada principal da cidade. Ele queria mesmo ficar a sós com Clarice.

Ela respirava de modo pesado, como se resfriada.

Continuava inconsciente. Os cabelos castanhos caíam na frente dos ombros, cobrindo o rosto e o peito. Aos poucos, ela acordou. Caetano levava “Sonhos” num solo de violão. Téo adorava aquela música. Tudo era apenas uma brincadeira e foi crescendo, crescendo, me absorvendo e de repente eu me vi assim completamente seu. Sorriu para Clarice. Ela estava séria e muito tonta.

Olhou para fora: via carros passarem depressa, o verde margear a estrada íngreme. Uma placa indicava a direção da Gruta do Inferno. O silêncio dela durou mais alguns minutos. Quando virou o rosto e ele pode vê-la de perfil, Clarice tinha os olhos abertos, mas não parecia assustada.

“Preciso de um cigarro”, ela disse. A voz saía porosa.

Téo gostou de seus bons modos e concordou. Havia trazido o Vogue de menta. Esticou o braço e abriu o porta-luvas, pois Clarice tinha as mãos amarradas para trás, ao redor do banco. Pôs o cigarro na boca dela e acendeu o isqueiro. Abriu uma fresta na janela para que a fumaça escapasse.

Ela fechou os olhos, soltando baforadas. Não conseguia firmar o cigarro entre os lábios e ele teve que ajudar: colocava e tirava o cigarro, sem desviar a atenção do trânsito.

“Fumar não é apropriado agora… Seus pulmões estão congestionados.”

Ela não se importou. Entre tossidas e pigarros, deu novas tragadas. Téo queria que ela não fumasse. Mas Clarice se bastava com seu cigarro.

“Você não vai falar mais nada?”, ele perguntou.

O CD voltou ao início. O cigarro acabou e Téo jogou a guimba pela janela. Clarice ainda tossia.

“Por que está fazendo isso comigo?”, ela disse, finalmente.

Téo indicou a placa na estrada: Parque Nacional Serra dos Órgãos. Faltavam poucos quilômetros agora.

“Não consegue ver para onde estamos indo?”

“Por que está fazendo isso comigo?”

“Vamos pra Teresópolis. Não se preocupe, trouxe seu notebook.”

“Meu notebook?”

“Sim, e tudo o mais que você precisa pra escrever. Não vai faltar nada.”

“O que você pretende? Estou algemada no banco.

Tonta… Não sei… que dia é hoje…”

“Não precisa ter medo. Desculpa pela tontura. Talvez eu tenha exagerado um pouco.”

“Um pouco?! Você tem noção do que…?”

“Não grita. Por favor”, ele pediu, com calma. Desligou o rádio.

Ela retomou a conversa:

“É um sequestro. Você viu minha casa, achou que eu tenho grana e resolveu…”

“Não é nada disso.”

Pensou em dizer que jamais faria algo tão mesquinho, mas preferiu ficar quieto. Ela só queria provocá-lo.

Mesmo nauseada, Clarice era pulsante.

“Me explica”, ela insistiu.

“Não tem o que explicar. Você disse que ia passar um tempo em Teresópolis. É pra onde estou te levando.

Vamos passar um tempo juntos.”

“Não quero ir pra lugar nenhum com você.”

“Para com isso, Clarice. Não pode ser tão ruim assim.

Serei boa companhia, prometo.”

Ela se contorceu, como se sentisse um fisgar na cabeça.

“O que você quer?”

“Que me conheça melhor. Você sabe, estou fazendo a minha parte por nós dois.” Ele religou o rádio. A voz de Caetano ao fundo era apropriada para o que ele pretendia dizer a seguir. “Se eu não tivesse te procurado depois, tudo teria acabado naquele churrasco. A gente nunca mais teria se visto. Seria um desperdício.”

“Eu…”

“Comecei a ler seu roteiro. Pretendo terminar no hotel.

Enquanto isso, você escreve. Vai ser incrível!”

“Eu quero ficar sozinha.”

“Ah, Clarice, seja razoável!”

“Quero ficar sozinha!”

“Você não tem mais idade pra querer tudo do seu jeito.

Fica tranquila que vai ter um espaço só seu”, ele disse.

“E podemos conversar sobre arte, literatura e tudo mais.”

“Estou com medo, Téo.”

“Somos dois adultos. Duas pessoas com interesses em comum que vão passar um tempo juntas. Qual o problema?”

A paisagem ganhava elementos urbanos: veículos estacionados, floriculturas, lojinhas de queijos e salames.

Tomaram um caminho de terra.

“Falta pouco. Preciso que você se comporte.”

Clarice concordou, mas Téo não se convenceu. Ela se agitou ao vê-lo pegar a seringa no porta-luvas. Tentou desvencilhar os braços, mas tinha os movimentos limitados. Ele teve que parar o carro no acostamento para controlá-la. Encontrou uma veia e injetou o sedativo. O rádio tocava “Queixa”. Um amor assim delicado, você pega e despreza. Não devia ter despertado, ajoelha e não reza. Sentiu-se frustrado, pois a conversa, a música, tudo estava tão agradável que ele não queria que tivesse fim.

Assim que chegou, intuiu que teriam uma ótima estadia. Cercado por árvores e flores diversas — uma coloração exótica, com tons azuis, amarelos e lilases que Clarice devia adorar —, o caminho de cascalho ia desde a porteira até uma casinha de madeira com a placa de recepção.

Atrás do balcão, dois anões se enfrentavam em uma partida de xadrez. O jogo foi interrompido quando Téo entrou, fazendo soar um penduricalho metálico preso à porta. A cena era inusitada, e ele teve que segurar o riso quando um dos anões — o que parecia mais velho — deu as boas-vindas. Jamais poderia imaginar que o Hotel Fazenda Lago dos Anões fosse realmente administrado por uma família de anões.

Informou que tinha uma reserva no nome de Clarice Manhães.

“Hoje é quinta. A reserva dela começava na terça”, o anão disse, baixando os óculos à ponta do nariz e fixando os olhos em Téo. Não tinha nem precisado consultar o computador.

“Sim, tivemos uns problemas. Só pudemos vir hoje.

Não me diga que estão lotados!” Ele ensaiou um tom de preocupação.

“Ela vem muito ao nosso hotel”, o outro anão disse.

“Sozinha, normalmente.”

“Sou namorado dela. Ela está dormindo no carro. Ficou um pouco enjoada na estrada. De que documentos o senhor precisa?”

Téo abriu a carteira, como se procurasse o cartão de crédito. Deixou que o anão visse a foto reduzida no compartimento plástico da carteira. Ele e Clarice no parque Lage.

“Não precisa de documento. O chalé é o que fica perto do lago.”

“Certo.”

“Tem uma escrivaninha para que ela escreva”, disse, com certo orgulho. “E é o mais isolado de todos. Clarice sempre faz questão de silêncio pra trabalhar.”

Téo não gostou do jeito afetado com que o homem se referia a ela e já queria ir embora. O anão deixou a chave sobre o balcão:

“Nossos chalés não são numerados. Cada um recebe um nome diferente. O de Clarice é o Chalé Soneca. Ela sabe onde fica.”

Téo concordou. Pegou a chave e foi para o carro com a sensação de que estava imerso em um conto de fadas.

Estacionou o Vectra próximo ao quarto. Caía uma chuva fina, quase invisível. Na porta, um gnomo de chapéu vermelho indicava o Chalé Soneca. O ambiente era amplo, com um par de janelas voltadas para o lago.

Três pedalinhos amarelos planavam vazios na água mansa. O chalé ficava distante dos outros, quase escondido pela vegetação. Téo pegou Clarice nos braços

e tomou cuidado para que ela não ferisse a cabeça no batente da porta. Ao deitá-la, notou que os pés da cama de casal eram fixos ao chão, o que lhe pareceu apropriado. Pegou cobertores no armário com cheiro de madeira envernizada e os deixou sobre o lençol.

O chalé era rústico, explorando tons escuros e quadros de paisagens campestres. Na parede próxima ao banheiro estava a escrivaninha de que o anão tinha falado. Téo deixou o notebook sobre a mesa e confirmou que não havia sinal de Wi-Fi. Lembrou-se também de tirar o filtro de linha do aparelho de telefone. Escondeu-o no alto do armário, junto à chave da porta do banheiro.

Entrou no quarto com as malas, mas preferiu deixar o tapete no bagageiro. Tomou banho e vestiu uma camisa de cor clara para combinar com Clarice. Espreguiçou-se na poltrona diante da escrivaninha para continuar a leitura de Dias perfeitos. Com esferográfica, fez marcações no texto impresso. Achara o argumento malfeito, quase desleixado. O roteiro era melhor, mas ele faria algumas sugestões.

Voltou à recepção e perguntou se era possível conseguir algo para comer. Clarice continuava indisposta, mas estava faminta. Conseguiu biscoitos e geleias de morango e damasco caseiras. Trouxe também sopa de batata com croutons. Deixou o roteiro de lado e voltou ao romance policial que estava lendo — o clássico Crimes tropicais, de Amália Castelar.

Não interrompeu a leitura quando Clarice despertou.

“Para de me dopar”, ela disse, rouca. “Por favor.”

Téo concordou em silêncio. Deixou o livro de lado e apontou a bandeja na cabeceira.

“Você deve estar com fome. Não quero que fique fraca.”

Havia colocado os biscoitos de água e sal num prato plástico. Nas compotas de geleia, substituíra as espátulas por colherezinhas. Ela se sentou na cama, as pernas escondidas no cobertor. Pegou a sopa.

“Quero que você prove antes.”

Estendeu a tigela para Téo.

“Obrigado, não estou com vontade.”

“Apenas uma colher.”

“Não sei o que você pensa de mim, Clarice. Juro que não coloquei nada na sua sopa.”

“Não confio em você.”

“Vai ser muito difícil se continuar assim”, ele disse.

Aproximou a poltrona da cama. “Não quero brigar. Juro que não tem nada na sopa.”

Ela levou a colher aos lábios, mas recuou.

“Não confio em você! Não confio em você!” Espatifou a tigela contra a parede.

“Não grite”, ele disse, impaciente por ter que repetir.

“Ninguém te ouve daqui. O que ganha fazendo uma coisa dessas?”

Levantou-se e buscou papel higiênico no banheiro.

Recolheu os cacos, os croutons e enxugou o líquido bege e grosso que se espalhava no piso.

“Me surpreende que você tenha recusado a comida.

Não é o que eu esperava. Esperava bom senso e educação, isso sim. Mostra que não posso confiar em você.”

Simulou irritação, embora estivesse achando tudo muito divertido. Era comum que casais brigassem, afinal.

Logo ficariam bem.

“Não quero que confie em mim”, ela disse.

“É uma pena.”

Téo voltou à poltrona. Afastou o notebook e deitou a Samsonite rosa na escrivaninha.

“Caso volte a gritar, terei que usar as mordaças que comprei.”

Tirou as mordaças da mala. Logo ao lado, escondido sob as mudas de roupa, estava o separador de pernas e braços, mas ele preferiu mantê-lo guardado para não assustá-la.

“Vou evitar ao máximo o uso do sedativo. Mas preciso que confie em mim… Coma os biscoitos.”

Esperava que ela avaliasse a situação e concluísse que o melhor era se aliar a ele, ao invés de contrariá-lo.

Clarice esticou o braço até os biscoitose passou geleia de damasco. Enquanto mastigava, disse:

“Você falou que quer que eu te conheça melhor… Pra quê? Nós não temos um relacionamento.”

“Não temos, mas podemos ter. Você não tinha por que me beijar naquele churrasco se não tivesse sentido alguma coisa por mim. Não adianta negar agora. Você não está em condições de julgar por si mesma. É isso que precisa entender, Clarice. Pense nesta viagem como uma oportunidade para

nós dois.”

“Acha mesmo que me manter trancada e me enfiar a agulha de cinco em cinco minutos vai me fazer gostar de você?”

“Você não me deu opções. Era isso ou nada.”

“Enquanto eu estiver aqui, dopada e algemada, só consigo sentir medo. Um medo fodido do que você é capaz de fazer.”

Lágrimas ameaçavam escapar dos olhos dela, mas ele sabia que não passavam de encenação. Clarice devolveu os biscoitos ao prato.

“Se você quer que eu confie em você, confie em mim também”, ela disse. “Posso te fazer uma promessa.

Entendo o que você fez e não vou contar a ninguém.

Nem à polícia, nem aos meus pais, ninguém.”

“Não fale assim. Você me ofende.”

“Pode confiar. Nada ia acontecer. E seríamos amigos.

Íamos nos conhecer aos poucos. Eu poderia te ajudar. A gente combinaria de sair juntos, de conversar. Te apresentaria algumas amigas também. Seria ótimo!”

Ela parecia muito ansiosa, mas convicta.

“Acho que esta viagem pode fazer você mudar de opinião sobre nós dois”, ele disse. “Só não seja tão impertinente.”

“E se não der certo? Vai me matar?”

“Não sou assassino.”

“O quê, então?”

“Se ao final você não sentir o mesmo que sinto, vou te soltar. Só preciso que me dê a chance de mostrar que podemos ser felizes. A chance que você negou quando tentei me aproximar… Eu jamais te faria mal, Clarice.”

“Você já está me fazendo mal! Minha família deve estar preocupada!”

“Sua mãe sabe que você está comigo. Ela mandou uma mensagem pro seu celular e eu tomei a liberdade de responder. Disse que estamos juntos em Teresópolis e que você está se dedicando ao roteiro.”

“Eu…”

“Isso mostra que tenho boas intenções. Não vou te fazer

mal

nenhum.

Se

você

morrer,

serei

responsabilizado.”

Ficou orgulhoso por ter respostas irrefutáveis às perguntas dela. Prova de que tinha razão.

“Quero ver o que você mandou pra minha mãe.”

Ele pegou o celular na mala e deixou que Clarice lesse a mensagem.

“Quer dizer que eu estou ótima e feliz, então?”, ela desdenhou.

“Não leve tão a sério, minha ratinha. Foi só pra dar um pouco de alegria pra velha.”

Clarice fez perguntas durante toda a tarde. Quis saber quantos dias tinham passado e como tinham chegado ali.

Ela se lembrava de ter tomado banho e perguntou se havia sido na casa dele. Perguntou também sobre o tapete que a mãe mencionava na mensagem. Téo respondeu a tudo.

Entraram num acordo quanto às algemas: caso ela se comportasse, teria que usá-las apenas quando ficasse sozinha ou quando fossem dormir. Deitariam juntos na cama de casal. A mordaça com cadeado seria vestida no banho e em situações excepcionais, quando ele precisasse sair. Ele concordava que era humilhante, mas não via alternativas. Ainda não confiava nela o suficiente para que ficasse livre no banheiro: logo acima do vaso sanitário, havia uma janelinha voltada para os fundos.

Já estava escuro quando ele mandou que Clarice se vestisse para sair. Ela escolheu um vestido dourado muito bonito e guardou uma jaqueta jeans por cima.

Quando estava no banheiro, Téo guardou o revólver na

cintura, escondido sob a camisa. Levou consigo a valise com a seringa e uma ampola de Thiolax.

Foram de carro até o portal da cidade. Téo estacionou em uma ladeira escura, próxima ao centro urbano, e confirmou que ali havia sinal de celular. Discou o número de casa. Como ninguém respondeu, tentou o número de Marli. A amiga de Patrícia demorou a atender e disse que estavam juntas vendo um filme. Ele pediu para falar com a mãe. A ligação foi breve e, durante toda a conversa, Clarice ficou quieta, a cabeça no encosto, os olhos fechados. Antes de desligar, ele explicou novamente que o celular não funcionava no hotel e que não sabia quando voltaria. Despediu-se da mãe com um “te amo também” — queria mostrar a Clarice que ele era um rapaz de família. Entregou o telefone a ela e pediu que ligasse para casa.

“Minha casa?”

“Sim. Uma mensagem não é suficiente pra acabar com a preocupação de uma mãe. Faça como eu fiz. Diga que está comigo, que a viagem está ótima e que o celular não funciona no hotel. Pode dizer também que passará a se comunicar por mensagens, pois precisa se isolar pra escrever. E deixa no viva-voz.”

Ela concordou. Teclou os números.

“Não faça besteiras, por favor. Não quero que a noite termine mal”, Téo disse. Tirou o revólver da cintura e deixou sobre o colo. Ela virou o rosto, fingindo que não tinha visto. As mãos tremiam.

Helena atendeu depressa. Clarice hesitou enquanto a mãe dizia “Alô, quem fala?” do outro lado da linha. Téo pegou o celular e desligou.

“O que está havendo?”

“Eu…” Os olhos dela estavam vermelhos, e ele achou bonito aquele detalhe: diferentemente das lágrimas de crocodilo que ela havia derramado mais cedo, vê-la chorar de verdade a tornava uma pessoa real. É preciso certa intimidade para chorar na frente do outro. Ele mesmo nunca havia chorado diante de ninguém.

“Fica calma, minha ratinha. É importante que você faça a ligação.”

Clarice limpou o rosto com um lenço.

“Vamos, tente mais uma vez. Preciso que você se esforce.”

Ela respirou fundo, os olhos fixos no revólver.

“Não vou usar a arma. Se você obedecer, não vou usar a arma.”

Devolveu o celular para ela, e o som do viva-voz invadiu o carro. Novamente, Helena atendeu rápido.

“É a Clarice”, ela disse. “Tudo bem?”

“Oi, filha, que milagre é esse de ligar?”

“O Téo ligou pra mãe dele. E insistiu que eu fizesse o mesmo.”

“Só esse menino para te dar jeito! Como está em Terê?”

“Tudo bem. O Téo está aqui do lado e… E manda um beijo.”

“Manda outro pra ele. Você sabe, gostei desse rapaz.

Melhor que o outro traste.”

“O passeio está… Está diferente. E meu pai?”

“Ainda viajando, pra variar. Convide o Téo pra jantar aqui em casa quando voltarem. Quero conhecê-lo melhor.”

“Não tenho uma data ainda, mas não vamos demorar”, ela disse. Seus olhos embaçaram, porém as lágrimas não

vieram, deixando-a insegura.

“Esteja de volta pro Natal.”

Téo buscou acalmar Clarice. Através de gestos, lembrou-lhe de falar sobre a falta de sinal no hotel fazenda.

“Talvez eu demore um pouco a ligar…”, ela disse.

“Qualquer coisa, mando mensagens.”

“Tudo bem. Agora me conta, o que você fez com o tapete da sala?”

Clarice olhou para Téo. Roía as unhas, as cutículas.

“Não foi nada de mais… É que…” Ela cuspiu uma cutícula pela janela. “É que eu sujei o tapete quando saía de casa e o Téo achou melhor levarmos pra lavanderia.”

“Espero que esse Téo seja o menino certo pra você. Pra te dar algum juízo. Aposto que o outro namorado deixaria o tapete sujo no chão da sala.”