Estação Carandiru
Pavilhão sete
Quem está na Divineia de frente para o pavilhão Seis, central, fica com o Sete à sua direita, vizinho do Quatro. Os xadrezes do Sete contêm de três a seis pessoas, no máximo, e a maioria dos presos trabalha.
No térreo, como nos outros pavilhões, funcionam a burocracia, os setores de manutenção e o Patronato, que organiza o trabalho encomendado de fora: colocar espirais em caderno, elásticos em pastas, construção de miniaturas de barcos a vela (antiga tradição das cadeias brasileiras), costurar bolas de futebol e outras tarefas manuais.
No segundo andar mora a Faxina, constituída por um grupo de vinte a trinta presos, e nos outros andares os demais habitantes, distribuídos sem ordem aparente. No quinto andar, estão os xadrezes reservados aos que cumprem castigo.
No pátio há uma quadra de esportes e dois campinhos de futebol empoeirados, palcos de batalhas futebolísticas nas quais os atletas não chegam propriamente a primar pela técnica, muito menos pela elegância do vestuário.
O Sete foi construído para ser um pavilhão de trabalho e assim permanece. A ocupação, as práticas esportivas e a relativa ausência de superlotação são responsáveis pela fama de calmo atribuída ao pavilhão. De fato, muitas vezes passam-se dois ou três anos sem ocorrer uma única morte em suas dependências.
Por ser o pavilhão mais próximo da muralha, no entanto, o Sete é o local preferido para as fugas subterrâneas:
— O Sete é a fábrica de túnel da cadeia.