Estação Carandiru
Pavilhão seis
Fica entre o Dois e o Quatro. É o único em posição central no complexo. Tem cerca de trezentos presos.
No térreo funcionou a Cozinha Geral até 1995, quando ela foi desativada e a Casa passou a receber a comida dos presos em quentinhas. As instalações, no entanto, ainda continuam no local: enormes panelas de pressão com o revestimento externo amassado, piso destruído, azulejos despregados e goteiras do teto. À noite, a Cozinha abandonada parece cenário de filme expressionista.
No segundo andar há um auditório enorme, no qual chegamos a reunir mais de mil detentos em palestras sobre prevenção à AIDS. Nesse local funcionou um cinema, até ser destruído numa rebelião. Daí em diante ficou apenas o grande salão, com um palco de madeira elevado, na frente.
No segundo e no terceiro andar do Seis funcionam as salas destinadas à Administração: Vigilância, Disciplina, Departamento de Esportes, Judiciário e diretoria de Valorização Humana.
As celas começam no quarto andar. Dois, três, cinco, até quinze prisioneiros em cada uma delas.
No quinto andar, um setor chamado MPS (Medida Preventiva de Segurança) foi criado como alternativa à superlotação do Amarelo; entretanto, devido ao impacto desagregador do crack na ordem interna, inaugurado, o MPS lotou imediatamente.
Quem visita o Seis encontra rodinhas de homens negros falando uma língua estranha. São nigerianos conversando no dialeto nativo (embora quase todos falem inglês e às vezes português, com sotaque forte). Fazem parte da conexão nigeriana do tráfico de cocaína, detidos no país e aqui obrigados a cumprir pena.
Caçapa, um ladrão que cumpre cinco anos no Seis, que ganhou 20 mil dólares num assalto a banco, com os quais comprou um mercadinho no bairro da Pedreira e, assim, atendeu aos apelos da mulher para que abandonasse o crime e que seis meses depois, para não perder a moral, teve que perseguir e matar os dois adolescentes que assaltaram o referido estabelecimento, tem a respeito dos nigerianos uma opinião que reflete a da maioria:
— Se o senhor pergunta, eles respondem e não esticam o assunto; se não pergunta, eles ficam na deles. Eles não são do Crime, são aventureiros do tráfico, não ajudam e nem atrasam a vida do ladrão, são humildes, sangue bom. A gente enaltece a pessoa deles.