Gray's Anatomia de Superfície e Ultrassom: Fundamentos para a Prática Clínica
Anatomia de superfície
Ossos
Na região anterior, os ossos para exame são:
• clavícula
• costelas e suas cartilagens costais
• esterno
• parte da escápula (processo coracoide)
No aspecto anterior, o esterno está localizado na linha mediana e dividido em:
manúbrio, corpo e processo xifoide (Fig. 2.1). A borda superior do manúbrio é marcada pela incisura jugular (incisura supraesternal). A divisão entre o manúbrio e o corpo do esterno (articulação manubrioesternal) pode ser apalpada como uma
crista conhecida como o ângulo do esterno, o qual está onde a segunda cartilagem costal se articula. Esse é um marco útil para determinar qual costela está sendo apalpada. Se desenharmos uma linha horizontal imaginária posteriormente, desde a
articulação manubrioesternal até a coluna vertebral, a linha geralmente atingirá o disco intervertebral entre a quarta e a quinta vértebras torácicas (T4 e T5). Essa articulação fornece um marco para localizar várias estruturas anatômicas
significativas (isso pode variar devido à variação natural):
• a bifurcação da traqueia
• o início e o final do arco da aorta
• a borda superior do tronco pulmonar
• o ponto no qual o ducto torácico passa da direita para a esquerda.
FIG. 2.1 Projeções de superfície no estudo dos ossos da parte anterior do tórax. CC,cartilagem costal; Cl, clavícula; PC, processo coracoide; IJ, incisura jugular; Man, manúbrio; AMe, articulação manubrioesternal; Es, esterno; PX, processo xifoide; 8, oitava costela.
Movimentando-se lateralmente ao nível da incisura jugular, a extremidade medial
da clavícula pode ser apalpada. A clavícula segue lateralmente em direção à região
do ombro. Adjacentes ao esterno, os espaços intercostais podem ser apalpados entre
as costelas (Fig. 2.2). A palpação dos espaços intercostais é importante para a
colocação correta de um dreno torácico (Fig. 2.14).
FIG. 2.2 Osteologia do tórax. (Modificado de Drake, RL, Gray’s Anatomy for Students, 3rd ed. 2015, Churchill Livingstone, Elsevier.)
Posteriormente, os ossos para exame são:
• vértebras torácicas
• costelas
• escápula
Os processos espinhosos das vértebras estão localizados ao longo da linha
mediana do aspecto posterior. A flexão da coluna vertebral torna esses processos
espinhosos mais proeminentes. O processo espinhoso da vértebra proeminente (vertebra prominens), C7, é o primeiro que pode ser percebido, seguido pela espinha proeminente da primeira vértebra torácica (T1). A escápula se assenta na parede torácica posterior, lateral à coluna vertebral. A espinha da escápula repousa
horizontalmente e fornece um marco útil quando se apalpa a fossa supra-espinal superiormente e a fossa infra-espinal inferiormente. A articulação da escápula fornece a conexão entre a clavícula e o úmero. A escápula tem dois processos principais, o acrômio e o coracoide, que podem ser ambos apalpados. As margens
medial e lateral da escápula estão juntas inferiormente para formar o ângulo inferior. Se um paciente for solicitado a erguer seus braços acima da cabeça, a escápula poderá ser sentida girando lateralmente, o que aumenta o ângulo de abdução na
articulação glenoumeral (ombro) (Figs. 2.3 e 2.4).
FIG. 2.3 Projeções de superfície da osteologia do tórax posterior. Ac, acrômio; PEC7, processo espinhoso de C7; AIE, ângulo inferior da escápula; ASE, ângulo superior da escápula; EE, espinha da escápula; 11, décima-primeira costela.
FIG. 2.4 Visão lateral da coluna cervical e tórax superior. Ac, acrômio; PEC7, processo espinhoso de C7; 1, primeira costela.
Músculos
Os músculos do tórax são importantes para o movimento, ajudar a respiração e cobrir o esqueleto torácico. Alguns músculos abdominais, que serão discutidos mais
tarde (Capítulo 3), estão fixados às porções inferiores do esterno e das costelas. Durante a respiração tranquila, os músculos da respiração não são facilmente
observados, mas sua localização pode ser percebida.
No aspecto anterior, os músculos para exame são:
• peitoral maior
• peitoral menor
• intercostal externo
(Obs.: os músculos das costas são tratados no Capítulo 5). O músculo peitoral maior é um músculo em formato de folha que pode ser
percebido traçando-se o músculo desde sua origem no esterno e na clavícula,
lateralmente à sua inserção na crista do tubérculo maior do úmero. Esse músculo é importante no movimento do membro superior. Embora não seja possível apalpar, o delineamento do músculo peitoral menor pode ser traçado desde sua origem nas
margens superiores da terceira, quarta e quinta costelas, até superior e lateralmente ao processo coracoide. O músculo peitoral menor é importante na estabilização do cíngulo do membro superior.
Os músculos intercostais são importantes na respiração e correm entre duas
costelas adjacentes. Esses músculos, como um grupo, podem ser percebidos localizando-se qualquer espaço intercostal na linha axilar média. Nesse ponto, os
músculos intercostais externo, interno e íntimo localizam-se da superfície para o
fundo (Tabela 2.1) Anteriormente, o músculo intercostal externo é substituído por uma membrana. Posteriormente, o intercostal interno também é substituído por uma membrana. Os músculos intercostais íntimos, mais profundos, são especialmente
proeminentes nos aspectos anterior, lateral e posterior (Fig. 2.5). Eles não se estendem para o esterno anteriormente ou para a coluna vertebral posteriormente.
Para Fazer ( Figs. 2.1, 2.2 e 2.5)
Parede anterior do tórax:
• Apalpar as três partes componentes do esterno: manúbrio, corpo do esterno e
processo xifoide.
• Apalpar a clavícula a partir da articulação esternoclavicular, lateralmente, em
direção à articulação acromioclavicular.
• Apalpar o processo coracoide embaixo da clavícula, lateral à linha
medioclavicular.
• Apalpar as costelas e os espaços intercostais.
• Apalpar o delineamento do músculo peitoral maior.
• Apalpar um espaço intercostal na linha axilar média onde os músculos
externo, interno e íntimo estão localizados.
• Executar uma amplitude de movimentos: flexão, adução e rotação medial do
úmero, para observar a contração do músculo peitoral maior.
• Delinear as cúpulas direita e esquerda do diafragma no quinto espaço
intercostal e sexta costela, respectivamente.
Parede posterior do tórax:
• Apalpar os processos espinhosos das vértebras torácicas.
• Apalpar a espinha e as margens da escápula.
• Apalpar o acrômio acima da articulação glenoumeral (ombro).
Tabela 2.1
Músculos do tórax
Músculo Origem Inserção Inervação Função
Músculos da região peitoral
Peitoral maior Clavícula e Crista do Nervos Adução,
esterno, tubérculo peitorais rotação primeiras maior do medial e medial e sete úmero lateral flexão do
cartilagens C8-T1 úmero na costais articulação
do ombro
Peitoral Superfícies Processo Nervos Deprimir a
menor anteriores coracoide peitorais ponta do
da terceira, da mediais ombro
quarta e escápula C5-7 quinta
costelas
Músculos da parede torácica
Intercostal Margem Margem Nervos Mais ativo
externo inferior da superior intercostais: durante
costela da T1-T11 inspiração acima costela
abaixo
Intercostal Sulco costal Margem Nervos Mais ativo
interno da costela superior intercostais: durante
acima da T1-T11 expiração
costela
abaixo
Intercostal Sulco costal Margem Nervos Atua com os
íntimo da costela superior intercostais: músculos
acima da T1-T11 intercostais
costela internos
abaixo
Modificado de Drake, RL, Gray’s Anatomy for Students, 3rd ed, 2015, Churchill
Livingstone, Elsevier.
FIG. 2.5 Musculatura do tórax anterior. (Modificado de Drake, RL, Gray’s Anatomy for Students, 3rd ed, 2015, Churchill Livingstone, Elsevier.)
O diafragma é uma folha muscular que separa as cavidades torácica e abdominal.
Ele tem uma cúpula direita, uma esquerda e um centro tendíneo. Em repouso, a
cúpula direita está usualmente localizada ao nível do quinto espaço intercostal e a cúpula esquerda na sexta costela. A cúpula *direita é mais alta que a *esquerda devido à presença do fígado. Ambas as cúpulas demonstraram ser levemente mais
altas nas mulheres. As cúpulas do diafragma são afetadas pela respiração e pela postura, e isso deverá ser considerado no exame de pacientes. Na superfície posterior, a margem inferior do diafragma atinge o nível da décima-segunda vértebra torácica, enquanto que na superfície anterior, a margem inferior está ao nível da
margem subcostal. Três estruturas principais atravessam pelo ou atrás do diafragma. De superior para inferior, são elas: veia cava inferior, esôfago e aorta. Tradicionalmente, essas estruturas têm sido descritas como atravessando nos níveis
vertebrais de T8, T10 e T12, respectivamente. Entretanto, as varreduras por CT demonstraram que para a veia cava inferior pode haver variação, com esse vaso passando mais abaixo, ao nível de T11.
Mamas O tecido das mamas está localizado superficial aos músculos da cintura peitoral. As
mamas geralmente se estendem desde abaixo da clavícula até o esterno e na axila. Existe variação no tamanho das mamas, o que pode dificultar o exame de superfície de outros marcos torácicos. A anatomia de superfície da mama consiste na papila
mamária, central, cercada pela aréola pigmentada mais escura (Fig. 2.6).
FIG. 2.6 Visualização, close-up, da papila mamária e aréola circundante da mama. Ar, aréola; PM, papila mamária. (Cortesia de Drake, RL, Gray’s Anatomy for Students, 3rd ed, 2015, Churchill Livingstone, Elsevier.)
Cavidade torácica
A cavidade torácica está dividida em três partes: duas cavidades pleurais laterais,
que circundam os pulmões, e a cavidade chamada de mediastino. Localizado no
meio do tórax, o mediastino é dividido em mediastino superior e inferior (Fig. 2.7). O mediastino superior se estende desde o plano manubrioesternal até a abertura
torácica superior, enquanto o mediastino inferior se estende desde o plano manubrioesternal até o diafragma. O mediastino inferior se subdivide ainda em mediastino anterior, médio e posterior. O mediastino anterior contém tecido
conjuntivo, assim como os ligamentos esternopericárdicos e resíduos do timo. O timo é um órgão linfoide que se amplia durante a infância e regride durante a vida adulta. O mediastino médio contém o saco pericárdico e o coração, e o mediastino posterior contêm os quatro “tubos”, a saber: parte descendente da aorta, esôfago,
veia ázigo e ducto torácico.
FIG. 2.7 Subdivisões do mediastino. (Cortesia de Drake, RL, Gray’s Anatomy for Students, 3rd ed, 2015, Churchill Livingstone, Elsevier.)
Pleura
A pleura é uma estrutura semelhante a uma folha que compreende duas camadas: uma camada parietal externa, que adere à superfície interna da parede torácica, e a
camada visceral interna (Fig. 2.8). Compreender a extensão da pleura é clinicamente
importante e ela será mais bem compreendida delineando-a (Fig. 2.9).
FIG. 2.8 Pleura e margens do pulmão.
FIG. 2.9 Projeções de superfície da pleura (azul) e dos pulmões (laranja) na parede torácica anterior. AP, ápice do pulmão; SDp, sulco deltopeitoral; FH, fissura horizontal; FO, fissura oblíqua; AEc, articulação esternoclavicular; 4ACe, quarta articulação costoesternal; 6ACe, sexta articulação costoesternal; 7CLMc, sétima costela na linha medioclavicular; 8CC, oitava cartilagem costal na linha mediana; 10CLAM, décima costela na linha axilar média.
Traqueia
Como parte do sistema respiratório, a traqueia, com seus anéis de cartilagem em
forma de “C”, passa do pescoço para o tórax. Ela se bifurca cerca de 3 cm inferiores ao ângulo do esterno, que se localiza entre a quarta e a quinta vértebras torácicas, em brônquios principais (a bifurcação se mostrou levemente mais alta nas mulheres). O brônquio direito é mais amplo, mais curto e mais vertical que o esquerdo. O
brônquio esquerdo é mais estreito e menos vertical.
Para Fazer ( Figs. 2.9 e 2.10 )
Pleura esquerda
Parede anterior do tórax:
• Iniciar localizando o ápice do pulmão esquerdo, que é encontrado 2-3 cm
superiormente ao terço médio da clavícula.
• Inicie sua linha neste ponto (*) e desenhe até a articulação esternoclavicular,
continuando para baixo, ao longo do terço lateral do esterno, até o nível da quarta articulação condroesternal.
• Fazer um arco lateralmente para acompanhar o contorno do coração até a
oitava costela, na linha medioclavicular.
• Agora, estender a linha para baixo até o nível da décima costela na linha
axilar média. Não há junção dessa linha para cima, pois o pulmão continua posteriormente.
• A partir da axila, curvar a linha passando o ombro e acompanhando o sulco
deltopeitoral para se unir ao ponto de partida.
Parede posterior do tórax:
• Fazer um ponto 2 cm laterais ao processo espinhoso da segunda vértebra
torácica. Observar que ele está junto da articulação costotransversária.
• Fazer uma linha a partir desse ponto descendo ao nível da décima-segunda
vértebra torácica.
• Fazer um arco superiormente em direção à parte lateral das costelas,
terminando na linha axilar média.
• No seu ponto de partida, desenhar uma linha curva formando o ápice do
pulmão. Assegurar-se de que o ápice atinja o nível de T1. Continuar essa
linha até o ângulo inferior da escápula, na direção da linha axilar média.
Pleura direita
Parede anterior do tórax:
• Iniciar localizando o ápice do pulmão direito, que é encontrado 2-3 cm
superiores ao terço médio da clavícula.
• Iniciar sua linha nesse ponto (*) e traçar até a articulação esternoclavicular,
continuando para baixo até o nível da oitava cartilagem costal.
• Curvar a linha ao longo das cartilagens costais inferiores até a décima costela
na linha axilar média. Não unir essa linha para cima, pois a margem lateral do pulmão se curva e continua posteriormente.
• A partir da axila, curvar a linha passando o ombro e acompanhando o sulco
deltopeitoral para se unir ao ponto de partida.
Parede posterior do tórax:
• Fazer um ponto 2 cm laterais ao processo espinhoso da segunda vértebra
torácica. Observar que ele está junto à articulação costotransversária.
• Fazer uma linha a partir desse ponto descendo ao nível da décima-segunda
vértebra torácica.
• Fazer um arco superiormente em direção à parte lateral das costelas,
terminando na linha axilar média.
• No seu ponto de partida, desenhar uma linha curva formando o ápice do
pulmão. Assegurar-se de que o ápice atinja o nível de T1. Não unir essa linha para cima, pois a margem lateral do pulmão se curva para continuar
anteriormente.
FIG. 2.10 Projeções de superfície da pleura (azul) e dos pulmões (laranja) no tórax posterior. AP, ápice do pulmão; FH, fissura horizontal; PET1, processo espinhoso de T1; PET10, processo espinhoso de T10; PET12, processo espinhoso de T12.
Para Fazer ( Figs. 2.9 e 2.10 )
Pulmão esquerdo
Parede anterior do tórax:
• Iniciar no ápice do pulmão esquerdo, 2-3 cm acima do terço médio da
clavícula, e desenhar uma linha em direção à articulação esternoclavicular. Continuar a linha ao longo da margem lateral do esterno, até o nível da quarta articulação costoesternal.
• Fazer um arco lateralmente para acompanhar o delineamento do coração até a
sexta costela na linha medioclavicular.
• Estender a linha até a oitava costela na linha axilar média e a décima costela
na linha paravertebral.
• A partir da axila, curvar a linha passando o ombro, acompanhando o sulco
deltopeitoral para se unir ao ponto de partida. A marcação dos pulmões deverá ser realizada nas marcações feitas para representar a pleura.
Parede posterior do tórax:
• Iniciar no ápice da pleura, criar uma linha ao longo da pleura parietal. Na
linha média, estender essa linha inferiormente, até o nível de T10. Nesse nível, desenhar uma linha lateralmente, representando a base do pulmão.
• Para representar a fissura oblíqua, localizar o processo espinhoso de T2 e
desenhar uma linha para baixo e para o lado para se unir à margem do pulmão ao nível do ângulo inferior da escápula.
Pulmão direito
Parede anterior do tórax
• Iniciar no ápice do pulmão esquerdo, 2-3 cm acima do terço médio da
clavícula, e desenhar uma linha em direção à articulação esternoclavicular.
Continuar a linha ao longo da margem lateral do esterno, até o nível da sexta articulação costoesternal.
• Para marcar a fissura oblíqua, fazer uma linha a partir da oitava cartilagem
costal, 2-3 cm mediais à linha medioclavicular, e desenhar obliquamente para cima e para trás em direção à axila.
• Para marcar a fissura horizontal, desenhar uma linha horizontal desde a quarta
articulação costoesternal para atingir a fissura oblíqua na axila.
• Estender a linha até a oitava costela na linha axilar média e a décima costela
na linha paravertebral.
• A partir da axila, curvar uma linha passando o ombro, acompanhando o sulco
deltopeitoral, para se unir ao ponto de partida. A marcação dos pulmões deverá ser realizada dentro das marcas feitas para representar a pleura.
Parede posterior do tórax:
• Iniciar no ápice da pleura, criando uma linha dentro da pleura parietal e
acompanhando-a. Parar ao nível de T10 e desenhar uma linha lateralmente para representar a base do pulmão.
• Para representar a fissura oblíqua, localizar o processo espinhoso de T2 e
desenhar uma linha para baixo e para o lado para se unir à margem do pulmão, ao nível do ângulo inferior da escápula. Notar que a fissura horizontal não se projeta para a superfície posterior.
Traqueia
Parede anterior do tórax:
• Desenhar uma linha em sentido mediano pela incisura jugular.
• Dividir essa linha em dois ramos ao nível da articulação manubrioesternal,
cada uma direcionada para baixo e para o lado, para representar a bifurcação.
Pulmões
Os pulmões são os órgãos principais da respiração. Eles estão rodeados pelas cavidades pleurais e têm formatos variados. O pulmão direito tem três lobos: superior, médio e inferior, os quais são separados por fissuras oblíqua e horizontal.
O pulmão esquerdo tem somente dois lobos: superior e inferior, os quais são separados por uma fissura oblíqua. Os dois pulmões têm uma margem superior, conhecida como ápice, que se assenta logo acima da clavícula, na linha
medioclavicular. As margens dos pulmões acompanham aquelas da pleura, com exceção de que a margem inferior dos pulmões é mais superior, criando assim os recessos costodiafragmáticos. As margens inferiores dos pulmões diferem. A
margem inferior direita, na linha medioclavicular, fica na quinta costela ou sexto espaço intercostal, enquanto a margem inferior esquerda fica na sexta costela ou
sétimo espaço intercostal (Figs. 2.8-2.10).
Coração
O coração é uma bomba muscular de quatro câmaras. Ele está envolto pela cavidade
pericárdica, a qual contém uma pequena quantidade de fluido seroso que permite ao coração bater em um ambiente livre de fricção. A cavidade pericárdica está cercada pelo pericárdio fibroso e pela camada parietal do pericárdio seroso, o qual está
aderido inferiormente ao diafragma e anteriormente ao esterno através dos ligamentos esternopericárdicos. O coração tem duas câmaras de recebimento, os átrios direito e esquerdo, os quais se esvaziam para os ventrículos direito e esquerdo através das valvas atrioventriculares (tricúspide e bicúspide), respectivamente. A
orientação do coração é tal que a margem direita é formada pelo átrio direito. A margem superior é formada pelas partes superiores dos átrios e os grandes vasos. Os corações variam em tamanho entre os indivíduos e sua posição varia da segunda ou
terceira cartilagem costal até a quinta ou sexta cartilagem costal, com o ápice tipicamente localizado na linha medioclavicular, no quinto ou sexto espaço intercostal. A dilatação patológica do coração (cardiomegalia) é comum e pode resultar de várias condições, tais como: hipertensão e doença da valva
atrioventricular esquerda (mitral). Compreender a posição normal é importante para
se reconhecer a cardiomegalia (Fig. 2.11).
FIG. 2.11 Visualização anterior do coração. (Modificado de Drake, RL, Gray’s Anatomy for Students, 3rd ed, 2015, Churchill Livingstone, Elsevier.)
As projeções de superfície das valvas do coração ficam em uma linha oblíqua,
atrás do esterno. Esse alinhamento é muito útil para a auscultação dos sons cardíacos. A valva atrioventricular direita (tricúspide) fica logo acima do nível do
plano da quinta cartilagem costal até a margem lateral direita do esterno, enquanto a valva atrioventricular esquerda (mitral) fica bem à esquerda da linha mediana adjacente à margem superior da quarta cartilagem costal esquerda e terceiro espaço
intercostal. A valva aórtica fica adjacente ao terceiro espaço intercostal, mais ou menos na linha mediana do esterno, e a valva do tronco pulmonar fica no plano da terceira cartilagem costal para a margem lateral esquerda do esterno. Para ouvir as valvas cardíacas existem sítios chave onde colocar o estetoscópio, os quais não estão
simplesmente se sobrepondo às valvas (Fig. 2.12).
FIG. 2.12 Projeções de superfície das valvas cardíacas. (Cortesia de Drake, RL, Gray’s Anatomy for Students, 3rd ed, 2015, Churchill Livingstone, Elsevier.)
Grandes vasos
Os grandes vasos se projetam para cima e passam fora do, ou para dentro do tórax,
para e do pescoço, membro superior e abdome. As veias braquiocefálicas são as mais anteriores dos grandes vasos e estão localizadas logo atrás do manúbrio do esterno. Essas veias são formadas pela fusão das veias subclávia e jugular interna. A
fusão fica logo atrás das articulações esternoclaviculares. A veia cava superior é formada pela união das veias braquiocefálicas direita e esquerda, logo atrás da segunda cartilagem costal direita ou do primeiro espaço intercostal. A formação da
veia cava superior mostrou-se mais alta nas mulheres e nos adultos jovens. As veias jugulares internas correm para baixo, lateralmente à traqueia. O arco da aorta também está localizado atrás do esterno. A aorta se curva para cima, para o lado e
para trás, passando atrás das artérias pulmonares e dos brônquios à esquerda. A concavidade do arco da aorta fica ou no ângulo do esterno, ou logo abaixo dele. O tronco braquiocefálico é, geralmente, o primeiro ramo arterial do arco da aorta. Esse tronco se divide na artéria carótida comum direita e artéria subclávia direita
(Fig. 2.13).
FIG. 2.13 Projeções de superfície do coração e grandes vasos na parede anterior do tórax. AA, arco da aorta; AC, ápice do coração; TB, tronco braquiocefálico; PDA, parte descendente da aorta; VBE, veia braquiocefálica esquerda; ACCE, artéria carótida comum esquerda; ASE, artéria subclávia esquerda; VE, ventrículo esquerdo; TrP, tronco pulmonar; AD, átrio direito; VBD, veia braquiocefálica direita; ACCD, artéria carótida comum direita; ASD, artéria subclávia direita; VD, ventrículo direito; VCS, veia cava superior.
Para Fazer ( Fig. 2.13 )
Margens cardíacas
Parede anterior do tórax:
• Marcar um ponto 2 cm laterais a partir do esterno, ao nível da segunda
cartilagem costal, no lado esquerdo do paciente*.
• Marcar um segundo ponto 1 cm lateral a partir do esterno, ao nível da terceira
cartilagem costal, do lado da mão direita do paciente •. Unir esses pontos.
• À direita, desenhar uma linha descendente, formando um abaulamento leve
para o lado, para baixo até a sexta cartilagem costal direita, para formar a margem lateral do átrio direito.
• Para representar a base do coração, desenhar uma linha lateralmente para a
esquerda, terminando no quinto espaço intercostal esquerdo, na região
medioclavicular (até a margem da papila mamária no homem; na mulher levar essa linha até onde for confortável ao nível do quinto espaço intercostal).
• Para completar o coração, desenhar uma linha curvando-a do quinto espaço
intercostal, na região medioclavicular, superior e medialmente para se unir ao seu ponto de partida 2 cm laterais ao esterno, na segunda cartilagem costal
esquerda.
Valvas do coração
• Desenhar uma pequena elipse para demarcar a localização aproximada de
cada uma das valvas (Fig. 2.12).
Para Fazer ( Fig. 2.13 )
Grandes vasos
Parede anterior do tórax:
Arco da aorta
• Desenhar duas linhas curvas, com distância aproximada de 2,5 cm uma da
outra, começando na metade direita do ângulo do esterno do paciente.
• O ápice do arco aórtico se curva 3-4 cm laterais ao esterno, na margem
inferior da primeira costela. Esse arco deverá fazer uma curva aguda devido ao curso posterior do arco aórtico.
Veia cava superior
• Continuar a linha da terceira cartilagem costal do paciente, 4 cm
superiormente, para marcar a margem direita da veia cava superior.
• Desenhar à direita e à esquerda veias braquiocefálicas drenando para a veia
cava superior. Notar que a veia braquiocefálica esquerda continua anterior
ao arco da aorta.
Tronco braquiocefálico
• Desenhar duas linhas curvas com distância aproximada de 1,5 cm uma da
outra, iniciando bem à direita do ponto mais alto do arco aórtico e continuando em direção à articulação esternoclavicular direita. Nesse ponto, o tronco se divide na artéria carótida comum direita e artéria subclávia direita.
Artéria carótida comum direita
• Desenhar duas linhas com distância aproximada de 1 cm uma da outra,
iniciando na bifurcação braquiocefálica, até a articulação esternoclavicular
direita, e continuar superiormente para a margem superior da cartilagem tireóidea (nível de C3 / C4). Aqui, a artéria se divide em artérias carótidas interna e externa.
Artéria carótida comum esquerda
• Desenhar duas linhas com distância aproximada de 1 cm uma da outra,
começando na parte mais alta do arco aórtico, lateral ao tronco braquiocefálico e continuar a linha para a articulação esternoclavicular
esquerda. A partir desse ponto, levar as linhas superiormente para a margem superior da cartilagem tireóidea, junto à margem lateral esquerda. Nesse ponto, a artéria se divide em artérias carótidas interna e externa.
Artéria subclávia esquerda
• Desenhar duas linhas com distância de 1 cm uma da outra, lateralmente à
artéria carótida comum esquerda, para representar a artéria subclávia esquerda.
Percussão do tórax
Batendo-se suavemente na parede do tórax, produz-se um som oco, semelhante ao de um tambor, nos espaços cheios de ar, como o pulmão, mas um som surdo nos
órgãos sólidos, como o coração, ou em fluidos.
• Espalhar os dedos de uma das mãos, nivelados contra o tórax do paciente e
bater de leve na falange média do dedo médio com o dedo médio da outra mão.
• Explorar a superfície do tórax dessa maneira e decidir se as áreas ressonantes
definidas por percussão coincidem com os delineamentos do pulmão que foram já marcados.
Ouvir o tórax
• Há locais chave para usar ao se ouvir o tórax com o estetoscópio. Usar a
Fig. 2.12 para tentar ouvir nesses pontos.
Na Clínica
Pneumotórax
No tratamento de emergência, pode ser necessária uma drenagem torácica para
drenar fluido ou ar das cavidades pleurais. A posição mais comum para a inserção de uma drenagem torácica é anterior à linha axilar média, no “triângulo seguro”. Esse triângulo é delineado pela margem anterior do músculo latíssimo do dorso,
pela margem lateral do músculo peitoral maior, uma linha superior ao nível
horizontal da papila mamária e um ápice embaixo da axila (Fig. 2.14).
FIG. 2.14 Diagrama esquemático mostrando o triângulo seguro para inserção de dreno torácico. BA, base da axila; MLLD, margem lateral do latíssimo do dorso; MLPM, margem lateral do peitoral maior; 5EI, quinto espaço intercostal.
Pneumonia
A pneumonia é uma inflamação do pulmão, geralmente resultando de uma
infecção. Os sintomas comuns incluem dificuldade de respirar, tosse com muco e febre. As marcas de superfície dos pulmões são importantes na auscultação do tórax e no estabelecimento de quais lobos estão afetados. Usualmente, a
pneumonia se apresenta em um ou dois segmentos broncopulmonares (subdivisões definidas em cada lobo do pulmão), mas pode se estender a um lobo completo. Ao ouvir o tórax de um paciente com pneumonia, sons são ouvidos
crepitando ou borbulhando à medida que o fluido se move dentro dos pulmões.
Efusão pleural
A efusão pleural ocorre quando o fluido se torna confinado entre as camadas parietal e visceral da pleura. Pode-se inserir um dreno, guiado por ultrassom, no