Gray's Anatomia de Superfície e Ultrassom: Fundamentos para a Prática Clínica

5: Dorso

5

 

Dorso

 

Visão geral de conceitos

Anatomia de superfície

Curvaturas

Ossos

Ligamentos 

Articulações 

Músculos

Superficial

Intermediário 

Profundo 

O trígono suboccipital

Movimentos

Canal vertebral e nervos espinais 

Ultrassom 

 

Visão geral de conceitos

O dorso forma o aspecto posterior do tronco e inclui a coluna vertebral. Anexos à coluna vertebral estão os cíngulos do membro superior e do inferior pelos quais os membros superiores e inferiores estão conectados. Além disso, articulando-se com a coluna vertebral estão as costelas e a base do crânio. O dorso pode ser dividido em cinco regiões: cervical, torácica, lombar, sacral e coccígea. A coluna vertebral inclui o canal vertebral que contém a medula espinal e a cauda equina. O dorso consiste nos sistemas musculoesquelético e nervoso. Clinicamente, o dorso é facilmente acessível para palpar e examinar e constitui parte essencial de um exame físico para vários quadros, entre os quais a dor lombar e a herniação de disco.

 

Anatomia de superfície

Curvaturas

O dorso fornece suporte ao corpo ao distribuir peso, pela coluna vertebral, aos membros inferiores. O suporte do peso corporal é facilitado por conta das curvaturas espinais primária e

secundária, as quais são conhecidas como cifose e lordose, respectivamente (Fig. 5.1). A curvatura primária da coluna vertebral é orientada de modo que a concavidade da curva fique de frente para o aspecto anterior. Esse formato se desenvolve primeiro na vida embrionária, e essa concavidade se transforma nas curvas da região torácica e no sacro. As curvaturas secundárias se desenvolvem à medida que o indivíduo aprende a levantar a cabeça e sentar-se em posição ereta e têm suas concavidades de frente para o aspecto posterior nas regiões lombar e cervical. O efeito livre das curvaturas é trazer a linha de gravidade para um plano vertical. Na coluna vertebral normal, não deverá haver desvio lateral. Os grupos de músculos de cada lado do sulco da linha mediana deverão ter proporções iguais. A inclinação lateral observada na coluna vertebral é conhecida como escoliose, e a inclinação acentuada para frente, geralmente associada à região torácica, como hipercifose. A curvatura lombar excessiva é conhecida como hiperlordose. No idoso, a altura da coluna vertebral se reduz principalmente por causa da perda óssea e da redução do teor de água nos discos intervertebrais.

FIG. 5.1 Curvaturas normais da coluna vertebral.

 

Para Fazer ( Fig. 5.1 )

Aspecto lateral das costas.

• Observar as curvaturas primária e secundária Ossos

Os ossos da coluna vertebral são importantes para a proteção da medula espinal. As 33 vértebras são compostas de: sete cervicais, 12 torácicas, cinco lombares, cinco sacrais (fundidas) e 3-4

coccígeas. As vértebras são classificadas como típicas e atípicas. Vértebras típicas (Fig. 5.2) possuem corpo vertebral e arco vertebral. Juntos, o arco vertebral e o corpo cercam a medula espinal para fornecer proteção. O corpo vertebral é a maior estrutura de suporte de peso da coluna. Os corpos vertebrais aumentam de tamanho desde a região cervical até a lombar, refletindo o aumento cumulativo em peso do tronco. O arco consiste em um pedículo que conecta o corpo ao processo transverso. As lâminas são contínuas aos processos transversos e ficam juntas para se projetarem posteriormente como o processo espinhoso. Os processos espinhosos são facilmente palpados na linha mediana do dorso, especialmente com a coluna vertebral flexionada. Os processos transversos são difíceis de palpar na região torácica. Os processos costiformes da região lombar podem ser palpados 3-4 cm laterais, desde a linha mediana. À proporção que as vértebras se empilham no topo umas das outras, elas criam um espaço de cada lado para o par de nervos espinais, conhecidos como forames intervertebrais, deixar a coluna. As vértebras atípicas incluem as primeiras duas vértebras cervicais, o atlas e o áxis, o sacro e as vértebras coccígeas.

FIG. 5.2 Uma vértebra típica. A, Visualização superior. B, Visualização lateral. (Cortesia de Drake, RL, Gray’s Anatomy for Students, 3rd ed, 2015, Churchill Livingstone, Elsevier.)

Dentro de cada região, as vértebras apresentam aspectos característicos. O atlas se articula com a base do crânio nas articulações atlantoccipitais. Ele não tem corpo,

por isso não tem disco intervertebral a ele associado. O atlas forma um círculo completo de osso com arcos anterior e posterior. Os processos transversos do atlas são facilmente palpados inferiormente ao processo mastoide. Projetando-se no círculo de osso está o dente da segunda vértebra cervical, o áxis, que é mantido em posição pelo ligamento transverso do atlas. As articulações entre o atlas e os côndilos occipitais (articulações atlantoccipitais) permitem o movimento da cabeça (o “sim”), enquanto a articulação atlantoaxial facilita a rotação, como ao se responder um “não”.

As vértebras cervicais são as menores, com corpos relativamente pequenos. Em cada processo

transverso existe um forame no qual passa a artéria vertebral. Seus processos espinhosos são bífidos e podem ser palpados.

As vértebras torácicas possuem corpos que aumentam em tamanho, de superior para inferior, à

medida que o peso superincumbente aumenta. O aspecto mais distintivo são as faces articulares superior e inferior nos corpos vertebrais e as fóveas nos processos transversos para articulação com as costelas. Os processos espinhosos das vértebras torácicas são facilmente palpados.

As vértebras lombares possuem os maiores corpos porque a transmissão de peso corporal é

maior na região lombar. Os processos costiforme e espinhoso são relativamente curtos e robustos. Essas vértebras formam o suporte para a parede abdominal posterior. Pode ser difícil palpar os processos espinhosos por causa da curvatura lombar, portanto os pacientes podem ser solicitados a se curvarem para frente, flexionando a coluna vertebral lombar, de modo que esses processos

possam ser palpados mais facilmente (Fig. 5.3).

FIG. 5.3 Projeções de superfície da osteologia do dorso. FI, fáscia ilíaca; AIE, ângulo inferior da escápula; CI, crista ilíaca; EIPS, espinha ilíaca posterossuperior; Sa, sacro; CS, covinha sacral; EE, espinha da escápula.

Os cinco elementos sacrais estão fundidos. Existem os forames sacrais anterior e posterior

pelos quais emergem os ramos anterior e posterior dos nervos espinais.

 

Ligamentos

As vértebras são unidas por numerosos ligamentos (Fig. 5.4). O eixo longo da coluna é unido pelos ligamentos longitudinais anterior e posterior. O ligamento longitudinal anterior está fixado, da base do crânio até o sacro, à superfície anterior dos corpos vertebrais e seus discos intervertebrais intervenientes. O ligamento longitudinal posterior situa-se dentro do canal vertebral e alinha a superfície posterior dos corpos vertebrais. O ligamento amarelo fica entre as lâminas adjacentes para limitar a separação das vértebras adjacentes em flexão. O ligamento supraespinal fica ao longo das pontas dos processos espinhosos desde C7 até o sacro e pode ser palpado. Mais superiormente, torna-se conhecido como ligamento nucal. Essa parte do ligamento tem formato triangular no plano sagital e está anexa à base do crânio e às pontas dos processos espinhosos de cada vértebra cervical. Ela resiste à flexão do pescoço e fornece sítios de ligação para a musculatura adjacente. Entre os processos espinhosos ficam os ligamentos interespinais, que se fundem ao ligamento supraespinal e ao ligamento amarelo.

 

FIG. 5.4 A, Visão geral dos ligamentos da coluna. B, Área com zoom mostrando os ligamentos. (Modificado de Drake, RL, Gray’s Anatomy for Students, 3rd ed, 2015 Churchill Livingstone, Elsevier.)

 

Para Fazer ( Fig. 5.3 )

Dorso:

Palpar os processos espinhosos:

• Região cervical: Iniciar na base do crânio e mover para baixo até C7. Sentir o processo

espinhoso do áxis, cerca de 1-2 cm inferiores ao occipício. Este é o maior processo espinhoso palpável na área cervical superior. O tubérculo pequeno representando o processo espinhoso do atlas é geralmente muito profundo para ser palpável. Localizar C7, que é um marco clinicamente muito importante, e o processo espinhoso cervical mais proeminente. C7 pode ser facilmente palpado quando o pescoço está flexionado.

• Região torácica: T1 pode ser palpado inferior a C7; os próximos processos espinhosos

palpáveis dependem da quantidade de tecido subcutâneo. T3 está ao nível da espinha da escápula. T7 está ao nível do ângulo inferior da escápula. T12 pode ser localizado desenhando-se uma linha desde o ângulo inferior da escápula e da crista ilíaca; T12 está no ponto médio dessa linha. Pode ser possível traçar uma costela lateralmente desde as vértebras.

• Região lombar: O ponto mais alto da crista ilíaca está ao nível de L4. Desse ponto é

possível palpar os processos espinhosos de L3, L4 e L5.

• Região sacral: O processo espinhoso de S2 está localizado ao nível das covinhas sacrais e

das espinhas ilíacas posterossuperiores.

• Região coccígea: O cóccix é palpável na base do sacro, na fenda interglútea.

Ligamentos:

• Palpar o ligamento supraespinal que corre entre as pontas dos processos espinhosos. • Palpar o ligamento nucal, na região cervical, assumindo a flexão cervical da coluna.

 

Articulações

A coluna vertebral consiste em cinco grupos de articulações: dos corpos vertebrais, dos arcos vertebrais, craniovertebrais, costovertebrais e sacroilíacas. As articulações dos corpos vertebrais são as intervertebrais e as uncovertebrais (somente vértebras cervicais). As articulações

intervertebrais são cartilagíneas secundárias e consistem em um disco intervertebral (Fig. 5.5). O disco é formado de um anel externo fibroso e um núcleo interno pulposo “semelhante a geleia”. Durante a locomoção, essas articulações atuam como absorvedoras de choques. Embora os discos não possam ser palpados, eles são importantes clinicamente, pois um disco em prolapso (prolapso do núcleo pulposo, por meio de uma lesão no anel fibroso) pode colocar pressão na medula espinal ou nas raízes dos nervos. As articulações dos arcos vertebrais são as dos processos articulares (zigoapofisárias) – (articulações de faces), que se formam entre os processos

articulares superior e inferior (Fig. 5.5). As articulações zigapofisárias são clinicamente relevantes nos quadros de dor nas costas. São duas as articulações craniovertebrais, denominadas atlantoccipital e atlantoaxial. As articulações costovertebrais se formam entre as cabeças das costelas e os corpos das vértebras torácicas. As articulações costotransversárias ocorrem entre os tubérculos das costelas e os processos transversos das vértebras. A articulação sacroilíaca está entre o sacro e o ílio da pelve.

FIG. 5.5 Articulações entre as vértebras torácicas. (Cortesia de Drake, RL, Gray’s Anatomy for Students, 3rd ed, 2015 Churchill Livingstone, Elsevier.)

 

Músculos

No dorso há três grupos de músculos: superficial, intermediário e profundo. Esses músculos são importantes no movimento e suporte do esqueleto apendicular e axial. Alguns desses músculos são cobertos posteriormente pela aponeurose toracolombar.

Superficial

O grupo superficial, conhecido como músculos extrínsecos, conecta o dorso e os membros superiores e está envolvido em movimentos desses membros (esqueleto apendicular). Os músculos superficiais incluem: trapézio, latíssimo do dorso, levantador da escápula e romboides

maior e menor (Tabela 5.1). As fibras do músculo trapézio podem ser palpadas estendendo-se dos processos espinhosos nas regiões cervical e torácica em direção à espinha da escápula. O músculo latíssimo do dorso pode ser palpado ao se estender dos processos espinhosos nas regiões torácica

e lombar em sentido ascendente, em direção aos membros superiores (Fig. 5.6).

Tabela 5.1

Grupo superficial (apendicular) de músculos do dorso

Músculo Origem Inserção Inervação Função

Trapézio Protuberância Clavícula, Motora – nervo Ajudar na

occipital acrômio, acessório rotação da externa, espinha da [11]; escápula; processos escápula propriocepção fibras espinhosos de – C3, C4 superiores se C7-T12 elevam,

fibras médias

aduzem e

fibras

inferiores

deprimem a

escápula

Latíssimo do Processos Assoalho do sulco Nervo Estender, aduzir

dorso espinhosos de intertubercular toracodorsal e girar

T7-L5 e do úmero (C6-C8) medialmente sacro, crista o úmero

ilíaca,

costelas 10-

12

Levantador da Processos Porção superior da C3-C4 e nervo Levantar a

escápula transversos margem dorsal da escápula

de C1-C4 medial da escápula

escápula (C4, C5)

Romboide Processos Margem medial Nervo dorsal da Retrair (aduzir) e

maior espinhosos de da escápula escápula (C4, levantar a

T2-T5 C5) escápula

Romboide Ligamento nucal, Margem medial Nervo dorsal da Retrair (aduzir) e

menor processos da escápula (C4, levantar a

espinhosos de escápula, junto C5) escápula C7 e T1 à espinha da

escápula

Modificado de Drake, RL, Gray’s Anatomy for Students, 3rd ed, 2015, Churchill Livingstone, Elsevier.

FIG. 5.6 Grupo superficial de músculos do dorso – trapézio e latíssimo do dorso – com romboide maior, romboide menor e levantador da escápula localizados profundamente ao trapézio na parte superior do dorso. (Cortesia de Drake, RL, Gray’s Anatomy for Students, 3rd ed, 2015, Churchill Livingstone, Elsevier.)

 

Intermediário

O grupo muscular intermediário, também considerado músculos extrínsecos, está anexado às costelas e à coluna vertebral e são músculos acessórios da respiração. O grupo intermediário consiste em dois músculos: o serrátil posterior superior e o serrátil posterior inferior, os quais não

podem ser apalpados (Tabela 5.2 e Fig. 5.7).

Tabela 5.2

Grupo intermediário (respiratório) de músculos do dorso

Músculo Origem Inserção Inervação Função

Serrátil Processos espinhosos de C7- Margem Nervo Levantar

posterior T3 e ligamentos superior das intercostais costelas superior supraespinais costelas 2-5 (T2-T5) 2-5

Serrátil Processos espinhosos de Margem inferior Nervos Deprime as

posterior T11-L3 e ligamentos das costelas intercostais costelas inferior supraespinais 9-12 (T9-T12) 9-11

Modificado de Drake, RL, Gray’s Anatomy for Students, 3rd ed, 2015, Churchill Livingstone, Elsevier.

FIG. 5.7 Grupo intermediário de músculos do dorso. (Cortesia de Drake, RL, Gray’s Anatomy for Students, 3rd ed, 2015, Churchill Livingstone, Elsevier.)

 

Profundo

Os músculos profundos, conhecidos como intrínsecos, são responsáveis pelos movimentos da coluna vertebral e, o mais importante, por manter a postura e fornecer estabilidade para a coluna vertebral, assim como para a cabeça e o pescoço. Os músculos profundos compreendem três grupos principais. De superficiais a profundos, são eles: espinotransversais, eretor da espinha e

transversoespinais (Tabela 5.3). Profundamente a esses músculos, há vários grupos de músculos segmentares menores, os levantadores das costelas, e os interespinais e intertransversários.

Tabela 5.3

Grupo profundo de músculos do dorso

Músculo Origem Inserção Inervação Função

Grupo espinotransversal

Esplênio da Ligamento Processo mastoide, Ramos Juntos – estender

cabeça nucal, crânio, inferior posteriores cabeça e

processos à linha nucal dos nervos pescoço; espinhosos superior cervicais individualmente de C7-T4 médios – girar a cabeça

para um lado

Esplênio do Processos Processos Ramos Juntos – estender

pescoço espinhosos transversos de posteriores cabeça e

de T3-T6 C1-C3 dos nervos pescoço;

cervicais individualmente

inferiores – girar a cabeça

para um lado

Grupo eretor da espinha

Iliocostal Sacro Ângulos das

(lombo, Ângulos costelas tórax, das Processos pescoço) costelas transversos

de C4 a C7

Longuíssimo Processos Processos Ramos

(tórax, transversos transversos de posteriores pescoço, de T1 a L5, C2 a C6 dos nervos cabeça) processos espinais

articulares respectivos de C4 a C7

Espinal (tórax, Processos Processos

pescoço, espinhosos espinhosos de cabeça) de T10-L2 T1 a T8 e C2

Grupo transversoespinal

Semiespinal Processos Processos Extensão, flexão

(tórax, transversos espinhosos de lateral e rotação pescoço, de C7-T10 C2-T4 cabeça)

Músculo Origem Inserção Inervação Função

Multífido Sacro, processo Processos Ramos

mamilar de espinhosos de posteriores L1-L5, C2-L5 dos nervos processos espinais transversos respectivos de T1-T12,

processo

articular de

C4-C7

Rotadores Processo Processos

(tórax) costiforme espinhosos de

de L1-L5, vértebras processos torácicas transversos

de T1 a T12,

processos

articulares

de C1 a C7

Modificado de Drake, RL, Gray’s Anatomy for Students, 3rd ed, 2015, Churchill Livingstone, Elsevier.

 

O grupo de músculos espinotransversais é relativamente superficial, sendo possível palpar o

músculo esplênio da cabeça no pescoço com flexão suave. Os músculos eretores da espinha podem ser palpados na linha mediana, especialmente o iliocostal e o longuíssimo. Não é possível palpar todos os músculos mais profundos; o músculo multífido pode ser palpado na região lombar

(Figs. 5.8 e 5.9).

FIG. 5.8 Grupo profundo de músculos do dorso. A, Músculos eretores da espinha. B, Músculos transversoespinais e segmentares. (Cortesia de Drake, RL, Gray’s Anatomy for Students, 3rd ed, 2015, Churchill Livingstone, Elsevier.)

FIG. 5.9 Projeções de superfície dos músculos do dorso. CI; crista ilíaca; Ic, iliocostal; IE, infraespinal; LD, latíssimo do dorso; LiN, ligamento nucal; Lon, longuíssimo; SCa, semiespinal da cabeça; Esp, espinal; EE, espinha da escápula; RMa, redondo maior; Trap, trapézio.

 

O trígono suboccipital

Os músculos suboccipitais são um grupo de pequenos músculos localizados no triângulo

suboccipital do pescoço e fixados entre o atlas, o áxis e a base do crânio (Fig. 5.10). O grupo consiste nos músculos reto posterior maior da cabeça, reto posterior menor da cabeça, oblíquo inferior da cabeça e oblíquo superior da cabeça. O trígono suboccipital é margeado medialmente pelo músculo reto posterior maior da cabeça, lateralmente pelo músculo oblíquo superior da cabeça e inferiormente pelo músculo oblíquo inferior da cabeça. Dentro do trígono há várias estruturas, incluindo a artéria vertebral, o plexo venoso suboccipital e o ramo posterior de C1 (o

nervo suboccipital) (Tabela 5.4 e Fig. 5.11).

FIG. 5.10 Trígono suboccipital. (Cortesia de Drake, RL, Gray’s Anatomy for Students, 3rd ed, 2015, Churchill Livingstone, Elsevier.)

 

Tabela 5.4

Grupo suboccipital de músculos do dorso

Músculo Origem Inserção Inervação Função

Reto Processo Porção lateral do osso Extensão da cabeça;

posterior espinhoso occipital inferior à rotação da face maior da do áxis linha nucal inferior para o mesmo lado cabeça (C2) que o músculo

Reto Tubérculo Porção medial do osso Extensão da cabeça

posterior posterior occipital inferior à menor do atlas linha nucal inferior da (C1)

cabeça

Oblíquo Processo Osso occipital Ramo Extensão da cabeça e

superior transverso posterior inclinação para o da do atlas de C1 mesmo lado cabeça (C1)

Oblíquo Processo Processo transverso do Rotação da face para o

inferior espinhoso atlas (C1) mesmo lado da do áxis

cabeça (C2)

Modificado de Drake, RL, Gray’s Anatomy for Students, 3rd ed, 2015, Churchill Livingstone, Elsevier.

FIG. 5.11 Projeções de superfície dos músculos do aspecto posterior do pescoço. LonCa, longuíssimo da cabeça; OIC, oblíquo inferior da cabeça; RpMaCa, reto posterior maior da cabeça; SCa, semiespinal da cabeça; SP, semiespinal do pescoço; ECa, esplênio da cabeça.

 

Movimentos

Os movimentos da coluna vertebral são flexão e extensão (em plano sagital), flexão lateral (em plano coronal) e rotação. O movimento entre as vértebras individuais é determinado principalmente pela forma e orientação das articulações dos processos articulares (zigoapofisárias). Na região cervical, a inclinação ascendente da articulação permite flexão e extensão, rotação e flexão lateral. Na região torácica, a inclinação quase vertical limita a flexão e a extensão, mas permite a flexão lateral e a rotação. Na região lombar, a forma da articulação limita o movimento rotacional, embora haja algum grau de flexão e extensão. Movimentos entre vértebras individuais são pequenos, mas por toda a extensão da coluna essas diferenças individuais são ampliadas. Na região cervical, especialmente, ocorre amplitude significativa de movimentos. A flexão e a extensão cervical são maiores nas articulações atlantoccipitais, enquanto a rotação cervical é a maior nas articulações atlantoaxiais. Entre C2 e C7, a amplitude de flexão aumenta em direção ao nível de C4-C5, após o que ela diminui.

 

Canal vertebral e nervos espinais

O espaço fechado pelas vértebras coletivamente forma um canal que corre pela extensão da coluna, que contém a medula espinal e a cauda equina. A medula espinal começa no forame magno como continuação da medula oblonga. Ela exibe dilatações nas regiões cervical e lombar, que correspondem a áreas da medula que suprem os membros. No adulto, a medula espinal termina, tipicamente, como cone medular próximo ao disco intervertebral entre as vértebras L1 e

L2 (Fig. 5.12). A partir desse ponto, as raízes posterior e anterior dos segmentos inferiores lombar, sacral e coccígeo deixam a medula para formar a cauda equina no espaço subaracnóideo. Essas raízes se fundem para formar nervos espinais que saem em seus forames intervertebrais correspondentes.

 

FIG. 5.12 Projeções de superfície da medula espinal e espaço subaracnóideo indicado. A, No homem. B, Mostrando a posição de uma punção lombar. CM, cone medular; Co, cóccix; EIES, extremidade inferior do espaço subaracnóideo; PE, processo espinhoso. (Modificado de Drake, RL, Gray’s Anatomy for Students, 3rd ed, 2015, Churchill Livingstone, Elsevier.)

 

Para Fazer ( Fig. 5.9 )

Dorso:

• Do lado direito, desenhar o músculo trapézio. Começando na protuberância occipital

externa, desenhar uma linha inferiormente na linha mediana até o nível do processo espinhoso de T12. Em T12, desenhar uma linha em direção lateral e superior até os pontos de inserção na espinha da escápula e acrômio. A seguir, continuar a linha, em direção superior e medial, de volta para 2-3 cm laterais à protuberância occipital externa.

• Do lado direito, desenhar o músculo latíssimo do dorso. Começando no processo espinhoso

de T5, desenhar uma linha em direção lateral superior até o sulco intertubercular do úmero. Estender a linha inferiormente para a crista ilíaca.

• Do lado esquerdo, desenhar o músculo esplênio da cabeça. Na região do pescoço, palpar o

músculo esplênio da cabeça, 5 cm laterais à linha mediana. Para iniciar o desenho, começar na protuberância occipital externa. Mover 5 cm lateralmente e traçar esse músculo inferiormente em direção à linha mediana para T4.

• Do lado esquerdo, desenhar os músculos do eretor da espinha. Iniciando na linha mediana,

imediatamente lateral aos processos espinhosos, desenhar o músculo espinal. Lateral ao espinal, adicionar o longuíssimo e, então, os músculos iliocostais ao nível dos ângulos das costelas.

 

Para Fazer ( Fig. 5.11)

Parte posterior do pescoço:

• Palpar o occipício (o aspecto posterior do crânio). Movendo lateralmente, palpar a

protuberância occipital externa e, então, pelas áreas da nuca até o processo mastoide.

• Palpar as articulações de faces (dos processos articulares) do pescoço, que estão

localizadas cerca de 2 cm laterais a cada processo espinhoso. Elas são pequenas projeções em forma de abóbada sob o músculo trapézio.

 

Para Fazer ( Fig. 5.11)

Testar a amplitude do movimento do pescoço:

• Primeiro testar a extensão e a flexão solicitando ao paciente que eleve e abaixe o queixo o

máximo possível sem movimentar os ombros.

• A rotação é testada solicitando-se ao paciente que vire o nariz o mais possível para a direita

e a esquerda, mas sem movimentar os ombros.

• A flexão lateral é testada solicitando-se ao paciente que toque cada orelha no respectivo

ombro sem movimentar o ombro. Observa-se, normalmente, uma inclinação de aproximadamente 45 graus.

 

Existem 31 pares de nervos espinais correspondendo ao arranjo segmentar de desenvolvimento

no embrião. Cada par é transmitido bilateralmente por meio de seus forames intervertebrais respectivos. Há oito pares de nervos espinais na região cervical, 12 na região torácica, cinco na

região lombar e cinco na região sacral, assim como um par na região coccígea (Fig. 5.13). Depois que o nervo deixa seu forame intervertebral respectivo, ele se divide em ramos primários anterior e posterior. Os ramos primários posteriores menores ficam posteriormente e suprem os músculos profundos do dorso, assim como a pele que cobre essa região. Ramos mediais dos ramos posteriores também alimentam as articulações dos processos articulares (zigoapofisários). Os ramos anteriores maiores passam anteriormente, curvando-se ao redor do tronco, para suprir os músculos da parede corporal e os plexos dos membros.

FIG. 5.13 Curso dos nervos espinais no canal vertebral. (Cortesia de Drake, RL, Gray’s Anatomy for Students, 3rd ed, 2015, Churchill Livingstone, Elsevier.)

 

Na Clínica

Os aspectos de superfície do dorso podem ser usados na determinação da localização de órgãos torácicos e abdominais, assim como o posicionamento de nervos espinais para bloqueá-los (anestesia local ou regional). Os aspectos de superfície também são importantes para determinar o nível de terminação da medula espinal para punção lombar.