Gray's Anatomia de Superfície e Ultrassom: Fundamentos para a Prática Clínica

Região do ombro

FIG. 6.35 Ultrassom do plexo braquial direito. EA, escaleno anterior; PB, plexo braquial (ramos anteriores e troncos); 1, primeira costela; EM, escaleno médio; Pl, pleura; Ecm, esternocleidomastóideo; ASu, artéria subclávia. Escala da barra = 1 cm.

 

Região do ombro

Músculo deltoide

Posição do paciente

O estudo é realizado com o paciente sentado com o braço de lado, orientado de lado em relação ao examinador.

Transdutor

Utilize um transdutor de matriz linear. Ajuste a profundidade para 3-6 cm.

Posição do transdutor

Posicione o transdutor na parte lateral do terço proximal do braço no plano transverso para vistas em eixo

curto do músculo deltoide (Fig. 6.36). Estude nas posições anterior e posterior para inspecionar as três partes.

 

FIG. 6.36 Ultrassom do músculo deltoide direito. FADe, fibras anteriores do deltoide; FMDe, fibras médias do deltoide; FPDe, fibras posteriores do deltoide; U, úmero; IE, infraespinal. Escala da barra = 1 cm.

 

Aspectos das imagens No plano transverso, a superfície lateral hiperecoica do úmero estará à vista na parte inferior da imagem

(Fig. 6.36). Sobre este osso, o músculo deltoide pode ser visto. As partes clavicular, acromial e espinal do músculo deltoide podem ser delineadas pela miofáscia circundante. Estudando anteriormente, a veia cefálica pode ser vista entre a margem anterior do músculo deltoide e o músculo peitoral maior.

 

Músculos do manguito rotador

Posição do paciente

O estudo é realizado com o paciente] sentado, tanto em frente ao examinador (para os músculos supraespinal e subescapular) ou de costas para ele (para os músculos infraespinal e redondo menor). Para o músculo supraespinal, posicione o braço para trás, nas costas, como se estivesse alcançado seu bolso posterior da calça (i.e., rodado medialmente). Para os músculos infraespinal ou redondo menor, posicione o braço cruzando o peito em direção ao ombro oposto. Para o subescapular, o braço deve estar rotado lateralmente.

Transdutor

Utilize um transdutor de matriz linear. Ajuste a profundidade para 2-5 cm.

Posição do transdutor

Os músculos do manguito rotador são mais bem vistos em seu eixo longo. Para o músculo supraespinal, posicione o transdutor em um plano coronal, anterossuperior à articulação do ombro (glenoumeral) com a

extremidade distal da sonda no ou anterior ao acrômio (Fig. 6.37). O marcador de orientação deve apontar cefalicamente. Para o músculo infraespinal, posicione o transdutor em um plano transverso, posterior à articulação do ombro (glenoumeral), imediatamente inferior à espinha da escápula. A partir desta posição, estude em direção anterolateral para ver o tendão do infraespinal inserir no tubérculo maior, logo inferior ao supraespinal. Siga em direção inferior para localizar o músculo redondo menor. Para o músculo subescapular, posicione o transdutor em um plano transverso, anterior à articulação do ombro

(glenoumeral) (Fig. 6.38).

FIG. 6.37 Ultrassom do músculo supraespinal direito. Ac, acrômio, De, deltoide; TMaU, tubérculo maior do úmero; BSa, bolsa subacromial; SE, supraespinal. Escala da barra = 1 cm.

FIG. 6.38 Ultrassom da direita (A) infraespinal, (B) redondo menor e (C) subescapular. De, deltoide; TMaU, tubérculo maior do úmero; IE, infraespinal; CA, cápsula articular; TMeU, tubérculo menor do úmero; Sub, subescapular; RMe, redondo menor; Trap, trapézio. Escala da barra = 1 cm.

 

Aspectos das imagens

Músculo supraespinal

A superfície da faceta anterior do tubérculo maior estará à vista (Fig. 6.37). O tendão do músculo supraespinal aparece como uma faixa densa e curva com uma coloração médio-acinzentada localizada sobre o úmero. O tendão conifica em sua inserção distal na faceta anterior. Em direção ao lado medial da imagem, o acrômio estará à vista como uma curta estria hiperecoica. O tendão do músculo, ou o ventre do músculo supraespinal, podem ser inspecionados quando descem abaixo do acrômio, sob o arco coracoacromial. Localizada entre o acrômio e o tendão do supraespinal, pode ser possível ver a bolsa subacromial, que aparece como um saco estreito enecoico. O músculo deltoide pode ser observado passando sobre o topo do tendão do supraespinal.

Músculo infraespinal

A superfície da faceta média do tubérculo maior estará à vista (Fig. 6.38A). O tendão curvo do músculo infraespinal aparece similar ao músculo supraespinal (coloração médio-acinzentada), quando ele segue o contorno do osso. Inferior ao tendão, na parte inferior da imagem, a cápsula da articulação do ombro (glenoumeral) pode estar à vista. Estudando medialmente, o músculo infraespinal espesso e relativamente hipoecoico é visto originando-se da fossa infraespinal da escápula. O músculo trapézio pode ser observado passando sobre o topo do tendão do infraespinal.

Músculo redondo menor

A superfície da faceta posterior do tubérculo maior estará à vista (Fig. 6.38B). O estreito tendão do músculo redondo menor é visto inserindo-se na faceta posterior, inferiormente ao tendão do músculo infraespinal. O músculo trapézio pode ser observado superficial ao músculo redondo menor.

Músculo subescapular

A superfície do tubérculo menor pode ser vista (Fig. 6.38C). O tendão curvo do músculo subescapular pode ser visto quando ele passa em direção a sua inserção no tubérculo menor. Localizando-se superficial ao músculo subescapular, o músculo deltoide é visível.

 

Parte anterior do braço

Posição do paciente

O estudo é realizado com o paciente sentado, voltado para o examinador. O braço deve estar abduzido 30-40 graus, ou rotado lateralmente, de modo que o lado medial possa ser mais facilmente estudado. Pode ser mais confortável posicionar o cotovelo na mesa.

Transdutor

Utilize um transdutor de matriz linear. Ajuste a profundidade para 2-8cm.

Posição do transdutor

Para examinar o longo tendão do músculo bíceps braquial dentro do sulco intertubercular, posicione o transdutor no plano transverso para vistas em eixo-curto, sobre a parte anterior do braço, imediatamente

inferior à cabeça do úmero (Figs. 6.39 e 6.40). A partir da parte medial do braço, a artéria braquial e os nervos mediano e ulnar podem ser inspecionados, assim como os músculos bíceps braquial, coracobraquial e braquial.

FIG. 6.39 Ultrassom do sulco intertubercular direito. CLoBiBr, cabeça longa do bíceps braquial; De, deltoide; U, úmero; Sub, subescpular; LTU, ligamento transverso do úmero. Escala da barra = 1 cm.

FIG. 6.40 Ultrassom do compartimento anterior do braço direito. A, Parte proximal do braço. B, P parte média do corpo do úmero. C, Imediatamente posterior à parte média do corpo do úmero.†, septo intermuscular medial; BiBr, bíceps braquial; CLoBiBr, cabeça longa do bíceps braquial; CCuBiBr, cabeça curta do bíceps braquial; Br, braquial; ABr, artéria braquial; VB, veia basílica; CO, coracobraquial; U, úmero; NM, nervo mediano; NMusc, nervo musculocutâneo; TriBr, tríceps braquial; NU, nervo ulnar. Escala da barra = 1 cm.

 

Aspectos das imagens

Com o transdutor orientado em um plano transverso sobre a extremidade proximal da parte anterior do

úmero, o sulco intertubercular estará em vista (Fig. 6.39). Ele aparece como um entalhe curvo na superfície anterior do osso. Localizado dentro do sulco, o tendão longo do músculo bíceps braquial pode ser visto, e possui aspecto de um ovoide pequeno médio-acinzentado. Formando o teto sobre o sulco intertubercular, o ligamento transverso hiperecoico deve se visível.

Com o transdutor posicionado no plano transverso na região medial do terço proximal do braço, os

músculos braquial, coracobraquial e bíceps braquial e as estruturas neurovasculares vizinhas podem ser

vistas (Fig. 6.40A). Rumo à parte inferior da imagem, a superfície do úmero estará visível. A fáscia do septo intermuscular medial pode ser observada estendendo-se do úmero até a pele. Dentro do septo, a artéria braquial e ambas as veias são visíveis em uma orientação transversa. Com pressão reduzida sobre a pele, a volumosa veia basílica pode ser observada imediatamente abaixo da superfície da pele. Localizada ao longo do septo, entre a artéria braquial e a veia basílica, o nervo mediano pode ser visto. Sua aparência médio-acinzentada contrasta com a aparência anecoica dos vasos.

Anterior ao septo intermuscular (esquerda na imagem), o músculo coracobraquial estará em vista, e

possui uma aparência grande e ovalada. Dentro do músculo, o nervo musculocutâneo pode ser inspecionado quando ele passa através do músculo. O músculo bíceps braquial é visível anterior ao músculo coracobraquial e preenche a maior parte da imagem. O músculo tríceps braquial deve estar visível posterior ao septo intermuscular medial.

Seguindo distalmente ao longo do septo intermuscular medial, o curso da artéria braquial, veias pares e

nervo mediano podem ser inspecionados (Fig. 6.40B). No nível aproximadamente da metade do corpo do úmero, a origem do músculo braquial é vista dando a volta anteriormente ao redor do osso imediatamente lateral aos vasos braquiais e nervo mediano. Superficial ao músculo braquial, uma ou as duas cabeças do músculo bíceps braquial podem ser observadas. A cabeça curta localiza-se medial à cabeça longa, e, portanto, com o transdutor no lado medial do braço, ela pode ser vista próxima à superfície da imagem. Ambos os músculos estão circundados por miofáscia densa, o que permite fácil diferenciação das estruturas circunjacentes. Espremido dentro da miofáscia, entre os músculos braquial e bíceps braquial, o nervo musculocutâneo pode ser observado.

Movendo o transdutor em direção posterior, desde o septo intermuscular medial, o músculo tríceps

braquial entra no campo de vista (Fig. 6.40C). As cabeças medial e longa do músculo tríceps braquial preenchem boa parte da imagem. O nervo ulnar também pode ser visto posterior ao nervo mediano, artéria braquial e veias. Ele é relativamente superficial na imagem e aparece menor que o nervo mediano. Com o transdutor posicionado em plano transverso na superfície anterior do terço distal do braço, os músculos bíceps braquial (superficial) e braquial (profundo) podem ser observados.

 

Parte posterior do braço

Posição do paciente

O estudo é realizado com o paciente sentado, com as costas voltada para o examinador. Isto pode ser mais confortável colocando o cotovelo sobre a mesa.

Transdutor

Utilize um transdutor de matriz linear. Ajuste a profundidade para 2-8 cm.

Posição do transdutor

O músculo tríceps braquial pode ser inspecionado posicionando-se o transdutor em plano transverso na região posterior do braço para vistas em eixo-curto. Para o nervo radial, quando ele cruza a superfície posterior do úmero, posicione o transdutor sobre a região posterior ou posterolateral do braço,

aproximadamente a meio-caminho ao longo da extensão do úmero (Fig. 6.41).

FIG. 6.41 Ultrassom do compartimento posterior do braço direito. A, Parte proximal do braço. B, Parte distal do braço. Br, braquial; U, úmero; ABrP, artéria braquial profunda; NR, nervo radial; CLoTri, cabeça longa do tríceps; CLaTriBr, cabeça lateral do tríceps braquial; CMeTriBr, cabeça medial do tríceps braquial. Escala da barra = 1 cm.

 

Aspectos das imagens

Com o transdutor posicionado no plano transverso na face posterior ou posterolateral do braço, distal à metade do corpo do úmero, o nervo radial pode ser visto quando ele gira através do sulco espiral. O nervo radial aparece como uma estrutura seguramente achatada de coloração médio-acinzentada localizada na superfície posterior do úmero. Correndo junto ao nervo, a artéria braquial profunda, relativamente pequena, pode ser vista. Formando as paredes do sulco espiral, as cabeças medial e lateral do músculo

tríceps braquial podem estar à vista (Fig. 6.4A). Percorrendo-se distalmente, rumo à face lateral do braço,

o nervo radial e a artéria braquial profunda podem ser seguidos rumo ao cotovelo (Fig. 6.41B). As estruturas são vistas cursando entre as camadas da miofáscia que separam a cabeça lateral do músculo tríceps braquial do músculo braquial, que podem ser vistos em direção da parte inferior da imagem. Quando o nervo radial é percorrido próximo ao cotovelo, ele é visto localizado sob o músculo braquiorradial na face lateral do braço.

 

Cotovelo

Posição do paciente

O estudo é melhor realizado com o paciente deitado em decúbito dorsal, embora possa ser feito com o paciente sentado, de frente para o examinador. O cotovelo pode ser mantido em extensão. O túnel cubital pode ser estudado com abdução do braço ou elevando-se o braço acima da cabeça.

Transdutor

Utilize um transdutor de matriz linear. Ajuste a profundidade para 2-6 cm.

Posição do transdutor

Posicione o transdutor no plano sagital, sobre a região anterior da articulação para vistas em eixo-

longitudinal (Fig. 6.42). A extremidade proximal do rádio e da ulna pode ser inspecionada percorrendo-se em direção lateral ou medial, respectivamente. O túnel cubital é mais bem visto posicionando-se o transdutor no plano transverso sobre a face posteromedial do cotovelo, sobre o epicôndilo medial e o

olécrano (Fig. 6.42C).

FIG. 6.42 Ultrassom do cotovelo direito. A, Face lateral. B, Face medial. C, Túnel cubital. LAr, ligamento arqueado; Br, braquial; BrR, braquiorradial; CaU, capítulo do úmero; PCU, processo coracoide da ulna; ERLC, extensor radial longo do carpo; CH, cartilagem hialina; EpM, epicôndilo medial; Ol, olécrano; PR, pronador redondo; R, rádio; TrU, tróclea do úmero; NU, nervo ulnar. Escala da barra = 1 cm.

 

Aspectos das imagens

Com o transdutor posicionado em um plano sagital sobre o cotovelo, em direção à sua face lateral, o

capítulo do úmero e a cabeça do rádio entram à vista (Fig. 6.42A). A cartilagem hialina pode ser observada dispondo-se sobre o capitulo. Dentro do recesso articular, a gordura extrasinovial pode ser vista. Percorrendo-se rumo ao lado medial da face anterior do cotovelo, as superfícies da tróclea do úmero

e o processo coronoide da ulna podem ser observados (Fig. 6.42B). Cursando anteriormente sobre a articulação, o músculo braquial não será visível. Superficial ao músculo braquial, os músculos do compartimento anterior do antebraço podem ser vistos na face medial, e os músculos superficiais do compartimento posterior estarão na face lateral.

No túnel cubital, a superfície do epicôndilo medial e olécrano estarão à vista (Fig. 6.42C). Situado

dentro do túnel, o nervo ulnar pode ser visto em uma orientação transversa, contra o epicôndilo medial. O ligamento arqueado pode ser visto formando o teto do túnel.

 

Parte anterior do antebraço

Posição do paciente

O estudo é realizado com o paciente sentado, de frente para o examinador, com o cotovelo fletido 90°, o antebraço supinado e repousando sobre a mesa.

Transdutor

Utiliza um transdutor de matriz linear. Ajuste a profundidade para 2-6 cm.

Posição do transdutor

Para os músculos do compartimento anterior, posicione o transdutor no lado anteromedial da parte proximal do antebraço, junto à articulação do cotovelo, e percorra até o punho. Para uma vista em eixo longitudinal dos músculos, o transdutor deverá ser posicionado no plano sagital (6.43), e para uma vista

em eixo-curto dos músculos, no plano transverso (Fig. 6.44).

Aspectos das imagens

Com o transdutor alinhado no plano sagital no epicôndilo lateral, a origem tendinosa dos músculos

flexores pode ser observada (Fig. 6.43). Na extremidade proximal da imagem (lado esquerdo), a superfície do epicôndilo medial do úmero pode ser vista. Distal ao úmero (lado direito da imagem), a ulna pode ser vista. Estendendo-se do epicôndilo medial, os músculos flexores podem ser inspecionados. A origem dos tendões aparece hiperecoica, comparada ao músculo hipoecoico mais escuro. O tendão do músculo na imagem dependerá da orientação (i.e., se a orientação estiver na parte média do corpo do rádio ou punho). Na imagem, o transdutor está orientado em direção à parte média do corpo do rádio, e, portanto, o tendão do músculo pronador redondo pode ser visto. O músculo flexor radial do carpo pode ser inspecionado sobre o ápice do tendão do músculo pronador redondo.

FIG. 6.43 Ultrassom da origem comum dos flexores direitos. FRC, flexor radial do carpo; EpM, epicôndilo medial; PR, pronador redondo; Ul, ulna; Escala da barra = 1 cm.

FIG. 6.44 Ultrassom do compartimento anterior do antebraço direito. A, Parte média do antebraço. B, Face medial. C, Parte distal do antebraço. BrR, braquiorradial; FRC, flexor radial do carpo; FUC, flexor ulnar do carpo; FPD, flexor profundo dos dedos; FSD, flexor superficial dos dedos; FLP, flexor longo do polegar; MI, membrana interóssea; NM, nervo mediano; PL, palmar longo; PQ, pronador quadrado; AR, artéria radial; R, rádio; AU, artéria ulnar; Ul, ulna; NU, nervo ulnar. Os tendões são mostrados em verde. Escala da barra = 1 cm.

Com o transdutor posicionado no plano transverso na face anterior do antebraço, aproximadamente a

meio caminho entre o cotovelo e o punho, os músculos flexores podem ser facilmente inspecionados

(Fig. 6.44A). Rumo à parte inferior da imagem, as superfícies do rádio (lateral) e ulna (medial) estarão à mostra. Na face lateral da parte anterior do antebraço, o músculo flexor longo do polegar pode ser observado adjacente ao rádio. Medial a este músculo, os ventres musculares do músculo flexor profundo dos dedos estarão em vista. Movendo-se a articulação interfalângica distal de cada dedo, então, é possível identificar cada um dos ventres musculares

Superficial ao músculo flexor profundo dos dedos, o músculo flexor superficial dos dedos pode ser

identificado movimentando-se as articulações interfalângicas proximais. Os músculos flexores superficial e profundo dos dedos estão separados por uma densa camada miofascial hiperecoica que se estende horizontalmente cruzando a imagem. Localizado aproximadamente ao meio da imagem, dentro desta miofáscia, o nervo mediano pode ser inspecionado. Ele aparece relativamente circular em seu eixo curto e possui uma textura médio-acinzentada.

Acima do músculo flexor superficial dos dedos, o músculo flexor radial do carpo pode ser observado

como sendo grande, ovalado e achatado. Na face radial da imagem, o músculo flexor radial do carpo também pode estar à mostra. Localizado abaixo da miofáscia do músculo braquiorradial, a artéria radial pode ser visível em seu eixo-curto.

Na face medial da parte anterior do antebraço, os ventres mediais do músculo flexor profundo dos

dedos podem ser inspecionados adjacentes à ulna (Fig. 6.44B). Superficial ao músculo flexor profundo dos dedos, o músculo flexor superficial dos dedos pode ser visto. O nervo ulnar pode ser observado dentro do plano miofascial entre o músculo flexor profundo dos dedos e, mais superficialmente, os músculos flexor superficial dos dedos e flexor ulnar do carpo. O nervo possui aspecto achatado. Lateral ao nervo ulnar, a artéria ulnar aparecerá dentro do mesmo plano miofascial.

Percorrendo distalmente ao longo da parte anterior do antebraço, os músculos tornam-se tendinosos

(Fig. 6.44C). Com o transdutor alinhado de modo transversal cruzando o antebraço, os contornos hiperecoicos do rádio e da ulna e a membrana interóssea interposta são visíveis rumo à parte inferior da imagem. Adjacente a estas estruturas, o músculo pronador quadrado é visto estendendo-se entre a ulna e o rádio.

Localizado superficial ao músculo pronador quadrado, os ventres musculares hipoecoicos e os tendões

hiperecoicos entremeados do músculo flexor profundo dos dedos, podem ser vistos. Superficialmente ao músculo flexor profundo dos dedos, acima de um óbvio plano miofascial, os ventres musculares e tendões do músculo flexor superficial dos dedos podem ser vistos. Assim, movendo-se cada um dos dedos, será possível identificar cada tendão individualmente. No topo da imagem, diretamente abaixo da pele, os tendões achatados, ou junção tendíneo muscular, dos músculos flexor radial do carpo e palmar longo podem ser inspecionados.

Percorrendo-se rumo ao túnel do carpo, a fileira proximal de ossos carpais entra no campo de visão

(Fig. 6.45). Com o transdutor alinhado transversalmente na prega distal do punho, a superfície anterior curva do osso semilunar aparece como uma característica claramente identificável. Superficial aos ossos do carpo, os tendões dos flexores podem ser observados. Eles aparecem relativamente hiperecoicos e estão circundados pela sinóvia hipoecoica. Movendo-se, assim, cada dedo, os tendões podem ser identificados individualmente. O tendão do músculo flexor longo do polegar situa-se dentro da fileira profunda de tendões no lado lateral da imagem.

FIG. 6.45 Ultrassom do punho anterior direito. Os tendões de cada dedo foram numerados (2-5). *, ligamento transverso do carpo; FRC, flexor radial do carpo; FUC, flexor ulnar do capo; FPD, flexor profundo dos dedos; FSD, flexor superficial dos dedos; FLP, flexor longo do polegar; SL, semilunar; NM, nervo mediano; Esc, escafoide; AU, artéria ulnar. Escala da barra = 1 cm.

Medialmente ao tendão do músculo flexor longo do polegar, os quatro tendões do músculo flexor

profundo dos dedos podem ser inspecionados. Superficialmente a estas estruturas, os quatro tendões do músculo flexor superficial dos dedos estará visível. Formando o teto do túnel do carpo, o retináculo dos músculos flexores pode ser visto como uma linha curva e arqueada que cruza a imagem. Diretamente abaixo do ligamento transverso do carpo, o nervo mediano será visível. Ele aparece como um ovoide achatado com textura médio-acinzentada heterogênea com bordas hiperecoicas. Os tendões dos músculos flexor radial do carpo e flexor ulnar do carpo podem ser vistos superficiais ao ligamento transverso do carpo.

Rotando-se o transdutor de modo que ele fique alinhado longitudinalmente ao longo da parte anterior

do antebraço, os fascículos e tendões de cada um dos músculos flexores podem ser inspecionados. Nesta

exposição, a contração muscular pode ser facilmente visualizada (Vídeo 6.1).

 

Vídeo 6.1 B-mode ultrasound image sequence of the long flexor tendons immediately proximal to the wrist–long-axis view.

 

Parte posterior do antebraço

Posição do paciente

O estudo é melhor realizado tanto em posição sentada quanto em decúbito dorsal, com o cotovelo estendido e o antebraço supinado.

Transdutor

Utilize um transdutor de matriz linear. Ajuste a profundidade para 2-6 cm.

Posição do transdutor

Para os músculos do compartimento posterior do antebraço, posicione o transdutor na face posterolateral da parte proximal do antebraço, na articulação do cotovelo, e estude obliquamente em direção medial rumo ao punho. Para vistas em eixo-longo dos músculos, o transdutor deve estar posicionado em plano

sagital (p. ex., Fig. 6.46A), e para vistas em eixo-curto, em plano transverso (Fig. 6.46B e C, 6.47).

FIG. 6.46 Ultrassom do compartimento posterior do antebraço direito. A, Origem extensora comum. B, Parte proximal do antebraço. C, Parte média do antebraço. Na imagem C, os músculos individualizados dos dedos foram numerados (ED 2-5). ALP, abdutor longo do polegar; BrR, braquiorradial; ERCC, extensor radial curto do carpo; ERLC, extensor radial longo do carpo; EUC, extensor ulnar do carpo; ED, extensor dos dedos; EI, extensor do indicador; ECP, extensor curto do polegar; ELP, extensor longo do polegar; U, úmero; MI, membrana interóssea; R, rádio; S, supino; Ul, ulna. Tendões são mostrados em verde. Escala da barra = 1 cm.

FIG. 6.47 Ultrassom do punho posterior direito. ERCC, extensor radial curto do carpo; ERLC, extensor radial longo do carpo; EUC, extensor ulnar do carpo; ED, extensor dos dedos; EDM, extensor do dedo mínimo; EI, extensor do indicador; ELP, extensor longo do polegar; R, rádio; Ul, ulna. Escala da barra = 1 cm.

 

Aspectos das imagens

Com o transdutor alinhado em plano sagital no epicôndilo lateral, a origem comum do tendão dos

músculos extensores pode ser observada (Fig. 6.46 A). Na parte proximal da imagem (lado esquerdo), a superfície do epicôndilo lateral do úmero pode ser vista. Distal ao úmero (lado direito da imagem), a cabeça de rádio pode ser vista. Estendendo-se desde o epicôndilo lateral, a origem do tendão do extensor radial curto do carpo e/ou extensor comum dos dedos pode ser observada. Situado superficial à origem do músculo extensor comum dos dedos, os músculos extensor radial longo do carpo e braquiorradial podem ser vistos.

Com o transdutor posicionado no plano transverso na parte proximal da face lateral do antebraço

adjacente ao cotovelo, o músculo supinador pode ser inspecionado (Fig. 6.46B). Ele tem um formato característico quando ele abraça ao redor da superfície do rádio. O nervo radial, ou seus ramos superficial e profundo, podem ser observados dentro do plano miofascial que recobre o músculo supinador. Pode ser possível observar o ramo profundo penetrando através do músculo supinador. Estes nervos aparecem como pequenos ovoides achatados.

Superficial ao músculo supinador, o músculo extensor radial longo do carpo pode ser inspecionado. O

músculo extensor radial longo do carpo situa-se sobre o músculo extensor radial curto do carpo. Ambos os músculos possuem um plano miofascial claramente definido que os circunda. Superficial a estes músculos, o músculo braquiorradial estará à vista.

Com o transdutor posicionado no plano transverso, a um ponto médio, ao longo da parte posterior do

antebraço, músculos extensores podem ser vistos (Fig. 6.46C). Em direção à parte inferior da imagem, a superfície posterior do rádio e da ulna estarão à mostra. Entre estes ossos, a membrana interóssea pode ser observada. Acima destas estruturas, duas camadas de músculos podem ser vistas. Os músculos dentro da camada profunda, de lateral para medial, são os músculos abdutor longo do polegar, extensor curto do polegar, extensor longo do polegar e extensor dos dedos. Os músculos sob visão dependerão de sua proximidade em relação ao punho. O músculo abdutor longo do polegar possui a origem mais proximal e tenderá a dominar a camada em posições mais proximais.

Na camada superficial, de lateral para medial, os ventres musculares do músculo extensor dos dedos D2

a D5 e o extensor ulnar do carpo podem ser vistos. O músculo extensor ulnar do carpo está intimamente relacionado à ulna. Os ventres musculares do músculo extensor dos dedos podem ser identificados individualmente pela movimentação dos dedos. Tendões hiperecoicos podem ser visíveis destro destes músculos.

Seguindo distalmente, os músculos extensores podem ser vistos formando tendões. No punho, o

retináculo dos músculos extensores e seus seis compartimentos podem ser inspecionados (Fig. 6.47). O retináculo dos músculos extensores possui coloração cinza-claro e se estende superficialmente cruzando o punho. Os tendões aparecem como círculos hiperecoicos diretamente abaixo do retináculo e estão organizados conforme segue (lateral para medial): abdutor longo do polegar e extensor curto do polegar, no compartimento um; extensor radial longo e curto do carpo, no compartimento dois; extensor longo do polegar, no compartimento três; extensor dos dedos e extensor do indicador, no compartimento quatro; extensor do dedo mínimo, no compartimento cinco; e extensor ulnar do carpo, no compartimento seis. Profundo aos tendões, a superfície do rádio (lateral) e da ulna (medial) podem ser observadas.

Rotando o transdutor de modo a alinhá-lo longitudinalmente ao longo da parte posterior do braço, os

fascículos individuais dos músculos extensores e tendões podem ser inspecionados. Nesta vista, a contração muscular pode ser facilmente visualizada.

 

Mão

Posição do paciente

O estudo é realizado com o paciente em posição sentada, de frente para o examimador, com o cotovelo fletido e a mão em repouso sobre a mesa.

Transdutor

Utilize um transdutor de matriz linear. Ajuste a profundidade para 1-3 cm.

Posição do transdutor

Posicione o transdutor sobre a palma da mão no plano transverso para vistas em eixo-curto dos tendões. Para vistas em eixo longo dos dedos, posicione o transdutor no plano sagital na superfície anterior do

dedo de interesse (Fig. 6.48 A).

FIG. 6.48 Ultrassom da mão. ID, interósseos dorsais; FD, falange distal; FPD, flexor profundo dos dedos; FSD, flexor superficial dos dedos; Lum, lumbricais; MC2-MC4, metacarpais 2-4; FM, falange média; IP, interósseos palmares; FP, falange proximal. Escala da barra = 1 cm.

 

Aspectos das imagens

Com o transdutor posicionado no plano transverso sobre a palma da mão, as superfícies anteriores dos

metacarpos podem ser vistas rumo à parte inferior da imagem (Fig. 6.48 A). Dentro do espaço circundando os metacarpos, os músculos interósseos palmares e dorsais serão visíveis. Aduzindo e abduzindo os dedos, os músculos podem ser identificados individualmente. Diretamente superior aos músculos interósseos, um plano fascial denso horizontal e hiperecoico pode ser visto. Acima deste plano, os tendões pares dos músculos flexor superficial e profundo dos dedos podem ser vistos como círculos achatados e hiperecoicos. Adjacente a cada par de tendões, diretamente abaixo da pele, as artérias e nervos digitais palmares podem ser visíveis. Localizados entre os pares de tendões flexores, os músculos lumbricais relativamente hipercoicos estarão à vista.

Com o transdutor posicionado no plano sagital na superfície anterior dos dedos, as articulações

metacarpofalângicas e interfalângicas podem ser inspecionadas (Fig. 4.48B). Os tendões do músculo flexor superficial dos dedos e flexor profundo dos dedos podem ser visíveis, superficial às articulações quando eles inserem-se nas falanges média e distal, respectivamente. Nesta vista, a disposição linear dos fascículos pode ser observada.

Na Clínica

A incorporação do ultrassom como uma ferramenta auxiliar no diagnóstico de problemas musculoesqueléticos representa um grande avanço na prática clínica. Com o desenvolvimento de transdutores de matriz linear de alta frequência, as estruturas musculoesqueléticas podem ser observadas com resolução melhorada. O ultrassom de modo B pode ser empregado para avaliar e monitorar uma gama de patologias musculoesqueléticas que incluem lesão a músculos, tendões ou ligamentos; sinovites; bursites; hematomas; abscessos; edema; e massas como cistos ganglionares e lipomas. O ultrassom por doppler é uma ferramenta importante no diagnóstico de afecções vasculares e inflamatórias nos membros, em particular a trombose venosa profunda. Imagens em tempo real fazem que o ultrassom se transforme no “método de padrão-ouro” para realização de bloqueios neurais periféricos, bem como para aspiração de articulações. Imagens em tempo real também se transformaram em ferramenta importante para examinar a biomecânica e a estabilidade de articulações. Há significativo desenvolvimento da elastografia por ultrassom, que é uma técnica que estuda a rigidez de tecidos, fornecendo, potencialmente, informação adicional a afecções teciduais. Esta técnica pode revelar-se como de utilidade clínica para avaliação de problemas musculoesqueléticos que envolvem

alteração das propriedades biomecânicas, como em tendinopatias. A Tabela 6.7 fornece algumas condições musculoesqueléticas dos membros superiores que podem ser diagnosticadas ou monitoradas pelo ultrassom.

Tabela 6.7

Exemplos de patologias musculoesqueléticas que são diagnosticadas por ultrassom

Região Patologia

Ombro Tendinopatias ou rupturas no manguito rotador

Compressão/Impacto do supraespinal

Bursite subacromial

Instabilidade da articulação acromioclavicular

Derrames da articulação do ombro

Derrames da articulação glenoumeral

Gânglio articular acromioclavicular

Braço Rupturas ou luxação da cabeça longa do músculo bíceps braquial

Trombose venosa profunda

Antebraço Epicondilite lateral

Derrames articulares

Bursite do olécrano

Rupturas tendinosas

Compressão do nervo ulnar

Mão Síndrome do túnel do carpo

Tendinopatia dos flexores ou extensores

Sinovites

Gânglios

Checklist Resumido

• Projeções de superfície de ossos relacionados ao membro superior • Projeções de superfície dos músculos do membro superior

• Projeções de superfície da axila

• Movimentos do membro superior

• Imagens de ultrassom da região do ombro

• Imagens de ultrassom do braço

• Imagens de ultrassom da fossa cubital

• Imagens de ultrassom do antebraço e mão

 

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