Gray's Anatomia de Superfície e Ultrassom: Fundamentos para a Prática Clínica
Ultrassom
ponto onde o maior volume de fluido é percebido, geralmente no nível mais
baixo.
Ultrassom
Músculos anteriores do tórax e pulmões
Posição do paciente
A investigação por imagens pode ser feita ou em posição supina ou sentada.
Transdutor
Utilize um transdutor de frequência linear. Ajuste a profundidade para 3-5 cm.
Posição do transdutor
O transdutor deve ficar no plano transverso, na parede torácica anterior (lado esquerdo ou direito) ao longo da linha medioclavicular, no segundo ou terceiro espaço intercostal. Na mulher, pode ser necessário passar por baixo do tecido da
mama (Fig. 2.15).
FIG. 2.15 Imagem de ultrassom dos músculos anteriores do tórax e pulmões. MI, músculos intercostais; Pu, pulmão; PI, pleura; PMa, peitoral maior; PMe, peitoral menor; FasS, fáscia superficial. Barra de escala = 1 cm. Aspectos das imagens
Três camadas de músculos deverão estar na incidência. Esses músculos são: peitoral maior, peitoral menor e músculos intercostais. Ao redor desses músculos, a miofáscia hiperecoica será visível. Superficial ao músculo peitoral maior haverá
uma camada de gordura subcutânea. A linha hiperecoica brilhante, relativamente espessa, inferior aos músculos intercostais é a pleura, a qual, durante a investigação ao vivo, se movimentará em sincronia com a respiração. O pulmão aparece hipoecoico em comparação com os tecidos mais superficiais, embora linhas fracas
de reverberação horizontal, paralelas à pleura, possam estar presentes (Fig. 2.15).
Coração
Posição do paciente
A investigação é feita com o paciente deitado sobre o lado da mão esquerda (em
decúbito lateral esquerdo) ou supino. Colocar o seu braço esquerdo acima da cabeça pode ajudar a abrir os espaços intercostais.
Transdutor
O coração é mais bem visualizado entre as costelas com um transdutor de sequência de fase, embora o transdutor de sequência curvada também possa ser usado. A
melhor configuração de profundidade é entre 15-20 cm.
Incidência apical
Posição do transdutor
Posicionar o transdutor do lado esquerdo do tórax, no quinto ou sexto espaço
intercostal, ao longo da linha medioclavicular. Essa localização é o ponto de impulso máximo, que pode ser localizado apalpando-se o tórax. Com o marcador de orientação da tela no lado direito da imagem (que é a convenção para
ecocardiografia), girar o transdutor até que o marcador de orientação esteja apontando para o lado esquerdo do paciente (posição de 3 horas do relógio;
Fig. 2.16). O transdutor deverá ser levemente inclinado para cima, de modo que o feixe esteja passando pelo eixo longo do coração desde o ápice até a base. Se o
marcador de orientação da tela estiver do lado esquerdo da tela, o marcador de orientação da sonda deverá apontar para o lado direito do paciente (posição de 9 horas do relógio).
FIG. 2.16 Imagem de ultrassom do coração – visualização apical. AE, átrio esquerdo; VE, ventrículo esquerdo; VAVE, valva atrioventricular esquerda (mitral); AD, átrio direito; VD, ventrículo direito; VAVD, valva atrioventricular direita (tricúspide). Barra de escala = 5 cm.
Aspectos da investigação por imagens
As quatro câmaras do coração deverão estar visíveis. O pericárdio e o músculo cardíaco aparecerão hiperecoicos comparados às câmaras do coração, cheias de
fluido. O coração é visualizado de cabeça para baixo, com o ápice no topo da imagem (o mais próximo possível do transdutor) e a base / átrios em direção para baixo na imagem. No topo da imagem, os ventrículos esquerdo e direito estarão à
vista. O ventrículo esquerdo aparecerá com cerca de duas vezes o tamanho do direito. Entre os átrios e os ventrículos, os movimentos das valvas atrioventriculares direita (tricúspide) e esquerda (mitral) podem ser visualizadas durante a investigação
(Fig. 2.16 e Vídeo 2.1).
Vídeo 2.1 Colour Doppler ultrasound image sequence of the heart – apical view
Incidência paraesternal em eixo longo
Posição do transdutor Posicionar o transdutor do lado esquerdo do tórax no terceiro ou quarto espaço
intercostal próximo ao esterno. Com o marcador de orientação da tela do lado direito da imagem, girar o transdutor até que o marcador aponte para o ombro direito
(posição de 10 horas do relógio) (Fig. 2.17). Se o marcador estiver do lado esquerdo da tela, o marcador de orientação da sonda deverá apontar em direção à espinha
ilíaca anterossuperior esquerda (posição de 4 horas do relógio).
FIG. 2.17 Imagem de ultrassom do coração – projeção paraesternal em eixo longo. Ao, aorta; VAV, valva atrioventricular; PDA, parte descendente da aorta; AE, átrio esquerdo; VE, ventrículo esquerdo; VAVE, valva atrioventricular
esquerda (mitral); Per, pericárdio; VD, ventrículo direito. Barra de escala = 5 cm.
Aspectos da investigação por imagens
Nessa incidência, o coração é visualizado ao longo de seu eixo longo, de baixo (imagem do lado da mão esquerda) para cima (imagem do lado da mão direita). O lado esquerdo do coração pode ser visto em direção à parte inferior da imagem e o
lado direito do coração está no topo da imagem. A projeção paraesternal em eixo longo fornece uma janela detalhada para o lado esquerdo do coração. O átrio esquerdo hipoecoico e o ventrículo podem ser observados. Superior (à direita na imagem) ao ventrículo esquerdo, acima do átrio esquerdo, a aorta e a valva da aorta
também estarão à vista. O pericárdio é facilmente visualizado como um aspecto curvado hiperecoico brilhante em direção à parte inferior da imagem. Adjacente ao pericárdio, pode ser possível observar uma projeção em eixo curto da parte
descendente da aorta (Fig. 2.17).
Checklist Resumido
• Projeções de superfície dos ossos relacionados ao tórax.
• Projeções de superfície da pleura e marcações dos pulmões.
• Projeções de superfície do coração e de suas valvas.
• Investigação por imagens de ultrassom dos músculos da parede torácica.
• Investigação por imagens de ultrassom da pleura.
• Investigação por imagens de ultrassom do coração.
Na Clínica
A investigação por imagens de ultrassom do coração é conhecida como ecocardiografia. A imagem convencional em Modo-B e Modo-M e Doppler é
usada para avaliar a integridade do órgão (Vídeo 2.1). As técnicas Doppler, por exemplo, Doppler de onda pulsada e Doppler contínuo, têm a vantagem de fornecer uma medida de fluxo de sangue e movimentos das valvas. Assim, com a
investigação por imagens pela pele (abordagem transtorácica), o coração pode ser investigado por imagens usando-se um transdutor especializado que é inserido no
esôfago (abordagem transesofágica).
O ultrassom pode ser usado para avaliar patologias que afetem a pleura e os
pulmões, como efusões pleurais, mesotelioma e hematotórax. Embora um pulmão sadio cheio de ar apareça hipoecoico devido à falta de eco acústico além da
pleura, a consolidação do pulmão causada por infecção (p. ex., na doença pleural)
pode ser visualizada. Para permitir visão mais extensa do parênquima do pulmão, transdutores de sequência de fase ou curvados de baixa frequência são usados frequentemente na clínica. A investigação por imagens em tempo real durante a respiração pode ajudar na avaliação da efusão pleural e na paralisia do diafragma.
O ultrassom também é usado com frequência na clínica para investigação por imagens das mamas.
Outras aplicações clínicas no tórax incluem monitorar a colocação de cateteres
venosos centrais e orientação de agulha durante aspiração de fluido do espaço pleural (toracocentese) ou do pericárdio (pericardiocentese), assim como durante
biópsias da pleura, de linfonodos mediastinais ou da mama. A Tabela 2.2 fornece
uma visão geral de algumas das condições torácicas que podem ser diagnosticadas ou monitoradas por ultrassom.
Tabela 2.2
Doenças do tórax que podem ser diagnosticadas ou monitoradas por ultrassom
Víscera Patologia
Coração Doença valvar (p.ex., insuficiência ou estenose valvar),
cardiomiopatia (p.ex., cardiomiopatia dilatada ou hipertrófica), doença congênita (p.ex., defeitos septais atriais ou ventriculares),
doença cardíaca isquêmica, hipertensão pulmonar, pericardite
Pulmões Efusão pleural, pneumotórax, pneumonia, neoplasmas
Diafragma Paralisia do diafragma
Costelas Fraturas de costelas
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