Gray's Anatomia de Superfície e Ultrassom: Fundamentos para a Prática Clínica

Ultrassom

localizou até o ângulo da boca.

• Estenda a linha principal superiormente, como artéria temporal superficial.

 

Na Clínica

É importante estar familiarizado com a posição das veias subclávia e jugular interna, pois estas veias são comumente utilizadas para acessos venosos centrais. Uma complicação potencial quando se realiza este procedimento é o pneumotórax, pois a pleura se estende até o pescoço. Para ajudar a evitar tal complicação, o ultrassom é comumente utilizado para guiar a punção central. O alastramento de infecções ou metástases de cânceres da cabeça e do pescoço segue a drenagem linfática para relevantes linfonodos. Os linfonodos cervicais profundos ou linfonodos jugulo-digástricos estão frequentemente aumentados na tonsilite. Trauma contuso no olho pode resultar em fratura do tipo “explosão” no assoalho da órbita e resultar em pinçamento/compressão do músculo reto inferior e fáscia orbital causando restrição do olhar para cima e diplopia (visão dupla). Pode haver ainda dormência na bochecha devido à lesão do nervo infraorbital — um ramo da divisão maxilar do nervo trigêmeo (V ). 2

 

Ultrassom

Olho

Posição do paciente

O exame é realizado com o paciente sentado.

Transdutor

Utilize um transdutor de disposição linear. Definir a configuração de profundidade para entre 2-5 cm.

Posição do transdutor

É importante que os olhos permaneçam fechados e que um gel estéril de ultrassom seja utilizado. Aplicar o gel adequado ao transdutor e posicionar o transdutor, de modo delicado, em um plano transverso, sobre

as pálpebras (Fig. 8.26). Angule o transdutor ligeiramente para baixo. Evite aplicar pressão sobre o olho. Após realizar o exame, retire todo o excesso de gel sobre as pálpebras e lave o local com solução salina estéril.

FIG. 8.26 * Ultrassom do olho direito. , pálpebra, CA, câmara anterior; CC, corpos ciliares; Co, corioide; Cor, córnea, Ir, íris; Le, lente; NO, nervo óptico; CP, câmara postrema; Re, retina; Es, esclera. Escala da barra = 1 cm.

 

Aspectos das imagens

O bulbo do olho pode ser visto como uma imagem esferoide hipoecoica (Fig. 8.26). A câmara postrema (vítreo), que contém o humor vítreo, preenche boa parte do espaço. À frente da câmara postrema, a câmara anterior pode ser vista. À frente do bulbo do olho, a córnea aparece como uma linha fina hiperecoica, seguindo a curva da câmara anterior. Situando-se entre as câmaras postrema e anterior, a íris e a lente podem ser vistas. A íris aparece como duas faixas curtas e brilhantes atrás da qual situa-se a lente, de formato cônico. A superfície da lente produz reflexão clara, que revela seu formato. Junto à íris, a córnea se torna contínua com a camada externa do bulbo do olho, denominada de esclera. Os corpos ciliares de coloração médio-acinzentada podem ser vistos lateral ao cristalino. Na camada interna do bulbo do olho, a retina possui coloração médio-acinzentada quando comparada à camada subjacente, a corioide, que é relativamente hipoecoica. A densa camada mais externa do bulbo do olho, a esclera, aparece como uma camada espessa de cor cinza claro a cinza médio. As três camadas do bulbo do olho são melhor examinadas em sua parede posterior. Posteriormente ao olho, o nervo óptico será visto como uma sombra hipoecoica.

 

A glândula parótida

Posição do paciente

As imagens são obtidas com o paciente em posição sentada.

Transdutor

Utilize um transdutor de disposição linear. Ajuste a profundidade para 2-5 cm.

Posição do transdutor

Posicione o transdutor em um plano imediatamente inferior à orelha, posterior ao ramo da mandíbula, com o marcador orientado para a esquerda. Visualize inferiormente em direção ao ângulo da mandíbula.

Aspectos das imagens

Em direção ao lado direito da imagem, a superfície hiperecoica do ramo da mandíbula será identificada

(Fig. 8.27). Superficialmente à mandíbula, o músculo masseter pode ser visto. Posterior à mandíbula, a volumosa glândula parótida possui uma coloração médio-acinzentada homogênea. Posterior à glândula, o músculo esternocleidomastóideo pode ser visto. Examinando-se inferiormente através da parótica, os

linfonodos intraparotídeos podem ser identificados (Fig. 8.27A). Eles aparecem como ovoides hipoecoicos de aproximadamente 3-5 mm de diâmetro, com o hilo central hiperecoico. Próximo ao ramo da mandíbula, a veia retromandibular e a artéria carótida externa (profunda em relação à veia) podem ser vistas em uma orientação transversa, cursando paralelamente à mandíbula. Entretanto, em alguns indivíduos, a gordura dentro da glândula pode impedir a inspeção desses vasos. Observe que o nervo facial pode ser inspecionado na porção anterior da glândula conforme ele cursa na glândula em direção ao músculo masseter. Para inspecionar o nervo facial, o transdutor deve ser colocado anterior à orelha com o marcador de orientação posicionado superiormente. Nesta vista o nervo aparece no eixo curto. Ele possui diâmetro de 1-2 mm com bordas nitidamente hiperecoicas.

FIG. 8.27 Ultrassom da glândula parótida direita. A, Imediatamente inferor à orelha. B, Nível inferior. ACE, artéria carótida externa; Li, linfonodo; Mas, masseter, GP, glândula parótida; RM, ramo da mandíbula; VR, veia retromandibular; ECl, esternocleidomastóideo. Escala da barra = 1 cm.

 

Glândula submandibular

Posição do paciente

O exame é realizado com o paciente em posição sentada. A cabeça deve estar curvada para trás.

Transdutor

Utilize um transdutor de disposição linear. Ajuste o aparelho para uma profundidade de 2-5 cm.

Posição do transdutor

Posicione o transdutor em um plano transverso imediatamente anterior ao ângulo da mandíbula (Fig.

8.28). Passe-o anteriormente ao longo do corpo da mandíbula, que deverá estar próximo à margem lateral do transdutor.

 

FIG. 8.28 A e B, Ultrassom da glândula submandibular direita. A, Parte posterior da mandíbula posterior. B, Parte anterior da mandíbula. C, Doppler da artéria facial. CM, corpo da mandíbula; AF, artéria facial; Mas, masseter; MMh, músculo milo-hidóideo; DS, ducto submandibular; GS, glândula submandibular. Escala da barra = 1 cm.

 

Aspectos das imagens

No lado lateral da imagem, a superfície hiperecoica do ângulo da mandíbula estará à vista (Fig. 8.28). Examinando de posterior para anterior, ao longo da extensão do corpo da mandíbula, a glândula submandibular aparecerá como uma grande estrutura triangular com tonalidade médio-acinzentada homogênea. Deve-se perceber que a porção inferior da glândula parótida pode ser vista no ângulo da mandíbula e não deve ser confundida com a glândula submandibular, que localiza-se anterior à parótida. Em direção ao lado medial da glândula submandibular, pode-se observar a artéria facial. Profundamente à artéria facial, o ducto submandibular poderá ser visto. Ambas as estruturas são observadas em um plano transversal. O doppler pode ser utilizado para distinção entre artéria e ducto. Contrário à artéria, não haverá sinal a partir do ducto. Seguindo-se em direção à glândula anteriormente, o músculo milo-hióideo será visto como uma imagem em faixa hipoecoica, que passa de modo oblíquo através da imagem da mandíbula rumo ao osso hioide. Localizadas em ambos os lados do músculo, as porções superficial e profunda da glândula submandibular serão vistas. Prosseguindo anteriormente, o trajeto da artéria facial pode ser inspecionado enquanto ela cursa superficialmente, sobre a glândula rumo ao ramo da mandíbula

(Fig. 8.28B e C). A glândula sublingual entrará no campo de visão anterior à glândula submandibular.

 

Assoalho da cavidade oral

Posição do paciente

O estudo é realizado com o paciente em posição sentada. A É melhor colocar a cabeça inclinada posteriormente.

Transdutor

Utilizar um transdutor de padrão linear. Ajustar a profundidade para 2-5 cm.

Posição do transdutor

Posicionar o transdutor em um plano transverso imediatamente posterior ao queixo (Fig. 8.29). Prosseguir em direção posterior rumo ao osso hioide.

FIG. 8.29 * Ultrassom do assoalho da cavidade oral. , sombras devidas ao corpo da mandíbula. MDig, músculo digástrico; Gg, músculo genioglosso; Gh, músculo gênio-hióideo, GSl, glândula sublingual; Mh, músculo milo-hióideo. Escala da barra = 1 cm.

 

Aspectos das imagens

Em ambos os lados da imagem, sombras formadas pelo corpo da mandíbula podem ser vistas (Fig. 8.29). Nesta posição, os músculos supra-hióideos do assoalho da cavidade oral podem ser vistos em um eixo curto de vista. Superficialmente, os ventres direito e esquerdo do músculo digástrico podem ser vistos. Profundamente ao músculo digástrico, os dois músculos milo-hióideos formam um arco que atravessa a imagem. Localizados profundamente aos músculos milo-hióideos, os músculos gênio-hióideos podem ser observados. Profundamente aos músculos gênio-hióideos, os músculos genioglossos estarão à vista. O ato de deglutir causará contração destes músculos. Situadas lateralmente aos músculos genioglossos, as glândulas sublinguais são visíveis, possuindo uma tonalidade médio-acinzentada, e mais clara quando comparada ao músculo adjacente. No lado medial de cada glândula, os vasos sublinguais e o ducto submandibular podem ser vistos.

 

Sistema carótico

Posição do paciente

O estudo é realizado com o paciente sentado e a cabeça rotada para o lado.

Transdutor

Utilizar um transdutor de padrão linear. Ajustar a profundidade para 2-5 cm.

Posição do transdutor

Posicione o transdutor em um plano transverso na superfície anterior do pescoço, imediatamente superior

à clavícula, à direita ou à esquerda da linha mediana (Fig. 8.30). Prossiga em direção superior seguindo o músculo esternocleidomastóideo.

FIG. 8.30 Ultrassom do sistema carótico direito. A, Parte inferior do pescoço. B, Parte média do pescoço. C, Parte superior do pescoço. ACC, artéria carótida comum; Ct, cricotireóideo; ACE, artéria carótida externa; ACI, artéria carótida interna; VJI, veia jugular interna; TI, tronco inferior; LP, longo do pescoço; TM, tronco médio; Om, omo-hióideo; Pla, platisma; NF, nervo frênico; EA, escaleno anterior; Ecl, esternocleidomastóideo; TS, tronco superior; Eh, esterno-hióideo; Et, esternotireóideo; GT, glândula tireoide; NV, nervo vago. Escala da barra = 1cm.

 

Aspectos das imagens

O exame em direção superior, a partir da parte baixa do pescoço, permitirá observar o grande músculo

esternocleidomastóideo em seu eixo curto (Fig. 8.30). Ele situa-se superficialmente através da imagem e possui aspecto achatado. Imediatamente abaixo da superfície, sobre o músculo esternocleidomastóideo, uma fina camada formada pelo platisma será identificada. Profundamente ao músculo esternocleidomastóideo, a artéria carótida comum e a veia jugular interna podem ser inspecionadas. A artéria localiza-se medial e profundamente em relação à veia e é mais arredondada. A veia aparece mais

achatada. O Doppler pode ser utilizado para avaliar o fluxo sanguíneo dentro destes vasos (Vídeo 8). Localizado entre a artéria e a veia, o nervo vago pode ser visto. Estas três estruturas são circundadas pela hiperecoica bainha carotídea. Lateralmente ao feixe vásculo-nervoso (esquerda na imagem), o músculo escaleno anterior pode ser observado. Localizado na parede anterior deste músculo, o pequeno nervo

frênico pode ser visto enquanto desce sobre a superfície do músculo. Na parte inferior do pescoço (Fig.

8.30), imediatamente posterolateral ao músculo escaleno anterior, os troncos do plexo braquial podem ser vistos em seus eixos curtos. Os troncos aparecem como três círculos hipoecoicos. Profundamente à artéria carótida comum, o músculo longo do pescoço pode ser visível. Rumo à linha média, os músculos esternotireóideo (inferiormente) e esterno-hióideo (superiormente), podem ser vistos mediais ao músculo esternocleidomastóideo. Profundamente ao músculo esternocleidomastóideo, a glândula tireoide pode ser examinada (ver adiante).

 

Vídeo 8.1 Colour Doppler ultrasound image sequence of the internal and external carotid arteries (red) and internal jugular vein (blue) in the neck – short-axis view.

Prosseguindo o exame superiormente, o trajeto da artéria carótida comum e veia jugular interna podem

ser inspecionados. Imediatamente inferior ao nível da cartilagem tireóidea, o ventre superior do músculo

omo-hióideo é observado, estendendo-se imediatamente abaixo do músculo esternocleidomastóideo (Fig.

8.30B). Em direção à linha mediana do pescoço, profundamente ao omo-hióideo, os músculos esterno-hióideo e esternotireóideo podem ser inspecionados.

Estudando-se superior ao nível da cartilagem tireóidea (ao nível da vértebra C4), a artéria carótida

comum bifurca-se em artérias carótida interna e carótida externa. Há, entretanto, grande variabilidade na posição da bifurcação deste vaso. A cartilagem tireóidea tem aspecto anecóico e não pode ser facilmente identificada ao ultrassom. No início de seu trajeto, a artéria carótida interna situa-se lateral à carótida externa. Nesta localização, o seio carotídeo (uma dilatação na parede da artéria carótida interna) pode ser observado. Anterior à artéria carótida interna, a veia jugular interna, de aspecto achatado, pode ser identificada. O músculo esternocleidomastóideo pode ser identificado sobrepondo o feixe neurovascular. Glândula tireoide

Posição do paciente

O exame é realizado com o paciente em posição sentada.

Transdutor

Utilizar um transdutor de disposição linear. Ajustar a profundidade para 2-5 cm.

Posição do transdutor

Posicionar o transdutor através da linha mediana, imediatamente abaixo da cartilagem tireoide, em um

plano transverso para vistas em eixo curto ou o plano mediano sagital para vistas em eixo longo (Fig.

8.31).

FIG. 8.31 Ultrassom da glândula tireoide. A, Vista em eixo-curto. B, Vista em eixo-longo. A linha branca em B representa a interface aéro-mucosa. *, anéis cartilagineos da traqueia Es, esôfago; Is, istmo; ACCE, artéria carótida comum esquerda; Pl, platisma; ECCD, artéria carótida comum direita; Et, esternotireóideo; T, tireoide; Tr, traqueia. Escala da barra = 1 cm.

 

Aspectos das imagens

A exemplo de todas as outras glândulas, a glândula tireoide possui uma textura médio-acinzentada. No

plano transverso, os dois lobos preenchem quase toda a imagem (Fig. 8.31A). O istmo pode ser visto unindo os lobos. Ao longo da linha mediana, as superfícies anteriores dos anéis traqueais aparecem como arcos hiperecoicos, enquanto que seu lume é anecoico. Posterior à traqueia, as margens curvas hiperecoicas do esôfago podem ser vistas conforme ele se estende para além das margens da traqueia. O esôfago não pode ser observado diretamente posterior à traqueia. Lateral à tireoide, as artéria carótidas comuns podem ser vistas.

Em um plano sagital, o istmo da glândula tireoide pode ser inspecionado (Fig. 8.31B). Profundamente

ao istmo, os anéis cartilagíneos da traqueia podem ser vistos. Imediatamente abaixo dos anéis, uma linha ondulada será visível na parede anterior da traqueia. Esta linha é formada pela interface muco-aerada. Profundamente a esta interface muco-aerada, um artefato reverberante pode ser observado dentro da traqueia.

 

Trígono posterior do pescoço

Com o transdutor posicionado lateral ao músculo esternocleidomastóideo, paralelo à clavícula, a artéria

subclávia, a veia subclávia e o plexo braquial podem ser estudados (Capítulo 6).

Na Clínica

O ultrassom fornece uma ferramenta efetiva para examinar uma gama de estruturas da cabeça e pescoço. Em particular, as imagens em modo-B são utilizadas para examinar as glândulas e massas palpáveis no pescoço. Isto inclui linfonodos cervicais, onde o ultrassom pode ser usado para identificar linfonodos malignos, bem como a presença de linfadenopatias. As glândulas salivares são avaliadas rotineiramente pelo ultrassom para sinais de edema, que pode estar associado à inflamação ou cálculos obstrutivos (sialolitíase), bem como a presença de cistos e neoplasias. Na glândula tireoide, os nódulos tireoidianos são identificados com o uso do ultrassom. Além disso, aspiração por agulha fina é realizada sob direção do ultrassom. Lesões congênitas, como linfangiomas, podem ser facilmente identificadas no ultrassom em crianças. As imagens em modo-B também fornecem uma ferramenta para acessar trauma no pescoço, tais como injúrias na laringe ou traqueia. De modo importante, durante o estudo do pescoço, a imagem por Doppler e, particularmente, o Doppler potente, é utilizado para estudar a vascularização de massas localizadas e as glândulas, o que auxilia o diagnóstico. Ultrassom por Doppler é ainda usado para examinar o fluxo sanguíneo dentro das artérias carótidas (Doppler de carótidas). Em particular, ele é usado como rastreio e avaliação da estenose de carótidas

ou oclusão. A Tabela 8.4 fornece uma revisão sobre as condições da cabeça e pescoço que podem ser diagnosticadas ou monitoradas pelo ultrassom por Doppler.

Tabela 8.4

Condições na cabeça e pescoço que podem ser diagnosticadas ou monitoradas pelo ultrassom

Estrutura Patologia

Olho Hemorragia no vítreo, catarata, descolamento de retina, implante de lente,

retinoblastoma, melanoma

Glândulas Formação de abscessos, sialolitíase, sialoadenite, cistos, neoplasias

salivares

Tireoide Nódulos na tireoide, adenomas, doença maligna da tireoide

Linfonodos Linfadenopatia, linfonodos malignos, amostragem central para linfomas

Artérias Estenose das artérias carótidas

carótidas

 

Checklist Resumido

• Projeções de superfície dos ossos do crânio

• Projeções de superfície do olho, orelha, nariz e cavidade oral

• Projeções de superfície neurovascular da cabeça e pescoço

• Imagens de ultrassom da vasculatura do pescoço

• Imagens de ultrassom do olho

• Imagens de ultrassom das glândulas do pescoço

 

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