História oral: desafios para o século XXI

Verena Alberti · Capítulo 10 de 19

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História oral: desafios para o século XXI

Nós e o espelho

Finalmente, creio que não existe uma única voz; existem muitas vozes latino-americanas da história e da história oral e essas vozes são nossos temas, nossas perguntas, nossos atores, nossas culturas, nossas identidades e, creio ainda, estamos comprometidos com o desafio de encontrar novos modos de enfocar o passado para recuperar seus múltiplos significados e, assim, participar ativamente no processo social da construção da memória.

 

Nós e o espelho

Janaína Amado

O texto inicial para esta discussão, escrito pelo prof. José Carlos Sebe Bom Meihy, oferece alguns temas importantes para reflexão e debate. Entre esses temas, destaco duas questões, que me parecem especialmente ricas e interessantes:

Seria a história oral latino-americana apenas eco da história oral primeiro-mundista? Serviriam para ela os mesmos modelos europeus e norte-americanos? Qual a virtude da importação de modelos teóricos para a história oral latino-americana?

A história oral latino-americana teria uma contribuição teórica específica a oferecer? E, em caso positivo, qual seria essa contribuição? Pode-se pensar em "uma voz latino-americana da história oral"?

Para evitar mal-entendidos, esclareço desde logo que não represento, nesta mesa, os historiadores oralistas brasileiros, muito menos os latino-americanos. Represento apenas a mim mesma, trazendo aqui um ponto de vista pessoal sobre as questões propostas.

A questão da identidade latino-americana: um problema com quinhentos anos de idade

Penso que as questões apresentadas chamam atenção para um núcleo de idéias extremamente significativo na América Latina. Essasidéias ultrapassam em muito o âmbito da história oral, pois a questão de um saber colonizado versus uma independência de idéias é muito arraigada no continente latino-americano. Respostas a essas perguntas passam, necessariamente, pelas respostas que se poderão dar a questões mais amplas, relativas à discussão da própria identidade latino-americana. Sem querer ser simplista, mas também sem tempo nem conhecimentos suficientes para desenvolver em profundidade, aqui, todas as implicações dessa questão da identidade latinoamericana, apontarei certas direções de pensamento, com o objetivo de contribuir para o debate. Começarei abordando aspectos da questão mais ampla da identidade latino-americana, passarei em seguida a um tema que vem sendo abordado com insistência neste congresso e, a seguir, transportarei algumas dessas questões para o âmbito específico da história oral na América Latina.

As indagações a respeito da identidade latino-americana são muito antigas na América. Têm cerca de quinhentos anos, pois, desde pouco após a chegada dos europeus à América, os americanos passaram a fazer perguntas angustiadas acerca de si próprios: Quem somos nós? Somos diferentes dos europeus? Devemos integrar-nos a eles? (Mais tarde, essas perguntas passaram a abranger também os norte-americanos.) Devemos impor nossas própriasidéias e valores? Será que temos mesmoidéias próprias, ou somos apenas uma cópia malfeita dos outros?

De maneira geral, podemos dizer que todos os grandes movimentos intelectuais, científicos e artísticos da América Latina ofereceram respostas a essas questões, em geral de uma forma pendular, ora defendendo, às vezes ardorosamente, uma identidade puramente latino-americana - não raro relacionada à figura do indígena, em geral idealizado, como no romantismo -, ora valorizando quase exclusivamente asidéiase costumes europeus e sua adoção pela América, como no caso do arcadismo do século XVIII. Raros, raríssimos foram os períodos em que os latino-americanos estabeleceram relações tranquilas e maduras com a própria identidade. Ousaria mesmo dizer que uma das características da história intelectual da América Latina tem sido justamente a existência de uma identidade partida, bifurcada, intrinsecamente problemática, porque se encontra em constante tensão entre dois pólos aparentemente opostos. Como se, ao nos olharmos em um espelho, ora víssemos, horrorizados, as imagens dos outros refletidas, ora as nossas próprias imagens, deformadas.

História e identidade

As razões para que assim tenha acontecido são históricas. Não é preciso aprofundar-me nessa questão, pois nós, cientistas sociais, a conhecemos bem.

Foram séculos de colonialismo seguido de subdesenvolvimento, de expropriação de nossas riquezas, de genocídio de nossos índios, de escravização dos africanos trazidos para nosso continente. Foram séculos de condenação de nossa população à miséria, à desigualdade social, à falta de terras onde trabalhar. Foram séculos de ignorância, de interdição tanto aos saberes eruditos europeus quanto, ao mesmo tempo, aos saberes de nossos índios e de nossos negros. Foram séculos de imposição do cristianismo e de proibição de outras crenças. Certamente não fomos nós, os latino-americanos, que criamos essa situação. Nós fomos e somos, até hoje, as vítimas dela.

Creio que séculos demais vividos nesse tipo de relação histórica aprofundaram em nós, latino-americanos, um persistente sentimento de inferioridade, de mal-estar, de deslocamento, como se não soubéssemos quem somos. Como se, em todo esse vastíssimo mundo, não houvesse um único lugar para nós. Olhamo-nos no espelho, repito, e não nos reconhecemos, seja porque nossa imagem surge deformada, seja porque surge como a imagem do outro.

A esse sentimento de inferioridade, a esse mal-estar difícil de carregar no peito, temos reagido conforme as imagens que o espelho nos tem mostrado. Ora tentamos ser o outro. Mas o outro é justamente aquele que não somos e, portanto, esse caminho nos conduz apenas à frustração e à exposição ao desprezo e ao escárnio dos outros reais. Ora tentamos corresponder à nossa própria imagem deformada, aquela que nos isola de todos, forçando uma identidade apenas pelos contrastes, pelo fechamento dentro de nossas próprias fronteiras. Exatamente por estar deformada, esta última imagem conduz-nos somente a deformações, acentuando nosso sentimento de deslocamento no mundo. Desse forte sentimento, penso, decorre a importância que tem o tema do exílio em todo nosso pensamento social e em nossas artes: temos sido não apenas, e por tantas vezes, exilados políticos, expulsos de nossos países pelos regimes ditatoriais, mas também, e talvez principalmente, devido ao sentimento de deslocamento no mundo, temos sido exilados de nós mesmos e exilados dentro de nossos próprios países.

Embora aparentemente opostas, ambas as atitudes, em verdade, são faces de uma mesma moeda, lados de um mesmo perfil. Ambas se encontram presas à mesma armadilha da dicotomia. A primeira afirma-a pela semelhança total com o outro, e a segunda, pela negação completa do outro.

Superando a dicotomia

As ocasiões em que mais sucesso tivemos foram e são aquelas em que conseguimos superar essa persistente dicotomia da nossa identidade, essa escolha psicótica entre sermos o outro ou sermos a deformação de nós mesmos. Estivemos bem, nos sentindo confortáveis no mundo e sendo reconhecidos como ocupantes de um lugar específico nele, como possuidores de uma contribuição particular a oferecer todas as vezes em que nos esquece mos da obsessão do espelho, para sermos, simplesmente, nós mesmos e, dessa forma, expressarmos, com liberdade, nossas próprias histórias, nossas diferenças internas, nossas maneiras de ser, de sentir, de pensar. Nós somos frutos (a nossa experiência histórica comprova isso) da convivência, nem sempre harmoniosa mas sempre presente, entre vários povos e várias culturas, diferentes valores, aos quais uma dolorosa experiência histórica deu unidade e consistência.

Os melhores exemplos de sucesso na superação da identidade dicotômica e da expressão mais adequada de nossa identidade de latino-americanos, penso, podem ser encontrados entre alguns de nossos artistas. Vêm-me imediatamente à mente os nomes, entre tantos outros, de um Gabriel Garcia Marquez, uma Gabriela Mistral, um Glauber Rocha, um Cabrera Infante, uma Frida Kahlo... Artistas que tão bem souberam encontrar e proclamar, de diferentes modos, nossa identidade específica de latino-americanos, sendo internacionalmente reconhecidos por isso.

Como esses artistas conseguiram isso? Eles o fizeram sem reivindicar a priori qualquer suposta identidade latino-americana. Fizeram-no simplesmente por meio de sua arte maior, utilizaram-se de suas exímias habilidades para expressar as próprias vivências e sentimentos, estes, sim, natural e essencialmente latino-americanos.

Identidade e mestiçagem

Um conceito, o de mestiçagem, vem sendo muito empregado desde o início deste congresso. Roberto DaMatta, na sessão de abertura, fez dele o centro de suas reflexões, Philippe Joutard e Mercedes Vilanova também a ele se referiram, gerando adendos e debates. Trata-se, sem dúvida, de um conceitochave quando se pensa a América Latina, profundamente relacionado à nossa identidade. Por isso, quero referir-me a ele, com o objetivo sobretudo de tentar historicizar alguns de seus aspectos, a partir de uma perspectiva latino-americana. Quero com isso tentar apontar alguns fatores, ainda não abordados aqui, que nos fazem, a nós latino-americanos, sentir desconfortáveis frente ao conceito de "mestiçagem".

Como muito bem expressou Alessandro Portelli, a mestiçagem é o resultado de um processo histórico impositivo e desigual, o fruto, muitas vezes, não do amor, da vontade e do entendimento, mas da violência contra as mulheres, contra os negros e contra os pobres. Por si só, essa constatação muitas vezes nos deixa pouco à vontade, pois recordamos a nós mesmos que o preço pago pela nossa mestiçagem tem sido, e continua a ser, muito alto.

Muitas vezes os conceitos de "mestiço" e de "mestiçagem" foram empregados entre nós para apontar não um traço constitutivo de nossa história, de nossos povos, de nossas culturas, mas, ao contrário, de forma ideológica, um traço profundamente negativo, espécie de "pecado original" que nos vedaria, para todo o sempre, o acesso à civilização, à cultura e ao progresso. Vários de nossos intelectuais, com base em teorias européias, construíram suas idéias a partir dessa perspectiva, a qual se espalhou pela sociedade, aprofundando em todos nós um forte sentimento de inferioridade e, entre aqueles poucos que podiam aspirar a serem incluídos na categoria de "brancos", o horror pelo restante de sua gente mestiça e o desenvolvimento das mais cruéis, seletivas e imaginosas estratégias para tentarem se manter nesta categoria.

Às vezes, conseguimos representar a mestiçagem como um atributo positivo, como um jeito de ser que nos identifica, e como uma conquista de nossos povos. Entretanto, nessa perspectiva a mestiçagem em geral apresentou-se como um dado pronto, acabado, e, sobretudo, como uma solução para os nossos problemas. Em outras palavras, seria como se disséssemos: por sermos mestiços, não temos preconceito racial; por sermos mestiços, aceitamos e praticamos a igualdade social; a mestiçagem resolve todas as nossas diferenças. Nessa perspectiva, a mestiçagem, portanto, serviu como uma espessa capa a encobrir nossos graves problemas sociais e nossos preconceitos raciais. Até hoje os países latino-americanos mantêm seus negros e mestiços em uma situação inferior: são eles os mais pobres, os que menos acesso têm à educação e à saúde, os que menores oportunidades conhecem de ascensão social e, sobretudo, os que mais sofrem as consequências dos profundos preconceitos sociais, econômicos e étnicos.

Talvez por isso, porque a mestiçagem, tal como a nossa identidade, tenha sido encarada entre nós de forma tão polarizada - seja como uma chaga, seja como a maquiagem de uma sociedade problemática que não quer enxergar seus próprios problemas -, tantos de nós, latino-americanos, nos sintamos tão mal em relação a ela. Trata-se de um desconforto que tem se manifestado aqui, neste congresso, desde quando o assunto foi posto sobre a mesa pela nossa presidente, Mercedes Vilanova, e depois retomado por Roberto DaMatta e Philippe Joutard, e que surge sempre que o tema vem à baila.

Mas há uma terceira forma, uma terceira via, para compreendermos a nossa mestiçagem e com ela convivermos. É para esta via, penso, que apontaram as palavras de Mercedes, DaMatta e Joutard -e aqui chamo atenção para a riqueza desse diálogo internacional, desse cruzamento de múltiplas perspectivas no debate de idéias. Mercedes e Joutard apresentaram suas intervenções informados por uma perspectiva européia, diversa da nossa, a

perspectiva angustiante de uma Europa fraturada, de um lado, por guerras étnicas e religiosas internas e, de outro, pelo rápido crescimento da intolerância frente aos mestiços e aos imigrantes. Ambos opõem-se a essas tendências que assolam a Europa, e vêem na experiência mestiça da América Latina uma possibilidade de superação desses problemas, uma possibilidade de diálogo entre povos, etnias, culturas e religiões diversas.

Qual seria a terceira via de entendimento da mestiçagem latino-americana? Como no caso da nossa identidade, penso que é a da superação da dicotomia, da superação da visão da mestiçagem como um pecado original ou como uma solução mágica dos problemas, dicotomia que é exatamente a mesma expressa pelo espelho. Nesta terceira via, trata-se de compreender a mestiçagem, por um lado, como um dado histórico, como um fato, e, por outro, também como um desafio, um processo ainda em construção. As perguntas que passaríamos a nos fazer seriam do tipo: como transformar nossa mistura racial em efetiva igualdade sócio-econômica e étnica, igualdade de oportunidades? Como respeitar as diferenças, a todos garantindo iguais direitos? Esses são alguns dos imensos desafios de nossa sociedade miscigenada. Se enfrentados, poderão conduzir-nos ao diálogo, à tolerância, ao respeito mútuo, como desejamos todos nós, latino-americanos ou não. Para isso, será preciso ainda muito esforço, determinação e luta, nas várias frentes, em cada minuto do dia. Da parte de todos nós, cidadãos, e de todos nós, historiadores oralistas.

História oral na América Latina: trajetórias e projeto

Voltarei os olhos, a partir de agora, especificamente para a história oral. A história oral latino-americana, nos últimos anos, tem se destacado pela extensão, qualidade e originalidade de sua produção. Não é um acaso o fato de este congresso internacional estar se realizando no Rio de Janeiro, mas uma expressão da importância que a história oral latino-americana vem adquirindo ultimamente, e do reconhecimento internacional a esse fato.

Nas últimas décadas, a história oral na América Latina conheceu um crescimento vertiginoso, aparentemente maior até do que o enorme desenvolvimento registrado na maioria das outras regiões. Numerosos livros têm sido lançados na área, com sucesso. A história oral conquistou não só um espaço acadêmico, em universidades, arquivos e instituições de pesquisa, como também começa a se firmar como um espaço popular, por meio de uma série de iniciativas de associações de bairro, de movimentos sociais, de setores sociais (imigrantes, mulheres, operários etc), que têm organizado programas de história oral para recuperar suas próprias trajetórias sociais. No Brasil, criou-se em 1994 a Associação Brasileira de História Oral, que tem sido muito ativa, com a publicação de um boletim e, recentemente, também de uma revista, e a organização periódica de encontros regionais e nacionais. Do mesmo modo, outros países latino-americanos fundaram também suas associações, mantendo uma grande produção de pesquisas na área.

Temos, portanto, nós, latino-americanos, conseguido nos expressar por meio de nossa história oral e obter para ela reconhecimento internacional, graças ao trabalho e à qualidade da nossa produção. Nessa trajetória, não nos preocupamos em saber se somos ou não latino-americanos ou se a nossa história oral expressa ou não a identidade latino-americana. Temos, simplesmente, nos dedicado ao nosso trabalho, organizando-nos em função das questões e dos problemas comuns de pesquisa que temos urgência em discutir e resolver.

Qual tem sido a característica mais importante da produção latino-americana em história oral? Ao meu ver, justamente a variedade, a capacidade de abranger várias temáticas, direções e tendências teóricas. Temos tido uma importante produção a respeito dos despossuídos, de nossos camponeses e operários, das nossas mulheres, dos marginalizados sociais, assim como dos movimentos sociais que eles têm promovido. Ao mesmo tempo, já temos também uma sólida tradição em entrevistar nossas elites, inclusive as militares, e um grande acervo de fontes orais a respeito delas. Temos trabalhado nas universidades e fora delas. Temos quem considere a história oral uma técnica, quem a compreenda como uma metodologia, quem a tome por uma disciplina. Temos os interessados apenas nas informações que as entrevistas revelam, temos os interessados nas suas representações, no campo do simbólico, temos os interessados em ambas as dimensões... O "inventário das diferenças", como já o denominou Marieta de Moraes Ferreira, seria quase inesgotável.

Parece-me claro que o conjunto dessa produção tão variada tem trazido contribuições inegáveis, reconhecidas como tal, ao campo da história oral. Citaria, como exemplos, as novas temáticas reveladas pela história oral latino-americana, como a história indígena ou o tratamento sistemático dos marginalizados sociais. O pioneirismo do vínculo entre história oral e imagem, hoje tão promissora. E o caráter basicamente interdisciplinar da experiência latino-americana, revelado não só na formação de equipes de pesquisa multidisciplinares, mas também no recente crescimento da história oral entre profissionais que não são historiadores, mas que utilizam a história oral em suas investigações, especialmente os profissionais da área da saúde.

Não haveria então problemas na história oral latino-americana, hoje? Claro que sim! Para ater-me apenas a alguns deles, eu lembraria as expressões de uma mentalidade colonizada, que ou busca seus modelos teóricos exclusivamente na produção européia e norte-americana ("o outro" do espelho, tendência forte e difícil de superar), ou se fecha à importante contribuição teórica dos intelectuais daquelas regiões, demonstrando profunda ignorância e desinformação (o "eu deformado" do espelho), que em muito prejudicam o trabalho. Lembraria a pobreza, responsável pela falta de bibliotecas, pelo insuficiente número e pela deficiente qualidade dos equipamentos, pela dificuldade em fazer circular nossa produção. E, por fim, lembraria o diálogo ainda insuficiente -especialmente por parte dos brasileiros - entre os historiadores orais latino-americanos. Há muito a melhorar, a aperfeiçoar, na história oral latino-americana. A estrada apenas se inicia.

O caminho para tais melhorias, penso, é o do trabalho redobrado e da busca incessante por cada vez maior qualidade em nossa produção. E qualidade, em história oral como nas outras metodologias históricas, é sinonimo de dominar

o próprio ofício, de conhecer-lhe os fundamentos, as técnicas, as metodologias, as teorias, as bibliografias, as questões que o informam, mantendo-se atualizado em relação às novas tendências que surgem a seu respeito.

Para terminar, portanto, respondo às importantes questões propostas. Se nós, historiadores orais latino-americanos, prosseguirmos nessa que tem sido a nossa marca distintiva até agora -a busca incessante da qualidade em nossos variados trabalhos -, conseguiremos, como uma consequência natural desse trabalho de bom nível, exercido em terras, com gente e com temas da América Latina, expressar, exatamente como temos feito até agora, a nossa própria identidade de latino-americanos. Continuaremos, assim, a fazer ouvir nossas vozes plurais. Basta isso. Esse é o caminho que tem dado certo. O outro caminho - o que nunca deu nem nunca dará certo - é o da obsessão pela definição forçada de uma identidade latino-americana, aquele caminho do espelho, onde, devido ao nosso olhar míope, nunca seremos capazes de enxergar refletida nossa verdadeira e bela imagem.