História oral: desafios para o século XXI

Verena Alberti · Capítulo 12 de 19

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História oral: desafios para o século XXI

4 Traumas na Alemanha

 

Introdução ao painel "Traumas na Alemanha"*

Alexander von Plato

Ao final da Segunda Guerra Mundial, a catastrófica política da Alemanha de Hitler foi derrotada, com consequências dificilmente imaginadas. Em todo o mundo, de acordo com as estatísticas conhecidas, morreram 55 milhões de pessoas, especialmente nos países da Europa Oriental, como a Polônia e a União Soviética.

Sem considerar números da China, mais de 21 milhões de soldados morreram ou desapareceram, principalmente na União Soviética (cerca de 13 milhões), Alemanha (3,76 milhões), Japão (1,2 milhão), Grã-Bretanha (440 mil), Iugoslávia (410 mil) e na França, Itália e Polônia (mais de trezentos mil em cada país).

O número estimado de civis mortos em extermínio, lutas, assassinatos, guerra de guerrilha da resistência etc. atinge entre 25 e trinta milhões, dos quais perto de 15 milhões na Europa, sem considerar os cerca de nove milhões que foram assassinados em prisões e campos de concentração nazistas. Desses nove milhões, aproximadamente seis milhões eram judeus europeus.

Desde o início, o extermínio de judeus, ciganos e outros não apenas pelas SS, mas pelo Wehrmacht, foi um dos elementos da conquista do Leste Europeu pelos alemães.

Na própria Alemanha morreram cerca de 36 milhões de civis, entre

os quais dois milhões de expedidos do Leste, 1 mais de meio milhão de vítimas de bombardeios, pelo menos sete milhões de soldados enviados para prisões de guerra, cerca de 15 milhões de evacuados, em geral mulheres e crianças. Dois milhões foram feridos. Pelo menos 2/3 das pessoas não estavam na sua terra. Em 1945 cerca de dez milhões de refugiados políticos, sobretudo trabalhadores forçados, tiveram que ser transportados de volta da Alemanha para seus países de origem. Aproximadamente 14 milhões de alemães fugidos do Exército Vermelho foram expulsos e tiveram que se estabelecer nas quatro zonas de ocupação, nas quais a Alemanha foi dividida. Tiveram que viver sob condições desastrosas. Parece-me que estas circunstâncias não oferecem a melhor base para se lidar com os crimes nazistas.

Todos esses alemães, muito diferentes entre si, velhos habitantes e refugiados, ex-soldados e mulheres evacuadas, grande número de antigos nazistas - a sexta parte da população adulta foi organizada no campo nazista -, os chamados Mitläufer (seguidores) e o pequeno número de oponentes e sobreviventes tiveram que viver juntos depois da guerra. Especialmente os sobreviventes dos campos de concentração nazistas tiveram que decidir se queriam permanecer na Alemanha. Nesse caso, ficaram em seu país natal e tiveram que viver com seus traumas, tiveram que enfrentá-los e enfrentar também a agressiva ignorância de muitas pessoas à sua volta que não queriam saber de nada sobre suas terríveis lembranças dos campos de concentração.

Do outro lado, os aliados vencedores aprisionaram um certo número de pessoas em 1945 e 1946, principalmente nacional-socialistas de classes baixa e média, e as enviaram para campos de prisioneiros de guerra: cerca de noventa mil na Zona Britânica, cem mil na Zona Americana e mais de 150 mil na Zona Soviética. Algumas vezes, antigos campos de concentração foram utilizados como campos de prisioneiros de guerra: Neuengamme e Dachau, nas Zonas Ocidentais de Ocupação; Buchenwald, Sachsenhauseh e Jamlitz, na Zona Soviética.

Todos nós -Mark Roseman, Anne Kaminsky, Friedhelm Boll e eu-temos trabalhado com o nacional-socialismo e o pós-guerra na Alemanha e gostaríamos de apresentar-lhes algumas questões: