História oral: desafios para o século XXI
Comentários sobre o painel "Identidade da classe trabalhadora em uma economioa global"
diálogo político, embutido na forma de história oral. 42
Nosso objetivo com este livro é apresentar esse diálogo político a uma audiência mais ampla não apenas porque queremos que a história de Linda seja "ouvida", mas porque queremos que sua história provoque o leitor, levando-o a colocar, ele mesmo, perguntas críticas sobre a experiência de Linda e sobre o impacto do declínio industrial: Qual foi o custo, para Linda Lord e outros como ela, quando a Penobscot fechou suas portas? O que custa, a todos nós, quando nossas empresas fecham? E, quando este custo se torna alto demais? Nosso objetivo é iniciar o diálogo - tanto interna quanto externamente -, encorajando os leitores a reíletir sobre como nossas empresas e comunidades podem reconhecer sua interdependência, de modo que possamos começar a elaborar políticas que sirvam tanto às empresas, quanto aos homens e mulheres que devotam suas vidas a essas companhias. A narrativa de Linda e as fotografias de Cedric - e o livro como um todo - não pretendem apenas desafiar, mas servir como uma espécie de incentivo à ação. Com este livro, não estamos apenas fazendo uma "narrativa da des industrialização'', mas instando uma resposta a esta narrativa. Minha esperança é que a história de Linda Lord venha provocar você, como provocou a mim. Que o (a) faça refletir sobre como "está e não está contente", que leve você a fazer o que ela fez no dia em que chamou Steve e Cedric para sua mesa: agir com base nesse entendimento.
Comentários sobre o painel "Identidade da
classe trabalhadora em uma economioa global"
Ana Maria Mauad
Em primeiro lugar, gostaria de agradecer o convite e a oportunidade de ler e comentar trabalhos tão interessantes, além de extremamente pertinentes para o contexto global da produção historiográfica contemporânea. Muito mais do que dois exemplos de como podemos fazer trabalhos com história oral e imagens, o que assistimos aqui foi a exposição de uma nova maneira de contar a história - fascinante e envolvente.
Tomarei como ponto de partida o aspecto presente em ambos os títulos: palavras e imagens e textos e fotos. Acrescentaria verbal e visual. Formas distintas de registrar e ao mesmo tempo (re)apresentar a realidade histórica e vivida. Dois sistemas de signos que se entrecruzam na composição da textualidade de uma época.
Por muito tempo, a imagem se viu ancorada à palavra. Ora a imagem ilustrando a palavra, ora a palavra servindo de legenda, explicação e redução do olhar para as múltiplas possibilidades da imagem. A palavra aprisionava a imagem. Vivemos num mundo de imagens, mas normalmente nos expressamos por palavras. No princípio sempre foi o verbo. Ainda agora dependemos de tradução simultânea para nos entendermos. Portanto, por mais que se insista no jargão da civilização da imagem, vivemos num mundo traduzido cotidianamente por palavras, transformadas em gestos e expressões, mas sempre palavras.
No entanto, como historiadora da imagem e uma pesquisadora que se dedica a trabalhar com imagens que se processam através do tempo como mensagens, plenas de significado, devo me rebelar contra o imperialismo do verbal propondo não uma revolução radical pois seria trocar um pelo outro, mas uma compreensão integral da comunicação humana que se realiza, justamente, na intertextualidade.
É, exatamente, esta a possibilidade que me foi apresentada em ambos os trabalhos. Possibilidade de uma narrativa compartilhada, palavras e imagens engendrando histórias de vida, associadas a problemáticas complexas, cuja análise do local desvenda o global, numa dialética onde global e local interagem na composição dos quadros de compreensão de problemáticas sociais próprias à contemporaneidade.
O tema da desindustrialização, tão caro à historiografia americana, em princípio nos soa árido - alguma coisa que tem a ver com questões econômicas, curvas de lucros etc. Mas, ao contrário, somos colocados face a face, com imagens e palavras que nos impõem uma nova aproximação ao tema. Daí a história das tendências e modelos, ou dos fatos e personagens relevantes, ser tomada de assalto pela experiência de Linda Lord ou de Doris McKinney, diante da transformação radical de suas vidas e da necessidade de continuar vivendo. A história, com H maiúsculo, ganha um recheio de humanidade, ganha voz e rosto; é identificada pelos que a vivenciaram e, ao mesmo tempo, narrada por aqueles que a estudam.
É interessante notar alguns aspectos comuns em ambos os trabalhos, que, acredito, Alicia poderá desenvolver um pouco mais, nos possibilitando uma visão mais completa de todo este processo de interação entre palavras e imagens, entre texto e fotos. Para finalizar pontuarei alguns, deixando a seu critério o caminho a seguir.
1. O elemento de contradição inerente em ambas as formas de expressão verbal e visual - que perpassa toda a exposição. Como operá-la? Numa determinada parte do seu texto, Michael chama atenção para a contradição inerente ao trabalho com fotografias documentais. Ele diz: "como interpretar, responder e operar sobre tão belas imagens que expressam tão dura realidade? Ao mesmo tempo, como analisar a trajetória de nossos entrevistados à medida que nos envolvemos com eles, e aí interpretar como estar satisfeito e insatisfeito ao mesmo tempo?"
2. Em que medida Linda é um exemplo? Dito de outra maneira, qual o papel do sujeito histórico na construção de narrativas intertextuais, quais os limites e possibilidades da sua intervenção, na construção da história de seu grupo e de sua coletividade? Como corolário desta questão a "noção" cunhada por Michael de "multivalência" e os conceitos de polifonia ou dialogia, utilizados por Alicia, superam a redução de uma epistemologia da objetividade rumo a uma da intersubjetividade. Fundamental para o trabalho com metodologias que coordenam o oral e o visual.
3. Finalmente, durante todo o tempo o trabalho de vocês, denuncia. A injustiça social é a base comum, a partir da qual, os trabalhos são construídos de baixo para cima e de dentro para fora. Qual a extensão desta intervenção? Vocês da mesma forma que Linda em relação ao seu trabalho estão: "content and not content"?
* Tradução de Paulo Martins Garchct
1 Jamestown, no atual estado da Virgínia, foi o primeiro assentamento inglês na América, fundado cm 1607. O nome homenageava James I, então rei da Inglaterra.
2 Hanke, O. A.; Skinncr, J. L. c Florea, J. H. (cds.). American Poultry History. Madison, Wl: American Poultry Historical Society, Inc., 1974, p. 200-372.
3 Barringer, R. E. An Economic Perspective on Waldo County, palestra proferida na abertura da exposição original do projeto. Belfast, Maine: Belfast Free Library, 23 de fevereiro de 1989.
4 Hanke, p. 420, 558-560.
5 Barringer. An Economic Perspective, op. cit, p.5-6. Ver também Barringer, Waldo County: Historical Profile. Manuscrito inédito, 1989, p. 6.
6 U.S. Bureau of the Census, Statistical Abstract ofthe United States 1973. Washington, D.C.: Government Print, 1973; Waldo County: An Area Where Industry, Agricullure, Recrealional Industries Complement Each Other. Maine Sunday Telegram, 4 de março de 1973.
7 Bernard Lewis, palestra proferida na inauguração da exposição do projeto original. Belfast, Maine: 23 de fevereiro de 1989. Belfast Free Library, p. 12.
8 George I. Lewis, 83, Philanthropist, Dies. Morre George I. Lewis, 83, Filantropo. Portland Press Herald, 16 de maio de 1987, p. 37.
9 Lewis, p. 22.
10 Comunicação pessoal da autora com Linda Lord, 7 de agosto de 1994; com o jornalista de Belfast, Jay Davis, 8 de agosto de 1994; com dr. Harris (Zoologia c Veterinária, Universidade do Maine), 2 de abril de 1993.
11 Para uma discussão sobre a indústria avícola do Maine e sua concorrência com mercados do Sul, ver Cartter, C. T. The U.S. Broiler Boom: New Pressures and New Possibililies for Maine's Coníract Poultry Growers. Bath, Maine: Coastal Enterprises, 1980, p. 2-18. Para uma discussão sobre como o Sul historicamente atraiu a indústria reprimindo salários c condições, ver Cobb, J. C. The Selling of the South: The Southern Crusade for Industrial Development 1936-1980. Baton Rouge: Louisiana State University Press, 1982.
12 Goodman, D. Belfast Now and Tomorrow, Maine Times, 18 de julho de 1980, p. 3.
13 Bluestone, B. e Harrison, B. The Deindustrialization of America: Plant Closings, Community Abandonment, and the Dismantling of Basic Industry. Nova York: Basic Books, Inc., 1982, p. 6-7. Para um exemplo recente, ver também Rimer, S. Fali of a Shirtmaking Legend Shakes its Maine Hometown, The New York Times, 15 de maio de 1996: Al, Al3. Em 6 de maio de 1996, o grupo Warmco anunciou que iria vender ou fechar sua divisão de Waterville da Hathaway, â mais antiga fábrica de camisas do país, apesar do fato de que a companhia acabara de duplicar sua produtividade. Entre outras estratégias, os trabalhadores - 95% dos quais mulheres -tinham aberto mão de seus aumentos em um esforço para manter a fábrica aberta. Linda J. Wachner, a principal executiva, declarara que a divisão de Waterville seria fechada porque "não estava ganhando dinheiro" (A13). Sua companhia, cujas afiliadas incluem importantes linhas de vestuário, como a Calvin Klein e a Ralph Lauren, tivera um lucro líquido de US$46.5 milhões em 1995. O salário de Wachner em 1995 totalizara US$10 milhões, entre salário e ações. Para uma discussão mais detalhada sobre mobilidade do capital c formas de desinvestimento, ver Bluestone e Harrison, p. 140-190.
14 Nome científico da doença conhecida como "diarreia branca dos pintos", provocada por bactérias do gênero salmonela.
15 Baron, A. Gender and Labor History: Learning from thc Past, Looking to the Future, In: Work Engendered: Toward a New History ofAmerican Labor, Baron, A. (cd.), Ithaca, Nova York: Cornell University Press, 1991, p. 23. Baron se reporta, aqui, a Linda Kerber. Separate Spheres, Female Worlds, Woman's Place: Thc Rhetoric of Women's History. Journal of American History 75, junho de 1988, p. 9-39.
16 Biel, S. The Left and Public Memory. Reviews in American History, v. 23, 1995, p. 704-709.
17 O salário inicial de Linda na Penobscot, em 1967, era cerca de US$3.25 por hora. Mais de vinte anos depois, quando a Penobscot fechou cm 1988, estava ganhando US$5.69 por hora. Naquela época, as funções que pagavam melhor na fábrica incluíam a de motorista de caminhões, de pesagem e a de espetar os frangos, executada por Linda Lord.
18 Dublin, T. Transforming Women's Work: New England Lives in the Industrial Revolution. Ithaca, Nova York: Cornell University Press, 1994, p. 119-151; particularmente 130-137. Há uma quantidade de paralelos interessantes entre os sapateiros de Lynn na virada do século c a experiência de Linda Lord na indústria avícola. Evidentemente, a continuidade através de gerações era comum entre os sapateiros de Lynn, e uma grande proporção de pais estava empregada na indústria. Antes de 1855, a indústria de calçados fora transferida de dentro das casas, c Dublin depreende que diversas filhas da área rural começaram a assumir a função de amarrar sapatos primeiro dentro das próprias casas. Para essas mulheres, a entrada nas fábricas de Lynn parecia estar a poucos passos de distância.
19 Para um interessante paralelo quanto à luta contra barreiras de gênero, ver Cobble, S. D. Drawing lhe Line: The Construclion of a Gendered Work Force in lhe Food Induslry. In: Baron A. (ed.) Work Engendered: Toward a New History of American Labor, lthaca, Nova York: Cornell Universily Press, 1991, p. 221. Linda foi a primeira mulher, na Penobscot, a trabalhar no "túnel do sangue", e pode ler sido a primeira a ocupar esta posição em qualquer lugar do estado.
20 Comunicação pessoal da autora com Linda Lord cm 13 de maio de 1996.
21 Wallace M.e Rothschild, J. Plant Closings, Capital Flight, and Worker Dislocation: The Long Shadow of Dcindustrialization. In: M. Wallace, M. c Rothschild, J. (eds.), Deindustrialization and the Restructuring ofAmerican Industry, Research in Politics and Socicty, Greenwich, CT: JAI Press Inc., v. 3, 1988, p. 19-20.
22 Blucstonc e Harrrison, p. 51-53.
23 Bluestonc e Harrison, p. 54
24 Folbre, N. R.; Leighton, J. L. c Roderick, M. R. Legislation in Maine. In: Staudohar, P. D. e Brown, H. E. (eds.), Deindustrialization and Plani Closure, Lcxington, MA: D. C. Heath and Company, 1987, p. 294.
25 Bluestone e Harrison, p. 54-55.
26 Bluestone c Harrison, p. 63-72.
27 Wallace c Rothschild, p. 22-24.
28 Bratlett, D. e Steele, J. America: What Went Wrong? Kansas City: Andrews and McMeel, 1992, p. 140-134.
29 Em uma conversa com Linda no dia 13 de maio de 1996, vim a saber que seu irmão não era o único membro da família com educação mais elevada. Sua irmã também frequentara a universidade, obtivera um diploma de professora e lecionara em Hartford, CT, antes de retornar para a área de Portland. Linda mencionou em sua história oral que logo após o secundário ela (Linda) fora internada em um hospital para uma operação, e ficara um ano sem poder trabalhar. Não ficou claro se isto afetou suas possibilidades de cursar uma faculdade. Nunca pressionamos Linda a respeito deste ponto específico.
30 Bluestone e Harrison, p. 99-103
31 Wallace e Rothschild, p. 24.
32 Petrik, P. Walking the Line: Women in Industrial Labor, palestra proferida na inauguração da exposição original do projeto, Belfast, Mainc: Belfast Free Library, 23 de fevereiro de 1989, p. 4-5.
33 Dublin, p. 11.
34 Ulrich, L. T. A Friendly Ncighbor': Social Dimensions of Daily Work in Northern Colonial New England. Feminist Studies, v. 6, n. 2, verão de 1980, p. 403.
35 Thompson, P. The Voice of the Past. Oxford: Oxford Univcrsity Press, 1988, p. 243.
36 Tal assunção de autoridade veio a ser criticada recentemente nos campos da antropologia, do folclore e da história. Os etnógrafos começaram a reconhecer, cada vez mais, que o trabalho de campo c uma interação comunicativa com o entrevistado, envolvendo não apenas lugar c tempo compartilhados, mas autoridade compartilhada. Ver Conquergood, Rethinking Ethnography: Towards a Criticai Cultural Politics, Communicalion Monographs 58, 1991: p. 183. Ver também Frisch, M. A Shared Aulhority, xv-xxiv. Em anos recentes, o campo da antropologia experimentou uma "crise de representação", na qual os etnógrafos começaram a questionar profundamente seu papel no campo. Ver Marcus, G. e Fischer, M. M. J. Anlhropology as Cultural Critique: An Experimental Moment in the Human Sciences. Chicago: University of Chicago Press, 1986. Já lá se vão os dias em que um etnógrafo presumia que poderia estudar uma comunidade e então apresentar um texto escrito - um estudo científico "objetivo"- sobre a cultura do "Outro". Hoje, quem trabalha no campo não mais tenta ser observador objetivo; antes, luta para "entender a conduta humana à medida que ela se revela ao longo do tempo cm relação com seus significados para os atores". Ver Rosaldo, R. Culture and Truth: The Remaking of Social Analisys, Boston: Bcacon, 1989, p. 37. Existe hoje tanto uma predisposição para compartilhar o poder, quanto um entendimento de que isto c essencial para o esforço do trabalho de campo.-Tendências recentes na antropologia reflexiva (cm que o pesquisador de campo reconhece sua influencia enquanto pesquisador de campo) e na etnografia recíproca (cm que o pesquisador de campo encoraja a resposta c a participação do entrevistado) tentam modificar ainda mais este equilíbrio de forças, favorecendo o lado do indivíduo ou comunidade com quem se esteja trabalhando. O objetivo final, acredito, c uma etnografia colaborativa, em que o entrevistado se veja engajado em um diálogo com o pesquisador de campo, ambos dialogando com o texto.
37 Rouverol, A. J. Paradox and Poliphony. In: 'I Was Content and Not Content':The Closing of Penobscot Poullry and lhe Story of Linda Lord: An Ethnography in Process, dissertação de mestrado, Universidade da Carolina do Norte em Chapei Hill, 1995.
38 Em Paradox and Poliphony, argumento que "o texto de Linda por si só c composto de tramas simultâneas que se entrelaçam para contar não uma história, mas uma quantidade de histórias" (67).
39 Ver Lawless, E. J. Holy Women, Wholly Women: Sharing Ministries of Wholeness Through Life Stories and Reciprocai Ethnography. Filadélfia: University of Pennsylvania Press, 1993. Em seu estudo, Elaine Lawless engajou as mulheres-ministro que entrevistou em seu processo de análise. Ela não chama esta técnica de "etnografia colaborativa", mas de "etnografia recíproca": "Esta nova abordagem, que considero inerentemente feminista e humanista, leva a 'antropologia reflexiva' um passo além, ao colocar cm primeiro plano o diálogo como um processo de entendimento e coleta de conhecimento. A abordagem c feminista porque insiste em uma negativa de construtos hierárquicos que colocam o acadêmico em algum ápice do conhecimento e do entendimento, e seus 'sujeitos' cm alguma posição inferior, menos informada. Esta abordagem não procura privilegiar nenhuma voz, e se baseia em diálogos como a chave para o entendimento e o esclarecimento". (5).
40 Para uma crítica do termo "experiência", ver Scott, J. W. In: Butler J.e Scott, J. W. (eds.) Experience, Feminists Theorize the Political, Nova York: Routledge, 1992, p. 22-40.
41 L. White está trabalhando no momento em um alentado estudo baseado em entrevistas de história oral com mulheres envolvidas no Head Start. Para um exemplo de seu trabalho, ver seu artigo No Exit: Rethinking 'Welfare Dependency' from a Different Ground. Georgetown Law Journal v. 81, n. 5, junho de 1993: p. 1961-2002.
42 No livro, eu argumento que o testemunho de Linda Lord c uma espécie de "transcrição oculta", uma crítica política embutida cm boatos, fofocas, metáforas, eufemismos e histórias folclóricas. Ver Scott, J. C. Dominalion and lhe Arts of Resisíance: Hidden Transcripls. New Haven: Yale University Press, 1990, p. 137. Scott retruca que, através de tais declarações, aqueles que não estão em posições formais de poder conseguem, algumas vezes, externar suas críticas, criando uma "transcrição pública" de seu descontentamento c revelando um diálogo político contínuo, ainda que amortecido.
Você terminou História oral: desafios para o século XXI
Verena Alberti
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