Luar de Janeiro
Capítulo V
O sabio tem os olhos da razão
Além desses que tu na fronte levas,
Oh nescio que sem guia e sem bordão
Vaes pela vida a caminhar nas trevas…
(E d'ahi? E depois?
Se surge um incidente,
Fere indistinctamente
Ou ambos elles, ou qualquer dos dois…)
V
A Adelaide Gil, minha irmã
Todas as coisas caminham a um logar: de terra foram
feitas e em terra se hão de tornar do mesmo modo.
(Capit. III, v. 3).
Mas o que é, afinal, a perfeição?
Como é que tudo, oh sabios, evolue
Se as coisas todas caminhando vão
Para um egual e unico logar,
Se o pó que as constitue
Em pó se hade tornar?
VI
A Eduardo Graça
Todas as coisas teem seu tempo e todas ellas passam
debaixo do céu segundo o termo que a cada uma foi prescripto.
(Capit. III, v. 2).
Socega, coração attribulado,
De toda a dôr se apaga todo o traço.
Pois quanto ao mundo vem, traz já marcado O seu tempo e tambem o seu espaço…
E queira Deus, coração,
Que esta hora de anciedade
E de pranto e d'afflicção
—Nunca te cause saudade!…