Luar de Janeiro

Augusto Gil · Capítulo 15 de 25

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Luar de Janeiro

Capítulo V

O sabio tem os olhos da razão

Além desses que tu na fronte levas,

Oh nescio que sem guia e sem bordão

Vaes pela vida a caminhar nas trevas…

 

(E d'ahi? E depois?

Se surge um incidente,

Fere indistinctamente

Ou ambos elles, ou qualquer dos dois…)

 

V

 

A Adelaide Gil, minha irmã

 

Todas as coisas caminham a um logar: de terra foram

feitas e em terra se hão de tornar do mesmo modo.

 

(Capit. III, v. 3).

 

Mas o que é, afinal, a perfeição?

Como é que tudo, oh sabios, evolue

Se as coisas todas caminhando vão

Para um egual e unico logar,

Se o pó que as constitue

Em pó se hade tornar?

 

VI

 

A Eduardo Graça

Todas as coisas teem seu tempo e todas ellas passam

debaixo do céu segundo o termo que a cada uma foi prescripto.

 

(Capit. III, v. 2).

 

Socega, coração attribulado,

De toda a dôr se apaga todo o traço.

Pois quanto ao mundo vem, traz já marcado O seu tempo e tambem o seu espaço…

 

E queira Deus, coração,

Que esta hora de anciedade

E de pranto e d'afflicção

—Nunca te cause saudade!…