Luar de Janeiro

Augusto Gil · Capítulo 20 de 25

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Luar de Janeiro

Mãos Frias Coração Quente

 

Dez da manhã. Vento da serra. Tres graus negativos

 

Mãos frias, coração quente! Quanta vez isto dizias

Com o teu ar sorridente,

Apertando-me as mãos frias…

 

Agora decerto o tenho

Num brazeiro, num vulcão.

O frio é tanto, é tamanho

Que a penna cae-me da mão…

 

Q'ria dizer-te o que penso

E o que faço e premedito,

Mas posso lá ser extenso

Com este frio maldito!

 

Tu perdoas certamente,

Tu não te zangas, pois não?

Mãos frias, coração quente

—Lá diz o velho rifão…