Luar de Janeiro
O que o Fogo Poupou Dum Poemeto Queimado
O QUE O FOGO POUPOU DUM
POEMETO QUEIMADO
Ao Conego Manuel do Nascimento Simão
I
Escrevo em testamento este poema
Que elle tenha, na angustia com que o ligo,
O brilho rutilante duma gemma
Achada nos farrapos dum mendigo…
Ao vesperal crepusculo da vida
E sob o olhar da morte é que o componho; Erguendo assim, por minha despedida,
O ultimo escalão dum alto sonho.
Nesse degrau que d'entre os soes dispersos Hade attingir a cúpula dos céus,
Direi ao mundo os derradeiros versos,
Porei o coração nas mãos de Deus!