Luar de Janeiro
Capítulo VIII
O meu amôr, por amal-o,
Poz-me o peito numa chaga:
Deu-me facadas. Deixal-o.
Mas ao menos não me paga!
VIII
Nem toda a agua do mar
Por estes olhos chorada
Daria bem a mostrar
O que eu sou de desgraçada!
IX
Como querem vêr contente
Este paiz desgraçado,
Se dão só livros á gente
Nas escolas do peccado…
X
Dormia o meu coração
Cançado de fingimento.
Bateste-me, e vae então
Acordou nesse momento.
XI
Se aquillo que a gente sente,
Cá dentro, tivesse vóz,
Muita gente… toda a gente
Teria pena de nós!