Luar de Janeiro

Augusto Gil · Capítulo 18 de 25

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Luar de Janeiro

Capítulo VIII

O meu amôr, por amal-o,

Poz-me o peito numa chaga:

Deu-me facadas. Deixal-o.

Mas ao menos não me paga!

 

VIII

 

Nem toda a agua do mar

Por estes olhos chorada

Daria bem a mostrar

O que eu sou de desgraçada!

 

IX

 

Como querem vêr contente

Este paiz desgraçado,

Se dão só livros á gente

Nas escolas do peccado…

 

X

 

Dormia o meu coração

Cançado de fingimento.

Bateste-me, e vae então

Acordou nesse momento.

 

XI

Se aquillo que a gente sente,

Cá dentro, tivesse vóz,

Muita gente… toda a gente

Teria pena de nós!