Luva Vermelha
Capítulo Treze
BARRON VOLTA COMIGO
até o alojamento. Chego lá antes de as luzes se apagarem, às onze da noite. O inspetor parece surpreso ao ver, durante a verificação final, alguém além de Sam no quarto, mas não diz nada. Deve ter concluído que está ficando velho por esquecer coisas como por quais alunos deveria ser responsável. Deve se preocupar com demência, Alzheimer, dormir pouco. É um truque que não teria funcionado em nenhuma outra época, só no começo do ano.
Mas funcionou. Barron é esperto.
– O que aconteceu com você durante a simulação de incêndio? – pergunta Sam, vestindo uma camiseta velha do Drácula. A calça de moletom tem um buraco no joelho.
– Fui dar uma volta – digo e retiro as luvas. – Pra tomar ar fresco.
– Com Daneca? – pergunta Sam.
Franzo a testa.
– O quê?
– Sei que a levou pra dar uma volta naquele seu carro novo bacana. Você arrumou problema pra ela, cara.
– É. Lamento por isso. – Em seguida, dou um sorriso. – Mas foi meio divertido. Quero dizer, ela nunca faz nada de errado e agora está matando aula, indo pra cadeia...
Sam não está sorrindo.
– Você vai tratá-la do mesmo jeito que tratou Audrey, não vai? Nem vai perceber se a magoar. Eu sempre soube que Daneca gostava de você. As garotas gostam de você, Cassel. E você as ignora. E aí, elas gostam mais ainda.
– Ei – digo. – Espera um minuto. Ela matou aula porque estava triste por sua causa. Conversamos sobre você.
– O que ela disse? – Não consigo perceber se ele acredita em mim, mas pelo menos mudei o foco.
Eu suspiro.
– Que você é um intolerante que não quer namorar uma mestra.
– Não sou! – retruca Sam. – Nem é por isso que estou chateado com ela.
– Eu falei isso. – Jogo o travesseiro nele. – Logo antes de nos jogarmos nos braços um do outro e nos beijarmos apaixonadamente, como dois pombinhos no dia dos namorados, como aqueles ímãs realmente magnetizados, como enguias bem oleosas...
– Por que sou seu amigo? – geme Sam, sentando na cama. – Por quê?
Uma batida na porta nos dá um susto, e logo em seguida o inspetor a abre.
– Algum problema? O apagar das luzes foi há quinze minutos. Parem de falar e vão dormir, senão os dois vão ganhar uma detenção no sábado.
– Desculpa – murmuramos juntos.
A porta se fecha.
Sam dá uma risada e sussurra:
– Tá, tudo bem. Entendi. Sou inseguro. Mas olha, sou um bobão gordo. As garotas não estão exatamente fazendo fila, entende? Aí aparece essa, e percebo que é boa demais pra mim, então tem que ter alguma coisa errada, e aí essa coisa aparece. Ela esconde que é mestra. Não confia em mim. Não está me levando a sério.
– Você ignorar Daneca está deixando os dois loucos – falo. – Ela cometeu um erro. Eu já cometi muitos. Não significa que não gosta de você. Significa que quer que você goste dela e achou que precisava mentir pra conseguir isso. O que a torna menos perfeita, claro. Mas isso não é um alívio?
– É – diz ele baixinho, o travesseiro parcialmente por cima da boca. – Acho que é. Talvez eu devesse falar com ela.
– Que bom – digo. – Preciso que você fique feliz. Preciso que um de nós fique feliz.
É sonho. Tenho certeza de que é sonho, mas estou de volta ao porão da casa do meu avô em Carney, deitado em cima de Lila, minhas mãos apertando os braços dela, e é muito difícil me concentrar em qualquer coisa além do cheiro de seu cabelo e do toque de sua pele. Só que, quando olho para ela, seus olhos fitam o teto, o rosto está pálido e sem vida.
E, no sonho, eu me inclino para beijá-la mesmo assim, mesmo vendo que o pescoço dela está cortado com o sorriso dos mestres, cortado fundo demais, com sangue escorrendo. Embora ela esteja morta.
Em seguida, estou equilibrado no telhado do meu antigo alojamento, com as telhas cortando as solas dos meus pés. As folhas balançam nas árvores acima. Olho para a praça vazia, exatamente como na última primavera.
Desta vez, eu pulo.
Estou acordado, suando nos lençóis, me odiando pelo tremor quente que percorre meu corpo. Do outro lado do quarto, Sam ronca baixinho.
Estico a mão para pegar o celular antes de pensar direito.
Pare, digito para Lila.
O quê?, digita ela em resposta um minuto depois. Está acordada.
Em seguida, abro a janela e fujo para a praça no meio da noite, só de camiseta e samba-canção. É burrice, tanto quanto sair de carro do campus sem plano algum. Estou agindo como se quisesse ser pego, como se quisesse que alguém me parasse antes que tome as decisões que estou prestes a tomar.
Um ano atrás, eu jamais teria acreditado no quanto era fácil sair andando de um prédio e entrar em outro. As portas da frente dos alojamentos nem sequer ficam trancadas. Cada porta de andar fica trancada, mas não chega a ser nada desafiador. Sem trancas. Apenas um giro e o pino desliza, e sigo pelo andar até o quarto dela, como se ser pego fosse a última coisa na minha cabeça.
– Você – digo, com a voz baixa, mas não o bastante.
Ela está encolhida embaixo de cobertores e me encara com olhos arregalados.
– Não posso continuar tendo esses sonhos – sussurro. – Você tem que parar com isso.
– Você ficou louco? – Ela deita de costas, tira o cobertor e se senta. Está só de camiseta e calcinha. – Vai nos fazer ser expulsos.
Eu abro a boca para argumentar, mas me sinto repentinamente derrotado pelo desespero. Sou como um robô cujos mecanismos travaram.
Ela toca no meu braço, pele sobre pele.
– Não estou fazendo você ter nenhum sonho. Não o estou enfeitiçando. Você não acredita que tem pelo menos uma pessoa na sua vida que não quer prejudicá-lo?
– Não – respondo com sinceridade demais. Eu me sento na cama e apoio a cabeça nas mãos.
Ela toca na minha bochecha.
– Tem alguma coisa muito errada, não tem?
Sacudo a cabeça.
– São apenas sonhos.
Não quero que Lila perceba que eu torcia para que os sonhos fossem causados por ela, que queria, na verdade, que eles fossem pistas que apontassem algum caminho e que pudessem simplesmente parar. Eu não queria mais nenhuma prova de que o interior da minha cabeça é um lugar horrível.
Ela baixa a mão e olha para mim com a cabeça inclinada. Por um momento, sou tomado pela nostalgia de quando éramos crianças, do meu desejo descomplicado e completamente impossível.
– Me conta – pede ela.
– Não posso – digo, sacudindo a cabeça de novo.
Ouvimos um som no corredor, uma porta se fechando e passos. Lila olha para o armário, e começo a andar em direção a ele. Mas escuto o som da descarga no banheiro.
Eu suspiro e me encosto à parede.
– Vem cá – sussurra ela, inquieta, levantando o cobertor. – Entra aqui embaixo. Vai estar escondido se alguém entrar.
– Não sei se é uma boa... – começo a falar.
– Shhhh. – Ela me interrompe, sorrindo de um jeito que sugere que está debochando de suas próprias motivações antes de eu ter a chance de fazer isso. – Vem. Rápido.
Não é que eu não saiba que é uma péssima ideia. É que, ultimamente, ideias ruins têm um domínio especial sobre mim. Entro debaixo do cobertor. Está aquecido pelo contato com a pele dela e impregnado com seu cheiro de sabonete e um leve traço de cinzas. Quando ela passa o braço por cima de mim para que eu me encoste nela, eu faço o que ela quer.
A pele dela está macia e muito quente depois do ar frio da noite. Ela enrosca a perna na minha. A sensação é tão boa que tenho que sufocar um suspiro.
É tão fácil. Errado, mas fácil. Tem tantas coisas que quero dizer a ela, e todas são injustas. O que faço é beijá-la, sufocando o indizível eu te amo, sempre te amei contra a língua dela. Sua boca abre sob a minha com um gemido.
Quando ela tira a camiseta e a joga no chão, fico vazio, sem nenhum outro sentimento além de um torturante ódio de mim mesmo. Quando ela passa os dedos nus pelo meu cabelo, até isso desaparece. Não há nada além dela.
– Sou uma boa namorada de mentira – diz ela, como se estivesse contando uma piada que só nós dois conhecemos.
Deveríamos parar.
Tudo se resume à pele dela, a seus lábios entre meus dentes, à curva das costas nuas. Minhas mãos deslizam até os quadris e a beirada da calcinha de algodão.
– A melhor – digo. Minha voz não parece familiar, como se eu tivesse acabado de dar vários gritos.
Os lábios de Lila se movem contra meu ombro. Consigo sentir seu sorriso.
Afasto suavemente o cabelo dela da bochecha. Consigo sentir os batimentos pulsando na garganta, contando os momentos antes que ela se vá.
No momento em que ela foi amaldiçoada, eu a perdi. Quando o feitiço se esgotar, em breve, ela vai ficar constrangida ao se lembrar das coisas que disse, que fez, coisas como essa. Não importa o quanto pareça real nos meus braços, ela é feita de fumaça.
Eu deveria parar, mas não há sentido nisso. Porque não sou forte o bastante, em algum momento eu não vou parar.
Eu pensei que a questão fosse: “Vou ou não vou?”
Mas não é nada disso.
A questão é: “Quando?”
Porque eu vou.
É só uma questão de tempo. É agora.
Lila me beija de novo, e até esse pensamento desaparece. Fecho os olhos.
– Podemos fazer o que você quiser – digo com voz rouca. – Mas você precisa me contar...
O som de vidro quebrando parece incrivelmente alto. Estou de joelhos na cama, o ar frio da noite me deixando sóbrio antes mesmo de eu entender o que está acontecendo. Mas então vejo o quadro: o contorno irregular do que sobrou da janela, a pedra em meio a fragmentos cintilantes no chão e uma garota se virando e correndo.
Por um momento meu olhar se prende ao de Audrey. Em seguida, ela percorre metade da praça, as galochas afundando na terra.
Lila está inclinada sobre a pedra, parecendo hipnotizada, um pedaço de papel amassado na mão.
– Tinha um bilhete grudado na pedra. Diz: “Morra, mestra da maldição.” – Ela olha pela janela. Tarde demais. Audrey foi embora.
Ouço passos no corredor, portas batendo. Vozes.
– Você tem que se esconder – sussurra Lila. Ela ainda está nua até a cintura. É hipnotizante.
Olho ao redor em vez de olhar para ela. Não tenho para onde ir. Debaixo da cama ou dentro do armário pode funcionar no caso de uma inspeção rápida, mas não em uma situação como essa.
Só consigo pensar em me transformar.
Nunca me transformei antes, com exceção de uma leve mudança nas mãos, e só o medo de nós dois sermos expulsos da escola é o bastante para me concentrar. Forço meu corpo a se transformar. Acontece rápido; estou melhorando. Caio para a frente, sobre quatro patas. Quero gritar, mas o que sai da minha boca é um miado.
– Um gato preto? – debocha Lila, se inclinando. Seus dedos afundam no meu pelo conforme ela me levanta. Fico feliz por ela estar me segurando, porque a mudança de perspectiva me deixa tonto. Não sei bem como mexer os pés.
Alguém, provavelmente o inspetor, bate na porta.
– O que está acontecendo aí? Srta. Zacharov, é melhor abrir a porta.
Lila se inclina no que sobrou da janela e balança meu novo corpo acima da praça. Meu rabo se balança de um lado para outro sem que eu saiba como estou fazendo isso. É um longo caminho até o chão.
– Alto demais – diz ela de repente. – Você vai machucar seu...
Ela esqueceu que não vou continuar com aparência de um gato em alguns instantes. Eu me contorço até conseguir morder a mão dela.
– Ai! – grita ela, e me solta.
O ar sibila no meu ouvido, rápido demais para que eu faça qualquer ruído. Tento manter as patas frouxas, tento não me preparar para o impacto, mas bater no chão parece um soco no peito. Fico sem ar.
Mal consigo rastejar até os arbustos antes de o rebote começar.
Tudo dói. Levanto a cabeça e vejo uma luz rosada cintilando atrás das árvores perto da pista de corrida. É manhã.
Ainda sou um gato.
O rebote é ainda mais bizarro quando se está menor do que seu tamanho normal. Nada parece real ou certo. Nenhuma parte do seu corpo é sua. Até a perspectiva é toda errada.
Acordar em um corpo com o qual você não está familiarizado é ainda mais estranho.
Meus sentidos estão aumentados em um nível surreal. Consigo ouvir insetos se movendo na grama. Consigo sentir o cheiro de ratos escavando a madeira macia. Eu me sinto muito pequeno e muito assustado.
Não tenho certeza se consigo andar. Eu me levanto, uma perna de cada vez, e cambaleio até ter certeza de conseguir me equilibrar. Em seguida, mexo uma pata da frente e uma de trás, andando de maneira insegura pela praça na luz da manhã.
Parece que demoro horas. Quando consigo chegar debaixo da minha janela, estou exausto. A janela está como deixei, ligeiramente aberta, mas não a ponto de Sam acordar com a brisa.
Eu mio com esperança. Sam, como eu previa, não ouve nada.
Fecho os olhos por causa da dor e forço a transformação. Dói como se minha pele ainda estivesse sensível da primeira transformação. Abro a janela e pulo para dentro, caindo no chão com um baque.
– Hum – diz Sam sonolento e se vira.
– Me ajuda – peço, levantando um braço para tocar na beirada de metal da cama dele. – Por favor. O rebote. Você tem que me impedir de fazer barulho.
Ele está me encarando com olhos arregalados. Eles só ficam maiores quando meus dedos começam a se curvar em forma de vinhas. Minha perna começa a tremer.
– Dói – falo com vergonha do lamento na minha voz.
Sam se levanta e joga o edredom em cima de mim. Dois travesseiros são colocados nas laterais da minha cabeça para que eu não me debata com muita força. Ele está totalmente desperto agora, olhando para mim com verdadeiro horror misturado com adrenalina.
– Desculpa – consigo dizer antes de minha língua virar madeira.
Sinto alguma coisa me cutucar com força na lateral do corpo. Eu me viro de um jeito rígido e olho para o Sr. Pascoli.
– Acorde, Sr. Sharpe – diz nosso inspetor. – Você vai se atrasar pra aula.
– Ele está doente – ouço Sam dizer.
Estou aninhado em cobertores. O simples ato de me mexer é difícil, como se o ar tivesse ficado semissólido. Dou um gemido e fecho os olhos de novo. Nunca me senti tão exausto. Não fazia ideia de que dois rebotes seguidos podiam fazer isso comigo.
– O que ele está fazendo no chão? – ouço Pascoli dizer. – Está de ressaca, Sr. Sharpe?
– Estou doente – gaguejo, usando a desculpa de Sam. Minha mente não está funcionando rápido o bastante para bolar a minha própria desculpa. – Acho que estou com febre.
– É melhor ir até a enfermaria então. O café da manhã está quase terminando.
– Vou levá-lo – diz Sam.
– Quero ver uma cópia do papel da enfermaria, Sr. Sharpe. É melhor conseguir uma. Se eu descobrir que andou bebendo ou usando drogas, não quero saber o que anda acontecendo na sua família. Você vai ser expulso do meu alojamento. Entendeu?
– Entendi. – Faço que sim com a cabeça. Neste momento, estou disposto a dizer qualquer coisa que faça Pascoli ir embora mais rápido.
– Venha – diz Sam, me pegando por debaixo dos braços e me colocando na cama.
Eu me esforço para me sentar. Minha cabeça gira. Não sei bem como coloco uma calça jeans, luvas e botas, que decido não amarrar.
– Acho que devemos ligar pra alguém – sussurra ele assim que Pascoli sai do quarto. – Para a Sra. Wasserman?
Eu franzo a testa, tentando me concentrar nas palavras dele.
– O que você quer dizer?
– Ontem à noite você pareceu bem perturbado. E hoje? Está péssimo.
– Só estou cansado – digo.
Ele sacode a cabeça.
– Nunca vi nada como...
– Rebote – digo rapidamente, com medo de ouvir sua descrição de como parece. – Não se preocupe.
Ele aperta os olhos, mas espera que eu me levante. Me segue enquanto ando um tanto tonto pelo campus.
– Vou precisar de mais uma coisa quando chegarmos à enfermaria – digo.
– Claro, cara – diz ele, mas acho que ainda não tinha tanta certeza. Eu o estou apavorando.
– Quando chegarmos lá, vou ter um ataque de tosse, e você vai se oferecer pra pegar um copo de água pra mim. Mas vai pegar água quente. O mais quente que conseguir na pia. Tá?
– Por quê? – pergunta Sam.
Eu forço um sorriso.
– É o jeito mais fácil de fingir estar com febre.
Mesmo semiconsciente, ainda consigo planejar um pequeno golpe.
Horas depois, acordo na enfermaria babando em um travesseiro. Estou desesperado de fome. Levanto e me dou conta de que ainda estou de botas. Eu as amarro e saio para a sala da recepção.
A enfermeira da escola é grisalha, baixa e gordinha. Ela anda pela sala branca com pôsteres de anatomia, motivada pelo fato de acreditar que todos os problemas dos alunos podem ser curados com: (a) descanso em uma das macas; (b) duas aspirinas; ou (c) Neosporin e um curativo. Por sorte, não preciso de mais nada.
– Oi – digo. – Estou me sentindo melhor. Vou voltar pro meu quarto agora, tá?
A enfermeira Kozel está dando comprimidos para Willow Davis.
– Cassel, por que você não se senta e me deixa checar sua temperatura? Estava bem alta antes.
– Tudo bem – respondo, afundando em uma cadeira.
Willow toma o remédio com um gole de água de um copo de papel enquanto a enfermeira Kozel atravessa a sala para pegar o termômetro.
– Você devia ficar deitada até os comprimidos fazerem efeito – diz Kozel. – Vou dar uma olhada em você daqui a pouco.
– Estou com tanta ressaca – sussurra Willow para mim.
Dou um sorriso conspiratório de quem já usou a enfermaria para dormir e se recuperar da noite anterior.
Ela vai para os fundos, e um termômetro é enfiado debaixo da minha língua. Enquanto espero, penso pela primeira vez no que aconteceu (e no que não aconteceu) com Lila.
É só uma questão de tempo.
Mesmo à luz do dia, o pensamento não parece ser menos verdadeiro.
A tentação é grande. Gosto do meu Mercedes-Benz novinho em folha; gosto de jantares elegantes com o chefe de uma família mafiosa; gosto dos federais longe de mim e de minha mãe em segurança. Gosto de Lila me beijando como se pudéssemos ter algum futuro. Gosto quando ela diz meu nome como se eu fosse a única pessoa no mundo.
Gosto tanto que provavelmente vou fazer qualquer coisa para conseguir isso.
Ignorar o fato de que Lila não me ama de verdade. Matar meu próprio irmão. Virar assassino de aluguel. Qualquer coisa.
Achei que jamais conseguiria trair minha família, jamais enfeitiçaria quem amo, jamais mataria alguém, jamais seria como Philip, mas me torno a cada dia mais parecido com ele. A vida é cheia de oportunidades para tomar decisões ruins que parecem boas. E, depois da primeira, o resto fica bem mais fácil.