O amor que partiu o mundo
Capítulo 2
2
CAIO DA CAMA e corro para interromper o berro do despertador do meu celular. Não sei como voltei a dormir depois dos eventos da noite passada,
mas parece que foi o que aconteceu. O luar esmoreceu, e as mortiças luzes dos postes ao longo da nossa rua sem saída se acenderam, espalhando
brilhos amarelados pelo roxo-azulado das minhas vidraças úmidas pelo orvalho. Os mais madrugadores dos pássaros e motores engasgados de
picapes estão despertando, mas os grilos guizalhando não receberam a notificação de que esta hora desagradável é tecnicamente considerada
“manhã”.
Aciono o interruptor do meu closet, e Gus ruge contrariado antes de se
virar e voltar a dormir de imediato. Fico com tanta inveja que jogo uma almofada nele, e teria me sentido terrivelmente culpada se não fosse pelo
fato de que ele apenas solta um ronco e cobre os olhos com uma das patas.
Por mais exausta que esteja, não consigo afastar o medo que ficou da
noite passada. Desde que consigo me lembrar, a Avó foi uma força de tranquilidade na minha vida. Quer dizer, as histórias dela não costumavam
ser felizes nem inspirar nenhum tipo de tranquilidade, mas a presença dela sempre fez com que eu me sentisse segura. Até a noite passada.
Do que é que ela poderia estar falando?
Minha tentativa de rastrear “Alice Chan” no Google durante a madrugada
não deu em nada. Ao que parecia, metade da população era formada por Alice Chans, a importância de cada uma ainda menos evidente que a da
anterior.
Três meses para salvá-lo. Balanço a cabeça como que para apagar as
palavras.
Coloco um vestido estilo camiseta preto acinturado e pego uma jaqueta jeans de um cabide no suporte superior. Pode estar fazendo quase trinta
graus com 99 por cento de umidade do lado de fora, porém, com a diretora Grant na menopausa, a temperatura na escola é completamente
imprevisível. É melhor estar preparada. Inspeciono a organizada fileira de saltos altos que costumavam ter algum uso, mas que agora parecem tão
necessários quanto uma peruca de pelos pubianos, e em vez disso pego um par de botas antes de voltar para o meu quarto.
Duas das minhas paredes estão pintadas de um laranja medonho, as outras duas de um preto brilhante: as cores da escola. Como se isso não
fosse ruim o suficiente, a maior parte de uma das paredes pretas é ocupada pelo nosso mascote, Raider, um pirata de um olho só com duas espadas
cruzadas atrás da cabeça. Minhas roupas de cama são brancas, assim como o suporte para vela e a luminária clássica na minha escrivaninha. Quando
sinto dores de cabeça, esses são os três pontos que preciso escolher para focar, a não ser que eu esteja a fim de me deitar dentro do closet.
Mamãe e papai decoraram o quarto para mim enquanto eu estava num acampamento de dança no verão antes do sétimo ano da escola e já parecia
ansiosa e entusiasmada com o ensino médio. Evidentemente, o esquema de cores berrantes para eu entrar no espírito escolar foi a melhor coisa de todos
os tempos até mais ou menos um ano atrás, quando percebi que eu tinha olhos e passou a ser simplesmente a pior coisa de todos os tempos. Com um
aparelho de som melhor e mais alguns discos do Black Eyed Peas, meu quarto poderia deixar a Baía de Guantánamo no chinelo.
Nos anos desde a primeira Reforma Infernal, também acrescentei meus próprios toques: quadros de cortiça cobertos de bilhetes de amigos,
molduras cheias de faixas e medalhas da equipe de dança, pompons pretos e laranja enfiados atrás da minha escrivaninha e da minha cômoda, uma
dezena ou mais de porta-retratos com fotos de festivais e jogos de futebol americano e bailes.
Aqui estou eu, repetida um milhão de vezes, sorrindo de volta para mim mesma: o mesmo cabelo escuro e grosso, olhos castanhos profundos e pele
escura; mesmo rosto quadrado com maçãs altas. Ali estou eu beijando Matt Kincaid, pelos quatro anos consecutivos em que beijei Matt Kincaid. De pé
no ginásio, precisamente no centro da fileira do meio da equipe de dança, com todas as outras meninas de altura perfeitamente mediana. Abraçando
Megan e fazendo aquela pose pavorosa das Panteras de um jeito totalmente não irônico que não pode ser desfeito, por toda a Escola Gray de Ensino
Fundamental.
Desde que a Avó desapareceu, me sinto cada vez menos como a garota
nas fotos e cada vez mais como se precisasse dar o fora daqui. Me despedi da equipe de dança, me despedi de Matt e, desde que entrei para Brown,
comecei a me despedir do Kentucky em geral. Agora, a três meses da minha grande fuga e do novo começo, a visita da Avó me deixou toda confusa de
novo.
— NAT, JACK, COCO, CAFÉ DA MANHÃ! — berra mamãe da
cozinha, e meu estômago dá uma cambalhota quando passo pela cadeira de balanço para descer.
Geralmente sou a última a sair do quarto de manhã. Coco, a verdadeira definição de eficiência, é sempre a primeira à mesa, subindo de novo dentro
de alguns minutos para apressar Jack enquanto tagarela sobre a lista de coisas de que ele precisa para a escola, ao mesmo tempo em que troca
mensagens no celular, trança o cabelo ou passa rímel. Sem ela, Jack provavelmente sairia de casa sem as calças e, para falar a verdade, ele
também conseguiria ter um dia bastante bom.
No andar de baixo, Jack está com um prato repleto de bacon, que ele
enfia na boca com um garfo. Tenho quase certeza de que está com os olhos fechados. Diante de Jack, Coco está mandando uma mensagem segurando o
celular em cima de uma tigela de frutas, com seus belos olhos azuis perfeitamente envoltos em camadas precisas de delineador e sombra. Ela é a cara da mamãe, a não ser pelo nariz anguloso, que é do papai. Sempre me perguntei como deve ser isso de se parecer com os pais.
Uma coisa excelente em ser adotado é que você sempre pode se preocupar se vai acabar namorando alguém com quem divide a genética. Se
eu fosse completamente indígena, eu não teria que pensar sobre o assunto em uma cidade de maioria branca como Union, mas me disseram que meu
pai biológico era branco, o que complica as coisas.
Mamãe ergue os olhos do fogão, tapa a boca com uma das mãos e arqueja
como se a manga da camisa tivesse acabado de pegar fogo.
— Ah, querida. Olha só para você. É tão linda. — Ela começa a sacudir
as mechas onduladas loiro-acobreadas como se isso fosse ajudá-la a conter a emoção, então estende os braços. Avanço relutante, arrastando os pés,
para o abraço. — Não acredito que é seu último dia no ensino médio! Eu me lembro como se fosse ontem de quando a trouxemos para casa.
— É, eu era a maior bebê chorona.
— Ah, para, não era nada. Você era tão quietinha e tão curiosa. Por toda
aquela primeira noite simplesmente ficamos acordados olhando para você, e você só olhou de volta para a gente e não deu um pio…
— Mamãe — diz Jack da mesa.
— A gente sabia que você era especial, e agora olha que menina
talentosa, esperta…
— Mamãe, acho que tem alguma coisa pegando fogo — diz Coco, sem
tirar os olhos do celular.
— O quê? — Mamãe se vira de volta para o fogão, imediatamente
perturbada pela omelete queimada grudada em sua frigideira de ferro fundido. — Merda.
— Não sabia que você falava francês, mamãe — brinco.
— Você ouviu a mamãe falar “merda”? — pergunta Jack a Coco, a boca
cheia de bacon.
— É, ela é tão esquisita — responde Coco categoricamente. São opostos completos: Coco, o tipo perfeccionista concentrado em seus objetivos, e
Jack, pateta, atlético e dançando conforme a música. Ainda assim, os dois sempre foram inseparáveis. Acho que é o resultado de coabitar um útero por
nove meses.
Mamãe abana um descanso de prato na nuvem de fumaça.
— Me dá cinco minutos. Vou fazer outro para você.
Eu me sirvo de uma xícara de café e passo pelas portas de vidro para a
varanda, onde papai está de pé, bebendo café e usando uma camisa jeans de mangas longas, apesar da neblina quente da manhã.
— Bom dia — cumprimento.
Ele se encolhe surpreso antes de se virar e bagunçar meu cabelo.
— Como você está, docinho de coco? — Encolho os ombros, e papai descansa a caneca na balaustrada, cruzando os braços. — Pesadelos?
Papai tem esse jeito de saber das coisas, pelo menos no que diz respeito a mim e a cavalos, sem compreender os detalhes práticos de como ou por
quê, mas ele não se intromete. Quero contar tudo para ele, mas não consigo falar, e de repente percebo o motivo: estou apavorada de ser ele… E se for
papai quem preciso salvar?
Balanço a cabeça e me inclino para o pátio sombreado. Papai dá um
longo gole em sua xícara.
— Se lembra daquelas malcriações que você costumava fazer? Não sei
por quê, mas estava pensando justamente nelas. Você se jogava no chão e gritava e chutava e mordia e soluçava, não importava onde estivéssemos.
Suspiro.
— Certas coisas nunca mudam.
O sol desponta pelas árvores além do nosso quintal, deixando tudo dourado nas bordas, até os olhos castanhos do papai. Eu ficava tão feliz
quando as pessoas que não sabiam de nada me diziam que eu tinha os olhos dele. Quando eu era pequena, achava que talvez os meus fossem do mesmo tom que os dele porque eu era realmente destinada a estar com papai e ser dele.
— Sabe, quando um cavalo dá pinote ou morde, é só frustração por não conseguir se comunicar.
Ergo uma sobrancelha.
— É mesmo?
Ele faz carinho na minha nuca como se eu fosse uma jovem égua.
— Se você precisar conversar, sempre vou escutar. — Ele beija o topo da
minha cabeça, então segue em direção à casa.
— Papai?
Ele se vira.
— Sim?
Seria um alívio contar a ele sobre o aviso da Avó, mas não consigo extrair as palavras. Às vezes, é tão difícil falar; assustador, até. Meu ritmo cardíaco
se acelera, minhas mãos tremem, e parece mais fácil manter as coisas no escuro que arrastá-las para a luz.
— Toma cuidado — consigo dizer.
Apesar de ele franzir as grossas sobrancelhas castanhas, não faz nenhuma
pergunta.
— Por você, docinho de coco, sempre.
Três meses para salvá-lo, e eu nem sequer sei quem devo salvar. Tenho que encontrar Alice Chan.
DEIXO DE ALMOÇAR para escapulir até o banheiro, onde conecto meu
telefone prestes a ficar sem bateria e volto à minha pesquisa frenética no Google. Clico em todos os resultados que consigo (Alice Chan, a Dentista
Local, Alice Chan, a Advogada Penal a Duas Cidades de Distância, Alice Chan, Professora na NKU), até que o sinal toca, então corro de volta para o
meu escaninho. Estou pegando as coisas para a próxima aula quando sinto mãos taparem os meus olhos.
— Adivinha quem é.
— Harry Styles?
— Chegou tão perto que nem dá para acreditar.
— Tá, quero uma dica.
— Sou um dos seus maiores fãs.
— Essa é difícil, porque a única coisa que me vem à cabeça além do Harry Styles é o fantasma de River Phoenix, e não conseguiria sentir as
mãos dele.
Matt tira as mãos dos meus olhos e se apoia no escaninho ao lado do
meu, com aquele sorriso perfeito que nem mesmo o melhor ortodontista poderia ter fabricado. Seu cabelo claro está penteado para trás, e ele ostenta
a camisa de futebol americano.
— Natalie Cleary, alguém já te disse que você é muito estranha?
— Acho que em algum momento essa afirmação passou a fazer parte da lei no estado de Kentucky, e é por isso que vou cursar faculdade em Rhode
Island.
Ele faz um beicinho.
— Vou sentir falta da sua esquisitice.
— Só porque você nasceu sem.
— Provavelmente. — Ele sustenta o meu olhar por um tempo ligeiramente longo demais, e sua pele clara começa a ficar ruborizada.
Terminamos há quase um ano, e ambos tivemos a nossa própria cota de aventuras desde então, mas às vezes esses sentimentos antigos parecem
prontos para ressurgir.
Como se impelida pelo meu subconsciente, que tem certeza de que não
quero acabar casada com Matt Kincaid e vivendo na fazenda dele em Union, no Kentucky, quebro o silêncio:
— Apesar de que a sua mãe só come comida bege. Isso é esquisito.
A testa dele se enruga.
— Do que é que você está falando?
— Ela me disse que odeia tudo o que é verde. Um dia também disse a frase: “Eu não gosto de fruta”.
— Um monte de gente é assim.
— Sim, gente com menos de dez anos de idade.
— E, tipo, várias pessoas em geral.
Dou de ombros.
— De qualquer jeito — prossegue ele —, só vim ver se você pretende ir ao Jogo dos Veteranos.
— Sou uma veterana, então…
— Mas você não faz mais parte de nenhuma equipe.
— E o que é que tem?
— E nós dois terminamos.
— Espera, o quê? Quando?
Ele revira os olhos.
— Então você vai?
— Eu vou.
— Tá, maneiro — diz ele, sorrindo. — A gente podia fazer alguma coisa depois. Em nome dos velhos tempos.
— Velhos tempos? — falo, desconfiada. Não é como se Matt e eu tivéssemos parado de andar juntos desde que terminamos, mas, como
tivemos uma recaída há seis meses, a terceira, eu me atribuí o dever solene de nunca mais ficar sozinha com ele fora da escola. O beijo em si tinha sido
ok, mas a questão era que, não importava o quanto eu não quisesse arruinar a nossa amizade, eu não queria continuar namorando com Matt e estava
bastante certa de que ele queria continuar me namorando.
— Não sei bem se os “velhos tempos” são algo a que deveríamos almejar,
Matt.
— Os velhos tempos antigos — esclarece ele.
Ah. Isso nos colocaria de volta precisamente no quinto ano, a idade das trevas antes de Matt Kincaid me escolher para ser a namorada dele e o correspondente feminino em popularidade. Mesmo na época, ele já era um ímã social, o garoto de quem todo mundo queria estar perto, e ter a atenção
dele fazia com que eu me sentisse o ser humano mais interessante e engraçado do planeta.
Megan já era próxima de Matt, e logo eu e ele ficamos amigos também. No sétimo ano, os olhares dele começaram a ficar acanhados, demorados, e
isso fez com que eu me sentisse o próprio sol. Levou mais um ano antes de ele me beijar, e mais quatro até terminarmos. A essa altura, a Avó tinha ido
embora, e eu me sentia como uma supernova no meio de um colapso gravitacional, com todas as coisas que eu achava que faziam com que eu
fosse eu desaparecendo rapidamente.
Matt tentou compreender por que eu estava me retraindo, por que a dança
e a popularidade e o espírito escolar começaram a me deixar enjoada. Na realidade, não era nenhuma dessas coisas em si, nem mesmo Matt; era o
que todas essas coisas suscitavam em mim: como por anos eu fiz coisas que não queria fazer, ri de coisas que me incomodavam, fui a festas às quais não
tinha o menor interesse de ir porque o que parecia mais essencial para a minha sobrevivência e para o meu interesse era ser vista como Qualquer
Outra Pessoa de Union. Quando parei de lutar para me tornar esse alguém, Matt e eu começamos a romper. Terminei o relacionamento antes que
ficasse pior, antes que nos sentenciasse a uma vida de limbo perpétuo porém tolerável.
Ele fica vermelho com meu longo silêncio.
— Sabe, eu, você, Megan. Todo mundo.
— Ok, encontro marcado, então.
— Encontro?
Por que é que eu faço isso? Por que esse tipo de coisa sempre escapa da minha boca toda vez que parece que eu e Matt estamos prestes a seguir em
frente? Tento fazer com que minha voz soe leve, provocadora:
— É. Eu, você, Megan e o fantasma de River Phoenix.
— Quem é River Phoenix?
Inclino a cabeça.
— Você por acaso tem internet naquela sua fazenda, Matt? O que te mantém aquecido à noite senão celebridades tomadas pela angústia que
morreram antes mesmo de nascerem?
— Futebol americano, Nat.
— Bem, não tenho como saber com certeza, mas imagino que haja sites inteiros dedicados a futebol americano, também.
— Devidamente registrado — diz ele. — De qualquer jeito, por que você se importa tanto assim com esse tal de Phoenix quando tem um fantasma
assombrando nossa própria sala de ensaios da banda da Riley?
Arquejo e agarro a manga dele.
— Espera: você acha que River poderia ser o Fantasma da Sala de Ensaios?
Matt revira os olhos e abre a boca, mas, antes de ele falar, sinto meu estômago revirar e me curvo para a frente, lutando contra a sensação de que
estou caindo. As luzes no teto se apagam. O corredor inteiro fica escuro e em silêncio. Xingo baixinho e estico a mão para ele, sem encontrar nada
além de ar.
— Matt?
Minha nuca começa a formigar conforme os enxames de cores se desvanecem, permitindo que meus olhos se ajustem. Meu coração começa a
martelar no peito quando meus olhos tentam me dizer algo impossível: todos desapareceram. Estou sozinha no corredor escuro como piche.
Tem uma corrente de ar que eu já senti antes, apenas em momentos muito específicos da minha vida: a força trêmula de um sonho invadindo a
realidade, da mesma maneira que o homem de casaco verde e as outras alucinações faziam antes de a Avó surgir.
Estou sonhando. Este é um tipo novo de alucinação e, como sempre, parece muito real, impossível, mas inegável. Tento engolir, só que minha garganta está seca demais, e meus braços tremem conforme arrasto os pés para a frente, a palma da mão deslizando pelo metal frio dos escaninhos.
— Matt? — chamo mais alto. Minha voz ecoa contra o azulejo desgastado.
Algo roça em meu braço, e abafo um grito meio engasgado quando, de uma só vez, as luzes florescentes do teto piscam de volta à vida e todo
mundo reaparece.
— Ai, meu Deus. — Levo a mão ao peito e tento acalmar minha
respiração acelerada de volta a inspirações uniformes. Meus olhos registram as sardas esmaecidas de Matt, a mão dele no meu braço. As sobrancelhas
dele se unem, e ele olha para trás como se esperasse ver um tornado se lançando na nossa direção.
— Nat? — Ele sacode meu braço de leve. — Você está bem?
— Energia — ofego. Matt inclina a cabeça. — As luzes se apagaram. —
E todo mundo desapareceu.
— Hã. — Ele encolhe os ombros. — Não devo ter reparado.
Obrigo minha garganta seca e áspera a engolir.
— Talvez não.
Matt olha em volta e fala na minha orelha:
— O que está acontecendo, Nat? — insiste ele. — Pode me contar.
Dou um passo para trás, me afastando dele, guardando todo o medo de volta no fundo do meu ser.
— Nada. Estou bem.
Ele suspira.
— Vejo você à noite.
Conforme ele se afasta, cumprimentando Derek Dillhorn ombro no
ombro, volto os olhos para as lâmpadas no teto, observando, aguardando. Não quero assustá-la, dissera a Avó, mas você precisa estar preparada
para o que está por vir.
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