O Beijo
Capítulo Dez
— Isabelle, tam bém lá estive. — Bill m ostrava-se estupefato e ela não sabia porquê. Tive o m esm o sonho que você teve. Tal qual o descreveu.
— Eu sei, eu estava lá — afirm ou Isabelle, com o se se tratasse de algo norm al. Vi-te, dei-te a m ão e voltam os.
— Porquê? — Bill fazia um esforço de m em ória, tentando entender o que lhes acontecera. Não era um a coisa norm al. Havia pessoas que falavam dessas experiências, m as m uitas delas não partilhavam a m esm a luz brilhante no m esm o sonho, a m esm a pedra, o m esm o cam inho, a m esm a lem brança. Bill acreditava que, algures, num a outra vida, as suas alm as se haviam encontrado e tornado um a só.
— Voltei porque você m e pediu. Mas depois tornei a perder-m e. Acho que adorm eci à beira do cam inho.
— Claro. E se voltar a fazer isso outra vez, zango-m e a sério com você. Nunca m ais se perca de m im !
— Não, nunca m ais — prom eteu Isabelle, beij ando-lhe os dedos. — Obrigada por ter esperado por m im e m e ter trazido de volta. — Estava ficando em ocionada. Bocej ou várias vezes e, antes que ele conseguisse dizer o que quer que fosse, deixou-se adorm ecer num sono tranquilo. Ao olhar para ela, Bill recordou perfeitam ente aquilo que Isabelle descrevera, a cam inhada em direção à luz brilhante, com ela à sua frente. Fizera um esforço titânico para a trazer de volta. Não sabia m uito bem o que isso significava, m as estava convencido de que algo de extraordinário lhes acontecera. Sabia que, apesar de tudo o que se passara, era um hom em cheio de sorte.
CAPÍTULO DEZ
No dia seguinte, às oito da m anhã, o m édico telefonou a Gordon Forrester com o intuito de lhe dar a notícia, m as a m esm a voz inform ou-o de que ele não se encontrava em casa. Às dez, conseguiu, finalm ente, encontra-lo no escritório. Este ficou algo perplexo e disse que estava m uito contente com a notícia. Perguntou então se podia falar com a m ulher, m as esta ainda não tinha telefone. O m édico inform ou-o de que ia m andar instalar um para Isabelle, e Gordon poderia telefonar-lhe para o quarto nessa tarde.
— Com certeza os filhos querem falar com a m ãe — sugeriu o m édico, algo atrapalhado.
Gordon j á tom ara com certo o fato de a m ulher nunca m ais sair do estado de com a e m ostrava-se espantado com a notícia.
— Com o é que isso aconteceu? — indagou. O m édico fez um a ligeira pausa. Não queria falar do papel de Bill Robinson nesse processo, e tanto este com o Isabelle tam bém não desej ariam certam ente que o fizesse. E não se enganava.
— Sozinha — respondeu o m édico. Era a única coisa que Gordon precisava saber.
— Boa recuperação — com entou Gordon, com o se estivesse falando de um torneio de golfe ou de um a partida de tênis. Em claro contraste com as lágrim as de alegria de Bill na noite anterior, com o se falasse de um am igo distante. Parecia inacreditável que Isabelle fosse sua esposa. Talvez isso explicasse a relação dela com Bill. Depois de os ver na noite anterior, havia perguntas a que o m édico não queria responder E interrogou-se sobre quando é que Gordon voltaria a Londres. Para bem dos dois doentes, esperava que ele não voltasse tão depressa ao hospital. Via-se que estavam loucam ente apaixonados. Era im possível resistir a um am or assim , que fora até ao lim iar da m orte e voltara. Isso era algo m uito precioso que poucas pessoas partilhavam . — Inform e-a que telefonarei logo à tarde, quando chegar e casa. — Foi tudo o que disse, e o m édico asseverou-lhe que o faria.
A enferm eira deu o recado a Isabelle quando lhe instalaram o telefone. Estava ansiosa por falar com os filhos, m as não com Gordon.
— O que vam os fazer agora? — perguntou a Bill, nessa tarde, enquanto alm oçava pela prim eira vez, desde que saíra do estado de com a. Haviam lhe trazido um a tigela de sopa m uito ligeira e gelatina.
— O que quer dizer? Um a partida de croquet ou de golfe, ou um passeio no parque? — gracej ou Bill, m as desta vez Isabelle não sorriu.
— O Gordon vai querer levar-m e para Paris, logo que m elhore. — Queria ver os filhos, com o é óbvio, m as não queria deixar Bill.
— Não creio que isso aconteça a curto prazo — declarou Bill, tentando m anter a calm a. — Não acredito que possa saltar da cam a e sair pela porta correndo. — Ainda tinha de realizar m uitos tratam entos e a cabeça precisava de extrem os cuidados. Nessa m anhã, o m édico dissera-lhe que esperava tê-la no hospital durante, pelo m enos, quatro sem anas. Era m ais ou m enos o tem po que tinham estipulado para Bill.
— E depois? — perguntou Isabelle, enquanto a enferm eira lhe dava a sopa. Ainda não tinha força suficiente nas m ãos para se alim entar sozinha. Encontrava-se extrem am ente debilitada, o que não era surpresa para ninguém .
— Haverem os de arranj ar um a solução. — Bill ainda não lhe dissera que, m uito provavelm ente, não voltaria a andar. Tinha de pensar no assunto. Achava que, de m om ento, ela não precisava saber. A m enos que as coisas tivessem m udado radicalm ente durante o período que estivera em com a, sabia que Isabelle voltaria para casa, para cuidar do filho. É claro que poderia telefonar-lhe e vê-la de vez em quando, m as não queria que sentisse pena dele, caso ficasse confinado a um a cadeira de rodas. A única coisa que desej ava dela era o seu am or. Mas se nunca m ais voltasse a andar, era possível que nunca m ais a visse depois de saírem do hospital, e teriam de continuar a relação por telefone. Ainda não sabia m uito bem o que iria fazer. De m om ento, Isabelle pensava que o estado de Bill era tem porário e este sentia-se inclinado a deixar as coisas tal com o estavam . Não queria que ela pensasse que estava pressionndo-a. Sabia m uito bem que chegaria o dia em que Isabelle teria de ir para casa, para j unto da fam ília. Agora a única coisa que queria era gozar os dias que lhes restavam .
Nessa tarde, quando Gordon telefonou, Isabelle encontrava-se no quarto, na com panhia de Bill. O m arido com unicou-lhe então que estava m uito m ais aliviado por saber que ela j á m elhorara, com o se Isabelle se encontrasse a recuperar-se de um a luxação no tornozelo ou de um a queda. Na verdade, Bill tinha a sensação de que Isabelle regressara da m orte. No instante em que ela acordou, Gordon j á não alim entava qualquer esperança de que ela vivesse ou saísse do com a. Com eçava a ver-se no papel de viúvo e teve de voltar a pôr os ponteiros do relógio para trás, a fim de retom ar o casam ento com ela. O tom de voz de Gordon era m uito estranho e Isabelle concluiu, corretam ente, que o m arido devia estar furioso com Bill e com ela própria. Falou depois com os filhos. Sophie chorou ao ouvir a voz da m ãe e a única coisa que Teddy conseguiu fazer foi soluçar. Achou-o m uito debilitado e perguntou a Gordon, quando os filhos lhe passaram o telefone, com o Teddy se encontrava realm ente. Não conseguiu conter a em oção de os ouvir. Estava extrem am ente preocupada com eles.
— Ele vai ficar m uito m elhor agora — afirm ou Gordon, em tom de indiferença. Sophie queria visitar a m ãe, m as o pai disse-lhe que ela não tardaria a voltar para casa. — Quando é que te darão alta? — indagou, com algum pragm atism o. Achava que não havia razão para ir vê-la, um a vez que viria para casa em breve.
— Dentro de quatro sem anas, dependendo do fígado, do coração e da cabeça. — Não se tratava de problem as pequenos, m as não pareceu im pressionado. Agora que a m ulher j á saíra do estado de com a, pouco lhe im portava o resto.
— Quatro sem anas parece-m e m uito tem po, não acha. Estou certo de que te darão alta m ais cedo, se eu pedir. — Gordon desconfiava que Isabelle não queria sair do hospital tão cedo, porque Bill ainda se encontrava lá. Não iria tolerar tal coisa. — Vou eu próprio falar com o m édico. pode ter todos os cuidados m édicos de que precisa aqui em Paris.
Isabelle ficou em pânico quando desligou o telefone e avisou, de im ediato, o m édico de que Gordon iria telefonar-lhe pressionando-o para m anda-la para a França.
— É isso que quer, Isabelle? Podem os transferi-la para um hospital de Paris m ais ou m enos dentro de um a sem ana. Ainda não está em condições de ir para casa
— Quero ficar aqui. — E am bos sabiam o porquê.
— Eu trato do assunto — asseverou-lhe o m édico. Estava disposto a fazer isso por ela e por Bill. Gostava de am bos. Haviam estado às portas do inferno e conseguido regressar. Os filhos podiam esperar. Porém , m ais tarde, adm itiu a Bill que se sentia preocupada com Teddy, que não lhe parecera estar bem , e que era a única coisa que a faria voltar para casa m ais cedo do que o planej ado. Estava ficando louca só de pensar na falta que estaria fazendo-lhe, apesar de saber que se encontrava em boas m ãos.
— Isto deve ter sido um choque trem endo para ele. Só Deus sabe o que Gordon lhe disse sobre o estado em que você se encontrava. Mas agora que ouviu a sua voz e sabe que estará em casa dentro de poucas sem anas, estou certo de que m elhorará dia a dia.
Isabelle sentiu-se m ais anim ada com as palavras de Bill.
— Espero bem que sim . Graças a Deus, a Sophie está lá. Queria vir ver-m e, m as aconselhei-a a não o fazer. O Teddy precisa m ais dela lá do que eu preciso aqui. — Além disso, ali tinha Bill. Queria gozar os dias que lhes restavam até se separarem . — E a Cindy ? Acha que ela virá aqui ver-te?
Não lim itou-se a proferir, sem explicar porquê. E as filhas andariam ocupadas durante todo o verão. Disse-lhes que as veria quando regressasse. Bill tam bém pedira ao m édico que não inform asse Isabelle sobre a extensão das lesões na sua coluna e sobre o fato de que, m uito provavelm ente, nunca m ais voltaria a andar. Esta era um a coisa, para além do divórcio, que não queria que ela soubesse. Precisava de tem po para ver com o é que o seu estado iria evoluir. Isabelle sabia que o período de convalescença de Bill seria prolongado, de seis m eses a um ano, por isso não ficaria espantada com o fato de ele não andar.
Se ela estivesse disposta a deixar Gordon, então ele teria de equacionar as coisas de outra m aneira. E teria de lhe contar a verdade quanto às pernas. Mas um a vez que estava determ inada a voltar para Gordon, não queria arranj ar-lhe m otivos de preocupação. Já tinha problem as que chegassem com o filho deficiente. E agora que j á vira o m arido dela, Bill sabia o que a esperava em Paris. Gordon parecia não ter consideração, nem am or, nem sim patia, nem respeito por ela. Todo o seu m undo girava em torno dele próprio, e Isabelle não passava de um sim ples peão, da assistente do filho deficiente. Estava preocupado com a vida difícil que a esperava, talvez até ainda m ais difícil do que antes. Gordon desconfiava dela e, se calhar, iria castigá-la pelos pecados que supostam ente teria com etido nas suas costas. Isabelle teria de ter cuidado com ele, ou veria a sua vida transform ada num inferno. Nem sequer quando a m ulher estivera em com a, às portas da m orte, se preocupara em ficar com ela m ais do que dois dias.
Ao fim da tarde, quando falou com ele, o m édico referiu novam ente que Isabelle só podia ser transferida daí a, pelo m enos, quatro sem anas. Não se m ostrou satisfeito. Achava que os m édicos não estavam a sendo razoáveis, considerando-os dem asiado zelosos. O m édico acabou por assustá-lo com a hipótese de poderem ocorrer com plicações horríveis, ou até de poder entrar de novo em com a.
— Ainda m e tiram a carteira profissional — gracej ou o m édico, quando falou do telefonem a a Bill e a Isabelle. Era de opinião de que eles tinham direito a um pouco de felicidade e a um a com pensação pela agonia por que am bos haviam passado. Por outro lado, os torm entos de Bill não estavam acabados. O m édico sabia m uito bem que a sua reabilitação iria ser longa e difícil. Teria lugar num hospital de Nova Iorque, onde iriam aj udá-lo a readquirir o m áxim o de sensibilidade nas pernas. Tanto um com o outro não faziam idéia do que estava reservado para Bill.
Para j á, tinham quatro sem anas para estarem j untos, a rir, a conversar e a gozar o seu am or. O hospital era um refúgio seguro para am bos, depois da situação traum ática por que haviam passado e antes de voltarem às suas vidas. Não tardaria a terem o choque com a realidade.
Nessa noite, voltaram a dorm ir no quarto de Isabelle.
Do dia seguinte em diante, passaram a dorm ir no de Bill. Estavam livres de m onitores. Passavam longas horas à tarde falando das suas vidas, das suas esperanças, dos seus sonhos. O tem po que partilhavam era um a rara dádiva, ganha a m uito custo.
Jogavam cartas, liam livros e Bill até lhe ensinou j ogos de dados. Ficavam horas esquecidos a conversar, tom avam as refeições no m esm o quarto. O fígado de Isabelle estava m elhor e cicatrizando lentam ente. O ritm o cardíaco continuava irregular, se bem que ligeiram ente m elhor. Às vezes, tinha dores de cabeça fortíssim as. Cansava-se com m uita facilidade e dorm ia bastante.
Bill continuava com o colar cervical no pescoço. As lesões na coluna estavam cicatrizando e, por vezes, tinha dores nas costas. Nessas horas, Isabelle m assageava-lhe os om bros e os braços. Já reparara na pouca m obilidade que ele tinha nas pernas, m as este continuava a garantir-lhe que da próxim a vez que se encontrassem j á andaria. Não achava estranho Bill ainda não conseguir andar. Passara-se apenas um m ês desde o acidente, o que não era m uito tem po. Falavam m uito pouco das dores que sentiam . A m aior parte do tem po, trocavam confidências, falavam sem parar e gracej avam um com o outro.
Num a tarde de sol de j unho, Isabelle, que saíra do com a precisam ente duas sem anas antes, estava deitada na cam a de Bill. Contavam histórias da sua infância. Tinha o cuidado de não lhe tocar em algo que ainda lhe doesse, especialm ente na coluna. Enquanto falava dos tem pos com os avós no Ham pshire, passava-lhe os dedos pelo braço. Depois, fazia-os deslizar pelos om bros e pelas costas, onde sabia que não havia qualquer problem a. Bill olhava-a com ar enternecido. E, de súbito, esboçou um sorriso de garoto traquinas.
— Porque está olhando-m e dessa m aneira? — perguntou Isabelle, j ulgando que Bill troçava dela. — Estava falando sério do m eu avô. Era um hom em m uito bom .
— Tenho certeza que sim . Deixei de ouvir o que está dizendo há cinco m inutos. O desej o está deixando-m e doido.
— O que tinha em m ente? Um a partida de dados?
— Melhor do que isso — respondeu Bill, beij ando-a nos lábios. Conseguira arranj ar m aneira de o fazer, inclinando-se ligeiram ente para a frente. Beij avam -se m uitas vezes, especialm ente à noite. — Isabelle, não sei o que é que isto vai dar, m as apetece-m e fazer am or com você. — O grau de excitação aum entara na últim a m eia hora. Sentia um bem -estar tão grande que estava disposto a tentar. Ainda se encontravam am bos m uito fragilizados, m as j á há m uito que Bill experim entava um a incontrolável vontade de fazer am or com Isabelle. Já antes do acidente sentia esse desej o.
— Está bem , m eu am or. — Isabelle estava disposta a fazer am or com ele, m esm o que não fosse além de se enlaçarem nos braços um do outro. Percebia perfeitam ente o que Bill tinha em m ente. — O que diz de trancarm os a porta? — Havia fechos nas portas que ninguém utilizava, m as esta parecia um a excelente oportunidade para com eçar.
— Acha que vão expulsar-nos do hospital? — perguntou Bill, esboçando um am plo sorriso, enquanto Isabelle se levantava para ir fechar a porta. Mal conseguia m exer-se, m as sentira um irresistível desej o por Isabelle na últim a m eia hora, de tal m odo que agora não conseguia pensar em outra coisa. Há m uito que andava ansioso por saber se a função sexual fora afetada. O nervosism o era m uito, m as nenhum dos dois conseguia resistir ao im pulso. A relação era terna, apaixonada e assentava na confiança m útua.
— Não creio que fosse isto que tinham em m ente, quando nos deixaram dorm ir no m esm o quarto — disse Isabelle, com um sorriso m alicioso nos lábios.
— Eles é que o perm itiram — retorquiu Bill, algo nervoso. — Esta é a m elhor parte. — Pelo m enos, esperava que fosse. E se não fosse? Estrem ecia só de pensar.
Isabelle interrom peu-o, com ar sério, e beij ou-o carinhosam ente nos lábios.
— A m elhor parte é aquilo que j á tem os.. am or um pelo outro, estarm os j untos... Adoro tudo em você, Bill. Qualquer coisa que venha agora é um a dádiva suplem entar, m as não é a m elhor parte. Você é que é.
Bill não fazia a m ínim a idéia se conseguiria fazer am or. Mas o desej o era incontrolável. O m édico dissera-lhe que era possível e esperava que ele tivesse razão. Caso contrário, seria um a enorm e desilusão para am bos. Mas não queria lhe dar conta dos seus receios. Tinha m edo que Isabelle ficasse preocupada ou sentisse pena dele. Esta últim a hipótese era a que m ais receava.
Isabelle despiu então a bata de Bill, pondo a descoberto toda a beleza do seu corpo. Bill ardia de desej o. Não havia vergonha ou pudor entre eles, era com o se tivessem estado sem pre j untos. Enquanto Isabelle o acariciava, Bill não conseguia disfarçar o nervosism o. Sentia em ocionalm ente tudo o que ela lhe fazia, m as não sabia com o é que o resto iria reagir. Isabelle despiu então a sua bata, ao m esm o tem po que ele lhe acariciava os seios. Os corpos que haviam sofrido tanto esqueceram , de repente, todas as suas dores. Com eçou por beij á-lo na boca, depois no peito, sem pre com extrem a sensualidade. Ao m esm o tem po que tentava excita-lo, tinha cuidado em não o m achucar, não exercendo peso sobre ele, apenas o suficiente, nos lugares certos. Bill sentia o requintado prazer por que há m uito ansiava, m as o efeito desej ado não tinha lugar, para grande consternação sua.
Mesm o sentindo prazer, tinha consciência de que o seu corpo se encontrava, de algum a form a, adorm ecido. Apesar da enorm e paixão por Isabelle, não estava na plena posse das suas faculdades físicas. Havia algo dentro de si que não perm itia a reação aos estím ulos. Não sabia se era o cérebro, se a coluna vertebral. E não obstante o desej o intenso de fazer am or com Isabelle, sentia o m edo de falhar apossando-se progressivam ente de si. Com ela de cócoras, por cim a dele, Bill com eçava a dar-se conta de que o corpo não iria conseguir dar resposta aos estím ulos que recebia. Sentia-se não só um idiota com o um doido varrido por ter tentado.
Isabelle percebeu o que estava se passando com Bill, m as o am or por ele era tanto que a única coisa que queria era que se sentisse feliz e am ado. Já estava preparada para a eventualidade de as coisas não funcionarem , pelo m enos na prim eira vez. Bill sofrera traum atism os graves. Teria de esperar pacientem ente pelo retorno das suas capacidades sexuais. Isabelle só quisera dar-lhe esperança e vida. Mas em vez de esperança, a única coisa que vislum brava no olhar de Bill era desespero pelos esforços para consum ar a sua paixão terem falhado.
— Tudo bem , m eu am or, tudo bem . Você tem de ter paciência — m urm urou Isabelle, enquanto Bill a abraçava, para depois a afastar delicadam ente e se virar de lado, destroçado por não ter conseguido fazer am or com a m ulher que am ava. Achava que nada do que ela pudesse dizer poderia alterar esse fato E prom eteu a si m esm o que nunca m ais voltaria a tentar. Apesar da ternura e o am or que Isabelle tinha por ele, sentia-se hum ilhado e m ais dependente do que nunca. Era o pior dia da sua vida. Já não se sentia um hom em E nada o convenceria a tentar outra vez. E m uito m enos com Isabelle.
— Veste-se — sussurrou Bill.
Isabelle hesitou, querendo fazer qualquer coisa por ele. Bill encontrava-se num estado de profunda depressão, e qualquer esforço ou carícia para o confortar só o perturbaria ainda m ais. Meteu-se então debaixo dos lençóis, m uito j untinha a ele.
— Tudo bem , Bill — m urm urou Isabelle, num tom terno. — Essas coisas acontecem . — Am bos sabiam os sentim entos que ele nutria por ela, m as quisera m ais do que isso.
— Isto é só o com eço. — Beij ou-o no rosto e tentou pegar-lhe na m ão. Bill repeliu-a. Tentava conter as lágrim as a m uito custo. Só lhe apetecia fugir, m as, no estado em que se encontrava, não tinha qualquer chance de o fazer.
— Não, isto não é o com eço — retorquiu, irritado. Estava furioso consigo, não com Isabelle. — É o fim .
O fim da sua vida enquanto hom em .
— Não é o fim de nada — ripostou, com o se estivesse falando com um a criança. — O m édico disse-te que a recuperação da função sexual pode levar algum tem po. — Mas Bill estava aterrorizado com a hipótese de a incapacidade sexual ser perm anente. Outra m ulher não teria conseguido im aginar o que esse fracasso, do ponto de vista sexual, representava para ele. A única coisa que este via à sua frente era um aterrorizante futuro sem sexo. Com o qualquer outro hom em , j á passara por essa situação algum as vezes na vida, quando andava m uito cansado, ou aborrecido, ou preocupado com a política, ou quando bebera dem asiado. Mas agora era a prim eira vez que fazia am or com Isabelle, e a prim eira vez, depois do acidente, que tentava provar que ainda era hom em , independentem ente de voltar ou não a andar. Isabelle foi com preensiva e tentou acalm á-lo. Acreditava que Bill acabaria por recuperar a função sexual E m esm o que não recuperasse, estava preparada para aceitar qualquer tipo de lim itações que ele tivesse e continuaria a am á-lo. Para Isabelle, nada alteraria, m as, para Bill, todo o seu m undo ruíria caso não recuperasse a sua m asculinidade, estava disposto a sair da vida de Isabelle. Nessa noite, perdera m uita coisa: o auto-respeito, a auto-estim a, o sentido da sua própria m asculinidade e toda a esperança em qualquer tipo de futuro com Isabelle, se as suas capacidades estivessem perdidas para sem pre.