O Beijo

Danielle Steel · Capítulo 17 de 17

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O Beijo

Capítulo Dezenove

— Porque você fez isto? — perguntou Isabelle, não contendo o choro. — Qual foi o obj etivo? Torturarm o-nos? Para nos lem brarm os que nos am am os e depois voltarm os a perder tudo, para term os um a vida angustiante? Porquê, se som os tão felizes quando estam os j untos e se nos am am os tanto? Porque não perm ite que sej am os felizes? É assim tão difícil para você?

— Talvez não te am e o suficiente, ou talvez sej a você que não m e am a tanto quanto pensa.

— Não com plique as coisas. A questão não é essa. Am o-te m uito. Isso é o que interessa. E sej a qual for o am or que sentir por m im , basta-m e.

— Eu não sou suficiente para você, a questão é essa — retorquiu Bill, com ar torturado, com vontade de voltar a tê-la de novo nos braços, m as não se perm itindo fazê-lo.

— Deixa-m e ser eu a decidir pela m inha cabeça. Deixa-m e escolher quem am o e quem não am o. Você não tem o direito de decidir por m im .

— Ah, isso é que tenho — ripostou Bill, olhando-a um a últim a vez e saindo do quarto. A porta fechou-se quase de im ediato. Isabelle sentou-se no sofá, chorando, sem se m exer.

CAPÍTULO DEZENOVE

 

Isabelle ficou quatro dias em Washington. O senador ganhou a eleição. Viu Bill no noticiário, sentado na cadeira de rodas, discreto, em segundo plano. Não recebeu m ais nenhum telefonem a dele. Com eçava a acreditar que ele não voltaria atrás com a palavra. Só lhe restava respeitar a sua decisão, por m ais que discordasse dela. Custava-lhe acreditar que ele fosse tão teim oso e que estivesse disposto a sacrificar tudo o que tinham , m as não podia forçá-lo a voltar para ela. Devia aceitar a escolha que ele fizera. Estava no seu direito, assim com o ela tinha o direito de acreditar que poderiam ter tido um a vida m aravilhosa. Teria sido um orgulho tê-lo j unto de si, de cadeira de rodas ou não. Não lhe faria a m ínim a diferença, m as a ele, sim . Estava no seu pleno direito de viver com o escolhera.

Terça-feira à noite, depois da eleição, Isabelle telefonou a Sophie dizendo que ia voltar para a França. A sua voz soava triste, m as Sophie não lhe perguntou porquê. Ultim am ente, tinha m ais do que razões para isso. Esta, tal com o a m ãe, ainda não se conform ara com a m orte do irm ão.

— Viu o seu am igo? — perguntou Sophie, tentando anim á-la.

— Vi. Está ótim o.

— Já anda?

— Não

— Sem pre achei que só a m uito custo voltaria a andar. Estava m uito m altratado quando o vi no hospital. Tal com o a senhora.

— Parece-m e ótim o em todos os aspectos. Am anhã à noite j á estarei em casa, querida. — Fazia sem pre questão de lhe dizer onde se encontrava. Era um a rem iniscência dos anos que passara cuidando de Teddy. A verdade é que Sophie não precisava saber onde a m ãe estava a cada m inuto, m as dava segurança a am bas. Vem o-nos daqui a poucas sem anas.

— Telefono-lhe este fim de sem ana, m am ãe. Divertiu-se? — Esperava que sim , m as achava-a m uito desanim ada.

— Não propriam ente, m as ainda bem que vim . — Fora obrigada a aceitar o que nunca conseguira ao longo de todo aquele tem po. Além disso, visitara alguns m useus e galerias. A partir do com eço do ano, pretendia voltar ao trabalho de restauro de obras de arte no Louvre. Isso trazia-lhe à m em ória os dias passados em Londres na com panhia de Bill, m ais de um ano antes. Tudo lhe recordava Bill. Os quadros, os m useus, o Harry ’s, a dança, a m úsica, as gargalhadas, o ar. Talvez um dia isso acabasse. Esperava que sim . Já que ele não iria fazer parte da sua vida, teria de o esquecer o m ais depressa possível. Talvez até deixasse de o am ar um dia. Seria um a bênção divina quando isso acontecesse.

Na quarta-feira de m anhã, em balou as poucas coisas que trouxera e cham ou o criado para vir buscar a m ala. O voo era à um a hora. Abandonou o hotel às dez. Mal acabara de fechar a porta do quarto, o telefone tocou. Levou um m inuto para abrir de novo a porta. Quando pegou no aparelho, j á haviam desligado. Ao chegar à recepção, o recepcionista disse-lhe que telefonara para saber a que horas é que ela ia liberar o quarto, pois tinha um a pessoa à espera.

A viagem até ao aeroporto foi calm a e longa. Nevara na noite anterior e Washington estava linda sob um m anto de neve. Depois de fazer o check-in, foi com prar algum as revistas e um livro, para ter algum a coisa para ler no avião. Sentia-se triste e, de certa form a, livre. Deixara-o finalm ente. Nunca pensara sentir-se tão tranquila. Enquanto pagava as revistas e o livro, fez um esforço para não pensar em Bill. Acabara de receber o troco, quando ouviu um a voz atrás de si.

— Sabe que você é louca, não sabe? Sem pre tive esse pressentim ento. — Isabelle fechou os olhos. Aquilo não podia estar acontecendo. Não era possível. Mas era e quando se voltou, deu de cara com Bill. — Não só você é louca, com o tam bém está com etendo um erro m onstruoso.

— Veio atrás de m im , ou vai partir em viagem ? — O coração de Isabelle batia desenfreadam ente. Não sabia se era coincidência ou um m ilagre e não se atreveu a perguntar-lhe de qual destas situações se tratava.

— Telefonei para o hotel, m as você j á tinha saído.

— Engraçado, não m e disseram nada — retorquiu Isabelle, tentando m ostrar um ar despreocupado. As m ãos trem iam -lhe ao pegar nas revistas e no livro que acabara de com prar. — O recepcionista disse-m e que fora ele quem telefonara para o quarto.

— Devo ter ligado logo a seguir. — Presum iu que ele fizera a cham ada para se despedir, m as por que razão se encontrava ali? — Tenho consciência de que fiz aquilo que achei correto — proferiu Bill, desviando a cadeira para o lado. As pessoas redem oinhavam à volta deles, m as não pareciam dar pela sua presença. Ficaram de olhos colados um no outro. Isabelle estava pálida, com o se não dorm isse há vários dias. — Merece algo m elhor do que isto.

— Sei que é isso que você pensa — retorquiu Isabelle, sentindo de novo um aperto no coração. Quantas vezes ele iria lhe dizer a m esm a coisa? — Mas não há nada m elhor do que isto pelo m enos para m im . Perdi o Teddy. Perdi a você. Já não tenho m ais nada para perder, a não ser a Sophie. Acho que não devia fugir do am or. É um bem dem asiado raro e precioso, m as, aparentem ente, é o que você está fazendo. — Sabia que não havia nada que pudesse convencê-lo a m udar de idéia. Ele é que iria dizer o que queria fazer.

— Quero algo m elhor para você. Quero que tenha um a vida séria com um cara que possa andar correndo atrás de você pelo quarto e que possa dançar na passagem do ano.

— Quero m uito m ais do que isso. Quero alguém que am e e que m e am e, alguém por quem tenha respeito, de quem possa cuidar e com quem possa rir o resto da vida. Consigo am ar tanto sentada com o de pé. Talvez você não.

— O que te dá tanta certeza?

— Am ar-m e-ia da m esm a form a, se eu estivesse aí sentada no seu lugar? — Os olhos inundaram -se de lágrim as e a voz ficou em bargada.

— Claro.

— Então, não faça a m im aquilo que não gostaria que eu fizesse a você.

Sem dizer um a palavra, Bill puxou-a para o seu colo e, envolvendo-a nos braços, beij ou-a na boca com ardor.

— Porque você fez isto? Foi um “olá” ou um “adeus”?

— Escolhe. Sabe o que penso. Am o-te. Você tem todo o direito de m udar de idéia. — Fora o que Helena lhe dissera há m uito tem po. E tinha razão, reconheceu finalm ente. Tentara proteger Isabelle, m as não aguentava m ais. Ela tinha o direito de escolher o seu próprio destino e, desta vez, talvez até o dele.

— Olá! — sussurrou Isabelle, esboçando um radioso sorriso enquanto o beij ava e se abraçavam .

Table of Contents

O Beij o

CAPÍTULO UM

CAPÍTULO DOIS

CAPÍTULO TRÊS

CAPÍTULO QUATRO

CAPÍTULO CINCO

CAPÍTULO SEIS

CAPÍTULO SETE

CAPÍTULO OITO

CAPÍTULO NOVE

CAPÍTULO DEZ

CAPÍTULO ONZE

CAPÍTULO DOZE

CAPÍTULO TREZE

CAPÍTULO CATORZE

CAPÍTULO QUINZE

CAPÍTULO DEZESSEIS

CAPÍTULO DEZESSETE

CAPÍTULO DEZOITO

CAPÍTULO DEZENOVE

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