O Homem da Máfia (Família Carbone Livro 1)

Páginas iniciais

Direitos autorais do texto original copyright © 2021, BRENDA

RIPARDO, O HOMEM DA MÁFIA.

 

Capa: Magnifique Design

Diagramação: Brenda Ripardo

Preparação de texto/Editor: Graci Rocha

 

Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens, lugares e acontecimentos

descritos são produtos da imaginação da autora. Qualquer semelhança com

nomes, datas e acontecimentos reais é mera coincidência.

Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desse livro pode ser utilizada

ou reproduzida sob quaisquer meios existentes — tangíveis ou intangíveis —

sem autorização por escrito da autora.

A violação dos direitos autorais é crime estabelecido na lei nº 9.610/98,

punido pelo artigo 184 do Código Penal.

 

Este livro segue a norma-padrão do novo acordo orográfico da língua

portuguesa, mas há muitas abreviações como o "tá", "tô", “pra” e "pro", de

forma que o texto fique o mais natural e verossímil possível.

O Homem da Máfia é o primeiro livro da série “Família Carbone” e é um

volume único. Por ser com casais diferentes, cada livro da saga pode ser lido

separadamente, mas talvez o posterior contenha spoilers do anterior.

“Não preciso ter bola de cristal para saber que Julian é o tipo de homem

que quando quer uma coisa, vai lá e pega. O mandachuva exala poder e

autoridade. E na real, eu nunca gostei de homens assim. Mas por que “ser dele”

soa como um convite tão instigante?”

Julian Lorenzo Carbone é o filho do magnata do cassino mais renomado de

Montreal. O que poucos sabem, é que na realidade, ele é um dos herdeiros da

família Carbone, máfia italiana que se estabilizou no Canadá nos anos 50.

Ele é um homem inteligente, meio impulsivo e dono de um olhar duro.

Jolina veio das Filipinas para estudar Antropologia em Montreal. É uma

garota de 22 anos, que acabou de sair de um relacionamento tóxico e de quebra,

herdando um cachorro.

Ela é linguaruda, decidida, forte, resiliente e atrevida.

Depois de um acidente, a garota vai parar na casa do homem da máfia e vê

o seu mundo virar de cabeça para baixo. Julian sente uma atração inexplicável e uma vontade de proteger a universitária respondona.

Eles são tão diferentes, como a luz e a escuridão, mas o equilíbrio um do

outro.

Este é um romance que tem como pano de fundo a Máfia Italiana, mas se

você espera encontrar cenas de extremo abuso, uma história dark, detalhes sobre

as negociações dentro da máfia e burocracias ou torturas, este livro NÃO

corresponderá às suas expectativas. Este livro é um romance. O foco aqui é o

nosso casal principal e o relacionamento deles.

A história narrada nas páginas seguintes, foi escrita baseada em muito

estudo sobre a Máfia Italiana, e claro, usando o bom senso da licença poética e

minha criatividade.

Este é um romance hot e pode conter gatilhos e temáticas delicadas como

álcool, drogas, abuso verbal e violência, incluindo temas de consentimento

questionável, linguagem imprópria e conteúdo sexual gráfico.

Apesar do conteúdo sensível, esse NÃO é um romance dark. Mas é

necessário reforçar que por se tratar de uma história sobre a Máfia Italiana,

certas passagens podem ser desconfortáveis ao leitor.

A autora não apoia e nem tolera as ações ilegais e comportamento de

alguns personagens retratados neste livro. A atenção do leitor é aconselhada.

Não leia se não se sente confortável.

Está é uma obra de ficção destinada a maiores de 18 anos.

2WEI – Toxic

Ruelle – War of Hearts

Natasha Blueme – Black Sea

Fleurie – Love and War

Lana Del Rey – Dark Paradise

Ruelle - The Other Side

Merci Raines – The Devil is a Gentleman

Duncan Laurence – Arcade

Coolio feat. L.V – Gangsta's Paradise

Sam Smith – Fire On Fire

James Arthur – Impossible

EPIC POP – Umbrella

Governors – Is This Love?

Lana Del Rey – Summertime Sadnes

Lana Del Rey – Blue Jeans

Elton John – Tiny Dancer

Imagine Dragons – Believer Imagine Dragons – Monster

MIIA – Dynasty

Sia – Courage To Change

Britney Spears – Criminal

“Amante, caçador, amigo e inimigo, você sempre será cada um destes.

 

Nada é justo no amor e na guerra.”

~ Fleurie, Love And War

8 anos antes...

Montreal, Canadá

 

— Você tem certeza?

Olho Noah ao meu lado e levanto uma sobrancelha. Ele não deveria estar

me perguntando isso. Não quando estou a um passo de me tornar um deles.

Passei dois anos da minha vida fazendo tudo que me mandavam, ficando

disponível vinte e quatro horas por dia. Eu quero fazer parte dos negócios da

família, caso contrário, não teria sujado as mãos de sangue tantas vezes.

Se eu não tivesse certeza deste momento, eu não teria me corrompido.

— Eu tenho — é minha resposta.

Ergo a mão para pegar na maçaneta, mas o subchefe da família Carbone

me impede, fazendo com que o [1] caporégime que me acompanhou até aqui, nos

olhe.

— Não tem volta. Não vai poder sair quando as coisas ficarem feias ou a

bagagem ficar pesada demais, Julian.

Assinto. Disso, eu já sei. Mas Noah, bem, ele nunca quis isso para mim.

Junto do meu pai, ele desejava que eu fechasse os olhos para os negócios sujos

da nossa família. Para o meu irmão, o mundo sórdido do crime não era algo para

o filho mais novo. No entanto, eu não sou mais aquele garoto que odiava a

polícia por viverem no pé do meu avô e que tinha medo de conflitos. Hoje, eu

sou o que preciso ser para entrar e honrar o nome da família Carbone.

— Estou pronto, Noah. Acredite em mim — digo.

Meu irmão suspira e concorda com um leve aceno de cabeça.

Afasta-se de mim e me permite entrar na sala, onde o Don[2] está sentado

em uma cadeira de couro que tem um formato parecido de meia lua. Ele pode ser

o chefe, mas ainda é o meu pai. A expressão dele é impassível e ainda não sei se

está feliz ou triste por eu estar aqui.

Noah caminha até próximo dele e fica me encarando em silêncio. Há

outras pessoas na sala também, o conselheiro e dois homens que eu não conheço.

— Se aproxime — o Don ordena, e assim, eu faço.

Ele levanta da cadeira e vem até mim, parando dois passos de distância e

fixando os olhos claros aos meus. Sem que tenha pedido, meu irmão pega a faca

em cima da mesa de madeira, que eu nem havia notado estar ali, e entrega ao

chefe.

Ele não precisou pedir, embora seja a primeira vez fazendo isso, eu tenho

uma noção do que o Don vai fazer, então, estendo a mão espalmada. Sem aviso

prévio, ele faz um corte profundo no meu dedo indicador. Arde um pouco, mas

não ouso resmungar, seria desrespeitoso.

O sangue começa a respingar e eu engulo em seco.

O conselheiro oferece ao Don uma imagem de Santo, um cartão católico, e

ele coloca em cima da minha mão aberta, em seguida, pega o isqueiro e acende,

começando a queimar a ponta do papel em minhas mãos.

— Esta noite, Julian Lorenzo... — o Don começa a falar. — Você nasce

para uma nova vida e para família Carbone. Se trair o juramento, se violar o que

sabe sobre esta vida, ou trair os seus irmãos a qualquer momento, você vai queimar no inferno como o santo queimando em suas mãos. Você aceita?

— Sim, aceito — digo com a voz firme e me aproximo da mesa, deixando

que as cinzas na mão caiam sobre o livro aberto dos mandamentos da máfia.

Demoro uns vinte minutos para conseguir cobrir os machucados do meu

rosto com base e pó. Resmungando palavrões, prendo os cabelos em um rabo de

cavalo. Foi a primeira e única vez que Tristan encostou a mão em mim.

Aquele canalha desgraçado vai comer o pão que o diabo amassou se

resolver me tocar de novo.

Pego os livros em cima da estante e coloco dentro da mochila. Caminho

até o hall de entrada do miniapartamento e calço os tênis. Antes que possa me

levantar, a companhia toca. Abro a porta sem olhar no olho mágico e me

arrependo no segundo em que encontro o diabo do outro lado.

Ele sorri e ergue o cachorro pequeno que está segurando. É um Lulu da

Pomerânia de cor caramelo. Acho que é uma menina, pois tem um lacinho rosa

na orelha e coleira vermelha.

— Trouxe pra você — ele fala como se não fosse um grande absurdo

aparecer na minha porta com um filhote de cachorro depois de ter me batido na

noite passada. — Meu pedido de desculpa. — Tristan tenta me entregar o

cachorro, mas eu não aceito.

Quando comecei a namorá-lo, ele era um cara legal. Atencioso, sempre

disposto a me fazer sorrir ou cuidar de mim. Um sonho, que logo se tornou pesadelo. A máscara de menino bom durou apenas oito meses, depois disso,

Tristan começou a ficar com ciúmes e desconfiado até da minha sombra.

O sentimento logo se estendeu aos meus amigos da faculdade e aos

poucos, foi se tornando agressivo com as palavras. Me xingava e levantava a

mão para mim, mas nunca ousou me bater de verdade.

Mas ontem, Tristan me agrediu quando eu disse que não aguentava mais

manter um relacionamento com ele e por isso, estava dando um fim a nós. O

cara ficou enfurecido com a minha audácia de querer romper o nosso namoro e

me acertou vários tapas no rosto, e apertou meu braço tão forte, que estou com

as marcas dos dedos imundos dele na pele.

— Enfia essa desculpa no rabo — retruco, me sentindo mal. O cachorrinho

é fofo e não merece ser tratado assim, mas não vou voltar com esse cara nem por

um milhão de dólares canadenses.

— Lina, me escuta — fala quando nota que estou prestes a fechar a porta

na cara dele. Que droga, vou me atrasar para minha aula por causa desse imbecil.

— Ontem, eu extrapolei. Não vai acontecer de novo.

Sorrio e fecho os olhos com força por uma fração de segundos. Vai

acontecer sim e se aceitá-lo de novo na minha vida, vai ser mil vezes pior. E eu

não vim estudar em Montreal para ter uma vida como a da minha mãe.

Isso não vai acontecer comigo.

— Vai embora, não quero olhar pra sua cara — digo, encarando aqueles

olhos azuis, frios e sem vida. Ele está a um triz de explodir comigo e embora

esteja com um pouco de medo, me mantenho firme. Não vou baixar a guarda.

— Porra — Tristan xinga e contrai o maxilar. — Eu tô arrependido. Você

não consegue ver isso? — pergunta, quase gritando.

— Uma bela forma de se mostrar arrependimento... gritando comigo —

murmuro, mais para mim do que para ele. — Tenho aula e não quero me atrasar.

E nós não temos mais nada o que conversar.

— Eu te amo — retruca ao colocar a mão na porta, me impedindo de

fechá-la. — Te amo tanto, acho que não consigo viver sem você.

— Vai ter que aprender — resmungo.

Noto as narinas de Tristan inflarem e a mandíbula contrair mais uma vez.

E eu me pergunto como gostei de alguém como ele. A pessoa com quem eu

comecei a namorar e o homem à minha frente são completamente diferentes.

— Você não sente mais nada por mim? — quer saber.

Engulo o nó na garganta.

Claro que no começo eu amei Tristan. Não fazia nem dez meses que tinha

saído das Filipinas para vir para cá por causa da bolsa de estudos. Eu ainda

morava no dormitório dentro do campus, não tinha muitos amigos e um cara de

olhos azuis com sorriso fácil me fez sentir bem, segura. Meu coração abriu as

portas para ele e eu me apaixonei.

E infelizmente, mesmo depois de perceber a verdadeira face de Tristan, eu

ainda fiquei com ele, aguentando, indo contra todos os meus instintos que diziam

para deixá-lo. E foi assim que o amor que eu sentia foi mudando e se tornando

outra coisa, raiva e medo. No entanto, ele ter me batido ontem, estalou algo

dentro de mim.

A relação dos meus pais está bem longe de ser perfeita. Pelo que sei, meu

pai bateu pelo menos três vezes na minha mãe, e só de pensar nisso, eu fico

furiosa. Mas a mamãe nunca fez nada. Ela o ama e não tem coragem de deixá-lo.

Então, aceita as migalhas do amor sujo que ele dá.

O relacionamento deles foi o pivô por eu ter saído de casa quando fiquei

maior de idade. Nenhum dos dois concordou com a minha decisão e meu pai,

bem, ele prometeu me deserdar e acho que talvez faça isso mesmo. Mas eu estou

aqui, tão longe de casa, tentando me estabelecer, ser bem-sucedida

financeiramente para poder tirar minha mãe das garras do meu pai.

Vou fazer isso nem que seja preciso sequestrá-la.

Por isso, não posso aceitar o que Tristan tem a me oferecer. Eu não mereço

viver num relacionamento tão tóxico. Eu não preciso suportar o ciúme dele e

perdoá-lo todas as vezes que se exaltar comigo.

Não é assim que um relacionamento funciona.

— Tchau, Tristan — é o que digo ao fechar a porta na cara dele. Tranco e

encosto a cabeça no material de madeira frio. O coração dá um salto no peito

quando ele começa a dar chutes e gritar para que eu abra e o deixe entrar.

Até ele desistir e ir embora, fico nessa tortura por mais de dez minutos.

Destranco e abro a porta, apenas um pouco e tomo um susto quando a cadela

começa a latir para mim. Rápido, fecho de novo, mas nada acontece. Decido

abrir tudo e encaro a bola de pelo do lado de fora do meu apartamento. Com

passinhos pequenos, ela vem até a soleira e late para mim.

Sorrio. Ela é fofa.

Agacho-me e assobio, chamado por ela. Sem resistência, vem até mim e eu

faço carinho em cima da cabeça cheia de pelos sedosos. Quando estou confiante

para pegar a cachorra nos braços, confiro se é mesmo menina.

— O que vou fazer com você, garota? — pergunto e ela late, em resposta.

Coloco-a dentro do apartamento e tranco a porta de novo. Sem saber muito

bem o que fazer, pego um prato de dentro do armário e o frango cozido da

geladeira. Coloco o prato no chão e ela come tudo. Acho que estava morrendo de

fome.

Não vou voltar com Tristan, mas não posso deixar a cachorrinha

desamparada.

O que aquele idiota tinha na cabeça para aparecer na minha porta com uma

cachorra de raça?

— Preciso ir — falo, e ela só olha para mim depois de comer. — Você

quer água? — Sem esperar por respostas, procuro um pote e encho de água da

torneira. A bola de pelo parece estar morrendo de sede também. — Garota,

preciso ir. Já estou atrasada pra minha primeira aula e hoje eu trabalho. Só vou

voltar no começo da noite, tudo bem? Não faça xixi no sofá, por favor.

Inclino-me um pouco para alisar a cabeça da minha nova companheira, e

antes de sair, acabo colocando mais frango no prato. Não faço a mínima ideia de

como vou viver com uma cachorra, mas talvez não seja ruim ter companhia.