O Homem da Máfia (Família Carbone Livro 1)

Brenda Ripardo · Capítulo 17 de 19

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O Homem da Máfia (Família Carbone Livro 1)

Capítulo 24

inteira.

A mãe de Lina faz uma pausa e respira fundo, entrelaçando os dedos das

mãos.

— Ele contou a ela, que tinha escutado uma música em um bar. Eu me

lembro da letra, porque Jolina cantou por tantos anos — fala e ri.

Eu acabo rindo também. Isso é bem a cara dela.

— Porque dizem que lar é onde o coração está gravado. É aonde vamos

quando estamos sozinhos, é aonde vamos para descansar. Não é só onde

encostamos a cabeça, não é só onde fazemos a cama. Desde que estamos juntos,

importa para onde vamos? [24]— Manilyn cantarola baixo, me roubando meio

sorriso.

— É uma música linda — comento.

— Sim, é sim. — Sorri para mim. — Meu irmão disse a Jolina que se um

dia ela achasse que precisava ir embora, o medo não podia impedi-la disso. E

que ela não precisava se sentir culpada. Às vezes, eu acho que ele conhecia

minha garota melhor do que eu.

— Ela ama você — digo, repente.

— Eu sei. Por causa do meu marido, eu a ignorei por tanto tempo e mesmo

assim, ela não desistiu mim. Sou sortuda por tê-la comigo. — Algumas lágrimas

escapam dos seus olhos e ela limpa quase que de imediato. — Ah, droga. Estou

emotiva demais — brinca.

— Tudo bem.

— Obrigada, Julian — fala e olha as ruas de Montreal através da janela de

vidro.

Vamos o resto do caminho em silêncio, mas de nenhum jeito é

constrangedor. Minha cabeça é preenchida por uma Jolina jovem, serelepe,

sonhadora e que cantarola uma música para cima e para baixo.

Sorrio.

É tão linda e pura.

Como alguém pode ser assim? Como alguém pode ter tomado meu

coração de tal forma? Eu acho que Lina é minha ruína na mesma intensidade que

é minha salvação.

Chegamos ao nosso destino e eu decido esperar no carro. Nicholas tira a

bagagem de Manilyn do porta-malas e a leva até a filha. Observo os dois

subirem as escadas e depois sumirem prédio adentro.

Pego o celular de dentro do terno só para lembrar que está desligado.

Solto uns resmungões.

— Eu tenho um carregador portátil, o senhor quer? — o saldado que está

dirigindo pergunta, depois de ver minha cara amarrada.

— Sim, claro.

Ele abre o porta-luvas e me entrega o carregador. Enfio a entrada USB no

smartphone e espero. Assim que o celular liga, sou notificado com uma nova

mensagem de Lina.

Sorrio ao ler o que ela mandou.

 

“Por favor, senhor Carbone, ignore minha última mensagem. Foi um

momento de colapso, insanidade mental. Eu não deveria estar tentando

conversar com você. Então, tchau.”

 

Meus dedos ágeis respondem Lina.

 

“Também sinto saudades.”

 

Nicholas entra no carro e se acomoda ao meu lado. Ele tem meio sorriso

no rosto, como se soubesse algo que eu não sei.

— Ela está brava — avisa.

Enrugo a testa.

— Por quê? — questiono.

— Você não respondeu a mensagem que ela mandou.

Mordo o lábio inferior, tentando esconder um sorriso.

— Ah, isso — é o que digo.

Nicholas abre a boca para falar algo quando o celular dele nos interrompe.

— Vá em frente — articulo, me ajeitando no banco do carro.

Observo Nicholas de soslaio. Ao ouvir a pessoa do outro lado da linha,

noto o músculo do seu maxilar contrair. Ele encerra a ligação ao dizer “Ok”.

— O que aconteceu? — quero saber.

Ele solta um suspiro, de repente, parece cansado e em seguida, cruza o

olhar com o meu.

— Minha mãe... ela morreu, Julian. Minha irmã está sozinha agora. Ela

não tem ninguém.

Assinto.

— Talvez esteja na hora de voltar pra casa, Nicholas.

— Aqui é minha casa — retruca, rápido.

— Eu sei, mas lá também é, Nicholas. E sua irmã... é sua família também.

Não pode deixá-la sozinha.

A semana com a minha mãe passou voando. Nem acredito que já estamos

a caminho do aeroporto. Tento sorrir, não quero parecer triste. Ficar um tempo

em Los Angeles vai ser bom para ela.

E quando a poeira baixar ou eu me formar, o que vier primeiro, nós

decidiremos o que fazer.

— Não se preocupe com nada, senhora Manilyn. Quando chegar em Los

Angeles terá pessoas esperando pela sua chegada — Thomas fala ao se remexer

no banco do carona, fazendo minha mãe entrelaçar os dedos aos meus e apertar

de leve.

Thomas está nos acompanhando hoje, porque Nicholas precisou voltar

para Toronto por causa da morte da mãe. É estranho, eu encontrei minha mãe e

ele perdeu a dele. E eu nem tive tempo de dizer que sinto muito pela sua perda.

— E quando a senhora estiver preparada para assumir a sua identidade de

novo, o advogado de confiança que temos nos Estados Unidos vai entrar com os

papéis do divórcio por procuração.

— Obrigada, Thomas — ela fala.

— Não precisa se apressar. Leve o seu tempo, ok? Estaremos prontos quando a senhora estiver.

— Ok, obrigada, de novo.

Ela me olha e sorri.

— Mãe, me ligue todos os dias, certo?

— Acho que os papéis se inverteram. Parece que agora você é minha mãe

— ela zomba, me roubando uma risada. — Vou ligar todos os dias.

Para minha tristeza, chegamos ao aeroporto mais rápido do que eu

gostaria. Thomas e outro homem ajudam com a bagagem no porta-malas e

colocam em um carrinho. Entrelaço meu braço na minha mãe e vamos fazer o

check-in, que não demora nada.

Desde que minha mãe colocou os pés em Montreal as horas começaram a

passar como num piscar de olhos.

Antes de ir para o portão de embarque, ela segura meu rosto com as duas

mãos e me beija a testa, sorrindo.

— Sobre aquilo que conversamos... — mamãe começa a falar. — Precisa

seguir o seu coração, querida. Não fuja dos seus sentimentos, eles podem te

sufocar alguma hora.

Nego com a cabeça.

Foi uma péssima ideia contar a ela sobre o meu coração partido. Tudo

bem, preciso de um desconto, eu não tive escolha. Minha mãe não sossegaria

enquanto eu não dissesse o que estava me incomodando.

E poxa, ela é minha mãe. Senti falta de conversar com ela e falar sobre

garotos, essas coisas idiotas, mas que me mexem tanto a gente.

— Mundos diferentes, lembra? Eu e ele... nunca vamos dar certo, mãe. O

máximo que pode acontecer é chocarmos um contra o outro, colidirmos. E o

estrago vai ser grande, mãe. Pior do que agora.

Ela alisa meus cabelos com carinho.

— Ah, querida. Você não entende as coisas, né? Mundos diferentes nem

sempre são uma confusão. Às vezes, eles são o contraste um do outro e podem

crescer juntos, em harmonia. Não esqueça disso. Promete?

Mordo o lábio inferior e tento sorrir.

— Você tem certeza? — murmuro.

— Sim, tenho.

— Eu tenho medo, mãe.

— Todo mundo tem, filha. Mas, você precisa decidir se vai deixar o medo

te impedir de viver ou não.

Aproxima o rosto do meu e beija minha bochecha, depois me envolve em

um abraço de urso, que enche meus olhos de lágrimas. Não quero soltá-la, mas

preciso. Quando faço isso, pisco rápido, me impedindo de começar a chorar

igual a um bebê.

— Eu ligo quando chegar, querida.

— Boa viagem, mãe. Eu te amo tanto.

— Também te amo.

Ela morde o lábio inferior ao tentar segurar as próprias lágrimas e se vira,

arrastando o carrinho com as malas na direção do portão de embarque. Observo-

a sumir entre as pessoas e choro.

— Ela vai ficar bem, Jolina — Thomas fala, tentando me reconfortar. Não

sei o motivo de ele estar sendo tão legal comigo. Nós nos vimos duas ou três

vezes e nunca trocamos nenhuma palavra. — Vou levar você pra casa.

— Obrigada.

Em silêncio, caminhamos até o carro estacionado e eu me acomodo no

banco detrás, sozinha. Olho para o lado em que minha mãe estava sentada e

respiro fundo, tentando ser forte.

Thomas atende uma ligação, o que me faz olhá-lo.

— Estou a levando pra casa. Sim, não se preocupe — é o que diz e espera

alguns segundos antes de desligar.

Ele não precisa me dizer quem é, eu já sei. Com certeza é Julian. Confesso

que gostaria que fosse o mandachuva no lugar de Thomas. Acho que estou

precisando de colo. Precisando do colo de Julian.

Merda, sinto tanta falta dele.

Meia hora mais tarde, Thomas estaciona o carro em frente ao prédio em

que moro e eu agradeço a carona antes de descer do veículo. Sorrio ao ver

Sophia sentada nas escadas. Quando ela me nota, corre para me abraçar e eu fico

feliz de tê-la comigo agora.

— Achei que estivesse precisando de colo.

Choro em silêncio e murmuro:

— Obrigada, você é a melhor.

Sophia concorda com um aceno de cabeça.

— Aquele não é Julian? — questiona ao olhar para algo atrás de mim.

Viro-me rápido, mas só vejo a porta do carro bater e depois o veículo sair em

disparada. — Tenho certeza de que era ele.

Meu coração acelera e o que minha mãe falou sobre mundos diferentes

preenche minha cabeça.

— Vamos, garota. Vamos tomar algumas cervejas e ver alguns filmes

melosos — Sophia diz, chamando minha atenção e me puxando para subir as

escadas. — Precisamos nos desidratar um pouco.

Rio entre as lágrimas.

É tão bom tê-la comigo, mesmo que seja para chorar.

— Você precisa. Eu me sinto uma torneira com problema de vazamento.

— Já está fazendo piada? Parece que minha garota está voltando —

comenta de forma reflexiva antes de explodir em uma risada gostosa.

Acho que ao lado de Sophia, eu vou ficar bem.

Minha mãe tem razão.

Mundos diferentes podem viver em harmonia.

Decidida, pego minha bolsa e saio do apartamento. Vou atrás de Julian.

Precisamos conversar sobre o nosso relacionamento. Sobre nós. Eu achei

que conseguiria viver sem o mandachuva, mas a verdade é que cada terminação

nervosa do meu corpo quer ele. Minha alma quer Julian.

É claro que ainda tenho medo, não sei onde o nosso amor vai nos levar.

Somos tão diferentes, mas talvez, sejamos o equilíbrio um do outro. Como a luz

e a escuridão. E pensar nisso, me deixa feliz e me faz acreditar que podemos

ficar bem juntos.

Podemos encontrar uma forma de viver em harmonia.

Assim que coloco os pés na rua, vejo dois homens de preto dentro de um

carro estacionado. Meus seguranças particulares. Atravesso a rua e bato no

vidro e espero o homem descer a janela. Ele fica meio sem jeito perto de mim.

Acho que me vigiar era tipo uma missão secreta.

— Me leve até Julian — embora não seja minha intenção, a voz soa

autoritária.

Ele assente, em silêncio.

Abro a porta traseira e me acomodo no banco de trás. Os homens ficam

imóveis que nem uma estátua de mármore e não dizem nada, apenas dirigem até

o meu destino. Me pergunto o que Julian disse a eles sobre mim ou que ordens o

mandachuva deu aos seus homens.

Protejam a Jolina com suas vidas.

Fiquem de olho na Jolina e me reportem qualquer tropeço que ela der.

Intimidem qualquer homem que chegar perto dela.

Ordenar essas coisas é bem típico dele.

Começo a rir, sozinha.

O homem do banco do carona me olha por cima do ombro, enquanto o

outro me observa através do retrovisor. Fecho a cara numa expressão séria e eles

desviam no mesmo segundo.

Quando os homens estacionam em frente ao prédio de Julian, meu coração

bate alto dentro do peito e eu sinto as borboletas no meu estômago se agitarem,

como se estivessem participando de um concurso de dança ritmada.

Respiro fundo. Tentando acalmar meus batimentos cardíacos, entro no

prédio. Chamo o elevador e espero, antes que as portas de metal se abram, eu

noto que os dois homens estão na minha cola.

— Eu sei o andar dele, vou subir sozinha — aviso, erguendo os ombros de

maneira confiante.

O que eu queria dizer é: não preciso de babá e eu já aprendi a andar

sozinha.

Sorrio para os dois.

Eles recuam um passo e assentem sincronizados.

— Sim, senhorita — um deles fala.

Entro no elevador e aperto o botão do andar de Julian. As portas se fecham

e eu relaxo a postura. Até chegar aonde eu quero, o tempo parece uma

eternidade, o que me deixa mais ansiosa ainda.

Nervosa também.

— Aqui vamos nós, garota — murmuro ao caminhar pelo corredor, na

direção do apartamento de Julian.

Tenho uma surpresa horrível quando vejo a Bella Thorne fechar a porta do

mandachuva. Nossos olhos se encontram e ela abre um sorriso provocante para

mim. Sinto o sangue do meu corpo ferver de raiva.

— Ora, ora, o que temos aqui? — pergunta ao parar na minha frente e

cruzar os braços na altura dos seios exuberantes. — Ficou com saudade dele

também?

— O que está fazendo aqui? — disparo, enciumada, irritada, me segurando

para não voar em cima da mulher.

— Você sabe. — A ruiva lambe o lábio inferior e depois morde. — Julian

é uma boa foda e eu precisava disso. — Pisca para mim. — Vai lá, garota.

Aproveite minhas sobras, mas preciso dizer... — Aproxima o rosto do meu

ouvido e sussurra: — Ele está acabado.

Contraio a mandíbula e respiro devagar. Olho para a ruiva e passo por ela,

esbarrando com força e de propósito no seu corpo esguio. Em frente ao

apartamento de Julian, aperto a campainha várias e várias vezes.

Um homem desconhecido abre a porta e arregala os olhos. Com certeza,

ele deve saber quem eu sou.

— Cadê o Julian? — pergunto, já entrando no apartamento. Estou irada e

soltando fogo pelas ventas.

Na sala, encontro o cretino com mais dois homens. Pela expressão dele,

não esperava me ver aqui e agora. Os lábios dele se esticam em um sorriso, o

que me deixa mais furiosa ainda.

— Precisamos conversar — falo, cruzando os braços na altura dos seios.

— Agora — enfatizo.

Apenas uma olhada de Julian é suficiente para os seus homens entenderem

e saírem do apartamento como em um piscar de olhos.

— Lina... — ele começa a falar ao me ver aproximar, mas nem tem chance

de continuar, porque eu o acerto com a minha bolsa grande. — O que foi isso? — questiona.

Solto um risinho seco.

— Seu cretino! — esbravejo ao mesmo tempo em que desenfreio porradas

nele com a bolsa. — Eu te odeio. Te odeio tanto.

— Lina, eu posso pelo menos saber o porquê estou apanhando?

— Não finja que você não sabe — retruco, e acerto a cabeça dele com a

minha bolsa. O homem fica irritado, mas que se dane, eu estou puta também. —

Você é um cachorro. Um cafajeste.

Tento acertá-lo de novo, mas dessa vez, o homem me impede, tirando a

bolsa de mim e a jogando no sofá. Acho que Julian me deixou bater nele, tudo

bem, ele mereceu as pancadas de qualquer forma.

— Por que está tão agressiva? — quer saber.

— Eu sou tão idiota, Julian — falo, irada. — Foi assim que você me

superou? Comendo a Bella Thorne? Você estava comendo aquela ruiva, não é?

O filho da mãe franze a testa e finge está confuso.

— O quê? Do que está falando?

Bufo.

— Não minta pra mim. Eu acabei de vê-la no corredor. Não adianta

mentir, eu sei a verdade. Você estava com ela.

Ele coça a nuca ao dizer.

— Ah, isso. Eu posso explicar.

Aproximo-me dele e soco o seu peito, mas ele só me deixa fazer isso uma

vez, pois logo me segura pelo pulso e eu tento ignorar a carga de energia que o

toque dele emana para o meu corpo.

— Nunca mais quero ver você na minha vida — murmuro entre os dentes,

sentindo o coração apertar. — Eu te odeio tanto.

Julian me puxa contra o corpo dele e solta meus pulsos só para depois

segurar meu rosto com as duas mãos. Tento desviar dos olhos negros e

profundos, mas o homem ergue meu rosto na direção dos seus olhos.

Meu corpo traiçoeiro reage.

É incrível. Em um momento quero batê-lo até extravasar toda minha fúria

e no outro, gosto de estar assim, bem pertinho dele, sentindo o calor do seu

corpo, o cheiro. Tudo.

— Me escute.

— Não estou a fim — resmungo igual uma adolescente birrenta. — Me

solta, quero ir embora — minto.

É tão bom sentir o calor dele contra mim, que a última coisa que eu quero

fazer é ir embora, mas preciso manter a minha pose de forte e fria.

Graças a Deus, Julian me ignora e não me solta.

— Eu não transei com a Lily.

Prenso os lábios e nego com a cabeça, decidida a não acreditar nas

mentiras dele. Ok, estou gostando de tê-lo tão próximo de mim, mas isso não o

faz ser menos mentiroso. Ele é um canalha gostoso.

Ai, droga.

— Mentiroso — retruco ao encontrar minha voz.

— Eu estava trabalhando. Passei a noite fazendo isso — fala e olha para a

mesinha de centro. Acompanho o olhar e noto que o móvel está uma verdadeira

bagunça de papéis e pastas abertas. — Meus homens podem testemunhar a meu

favor — zomba.

Giro os olhos.

— Eles são pagos pra fazerem o que você quer. Podem mentir também —

rosno.

— Eu não minto, Lina. Nunca menti pra você. — Julian fica reflexivo por

um momento e repuxa o canto da boca, quase sorrindo. — Talvez, uma vez.

Sinto meu coração apertar.

— Quando? Em que momento mentiu pra mim?

— Quando te trouxe pra minha casa depois do acidente com a moto. Eu

disse que você podia ir embora quando quisesse, mas eu menti. Não permitiria

que fosse pra longe de mim.

— Não tente mudar assunto — retruco. — Você estava transando com aquela ruiva ridícula.

— Eu não transei com a Lily — alega.

— O que ela estava fazendo aqui, então? — esbravejo. — Ela disse que

você é uma boa foda e que precisava disso — emendo, me sentindo ridícula.

Tento me soltar das mãos de Julian, mas isso só faz com que ele me aperte

ainda mais contra o próprio corpo.

— Sim, é verdade, ela veio atrás de mim, mas eu a mandei ir embora. Eu

não fiquei com nenhuma outra mulher depois de você, Jolina.

— Não sei se posso acreditar em você — sussurro. — Quero ir embora.

Me deixe ir.

— O que veio fazer aqui? — quer saber. O cretino ainda me mantém preso

nos seus braços. — Me diga — fala baixinho ao colocar uma mexa de cabelo

atrás da minha orelha.

Engulo em seco.

— Eu vim dizer pessoalmente que não quero nenhum tipo de contato com

você — minto.

Julian não acredita, pois tem a silhueta de um sorriso convencido no rosto.

— Hum, entendi. O que mais?

Prendo a respiração por uma fração de segundos ao vê-lo aproximando o

rosto de mim. A boca dele está tão próximo, que me deixa ansiosa e com a

garganta seca.

— Eu vim dizer que... que você é... — não consigo terminar a frase, Julian

está muito próximo e eu não consigo tirar as vistas dos lábios convidativos dele.

— Hum, veio dizer o quê? — segreda e roça o nariz no meu, fazendo

minha respiração ficar ofegante. — Hãh?

Abro a boca para articular alguma mentira esfarrapada, mas não tenho

tempo de dizer nem um “a”, pois logo Julian gruda os lábios nos meus e me

arrebata num beijo molhado.

Parte de mim quer muito resistir, mas o cretino beija tão bem e tem uma

pegada tão firme, que acende todo o meu corpo e me faz até esquecer o porquê eu estava brava com ele.

Aos beijos, ele me guia até a ilha da cozinha e me prende. Os olhos

ardendo em desejo encontram os meus e devagarinho, Julian desliza as mãos

sobre a lateral do meu corpo até encontrar a barra do meu vestido.

Sobe o tecido leve até altura da minha calcinha e confere o que estou

usando.

Quero perguntar o que ele pensa que está fazendo, mas não consigo. Estou

excitada, trêmula demais para conseguir dizer alguma coisa em voz alta. É isso,

ele conseguiu, estou entregue.

— Renda... eu gosto — sussurra ao roçar no nariz no meu pescoço. —

Senti tanta falta de você. Da sua pele, do seu cheiro... não pensei outra coisa.

— Ah — gemo quando o sinto tocar de leve a parte interna da minha coxa,

e devagarzinho, os dedos roçam o meu sexo por cima da calcinha. Droga. Sinto

que estou prestes a derreter na mão dele.

Julian arreda um pouquinho a renda e com delicadeza, ele escorrega com

um dedo para dentro de mim, me roubando um gemido entrecortado.

— Uau. Tão molhada. Está do jeito que eu gosto — sussurra, fazendo

minha respiração acelerar.

Sem pressa, os dedos dele vão me provocando até encontrar o meu clitóris.

Sinto as pernas ficarem bambas, e para conseguir me manter em pé, preciso me

segurar na ilha da cozinha com força.

Fecho os olhos, jogando a cabeça para trás e aproveitando a tortura

deliciosa.

— Sentiu saudade disso? — ele pergunta, a voz rouca e sexy de uma

forma inebriante. — Porque eu senti tanta falta de te tocar. Pensei tanto em você,

Lina.

— Hum, é? — murmuro. — Eu também senti saudade — emendo, arfante.

De repente, a boca dele cobre a minha e nós nos beijamos enquanto ele me

toca de um jeito delicioso. Julian pressiona a ereção contra o meu corpo e eu

sorrio. Esse homem vai acabar comigo.

Me agarro a ele no momento em que segura minha cintura com as duas

mãos e me faz sentar na ilha. Sem deixar meus olhos, as mãos salientes descem

mais um pouco até encontrarem a lateral da minha calcinha, e então, ele passa a

renda pelas minhas coxas devagar, estudando as minhas expressões.

Sem dizer nada, Julian levanta a barra do meu vestido até a cintura e afasta

um pouco as minhas pernas, me fazendo engolir um gemido. Em seguida, se

abaixa, ainda olhando para mim.

E então, aproxima o rosto na parte mais sensível do meu corpo e passa a

língua por todo o sexo, descendo sem pressa, me lambendo toda e depois,

chupando com vontade. Levo as mãos até entre os seus cabelos e abro mais as

pernas, inclinando meu quadril para ele.

— Julian...

— Você tem um gosto tão bom — sussurra contra o meu clitóris e a

vibração da sua voz, faz o meu corpo todo estremecer. — É uma delícia.

Sinto um dedo me penetrar de leve e depois outro. Arfo, extasiada. Julian

me suga e lambe ao mesmo tempo em que seus dedos trabalham em uma dança

perfeita e sincronizada de estar dentro e fora, dentro e fora, dentro e fora...

Puxo os seus cabelos e observo me chupar. Ele faz isso com tanta vontade

e é tão bom vê-lo aqui, me dando prazer. Julian ergue os olhos para mim e me

olha de um jeito sexy. Gemo seu nome e estico os pés, as pernas ao sentir meu

corpo todo começar a tremer.

Jogo a cabeça para trás quando minha pele arrepia e contrações percorrem

por todo o meu corpo de uma maneira única, deliciosa. Me permito e me perco

no prazer, gozando na boca de Julian.

Mesmo depois de me fazer atingir o clímax, ele continua me lambendo,

saboreando o meu gosto.

Meu Deus! Isso é excitante pra caralho.

O homem sai de entre as minhas pernas e abre um sorriso excitante.

— Você é coisa mais deliciosa que eu já provei — fala ao me puxa para a

beirada da ilha. — Meu vício — emenda com um sussurro e beija minha boca. Meu gosto impregnado nele. É tão sexy.

Ele desce a calça moletom que está vestido, depois a cueca boxer,

liberando o pênis grosso. Mordo o lábio inferior, ansiando senti-lo dentro de

mim. Corta a nossa mínima distância e encaixa o corpo no meu.

Julian deixa escapar um gemido rouco quando entra em mim.

Toco seu rosto com as duas mãos e o faço me olhar. Nossos lábios se

encontram e o beijo é delicioso, sedento, ardente, necessitado, que combina com

o ritmo de vaivém, que ele faz para estar dentro e fora de mim.

Ele começa a esfregar o polegar no meu clitóris inchado e sensível, e

engole um gemido meu com outro beijo. A mão livre passeia pela minha cintura

e seio esquerdo, me apertando ao mesmo tempo em que me puxa contra ele.

Agarro os cabelos de Julian, mal conseguindo me conter, enquanto ele

começa a explorar com a língua a pele do meu pescoço.

Pouco a pouco os nossos movimentos vão ficando mais rápidos, intensos e

fortes. É delicioso e instigante. É perfeito. Do jeito que tem ser. E o mais

incrível, parece certo. Nós, o nosso amor, parece certo.

E eu sinto outro orgasmo se aproximar.

— Julian, eu acho... — não consigo terminar a frase, porque ele me

arrebata com um beijo selvagem.

— Goza pra mim, meu amor.

Fecho os olhos e finco as unhas nos seus ombros largos, me agarrando

toda a ele e deixando que sensação maravilhosa tome conta de mim.

Isso é tão bom.

Gemo alto o seu nome e isso faz com que Julian aumente o ritmo de

vaivém, afundando de maneira intensa dentro de mim.

O orgasmo começa a tomar conta de cada parte do meu corpo mais uma

vez e eu chamo por Julian quando chego ao ápice do prazer. Logo depois, ele

chega lá também, soltando um uivo e contraindo o corpo por um segundo.

Sem sair de dentro de mim, ele encosta a testa suada na minha e sorri. Os

olhos negros e cativantes me encontram, e então, o homem me beija, enroscando as nossas línguas e me fazendo suspirar.

— Volta pra mim — ele murmura, fazendo meu coração acelerar. — Acho

que posso ficar louco sem você, Jolina.

— Eu te amo, Julian. Eu te amo tanto.

Ele me beija de novo, mordiscando meu lábio inferior e sugando logo em

seguida.

— Eu amo você — o mafioso diz, me roubando meio sorriso. — Eu

prometo que dessa vez, vou te proteger de tudo. E nada do que aconteceu, vai se

repetir. Pode confiar e voltar pra mim?

— Hum, é difícil pensar em coisas sérias quando você ainda está meio

pelado e dentro de mim, Julian — brinco.

O homem começa a se mexer de novo, dentro e fora, dentro e fora, é como

uma dança, só que muito excitante.

— Assim está melhor? — pergunta, provocativo.

Concordo com um aceno de cabeça, jogando os braços em volta do seu

pescoço e reprimindo um gemido quando sinto o meu corpo queimar em chamas

mais uma vez.

— Precisamos deixar algumas coisas claras.

— O quê? — ele quer saber.

— Não quero ser alguém que você vai sempre proteger. Quero aprender a

me defender sozinha.

— O que isso quer dizer? — questiona ao deslizar as mãos pela minha

cintura e me apertar. — Huh?

Gemo, e é por um triz que não perco o fio da meada.

— Me ensine a usar uma arma — digo, de repente.

Antes de decidir vir atrás dele, andei pensando muito. E se vou ficar com

um mafioso, eu quero saber me defender também. Não nasci para ser o tipo de

garota que sempre é resgatada. Eu posso me resgatar sozinha. E quem sabe,

resgatar Julian também se precisar...

Mas de verdade, eu espero que não precise.

Ao se dar conta das minhas palavras, Julian faz uma cara feia e até parece

que falei o pior xingamento do mundo. O homem sai de dentro de mim e eu até

choramingo. Estava tão gostoso.

Ele passa as mãos entre os cabelos e balança a cabeça de um lado para o

outro, negando.

— É perigoso.

— Eu fui sequestrada. O que pode ser mais perigoso que isso? — retruco

ao erguer uma sobrancelha. — Vai me ensinar ou não?

— Lina... — começa a falar, mas eu o interrompo.

— Eu amo você, Julian, e sim, quero ficar com você. Mas não posso fazer

isso vendada. Preciso saber me defender. — Respiro fundo. — Pensei em fazer

aulas de artes maciais também.

Ele ergue uma sobrancelha, cético.

— Não está falando sério.

Anuo.

— Sim, eu estou. — Abro um sorriso largo. — E se você não concordar

com as minhas condições, nunca mais vai brincar aqui. — Aponto para minha

vagina e tento segurar o riso.

A expressão de Julian fica carrancuda, o que faz ser impossível segurar a

risada. Ele se aproxima de mim de novo e me agarra pela cintura, me olhando

com intensidade.

— São ameaças relevantes, Jolina Magdayao.

— Pois é. Não brinco em serviço.

Ele não aguenta e transforma os lábios em um meio sorriso sexy e que me

derrete por inteira.

— Ok, estou disposto a te ensinar a se defender. Não posso viver sem

colocar a boca ou o meu pau aí. — Aponta com o queixo na direção das minhas

partes íntimas.

— Que bom que chegamos a um acordo.

Julian assente.

— Agora... — Com as pontas dos dedos, ele desenha círculos invisíveis

em uma das minhas coxas expostas. — Vamos tomar banho?

Suspiro.

— Parece uma ótima ideia.

Entrelaço as pernas na sua cintura e ele me levanta da ilha, caminhando

até o quarto enquanto cobre a minha boca com a sua.

Não faço a mínima ideia de como as coisas serão daqui para frente, mas

eu amo esse homem perigoso, sombrio e lindo. Nunca pensei que me

apaixonaria por um cara que é errado de tantas maneiras, mas é isso.

Estou tão apaixonada, que acho que não consigo viver sem isso.

Sem ele.

Minha perdição.

Enquanto observo Jolina sair do museu e sorrir para mim, a primeira coisa

que me vem à cabeça é que ela é minha salvação.

Ela desperta o meu melhor e o pior com a mesma intensidade. Quando eu

disse pela primeira vez que sacrificaria o mundo para salvá-la, não tinha nem

ideia de que os meus sentimentos tomariam tal proporção.

Agora, ela é a melhor coisa da minha vida e a mais importante.

E como estou longe de ser um herói, sacrificar o mundo para salvá-la ou

mantê-la segura parece a coisa certa a se fazer. Pelo menos para mim. E bem, eu

gosto de pensar que estou sempre certo.

— Eu pensei que... — Aproxima o rosto do meu ouvido para sussurrar: —

Mafiosos... — Se afasta de mim e joga os braços em volta do meu pescoço. —

Fossem ocupadíssimos, mas parece que você tem muito tempo livre.

Contorno a sua cintura com as minhas mãos e a puxo contra meu corpo.

— Eu sou o segundo em comando, tenho tempo livre. E mesmo assim,

sempre terei tempo para minha garota.

Prendo uma mexa de cabelo atrás de uma das orelhas pequenas de Lina e

ela me presenteia com um sorriso. Vê-la feliz se tornou um dos meus propósitos de vida, quase uma missão também.

— Sua garota — sussurra. — Eu gosto como isso soa. — Encosta os

lábios bem desenhados nos meus e me beija, enfiando a língua na minha boca e

enroscando de leve. Antes que possa ficar animado demais, Lina se afasta. —

Vamos?

Suspiro, mas assinto.

Desencosto do carro e abro a porta do carona para Lina, que me dá um

selinho antes de se acomodar no banco e colocar o cinto. Dou a volta no veículo

e sento no lugar do motorista, pisando no acelerador logo em seguida.

— Tenho uma surpresa pra você. Algumas, na verdade.

Ela arregala os olhos, animada.

— O que é?

— Se eu disser, não será mais surpresa.

Lina enruga o nariz e faz beicinho, que eu desmancho com um beijo

quando paro com o carro no sinal vermelho. Os lábios dela voltam a esticar e se

transformar num sorriso meigo.

— Tem uma surpresa mesmo ou é só um pretexto pra me fazer dormir na

sua casa? — questiona.

Dou de ombros.

— Um pouco dos dois? — arrisco.

Ela gargalha.

— Você não tem jeito, Julian Lorenzo Carbone. É a minha perdição —

murmura, e é difícil esconder o sorriso. Eu adoro quando ela fala Lorenzo. Soa

de um jeito diferente e sexy.

Chegamos ao meu apartamento quase vinte minutos depois. E antes de

abrir a porta, digo para Lina fechar os olhos. Ela resmunga, mas faz o que eu

peço. Parece ansiosa com a surpresa.

Ao entrarmos, somos recebidos por uma bola de pelo de quatro patas. Ele

abana o rabinho e parece ansioso também para conhecer a nova dona.

— Abra — encorajo quando paramos no meio da sala. — Surpresa — digo quando Lina vê o filhote de akita serelepe aos seus pés.

— Ai. Meu. Deus. Um cachorro — murmura ao se inclinar um pouco para

pegá-lo no colo. É amor à primeira vista. Para os dois. — Tão fofo.

Sorrio.

— Gostou?

Ela vira o corpo para mim e se inclina um pouco para me dá um selinho

demorado.

— Eu amei, Julian.

Não estava nos meus planos adotar um cachorro, mas quando eu o vi, eu

só consegui pensar em Jolina e aquela noite em que nos conhecemos. Foi por

causa de um cachorro que ela entrou na minha vida.

— Isso me faz lembrar como nos conhecemos — fala, como se tivesse

lido meus pensamentos. — Cachorro é o símbolo do nosso relacionamento? —

questiona e depois rir. — Agora tenho dois cachorros.

Franzo a testa, intrigado.

— Dois?

— Sim, você é o meu cachorrão — zomba.

Ergo uma sobrancelha e ela cai na gargalhada. Adora vê-la rindo, mesmo

quando está tirando sarro com a minha cara. Essa mulher acaba comigo.

— Tô brincando.

— Você adora tirar onda comigo, Jolina.

Ela dá de ombros e coloca o filhote no chão.

— Eu adoro as caras que você faz. São intrigantes e me dão vontade de

contrariá-lo sempre.

Estico o canto da boca em um sorriso.

— Tenho outra surpresa.

— Estou ganhando tantos presentes e hoje nem é o meu aniversário —

comenta, e sem que eu tenha pedido, ela fecha os olhos e estende as mãos

espalmadas. — Vamos, me deixe feliz de novo — sussurra.

Inclino-me sobre a mesinha de centro e pego o envelope marrom, em seguida, coloco em cima das suas mãos.

Animada, ela abre as pestanas e sem cerimônia, tira o que tem dentro do

envelope. Morde o lábio inferior e tenta segurar as lágrimas ao encarar as

passagens de avião com destino para Los Angeles.

— Obrigada. Eu te amo tanto, Julian — sussurra.

Corta a nossa distância com dois passos e me abraça. Aperto-a contra meu

corpo, cheirando os seus cabelos. Afasto-a um pouco, tomo seu rosto com as

duas mãos e limpo com os polegares as lágrimas que fazem caminho até a boca.

— Está feliz?

— Uhum — diz ao assentir. — Você pode vir comigo? — pergunta, me

olhando com intensidade. — Talvez, esteja na hora de eu apresentá-lo à minha

mãe como meu namorado.

Trago o seu rosto para perto e mordisco o lábio inferior antes de envolvê-

la em um beijo. Deito-a no sofá, roubando uma risada dela. Faço carinho no seu

rosto com as pontas dos dedos.

— Casa comigo? — pergunto quando a vontade vem, me invadindo como

um tufão.

Também não estava nos meus planos pedi-la em casamento, assim, do

nada, sem mais e nem menos. Mas a verdade é que não consigo imaginar outra

mulher na minha vida. E eu a amo tanto. Imaginar que ela será minha desse jeito,

me deixa animado e feliz.

E é isso que eu quero.

Jolina sendo minha esposa.

Sendo minha de todas as mineiras possíveis.

— Casar? — retruca.

— Muito cedo?

Ela entrelaça os dedos entre os meus cabelos e passa a língua de leve no

lábio inferior.

— Não é isso.

— Então? — quero saber.

— Preciso me formar primeiro. Não vou casar antes de ter meu diploma.

Isso nunca esteve em cogitação.

Assinto, meio contrariado.

— Eu não gosto de esperar, mas posso fazer um esforço.

Lina ri.

— Ah, certo, certo. — Brinca com os dedos entre os meus cabelos,

assanhando tudo. — Tem mais algumas coisas.

— Huh?

Morde o lábio inferior antes de começar a falar.

— Eu preciso de diploma, porque quero continuar trabalhando na minha

área. Você entende isso, não é? Que eu vou continuar trabalhando?

Suspiro.

— Sim. Qual é o problema?

Lina me empurra para sentar no sofá e em seguida, faz o mesmo. Sem

pedir permissão, o cachorro se acomoda entre nós, olhando para minha garota.

Meu Deus, ele está caidinho por ela.

Não posso culpá-lo por isso.

— Eu respeito muito a sua mãe e avó, mas eu não me vejo sendo apenas

uma esposa. Não sei se a família Carbone está preparada para alguém como eu,

Julian — alega, respirando fundo e com os cantos da boca torcidos.

Ela está preocupada.

— Eu estou. — Levo uma das mãos até o seu rosto. — Estou preparado

para uma esposa como você.

Minha garota abre um sorriso largo.

— De verdade? — murmura.

— Sim. Então, casa comigo?

Jolina assente com os lábios colados.

— Sim, eu caso com você...

Ouvi-la dizer sim para mim, me faz sorrir.

— Depois de conseguir o meu diploma, é claro — emenda rápido, e eu rio.

— Ok.

Nunca imaginei que pediria alguém como Jolina em casamento. Uma

mulher insolente, que me retruca, não é nada obediente, é independente e ainda

gosta de tirar sarro com a minha cara.

No entanto, olhando-a agora, no meu sofá, em meus braços, sorrindo para

mim... me fazer ter a certeza de que ela é a mulher certa.

Minha ruína.

Minha salvação.

A seguir reservei dois bônus especais para você. O bônus 1 é do próximo

livro da Série “Família Carbone” e que tem previsão para lançar nos próximos

meses. E o bônus 2 são os primeiros capítulos de Impostora, o meu penúltimo

romance lançado na amazon.

Boa leitura.

Nicholas Farley

 

Cheguei em Toronto exausto, mas não podia faltar ao enterro da minha

própria mãe. Passo os olhos pela mobília de requinte e suspiro. A casa está

perfeita, como antes de eu ir embora, mas nada parece igual.

Deixo minhas malas de qualquer jeito no pé da escada e peço ao motorista

para me levar até o cemitério que minha mãe vai ser enterrada.

Por causa do trânsito, tudo demora e a única coisa que penso é que não

posso decepcionar Lawanda de novo ou deixá-la passar por isso sozinha. Eu sei

que estava meio hesitante em vim para cá, mas Julian tem razão, minha irmã

precisa de mim.

E ela também é minha família.

Chegamos depois de quase vinte minutos e noto em frente ao cemitério,

repórteres de plantão que aguardam com as câmeras, microfones, gravadores

prontos para atacar. E é o que fazem assim que os olhos curiosos me captam.

— Sr. Farley, por favor, você vai assumir as Corporações Farley?

— Sr. Nicholas Farley, você voltou pela morte da sua mãe ou apenas por

interesse nos negócios da família?

— Os boatos que será o novo CEO das Corporações Farley é verídico?

Perguntas me bombardeiam e antes que possa explodir de forma agressiva,

Mattéo o motorista da família Farley que me trouxe até aqui, empurra os

repórteres e me guia até dentro do cemitério.

— Obrigado — agradeço sem jeito quando já estou longe dos flashs e

perguntas.

Se não fosse por ele, eu teria feito merda e minha cara estamparia jornais e

revistas por ter agredido algum imbecil e não por estar de volta à cidade em que

eu nasci.

— Não por isso, senhor. É o meu trabalho — é o que ele diz.

Em meio aquelas tantas pessoas, avisto Lawanda chorando nos braços de

Schavier, nosso tio, irmão do meu pai. Ela parece bem menor do que realmente

é, indefensa e sozinha, mesmo nos braços de um parente tão próximo.

— Nicholas? — ela grita, surpresa.

Corre até mim e me encara com seus olhos rodeados de olheiras

vermelhas, e sem aviso prévio, começa a desenfrear socos no meu peito. Não

esperava uma reação diferente.

Quando fugi de Toronto, minha mãe passou anos me procurando e ao me

encontrar, se decepcionou, porque eu não quis voltar.

Minha irmã me ligou tantas e tantas vezes, querendo me fazer mudar de

ideia, mas eu já estava estabilizando com a família Carbone e não queria voltar

aqui e lembrar que meu pai morreu.

Eu fui fraco e deixei minha irmã e mãe sozinhas.

— Seu imbecil. O que está fazendo aqui? — dispara, alterada.

— Sinto muito, Lawa.

— Não se chame assim — crispa ao acertar com força um tapa no meu

rosto. — Perdeu esse direito quando não quis voltar.

Respiro fundo, contraindo o maxilar, mas assinto. Ela tem razão.

— Mesmo que não vá fazer diferença pra você, eu estou aqui. Por você —

digo, num tom baixo e com a garganta seca.

Ela chora.

E mesmo sabendo que ela me odeia no momento, corto a nossa distância

com um passo e a puxo para os meus braços. Minha irmã resiste no começo e

tenta se soltar de mim, mas acaba cedendo e chorando nos meus braços.

— Eu te odeio — murmura.

— Eu sei, sinto muito.

Aperto minha irmã contra o peito e beijo o topo da sua cabeça, olhando

para o caixão preto, o qual minha mãe descansa, pronta para ser enterrada.

Schavier se aproxima de nós, pousa uma das mãos no meu ombro e

pressiona com um pouco de força. Acho que está tentando passar algum tipo de

apoio, mas não surte efeito em mim.

Ele é o parente de sangue mais próximo que Lawanda e eu temos agora,

mas nunca consegui gostar dele de verdade.

E eu nunca senti ligação com ele.

Ele e nada, é quase a mesma coisa para mim.

— Por que veio, Nick? Por que está aqui? — minha irmã murmura nos

meus braços, me fazendo engolir em seco.

— Não podia deixar você sozinha. Me desculpe.

Ela é apenas uma garota de dezenove anos e tenho que ser o seu alicerce.

No momento, eu sou tudo o que ela tem. Mesmo que eu tenha feito muita merda

nessa vida, preciso cuidar da minha irmã agora.

Lawanda é minha responsabilidade.

— Vou cuidar dela — Schavier diz e eu viro meu rosto para olhá-lo nos

olhos. Ele não parece surpreso por eu estar aqui, é como se já me esperasse. —

Não se preocupe.

Contraio a mandíbula. Eu não preciso que ele cuide da minha irmã. Passei

oito anos da minha vida me cuidando bem e sozinho. Meu tio não sabe, mas

aquele garoto que foi embora de Toronto depois da morte do pai, morreu.

E se tem uma coisa que sou capaz nessa vida, é de cuidar minha irmã.

Mais do que ele imagina.

Madeline

 

Antes de abrir a porta da caminhonete, respiro fundo e peço em silêncio

forças para enfrentar a maior loucura da minha vida. Seguro minha mala com

veemência, como se minha vida dependesse disso.

Talvez, dependa mesmo.

Encaro a mansão à minha frente. O lugar tem três andares, as paredes são

de um branco impecável com detalhes pretos, janelas e portas de vidro fumê, há

pés de coqueiros no pátio, gramado com uma refinada fonte de água com pedras

transparentes, que mais parecem cristais.

Casas assim... eu só vi em fotos da internet.

Caminho devagar, minha respiração compassada e meu rosto deve estar

mais vermelho que um tomate. Sinto dificuldade ao subir as escadas da varanda

como se minhas pernas pesassem quase uma tonelada.

Não precisei apertar a campainha, pois antes mesmo de chegar perto da

porta, me recepciona uma loira alta, com pele bronzeada e seios grandes. Ela usa

vestido praiano sexy com estampa de folhas secas e saltos altos.

— Como posso ajudá-la?

A garota tem sotaque carregado e não faz esforço nenhum em esconder a

arrogância. Analisa-me de baixo para cima, acabo ficando incomodada. Não

estou acostumada a receber esse tipo de atenção.

— Essa é a casa dos Humphrey’s? — pergunto, sentindo meu coração disparar tão rápido, que chega quase a doer.

— Talvez — responde presunçosa. — Quem é você? — questiona de uma

maneira que parece estar me xingando

— Sou Madeline Cuthbert.

Seu rosto perde a cor ao ouvir meu nome, e pela primeira vez desde que

peguei o carro à uma da madrugada, me pergunto o que estou fazendo. Onde eu

estava com a cabeça? Dirigi durante quase oito horas até Miramar Beach para

fazer algo que eu jamais imaginei que seria capaz.

— Eu sinto muito.

Estou prestes a dar um passo para trás e desistir de toda essa loucura,

quando ela segura meu braço com mais força do que o necessário.

— Tem uma pessoa que vai gostar de saber que você está aqui — fala com

frieza, fazendo minha espinha arrepiar. Solta-me e se afasta para adentrar a casa.

Não diz se devo ou não a seguir, mas eu resolvo arriscar.

A decoração é de tirar o fôlego. O chão é de granito branco e foi

minuciosamente polido, os sofás são de cor creme com almofadas pretas, tem

uma enorme mesa de centro feita de vidro e colunas de mármores com detalhes

metálicos espalhadas pela casa.

Do meu lado direito, há uma parede de vidro que vai do chão ao teto com

vista para a beira-mar. É magnífico. Quem mora aqui pode sentar no sofá e

observar as ondas do mar quebrando.

Também há um piano de cor preta reluzente perto da parede, quem quer

que seja que toque piano na família, pode ter como inspiração o oceano límpido.

Sinto inveja. Tive que vender meu piano, porque precisava de dinheiro para...

Balanço a cabeça, espantando os pensamentos. Valeu a pena. Faria tudo do

mesmo jeito.

— Só um minuto. Já volto — é o que diz antes de sumir das minhas vistas.

Sinto-me pequenina em comparação ao tamanho e luxo da mansão. Não

tenho nada a ver com este lugar. A blusa de banda de rock, short surrado e

sapatilhas parecem horrendos. Sempre gostei do meu estilo, mas hoje, estou odiando.

Pareço quase um ET aqui.

Meio tímida, coloco a mala ao lado dos meus pés e embora tenha vontade

de sentar, não faço isso. Cruzo os braços na altura do peito e respiro fundo, a fim

de acalmar meu coração incontrolável.

Minutos depois, uma mulher de mais ou menos uns setenta anos, com

cabelos loiros platinados, olhos castanhos claros e lábios vermelhos entra na

sala. Ela me olha com admiração, como se não acreditasse que estou aqui.

Bem, nem eu acredito que estou aqui.

— Madeline — diz com suavidade ao se aproximar. Toca meu rosto com

delicadeza e faz meu coração sossegar.

— Vovó? — arrisco, mas já tenho certeza de quem ela é.

Os olhos de Elisha se enchem de lágrimas, no entanto, nenhuma ousa cair.

— Minha querida. — Abraça-me forte e eu choro em silêncio ao me

afundar nos seus braços. — Estou tão feliz que esteja aqui. Pensei que Meera

estivesse blefando quando me ligou avisando que você estava a caminho.

— Sinto muito por ter aparecido assim.

— Desde que seu pai morreu, eu pensei que nunca mais fosse ver você —

sussurra ao meu ouvido.

— Mamãe já me escondeu por tempo demais.

Aperto Elisha contra o corpo e tento não me sentir culpada por mentir. Ela

se afasta de mim, apenas para pousar as mãos nos meus ombros e comtemplar

meu rosto. Sorri de forma serena e acaba me roubando um sorriso também.

Uma mulher alta e com expressão antipática entra na sala. É loira também

e seus cabelos caem até a altura dos ombros. Está acompanhada da garota que

me recebeu. As duas não parecem muito felizes com a minha presença, mas

tento não me abalar com isso.

— Madeline! — ela diz com falsa alegria. — Que bom revê-la ou seria

prazer em conhecê-la? A última vez que nos vimos, você era uma garotinha de

dois anos. — Abre um sorriso estranho e depois se aproxima para me abraçar. — Afinal, por que voltou? — indaga, fazendo meu rosto ruborizar.

— Não seja tão grossa, Naomi — Elisha intervém, e em seguida, lança um

olhar para mim. — Madeline não precisa de motivos para vir até aqui. —

Envolve um braço em mim e ainda sorrindo, pergunta se eu estou com fome.

— Sim.

— Alice? — ela chama, e a garota de vestido praiano e salto alto caminha

na nossa direção.

— Sim, vovó?

— Peça para Rodolfo pegar a mala de Madeline e levar a um dos quartos

no terceiro andar.

— Tudo bem — responde sem emoção.

Elisha me conduz até a cozinha, a qual eu só vi, assim como todo o resto,

apenas na internet. As paredes são de tijolos brancos, os móveis são limpos e

modernos. Tem uma grande porta de vidro com vista para uma piscina com

borda infinita, algumas espreguiçadeiras e o mar.

Meio acanhada, me sento na banqueta de frente para a ilha da cozinha.

Tenho receio de fazer qualquer movimento brusco e ser considerada mal-

educada. A verdade é que aqui, eu sou um peixe fora d’água. Nunca estive em

um lugar como este e por mais que tudo me deslumbre, não consigo me sentir à

vontade.

A própria Elisha começa a preparar um sanduíche para mim, o que me

surpreende, mas me faz gostar dela. E além de tudo, mostra que por mais que

tenha muito dinheiro, não é um monstro que Meera havia me dito.

— Você está se tornando uma mulher muito bonita, Madeline. Tem os

olhos do seu pai. Azuis como o oceano.

Meu coração dói ao ouvir as palavras e a única coisa que consigo fazer é

agradecer.

— Não sei o que sua mãe disse sobre os Humphrey’s durante esses

dezenove anos, mas estou feliz que esteja aqui. Eu senti muita falta de você.

Abro um sorriso fraco para ela.

— Por que nunca foi atrás de nós? — eu quero saber, embora não seja da

minha conta.

— Porque não tinha esse direito. Meera é sua mãe e embora o desejo dela

tenha me magoado, eu respeitei — comenta de forma melancólica, parecendo

arrependida por não ter feito nada durante todos esses anos.

— Obrigada — agradeço ao pegar o sanduíche e a observo colocar suco

em um copo para mim. — Acho que ela só tinha medo que esse luxo todo me

estragasse. Acredito que parte dela tem razão. Pelo que ela me contou, papai era

diferente dos irmãos. — Mordo meu lábio inferior assim que fecho a boca. Não

deveria estar levando a conversa para esse rumo.

— Sim, seu pai era diferente. Mas não acho que ter uma vida boa

estragaria você. Que mal teria em ter tudo?

— E ela? Sei que eu teria tudo, mas ela também teria? — pergunto antes

que meu cérebro processe as palavras.

Ela descansa a mão em cima da minha e me encara com carinho,

provavelmente na tentativa de suavizar o clima tenso que surgiu entre nós.

— Eu estou muito feliz que esteja aqui. Por favor, não vamos estragar esse

momento.

Sorri para mim, esperando que eu entenda.

— Me desculpe, você tem razão.

Assinto e tomo um gole de suco.

Uma mulher corpulenta, usando uniforme com avental amarrado na cintura

entra na cozinha sem fazer barulho. Antes de se dirigir a Elisha, lança um sorriso

educado para mim.

— Sra. Humphrey, tem uma ligação, é sua secretária — diz de forma tão

sutil, que parece pecado falar um tom mais alto.

— Obrigada, Mary — agradece a senhora e depois volta a atenção para

mim. — Volto daqui a pouco. Fique à vontade. A casa é sua também.

— Ah, obrigada.

As duas somem das minhas vistas e me deixam sozinha na cozinha intimidadora.

 

****

Tony

 

Acordo com o celular tocando pela milésima vez. Estico a mão sobre a

cama até alcançar o aparelho em cima da cômoda e com o mau humor renovado,

atendo a ligação de olhos fechados.

— Antony Humphrey, você pode me dizer o que se passa na sua cabeça?

Bocejo.

— Eu não sei, várias coisas. Agora, que estou muito chateado de você ter

interrompido meu sono. Por que está me ligando de madrugada?

Ouço-a suspirar do outro lado da linha, e pelo que a conheço, deve estar

contanto até dez mentalmente.

— São quase nove da manhã. E por que diabos recusou o papel? Eu passei

por idiota por causa de você — resmunga alto e afasto o aparelho celular do

ouvido, já arrependido de ter atendido a ligação de Rosie.

— Eu disse que pensaria e depois daria uma resposta. E a reposta é não.

Não quero participar desse filme. Você leu o roteiro? Eu teria que ficar pelado

em uma meia dúzia de cenas. — Sento na cama e massageio as têmporas com a

mão livre. — Seria uma decepção pra minha avó.

— Como se já não tivesse mostrado essa bunda antes.

Respiro fundo e reviro os olhos com a audácia dela.

— Eu estava em uma praia de nudismo. São coisas diferentes — digo a

meu favor e ela faz um estalo com a boca do outro lado da linha.

— Quando você volta?

— É a primeira vez que venho passar as férias com a família em três anos

depois da... você sabe quem. Eu volto quando estiver cansado daqui. E mesmo assim, tem o casamento da minha irmã. Não tem a mínima possibilidade de eu

voltar antes disso.

— Tudo bem, então curte aí as suas férias. Vou esperar por dois meses,

depois conversamos de novo sobre você voltar.

— Eu disse que voltarei quando cansar, não que vou cansar em dois meses.

— Pra mim é quase a mesma coisa. — Ri de leve. — De qualquer forma,

aproveite bem, mas não exagere. Não esqueça que sempre existe alguém com

uma câmera apontada para você.

— Ah, tá bom, tá bom.

Encerro a ligação antes que ela invente de me listar o que eu devo ou não

fazer.

Levanto da cama e me espreguiço devagar. Meus olhos encaram o oceano

azul à minha frente e eu consigo relaxar. A vista nunca fica velha. Estou prestes

a sair do quarto para buscar uma xícara de café, quando vejo o robe preto

dobrado em cima do sofá.

— Ah, Mary! Sempre se preocupando que eu não vá mostrar coisas

demais. Tão fofa.

Rindo, o pego e visto, sem amarrá-lo na cintura.

Rastejo meus pés até a cozinha e me surpreendo ao encontrar uma garota

pequena de cabelos longos e pretos. Ela está comendo e parece meio sem lugar.

Eu diria até inquieta e assustada também.

Pigarreio.

Ela se vira para mim e engasga no mesmo instante em que os olhos

encontram meu abdômen exposto. A coisa é séria, pois as bochechas brancas

começam a ficar muito vermelhas e ela fecha os olhos como se estivesse

sentindo dor. A garota bate no peito com força e continua a agonizar. Aproximo-

me dela e dou algumas batidas nas suas costas.

Ela cospe o pedaço de pão em cima do balcão e volta ao normal. Olha-me

de soslaio e encolhe os ombros envergonhada.

— Obrigada. Achei que fosse morrer.

— Estava quase te agarrando por trás. Seria o último recurso, é claro. Não

gosto de agarrar mulheres sem permissão.

As bochechas dela que antes tinham voltado ao normal, tornam a ficar

vermelhas que nem um tomate. Aos poucos, ela arregala os intensos olhos azuis

para mim e abre a boca para dizer algo, mas desiste no meio do caminho.

— Quem é você? — eu quero saber.

— Ah, eu? — Respira fundo e morde o lábio inferior. Embora não tenha

planejado ficar encarando a boca da garota, é isso que eu faço. Os lábios são

carnudos e convidativos. Ela é linda e parece tão inocente. Tem cara de

problema. — Ah, eu... humm. Eu sou Madeline Cuthbert. — Estufa o peito e

estende a mão para mim.

— Sério?

Pego a mão e aperto com firmeza.

— Tenho cara de quem está brincando? — responde, surpreendendo-me.

— E você quem é? — Afasta-se de mim e as vistas caem sobre meu abdômen,

mas ela tenta se recompor.

— O homem mais lindo da família.

Ela exprime um sorrisinho e revira os olhos.

— Estou falando sério — retruca e fica me analisando por alguns

segundos. — Você não me é estranho.

— Essa cantada é velha, não vai colar comigo.

Madeline contrai a mandíbula.

— Não estou cantando você. Pro seu governo, você nem faz o meu tipo.

Madeline sorri de lado.

— Você tem certeza? — pergunto e automaticamente os olhos oceânicos

se direcionam ao meu corpo. — Não fale besteira, Madeline. Eu sou o tipo de

toda mulher.

— Convencido — retruca. — Pois prazer, eu sou a mulher que não se

interessa por homens como você.

Sorrio para ela.

— Interessante, Madeline. Interessante.

Pisco para ela que fica sem jeito e desvia os olhos de mim. Cruza os braços

na altura do peito e senta-se à banqueta de novo. Depois começa a limpar a

bagunça que fez, mas a impeço, a segurando pelo braço. Cruza o olhar comigo e

ficamos assim por quase uma eternidade.

— Não precisa fazer isso.

Madeline se solta de mim como se tivesse levado um choque.

— Pensei que não agarrasse mulheres sem permissão.

— Ah, verdade. Erro meu — falo e seguro o riso. Essa garota é divertida.

— Você não faz a mínima ideia de quem eu sou?

— Ao que parece... um riquinho babaca.

— Acertou em cheio — é Jordan quem fala, fazendo-me ter ânsia de

vômito.

Oi!

Espero que você tenha gostado de O Homem da Máfia, Jolina e Julian são

aquele típico de casal super temperamental, sexy e intenso, mas que conquistam

a gente com sua paixão avassaladora.

Em breve vou lançar o próximo livro da série “Família Carbone”, mas

ainda não posso falar muito, mas estou trabalho bastante para que você se

apaixone pelo meu próximo casal.

Se você ainda não leu outras histórias minhas, dá uma passadinha na

minha página da Amazon ou no Insta. E se quiser acompanhar mais sobre os

meus lançamentos e tudo que rola nos bastidores da minha escrita, venha

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Beijossssss!!!