O Homem da Máfia (Família Carbone Livro 1)
Capítulo 3
Entro na mansão onde cresci e guardo as melhores lembranças da infância.
Nada mudou, a decoração ultrassofisticada com acabamentos opulentos são as
mesmas desde que sou criança.
Caminho até o piano aberto no imenso hall de entrada e passo os dedos de
leve sobre os teclados, buscando na memória a última vez que toquei o
instrumento.
— Você costumava tocar tanto, [3] bambino — vovó fala ao descer as
escadas. Em passos lentos, ela se aproxima de mim. Abaixo-me um pouco para
que ela segure meu rosto e deposite um beijo na bochecha esquerda, depois na
direita.
— Não sou mais uma criança, [4] nonna — digo, e é minha vez de segurar
seu rosto enrugado e sem maquiagem entre as duas mãos. Ela está tão velhinha,
os cabelos brancos são macios como algodão e tem um cheiro tão bom. Tem
cheiro de lar.
É claro que ela me ignora e se entrelaça no meu braço, me conduzindo até
a estufa nos fundos da casa. Chegando lá, dou de cara com a mamãe cuidando
das hortaliças. Faz um frio de menos dez graus e a mulher está usando apenas calças jeans, cardigã, chapéu extravagante e luvas.