O Homem da Máfia (Família Carbone Livro 1)
Capítulo 20
Depois de intermináveis horas, ok, talvez não tenham sido tantas horas
assim, Nicholas chega com a minha mãe. Quando meus olhos encontram os dela
do outro lado da porta, eu já estou em prantos.
— [20] Aking mahal— ela diz ao envolver os braços no meu pescoço. — Me
desculpe por ter demorado tanto. Me desculpe, querida.
— [21] Nanay — choramingo contra os seus cabelos. — Eu senti tanta sua
falta — emendo.
Ela se afasta um pouco e segura meu rosto entre as mãos, sorrindo entre as
próprias lágrimas.
Nicholas pigarreia, interrompendo o nosso momento. Minha mãe dá um
passo para trás e o homem entra com as duas malas grandes e as acomoda perto
do sofá. Peço um segundo a minha mãe e o acompanho até fora do apartamento.
— Muito obrigada. Sério.
Sem pensar muito, jogo meus braços em Nicholas e o abraço. No começo
ele fica sem jeito, mas acaba me abraçando de volta. Quando recuo, noto que ele
tem um sutil sorriso nos lábios.
— Não era pra eu estar recebendo os abraços — comenta, sugestivo.
— Eu mandei mensagem agradecendo, mas ele não me respondeu. Deve
estar ocupado demais com a ruiva — resmungo, e o sorriso de Nicholas
aumenta, como se ele soubesse de algo que eu não sei. — O que foi?
— Nada. — Passa a mão no topo da minha cabeça e eu reclamo, porque
me faz parecer uma criança. — Aproveite os dias com sua mãe. Essa semana é
de vocês, mas ela vai precisar ir pra Los Angeles.
— Eu sei, mas uma semana parece pouco — admito.
— Você pode visitá-la em Los Angeles, Lina.
Sorrio e assinto.
— Certo, obrigada. Tchau. — Faço um gesto com a mão e entro no
apartamento de novo. Minha mãe está voltando do meu quarto. Acho que já
inspecionou o lugar inteiro. — Gostou?
— É tão pequeno. É aqui que você tem morado?
Se ela soubesse que o apartamento é muito melhor que o dormitório em
que vive por um ano. Esse lugar pequeno se tornou o meu lar e para mim, é
muito confortável. Na verdade, nas noites em que me senti sozinha, parecia
grande demais para apenas uma pessoa.
— Sim. Eu amo aqui, mãe.
Ela concorda e vem até mim, estendendo as mãos, que seguro no ar e nós
duas sentamos no sofá. Mamãe abre um sorriso triste enquanto observa o meu
rosto e sem dizer nada, me puxa para um abraço apertado.
— Eu te amo tanto, mãe.
— Me desculpe — sussurra. — Eu falhei tanto com você, Jolina. Seu pai...
eu não devia ter o deixado me afastar tanto de você. Me perdoei por isso, por
favor. Prometo ser uma mãe melhor a partir de hoje.
— Tudo bem, mãe, é passado — retruco.
— Sim, mas... — Arreda um pouco e toma meu rosto com uma das mãos.
— O passado também tem a capacidade de fazer doer. E eu não quero o passado
doa em você.
— Mãe...
— Me perdoa, Jolina. Nunca mais vou deixar o seu pai ou algum um
homem me afastar de você. Eu prometo. — Pega minhas mãos e beija, me
fazendo sorrir. Me jogo em cima dela, derrubando-a em cima do sofá e ela solta
uma risada gostosa de se ouvir. — Ainda continua uma moleca — diz, alisando
meus cabelos.
— Seremos felizes agora, mãe.
— Eu sei, meu bem. Seremos sim — murmura e eu começo a chorar.
Estou feliz, emocionada e de coração partido. Que combinação perfeita. — O
que foi? São lágrimas de felicidade? — quer saber.
Sento no sofá e rio ao mesmo tempo em que tento limpar o meu choro.
— Também, nanay. Também.
— Tem certeza?
— Sim.
— Ok, mas agora, eu preciso que me esclareça as coisas, filha — começa a
falar e eu fungo, concordando com um aceno. — Quem são os homens bonitos
que me trouxeram aqui? Quem me ajudou a sair das Filipinas sem o seu pai ficar
sabendo?
Levo ar até os pulmões, me preparando para explicar as coisas a minha
mãe.
Cancelo toda a minha agenda do dia e decido de última hora ir ao
Aeroporto buscar a mãe de Lina.
Parece a coisa certa a se fazer.
Nicholas preparou uma plaquinha com o nome da mãe da minha garota.
Eu fico meio inquieto com isso. Talvez, com um pouco de ciúmes. Ou pode ser o
estresse de não ter Lina comigo.
— Nervoso? — meu melhor amigo quer saber.
— Por que eu estaria? — retruco, ranzinzo.
Nicholas balança a cabeça de um lado para o outro antes de dizer.
— Esquece.
Alguns minutos mais tarde, chegamos ao aeroporto. Nicholas e eu
caminhamos até o portão de desembarque, e o soldado que veio dirigindo, espera
no carro.
Não falarei isso para o Nicholas, mas sou capaz de reconhecer a mãe de
Jolina.
Primeiro, porque eu vi fotos da Manilyn. Eu precisei disso para mandar
emitir os documentos com a nova identidade dela. Segundo, porque ela é muito parecida com a minha garota.
Minha garota.
Porra. Eu sinto tanta falta dela.
Lina não sabe o esforço que estou fazendo para ser um cara legal e não ir
atrás dela. Cada terminação nervosa do meu corpo me diz que devo fazê-la
entender que o melhor é ficarmos juntos. Que ela é o que eu preciso.
Até quando vou conseguir me controlar? Não faço a mínima ideia. Uma
semana sem vê-la e parece que estou vivendo a merda de uma eternidade
entediante.
Volto para realidade quando vejo a mãe de Lina passar pelo portão de
desembarque. Ela é bonita e muito parecida com a filha. Ao notar a placa com o
nome, a senhora Manilyn assente, tímida.
— Oi, eu sou Manilyn, prazer — ela diz, no nosso idioma e com um
sotaque que é tão parecido com o de Lina.
— Oi, senhora Manilyn. — Estendo a mão em cumprimento. — Eu sou
Julian Carbone, e esse é Nicholas Farley.
A senhora Manilyn assente ao dizer:
— Ah, certo.
— Somos amigos da Jolina — Nicholas comenta.
Ouvir que sou apenas um amigo de Jolina me deixa com um gosto amargo
na boca. Amigo? Eu? Apenas, amigo? Isso me soa errado de tantas maneiras que
é impossível descrever com palavras.
Nicholas começa a puxar o carrinho com as malas e nós caminhos até o
carro. Apesar de parecer meio desconfortável, a senhora Manilyn se acomoda no
banco de trás e tenta sorrir para nós.
— Então... como conheceram minha filha? — ela quer saber.
Nicholas que sentou no banco do carona, lança uma olhadela para mim ao
mesmo tempo em que tenta esconder um sorrisinho insolente. Afrouxo o nó da
gravata, pensando em como responder à pergunta.
— Bem... — começo a falar. — Num restaurante — digo meia verdade, fazendo-a assentir.