O Homem da Máfia (Família Carbone Livro 1)

Brenda Ripardo · Capítulo 11 de 19

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O Homem da Máfia (Família Carbone Livro 1)

Capítulo 15

As paredes possuem cores fortes e o piso é escuro, deixando o ambiente

quase intimidador à primeira vista. A sala é gigante, tem mais de seiscentos

metros quadrados. São mais de quarenta mesas de pôquer espalhadas, ainda há

espaço para os caça-níquéis, roleta, jogos de dados, blackjack, palco para música

ao vivo e um bar.

— Parece que eu tô em Las Vegas — murmura. — E olha que eu nunca fui

lá — acrescenta e ri.

— Gostou?

— Podemos mesmo fazer o aniversário da Sophia aqui? — indaga com as

sobrancelhas franzidas. — Parece muito, Julian.

— Não se preocupe. Desde que seus amigos não destruam a propriedade

da minha família, podemos usar.

Lina abre um sorriso largo, ficando na ponta dos pés e me dando um

selinho com gosto de gloss de morango, depois se solta de mim e vai até um

caça-níquel próximo de nós.

— Você tem alguma moeda? Deixei minha bolsa no carro — murmura,

encolhendo os ombros.

Aproximo-me dela, tiro a carteira do bolso e lhe dou uma nota de dez

dólares.

— Exibido — retruca, pegando a nota com a ponta dos dedos.

Rio.

— Não ando com moedas.

Ela morde o lábio inferior e com uma carinha travessa, enfia a nota na

máquina e me dá uma olhadela antes de apertar o botão. Tenho uma garota

ambiciosa, é o pensamento que me vem à cabeça quando noto que Lina resolveu

fazer a aposta máxima.

Cruza os dedos e fecha os olhos para as [15] bobinas, esperando o resultado.

De maneira surpreendente, o caça-níquel faz uma combinação de quatro

números sete e um [16] wilds. A máquina começa a tocar a música animada, anunciando a vitória do jogador.

Lina abre primeiro um olho e depois o outro. Fica boquiaberta quando vê

os números do valor ganho subirem sem parar. Não é muito. Já vi homens

jogando o valor que ela ganhou e não receberem nada em troca, mas para uma

principiante, é um prêmio bem gordo.

— Isso é sério? — questiona, atônita.

— Parabéns. Não vi isso acontecer muitas vezes. — Sorrio. — Por favor,

não jogue outras vezes, você vai falir o meu cassino — zombo.

Ela começa a rir.

— Meu Deus, Julian! E acabei de ganhar mil dólares — fala, perplexa.

Pigarreio e ajeito o nó da gravata.

— Na verdade, eu acabei de ganhar mil dólares. A nota que você apostou

era minha — brinco.

— O dinheiro era o seu, mas a sorte é minha — resmunga, apertando no

botão para receber o pagamento. — Mas como sou uma boa garota, vou

devolver os seus dez dólares, senhor — acrescenta a última palavra com desdém.

Faço um estalo com a língua, negando.

— O prêmio é meu, no entanto, você pode me pagar de outras formas —

digo, sugestivo e cheio de segundas intenções.

Lina dá de ombros.

— Vou pensar no seu caso — rebate.

— Jolina Magdayao, parabéns. Você está me devendo mil dólares.

Cuidado, eu posso cobrar com juros.

Ela revira os olhos, tentando reprimir uma risadinha. Quando o voucher sai

da máquina, a garota parece se dar conta de algo e fica de expressão amuada.

Levo uma das mãos até os seus cabelos e prendo uma mecha atrás da orelha.

— O que aconteceu?

— O caixa tá fechado, não vou conseguir pegar o meu dinheiro —

resmunga, me fazendo rir.

— Não se preocupe... — Tomo o seu rosto com as duas mãos e focalizo os olhos de jaspe. — Trago você aqui depois.

Concorda com um aceno de cabeça, sorrindo.

— Obrigada.

— Pelo quê?

— Você tem sido muito... hum, generoso, gentil. — Contorna minha

cintura com as mãos e ergue o queixo para mim. — Quem diria que um homem

da máfia podia ser tantas coisas desse tipo? — zomba.

Aperto-a contra meu corpo, roubando um gemido involuntário dela.

— Por que mesmo quando você faz um elogio, sinto que está implicando

comigo?

— Por que talvez eu esteja? — retruca.

Enfio meus dedos por entre os seus cabelos e trago o rosto delicado para

mim, envolvendo Lina em um beijo lento e ao mesmo tempo, intenso. Empurro-

a contra o caça-níquel e deslizo as mãos pelas laterais do corpo pequeno e quente

contra mim.

Meu corpo reage de imediato e a ereção latejante surge no meio das calças.

Lina geme na minha boca quando sente a volume contra coxa e me puxa mais

ainda para si.

Antes que possa me empolgar demais e fazer alguma coisa, ela me

interrompe.

— O que foi?

— Os botões da máquina... minha bunda tá doendo — balbucia com as

mãos espalmadas no meu peito e me empurra de leve para trás, saindo de perto

do caça-níquel. Ela começa a rir, e eu acabo não resistindo e rio também.

Nunca fui o tipo que dá tantos sorrisos, mas percebi que é fácil fazer isso

quando essa garota está ao meu lado.

Dias depois...

 

Arrastando uma Sophia vendada e resmungona, eu passo pelas portas e

levo-a até o cassino, onde os nossos amigos mais íntimos e os homens de Julian,

é claro, esperam.

O homem é viciado em segurança, por isso há pelo menos seis deles

usando terno preto espelhados pela sala. Não sei se os homens estão aqui para

proteger o cassino dos nossos amigos, ou nos proteger de algum possível evento

que não esteja nos planos.

De qualquer forma, não quero nem pensar na segunda possibilidade.

— O que você tá aprontando? — ela resmunga mais uma vez. — Tá me

cheirando a coisa cara. Eu disse que não queria nada extravagante.

Rio.

— Pronta? — pergunto.

— Sim, acho que sim.

Desfaço o nó da venda e tiro dos olhos de Sophia. Mesmo que tenha

passado o caminho inteiro reclamando, está com um sorriso grande emoldurando o rosto e ainda tem as pestanas fechadas.

— Abra — encorajo.

Devagar, ela abre os olhos e fica boquiaberta enquanto nossos amigos

gritam “surpresa”. Sorrindo, ela envolve uma mão no meu pescoço e me dá um

abraço de lado, depositando um beijo exagerado na minha bochecha.

— Eu não acredito, Lina. Você é a melhor, sério.

Dou de ombros e a empurro para próximos dos convidados, que esperam

animados para cumprimentar a aniversariante.

É uma festa íntima, fora os homens de Julian, somos em dez. Não tem

nenhuma decoração elaborada, além de uns balões nas cores rosa e branco em

cima de uma mesa de pôquer e o bolo de unicórnio. Mas o bar está funcionando

e os barmen já prepararam algumas bebidas malucas para os nossos amigos. E o

restaurante que fica na entrada da sala da jogatina está aberto, exclusivamente

para nós.

E o toque especial. Música ao vivo. Julian pediu para uma das cantoras do

cassino animar a noite do aniversário de Sophia. Como se não fosse o bastante, a

mulher em cima do palco está cantando “Criminal” da Britney Spears.

A música parece ter sido feita para mim.

“Mas, mamãe, eu estou apaixonada por um criminoso. E esse tipo de

amor não é racional, é físico. Mamãe, por favor, não chore, eu ficarei bem.

Pondo a razão de lado, não posso negar, eu amo aquele cara.

E ele tem meu nome tatuado no seu braço, é o seu amuleto. Então, eu acho

que está tudo bem. Ele está comigo.”

— Eu sei que ele fez isso por você, mas nossa, porra, que demais — minha

amiga fala ao se aproximar de mim e me tirar do meu devaneio. Ela está

tomando um shot colorido, que não faço a mínima ideia do que seja, mas parece

ser forte. — Aquele homem sabe como impressionar uma mulher, porque eu tô

impressionada.

Começo a rir.

— Feliz aniversário!

— Obrigada, amiga, de verdade.

Envolve os braços no meu pescoço e me aperta contra o corpo. Quando

nos afastamos ela grita animada, me fazendo rir de novo. A noite mal começou e

já parece louquinha. Tudo bem, hoje é o dia dela, Sophia pode tudo.

E eu como melhor amiga preciso ficar de olho nessa maluca.

Caminho até o bar e peço uma cerveja, que o barman serve em uma caneca

de vidro transparente. Tomo um gole generoso, mas não muito. Não quero ficar

bêbada hoje e sei que não sou uma das pessoas mais tolerantes para o álcool.

Jasper, que foi a segunda pessoa na universidade com quem fiz amizade e

sentou junto de mim e Sophia nas aulas por muitos semestres, se acomoda no

bar, ao meu lado.

Ele é um cara bonito. Certinho, estudioso. O tipo de rapaz com quem as

garotas deveriam se envolver. Está na cara que Jasper vai dar estabilidade

emocional para uma garota e fazer o possível para o relacionamento ser

saudável.

No bar, ele pede o mesmo que eu.

— Você tem contatos, Lina — brinca.

— Sou uma mulher poderosa, nunca duvide isso — digo, arrebatando uma

risada dele.

Nós brindamos quando a cerveja dele chega. Jasper bebe um gole, eu não.

— Quem teve a ideia? Esse lugar é incrível. Eu vim aqui algumas vezes

com meus amigos.

Semicerro os olhos e penso no que responder. Não posso dizer que meu

namorado deu a ideia, porque parece compromisso demais e eu não sei o que

Julian e eu somos. Mas dizer que somos amigos parece raso, como se faltasse

algo.

O que ele e eu somos?

O que existe entre nós é uma amizade colorida?

— Apenas aconteceu — é o que eu digo e encho a boca de cerveja, a fim

de dar o assunto por encerrado.

Mais amigos se aproximam e logo estamos em uma conversa animada

sobre como Sophia é âncora de muito de nós. Talvez ela não saiba, mas é a

minha também. A primeira pessoa que me acolheu em Montreal e me fez sentir

esperanças de que no final tudo ficaria bem.

Meus olhos captam Nicholas ao longe falando com alguém no celular.

Coitado. Mais uma vez sendo babá. E o pior, sendo babá de vários universitários.

Peço outra cerveja ao barman, e quando ele me entrega, pego a minha e vou até

ele.

— Pra você — falo ao oferecer a bebida. Nicholas fica sem jeito e hesita

em pegar a caneca.

— Não posso beber, estou trabalhando — é a sua desculpa.

— Não me faça voltar com essa cerveja, por favor — rebato.

Ele assente, sério, mas pega a bebida.

— Obrigado.

Bate a cerveja na minha, num brinde silencioso. Ele bebe tudo de uma vez,

me deixando de os olhos arregalados.

— Não fico bêbado fácil — se explica.

— Ah, certo — é o que murmuro e decido beber toda a minha cerveja

também. — Cadê o mandachuva? — quero saber.

— Você ainda o chama assim?

Sorrio e anuo.

— É claro, ele não deixou de ser mandão — brinco, e ele acaba sorrindo,

deixando o rosto com a expressão leve. — Você precisa de algo? — pergunto,

pegando a caneca de vidro das suas mãos. — Ou os homens de preto?

Ele nega com a cabeça.

— Estamos bem, Lina. Aproveite a noite e se divirta.

— Obrigada.

Tento dar uma batidinha no ombro dele antes de me virar e voltar ao bar. A

essa altura do campeonato, Sophia e nossos amigos estão perto do palco,

dançando com suas bebidas coloridas nas mãos.