O Homem Mais Feliz do Mundo: A Bela Vida de um Sobrevivente de Auschwitz
Capítulo 10: Onde há vida, há esperança.
Todas as manhãs, uma campainha tocava e éramos levados do alojamento para uma contagem de prisioneiros. Em 18 de janeiro de 1945, fomos despertados às três da manhã pela campainha e, depois da contagem, informados de que não iríamos para o trabalho naquele dia. Puseram-nos na estrada para marchar para a Alemanha.
A guerra estava indo muito mal para os nazistas. O exército russo se aproximava cada vez mais, estava a apenas vinte quilômetros, e os nazistas encarregados de Auschwitz entraram em pânico. Estavam com medo de que as pessoas descobrissem o que haviam feito conosco. Foram dadas ordens para evacuar Auschwitz e seus subcampos e explodir os crematórios. Não sabiam o que fazer conosco, então decidiram nos botar para marchar de Auschwitz para outros campos mais adiante no território alemão. Isso agora é conhecido pelo mundo inteiro como a Marcha da Morte. Mais de quinze mil prisioneiros morreram. Alguns morreram congelados enquanto caminhavam. Outros caíram, exaustos. Se você caía, os nazistas punham uma arma em sua boca e atiravam na hora, sem questionar. Durante uma eternidade, marchamos na neve. A noite inteira, ouvimos as armas sendo disparadas quando os nazistas nos executavam, pop, pop, pop.
Esse foi o momento mais difícil de minha vida. A temperatura caiu abaixo de vinte graus negativos. Não tínhamos comida nem água. Caminhamos durante três dias. Mas eu tinha Kurt comigo. Chegamos a uma cidade chamada Gleiwitz e fomos alojados em um prédio abandonado do exército polonês, no segundo andar. Kurt me disse que não conseguia dar mais um passo.
“Eddie, não vou continuar”, disse ele, e comecei a me desesperar.
Não suportaria ver meu melhor amigo no mundo levando um tiro. Desesperado, procurei um lugar para ele se esconder. No andar de baixo, no chuveiro, descobri um buraco no forro do teto. Encontrei uma escada de mão e a abri.
Verifiquei o espaço no teto — para ver se o plano funcionaria — e descobri que já havia três pessoas escondidas ali. Eu me assustei com elas, mas elas se assustaram muito mais comigo; pensaram que eu era um nazista. Kurt se agachou ali com elas, mas o esconderijo ainda estava aberto. Alguém tinha que cobri-lo pelo lado de fora. Encontrei um pedaço grande de madeira e tapei o lugar, fechando Kurt ali dentro. Antes de fazer isso, eu o abracei e me despedi. Se isso lhe daria meia chance de viver, eu estava disposto a voltar e me juntar à Marcha da Morte. Eu tinha vontade de sobreviver porque, se vivesse, talvez algum dia pudesse rever Kurt.
* * *
Por fim, chegamos a uma estação, e os nazistas começaram a nos embarcar em um trem para Buchenwald. Trinta eram embarcados em cada um dos vagões abertos, e começamos a morrer de frio. Nossos casacos finos da prisão eram inúteis. Um dos homens em meu vagão era alfaiate e traçou um plano para sobrevivermos. Ele nos instruiu a tirar os casacos e, trabalhando sem parar, usou-os para fazer uma enorme coberta. Então nos deitamos sob a coberta, pés para dentro, apenas com a cabeça para fora, e ficamos ali durante os quatro ou cinco dias que levamos para chegar a Buchenwald. Graças a essa invenção engenhosa, permanecemos aquecidos o bastante para sobreviver.
A neve se acumulava. Quando a viagem terminou, havia quase meio metro dela sobre o cobertor. Quando tínhamos sede, tudo o que precisávamos fazer era estender o braço e apanhar um punhado. Não nos deram comida, mas, quando estávamos passando pela Tchecoslováquia, algumas mulheres correram ao lado do trem e jogaram pão para nós. Não era muito (um pão para trinta pessoas), mas até mesmo uma mordida em um pão é melhor do que nada. E, mais uma vez, tive provas de que ainda havia pessoas boas no mundo. Esse conhecimento era esperança, e esperança é o combustível que move o corpo.
O corpo humano é a maior máquina já feita, mas não funciona sem o espírito humano. Podemos viver algumas semanas sem comida, alguns dias sem água, mas sem esperança, sem fé em outros seres humanos? Nós quebramos. Então foi assim que sobrevivemos. Por meio de amizade, cooperação. Por meio de esperança. Os outros vagões estavam cheios de corpos de pobres almas que haviam morrido congeladas. Sei disso porque, quando cheguei a Buchenwald, recebi ordens para desembarcá-los e levá-los para o crematório. Havia um carrinho de mão (uma caixa de madeira com grandes pneus de carro), e comecei a pôr os corpos lá, dez de cada vez, e levá-los devagar. E então, quando estava agarrando as pernas de um homem morto, ele de repente sentou e falou! Quase tive um ataque cardíaco.
Ele falou em francês: “Por favor, pegue a foto em meu bolso. Eu me casei há três semanas, minha mulher não é judia. Diga a ela o que aconteceu.” Eu chorei. Era apenas um rapaz, vinte anos talvez. Morreu antes que eu pudesse tirá-lo do trem. Peguei a foto em seu corpo.
* * *
Agora eu estava de volta a Buchenwald, o primeiro campo para o qual fui enviado, em 1938, no início do pesadelo. Fomos mantidos em um enorme hangar enquanto os nazistas tentavam se organizar. Eu sabia que dali não haveria como escapar, era quase certo que seria morto. Havia um Hauptscharführer da SS que ficara conhecido como o Carrasco de Buchenwald, por suas cruéis e incomuns torturas a prisioneiros. Ele crucificava padres de cabeça para baixo, queimava prisioneiros com fósforo branco e pendurava-os em árvores, uma técnica de tortura medieval. Os nazistas ficavam cada vez mais cruéis e mais loucos conforme a guerra se deteriorava para eles.
Na terceira noite, um soldado da SS veio e gritou:
“Há algum ferramenteiro entre vocês?”
Após uma pausa, levantei a mão.
“Eu sou ferramenteiro.”
Eu sabia que não me restava alternativa. Buchenwald significaria a morte certa para mim. Talvez houvesse uma chance de permanecer vivo em outro lugar. Fui transferido para um pequeno campo, de apenas duzentas pessoas, chamado Sonnenburg, perto de uma floresta. Foi uma mudança afortunada. Durante os quatro meses seguintes, tive um trabalho muito mais fácil em uma oficina especializada em máquinas em Auma, a vinte quilômetros do campo. Um motorista particular me pegava toda manhã e eu trabalhava o dia inteiro na máquina em uma fábrica subterrânea, longe do frio intenso. Mas eu não estava livre. Ficava acorrentado à máquina, que era usada para retificar engrenagens. A corrente tinha quinze metros, o suficiente para eu circular um pouco em torno da máquina. Mais uma vez, recebi uma placa para pendurar no pescoço, dizendo que, se eu cometesse sete erros, seria enforcado.
O trabalho envolvia ajustar peças muito específicas, o que exigia precisão absoluta. Até mesmo uma fração de milímetro a mais e a peça não servia. Minha responsabilidade era afiá-la até o tamanho perfeito. Eu tinha que ser muito cuidadoso, trabalhando de seis da manhã até seis da tarde.
Havia outros prisioneiros operando as próprias máquinas. Meu vizinho ficava perto o bastante para conversarmos, mas ele só falava russo, então não havia comunicação. O único contato humano que eu tinha o dia inteiro era com o guarda que me acorrentava à máquina de manhã e voltava à noite para me levar ao campo de concentração. Ele deveria vir checar como eu estava a cada três horas, trazer-me uma ração de pão e me permitir ir ao banheiro, mas era um beberrão e com frequência não aparecia. Eu ficava desesperado para ir ao banheiro e não sabia o que fazer. Por fim, abri a parte de trás de minha máquina e usei trapos extras para improvisar uma espécie de mictório, de modo a poder urinar dentro da máquina e depois fechá-la. Se o guarda me flagrasse fazendo isso, com certeza eu estaria morto, mas era melhor morrer com minha dignidade.
O guarda bêbado era especialmente vil, mesmo para um SS. Ele me batia às vezes sem qualquer motivo, só porque estava tendo um dia ruim e tinha bebido muito. Mas depois, quando me levava de volta ao campo, avisava: “Guarde isso em segredo. Se você contar a alguém, eu lhe dou um tiro nas costas e digo a todos que você estava tentando escapar. Será a minha palavra contra a de um judeu morto.”
Um dia, ele me disse que o homem encarregado da fábrica queria me ver. Achei que eu tinha cometido sete erros e havia chegado a hora da forca. Virei-me para o russo na máquina ao lado e, embora ele não pudesse me entender, indiquei que ele devia pegar meu pão.
“No lugar para onde eu vou, não vou precisar de pão”, falei.
O encarregado se chamava Goh. Era mais velho do que eu, tinha o dobro da idade de meu pai, com um jaleco branco e cabelo branco, como o meu agora. Eu esperava que ele fosse gritar comigo e depois me enforcar, mas ele falou com a voz suave. Perguntou-me se eu era filho de Isidore, meu pai, e, quando respondi que sim, começou a chorar. Falou que havia sido prisioneiro com meu pai na Primeira Guerra Mundial. Sentia muito pelo que acontecera, mas disse que não tinha poder para impedir nada.
“Eddie, eu não posso ajudar você a escapar, mas todo dia, quando você chegar para trabalhar, encontrará um pouco mais de comida. É o mínimo que posso fazer. Mas, por favor, o que você não conseguir comer, precisa destruir.”
Dito e feito. Desse dia em diante, sempre que eu chegava ao trabalho, encontrava uma comida extra escondida na máquina. Havia uma portinhola na lateral onde eram guardadas ferramentas especializadas. Quando eu a abria, no início do turno, havia pão, mingau com leite, às vezes salame. A comida era muito bem-vinda, mas, a essa altura, nós prisioneiros que havíamos sobrevivido éramos como esqueletos ambulantes. Nosso sistema digestivo estava tão danificado pela fome e por comida ruim que mal conseguíamos comer. Eu mal conseguia digerir o mingau... Tinha que ir ao banheiro e adicionar água para poder digeri-lo. O leite era gorduroso demais. Eu também não teria sido capaz de comer salame, isso teria me matado. E podia sequer dá-lo a outros prisioneiros, porque colocaria o velho amigo de meu pai em perigo. Então eu tinha que me desfazer daquilo na máquina, triturar até não restar nada. Imagine: passar tanta fome a ponto de não conseguir comer. Mas a pequena bondade extra me deu uma nova força, a força para não desistir.
A bondade dele não foi suficiente para recuperar minha saúde, porque eu estava muito fraco, mas me mostrou que nem todo mundo nos odiava. Na verdade, isso foi algo ainda mais valioso. Isso me fez dizer: “Eddie, não desista.” Porque, se eu desisto, estou acabado. Se você desiste, se você diz que já não vale a pena viver, você não dura muito tempo. Onde há vida, há esperança. E onde há esperança, há vida.
Eu estava ali havia apenas quatro meses quando o exército russo começou a se aproximar. Aviões ingleses e americanos passaram a sobrevoar os campos à noite. Então começaram a soltar bombas. Nós podíamos ouvi-las explodindo, mesmo no profundo subterrâneo da fábrica. Certa noite, um bombardeio a acertou em cheio. A explosão ecoou até minha estação, no segundo andar, e me jogou no chão. O fogo não estava muito atrás, e os guardas começaram a entrar em pânico, correndo pelas instalações gritando: “Raus! Raus!” (Para fora! Para fora!). Mas o que eu podia fazer? Chamei um dos guardas e ele veio correndo para me desacorrentar da máquina. Só depois de chegarmos ao térreo ele percebeu que eu não era apenas um prisioneiro, mas um judeu. Ficou furioso por ter arriscado a vida para me ajudar e me bateu com tanta força com a ponta de sua arma que meu rosto abriu, e eu teria dor de cabeça durante semanas.
Fui suturado e me puseram para trabalhar em outra parte da fábrica, em um subterrâneo mais profundo, em uma linha de montagem de caixas de câmbio. A máquina de guerra nazista precisava de caixas de câmbio para todo tipo de máquina: carros, caminhões, tanques, artilharia. Não sei para onde elas foram, mas, independentemente disso, estava claro que a Alemanha não estava indo bem.
Dava para ouvir os canhões a distância, os estrondos da artilharia russa, as explosões dos bombardeiros britânicos fazendo o chão tremer. Duas semanas depois do começo dos bombardeios, passaram a remover os prisioneiros, mas, dessa vez, os nazistas não tinham nenhum plano. Eles marchavam para se afastar dos russos, e então se aproximavam demais dos americanos e tinham que recuar. No fim, estávamos caminhando em círculos por quase trezentos quilômetros.
Eles não sabiam o que fazer conosco. Eu temia que atirassem em nós. Estava claro que a guerra havia acabado, mas nós éramos testemunhas de suas atrocidades. E, se você é um assassino, mata as testemunhas.
* * *
A cada dia estávamos mais fracos, e os nazistas mais desesperados. Até mesmo os nazistas queriam escapar: toda noite, alguns guardas fugiam na escuridão, abandonando seus postos.
Estávamos marchando na estrada, uma daquelas largas estradas alemãs, com valas em ambos os lados. De vez em quando, um cano de drenagem era cortado abaixo da via, o que fazia a água correr de um lado da estrada elevada para o outro. Vi nisso minha oportunidade de escapar. Mas, para isso, eu precisaria de equipamento.
Enquanto caminhávamos, deparei com alguns barris de madeira usados para fazer picles de pepino ao estilo alemão. Tinham grandes tampas, bem grossas e largas. Peguei duas delas e as carreguei comigo para todo lado enquanto marchávamos. Os outros prisioneiros acharam que eu enlouquecera. Quem era aquele judeu alemão maluco carregando grandes peças de madeira inúteis quando já estava tão fraco? Quando descansávamos, eu sentava sobre as tampas para os guardas não me verem com elas. Então, certa noite, bem tarde, encontramos um cavalo abandonado em um campo. Estava magro, pobre cavalo, mais magro que eu! O comandante olhou para o animal e viu um jantar. Ele parou para passar a noite e anunciou que todos nós teríamos sopa. Naquela noite, guardas e prisioneiros se aglomeraram por ali, esperando sua porção de sopa de cavalo.
Eu sabia que aquela era minha única oportunidade. Agora ou nunca.
Quando escureceu o bastante para que ninguém fosse capaz de me ver, saí correndo pela estrada, pulei dentro da vala e entrei no cano. Ele estava parcialmente cheio, então afundei na água gelada. A correnteza estava tão forte que logo perdi os sapatos. Entre o frio e a exaustão, senti que estava prestes a dormir, então pus uma tampa de madeira do meu lado esquerdo, a outra à direita, e me permiti perder a consciência. Não sei quanto tempo dormi, mas, quando acordei, as peças de madeira fixadas de cada lado estavam cheias de balas. Trinta e oito na peça de madeira da direita, dez na da esquerda. Se eu não tivesse aquelas tampas de barril de picles, estaria morto, teria virado comida para os ratos. Por isso nunca vi ninguém saindo daqueles canos: quando caminhávamos, os SS ficavam atrás e atiravam naqueles canos com suas submetralhadoras.
Quando saí dali, não havia nazistas. Nenhum. Eu estava livre! Mas em péssimo estado. Peguei uma pedra e risquei o número tatuado em meu braço até sangrar, deixando a tatuagem nazista invisível. Caminhei durante muito tempo até chegar a uma casinha bem parecida com aquela em que fora baleado na Polônia. Ainda era muito cedo quando bati na porta. Uma moça, de dezessete ou dezoito anos, apareceu.
“Não se preocupe”, falei em bom alemão. “Sou alemão, como você. Também sou judeu. Preciso de ajuda. Será que seu pai ou seu irmão me ajudam com um par de sapatos? É tudo que peço.”
Ela chamou o pai, e ele veio à porta, um homem de uns cinquenta anos. Ele me olhou do braço — que ainda estava sangrando — à cabeça, onde eu tinha um corte de cabelo de prisioneiro, e começou a chorar. Ele me deu a mão.
“Entre”, disse.
“Não”, retruquei. Eu não confiava nas pessoas.
Ele insistiu em me dar roupas: um blusão, um gorro de brim grosso e sapatos de verdade de couro, algo que eu não usava havia três anos. Joguei fora meu gorro listrado de prisioneiro na hora.
O homem me disse para dormir naquela noite no galpão onde guardava feno, trinta metros atrás da casa, e que me ajudaria de manhã. Dormi no galpão, mas, de manhã bem cedo, saí de mansinho e caminhei quatro quilômetros até a floresta, onde poderia me esconder em segurança. Encontrei uma caverna para dormir naquela noite, mas não era um bom lugar. No meio da madrugada, centenas de morcegos começaram a voar em volta, atingindo-me na cabeça. Por sorte, eu não tinha cabelo para eles acabarem embolados!
No dia seguinte, achei outra caverna, onde ninguém jamais me encontraria. Era tão profunda e escura que às vezes eu não conseguia localizar a saída. Minhas refeições diárias eram caracóis e lesmas, que eu capturava e comia crus. Um dia, uma galinha entrou na minha caverna, e pulei sobre ela, matei a pobrezinha com as mãos. Estava desesperado de fome, mas não consegui fazer fogo para cozinhá-la. Tentei com gravetos e pedras, sem sucesso. Apanhei um pouco de água em um riacho, mas ela estava envenenada. Fiquei tão doente que não conseguia mais ficar de pé.
Decidi que não tinha condições de continuar. Estava muito doente, não conseguia andar. Disse a mim mesmo: se me matarem agora, estarão me fazendo um favor. Arrastei-me sobre as mãos e os joelhos e cheguei à rodovia. Ergui os olhos. Descendo a estrada, vi um tanque... um tanque americano!
Aqueles belos soldados americanos. Jamais esquecerei. Eles me puseram em um cobertor e acordei uma semana depois em um hospital alemão. A princípio, achei que tinha ficado maluco, louco, porque no dia anterior estava em uma caverna e naquele instante me encontrava em uma cama com lençóis brancos e travesseiros e enfermeiras por toda parte.
O homem encarregado do hospital era um professor com uma bela barba grande. De vez em quando, ele se aproximava da minha cama para ver como eu estava. Porém, por mais que eu perguntasse, não me dizia quais eram as minhas condições.
Eu sabia que estava mal. Estava com cólera, febre tifoide e subnutrido, pesando apenas 28 quilos. Um dia, uma enfermeira chamada Emma se aproximou. Ela pôs a cabeça em meu cobertor para checar se eu estava respirando, e agarrei seu braço e falei: “Emma, não vou largar seu braço até você me dizer o que o médico lhe disse.” Comecei a chorar.
Ela sussurrou em meu ouvido: “Você tem 65% de chance de morrer. Você terá sorte se tiver 35% de chance de viver.”
Naquele momento, fiz uma promessa a Deus de que, se eu vivesse, me tornaria uma pessoa inteiramente nova. Prometi que deixaria o solo alemão e nunca mais voltaria àquela terra que me dera tudo e depois me tirara tudo. Prometi que dedicaria o resto de minha vida a consertar o mal que os nazistas haviam feito ao mundo e que viveria cada dia ao máximo.
Acredito que, se você tem um bom estado de espírito, se consegue se apegar à esperança, seu corpo pode fazer coisas milagrosas. O amanhã virá. Quando você está morto, está morto, mas onde há vida, há esperança. Por que não dar uma chance à esperança? Isso não lhe custa nada!
E, meu amigo, eu vivi.