O Homem Mais Feliz do Mundo: A Bela Vida de um Sobrevivente de Auschwitz

Epílogo

Setenta e cinco anos atrás, pouco depois da guerra, eu soube que um nazista havia sido preso na Bélgica por crimes de guerra e consegui vê-lo. Eu lhe perguntei: “Por quê? Por que você fez isso?”

Ele não conseguiu responder. Começou a tremer e chorar. Era menos que um homem, apenas a sombra de um homem. Quase senti pena dele. Ele não parecia mau. Parecia patético, como se já estivesse morto. E minha pergunta permaneceu sem resposta.

Quanto mais velho fico, mais eu penso: por quê? Não consigo evitar pensar nisso como se fosse um problema de engenharia que eu pudesse resolver. Se tenho uma máquina, posso examiná-la, diagnosticar o problema, descobrir o que deu errado e consertá-la.

A única resposta que consigo encontrar é o ódio. O ódio é o começo de uma doença, como um câncer. Pode matar seu inimigo, mas destruirá você no processo também.

Não culpe os outros por seus infortúnios. Ninguém jamais disse que a vida é fácil, mas ela é mais fácil quando você a ama. Se você odeia sua vida, torna-se impossível viver. É por isso que tento ser bondoso. Embora eu tenha sofrido, quero provar aos nazistas que eles estavam errados. Quero mostrar às pessoas que odeiam que elas estão erradas.

Então, não odeio ninguém, nem mesmo Hitler. Não o perdoo. Se o perdoasse, estaria traindo os seis milhões que morreram. Não há perdão. Quando digo isso, falo pelos seis milhões que não podem falar por si mesmos. Mas também vivo por eles e levo a melhor vida que posso.

Prometi, quando deixei para trás os momentos mais sombrios de minha vida, que seria feliz pelo tempo que restava dela e iria sorrir. Quando você sorri, o mundo sorri com você. A vida não é sempre felicidade. Às vezes, há muitos dias difíceis. Mas você deve se lembrar de que tem sorte por estar vivo — essa é uma sorte que todos nós temos. Cada respiração é uma bênção. A vida é bela se você permite que seja. A felicidade está em suas mãos.

Setenta e cinco anos atrás, eu não pensava que teria filhos, netos e bisnetos. Estava no fundo do poço da humanidade. E agora, aqui estou.

Portanto, depois de fechar este livro, por favor, lembre-se de parar para ser grato por cada momento de sua vida: os bons, os ruins. Às vezes, haverá lágrimas. Às vezes, haverá risadas. E, com sorte, haverá amigos para compartilhar tudo isso, como vim a descobrir ao longo da vida.

Por favor, todos os dias, lembre-se de ser feliz e de fazer os outros felizes também. Torne-se um amigo do mundo.

Faça isso por seu novo amigo Eddie.

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Eddie Jaku

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