Os Melhores Contos Fantásticos

Flávio Moreira da Costa · Capítulo 1 de 2 · parte 1/28

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Os Melhores Contos Fantásticos

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Este capítulo é longo, por isso está dividido em 28 partes.

Flávio Moreira da Costa

(seleção, organização e notas)

com a colaboração de

Celina Portocarrero

T r a d u ç õ e s e x c l u s i v a s d e

Celina Portocarrero. Adriana Lisboa. My riam Cam pello,

M a u r o P i n h e i r o . M a r i a L u i z a X . d e A . B o r g e s , Augusto Alencastro. Rubem Mauro Machado. Pina Bastos

e Flávio Moreira da Costa

T r a d u ç õ e s e s c o l h i d a s d e

Mat e u s Ho ep e r s ( B í b l i a) , Bo r i s S c hn a i d er m a n (r u s so) , C l a u d i a C a v a l c a n t i ( a l e m ã o ) . F u l v i a M . L . M o r e n o ( i t a l i a n o ) . O s c a r M e n d e s . J o s é P a u l o P a e s , Bárbara Heliodora e Vileta Maria da Silva (inglês),

Rem y Gorga Filho e Carlos Nej ar (espanhol).

© by Flávio Moreira da Costa e Prosa do Mundo Serviços

Editoriais

C I P - Br a s i l . C a t a l o g a ç ã o - n a - f o n t e

Sindicato Nacional dos Editores de Livros. RJ.

______________________________________________

M469 Os m elhores contos fantásticos / organizador

Flávio Moreira da Costa (em colaboração com

Celina Portocarrero); apresentação de Flávio Car-

neiro; [tradução de Adriana Lisboa... et al.]. –

Rio de Janeiro : Nova Fronteira, 2006

(Escolha de m estre)

1. Antologias (Conto). 2. Ficção científica. I.

Costa. Flávio Moreira da, 1942-. II. Série.

CDD 808.83

CDU 82-344

S U M Á R I O

Capa – Orelha – Contracapa

Flávio Carneiro

Viagem pelo fantástico ............................................................................... 9

1. Da Antiguidade ao Puritanism o

Bíblia Sagrada

Apocalipse .......................................................................................................... 17

Naray ana

O rato e o eremita............................................................................................... 35

Wu Cheng'en

A sentença .................................................................................................. 39

Charles e Mary Lam b

A tempestade ...................................................................................................... 43

Nathaniel Hawthorne

O jovem Goodman Brown .......................................................................... 57

2. O Apogeu do Século XIX

E.T.A. Hoffm ann

O Homem da Areia ............................................................................................. 75

Prosper Mérim ée

A Vênus de Ille.................................................................................................. 109

Robert Louis Stevenson

O Ladrão de cadáveres .................................................................................... 137

Théophile Gautier

A cafeteira ........................................................................................................ 157

A morta apaixonada ........................................................................................ 165

Heinrich Heine

Deuses no exílio........................................................................................................

195

Mary Shelley

O imortal mortal ........................................................................................................

211

Guy de Maupassant

Quem sabe? .............................................................................................................

227

O Horla ...................................................................................................................

239

Ivan Turgueniev

Um sonho .................................................................................................................

265

I.A. Ireland

Final para um conto fantástico .......................................................................... 285

Edgar Allan Poe

Willian Wilson .............................................................................................. 289

A. P. Tchekhov

O sapateiro e a força maligna ............................................................................ 311

Villiers de l'Isle Adam

Vera ............................................................................................................... 321

Charles Dickens

O sinaleiro ........................................................................................................... 333

A história dos duendes que raptaram um coveiro......................................... 347

Honoré de Balzac

O elixir da longa vida ......................................................................................... 359

Hans Christian Andersen

A sombra ..................................................................................................................

381

E Marion Crawford

Na cabine do navio ............................................................................................. 395

Charles Baudelaire

O jogador generoso............................................................................................ 419

3. Atravessando o Século XX

Marcel Schwob

A cidade adormecida ......................................................................................... 427

Guillaum e Apollinaire

O desaparecimento de Honoré Subrac ............................................................ 433

Saki

Sredni Vashtar ..................................................................................................... 439

Horacio Quiroga

A insolação ........................................................................................................ 447

Franz Kafka

Josefina, a cantora ou o Povo dos Ratos ................................................... 457

Rudy ard Kipling

Rikki-tikki-tavi .......................................................................................................

475

Anatole France

A missa das almas ...................................................................................... 493

Akutagawa Ry unosuke

Sennin .................................................................................................................... 501

Oscar Wilde

O foguete notável ................................................................................................ 509

Am brose Bierce .

O estranho ........................................................................................................... 523

Lafcadio Hearn

Uma promessa quebrada ..........................................................................................

531

Léon Bloy

Os prisioneiros de Longjumeau ................................................................ 539

Leopoldo Lugones

Os cavalos de Abdera ......................................................................................... 547

Jorge Luis Borges

Tlön, Uqbar; Orbis Tertius ............................................................................... 555

Julio Cortázar

Carta a uma senhorita em Paris ........................................................................ 571

Dino Buzzati

O bicho-papão...........................................................................................................

581

4. O Fantástico em bom Português

Manuel Bernardes

Lenda dos bailarins ....................................................................................... 591

Machado de Assis

As academias de Sião ......................................................................................... 595

Aluísio Azevedo

Demônios ............................................................................................................. 605

Afonso Arinos

Uma noite sinistra.................................................................................................. 631

Eça de Queiroz

O defunto ............................................................................................. ...... 641

Raul Brandão

O mistério da árvore .................................................................................. 669

João Guim arães Rosa

Um moço muito branco .............................................................................. 675

Murilo Rubião

Teleco, o coelhinho ........................................................................................ 683

Duílio Gom es

O ovo com solenidade..................................................................................... 693 Bônus

Flávio Moreira da Costa

Mensch(s) ........................................................................................................ 699

Obras do organizador .............................................................................................

701

Viagem pelo fantástico

Flávio Carneiro

BORGES COSTUMAVA DIZER QUE A IDÉIA DE LITERATURA REALISTA é relativam ente

m oderna, rem ontando talvez ao século XIII, com as sagas escandinavas ou

com o rom ance picaresco. Antes disso, entendia-se que todo escritor se referia a lugares distantes, im aginários m uitas vezes, ou a um passado rem oto,

distante da realidade em que se inseria o autor. A idéia de que um autor

devesse ter com prom issos com sua época, relatando fatos cotidianos ou

em itindo opiniões sobre esta ou aquela corrente política, por exem plo, é algo

novo. Há inclusive aqueles que acreditam — e o próprio Borges seria um

deles — que, em últim a instância, toda literatura é fantástica.

Teóricos com o Tzvetan Todorov, Irene Bessiére. Eric Rabkin e Em ir

Rodriguez Monegal, entre outros, buscaram conceituar de m odo m ais rigoroso

o que seria o gênero. Da leitura da obra de todos eles, independentem ente dos

cam inhos trilhados, o que transparece é um a absoluta rebeldia do fantástico a

um a classificação categórica. A definição m ais citada pelos estudiosos parece

ser a de Todorov, que estabelece diferenças entre o fantástico, o estranho e o m aravilhoso, com um a série de outras subclassificações. Mas o próprio

teórico alerta para a im possibilidade da conceituação absoluta de um a ficção que vem atravessando os séculos e tom ando as m ais variadas form as.

Não por acaso. Flávio Moreira da Costa inicia sua antologia com um trecho

do Apocalipse. Com o o próprio autor observa, aliás, não se tem

sequer a certeza de que a Bíblia tenha sido de fato o prim eiro exem plo de narrativa fantástica. Na verdade, sej a no Oriente ou no Ocidente, contar

histórias é um a das atividades m ais antigas da existência hum ana, e o m odo de

contá-las parece ter sido inicialm ente o da pura fantasia.

É isso, pelo m enos, o que podem os constatar em algum as das obras

selecionadas aqui, com o "O rato e o erem ita", conto extraído do Hitopadoxa, que por sua vez deriva do Panchatantra, clássico hindu anterior à Ilíada, de Hom ero. Ou a pequena obra-prim a "A sentença", do autor chinês do século XVI, Wu Cheng'en, um dos preferidos de Borges (e o leitor certam ente não

terá dificuldades em entender o m otivo dessa preferência), em que se

esgarçam os j á tênues lim ites entre realidade e im aginação.

A diversidade talvez sej a a m arca da reunião levada a cabo por Flávio

Moreira da Costa. Há, por exem plo, certo fantástico "puritano", com o o de Nathaniel Hawthorne, presente com um clássico, "O j ovem Goodm an

Brown". Por outro lado, há algo m ais picante, com o a conhecida (para os fãs do gênero) história do padre apaixonado por um a defunta, em "A m orta

apaixonada", de Théophile Gautier, conto que vem , aqui, acom panhado de

outra ficção de Gautier, "A cafeteira", na sua prim eira tradução no Brasil.

Este, aliás, é um dos m éritos da antologia que o leitor tem em m ãos: a bela

equipe de tradutores e tradutoras, que trazem pela prim eira vez ao leitor

brasileiro contos com o "Vera", de L'Isle Adam , "A cidade adorm ecida", de Marcel Schwob, "O im ortal m ortal", de Mary Shelley, "Na cabine do navio", de Crawford. e "Sennin", de Akutagawa Ry unosuke, além de algum as novas traduções de contos de Stevenson e Dickens.

Alguns tem as recorrentes no gênero se espalham pela antologia. Por

exem plo, o tem a do duplo — tão m arcante na narrativa fantástica desde os

seus prim órdios e tam bém na ficção, brasileira e estrangeira, desta virada de

século — vem representado por nada m enos que "William Wilson", de Poe, obj eto de um a infinidade de reescrituras, m ostrando sua vitalidade através da

referência que a ele fizeram , e fazem , os m ais diversos autores, nas m ais

variadas línguas.

Além deste, outro tem a constante no fantástico, o da relativização das

fronteiras entre sanidade e loucura, pode ser encontrado no célebre "O hom em da areia", de Hoffm ann, e num conto pouco conhecido entre nós, "Quem sabe?", de um m estre do gênero: Maupassant.

Um a boa sacada do autor da antologia foi a de ter pinçado, da cham ada literatura infantil, um representante do fantástico. De fato, o fantástico norteia grande parte da ficção para crianças e j ovens, estando presente m esm o

naquelas narrativas em que a im aginação deriva para o recado ideológico, a

m oral da história, a tentativa de "adestram ento" do pequeno leitor, que é o que pior se pode esperar de um a obra ficcional. Nada disso se vê no ótim o "O

foguete notável", um dos contos que Oscar Wilde escreveu para crianças,

carregado de hum or e lirism o e respeitando sobretudo a inteligência do leitor, pequeno ou grande.

Tam bém m erece destaque a presença de autores brasileiros, dos séculos

XIX e XX, com o Machado de Assis. Guim arães Rosa e Murilo Rubião, entre

outros. Ao lado de alguns portugueses — entre eles um surpreendente Eça de

Queirós —, a presença desses autores m ostra que, ao contrário do que se

costum a dizer, há um a tradição do fantástico na literatura brasileira. Tradição que rem onta j á ao rom antism o, com Álvares de Azevedo (em "Noite na

taverna", por exem plo), passando por Machado e Aluísio e se firm ando no decorrer do século xx, sobretudo a partir da obra de Murilo Rubião.

É certo que nossa ficção preferiu, ao contrário de nossos vizinhos latino-

am ericanos, um cam inho m ais próxim o do docum ental, sej a no rom ance

urbano, sej a no de cunho regionalista. Apesar disso, é possível observar um a

rica produção brasileira no gênero, que vem se acentuando, de form a

surpreendente, eu diria, na prosa de ficção dos últim os vinte ou trinta anos.

Exem plo disso é a obra de um contem porâneo. Duílio Gom es, cuj o conto

selecionado aqui, "O ovo com solenidade", vai instaurando o insólito pouco a pouco, de form a sutil, num apurado exercício ficcional que o transform a num

bom exem plo da qualidade alcançada pelo fantástico brasileiro na atualidade.

Esta reunião de histórias conta ainda com um "bônus", ao final do volum e: um prim oroso conto curto, "Mensch(s)", do próprio Flávio Moreira da Costa, cuj a obra m últipla — de ensaísta, rom ancista, contista, tradutor e, claro, autor de im portantes antologias — abriga algum as de nossas m elhores produções no

âm bito do fantástico.

Com tudo isso, resta agora se aventurar por este território sedutor e

traiçoeiro. Talvez, com o o casal de "Os prisioneiros de Longj um eau", de Léon Bloy, o leitor não consiga m ais sair do m undo em que terá se aventurado. Ao

contrário, porém , do que acontece com os personagens do conto, ficar preso

aqui não é exatam ente um a m aldição. Está m ais para dádiva, se ao leitor

interessa o m ergulho nas águas da fantasia.

1

______

Da Antiguidade Ao

Puritanism o

Bíblia Sagrada

________________________________

"O gênero literário apocalíptico, muito em voga no judaísmo entre os anos 200 a.C. e 200 d.C., caracteriza-se pela linguagem misteriosa, cheia de

símbolos, visões e aparições celestes", diz a pequena introdução ao

"Apocalipse" na tradução da editora Vozes em parceria com a editora Santuário publicada em 1982. A inclusão de um trecho substancial do último livro da Bíblia numa antologia como a nossa visa registrar a presença do

fantástico (evidentemente numa concepção diferente da que foi consagrada,

em literatura, apenas no século XIX) ao longo da história do homem. Nem

seria o Apocalipse bíblico o mais antigo exemplo da narrativa humana neste sentido, embora sem dúvida seja dos mais marcantes e conhecidos. Muita

coisa se perdeu na poeira dos tempos e não seria exagero dizer que o que se chama hoje de pensamento fantástico, ou pensamento mágico, ou mesmo

pensamento mítico e poético, vem acompanhando o homem desde seus

primórdios. Por outro lado, a inclusão aqui de um trecho bíblico (como fiz anteriormente em outras antologias) não se reveste de intenções religiosas e muito menos teológicas: a Bíblia — assim como outros tantos livros sagrados de outras culturas, do Livro Tibetano dos Mortos ao Popol Vuhl , passando pelo Torá e os clássicos indianos mais remotos — faz parte da grande literatura da humanidade. Estamos falando de ficção, o que conceitualmente,ao contrário do senso comum, não significa mentira, mas apenas uma outra

maneira de se perceber e afirmar a verdade. Grandes ficcionistas sempre

foram leitores da Bíblia . Que o leitor desta antologia, portanto, introduza-se no clima geral através desta narrativa milenar; creio que seria uma boa

forma de batismo, quer dizer, desculpe, de iniciação, tanto ao fantástico da literatura quanto ao fantástico da vida.

Apocalipse

______________________________________________

(...)

5) O LIVRO SELADO E O CORDEIRO. Vi, então, à direita daquele que estava sentado no trono, um livro escrito por dentro e por fora, selado de sete selos. E vi um anj o poderoso, que clam ava em alta voz: "Quem é digno de abrir o livro e de lhe desatar os selos?" E ninguém , nem no céu nem na terra nem debaixo da terra, podia abrir o livro e vê-lo. Eu chorava m uito porque ninguém foi achado

digno de abrir o livro e vê-lo. Mas um dos anciãos m e disse: "Não chores, eis que o leão da tribo de Judá, a raiz de Davi, venceu para abrir o livro e os sete selos." E vi no m eio do trono e dos quatro seres vivos e no m eio dos anciãos um Cordeiro, de pé, com o que im olado. Tinha sete pontas e sete olhos que são

os sete espíritos de Deus, enviados a toda a terra. Veio e tom ou o livro da

direita daquele que estava sentado no trono. E ao tom á-lo, os quatro seres

vivos e os 24 anciãos prostraram -se diante do Cordeiro, tendo cada um sua

cítara e taças de ouro cheias de perfum es, que são as orações dos santos. (...) 6) Os quatro primeiros selos. Assim que o Cordeiro abriu o prim eiro dos sete selos, vi e ouvi um dos quatro seres vivos que dizia com voz de trovão:

"Vem !" Olhei e vi um cavalo branco, e quem o m ontava tinha um arco. Foi-lhe dada um a coroa e ele partiu vencedor para tornar a vencer.

Quando abriu o segundo selo, ouvi o segundo ser vivo, que dizia: "Vem !"

Saiu outro cavalo, cor de fogo, e a quem o cavalgava foi concedido desterrar a paz da terra para que os hom ens se degolassem uns aos outros. Tam bém lhe

foi dada um a grande espada.

Quando abriu o terceiro selo, ouvi o terceiro ser vivo, que dizia: "Vem !"

Olhei e eis um cavalo preto, e quem o m ontava tinha um a balança na m ão.

Ouvi alguém no m eio dos quatro seres vivos, que dizia: "Um a m edida de trigo pelo salário de um dia, m ais três m edidas de cevada pelo m esm o preço.

Quanto ao azeite e o vinho, não os estragues."

Quando abriu o quarto selo, ouvi a voz do quarto ser vivo, que dizia:

"Vem !" Olhei e vi um cavalo baio e quem nele m ontava tinha por nom e Morte e o inferno o seguia. Foi-lhe dado poder sobre a quarta parte da terra, para m atar pela espada, pela fom e, pela peste e pelas feras da terra.

O quinto e o sexto selos. Quando abriu o quinto selo, vi debaixo do altar, com vida, os que tinham sido degolados por causa da palavra de Deus e do

testem unho que guardavam . Clam avam a grandes vozes, dizendo: "Até

quando. Senhor, santo e verdadeiro, ficarás sem fazer j ustiça e sem vingar

nosso sangue contra os habitantes da terra?"

Foi então dada a cada um um a túnica branca e lhes foi dito que ficassem

calados ainda um pouco de tem po até que se com pletasse o núm ero de seus

com panheiros e de seus irm ãos que tam bém haviam de ser m ortos com o eles.

Vi quando abriu o sexto selo, e houve um grande terrem oto. O sol se fez

escuro com o um a veste de luto, a lua tornou-se toda sangue e as estrelas do

céu caíram sobre a terra com o a figueira, agitada por vento forte, deixa cair

seus figos verdes. O céu enrolou-se com o se enrola um livro e todos os

m ontes e ilhas se m overam de seus lugares. Os reis da terra e os m agnatas, os

chefes m ilitares e os ricos, os poderosos e todo escravo e todo hom em livre se ocultaram nas covas e nas penhas dos m ontes. Diziam para os m ontes e

penhascos: "Caí sobre nós e ocultai-nos da face daquele que está sentado no trono e da cólera do Cordeiro, porque chegou o grande dia de sua ira e quem

poderá resistir?" (...)

8) O sétimo selo e as trombetas. Quando abriu o sétim o selo, houve no céu silêncio por espaço de m eia hora.

E vi os sete anj os, que estão de pé diante de Deus. Foram -lhes dadas sete

trom betas. Chegou outro anj o e se pôs em pé j unto do altar com um turíbulo

de ouro. Foram -lhe dados m uitos perfum es para oferecê-los com as orações

de todos os santos no altar de ouro que está diante do trono. A fum aça dos perfum es subiu da m ão do anj o com as orações dos santos para a presença de

Deus. O anj o pegou o turíbulo e encheu com fogo do altar e

o j ogou sobre a terra. Houve trovões e vozes, relâm pagos e terrem otos. E os sete anj os que tinham as sete trom betas prepararam -se para tocá-las.

As quatro primeiras trombetas. O prim eiro anj o tocou a trom beta. Granizo e fogo m isturados de sangue foram j ogados sobre a terra. A terça parte da terra

virou brasa, a terça parte das árvores e toda erva verde. O segundo anj o tocou a trom beta. Foi lançada no m ar com o que um a grande m ontanha ardendo em

cham as e a terça parte do m ar se converteu em sangue. Morreu a terça parte

das criaturas que vivem no m ar e foi destruída a terça parte dos navios. O

terceiro anj o tocou a trom beta. Caiu então do céu um astro enorm e, ardendo

com o um facho. Precipitou-se sobre a terça parte dos rios e nas fontes de

água. O nom e do astro é Absinto. E se converteu em absinto a terça parte das

águas. Muitos hom ens m orreram das águas que se tornaram am argas. O

quarto anj o tocou a trom beta. Foi ferida então a terça parte do sol, da lua e das estrelas, de sorte que escureceram em um terço. O dia e a noite perderam um a

terça parte de seu brilho. Vi e ouvi um a águia que voava pelo m eio do céu,

dizendo com voz poderosa: "Ai, ai, ai dos habitantes da terra por causa dos restantes toques de trom beta dos três anj os que ainda vão tocar."

9) A quinta e a sexta trombetas. O quinto anj o tocou a trom beta. Vi um a estrela que caíra do céu sobre a terra. Foi-lhe dada a chave do poço do

abism o. Abriu o poço e do poço subiu um a fum aça, com o a fum aça de um

grande forno. O sol e o ar escureceram por causa da fum aça do poço. Da

fum aça saíram gafanhotos para a terra. Foi-lhes dado poder sem elhante ao

poder dos escorpiões da terra. Foi-lhes dito que não causassem dano a erva

algum a da terra nem a verdura ou árvore algum a, som ente aos hom ens que não têm o selo de Deus na testa. Foi-lhes ordenado que não os m atassem , m as

os atorm entassem por cinco m eses. O torm ento era com o o torm ento do

escorpião quando fere o hom em . Naqueles dias os hom ens buscarão a m orte e

não a encontrarão, desej arão m orrer e a m orte fugirá deles. E os gafanhotos

eram com o cavalos aparelhados para a guerra, tinham sobre a cabeça com o

que coroas sem elhantes ao ouro e seu rosto era com o rosto de hom em . Os

cabelos eram com o cabelos de m ulher e os dentes com o dentes de leão. As

couraças eram com o couraças de ferro e o ruído das asas parecia o ruído de

carros com m uitos cavalos que correm para a batalha. Tinham caudas com

ferrão com o escorpiões. Era na cauda que estava o poder de fazer

m al aos hom ens por cinco m eses. Têm por rei o anj o do abism o cuj o nom e em hebraico é Abaddon e em grego Apollyon.

O prim eiro ai passou: eis que vêm ainda outros dois.

O sexto anj o tocou a trom beta. Ouvi um a voz que saía dos cantos do altar

de ouro, que está na presença de Deus. A voz dizia ao sexto anj o, que tinha a

trom beta: "Solta os quatro anj os que estão presos j unto ao grande rio

Eufrates." Foram soltos os quatro anj os preparados para a hora, para o dia, para o m ês e para o ano a fim de m atar a terça parte dos hom ens. O núm ero

dos exércitos da cavalaria era de duzentos m ilhões. Ouvi-lhes o núm ero. Na

visão tam bém vi os cavalos e quem cavalgava. Tinham couraça cor de fogo,

de j acinto e de enxofre. As cabeças dos cavalos eram com o cabeças de leão.

Da boca saía fogo, fum o e enxofre. Com as três pragas pereceu a terça parte

dos hom ens, a saber, pelo fogo, pelo fum o e pelo enxofre que lhes saíam da

boca. O poder dos cavalos estava na boca e na cauda. As caudas eram com o serpentes, tinham cabeças que causavam dano.

Mas os restantes hom ens, que não m orreram com estas pragas, não se

arrependeram das obras de suas m ãos. Não deixaram de adorar os dem ônios,

os ídolos de ouro e prata, de bronze, pedra e m adeira, que não podem ver nem

ouvir nem andar. Nem se arrependeram dos hom icídios nem dos m alefícios

nem da prostituição nem dos roubos. (...)

12) A mulher e o dragão. Apareceu no céu um grande sinal: um a m ulher revestida do sol, com a lua debaixo dos pés e na cabeça um a coroa de 12

estrelas. Grávida, gritava nas dores de parto e com ânsias de dar à luz.

Apareceu no céu outro sinal: e eis um grande dragão cor de fogo, com sete

cabeças e dez chifres e sobre as cabeças sete coroas. A cauda varreu do céu a

terça parte dos astros e os precipitou sobre a terra. O dragão parou diante da m ulher na dor do parto a fim de lhe devorar o filho quando o desse à luz. A

m ulher deu à luz um filho varão, que há de apascentar todas as nações com

cetro de ferro. Mas o filho lhe foi arrebatado para j unto de Deus e seu trono.

A m ulher fugiu para o deserto, onde havia um lugar preparado por Deus, para

alim entá-la durante 1.260 dias. Houve um a batalha no céu: Miguel e seus

anj os tiveram de com bater o dragão. O dragão e seus anj os com bateram m as

não puderam vencer e não houve m ais um lugar para eles no céu. O grande

dragão, a antiga serpente, cham ada diabo e Satanás, que seduz o m undo todo,

foi então precipitado para a terra e com ele os seus anj os. (...)

Quando o dragão se viu precipitado sobre a terra, pôs-se a perseguir a m ulher que dera à luz um m enino. Mas foram dadas à m ulher duas asas de

grande águia para voar para o deserto, o lugar onde seria alim entada por um tem po e dois tem pos e m eio tem po, longe da vista da serpente. A serpente,

porém , vom itou atrás da m ulher com o que um rio de água, para arrastá-la.

Mas a terra veio em auxílio da m ulher. Abriu a boca e tragou o rio que o

dragão vom itara. E o dragão enfureceu-se contra a m ulher e foi fazer guerra

ao resto de sua descendência, os que guardam os m andam entos de Deus e têm

o testem unho de Jesus.

E postou-se na praia do m ar.

13) As duas bestas. Vi, então, subir do m ar um a besta com dez chifres e sete cabeças. Sobre os chifres, dez diadem as, e sobre as cabeças, nom es

blasfem atórios. A besta, que vi, era com o um a pantera, os pés eram com o pés

de urso e a boca com o a boca de um leão. O dragão lhe deu seu poder e trono

e um a grande autoridade. Vi a prim eira cabeça ferida de m orte m as a chaga

m ortal foi curada. E toda a terra, m aravilhada, seguia a besta e adorava o

dragão que tinha dado o poder à besta, e adorava a besta dizendo: "Quem é com o a besta e quem poderia lutar com ela?" Foi-lhe dada tam bém um a boca

para proferir palavras cheias de arrogância e blasfêm ia e lhe foi concedido

poder de agir durante 42 m eses. E ela abriu a boca em blasfêm ias contra

Deus, para insultar o seu nom e e a sua tenda e os que m oram no céu. Foi-lhe

dado fazer guerra aos santos e vencê-los. Recebeu poder sobre toda tribo,

povo, língua e nação. E a adoraram todos os habitantes da terra cuj o nom e não

está escrito, desde o princípio do m undo, no livro da vida do Cordeiro

im olado.

Se alguém tem ouvidos que ouça: Se alguém está destinado ao cativeiro, irá

para o cativeiro. Se alguém m ata pela espada, pela espada m orrerá.

Nisto se baseia a perseverança e a fé dos santos.

Vi outra besta que subia da terra com dois chifres com o chifres de um

cordeiro m as com voz de um dragão. Exercia todo o poder da prim eira besta

em sua presença, fazendo com que a terra e todos os seus habitantes

adorassem a prim eira besta cuj a chaga m ortal fora curada. Praticava grandes

sinais até fazer descer fogo do céu sobre a terra diante dos hom ens. Seduzia os habitantes da terra com os sinais que lhe fora dado praticar na presença da

besta, dizendo aos habitantes da terra que fizessem um a im agem em honra da

besta que tinha sido ferida pela espada e sobrevivera. Foi-lhe dado infundir

espírito na im agem da besta para a

im agem falar e fazer perecer todos que não se prostrassem diante da im agem da besta. Conseguia que todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e

escravos, recebessem na m ão direita ou na fronte a m arca da besta. Ninguém

podia com prar ou vender senão quem tivesse, com o m arca, o nom e da besta

ou o núm ero de seu nom e.

Aqui se requer sabedoria. Quem tiver inteligência, calcule o núm ero da

besta, porque é o núm ero de um hom em . Seu núm ero é 666.

14) O Cordeiro e os resgatados. Tive ainda um a visão: o Cordeiro estava sobre o m onte Sião e com ele 144 m il, que trazem seu nom e e o nom e de seu

Pai escritos em suas frontes. Ouvi um a voz do céu, com o a voz de grandes

águas, com o voz de grande trovão, e a voz que ouvi era de citaristas, tocando

as cítaras. E cantavam um cântico novo diante do trono e dos quatro seres

vivos e dos anciãos. Ninguém podia aprender o canto senão os 144 m il que

foram resgatados da terra. Estes são os que não se m ancharam com m ulheres m as são virgens. São os que seguem o Cordeiro, aonde quer que vá. Foram

resgatados dentre os hom ens, com o prim ícias para Deus e para o Cordeiro, e

em sua boca não se encontrou m entira: são im aculados.

O juízo se prepara no céu. E vi outro anj o que voava pelo zênite do céu e segurava o Evangelho eterno para anunciá-lo aos habitantes da terra e a toda

nação, tribo, língua e povo, dizendo em altas vozes: "Tem ei a Deus e lhe dai glória, porque chegada é a hora de seu j uízo. Adorai aquele que fez o céu e a

terra, o m ar e as fontes das águas." Um segundo anj o o seguiu, dizendo:

"Caiu, caiu a grande Babilônia que com o vinho de sua furiosa prostituição em briagou todas as nações." E m ais um terceiro anj o os seguiu, dizendo com voz forte: "Se alguém adorar a besta e sua im agem e receber sua m arca na

fronte ou na m ão, beberá do vinho do furor de Deus, que sem m istura foi

derram ado na taça de sua ira. Será atorm entado com fogo e enxofre diante dos

santos anj os e diante do Cordeiro. E a fum aça de seu torm ento sobe pelos

séculos dos séculos. Não terão repouso dia e noite aqueles que adoram a besta

e sua im agem e quem quer que receba a m arca de seu nom e." Nisto está a

paciência dos santos, os que guardam os m andam entos de Deus e a fé em

Jesus.

Ouvi um a voz do céu que dizia: "Escreve: felizes os m ortos que m orrem no

Senhor de agora em diante — sim , diz o Espírito — para descansarem de seus

trabalhos, pois suas obras os seguem ."

Olhei e eis um a nuvem branca e alguém , com o um filho de hom em , sentado sobre a nuvem com um a coroa de ouro na cabeça e um a foice afiada na m ão.

Saiu do tem plo outro anj o. Clam ou com voz forte para aquele que estava

sentado na nuvem : "Mete tua foice e corta porque chegou a hora da colheita.

Está m adura a colheita da terra." Aquele que estava sentado na nuvem atirou a foice sobre a terra e a terra foi ceifada. Outro anj o saiu do tem plo que está no céu e tam bém ele tinha na m ão um a foice afiada. E saiu do altar outro anj o

que tinha poder sobre o fogo e clam ou com voz forte para aquele que tinha a

foice afiada, dizendo: "Atira a foice afiada e vindim a os cachos da vinha da terra porque as uvas estão m aduras." E o anj o atirou a foice sobre a terra e vindim ou a vinha da terra. Lançou as uvas no grande lagar do furor de Deus e

a uva foi pisada fora da cidade e o sangue saiu do lagar até atingir os freios dos cavalos por espaço de trezentos quilôm etros. (...)

As pragas das sete taças. Depois vi abrir-se o tem plo da tenda da aliança no céu, e saíram do tem plo os sete anj os que tinham as sete pragas, vestidos de

linho puro, brilhante, e com os peitos cingidos por cinturões de ouro. Um dos

quatro seres vivos deu aos sete anj os sete taças de ouro, cheias de cólera de

Deus, que vive pelos séculos dos séculos. E o tem plo se encheu de fum aça da

glória de Deus e de seu poder. Ninguém podia entrar no tem plo enquanto não

se tivessem consum ado as sete pragas dos sete anj os.

16) Do tem plo ouvi um a voz forte que dizia aos sete anj os: "Ide e derram ai sobre a terra as sete taças da ira de Deus."

Foi o prim eiro e derram ou sua taça sobre a terra. Apareceu um a úlcera

m aligna e perniciosa nos hom ens, que tinham a m arca da besta e se

prostravam diante de sua im agem . O segundo derram ou sua taça sobre o m ar.

E o m ar virou sangue, com o de um m orto, e m orreu todo ser vivo no m ar. O

terceiro derram ou sua taça sobre os rios e sobre as fontes das águas e as águas viraram sangue. Ouvi o anj o das águas que dizia:

"Justo és tu, aquele que é e que era, o Santo,

porque assim j ulgaste.

Pois que eles derram aram o sangue dos santos e dos profetas, deste-lhes de beber sangue

E bem o m erecem ."

E ouvi dizer do altar:

"Sim . Senhor Deus Todo-poderoso, verdadeiros e j ustos são os teus j uízos."

O quarto anj o derram ou sua taça sobre o sol e foi-lhe dado abrasar os hom ens

com fogo. E os hom ens foram queim ados por grande calor e blasfem avam o

nom e de Deus que tem poder sobre as pragas m as não se arrependeram para

dar-lhe glória.

O quinto derram ou sua taça sobre o trono da besta e o reino da besta se

cobriu de trevas, e as pessoas m ordiam a língua de dor. Blasfem aram contra o

Deus do céu por causa de suas penas e de suas úlceras m as não se

arrependeram de suas obras. O sexto anj o derram ou sua taça sobre o grande

rio Eufrates. A água secou de sorte que o cam inho ficou livre para os reis que vêm do Oriente. Vi sair da boca do dragão e da boca da besta e da boca do

falso profeta três espíritos im undos sem elhantes a rãs. São espíritos dos

dem ônios que fazem sinais e se dirigem para os reis da terra a fim de reuni-los para a batalha do grande dia do Deus Todo-poderoso. — "Eis que venho

com o um ladrão. Feliz quem vela e guarda suas vestes para não andar nu e

não serem vistas suas vergonhas." — E os reuniram num lugar que em

hebraico se cham a Harmagedon.

O sétim o anj o derram ou sua taça no ar. E saiu do tem plo um a voz forte que

vinha do trono de Deus e dizia: "Está feito." Houve relâm pagos, vozes, trovões e um terrem oto tão grande com o nunca houve desde que existem

hom ens na face da terra. A grande cidade se dividiu em três partes e as cidades das nações desapareceram .

E a grande Babilônia foi lem brada diante de Deus para lhe ser dado o cálice

do vinho de sua cólera ardente. Sum iram todas as ilhas. Já não se

encontravam m ontes. Um a tem pestade de granizo, com pedras de vinte a

trinta quilos, desabou sobre os hom ens. Os hom ens blasfem aram contra Deus

por causa do flagelo de granizo, pois foi terrível.

17) A prostituta e a besta. Veio então um dos sete anj os que tinham as sete taças e falou com igo, dizendo: "Vem e te m ostrarei o j uízo da grande

prostituta sentada sobre as grandes águas. Com ela se prostituíram os reis da

terra, e os habitantes da terra se em briagaram com o vinho de sua

prostituição." E m e levou em espírito para o deserto. Vi um a m ulher sentada num a besta cor de escarlate, cheia de nom es de blasfêm ia, com sete cabeças e

dez chifres. A m ulher se vestia púrpura e escarlate, estava

adornada de ouro e pedras preciosas e pérolas, e tinha na m ão um a taça de ouro cheia de abom inação e im undície de sua prostituição. Na fronte

trazia escrito um nom e — m istério —: "Babilônia, a grande, a m ãe das

prostitutas e das abom inações da terra." Vi que a m ulher estava em bria-

gada com o sangue dos santos e com o sangue dos m ártires de Jesus.

Seu aspecto m e encheu de grande assom bro. Disse-m e o anj o: "De que

te adm iras? Eu te explicarei o m istério da m ulher e da besta com sete

cabeças e dez chifres que a carrega. A besta que viste era, m as j á não é.

Mas está para subir do abism o e depois cam inhar para a perdição. Os

habitantes da terra, cuj os nom es não estão escritos desde o princípio no

livro da vida, ficarão adm irados, vendo a besta, porque era e j á não é; m as reaparecerá. Eis o sentido que encerra sabedoria. As sete cabeças

são sete m ontes sobre os quais a m ulher está sentada. Significam sete

reis. Cinco caíram , um existe e outro ainda não chegou, m as, quando

vier, perm anecerá por pouco tem po. A besta, que era e j á não é,

tam bém é um oitavo, que é dos sete, e cam inha para a perdição.

"Os dez chifres que vês são dez reis, que ainda não receberam a

realeza m as com a besta receberão poder de reis por um a hora. Eles, de

com um acordo, em prestarão à besta seu poder e autoridade. Lutarão

contra o Cordeiro e o Cordeiro os vencerá porque é o Senhor dos

senhores e Rei dos reis. Aqueles que estão com ele são os cham ados, os

escolhidos, os fiéis."

Disse-m e ainda: "As águas que vês, em que está sentada a prostituta, são os povos e as m ultidões, as nações e as línguas. Os dez chifres que vês, e a besta, odiarão a prostituta e a deixarão desolada e nua e lhe com erão as carnes e a

consum irão no fogo. Porque Deus lhes pôs na m ente pôr em execução o seu

plano e, de com um acordo, dar à besta a soberania até que se cum pram as

palavras de Deus. E a m ulher que viste é a cidade grande que tem a soberania

sobre os reis da terra."

18) A queda da Babilônia. Depois vi descer do céu outro anj o, que tinha grande poder. De sua claridade a terra ficou ilum inada. Gritou com voz

potente, dizendo:

"Caiu, caiu a grande Babilônia.

Tornou-se m orada de dem ônios,

guarita de todo espírito im puro

e abrigo de toda ave im pura

e abom inável.

Pois com o vinho de sua furiosa prostituição

se em briagaram todas as nações,

com ela se prostituíram os reis da terra.

Tam bém os com erciantes da terra se enriqueceram com seu luxo

desenfreado."

Ouvi um a outra voz do céu, que dizia:

"Saí dela, m eu povo,

para não serdes cúm plices de seus pecados,

para não vos atingir parte de suas pragas.

Os seus pecados se am ontoaram até o céu

e Deus se lem brou de suas

iniqüidades.

Pagai-lhe com a própria m oeda,

e dai em troca o dobro de suas obras.

Na taça que preparou, preparai o dobro.

Na m esm a proporção em que se envaideceu

e entregou-se ao luxo,

dai-lhe pranto e torm ento.

Já que disse em seu coração: ‘Com o

rainha estou sentada,

não sou viúva nem j am ais verei luto’, por isso num só dia virão sobre ela as pragas:

a m orte, o pranto, a fom e

e ela será devorada pelo fogo, pois

poderoso é o Senhor Deus, que a

j ulgou."

Por sua causa hão de chorar e lam entar-se os reis da terra que com ela se

prostituíram e se entregaram ao luxo, quando virem a fum aça de seu incêndio.

Parados ao longe com m edo de seus torm entos, dirão:

"Ai, ai, Babilônia,

grande cidade, cidade forte,

porque chegou de vez o teu j uízo!"

Tam bém os negociantes da terra choram e por ela se lam entam , pois j á não há quem lhes com pre os carregam entos dos navios: carregam entos de ouro e

prata, pedras preciosas e pérolas, linho fino e púrpura, seda e escarlate, todo tipo de m adeira perfum ada, obj etos de m arfim , obj etos de m adeira preciosa e

de bronze e ferro e m árm ore, canela, perfum es e arom as, m irra e incenso,

vinho, azeite e flor de farinha, trigo, anim ais de carga e ovelhas, cavalos e

carros, escravos e vidas hum anas.

Os frutos de sabor apetitoso te faltam , todas as coisas m ais requintadas e

finas desapareceram e j á não serão encontradas.

Os com erciantes destas m ercadorias, que se enriqueciam , pararão ao longe

com m edo de seus torm entos, chorando e lam entando-se com as palavras:

"Ai, ai, grande cidade,

que se vestia de linho,

púrpura e escarlate

e se ornava de ouro,

pedras preciosas e pérolas,

porque ficou devastada de vez tanta riqueza!"

Todo piloto, todo navegante e m arinheiro, todos que lidam no m ar, pararam

ao longe e exclam aram , ao ver a fum aça do incêndio: "O que havia de

com parável com a grande cidade?" E j ogaram pó sobre as cabeças, gritando

entre prantos e lam entos:

"Ai, al, grande cidade,

em que se enriqueceram todos os

arm adores do m ar,

por causa de sua opulência;

ficou devastada de vez ! "

Alegra-te, ó céu,

e vós, santos, apóstolos e profetas, porque Deus j ulgou nossa causa

contra ela.

Então um anj o poderoso levantou um a pedra com o um a grande m ó e atirou-

a no m ar, dizendo:

"Com um tal ím peto será arrem essada

babilônia, a grande cidade,

e j á não será encontrada.

Nunca m ais nela se ouvirá

a voz dos citaristas e dos m úsicos,

dos flautistas e dos trom beteiros,

nem artesão de qualquer arte

será j am ais encontrado em ti.

O ruído do m oinho j á não se escutará,

a luz da lâm pada j á não luzirá,

nem se ouvirá a voz do esposo e da esposa,

porque teus com erciantes eram

m agnatas da terra, porque com teus m alefícios

se extraviaram todas as nações,

e nela se achou o sangue dos profetas, dos santos,

e de todos os degolados sobre a terra."

19) O céu celebra o triunfo. Depois ouvi um a voz forte, com o de m ultidão num erosa no céu, que dizia:

"Aleluia!

A salvação, a glória e o poder para nosso Deus,

porque verdadeiros e j ustos são seus j uízos.

Julgou a grande prostituta,

que corrom pia a terra com sua prostituição.

Nela vingou o sangue de seus servos."

E pela segunda vez disseram :

"Aleluia!

A fum aça da cidade sobe

pelos séculos dos séculos."

Caíram de j oelhos os 24 anciãos e os quatro seres vivos. E adoraram a

Deus, que está sentado no trono, dizendo:

"Am ém , aleluia!"

Do trono saiu um a voz que dizia:

"Louvai nosso Deus

todos os seus servos

e todos os que o tem eis,

pequenos e grandes."

E ouvi um a voz, com o de grande m ultidão, com o voz de m uitas águas e

com o voz de fortes trovões, que dizia:

"Aleluia!

Porque estabeleceu seu reino o Senhor nosso Deus, o todo-poderoso.

Alegrem o-nos, exultem os e dem os glória,

porque se aproxim am as núpcias do cordeiro.

A Esposa está preparada.

Foi-lhe dado vestir linho brilhante e puro,

pois o linho são as obras j ustas dos santos."

E ele m e disse: "Escreve: felizes os convidados para o banquete nupcial do Cordeiro." E acrescentou: "Estas palavras de Deus são verdadeiras." Lancei-m e a seus pés para adorar m as ele m e disse: "Não o faças. Sou um servo com o tu e teus irm ãos, possuidores do testem unho de Jesus. Adora a Deus. O

testem unho de Jesus equivale ao espírito de profecia." (...)

20) A derrota do dragão e o milênio. Vi então descer do céu um anj o que trazia nas m ãos a chave do abism o e um a grande cadeia. Ele pegou o dragão,

a serpente antiga, que é o diabo. Satanás, e o acorrentou por m il anos.

Lançou-o no abism o e o fechou, pondo em cim a um selo, para j á não extraviar

as nações até o fim dos m il anos, depois será solto por pouco tem po. Vi tronos e pessoas sentadas e foi-lhes dado o poder de j ulgar, e vi as alm as dos que

tinham sido degolados por causa do testem unho de Jesus e da palavra de

Deus, e todos os que não haviam adorado a besta, nem sua im agem , e não

tinham recebido a m arca na fronte ou na m ão. Receberam a vida e reinaram

com Cristo m il anos. Os outros m ortos não voltaram a viver antes de

term inarem os m il anos. Esta é a prim eira ressurreição. Felizes e santos os que tiverem parte na prim eira ressurreição. Sobre eles não terá força a segunda

m orte. Serão sacerdotes de Deus e de Cristo e com ele reinarão por m il anos.

Term inados os m il anos. Satanás será solto da prisão, e sairá para extraviar

as nações que habitam os quatro cantos da terra, a Gog e a Magog, e reunir

todos para a guerra, cuj o exército será com o as areias

do m ar. Subirão sobre a superfície da terra e cercarão o acam pam ento dos santos e a cidade am ada. Mas descerá fogo do céu e os devorará. O diabo que

os seduzira foi j ogado no tanque de fogo e enxofre, onde tam bém a besta e o

falso profeta j á estarão, e serão atorm entados dia e noite pelos séculos dos

séculos.

O juízo sobre os mortos. Vi um trono grande e branco e quem nele estava sentado. Os céus e a terra fugiram de sua presença, sem deixarem rastro de si.

Vi os m ortos, grandes e pequenos, diante do trono. Abriram -se os livros e

ainda outro livro, que é o livro da vida. Julgaram -se os m ortos segundo suas

obras, segundo as obras que estavam escritas nos livros. O m ar entregou os

m ortos que tinham em seu seio, e do m esm o m odo a m orte e o inferno

entregaram os que tinham . Foram j ulgados cada um segundo as suas obras. A m orte e o inferno foram j ogados no tanque de fogo. Esta é a segunda m orte, o

tanque de fogo. Todo aquele que não foi encontrado escrito no livro da vida,

foi lançado no tanque de fogo.

21) Os novos céus e a nova terra. Vi um céu novo e um a teria nova, porque o prim eiro céu e a prim eira terra haviam desaparecido e o m ar j á não existia. Vi a cidade santa, a nova Jerusalém , que descia do céu do lado de Deus, ornada

com o um a esposa se enfeita para o esposo. Ouvi um a voz forte do trono, que

dizia: "Eis a tenda de Deus entre os hom ens. Ele levantará sua m orada entre eles e eles serão seu povo e o próprio Deus-com -eles será o seu Deus.

Enxugará as lágrim as de seus olhos e a m orte j á não existirá nem haverá luto

nem pranto nem fadiga, porque tudo isso j á passou."

E aquele que estava sentado no trono disse: "Eis que renovo todas as

coisas." E acrescentou: "Escreve, porque estas palavras são fiéis e

verdadeiras." Disse-m e, então: "Está feito. Eu sou o Alfa e o Om ega, o Princípio e o Fim . A quem tiver sede, darei gratuitam ente água da fonte da

vida. Quem vencer, herdará estas coisas e serei seu Deus e ele será m eu filho.

Os covardes, os infiéis, os abom ináveis, os assassinos, os que se dão à

prostituição, os feiticeiros, os idólatras e todos os m entirosos terão sua parte no tanque ardente de fogo e enxofre, que é a segunda m orte."

A nova Jerusalém. Chegou um dos sete anj os que tinham as sete taças cheias das últim as sete pragas. Falou com igo e m e disse: "Vem que te m ostrarei a noiva, a esposa do Cordeiro."

Levou-m e em espírito a um grande m onte bem alto e m ostrou a cidade santa. Jerusalém , que descia do céu, da parte de Deus. Tinha a glória de Deus, seu brilho era sem elhante à pedra m ais preciosa, com o um a pedra de j aspe

cristalina. Tinha um m uro grande e alto e 12 portas. Sobre as portas, 12 anj os e nom es escritos. São os nom es das 12 tribos de Israel.

Da parte do oriente três portas, da parte do norte três portas, da parte do sul três portas e da parte do poente três portas. O m uro da cidade tinha 12 pedras fundam entais. Sobre elas os 12 nom es dos 12 apóstolos do Cordeiro.

Quem falava com igo tinha um a m edida, um a cana de ouro, para m edir a

cidade, as portas e o m uro. A cidade estava assentada sobre um a base

quadrangular de igual com prim ento e largura. Com a cana m ediu a cidade.

Ela tinha 12 quilôm etros, sendo iguais com prim ento, largura e altura. Mediu o

m uro. Tinha 144 m etros, m edida hum ana, que é a do anj o. O m uro era de

j aspe e a cidade de ouro puro, sem elhante ao cristal puro. As pedras

fundam entais do m uro da cidade eram de todo gênero de pedras preciosas: a

prim eira de j aspe, a segunda de safira, a terceira de calcedônia, a quarta de

esm eralda, a quinta de sardônica, a sexta de cornalina, a sétim a de crisólito, a oitava de berilo, a nona de topázio, a décim a de crisopraso, a décim a prim eira de j acinto e a décim a segunda de am etista.

As 12 portas eram 12 pérolas, cada um a das portas era um a pérola, e a

praça da cidade era de ouro puro, com o cristal transparente. Não vi nela

tem plo algum . O Senhor Deus Todo-poderoso é seu tem plo e o Cordeiro. A

cidade não tem necessidade de sol nem de lua que a ilum inem . Pois a glória

de Deus a ilum ina, e sua luz é o Cordeiro. Em seu fulgor cam inharão as

nações e os reis da terra levarão até ela sua glória. As portas não se fecharão durante o dia, pois não haverá noite, e levarão até ela a glória e a honra das nações. Nela não entrará coisa algum a im pura nem quem com eta

abom inações e diga m entiras, m as som ente os que estão escritos no livro da

vida do Cordeiro.

22) E m ostrou-m e então um rio de água da vida, pura com o cristal. Saía do

trono de Deus e do Cordeiro. No m eio da rua da cidade, de um lado e de outro do rio, havia um a árvore da vida, que dava 12 frutos, cada fruto em seu m ês.

As folhas da árvore eram saudáveis para as nações. Já não haverá m aldição

algum a e o trono de Deus e do Cordeiro estará

nela. Os seus servos o servirão e verão sua face e trarão o seu nom e nas frontes. Já não haverá noite nem necessidade de luz da lâm pada nem de luz do

sol porque o Senhor Deus os alum iará e eles reinarão pelos séculos dos

séculos.

A veracidade das visões garantida. E ele m e disse: "Estas palavras são fiéis e verdadeiras. O Senhor. Deus dos espíritos dos profetas, enviou seu anj o para

m ostrar a seus servos as coisas que brevem ente hão de suceder. Eis que venho

Continuar: parte 2 de 28