Parapsicologia: Hoje e Amanhã
O que é o homem?
ÍNDICE
O que é o homem? ................................................................................................................. 5
Primeira parte - Parapsicologia hoje...................................................................................... 8
I - O que é Parapsicologia.................................................................................................. 8
II - A história de PSI........................................................................................................ 11
III - Cv -A visão sem olhos .............................................................................................. 15
IV - Tp - A linguagem da mente...................................................................................... 20
V - Peg - O domínio do tempo ........................................................................................ 26
VI - Pk - A mecânica da vida .......................................................................................... 33
VII - Tt - Janela do infinito.............................................................................................. 39
VIII - Mec - Mergulho no passado .................................................................................. 41
IX - GI - Gravação do inaudível...................................................................................... 48
A Física Descobre A Fonte do Paranormal ................................................................. 50
X - Pesquisas e controle .................................................................................................. 53
XI - Hiperestesia e hipermnesia....................................................................................... 58
Segunda parte - Parapsicologia amanhã .............................................................................. 64
I - Palingenesia: síntese dialética..................................................................................... 64
II - O processo palingenésico .......................................................................................... 66
III - Da profecia à precognição........................................................................................ 68
IV - Imanência e transcendência ..................................................................................... 70
V - Razão da dialética palingenésica............................................................................... 72
VI - Carington e a Parassociologia .................................................................................. 74
VII - Implicações sociológicas ........................................................................................ 76
VIII - PSI e as transformações sociais............................................................................. 78
IX - PSI e a revolução cristã............................................................................................ 81
X - PSI e a civilização do espírito ................................................................................... 83
XI - PSI e o desenvolvimento moral ............................................................................... 85
XII - PSI e o problema da crença .................................................................................... 87
XIII - PSI e o realismo..................................................................................................... 89
XIV - PSI na medicina .................................................................................................... 91
XV - Parapsicologia e espiritismo ................................................................................... 93
XVI - Os padres mágicos ................................................................................................ 96
ÍNDICE BIBLIOGRÁFICO.............................................................................................. 101
VOCABULÁRIO .............................................................................................................. 102
CONTRACAPA ................................................................................................................ 104
O que é o homem?
A pergunta "O que é o homem?" abre esta edição porque corresponde precisamente A. encruzilhada a que a Parapsicologia chegou neste momento. A investigação dos fenômenos parapsíquicos revelou à Ciência um homem de novas dimensões. As duas linhas clássicas de interpretação antropológica — ou as diversas Antropologias a que se refere Rhine — encontraram a sua superação dialética na síntese do homem-psi.
Tínhamos de um lado a tese do homem espiritual e de outro a antítese do homem animal. As concepções religiosas em geral ofereciam-nos a perspectiva de uma Antropologia espiritualista. As concepções científicas reduziam essa perspectiva às limitações de uma Antropologia materialista. Mas o avanço das próprias pesquisas científicas levou o dilema espiritualismo-materialismo à solução que hoje se impõe em todos os campos do conhecimento, particularmente na própria Física. E claro que a Psicologia, sujeita aos postulados físicos como todas as demais disciplinas científicas, não poderia escapar às conseqüências desse processo. O homem-psicológico não pôde mais ajeitar-se na rede animal do sensório. Teve fatalmente de se abrir no extra-sensório, como o Universo físico se abriu no energético.
O homem-psi é a réplica do novo microcosmo ao novo macrocosmo. Em vão reagem — e reagirão ainda por algum tempo — certas áreas psicológicas a essa transformação radical do seu campo de estudos. O homem-psicológico moderno está irremediavelmente superado pelo
homem-psi contemporâneo, da mesma forma que o Universo físico foi superado pela nova concepção do Universo energético. Pode-se alegar, como o faz Bertrand Russell, que a energia é também um conceito físico. Mas pode-se responder, com Arthur Compton, que o conceito de energia mudou e mudará ainda mais.
Ao superar o conceito do homem-psicológico, o novo conceito de homem-psi não destrói aquele: apenas o amplia. E o mesmo que se dá no tocante ao conceito de Universo, bem como aos seus corolários de matéria e energia. O conhecimento avança por degraus, é a subida por uma escada. Só os precipitados pretendem negar inteiramente o passado, esquecidos de que as conquistas recentes se apóiam nas anteriores.
A nova concepção do homem não é materialista nem espiritualista, mas as duas coisas ao mesmo tempo. Segundo a bela expressão de Rhine, o repúdio ao dualismo cartesiano, decorrente do exagero que se pode chamar de dualismo-absoluto, desaparece ante a demonstração científica da existência universal de um dualismo-relativo. Esse novo dualismo aparece no homem como a relação psicossomática. Os fenômenos parapsíquicos demonstram a dualidade da composição humana.
Assim, o homem-psi é um composto de psique e soma. Seria isto uma volta à concepção religiosa de alma e corpo? Sim, mas enriquecida, como sempre aconteceu na dialética do conhecimento. A alma não é mais uma entidade metafísica ou uma concepção teológica: é o moderno psiquismo da concepção científica, mas liberto da sujeição ao corpo. A alma não é mais um epifenômeno, um simples resultado das atividades do fenômeno orgânico. Passou a ser a mente, elemento extrafísico do homem, capaz de sobreviver à morte física mas susceptível de investigação científica em laboratório.
Abrem-se assim novas possibilidades à própria Medicina psico-somática, bem como a todas as Ciências do Homem. Bastaria isto para evidenciar a importância das pesquisas parapsicológicas, como chegou a encarecer o Prof. Leonid Vassiliev, da Universidade de Leningrado, pouco antes de seu falecimento, não obstante sua posição materialista. Acessível à pesquisa científica de laboratório, a alma deixa de ser "do outro mundo" para se integrar neste. A sua relação com o corpo físico mostra que ela não é metafísica, no sentido clássico do termo, mas extrafísica, ou seja, apenas não sujeita às leis físicas, como a considerava o materialismo.
Os pontos principais do "momento parapsicológico", segundo nos parece, são os seguintes:
a) Pesquisa dos fenômenos relacionados com a morte, pelo grupo do Prof. Pratt,
da Duke University, dando origem à classificação de um novo tipo de fenômeno paranormal, denominado teta (oitava Ietra do alfabeto grego);
b) Pesquisa dos fenômenos relacionados com a teoria da reencarnação, como o
provam o livro já famoso do Prof. Ian Stevenson, da Universidade de Virgínia, Estados Unidos, e os trabalhos do Prof. Banerjee, da Universidade de Jaipur, na Índia, embora ainda cercados de cautelas e reservas excessivas;
c) Pesquisa no mesmo sentido através da hipnose por psiquiatras russos, como o
caso do Prof. Vladimir Raikov e suas experiências de "reencarnações sugestivas", embora consideradas puramente do ponto-de-vista da sugestão hipnótica;
d) Prosseguimento das pesquisas sobre o problema de padrões de memória na
percepção extra-sensorial, nos Estados Unidos e na Europa, esclarecedoras de grande número de casos atribuídos à fraude anímica ou mediúnica;
e) Pesquisas dos cientistas norte-americanos da equipe do Prof. Puhariche sobre médiuns curadores (ressaltando as realizadas com Arigó) e da Fundação Edgard Cacy, no mesmo sentido. Uma equipe desta fundação esteve em São Paulo fazendo observações em 1969;
f) Pesquisas sobre gravações de comunicações espirituais em fitas magnéticas,
iniciadas por Friederich Jürgenson, de Moinho, Suécia, e desenvolvidas pelo cientista Konstantin Raudive e outros na Alemanha, entre os quais Hans Geisler. Tivemos contato pessoal com o pesquisador italiano Dr. Giuseppe Crosa, de Gênova, neuro-psiquiatra e parapsicólogo, e ouvimos algumas de suas importantes gravações;
g) Como significativa contribuição dos físicos e biólogos soviéticos podemos registrar a descoberta do corpo bioplasmático do homem, que se retira do corpo no momento da morte (verificação experimental através de câmaras fotográficas especiais) e cujas pesquisas podem ser conhecidas através do livro Descobertas Psíquicas atrás da Cortina de Ferro, de Lyn Schroeder e Scheila Ostrander, Estados Unidos, atualmente em fase de tradução no Brasil.
Essas novidades mostram uma tendência geral do "momento parapsicológico" para a aceitação da tese da sobrevivência do homem após a morte física e sua possibilidade de ação sobre a matéria, segundo a tese do casal Rhine e de outros investigadores eminentes da América, da Europa e da Asia. A reação a essa tendência é intensa, tanto no campo parapsicológico como no científico em geral, mas o rigor das investigações e o comportamento cauteloso dos pesquisadores, todos altamente capacitados, têm evitado os tumultos e as polêmicas estéreis que praticamente barraram o avanço da Metapsíquica.
É assim que a Parapsicologia de hoje se abre em possibilidades para o amanhã. Essas possibilidades não decorrem, porém, unicamente da situação atual. O que as torna mais viáveis é todo o acervo de pesquisas anteriores em que se apóiam: as pesquisas espíritas, as da chamada Ciência Psíquica Inglesa, as da antiga Parapsicologia alemã, as da Metapsíquica francesa, a dos investigadores alemães, italianos e russos — todo um vasto acervo honrado por nomes exponenciais das Ciências em todo o mundo.
O que ainda embaraça o desenvolvimento das investigações é o preconceito. De um lado o preconceito materialista, a que se aferram de maneira anticientífica numerosos expoentes das Ciências na atualidade. De outro lado o preconceito religioso que se recusa a aceitar a possibilidade de investigações científicas do problema espiritual. Os dois lados se encontram na mesma ojeriza: para o primeiro, falar em natureza espiritual do homem é cair na superstição; para o segundo é violar a santidade do espírito. Mas o desenvolvimento das Ciências sempre se fez apesar dessas dificuldades.
O conceito de homem-psi já está definitivamente firmado. É uma conquista da Parapsicologia. Nenhuma pessoa medianamente informada da evolução das Ciências nos últimos quarenta anos pode hoje aceitar que o homem seja um animal limitado aos sentidos físicos. Mesmo os especialistas que se apegam aos conceitos de suas especia-lidades reconhecem que há alguma coisa de novo "no ar". Sofrem daquela "alergia ao futuro" descoberta pelo Prof. Rémy Chauvin, da Escola de Altos Estudos de Paris, mas a sua própria reação é um indício seguro de que o futuro se aproxima.
A situação atual das Ciências é demasiado favorável ao radicalismo. Sua evolução se faz com tamanha rapidez que assusta a uns e exalta a outros. Precisamos usar, mais do que nunca, o bom-senso cartesiano. Temos de ouvir o conselho de Francis Bacon: pôr chumbo nas asas do espírito. Mas não podemos carregar demais essas frágeis asas, para não ficarmos asfixiados no chão. Os assustados se afundam na poeira como avestruzes. Os exaltados voam com asas de cera, como Ícaro. Temos de evitar uns e outros e seguir passo a passo o avanço das Ciências.
Este livro se atém à realidade das pesquisas e seus resultados até o momento, mas não deixa de mostrar as suas conseqüências no futuro imediato. Fechar os olhos diante do Sol que nasce é próprio das toupeiras. Não podemos imitá-las. Somos criaturas humanas, dotadas de razão e pensamento criador. Somos capazes não só de conquistar os espaços siderais, mas também de descobrir a nossa própria natureza. Recusarmo-nos a isso, em atenção a preconceitos, seria renunciarmos à própria inteli-gência.