Parapsicologia: Hoje e Amanhã
VII - Tt - Janela do infinito
Segundo Chauvin, a própria evolução da cultura exige a ação contraditória das forças de impulsão e retenção. As primeiras impelem a cultura em direção a novas conquistas, as segundas retêm a cultura em seu estado atual. Esse jogo de forças, existente em todas as coisas, estabelece o equilíbrio de cada entidade, permitindo-lhe evoluir sem prejuízo das conquistas já consolidadas. Mas quando as forças de retenção sobrepassam as de impulsão o processo evolutivo está ameaçado. O mesmo acontece no caso inverso. Nas Ciências atuais as forças de retenção (a inércia) estão ameaçando as de impulsão (a cinética) em vários campos. A maioria dos cientistas prefere acomodar-se.
VII - Tt - Janela do infinito
As pesquisas de clarividência e telepatia levaram os investigadores à descoberta da precognição, mas não ficaram nisso. Os fenômenos psi se encadeiam, de maneira que puxar um deles é arrastar os demais. A trama do paranormal é como uma rede que vai surgindo do fundo do psiquismo como das águas de um mar. E essa rede traz os seus peixes.
O grupo de pesquisas dos fenômenos teta surgiu na Duke University, sob a direção do Prof. Pratt, em virtude das interferências de casos de morte nas investigações dos casos de vivos. E o Boletim Teta se impôs aos leitores do Journal o f Parapsichology como uma necessidade de informação específica. Mas quais são esses casos de morte?
Já vimos que eles estão presentes em todas as investigações, tanto do passado como do presente. São uma constante do campo de fenômenos paranormais. Um dos exemplos mais esclarecedores, a respeito, é o livro da Profa. Louise Rhine, Canais Ocultos da Mente. Os casos de avisos de morte são os que mais impressionaram os investigadores. Mas há também os casos de aparentes manifestações de espíritos de mortos que não se referem propriamente a mortes recentes. Fugir à investigação desses casos seria temer a verdade que a Ciência procura.
Os Profs. Soal e Bateman, em seu livro a duas mãos, Telepatia, Experiências Modernas, lembram no prefácio que as pesquisas de laboratório, por meio de cartas, correspondem às exigências de comprovação quantitativa das ciências atuais. E explicam: "Podem argumentar que certos médiuns, como a Sra. Piper ou a Sra. Blanche Cooper, revelaram possuir minucioso conhecimento da vida de seus consulentes, que não poderiam ter conseguido pelos meios normais. É verdade, mas poucas vezes demonstraram isso a pedido ou respondendo a perguntas: fizeram-no de maneira espontânea. Médiuns como elas quase sempre falham na adivinhação das cartas, na percepção de desenhos ou em simples experiências telepáticas. Apesar de sua maior capacidade paranormal, não têm, no geral, inclinação para trabalhos experimentais de cunho estatístico. E é esta, atualmente, a única espécie de trabalho capaz de impressionar os cientistas ortodoxos".
Esta declaração equivale a uma confissão de que o campo dos fenômenos paranormais é muito mais vasto e cheio de oportunidades do que o limitado espaço de um laboratório. Mas a pesquisa de campo, como o levado a efeito pela Sra. Rhine, só poderia ser feita depois das infindáveis séries de experiências intramuros. Grande número de parapsicólogos, à maneira de Soal e Bateman, do casal Rhine, de Pratt, Carington, Price, Tischner e outros, sabe que os fenômenos espontâneos, como sustenta o Prof. Jean Ehrenwald, são mais ricos e mais carregados de significação que as "secas" experiências de laboratório. Mas é necessário oferecer figos secos aos céticos, para que eles acreditem na existência de figos frescos.
Os fenômenos teta se acham naturalmente mesclados aos tipos da classificação parapsicológica já nossa conhecida. A impossibilidade, porém, de atribuí-los simplesmente à clarividência ou à telepatia, de um lado, e de outro lado à psicocinesia, exigiu para eles uma classificação especial. Recorreu-se à letra grega theta, oitava letra do alfabeto grego, por ser com ela que se escreve a palavra morte. Assim, a frieza da designação científica,puramente esquemática, foi amornada pelo sentido simbólico.
Mas aconteceu com os fenômenos teta uma coisa curiosa. Não foi possível reduzi-los ao campo de psigama ou de psikapa. Ele se revelou nos dois campos, de maneira que os pesquisadores se viram obrigados a incluí-lo no esquema com dupla designação: teta psigama e teta psikapa. Os primeiros são os fenômenos puramente subjetivos, percebidos individualmente pelo sujeito. E mesmo quando percebidos por outras pessoas, não têm nenhuma objetividade. São aparições, vozes, estrondos, barulhos diversos sem nenhum motivo exterior. Os segundos são objetivos: a queda de um quadro, o partir de um vaso, a derrubada de um móvel e assim por diante.
A importância desses fenômenos está em ligação com fatos reais. Sua significação é evidente e conhecida desde a mais remota antigüidade. As crônicas históricas da Grécia e Roma, sem contar o enorme acervo proveniente das civilizações orientais, estão repletas de casos dessa natureza. Não há dúvida quanto à existência do fenômeno conhecido como aviso de morte. Mas, cientificamente esse fenômeno não existia. Todos os relatos a respeito eram relegados ao campo da superstição, atribuídos à imaginação. Mesmo agora não se pode afirmar que esses fenômenos, com a significação de avisos de morte, tenham existência científica, estejam incluídos na fenomenologia admitida pelas Ciências.
Claro que depois das pesquisas parapsicológicas a existência desses fenômenos ficou provada cientificamente, pelo menos como possibilidade. A explicação científica seria a da clarividência ou da telepatia, e para os objetivos, na área parapsicológica que os admite, como prova da psicocinesia. Mas existe para muitos casos aquela impossibilidade de explicação "sem uma presença extra-física" a que aludem o Prof. e a Prof a. Rhine. Daí a necessidade de pesquisas especiais quanto à tipologia própria desses fenômenos, determinada pela significação intrínseca e evidente que os caracteriza.
Os casos de manifestações mediúnicas de pessoas falecidas são mais complexos, mais difíceis de sujeitar às exigências da metodologia científica dominante e sua investigação será deixada para mais tarde. Apesar disso, algumas experiências têm sido feitas corajosamente e é grande o número de livros publicados a respeito, na Europa e nos Estados Unidos, como se pode ver pela seção bibliográfica do Journal of Parapsichology. Estamos numa época de audácias e muitos investigadores se atrevem a avançar no terreno perigoso. O próprio Rhine, como se sabe, pois o declara em seus livros, considera esse problema como de simples metodologia. Descobrindo-se o método conveniente, como ele fez com a clarividência e a telepatia, e posteriormente com a psicocinesia, não haverá dificuldades para o empreendimento de pesquisas sistemáticas.