Parapsicologia: Hoje e Amanhã

J. Herculano Pires · Capítulo 11 de 32

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Parapsicologia: Hoje e Amanhã

A Física Descobre A Fonte do Paranormal

Maior razão teriam os físicos e biólogos soviéticos ao reclamar prioridade na obtenção de provas concretas da existência do espírito, o que evidentemente não fazem. Não por modéstia, mas porque não podem admitir que as suas provas se refiram ao espírito. Os dogmas fundamentais do Marxismo, que constituem a interpretação materialista do Universo — negando estranhamente a própria dialética em que pretendem firmar-se — excluíram o espírito da realidade cósmica. A dialética hegeliana estava em pé, encarando o futuro, e o Marxismo a virou. de cabeça para baixo. Duro trabalho vão ter agora os soviéticos para reerguê-la de novo.

 

A Física Descobre A Fonte do Paranormal

A descoberta progressiva da antimatéria, a partir dos idos de 1930 — justamente quando nascia a Parapsicologia na Universidade de Duke — levou os físicos de todo o mundo à descoberta do espírito. Foi precisamente para aprofundar o conhecimento da antimatéria que o casal Kirilian conseguiu inventar uma câmara fotográfica de alta freqüência — ou melhor, que opera sobre um campo imantado de energia de alta freqüência — para fotografar além da matéria. A câmara kirilian realizou prodígios. Dotada de aparelhagem ótica, permitiu aos fotógrafos observarem os aspectos surpreendentes de uma nova realidade. A surpresa maior foi a descoberta de que as coisas e os seres não possuem apenas a estrutura material que conhecemos, mas uma estrutura interna e inteiramente desconhecida, de natureza energética. Essa estrutura não é opaca e sem luz, como as da matéria, mas transparente e luminosa. A conclusão preliminar a que chegaram é a de que essa estrutura energética constitui o fundamento, o molde e a fonte vital dos organismos materiais.

"Trata-se — explicaram — de um verdadeiro organismo totalmente unificado, que age como unidade e produz o seu próprio campo eletromagnético, base dos campos biológicos." Bastaria isso para dar-nos a confirmação da intuição genial de Claude Bernard, o pai da Medicina moderna, quando sustentou a necessidade de um modelo energético para manter a estrutura orgânica do corpo humano, com a especificação estrutural das células ante as mutações e renovações constantes de todo o organismo no decorrer da existência.

Mas o casal Kirilian foi além, ao verificar, em suas experiências, que o brilho do corpo energético não é constante nos seres vivos, revelando maior ou menor intensidade, e que essas variações indicam modificações dos estados interiores dos seres, sejam eles vegetais, animais ou humanos. Chegaram mesmo a afirmar que as atividades psíquicas do homem são anotadas no corpo energético em forma de hieróglifos luminosos e coloridos. "Conseguimos inventar — dizem os Kirilian — um aparelho que pode grafar esses hieróglifos, mas precisamos de auxílio para a sua interpretação." Verificaram ainda que o estado emocional dos pesquisadores influi no objeto a ser fotografado, produzindo essas alterações. Essa descoberta, puramente ocasional, abre uma nova possibilidade no campo da comunicação, confirmam os resultados das pesquisas parapsicológicas no tocante às influências telepáticas reciprocamente exercidas entre os homens.

Não há mistérios na existência desses hieróglifos luminosos e coloridos, nem na possibilidade de grafá-los para interpretações posteriores. Esse processo corresponde de certa maneira à gravação das ondas eletromagnéticas do cérebro no eletroencefalograma. Teremos logo mais de construir aparelhos captadores das ondas luminosas do corpo energético para o estudo das condições de saúde. Por outro lado, essa bioluminescência não é de natureza elétrica ou eletromagnética, pertencendo a uma classe de energia ainda desconhecida. Esta última conclusão lembra a de Vassíliev quando afirmou que o pensamento é "uma energia física de tipo ainda não conhecido, produzida pela forma mais evoluída de matéria que constitui o córtex cerebral".

O relacionamento dessas descobertas com a Medicina se acentua quando as experiências soviéticas revelam que as doenças orgânicas podem ser previstas pelo exame da luminescência do corpo energético. Investigações com vegetais e animais demonstraram essa possibilidade. Alterações mórbidas das plantas começam nas modificações de brilho e coloração de sua estrutura energética, o mesmo se dando no tocante aos animais. Scheila Ostrander e Lyn Schroeder consideram em seu livro Psychic Discoveries Behind the Iron Curtin (Edição Prentice-Hall, New York) que as conseqüências dessa descoberta do corpo energético atingirão quase todas, senão todas as áreas do nosso conhecimento atual. Podemos avançar um pouco mais, admitindo que se trata de uma verdadeira revolução copérnica. Essas duas pesquisadoras universitárias norte-americanas foram à Rússia e entrevistaram os cientistas soviéticos. As declarações dos cientistas equivalem a revelações proféticas, lembram as visões bíblicas do mundo espiritual e particularmente as referências do apóstolo Paulo ao corpo espiritual. Eufóricos, como que se libertando inesperadamente da asfixia materialista, os cientistas afirmam que o homem não é apenas uma máquina orgânica. Os tomés do materialismo científico tocaram as chagas do Cristo e estão ao mesmo tempo surpresos e deslumbrados.

O pedido de ajuda do casal Kirilian foi atendido. Biólogos, físicos, biofísicos e bioquímicos soviéticos reuniram-se em Alma Ata, centro de pesquisas espaciais da URSS, e realizaram pesquisas intensivas com a câmara kirilian. Em 1968 uma comissão designada oficialmente para examinar o assunto, composta de elementos exponenciais das ciências, iniciou trabalhos de investigação planejada no mesmo local, chegando a conclusões defi-nitivas sobre a realidade do corpo energético, a que deram o nome de corpo bioplasmático ou corpo bioplástico. Essa comissão era integrada pelos Profs. Grischenko, Gibadulin, Vorobev, Inyushin, Shouiski e Fedorova. A câmara kirilian teve a aprovação oficial da Academia de Ciências e passou a ser considerada como o mais avançado instrumento de pesquisas científicas da União Soviética. Mas, ao mesmo tempo, abriu-se uma nova frente de luta para o materialismo oficial do Estado. Os cientistas soviéticos estão convocados para a batalha impossível de demonstrar que o corpo bioplástico não passa de um organismo de plasma biológico, talvez de um plasma constituído de partículas ainda desconhecidas.

A propósito, os cientistas definiram inicialmente o corpo bioplástico com as seguintes palavras: "É uma espécie de constelação do tipo elementar, que se aproxima à natureza do plasma, constituída de elétrons ionizados e parece que excitados, de prótons e provavelmente de outras partículas atômicas". Essa tentativa de explicação lembra a teoria de Paul Dirac, físico inglês, que em 1932 anunciou a existência de um oceano de elétrons livres que constituiria a essência da realidade. Tudo o que conhecemos como real, dizia Dirac, não é mais do que uma película exterior, muito tênue, ocultando-nos o real verdadeiro. O Prof. Sonioyukovitch, da Universidade de Moscou, propõe a utilização da antimatéria como energia propulsora de naves espaciais. O elemento propulsor seria a luz ou essa luminescência do corpo bioplástico revelado pela câmara kirilian. E o Prof. Lev Landau, Prêmio Nobel de Física, também russo, propõe uma nova Física em face da descoberta da antimatéria. Como se vê, a revolução copérnica da Física está em marcha e o seu ponto culminante é a descoberta do corpo bioplástico.

No tocante à Parapsicologia, essa descoberta vem revelar a fonte dos fenômenos paranormais. O elemento extrafísico do homem, proposto pelo Prof. Rhine, está confirmado pelos físicos e biólogos soviéticos. Isso é tanto mais impressionante quanto foram os parapsicólogos russos, tendo à frente Vassíliev, os mais ardorosos impugnadores da teoria de Rhine. Convém lembrar, a bem da verdade, que Kardec foi o primeiro a sustentar a existência do corpo energético, dando-lhe a designação técnica de perispírito. Esse perispírito ou corpo espiritual do homem também existiria nos objetos e nos seres vegetais e animais. Kardec afirmou a natureza mista desse corpo, que seria formado pelo que ele chamou de fluido universal, uma espécie de plasma cósmico, substância de tudo quanto existe no Universo, constituído de partículas materiais e não-materiais ou espirituais. Todos os fenômenos mediúnicos — hoje chamados paranormais — procederiam desse organismo que, segundo o Espiritismo, liga o espírito ao corpo.

O avanço da Parapsicologia na descoberta de novas dimensões da realidade — como acentuamos desde a primeira edição deste livro — tem sido amparado pelo avanço da Física. Mais uma vez podemos afirmar que as perspectivas apontadas na segunda parte deste volume estão se confirmando mais rapidamente do que pensávamos. Já agora essas perspectivas, criticadas por alguns estudiosos do assunto como exageros de imaginação, recebem a inesperada sanção dos físicos. Nenhuma das áreas do conhecimento escapará ao impacto das descobertas parapsicológicas, como compreenderam Ostrander e Schroeder. Dentro em pouco veremos o problema do espírito voltar à sua antiga posição: será o problema central das Ciências. E com isso a unidade do Conhecimento estará restabelecida em torno do homem. Porque é ele, como Ser, o problema essencial da Filosofia e como alma o problema central da Religião. Ser, espírito e alma, o homem assim encarado, em seus três aspectos, pelas três formas dominadoras do campo do Conhecimento, será realmente a imagem de Deus na Terra.

Mas como, para ser a imagem digna de Deus, o homem deve também ser imortal, os cientistas soviéticos resolveram aplicar a câmara kirilian numa série de pesquisas sobre o fenômeno da morte. O materialismo estaria salvo se as experiências demonstrassem que o corpo bioplástico morre com o corpo biológico. Observando os momentos finais de moribundos e documentando essas observações com fotografias em seqüência verificaram que há uma dispersão progressiva de pontos luminosos, como se o corpo bioplástico se desprendesse do corpo físico num fluxo crescente de partículas. Isso tanto no homem como no animal. A proporção em que as partículas se perdem no ar o corpo material perde toda a luminescência, tornando-se opaco. Só então o corpo do animal e do homem se cadaverizam. Ao mesmo tempo, detectores de vibrações biológicas continuam a captar vibrações de campos de força vital à distância do cadáver.

Esse curioso processo de desprendimento das partículas bioplásticas coincide perfeitamente com numerosas observações espíritas, feitas por videntes, junto a leitos mortuários, e com explicações mediúnicas dadas por entidades espirituais. Léon Denis explica em seu livro Depois da Morte: "A separação é quase sempre lenta, o desprendimento da alma se opera gradualmente. Começa algumas vezes muito tempo antes da morte e se completa com a ruptura dos últimos laços fluídicos que unem o corpo ao espírito". Denis foi discípulo e continuador de Kardec. Em O Livro dos Espíritos Kardec explica: "A observação prova que no instante da morte o desprendimento do espírito não se completa subitamente; ele se realiza gradualmente, com lentidão variável, segundo os indivíduos". Nas descrições dos videntes é comum a referência a um desprendimento gradual de elementos do perispírito (ou corpo bioplástico) que vão se juntando aos poucos a certa distância do cadáver.