Pensar o discurso no webjornalismo

Edson Fernando Dalmonte · Capítulo 25 de 26

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Pensar o discurso no webjornalismo

Notas

 

Introdução

1 Obra lançada em 1964.

2 "O webjornalismo, por sua vez, refere-se a uma parte específica da internet, que disponibiliza interfaces gráficas de uma forma bastante amigável. A internet envolve recursos e processos que são mais amplos do que a web, embora esta seja, para o público leigo, sinônimo de internet". (mielniczuk, 2003, p. 26).

3 1 - multimidialidade, considerando-se a convergência midiática propiciada pela Internet, o que faz surgir uma nova forma de apresentar o fato narrado, agregando-se elementos antes distintos (texto, fotos, vídeo); 2 - interatividade, por meio de recursos que permitem o contato entre produtor e destinatário, entre os destinatários e destes com outros leitores, em especial por meio de recursos como Chats, blogs e fóruns; 3 - personalização, o que confere a produto uma margem de adaptação ao perfil do leitor, como na segmentação e envio de manchetes por e-mail; 4 -atualização contínua, reposiciona o discurso jornalístico numa nova temporalidade, agora não mais numa duração de 24 horas, e sim num processo de atualização contínua; 5 - memória, tendo no banco de dados um importante recurso para a contextualização do fato narrado, o que permite ao leitor recuperar o histórico concernente ao tópico em questão; 6 - hipertextualidade, o que pressupõe uma nova "escrita", tendo-se em vista a nova forma de organização e apresentação, considerando-se todas as outras características do Webjornal, em especial a multimidialidade.

4 http://www.elpais.com

5 http://www.lemonde.fr

6 http://www.estadao.com.br/

7 http://www.folhaonline.com.br

8 http://oglobo.globo.com/

9 http://english.ohmynews.com/

10 http://www.agoravox.fr/

11 http://www.southportreporter.com/316/

 

Da perspectiva contratual nos meios de

comunicação

1 Não se trata de força aqui no sentido impositivo clássico, que confere ao emissor a capacidade de determinar a mensagem, independentemente do receptor; e esta como sendo capaz de influenciá-lo.

2 Como no caso da Teoria hipodérmica, que via o receptor como "atomizado", estando à mercê do emissor, que o seria capaz de manipular, tendo-se em vista um fluxo contínuo dessa mensagem ideológica. Tudo isso, com base na psicologia behaviorista. Da mesma forma, a teoria crítica, de cunho marxista, centra seu olhar nas possibilidades que o emissor tem de manipular o receptor "enfraquecido" diante das mensagens repetitivas e produtos culturais descartáveis. (wolf, 1995).

3 Essa é uma importante mudança na forma de conceber a comunicação, como na visão funcionalista, segundo a hipótese dos usos e gratificações, que ao invés da indagação "que efeito têm os mass media numa sociedade de massa?", passa a questionar "o que é que as pessoas fazem com os mass media?" (wolf, 1995, p. 20 e 63).

4 Verón emprega o termo "título" para designar um veículo de comunicação específico.

5 Verón (1988, p. 14) faz uma distinção no tocante às organizações discursivas em gêneros L e gêneros P. Os gêneros L são: entrevista, reportagem, mesa redonda, debate etc; os gêneros P são: cotidiano de informação, feminino mensal etc.

6 "Tradicionalmente, a comunicação interpessoal/grupal, no interior das pesquisas em comunicação, foi também marcada pela sociologia, em especial pela sociologia dos emissores. Um dos primeiros modelos a afrontar com questões, que colocamos acima, foi a abordagem gatekeeper. Influenciada pela elaboração de Kurt Lewin, através de sua psicologia da forma (Gestalt), onde o conjunto é formado pelo sujeito e seu ambiente e que forma um ‘campo’ estruturado e composto por zonas de atração e repulsão. Cada grupo tem o seu ‘campo’ com seus canais de comunicação e suas barreiras. Toda nova informação é absorvida quando ela se integra ao ‘campo’ do grupo". (ferreira, 2002b, p. 149).

7 Trata-se do uso das especificidades de cada veículo no processo de configuração do discurso.

8 Referência ao sistema de distribuição de informação implantado em fins dos anos 70, na França, apontado como "a primeira iniciativa de disseminação em massa do acesso a uma rede de dados". (silva jr., 2000, p. 199).

9 Essa questão pode ser encontrada em Pêcheux (1969), que aponta a língua como o lugar onde os efeitos de sentido se materializam. Da mesma forma, para L. Hjelmslev, a matéria é "a realidade semântica ou fônica considerada independentemente de toda utilização lingüística". (dubois, 1997, p. 404).

10 Num estudo de caso sobre o jornal O Carapuceiro, Maria Lúcia Garcia Pallares-Burke (1999) retoma os usos dos suportes midiáticos por historiadores sob outro ângulo, o de um possível descompasso entre o que se analisa na mídia e o fato em si. Isso pode se dar pelo enviesamento da realidade, tendo-se em vista a possibilidade de a imprensa ser ‘dirigida’, privilegiando um ângulo específico da realidade, de acordo com interesses dominantes.

O Carapuceiro ficou conhecido pela maneira explosiva de abordar os problemas de então. Seu discurso tendia à ironia, no entanto sem cair num mero discurso falacioso, uma vez que seu autor chegou a ser considerado o "precursor da teoria da luta de classes", após uma campanha contra a oligarquia dos senhores de terras. (pallares-burke, 1999, p. 135).

Embora reconheça o valor histórico daquele periódico, a autora abre importante discussão sobre o uso de tal material, que deve ser cauteloso, visto que pode apenas demonstrar parte da realidade. Fato esse que se torna evidente quando a autora mostra que O Carapuceiro, na verdade, tratava-se de uma tradução do jornal inglês The Spectator.

Nota-se que não é feita uma simples tradução, mas uma adaptação para uma "nova vida nos trópicos". Com isso, as histórias passadas nas terras frias recebem flores e frutos tropicais e as casas são avarandadas, compondo um novo cenário. Da mesma forma, quando o assunto é família, o escravo passa a figurar no texto, por ser elemento comum à época. (pallares-burke, 1999, p. 163). Essa questão é aprofundada em Dalmonte (2003).

11 Trata-se da tradução da tese de doutorado La technique du livre d’après Saint Jérôme, defendida por Dom Paulo Evaristo Arns em Paris, 1952.

12 São Jerônimo, que viveu entre 340 e 420, dedicou-se à sagrada escritura, tornando-se conhecido especialmente pela tradução dos textos bíblicos para o latim, língua oficial da igreja, e pela intensa relação epistolar com outras autoridades religiosas, como Santo Agostinho.

13 O Windows já está habilitado para substituir os sinais de pontuação por desenhos, como alegria :-) -J e tristeza :-( -L .

14 A lista dos e-books mais vendidos da Amazon.com inclui uma mistura eclética que vai de livros de negócios a manuais de sexo. A maioria custa entre US$ 4 e US$ 10 cada, podendo ser lido em notebooks comuns ou computadores de mão como o Palm, ou modelos de outros fabricantes que usam o Windows. A lista dos mais vendidos desse ano incluem "O código Da Vinci", de Dan Brown e "Van Helsing", de Kevin Ryan. (livro..., 2007).

15 Device: dispositivo; máquina pequena ou peça útil de equipamento; device character control = caractere de controle de dispositivo = controle de dispositivo usando vários caracteres ou combinações especiais para instruir o dispositivo [...]. (michaelis, [20--]).

16 "O utilitarismo é a expressão conceitual de uma cultura que faz da liberdade mercantil e da satisfação das preferências pessoais os valores supremos da vida social". (higgins, 2005, p. 5).

17 Segundo Gouazé (1979, p. 120), o processo de enunciação não está restrito apenas ao texto, no caso, o artigo, mas também os títulos estão investidos de um processo enunciativo. "Os títulos dos cotidianos nos interessam como resultado de mecanismos de produção de discursos específicos determinados pela relação jornal-leitor".

18 "O estudo dos gêneros atende a uma necessidade específica: explicar os modos pelos quais as mensagens se organizam em meio à profusão de códigos, de linguagens e, conseqüentemente, de mídias". (machado, 2001, p. 6, grifo do autor).

19 É o que se pode observar no atual quadro do Fantástico "Profissão repórter", em que um grupo de estudantes e jovens jornalistas, capitaneado pelo repórter Caco Barcelos, relata um mesmo fato sob diferentes ângulos. Mas o diferencial do quadro é a apresentação, de forma entrelaçada, do fato jornalístico e do processo de produção, em especial as sensações vividas pelos jovens repórteres.

20 "As palavras do outro, introduzidas na nossa fala, são revestidas inevitavelmente de algo novo, da nossa compreensão e da nossa avaliação, isto é, tornam-se bivocais [...] O nosso discurso da vida prática está cheio de palavras de outros. Com algumas delas fundimos inteiramente a nossa voz, esquecendo-nos de quem são; com outras, reforçamos as nossas próprias palavras, aceitando aquelas como autorizadas para nós; por último, revestimos terceiras das nossas próprias intenções, que são estranhas e hostis a elas". (bakhtin, 1981, p. 181).

21 Vários grupos de mídia vêm adotando essa prática de distribuição da informação por várias plataformas, do impresso ao digital, rádio e televisão. No Brasil, de maneira, pioneira tem-se o grupo d’O Estado de S. Paulo. (silva jr., 2000).

22 O conceito de paratexto (genette, 1987) engloba uma série de indicadores que irão colaborar para a aceitação de uma obra. Esses elementos são os comentários de outros autores, registro, editora etc.

23 O jonal A Tarde, que em sua mudança gráfica e editorial, lançada em 2006, integra o jornal impresso com o portal (www.atarde.com.br) e com a rádio A Tarde fm. Ao final de algumas matérias, há uma indicação que orienta o leitor a acessar vídeo, banco de imagens e outros recursos disponíveis no portal.

24 Essa questão é abordada no artigo "Pensar a comunicação hoje: a comunicação na internet, segundo a lógica dos usos e gratificações", apresentado no np de Teorias da Comunicação, intercom, Brasília. (dalmonte, 2006). No referido estudo, questiona-se o atual estágio da comunicação mediada por computador, tomando-se por referência o Webjornalismo. Com a opção pela hipótese dos usos e gratificações, busca-se focar num diálogo necessário entre produtores e receptores, sendo que os últimos passam a ser vistos com base nas suas motivações para aderir ao processo comunicacional.

25 O conceito de sociedade global, cunhado por Gurvitch (1950), foi apropriado por McLuhan, que irá difundir o conceito utópico do mundo como aldeia global. Vale ressaltar que McLuhan foi influenciado pelo historiador canadense Harold Innis que, ao longo de sua trajetória, apontou a comunicação como sendo o motor da história. (santos, 1992, p. 66).

 

O discurso jornalístico

1 Uma tradução foi publicada na revista Comunicação & Sociedade, Universidade Metodista de São Paulo, n.33, p. 199-216, 2000. Posteriormente foi publicada em Estudos de jornalismo e mídia, em 2004, sendo esta usada no presente trabalho.

2 Limiar aqui no sentido de um limite mínimo necessário para a seleção de um fato, pois a idéia da amplitude, ou grandeza de um ocorrido, pode levar ao desejo de que seja noticiado. "O que isto quer dizer é que quanto maior for a barragem, maior será a vontade de a sua inauguração ser relatada ceteris paribus; quanto mais violento for o assassínio, maiores serão os títulos. Não se especifica sobre qual tem maior amplitude, a barragem ou o assassínio. Também o expresso atrás pode ser posto de uma forma mais dicotômica: existe um limiar que o acontecimento terá de ultrapassar antes de ser registrado [sic]". (galtung; ruge, 1999, p. 64-65).

3 "Suíte – do francês suite, isto é, série, seqüência. Em jornalismo, designa a reportagem que explora os desdobramentos de um fato que foi notícia na edição anterior. Na Folha, toda suíte deve rememorar os fatos anteriormente divulgados.". (suite, 1996).

4 Sendo que dois anos antes, em 04 de Outubro de 1957, a urss havia lançado o Sputnik, fato que marca o início da exploração espacial.

5 Dentre eles, pode ser destacado Gaston Bachelard que, em A intuição do instante (2007), faz uma exploração do tempo, tomando por referência as idéias de Bérgson, Roupnel e as teorias de Einstein.

A professora de física Bodil Jönsson, em Dez considerações sobre o tempo (1998, p. 33), propõe uma distinção entre o tempo físico e o tempo vivido: "Creio que deveríamos considerar duas espécies de tempo e diferencia-las: o tempo pessoal (vivido) e o tempo dos relógios (tempo atômico, para falar com mais propriedade).

Numa outra perspectiva, Nobert Elias, em Sobre o tempo (1998, p. 33), aborda a percepção do tempo como resultado de uma construção social. "A percepção de eventos que se produzem ‘sucedendo-se no tempo’ pressupõe, com efeito, existirem no mundo seres que sejam capazes, como os homens de identificar em sua memória acontecimentos passados, e de construir mentalmente uma imagem que os associe a outros acontecimentos mais recentes, ou que estejam em curso. Em outras palavras, a percepção do tempo exige centros de perspectiva — os seres humanos — capazes de elaborar uma imagem mental em que eventos sucessivos, A, B e C, estejam presentes em conjunto, embora sejam claramente reconhecidos como não simultâneos."

6 Embora nem todas as modalidades jornalísticas sejam narrativas, o editorial, os artigos, por exemplo, são dissertativo-argumentativos.

7 O filósofo grego viveu entre 384 a 322 a.C. É incerta a data de produção de sua obra Poética.

8 Aurélio Agostinho viveu entre 354 e 430, vindo a se tornar importante pensador da cristandade. As Confissões foram escritas, provavelmente, entre 397 e 398.

9 Importante contribuição do pensamento acerca de uma temporalidade trina aparece na obra de Gilberto Freyre (1900-1987). A preocupação de Freyre com o passado, tendo em vista o presente, é expressa, por exemplo, com o conceito de tempo tríbio, que marca sua trilogia principal: Casa grande & senzala (1996a), Sobrados e mucambos (1996b) e Ordem e progresso (1974). Estas três obras na verdade não podem ser entendidas separadamente, o que é demonstrado pelo subtítulo geral da trilogia: introdução à história da sociedade patriarcal no Brasil.

Há, em Casa grande & senzala (1996a) e em Sobrados e mucambos (1996b), uma introdução geral ao que seria o tempo tríbio, mas é só em Ordem e progresso (1974) que o conceito está claramente apresentado. "O tempo do relato literário e sociológico tipicamente brasileiro parece dever corresponder a situação mais complexa, de constante entrelaçamento, na consciência do brasileiro, dos três tempos: o passado, o presente e o futuro. Pois somos um povo, mais que o anglo-americano, ligado, em nossa existência, ao passado, embora também americanamente sensível ao presente e ao futuro que, entre nós, como entre os anglo-americanos, são solicitações de tempo progressivo, utópico, messiânico associados às de espaço ainda por dominar". (freyre, 1974, p. xl).

O conceito de tempo tríbio apresenta a proposta de uma nova temporalidade, na qual o passado, o presente e o futuro não estariam dissociados, mas em relação direta, sendo vivenciados simultaneamente. Como freyre (1963, p. 3) define: "um passado constantemente projetado sobre o presente e sobre o futuro". Esta concepção temporal é basilar para o desenvolvimento da obra de Freyre, compreendendo-se uma renovação nas tradições da história, sociologia e antropologia. (dalmonte, 2000).

10 Para análise, a autora seleciona matérias publicadas na The Times e Le Monde, publicadas à época dos atentados, em outubro de 1993, e do cessar foto do ira, em setembro de 1994.

11 Seguindo-se a lógica dos critérios de noticiabilidade, na esteira das rotinas produtivas do jornalismo.

12 A mimese i refere-se à idéia de que composição da intriga está antecipadamente presente, juntamente ao sujeito falante, numa pré-compreensão tanto do mundo quanto da ação, abrangendo suas estruturas inteligíveis, as fontes simbólicas e o caráter temporal (ricoeur, 1994, p. 88). Para Ricoeur (1994, p. 101), para se entender o sentido de mimese i, é necessário dar conta de sua riqueza, enquanto imitação ou representação da ação, buscando-se "pré-compreender o que ocorre com o agir humano: com sua semântica, com sua simbólica, com sua temporalidade. É sobre essa pré-compreensão, comum ao poeta e a seu leitor, que se ergue a tessitura da intriga, e com ela, a mimética textual e literária". A mimese iii, por seu turno, trata do mundo do leitor e de suas expectativas postas em marcha no processo de apropriação e leitura. "Significa que é bem no ouvinte ou no leitor que se conclui o percurso da mimese [...] diria que mimese iii marca a intersecção entre o mundo do texto e o mundo do ouvinte ou do leitor" (ricoeur, 1994, p. 110). Tratando do círculo hermenêutico, composto pelas três mimeses, Ferreira (1999, p. 91-92), diz que: "o círculo hermenêutico, proposto por Ricoeur, põe em evidência dois processos: a transformação — a passagem da apresentação das coisas pela sua representação — e a transação ou negociação — entre o posicionamento dos sujeitos implicados na produção e reconhecimento do discurso".

13 Embora não se possa falar de maneira simplória desta necessidade que o jornalismo tem de falar a partir do real, algumas concepções reducionistas tentaram limitar a práxis jornalística ao que Traquina (2004, p. 146-149) chama de "Teoria do espelho", numa alusão ao desejo de que o jornalismo apresente, por meio de seus relatos, apenas aquilo que é observado, sem a menor interferência do repórter, que deve anular totalmente a sua subjetividade, atingindo a total imparcialidade.

14 Para Floch (1986, p. 16), o espaço no qual o herói realiza sua performance é nomeado pelos semioticistas como utópico.

15 a "Quando Flaubert, ao descrever a sala onde se encontrava a Sr.

Aubain, a patroa de Felicite, nos diz que ‘um velho piano suportava, sob um barômetro, um monte piramidal de madeira e de cartão’, quando Michelet, ao contar a morte de Charlotte Corday, e relatando que na prisão, antes da chegada do carrasco, ela recebeu a visita de um pintor que fez o seu retrato, precisa que ‘ao fim de hora e meia, bateram delicadamente a uma pequena porta por detrás dela". (barthes, 1984, p. 131).

16 Que num sentido etimológico significa aquilo que foi reportado, transportado, de um lugar a outro. Ou seja, uma reportagem é uma história que foi transferida de um lugar a outro. Podem ser observadas, na língua francesa, as palavras reportage (reportagem) e reporter (reportar). (le robert, 1993, p. 1106-1107).

17 De maneira contrária, o mesmo ocorre com o discurso fantástico ou com os contos de fada, que por meio de recursos como "era uma vez", ativam no destinatário a idéia de que aquela é uma narrativa na qual tudo é possível, fantasiosa (eco, 1994, p. 15). O leitor em questão pode ser tanto uma criança quanto um adulto que se deixe conduzir por uma história certamente fantasiosa. Ao sinalizar que uma história fantasiosa está prestes a começar, o autor seleciona seu público, que estará apto a caminhar pelos caminhos propostos. Daí que ninguém questiona o nível imaginativo e fantasioso que certamente se fará presente em um enredo que se inicia referindo-se a um passado vago e impreciso — Era uma vez...

22 Vários grupos de mídia vêm adotando essa prática de distribuição por várias plataformas, do impresso ao digital, rádio e televisão. No Brasil, de maneira pioneira, tem-se o grupo d’O Estado de S. Paulo. (silva júnior, 2000).

18 O conceito de paratexto (genette, 1987) engloba uma série de indicadores que colaboram para a aceitação de uma obra. Esses elementos são os comentários de outros autores, registro, editora etc.

20 O que Manovich (2005, p. 37) define como "tropos ideológicos".

21 "Tanto na década de 1960, quanto na de 1990, os cientistas usaram tecnologias recém-disponibilidadas (novas filmadoras portáteis, mais leves na década de 1960, e câmeras dv [Vídeo Digital], na década de 1990) para promover um estilo cinemático mais ‘imediato’ e ‘direto’. Na década de 1960, esse movimento foi chamado cinéma vérité; na década de 1990 foi primeiramente associado aos filmes do Dogma 95 [...]. Na época, como agora, a retórica dos cineastas era de uma revolta contra as convenções do cinema tradicional, consideradas muito artificiais. Em contraste, esses cineastas defendiam suas novas capacidades de ‘capturar a realidade enquanto ela se revela’ e ‘entrar’ nas ações". (manovich, 2005, p. 38).

 

Webjornalismo: as fases de implantação e a

renovação do fazer jornalístico

1 Segundo Silva Jr. (2000, p. 210-211), "os primeiros passos encaminhados nesse sentido remetem aos anos 60. A iniciativa inaugural coube ao The New York Times, quando passa a adotar um tratamento computacional para a formatação da composição do jornal em dois lugares distintos: Nova Iorque e Paris. Pela primeira vez, a transmissão da informação — ainda por via de ondas de rádio — não foi realizada por operadores de telégrafo, e sim automatizada pelo computador [...] Os jornais mundialmente pioneiros na utilização de terminais de vídeo foram o Today da cadeia americana Gannet Co. e o Detroit News, em 1973. No Brasil, a primeira redação informatizada surgiu dez anos após, com a introdução em 1983 de terminais pela Folha de São Paulo. O processo no resto dos jornais brasileiros foi lento, a ponto de no início de 1987 apenas quatro veículos jornalísticos estavam totalmente informatizados internamente. O processo de informatização dos demais jornais brasileiros, consolidou-se apenas de meados para o fim dos anos 90".

2 Ribas (2005, p. 7), tomado por referência Colle (2002), faz a distinção entre banco de dados e base de dados. Para a autora, "1) banco de dados é o conjunto de informações, o conteúdo armazenado em uma base de dados; 2) e base de dados é a estrutura lógico-matemática que permite o armazenamento e a estruturação dos conjuntos, de modo que os dados são independentes e podem ser modificados, representados ou consultados de diversas maneiras" (grifos da autora).

3 É interessante situar que a concepção de narrativa proposta pelo autor referese à possibilidade de ordenamento de conteúdos, de acordo com as opções do leitor.

4 Ou margem da margem, no sentido de um discurso que vai além de um tópico. É o conjunto de sentidos possíveis que circundam um elemento e que podem se mesclar a outras realidades.

5 Jornais tradicionais criarem versões populares é uma tendência que se observa a partir dos anos 1980.

6 A memória refere-se ao uso das bases de dados pra a produção e distribuição do material informacional.

7 A personalização refere-se à possibilidade que alguns sites oferecem a seus leitores de tornar tanto o ambiente quanto o acesso à informação moldado por escolhas pessoais.

8 Por interação entendem-se as várias possibilidades abertas pelos recursos interativos: o contato entre as instâncias de produção e de reconhecimento; entre os leitores; entre os leitores e o produto.

9 Títulos do dia.

10 Antes, julgar ou deduzir antes de ter os dados completos. (ex ante, 2007).

11 Falar de uma marca na verdade é falar de um conjunto significante, composto da marca, na condição de símbolo, e de outras estratégias, que da mesma forma irão caracterizar o produto. A construção da marca enquanto elemento significativo depende de aspectos culturais que passarão a estar associados a um símbolo, que por sua vez irá substituir o objeto em questão. Como sugere Petit (2003, p. 13): "a imagem é composta do nome, do logotipo e marca, de uma cor ou mais, de uma arquitetura gráfica, de uma comunicação coerente com essa imagem e uma linguagem específica que impregnam todos os atos e momentos em que a marca atinge o consumidor, o fornecedor, o setor industrial, as autoridades do país e o sistema financeiro". Sobre a importância da marca, também pode ser consultado Semprini (1992).

12 Comerciais de longa duração que, além de explicar em detalhe as características e o modo de utilização do produto, transmitem ainda depoimentos de usuários e outras informações pertinentes ao bem ou serviço anunciado (N.T.).

13 "Le quotidien Le Monde daté mercredi 24 octobre 2007, actuellement en cours de bouclage, développe pour ses lecteurs les informations suivantes".

14 As comunidades virtuais, segundo Rheingold (1987), representam a possibilidade de se estabelecer vínculos de maneira mais objetiva, uma vez que seus membros podem se ligar em função de interesses específicos, facilitados pelos grupos de discussão da rede. O indivíduo se mostra por suas idéias e não pela aparência, gênero, idade etc.

15 Tais questionamentos dizem respeito ao que O’Reilly chama Web 2.0, ou uma Internet caracterizada pelo uso dos recursos interativos.

16 A possibilidade de auxílio das comunidades virtuais para o mundo dos negócios vem sendo discutida em obras como: TEIXEIRA FILHO, Jayme. Comunidades virtuais: como as comunidades de práticas na Internet estão mudando os negócios.

Rio de Janeiro: Senac, 2002; saad, Beth. Estratégias para a mídia digital: Internet, informação e comunicação. São Paulo: Senac, 2003.

17 Num estudo sobre o link como elemento paratextual, Palacios e Mielniczuck (2001, p. 09) chamam atenção para o fato de que o paratexto pode sofrer alterações ao longo do tempo, de acordo com o contexto.

18 www.estadao.com.br

 

Webjornalismo: das inovações tecnológicas às

inovações discursivas

1 "O saber não é mais uma pirâmide estática, ele incha e viaja em uma vasta rede móvel de laboratórios, de centros de pesquisa, de bibliotecas, de bancos de dados, de homens, de procedimentos técnicos, de mídias, de dispositivos de gravação e de medida, rede que se estende continuamente no mesmo movimento entre humanos e não-humanos, associando moléculas e grupos sociais, elétrons e instituições [...] Hipertexto, sua verdadeira organização reside na rede de suas remissões internas". (2000, p. 179-180).

2 Hans Robert Jauss e Wolfgang Iser são os fundadores de um grupo de pesquisa literária conhecido como Escola de Constança. Para essa corrente, a apropriação de toda mensagem está assentada no que chamam de ‘horizonte de expectativa’ do receptor, ou seja, em um desejo inerente ao indivíduo no ato da aquisição e da interpretação. Com isso o leitor deixa de estar no fim do processo e passa a protagonista. Esquematicamente, horizonte de expectativa é "a soma de comportamentos, conhecimentos e idéias pré-concebidas com que se depara uma obra no momento de sua aparição e segundo a qual ela é medida". (rothe, 1980, p. 10).

3 "A história relembrará que os dois primeiros experimentos em larga escala do que Ithiel de Sola Pool chamou de ‘tecnologias da liberdade’ foram induzidos pelo Estado: o minitel francês, como um dispositivo para conduzir a França à sociedade da informação; a arpanet norte-americana, predecessora da Internet, como estratégia militar para possibilitar a sobrevivência das redes de comunicação em caso de ataque nuclear". (castells, 1999, p. 366).

4 Em inícios dos anos 60, Licklider assume uma agência de pesquisa do Ministério da Defesa americano — Advanced Research Projects Agency, arpa. Licklider fica à frente do departamento de pesquisa em informática. Àquela época, dizia que os computadores eram dispositivos de cálculo, mas também de comunicação. Em 1969 é criada a arpanet. (flichy, 2001).

5 "Por outro lado, é a percepção da obra como obra que se torna mais difícil. A leitura frente à tela é geralmente uma leitura descontínua, que busca a partir de palavras-chaves ou rubricas o fragmento textual do qual se quer apoderar (um artigo de jornal, um capítulo de um livro, uma informação de um ‘web site’) sem que necessariamente sejam percebidas a identidade e a coerência da totalidade textual que contém este elemento. Em um certo sentido, todas as entidades textuais no mundo digital são como banco de dados, que procuram fragmentos cuja leitura não supõe, de nenhuma maneira, a compreensão ou percepção das obras em sua identidade singular".

6 O termo lexia refere-se a blocos de informação, também denominados nós. "Uma lexia pode ser formada por diferentes elementos, tais como texto, imagens, vídeos, ícones, botões, sons, narrações, etc." (leão, 2005, p. 27).

7 Narrativa de um fato jornalístico que, para os norte-americanos, é definido como Storytelling.

8 Para Bakhtin (1981, p. 162-165), há três tipos de discurso: 1) o discurso direto e imediato, "que nomeia, comunica, representa — que visa à interpretação direta do objeto"; 2) o discurso representado ou objetificado, como é o caso do discurso direto dos heróis, "este tem significação objetiva direta mas não se situa no mesmo plano ao lado do discurso do autor e sim numa espécie de distância perspectiva em relação a ele [...] Sempre que no contexto do autor há um discurso direto, o de um herói, por exemplo, verificamos nos limites de um contexto dois centros do discurso e duas unidades do discurso: a unidade da enunciação do autor e a unidade da enunciação do herói. Mas a segunda unidade não é autônoma, subordina-se à primeira e dela faz parte como um de seus momentos. O tratamento estilístico de ambas é variado. O discurso da personagem é elaborado precisamente como o discurso do outro, como o discurso de uma personagem caracterológica ou tipicamente determinada, ou seja, é elaborado como objeto da intenção do autor e nunca do ponto de vista de sua própria orientação objetiva. O discurso do autor, ao contrário, é elaborado estilisticamente no sentido da sua significação objetiva [...] Deve ser expressivo, vigoroso, significativo, elegante, etc., do ponto de vista de sua tarefa concreta imediata: denotar, expressar, comunicar e representar alguma coisa". Esses dois tipos de discurso são monovocais. 3) o terceiro tipo de discurso, o bivocal, é ilustrado pelo discurso parodístico e estilizado. "O estilizador usa o discurso de um outro como discurso e assim lança uma leve sombra objetiva sobre esse discurso [...] O autor não nos mostra a palavra dele (como palavra objetificada do herói) mas a usa de dentro para fora para atender aos seus fins, forçando-nos a sentir nitidamente a distância entre ele, autor, e essa palavra do outro".

9 O Último Segundo, lançado em 1999, é um jornal desenvolvido exclusivamente para a Web.

10 "O conceito de gatekeeper (selecionador) foi elaborado por Kurt Lewin, num estudo de 1947 sobre as dinâmicas que agem no interior dos grupos sociais, em especial no que se refere aos problemas ligados à modificação dos hábitos alimentares. Identificando os ‘canais’ por onde flui a seqüência de comportamentos relativos a um determinado tema, Lewin nota que existem nele zonas que podem funcionar como ‘cancela’, como ‘porteiro’ [...] As zonas filtro são controladas por sistemas objectivos de regras ou por ‘gatekeepers’. Neste último caso, há um indivíduo, ou um grupo, que tem ‘o poder de decidir se deixa passar a informação ou se a bloqueia". (wolf, 1995, p. 161-162).

11 Visualização efetiva da página de determinado site. Page View significa página vista, nome utilizado para determinar qual o número de visualizações que determinada página possui em certo período. (page view, 2007).

12 Cujo serviço de auditoria de Websites está temporariamente suspenso.

13 Consultar Wolton (2003).

14 Que começou como blog independente, inicialmente abrigado no ig, e depois migrou para o Portal do Estado de S. Paulo, estando

atualmente n’O Globo, no url: http://oglobo.globo.com/pais/noblat/

15 Bolão do blog, que convidava os leitores a enviarem palpites sobre os resultados dos jogos e, como prêmio, os 10 primeiros ganhavam camisetas. Além disso, o leitor que mais acertasse durante as 20 rodadas do bolão, ganharia um fim de semana em Salvador com direito a acompanhante, incluindo passagens e hospedagens. Tudo por conta da Bahiatursa, a empresa de turismo do Estado da Bahia, apontada como parte do esquema de corrupção daquele estado.

16 Sobre essas modalidades de leitores, Silva Júnior. (2000, p. 2) fala do termo screener, cunhado por Rosello (1994), que não tem tradução para o português, e faz menção à leitura na tela.

17 Update Added 2003, disponível:

http://www.useit.com/alertbox/9606.html

18 Na coluna de julho de 2005, "Scrolling and Scrollbars", Nielsen fala da evolução do uso das barras e das que têm maior aceitação, bem como as que devem ser evitadas. Disponível:

http://www.useit.com/alertbox/20050711.html

19 "Découvrez en quelques clics l’ensemble des contenus et services du Monde.fr. Entrez dans Le Monde.fr et suivez l’information en continu. Une rédaction mobilisée en permanence 24h/24 et 7jours/7.

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20 Personagem, no jornalismo, refere-se a alguém que tenha vivenciado, ou vivencia, o fato narrado. Este personagem, por meio da particularização, permite ilustrar e dar densidade àquilo que é reportado.

21 url: http://www.ohmynews.com/

22 url: http://english.ohmynews.com/

23 url: http://www.southportreporter.com/316/

24 url: http://www.agoravox.fr/

25 url: http://oglobo.globo.com/

26 "Eu, jornalista".

27 Sobre essa nova relação, diz Oiticica (1967): "o problema da participação do espectador é mais complexo, já que essa participação, que de início se opõe à pura contemplação transcendental, se manifesta de várias maneiras. Há, porém, duas maneiras bem definidas de participação: uma é a que envolve ‘manipulação’ ou ‘participação sensorial’, a outra, a que envolve uma participação semântica. Esses dois modos de participação buscam como que uma participação fundamental, total, não-fracionada envolvendo os dois processos, significativa, isto é, não se reduzem ao puro mecanismo de participar, mas concentram-se em significados novos, diferenciando-se da pura contemplação transcendental".

Discutindo a interação no contexto do transcinema, Maciel (2008, p. 163) diz que "o participador é o sujeito da experiência das imagens, não mais aquele que está diante de, como o sujeito renascentista, mas aquele que está no meio de, como nos sistemas imersivos".

28 url: http://ultimosegundo.ig.com.br/

29 A autora refere-se ao ano de 2002.

30 "O rss (Really Simple Syndication) é um formato de arquivo padronizado mundialmente para distribuição automática de notícias. Desenvolvido a partir da linguagem xml (eXtensible Markup Language), ele facilita o acesso dos internautas ao conteúdo atualizado no site de forma instantânea. A grande vantagem do formato, que vem se tornando cada vez mais popular, é que você não vai precisar mais procurar por uma informação de seu interesse: ao assinar uma lista rss (também conhecida como feed), as notícias vão até você!". (central..., 2007).

 

Das conclusões e perspectivas

Referente ao dia 28 de março de 2008.