Se eu Morrer Antes de Você

Allison Brennan · Capítulo 1 de 1 · parte 9/17

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Se eu Morrer Antes de Você

1. Um

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 17 partes.

hor as de qualquer modo.

– Não – Sean disse. – Não sabe se Fr an está envolvida.

Lucy encar ou-o, lentamente se levantando da cadeir a.

– Estamos falando de Fran ces Buckley. Ex -agente do FBI. Dir etor a do PMC. Ela não é uma assassina.

– Assassinos vingador es são uma categor ia completamente distinta de agr essor es sex uais ou assassinos ser iais ou em massa.

– Não pr ecisa me dizer isso! – ela conhecia psicologia cr iminal. Na pele.

– Não, não pr eciso – Sean disse tr anquilo.

Lucy pousou as mãos na mesa e fechou os olhos com a cabeça baix a. Ela não sabia o que pensar. Estavam falando de Fran , sua mentor a. Uma mulher a quem ela quer ia imitar, na dedicação, na paix ão, no completo contr ole emocional. Fr an tomar a-a sob as asas desde o início, e Lucy amava-a como a uma ir mã. Como a uma mãe.

– Lucy? – Sean par eceu pr eocupado, e Lucy contr olou as emoções. Ela não per der ia a compostur a.

– Tem r azão. Não posso contar a Fr an, ainda não. Vou conseguir essa infor mação sozinha.

– Tome cuidado – Sean levantou-se e passou os br aços ao seu r edor, apoiando o queix o na cabeça dela. – Lucy, sei que isso é difícil par a você.

Difícil ? Er a o infer no, mas ela passou pelo infer no antes. Sobr eviver ia, mesmo diante da tr aição. Por que sua única opção er a ir par a a cama e pux ar as cober tas sobr e a cabeça e chor ar. Se não fez isso seis anos antes, cer tamente não far ia agor a.

– Se ela estiver envolvida, isso significa que ela me usou e usou meu pr ogr ama de computador par a localizar esses homens. Eu desenvolvi meu banco de dados par a ajudar o PMC a avaliar melhor os per igos de pr edador es individuais. Ela encor ajou-o, me ajudou com os detalhes, a inser ir os dados. Ela é minha amiga – a voz dela estr emeceu.

– E muito pr ovavelmente ela não fez nada de er r ado – o tom dele r evelava que ele não acr editava nisso. Vir ou Lucy de fr ente e tocou no seu r osto com car inho. – Mas você ter á de tomar cuidado. Talvez seja melhor você não ir par a o escr itór io. Consegue esconder seus sentimentos em r elação a isso?

– Faço isso há anos, Sean – ela disse. – Eu vou. É o único lugar onde posso conseguir as infor mações de que pr ecisamos. Depois disso, ter emos de falar com Kate.

– Ok. Vou com você.

Ela quase disse não.

– E o que você dir á a Fr an?

– Não pode me mostr ar o escr itór io?

– Por duas hor as?

– Eu deix o você lá; você faz o tour completo. Tenho alguns tr uques escondidos na manga. Em seguida, eu vou embor a e vigio o pr édio enquanto você tr abalha e depois eu a busco quando ter minar seu tur no.

– Que tipo de tr uques?

– Mais ou menos legais.

Lucy encar ou-o, mas não disse nada.

– Acho melhor você não saber – ele disse.

Ela cr uzou os br aços e continuou encar ando, de r osto fechado.

Sean levantou a sobr ancelha.

– Não pr ecisa ficar ir r itada. Vou colocar escutas no escr itór io.

– Você não vai colocar escutas no escr itór io de Fr an.

– Não estamos r oubando segr edos cor por ativos. Estamos tentando descobr ir quem no PMC a usou par a visar e assassinar agr essor es cr iminais. Acho que é muito impor tante conseguir as infor mações cor r etas, não concor da?

A postur a casual de Sean r evelava uma fachada falsa. Uma cor r ente oculta de r aiva ainda pulsava na voz dele. Sean acr escentou: – Se o assassino souber que você descobr iu isso, você estar á cor r endo per igo. Vou conseguir todas as infor mações que puder .

Lucy não sabia o que er a o cer to a fazer, mas bem no fundo sentia humilhação e r aiva por ter sido usada nesse jogo mor tal.

– E você pr ecisa dizer ao seu ex par a que fique quieto em r elação a isso – Sean disse. – Se é que confia nele.

– Está bem – ela disse e olhou par a o r elógio. – Pr eciso pegar os ar quivos e o meu laptop.

– Eu esper o.

Sean obser vou-a sair da sala e quando ela estava longe, ligou par a Jayne em Sacr amento.

– Jayne, pr eciso que aver igue algumas pessoas par a mim, passado completo.

– Esper e um minuto, sim? – Sem esper ar pela r esposta, ela o deix ou esper ando.

Meio minuto depois, uma voz masculina disse: – Sean?

– Duke?

– Eu disse a Jayne que da pr óx ima vez que você telefonasse eu quer ia falar com você. Você não tem nenhum caso em andamento. O que está acontecendo?

Mesmo a mais de 4 mil quilômetr os de distância, seu ir mão o questionava. Eles tiver am essa conver sa centenas de vezes, e Sean pensou que depois de ter em tr abalhado juntos em diver sos casos complex os e também com Patr ick, Duke tivesse aceitado que ele er a um adulto capaz de tocar uma investigação sem a or ientação e o ger enciamento do ir mão mais velho. Mas só quando Duke, r elutante, concor dou que Sean e Patr ick abr issem a filial da RCK no leste, foi que Sean acr editou que de fato ele tivesse mudado.

– Pr eciso de per missão par a usar os ser viços de Jayne? – Sean per guntou.

– Não, clar o que não, mas...

– Então por que está fazendo isso?

– Patr ick me contou sobr e o assassinato de Roger Mor ton. O FBI está investigando, e nós temos um r elacionamento delicado com os feder ais e pr ecisamos usar ar timanhas par a qualquer investigação par alela.

– E acha que eu não sei disso? – Sean não se pr eocupava em usar de afabilidade com o tr ato com o FBI, mas também não queimava nenhuma ponte.

– Eu só quer o ser infor mado.

Sean r esolveu ter essa br iga com Duke em outr o dia. Não tinha nem tempo, nem inclinação par a br igar naquele instante.

– Isto não está r elacionado a Mor ton. Há um gr upo de vingador es visando agr essor es sex uais, e Lucy Kincaid se viu, sem quer er, metida nisso. Eles a usar am par a ar mar emboscadas par a as vítimas, e eu pr eciso ver ificar algumas fichas.

– Quem sabe disso?

– Ninguém ex ceto eu, você e Lucy. E talvez um policial local. Ele é o pr imeir o que quer o aver iguar. Não acr edito que ele esteja envolvido, mas ele tem acesso.

– Me passe os nomes. Vou cuidar disso pessoalmente.

– Por enquanto são dois: Cody Lor enzo, policial de D.C., e Fr ances Buckley, a dir etor a do PMC. Ela é antiga agente do FBI – por que ele havia pr ometido ser discr eto em r elação às vítimas de Pr enter, ele mesmo cuidar ia dessas pessoas.

– Per feito. Vou investigá-los e depois eu ligo.

– Duke...

– O quê?

– Se quiser falar comigo sobr e o modo como estou tocando a RCK leste, me telefone. Não coloque Jayne no meio disso.

Duke não disse nada por um tempo.

– É justo. Mas você tem de entender que...

– Não. Eu não tenho que entender nada sobr e a sua falta de confiança em mim. Tenho 29 anos. Você já cuidava da Rogan-Car uso com essa idade.

Pensei que a minha mudança fosse um passo positivo, que pr ovava a sua confiança em mim...

– Eu confio, Sean.

– Não no que impor ta de ver dade – disse antes de desligar o telefone.

Lucy desceu as escadas com o laptop na maleta e uma pasta gr ossa.

– Estou pr onta – ela inclinou a cabeça. – Você está bem?

– Sim. Só tive um desentendimento com meu ir mão.

– De negócios ou pessoal?

– Ambos.

Ela assentiu em compr eensão. Sean inclinou-se e beijou-a de leve.

– Nós vamos descobr ir ex atamente o que está acontecendo. Confie em mim.

– Eu confio.

Duke o conhecia a vida inteir a e ainda não confiava nele completamente. Lucy o conhecia há poucas semanas e estava colocando o seu futur o nas mãos dele. Nas mãos deles , por que ela estava tão envolvida naquilo quanto ele. Por isso Sean não a decepcionar ia.

Seguir am pelo cor r edor e ela apontou par a o vaso de r osas ver melhas.

– Obr igada – ela disse ao abr ir o painel do alar me.

– Pelo quê?

– Pelas r osas.

Sean par ou no meio do caminho. Olhou par a as r osas, como se a r esposta sobr e quem as enviou estivesse escr ita nas pétalas.

– Eu não lhe mandei flor es.

– Mas... – a voz de Lucy ficou pr esa quando ela viu a ver dade no olhar dele.

Sean olhou par a a mesa e viu o car tão. Ódio e medo cor r er am em suas veias quando ele leu a br eve mensagem:

Eu me diver ti muito no r inque de patinação ontem. Até br eve.

– Eu não escr evi isto. Quem sabia que estávamos no r inque ontem?

O pânico que tr espassou a ex pr essão de Lucy er a tangível.

– Ninguém – ela sussur r ou. – Ninguém.

VINTE E DOIS

Lucy ficou envolvida em seus pensamentos enquanto Sean dir igia par a o PMC. Ela odiava a sensação de ser uma vítima novamente e jur ou que isso n ão acontecer ia. Não er a uma vítima. Havia lutado há seis anos e, apesar de ter per dido alguns r ounds, ela vencer a a batalha. Havia s obrevivido. Havia pr osper ado. Tinha uma vida, um futur o e a família.

Alguém a obs ervou on tem n o rin que de patin ação. Algum maluco a viu com Sean . Viu-a beijá-lo. Sujou o que era puro e divertido.

Sentiu náusea e fechou os olhos, r ezou par a que Sean não per cebesse seu caos inter no. Mas com os olhos fechados, as lembr anças do que Roger Mor ton lhe fez voltar am à memór ia: flas hes , como em uma câmer a, os outr os assistindo ao seu estupr o e às agr essões.

Não conseguia supor tar a ideia de que sua afeição par a com Sean tivesse sido maculada por um voyeur. Um pers eguidor. A dor a tr espassou, uma angústia física, até conseguir voltar a r espir ar nor malmente de novo.

As r osas e o car tão indicavam que ele er a um per seguidor. Sua mente sabia disso e se r ebelava, ir ada e pr onta par a r eagir. O espectador intangível, contudo, assistindo-a como se ela fosse um espetáculo, atiçou a br asa da dor que ela ainda tinha ancor ada dentr o de si.

Intelectualmente Lucy podia r epetir que não er a uma vítima, que er a uma sobr evivente e que todos os envolvidos em seu ataque estavam mor tos. Podia r epetir esse mantr a indefinidamente, mas isso não mudava o estado do seu estômago, ou o for migamento na pele que sentia quando as pessoas a obser vavam, ou o modo como a gar ganta se contr aía quando ela abaix ava a guar da e as lembr anças a assolavam inesper adamente.

Tudo havia sido melhor até o pr esente. As mentir as de Kate, o homicídio de Mor ton, o per seguidor . Tudo voltava a ser r eal novamente.

O car r o par ou antes que sequer per cebesse que haviam chegado à sede do PMC.

Sean disse:

– Eu não ter ia lhe enviado r osas ver melhas.

Ela abr iu os olhos e o fitou. Ele esticou a mão e a tocou na face, depois passou os dedos pelos cabelos dela.

– Eu ter ia lhe mandado mar gar idas multicolor idas, dúzias delas em amar elo, br anco, azul, violeta e r osa e todas as outr as cor es disponíveis.

– Por que mar gar idas? – ela sussur r ou.

– Por que elas a far iam sor r ir, depois r ir, e você voltar ia a sor r ir todas as vezes que as olhasse. Toda vez que visse uma mar gar ida, você pensar ia em mim. Por que ninguém mais lhe mandar ia um buquê de flor es tão ex cêntr ico.

Ele pux ou-a, encontr ando-a na metade do caminho que os separ ava e a beijou. Tudo começou de leve, como se ele tivesse a intenção de lhe dar um beijo de apoio. Mas ele não ter minou. A boca pr essionou a dela, confiante, calma, mas per sistente. A mão a segur ava pelo pescoço, os dedos movendo em pequenos cír culos como cinco fadas dançantes, r elax ando os músculos tensos. Os lábios dela par tir am-se quando ela r elax ou, os ner vos acalmar am-se, e ela r ecostou-se em Sean, a mão dir eita pousando no r osto dele, os pelos da bar ba começando a r omper a pele. Ela r oçou-os de leve, a tex tur a de lix a enfeitiçando-a, em seguida subiu a mão par a a maciez dos cabelos, deliciando-se com o contr aste.

Sean beijou-a r epetidamente, como que par a se assegur ar de que ela estivesse ali, e ela r etr ibuiu a ur gência do gesto, a dor inter na e o medo r ecuando um passo, sendo tr ancados atr ás das por tas onde ela r ezava que ficassem par a sempr e.

Ele desatou o cinto de segur ança dela, atr aindo-a par a o mais per to possível devido ao console que separ ava os assentos. Lucy apoiou a cabeça no peito de Sean e fechou os olhos, sentindo paz, segur ança e esper ança.

De algum modo eles encontr ar iam as r espostas. E quaisquer que fossem essas r espostas, e quem quer que fosse o r esponsável, Lucy sobr eviver ia. Já havia sobr evivido a coisas pior es.

Antes ela tinha a família. Agor a... Pensou que poder ia ter algo mais.

Alguém mais.

– Lucy, – Sean disse baix inho em sua or elha – você está bem com r elação a isto?

– Ofer ecer um tour nas dependências do PMC par a que você plante escutas? Não sei. Mas... Entendo que você tenha que fazê-lo. Por ém, assim que eu conseguir os ar quivos de que pr eciso, nós vamos falar com Kate, está bem?

Ele sor r iu.

– Cer to, mas eu não estava me r efer indo ao PMC. Eu estava falando de nós. Sobr e mim. Você. Isto – ele beijou-a.

Ela lambeu o lábio, depois o beijou com fir meza, mostr ando que estava muito bem em r elação àquilo.

– As ações dizem mais do que as palavr as.

– Talvez eu só queir a ouvir o quanto você gosta de mim – ele deu um sor r iso maquiavélico. – Tenho um ego sensível que pr ecisa de constantes lembr etes de que estou à sua altur a.

Ele disse aquilo em tom de br incadeir a, mas Lucy ouviu uma pontada de admir ação e apr eensão na voz dele, como se ela fosse especial e ele pr ecisasse mesmo saber como ela se sentia.

– Gosto de você – ela gar antiu. – Você é mar avilhoso e me mer ece.

Vamos logo acabar com isso e levar a nossa admir ação mútua par a casa.

– Antes de subir mos, ligue par a Kate. Pr ecisamos saber mais a r espeito das r osas.

*

Noah pr ecisava da luz do dia.

Ele esteve enfiado na sala sem janelas de Kate em Quantico o dia inteir o. Por mais que entendesse a necessidade de mais computador es, ele não compr eendia por que eles não for am colocados em outr o lugar. Seu cubículo na sede r egional tinha uma janela.

– Sua tensão está me sufocando – Kate comentou.

– Como consegue tr abalhar aqui?

– Já tr abalhei em lugar es pior es. Pode sair, eu telefono quando os ar quivos tiver em sido decodificados.

Kate estava r odando um pr ogr ama par a r ecr iar cada e-mail passado na conta de Roger Mor ton. Ela pr ecisava ficar atenta par a pr evenir qualquer pr oblema e, ao mesmo tempo, estava cor r igindo as pr ovas da atual tur ma de r ecr utas do FBI. Passar o pr ogr ama tomou quase tr ês dias do seu tempo; Noah jamais dur ar ia na divisão de cr imes vir tuais.

Noah decidiu tr abalhar dali em vez de ir par a o seu cubículo no centr o por que ele não estava se sentindo totalmente à vontade em ter alguém ajudando, ao menos alguém que tivesse um histór ico tão r etor cido com a vítima. Mas Kate não agiu de outr o modo que não com ex tr emo pr ofissionalismo. Um tanto ir ascível por vezes, mas sempr e astuta.

– Onde está Abigail? – Kate per guntou.

– Ela tr abalhou o dia inteir o tentando conseguir os dados do GPS do car r o usado por Mor ton. Foi fer iado feder al, não que você estivesse pr estando atenção ao calendár io.

– Também não o vi tir ar o dia de folga, Ar mstr ong.

O telefone piscou, mas não tocou. Kate atendeu. Ouviu por um minuto, depois disse:

– Não vi o logo na later al do caminhão. O entr egador tinha 1,80, vestia calças pr etas, uma jaqueta azul-mar inho, camisa r olê ver melha por baix o.

Pr ovavelmente alguma malha por baix o também; não vi por que a jaqueta er a lar ga. Boné ver de, letr as br ancas... – ela fechou os olhos. – Flor es GW.

Ele tinha os cabelos pr esos em um r abo de cavalo gr ande. Sim, clar o que tenho cer teza de que er a um homem. Lucy, o que há de er r ado?

A ansiedade na voz de Kate fez com que Noah voltasse sua atenção par a a conver sa.

Kate disse:

– Não saia de casa... Dr oga, Lucy! – ela se levantou e começou a andar de um lado par a o outr o até onde o fio do telefone alcançava. – Quer o falar com Sean... Pr este atenção, Sean, vou voltar par a casa assim que puder.

Não estou gostando disso... Não consigo acr editar que a tenha levado par a o PMC!... É bom você ficar de olho nela – bateu o telefone.

– Está tudo bem?

– Mar avilha. Lucy tem um...

– Um segundo, por favor – ele disse quando uma mensagem pipocou na tela. – O ex ame de balística do homicídio de Ralston chegou. Não bate com nada no banco de dados.

– Compar ar am com o caso de Mor ton? Foi r ecente e...

– Compar ar am. Não bate.

O computador bipou, e Kate se vir ou par a a tela. Deu um amplo sor r iso.

– Sou um gênio – ela aper tou algumas teclas. – Já está impr imindo.

Temos muito par a ler hoje à noite. Quer o levar isto par a casa.

– Está acontecendo alguma coisa?

– Ouviu o telefonema.

– Não pude deix ar de ouvir .

– É Lucy. Ela acha que alguém a está per seguindo. Pr eciso investigar umas r osas que for am entr egues. Deduzi que fossem de Sean. Não er am.

*

Depois que Lucy fez o gr ande tour pelo escr itór io do PMC com Sean e ele plantou escutas nas salas de r eunião e na sala de Fr an Buckley, ele deix ou-a com a r ecomendação de não sair do escr itór io até o seu r etor no.

Em seguida, foi par a a Flor es GW em Geor getow n.

Sean entr ou na lojinha na Rua Wisconsin, que estava vazia, à ex ceção da jovem atr ás do balcão. Ele apr ox imou-se com um sor r iso.

– Posso ajudá-lo? – ela per guntou.

Sean ponder ou dois modos de conseguir a infor mação sobr e quem enviar a as r osas. Nor malmente os lojistas não par tilhavam infor mações par ticular es sobr e os clientes com qualquer um. E, por mais que ele conseguisse obter infor mações das mulher es usando seu char me, isso não er a gar antido e ele só ter ia uma tentativa.

Pegou a car teir a do bolso da fr ente e mostr ou a licença de investigador par ticular .

– Sean Rogan, investigador par ticular. Fui contr atado por uma mulher que está sendo per seguida. Ela r ecebeu uma dúzia de r osas ver melhas hoje de manhã entr egues por um dos seus funcionár ios. Não havia assinatur a no car tão, mas a mensagem a per tur bou demasiadamente. Você tem r egistr ado quem encomendou essa entr ega?

Ela olhou par a a identificação dele e fr anziu o cenho.

– Não posso dar esse tipo de infor mação.

– Entendo. Vou pr estar queix a em nome dela e depois volto com um mandado – ele guar dou a identidade.

– Não sei... Sabe, só tr abalho à tar de. Posso ligar par a a minha mãe, que é dona da loja.

– Vocês mantêm os r egistr os das entr egas?

– Clar o.

– Tenho o nome e o ender eço da pessoa par a quem elas for am mandadas.

Sean infor mou o ender eço de Lucy e esper ou enquanto ela digitava.

– Sim, temos uma dúzia de r osas ver melhas de cabo longo enviadas par a esse ender eço pela manhã.

A tensão na boca do estômago dele se intensificou.

– Você tem um nome? – o fato de ele manter o tom pr ofissional er a pr ova do seu ex celente tr einamento.

– O senhor Lor enzo não é um cliente costumeir o e pagou em dinheir o.

Sean endir eitou-se.

– Lor enzo? – ele r eplicou.

Ela se assustou e r ecuou um passo.

– S-sim – Sean devia estar par ecendo fur ioso por que a gar ota mais par ecia uma gazela sob um holofote.

– Cody Lor enzo? – ele disse, esfor çando-se par a manter a calma.

– Sim.

O que Lor enzo estar ia apr ontando? Depois de acusar Lucy da par ticipação na mor te de Pr enter, talvez, e só talvez, Sean o visse enviando flor es par a se desculpar. Mas o car tão não er a de des culpas . O

que ele fazia obser vando Lucy no r inque de patinação? Por que enviar uma mensagem enigmática? O policial tinha de saber que isso a per tur bar ia.

Contudo, isso não er a incomum: ex -namor ados, por vezes ex -

namor adas, incapazes de seguir em fr ente, que acabavam se tor nando per seguidor es. E Lor enzo er a policial, eles tinham acesso a infor mações indisponíveis a pessoas nor mais. Quando um policial vir ava per seguidor, a histór ia r ar amente ter minava bem. Eles nor malmente usavam seus r ecur sos par a intimidar as vítimas.

Sean não per mitir ia que Lucy fosse intimidada por ninguém, especialmente por Cody Lor enzo.

– Senhor Rogan? – a atendente mor dia o lábio infer ior .

Sean tentou sor r ir , mas ficou sem saber se conseguiu.

– Obr igado. É possível que eu tenha de falar com a pessoa que atendeu o senhor Lor enzo hoje de manhã, caso eu tenha outr as per guntas.

Ela entr egou um car tão da loja, com um númer o na par te de tr ás.

– Esse é o númer o da minha mãe. Ela estar á aqui amanhã de manhã.

– Obr igado pela sua ajuda – Sean entr egou o seu car tão. Ainda estava fur ioso com Lor enzo, sem saber o que ele estava pr etendendo, além de assustar Lucy, mas, na por ta, mar gar idas br ancas chamar am sua atenção.

Ele se vir ou par a a moça. – Posso compr ar essas mar gar idas com um vaso?

VINTE E TRÊS

Lucy per maneceu em silêncio enquanto Sean dir igia par a casa. Ela não conseguia aceitar que Cody lhe enviar a as r osas.

Ele devia tê-los seguido após a missa. Isso também ex plicar ia a sensação intensa de estar sendo obser vada nas últimas semanas. Mas eles haviam r ompido no ano passado! Por que agor a? Por causa de Sean?

Sentia-se doente. Havia confiado em Cody; estar ia seu julgamento tão r uim assim? Não enx er gar ia a ver dade mesmo vendo Cody o tempo inteir o?

Olhou par a as mar gar idas na mão e r espir ou fundo, tentando aceitar o fato de que Cody a vinha per seguindo.

Sean disse:

– A boa notícia é que, quando confr ontados, a maior ia dos per seguidor es cessa o assédio. Lor enzo tem muito a per der ; ele vai r ecuar .

– Você deve ter r azão – ela disse baix o.

– Você está bem?

– Ér amos amigos. Foi o que pensei, pelo menos. Como posso ter er r ado tanto a r espeito dele?

– Isso não é um pr oblema seu, Lucy; não pr eciso lhe dizer isso. É um pr oblema dele.

Em sua cabeça, ela entendia isso, mas o cor ação dizia que ela for a uma idiota por ter confiado em Cody por tantos anos. E por tê-lo namor ado.

Dor mido com ele. Ele sempr e foi tão bom par a ela.

Não vou chorar.

Sean par ou o car r o diante da casa estr eita.

– Venha aqui – ele disse, pegando a mão dela, beijando-a e depois a beijando nos lábios. – Nós vamos dar um jeito nisso. Eu pr ometo. Sei que está magoada, mas você é for te, Lucy. Vou falar com ele...

Ela fr anziu a testa.

– Ele encar ar ia isso como uma ameaça e não ar r edar ia os pés.

– Não acr edito nisso.

– Per seguidor es não costumam ser sempr e r azoáveis.

– Se ele der um mínimo de passo em falso, nós vamos pr ocur ar o super ior dele. Enquanto você e eu acr editamos que a mensagem seja per tur bador a, ele pode alegar que tenha sido inócua. Por isso vamos deix á-lo pr ecavido e seguir a par tir daí.

– Ok – ela ainda estava pr eocupada com a vontade de Sean confr ontar Cody, mas, naquele instante, não conseguir ia ex plicar a Sean a necessidade de enfr entar Cody quanto às r osas e à mensagem per tur bador a. Ela sabia ex atamente o que dizer .

– Nenhum de nós vai deix ar esse car a intimidar você – Sean disse, beijando-a de novo. – Você está bem?

– De muitas maneir as estou aliviada de que seja Cody. Eu o conheço, e por mais que não entenda o que ele está pensando, sei lidar com essa situação muito melhor do que se fosse uma var iável desconhecida.

Entr ar am na casa. Ainda que tivesse concor dado com Sean, não fazia sentido que Cody tivesse lhe enviado flor es, depois acusado de conspir ação em um homicídio. O que havia de er r ado com ele?

Kate estava sentada à mesa da sala de jantar com uma cer veja e pilhas de papel. Olhou par a Sean e disse:

– Descobr iu quem enviou as r osas?

– Cody Lor enzo.

Kate encar ou-o descr ente.

– Cody?

– Foi o que a flor ista disse. Pagou em dinheir o.

– O filho da mãe... Dr oga! Pr eciso falar com ele...

– Eu vou fazer isso – Sean inter veio.

– Não acho que seja uma boa ideia – Kate disse. – Consider ando-se... – a voz dela se inter r ompeu, mas os olhos descer am par a as mãos dadas de Sean e Lucy.

– Kate, com todo o r espeito, sei lidar com Lor enzo.

– E quanto a mim? – Lucy per guntou fr ustr ada. – Isso se r efer e a mim e a Cody. Não estou dizendo que vou fazer algo estúpido como confr ontá-lo em um beco escur o, mas acho que pr eciso conver sar pessoalmente com ele – Sean abr iu a boca par a falar, mas Lucy o inter r ompeu antes disso: – Entendo seus motivos, e você está cer to, a não ser pelo fato de eu conhecer Cody há tr ês anos. Posso descobr ir o que está acontecendo.

– Você não vai se encontr ar com ele sozinha.

– Vou convidá-lo até aqui. Vocês dois podem ficar escutando da cozinha, mas eu falo com ele. Tudo bem?

Nem Kate nem Sean gostar am da ideia, mas Kate disse: – Lucy tem r azão. Cody é amigo da família há anos.

– Muito bem – Sean cedeu, mas não par eceu muito feliz.

Lucy ligou par a Cody no celular . Caix a postal.

– Cody, é Lucy. Ligue par a mim quando r eceber esta mensagem. É

impor tante – desligou, ainda sentindo o estômago nauseado. – Vou tr ocar de r oupa – anunciou. Pr ecisava de alguns minutos a sós. – Volto em dez minutos.

Sean obser vou-a subir as escadas. Ela r eagiu como ele havia pr evisto, ainda que um pouco calma.

Quando ela não conseguir ia mais ouvi-los, ele per guntou a Kate: – O que você acha desse tal Lor enzo?

– Sente-se – Kate disse.

Sean sur pr eendeu-se com o comando. Sentou-se, embor a não gostasse de r eceber or dens.

– Cody não ficou nem um pouco feliz quando Lucy r ompeu com ele – Kate disse. – Mas isso já faz mais de um ano. Não consigo vê-la continuando a ser amiga dele caso ele a estivesse pr essionando a voltar em.

– Talvez seja por isso que ele a está per seguindo; por que não super ou o r ompimento.

Kate r efletiu um segundo.

– Esta é a pr imeir a vez que ele faz esse tipo de coisa. Ele estava satisfeito com o papel de amigo até... – ela encar ou-o com deter minação.

Ele se esfor çou par a não r eagir. A per gunta não feita por Kate er a quanto às suas intenções, e ele não se sur pr eendia com isso.

– Então ele me vê com Lucy, pir a e manda as flor es.

– Não sei por que ele não assinou o car tão – Kate disse. – Não entendo por que ele queir a assustá-la, quando o seu objetivo, ou o que acr edito que seja seu objetivo, é r econquistá-la.

– Talvez ele pr etenda se apr esentar par a pr otegê-la. Pr imeir o ele a assusta a fim de que ela se volte par a um policial par a se sentir segur a.

– E o que eu sou? Não sir vo par a nada?

– Sabe a que me r efir o. Um macho pr otetor e tal...

– Você se sai muito bem nesse papel – Kate disse.

Sean fr anziu o cenho.

– Não é a mesma coisa.

Kate sor r ia, e Sean per cebeu que ela estava lançando uma isca.

– Lucy está cer ta, por ém – disse ela. – Cody pr ecisa falar com ela. Só Lucy o far á entender. E se ele ultr apassar os limites, eu vou gr udar tanto no tr aseir o dele que ele vai mudar par a o outr o lado do país só par a se livr ar de mim.

Uma voz masculina sur giu na soleir a da por ta.

– Lembr e-me de nunca a enfur ecer , quer ida.

Sean vir ou-se e viu Dillon Kincaid, mar ido de Kate e ir mão de Lucy, par ado na por ta, com uma mala aos pés.

Kate deu um pulo e cor r eu na dir eção dele, lançando os br aços ao r edor do pescoço e beijando-o com tanta intensidade que Sean pr ecisou desviar o olhar .

– Pensei que você só fosse chegar depois da meia-noite – ela disse.

– Vim assim que encontr amos os cor pos – ele ex plicou.

– Sinto muito, Dillon – eles tr ocar am um olhar que disse mais do que mil palavr as, e Kate acr escentou com suavidade. – As famílias mer eciam saber a ver dade.

– O que está acontecendo com Lucy? – Dillon apr ox imou-se da mesa e cumpr imentou Sean. – É bom vê-lo novamente. Patr ick me contou que você estava ajudando a cuidar de Lucy enquanto essa situação de Mor ton não se r esolve.

– Sim, é ver dade – Sean disse.

– Obr igado – Dillon agr adeceu.

– Vou deix ar que Kate conte tudo. Sei que têm muito que conver sar.

Vou dar uma espiada em Lucy.

*

Sean bateu à por ta de Lucy e ouviu um r esmungo que não soube dizer se er a en tre ou vá embora.

Ele entr ou.

O quar to de Lucy er a amplo, nas mesmas dimensões da gar agem abaix o, mas com clar aboias se pr ojetando do teto inclinado. Ele estava r azoavelmente ar r umado, embor a a cama não tivesse sido feita e houvesse pilhas de livr os em todos os cantos possíveis, além de duas estantes abar r otadas. Ela estava sentada em uma poltr ona do outr o lado.

– Vou descer em um segundo – ela disse.

Ela esteve chor ando. As lágr imas já haviam secado, mas o r osto estava bor r ado, e ela estava sentada com os joelhos dobr ados e o queix o apoiado neles, fitando par a for a da janela. Não havia nada par a ver, o céu nublado bloqueava a lua e as estr elas, ainda que as luzes da cidade fossem ofuscá-las de qualquer modo.

Sean fechou a por ta e apr ox imou-se dela. Lucy olhou de r elance par a ele, uma pontada de r aiva atr avessando a angústia.

– Dillon chegou.

– Obr igada.

Ela o fitou, os olhos car r egados de uma emoção que ela se esfor çava par a esconder . O que ela estava tentando esconder dele?

Ele se agachou diante da poltr ona, tentando entender o que ela pensava, o que ela mais temia. Não er a o per seguidor ; ela sentia mais r aiva e tr isteza em r elação a Cody do que medo. Er a outr a coisa... Algo além do ex -namor ado. Er a pessoal. Er a a r espeito dela mesma.

Ela desviou o olhar, obviamente desconfor tável com sua atenção. O que isso r evelava? Que ela estava com medo do que ele sentia por ela? Ou dos sentimentos dela por ele? Ser ia possível que ela temesse que ele fosse embor a por causa do seu passado? Ou que ele estivesse ali só por causa disso?

Como ele poder ia convencer Lucy do quanto ele se impor tava?

Ele segur ou as mãos dela, que estavam cr uzadas ao r edor dos joelhos.

E pux ou-a.

– Sean, eu...

Ele beijou-a de leve, pegou-a no colo e vir ou-a, sentando-se onde ela esteve segundos antes, mas com Lucy em seu colo.

– Entendo por que gosta desta poltr ona – ele disse. – Acho que nunca mais vou me levantar .

– Como sabe que gosto dela?

Ele sor r iu e apontou par a os livr os que a r odeavam. Ele desceu a mão pelo r osto, pelos cabelos espessos e segur ou a cabeça dela com fir meza, beijando-a novamente. Dessa vez ele a beijou com ar dor, usando a língua com um fir me pr opósito, com gentileza, devagar e metodicamente. A tensão no cor po de Lucy se desfez e um suspir o r ever ber ou no peito dela.

Ele tinha um br aço nas costas dela, entr e o apoio da poltr ona e o cor po, o outr o subiu pelo br aço, depois desceu devagar, pr opositadamente, até a cintur a onde a segur ou.

Lucy não conseguia se lembr ar da última vez em que sentiu tamanha paz, confor to e desejo. Sean beijava-a com suavidade, indefinidamente, sem pr essa, sem pr essão, somente uma constante afeição fluía dele. Ela absor veu-a, deliciando-se com o abr aço. Sentiu-se desejada, quer ida. Mas o que pr ovocava o far falhar em seu estômago er a Sean. O modo como ele a fazia se sentir ao mesmo tempo pr otegida e acr editada, a maneir a como ela o fitava como se par tilhassem um segr edo. O modo como ele a tocava.

Não só ali na poltr ona, com os br aços ao seu r edor como se fosse um cober tor quente e musculoso, mas o tempo todo. Com um toque na mão.

Quando se apoiava às suas costas. Resvalando seu br aço, como que só par a se cer tificar de que ela estava lá, de que ela soubesse que ele estava lá. Ele er a a pessoa mais tátil que ela conhecia. Sean Rogan er a ex tr emamente confiante, ele sabia que er a esper to e atr aente, mas não se gabava disso.

Quando ele a tocava er a como se quisesse assegur ar -se de algo. Do quê? De que ela estava lá? De que ela não ir ia embor a? De que ela quisesse que ele a tocasse? Er a um gesto car inhoso e ex citante, nem um pouco assustador .

– Eu quer ia que você pudesse me abr açar assim a noite inteir a – ela sussur r ou.

– Não acho que eu conseguir ia somente beijá-la a noite inteir a.

Ela engoliu em seco, sentindo os antigos r eceios voltar em.

– O que o fez acr editar que eu estava me r efer indo somente a beijos?

– Por que está na defensiva?

– Não estou... – mas estava. Seu maior temor er a apaix onar -se por alguém e quando ela quisesse fazer amor, ser r epelida pelo homem. A ex per iência com a pr imeir a pessoa de que gostou o suficiente par a ir par a a cama foi estr anha, desconfor tável, e ele r ompeu o r elacionamento logo em seguida. Foi muito mais culpa sua do que dele, por que ela devia saber que não estava pr onta; e que ele não a amava o bastante par a ser paciente.

Cody foi mar avilhoso, doce e sensual, mas sempr e cauteloso. Atencioso demais. Cuidadoso demais. O que levou Lucy a deduzir que ele não desconsider ava o fato de ela ter sido estupr ada. Olhando em r etr ospecto, ela ter ia como saber que ele a per seguir ia? Er am dois golpes, dois homens por quem ela se impor tou que acabar am se mostr ando bem difer entes do que ela pensou que fossem.

E quanto a Sean? Ser ia ele quem ela acr editava mesmo que fosse? Ou ela er a uma tola, cega e idiota? Ela não vir a nenhum tr aço de per seguidor em Cody. O que não estava enx er gando em Sean?

Ela quer ia alguém que fizesse amor com ela, somente com ela. Sem pensar em nada a não ser nos dois, naquele instante. Ela quer ia apagar o passado e não pensar no futur o por aquele instante de pr azer que ela sabia ser possível, se ao menos encontr asse a pessoa cer ta.

– Fale comigo, Lucy.

Ela não quer ia dar voz aos sentimentos, temendo que eles afugentassem Sean. Como ex plicá-los sem par ecer uma tola? Ou lamur iante?

– Quer fazer amor comigo?

Ele encar ou-a.

– Esta é uma per gunta capciosa?

– Não neste ex ato minuto, mas de modo ger al. Se estivéssemos sozinhos, você me levar ia par a a cama?

– Por que está per guntando isso? Você acha que eu a estou pr essionando? Não estou. Só não consigo par ar de tocar em você.

– Gosto disso.

– Você está me confundindo, Lucy. Conte-me o que está pensando de ver dade.

Ela fechou os olhos. Talvez se não olhasse par a ele, fosse mais fácil ex plicar .

– Quer o ser nor mal – ela disse. – Você me faz sentir bela e desejável, mas sinto que... – hesitou. Engoliu em seco e juntou a cor agem par a contar a ver dade par a Sean. – Eu sinto que você me tr atar á de modo difer ente por causa do que me aconteceu. Não quer o ser difer ente. Eu quer o que me tr ate como tr atar ia qualquer outr a mulher que você desejou, não como se eu fosse me par tir ao meio ou fosse ter um ataque de pânico. Só quer o ser como as suas outr as namor adas.

Sean não disse nada e Lucy soube ter falado demais. Afinal, só tiver am poucos dias par a se conhecer em, e esses poucos dias for am maculados por assassinatos, per seguidor es e vingador es. Dificilmente uma fundação for te par a que um r elacionamento pr osper asse.

Ela tentou se levantar , mas Sean a abr açou com mais for ça.

– Olhe par a mim, Lucy.

Ela se vir ou par a ele.

– Você n ão é como as minhas outr as namor adas. Não fique tensa; vai me ouvir até eu acabar. Você não é como elas. E isso é bom. Mas não tem n ada a ver com o seu passado. Absolutamente nada – ele balançou a cabeça com um meio sor r iso. – Eu saí com cabeças de vento. Mulher es lindas que tinham pouca vontade ou deter minação par a fazer qualquer coisa pr ofunda ou com algum significado. Elas er am super ficiais. Você não é nem um pouco super ficial.

– Então por que eu?

– Há muito tempo eu estava cansado das mulher es super ficiais, mas não sabia como sair desse ciclo. Não quer ia de ver dade. E então, eu a conheci, e você ficou na minha cabeça desde então.

– Desde a semana passada? Eu só tr oux e dr ama par a a sua vida.

– Semana passada? Que tal mês passado, quando jantamos no chão da cozinha da RCK? Que tal ano passado?

– Ano passado?

– Não se lembr a? Você foi até Sacr amento par a visitar Patr ick e Jack, foi até o escr itór io da RCK à tar de e eu estava no meu escr itór io. Patr ick nos apr esentou.

– Eu me lembr o, mas isso só dur ou uns dois minutos.

– Eu me senti imediatamente atr aído. Eu sabia que estava far to da vida que tinha cr iado par a mim mesmo. Eu não sabia que me mudar ia par a cá, embor a tivesse esper anças de voltar a vê-la. Mas você nunca mais foi par a lá, e Patr ick tinha me contado que você tinha ter minado com seu namor ado, e eu não quer ia ser só o car a após a fossa. Sem falar que você mor ava a mais de 4 mil quilômetr os de distância.

– Agor a só estou a seis quar teir ões.

– Muito melhor – ele a beijou. A mão dele tocou a pele suave dela debaix o do queix o, depois desceu pelo pescoço par a fir má-la, a fim de convencê-la de que havia falado sér io. – Não posso pr ometer que algumas vezes eu não vá tr atá-la... de um modo diferen te, como você disse. Tudo o que nos acontece faz par te da gente. As coisas boas e as r uins. Tudo molda nosso futur o, nosso destino. Mas o que de fato impor ta é o que está aqui dentr o – ele, então, apoiou a mão no peito dela. – Eu far ia tudo par a apagar o que aconteceu com você; far ia tudo par a apagar suas lembr anças, seu medo e sua dor. Mas no fundo, você é Lucy Kincaid. Inteligente, linda e cheia de compaix ão. Sua compaix ão e sua deter minação são infindáveis.

Você é difer ente, não só pelo que aconteceu. Você é difer ente por que se impor ta. Quer fazer a difer ença no mundo, ajudando os outr os a encontr ar a paz. Há tanta coisa aqui – ele pr essionou o peito dela – que a tor na difer ente.

Ela não conseguiu evitar sor r ir , sentindo as faces cor ar em.

– Quer o ficar com você, Lucy – ele a beijou, levando a mão em dir eção ao seio dela. – E se eu tiver de levá-la par a a cama par a pr ovar isso, então acho que ter ei de fazer esse sacr ifício – e sor r iu. – Estou disposto a me sacr ificar com bastante fr equência. Acho que você é do tipo teimosa, pode pr ecisar de constantes lembr etes de que eu a consider o não só linda, mas incr ivelmente sensual.

Ela o abr açou pelo pescoço.

– Você é incr ível.

– Eu sei.

– E ar r ogante.

– Sou um Rogan. Isso está nos genes.

– Gosto disso.

Lucy ador ou a postur a de Sean. Ela ador ou o modo como ele tocou seu seio, como ele ficava à vontade com o cor po dele e com o dela. A confiança dele a deix ou mais confiante.

Inclinou-se, mudando de posição no colo dele até se sentar de fr ente.

Beijou-o no pescoço, beijinhos molhados que par tir am da or elha até a boca, onde ela o beijou com ar dor, o cor po se movimentando como se tivesse vontade pr ópr ia.

Ele posicionou as mãos na cintur a, levantando-as debaix o da camisa dela, tocando a pele nua. Elas estavam quentes, quase ar dendo contr a a pele fr esca, subir am até os seios e par ar am, segur ando-os, os dedos movimentando-se em uma massagem lenta e sensual debaix o do sutiã meia-taça. Quando os polegar es esfr egar am os mamilos, ela ar fou em sur pr esa com a cor r ente de calor que subiu pelo cor po.

– Lucy – Sean gemeu, abr açando-a e beijando-a com um ar dor que a deix ou sem ar. Com r elutância, ele afastou os lábios dos dela. – Acho melhor descer mos ou estar ei em apur os por algo que nem estamos fazendo.

Lucy pr ecisou de um segundo par a entender a que ele se r efer ia.

Ela sor r iu, gostando dessa nova sensação, dessa nova r elação com aquele homem. Não er a algo que ela tivesse pr evisto, mas... Mas não ir ia questionar ou analisar o que estava sentindo, não naquela situação.

– Quase me esqueci de que não estamos sozinhos em casa.

– Isso pode não me deter da pr óx ima vez.

VINTE E QUATRO

Quando Lucy desceu, viu Dillon na sala de jantar ao telefone. Ela acenou cumpr imentando-o. Mesmo depois de descobr ir o acor do feito com Mor ton, er a bom r ever o ir mão.

Dillon olhou par a Sean um segundo a mais que o necessár io, e Lucy vir ou-se, um tanto tímida, per cebendo que Kate devia ter contado tudo par a ele. Não só sobr e Mor ton e o per seguidor, como também sobr e seu envolvimento com Sean. Muito havia acontecido no tempo em que ele esteve for a.

– Acho que vou fazer café – ela disse quando Sean a seguiu até a cozinha.

Sean beijou-a no r osto.

– Não se pr eocupe. Seu ir mão logo vai me amar – ele sussur r ou em seu ouvido.

Ela r epr imiu uma gar galhada.

– Acha que Jack também?

Sean fingiu medo. Ou talvez não estivesse mentindo.

– Ele gostava de mim antes de você se apaix onar por mim; acho que isso quer dizer alguma coisa – ele deu uma piscadela.

Dillon entr ou na cozinha e disse:

– Kate me contou sobr e Cody. Eu sinto muito, Lucy.

Dillon não pr etendia acabar com o bom humor dela, mas a r ealidade ar r efeceu seu ânimo.

– É, eu também – o que mais ela poder ia dizer ? Ela estava tão ex austa que só conseguia pensar em dor mir. Contudo, suspeitava de que assim que a cabeça tocasse no tr avesseir o, ela r epassar ia cada conver sa tida com Cody, tentando identificar os sinais per didos.

Enx aguou a gar r afa tér mica e tr atou de se ocupar em fazer café, pr ecisando fazer algo com as mãos.

Sean per guntou:

– Onde está Kate?

– Numa ligação no escr itór io.

– Vou pegar o meu laptop no car r o – Sean disse. Pr endeu o olhar de Lucy. Ele estava pensando em escutar as gr avações das escutas no PMC.

Ela quase tinha se esquecido disso.

Depois que Sean saiu, Lucy pensou que Dillon quisesse discutir o fato de ela levar r apazes par a o quar to, apesar de ela não ser mais adolescente, mas, em vez disso, ele disse:

– Eu sinto muito mesmo por ter mos escondido os ter mos do acor do feito com Mor ton, Lucy.

Ela colocou pó de café no filtr o.

– Eu sei. Não estou mais br ava com isso, Dillon, afinal, você não tomou par te daquilo – ela olhou par a ele. – Eu só quer ia que você tivesse confiado em mim como uma adulta.

– Eu confio...

– Mas na época eu não er a?

– Na época, eu quer ia pr otegê-la.

Ela r espir ou fundo.

– Você não pode me pr oteger. Ninguém pode. Só fazemos o que podemos. E eu me r ecuso a viver no passado. Não sou mais a gar ota de seis anos atr ás.

– Sei disso.

– Só ex iste um tanto que podemos fazer par a pr oteger a nós mesmos e às pessoas a quem amamos. A menos que vivamos em um quar to do pânico 24 hor as por dia, sete dias na semana, nunca estar emos cem por cento segur os. Mas sabe o que nos coloca em per igo?

– O quê?

– As mentir as. A falta de infor mação. As boas intenções. Eu dever ia ter sabido que Mor ton estava livr e, por que assim eu ter ia in formações par a me pr oteger. Se eu tivesse me depar ado com ele sem saber, eu ter ia ficado par alisada. Essa hesitação poder ia ser o meu fim.

Os olhos azul-esver deados de Dillon a fitar am com o amor incondicional da família.

– Não se subestime, Lucy.

– Eu não me subestimo.

Ela despejou a água na cafeteir a, fechou a tampa e ligou o botão.

– Mas... – ele incitou.

– Sou humana. Posso ficar chocada.

– Eu sinto muito mesmo.

– Eu sei e per doo você. Sei que tudo o que fez foi por me amar – ela apr ox imou-se dele e beijou-o no r osto. – Isso não acer ta as coisas, mas faz com que sejam compr eensíveis. E eu também amo você, Dillon.

Ela se r ecostou na bancada e ficou obser vando o café cair na cafeteir a.

Dillon disse:

– Você foi patinar no gelo ontem?

– Também me sur pr eendi com isso.

– E você gosta de Sean Rogan?

Ela r evir ou os olhos.

– O que acha?

– Acho que está r espondendo minhas per guntas com outr as per guntas por que não sabe as r espostas – Dillon se apoiou na bancada ao seu lado.

Continuar: parte 10 de 17