Se eu Morrer Antes de Você
1. Um
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 17 partes.
nome
sur giu
como
sendo
um
antigo
associado
da
Empr eendimentos Tr ask. Não estou inter essado nos seus negócios. Só quer o saber quem Mor ton veio encontr ar em D.C.
Yur an estava quieto, avaliando Sean com inter esse indisfar çável, passando cada cenár io possível na cabeça. Sean sabia disso por que er a o que costumava fazer .
– Não tenho por que ajudá-lo, senhor Rogan.
– Clar o que tem. Ser ia sua boa ação do ano.
– Não faço boas ações.
– Poder ia começar agor a.
Ele sabia de alguma coisa; Sean sentia isso nos ossos. Yur an encar ou-o por um minuto inteir o antes de dizer :
– Não matei Roger. Ele não valia uma bala. Mas ouvi comentár ios sobr e um novo empr eendimento. Contudo não foi Roger quem pr ocur ava.
Quando Yur an não pr osseguiu, Sean quase não conseguiu se contr olar e instigar o r usso. Houve uma ligeir a mudança de posição nos segur anças atr ás deles, mas Sean não notou uma mudança no nível de ameaça.
– O nome de um patife, Ralston, apar eceu. Ouvi dizer que ele andava ofer ecendo mundos e fundos e não gosto de competição nos negócios. Fiz Johan investigar... – Yur an olhou par a o gr andalhão. – O que descobr iu, Johan?
– Ralston estava mentindo.
Yur an sor r iu.
– Alguém espalhou a notícia e usou Ralston par a isso, mas quando eu mostr ei inter esse, a conver sa miou. Fr ancamente, senhor Rogan, se me per mite ser dir eto, eu quer ia ar r ancar as tr ipas do idiota por me fazer per der tempo. Mas eu tenho cor ação.
Sean sor r iu, e Yur an r etr ibuiu um sor r iso. Fr io.
– Obr igado pelo seu tempo, senhor Yur an.
Ele se levantou. O gr andalhão não se moveu até Yur an assentir tão de leve que Sean quase não per cebeu.
– Senhor Rogan.
Sean se vir ou par a o tr aficante.
– Diga a seu ir mão Liam que eu não me esqueci.
Um gelo subiu pela espinha de Sean. Acenou na dir eção de Yur an, depois r ecuper ou as ar mas.
Quando ele chegou à por ta, Yur an disse:
– O único motivo pelo qual vai viver é por não ver seu ir mão há quinze anos. Faça disso outr os quinze.
*
Lucy encontr ou-se com Cody na Star bucks da r ua M dur ante o almoço.
– O que aconteceu? – ele per guntou, sentando-se assim que a viu.
– Pr eciso falar com você a r espeito do homicídio de Br ad Pr enter .
Ele fitou-a com olhos de policial: cur iosos, avaliador es e um tanto pr eocupados.
– Você viu o jor nal.
– Por que não me contou?
– Só soube hoje de manhã.
– Você sabia que ele levou quatr o tir os? Tr ês no abdômen e um atr ás da cabeça?
Ele se endir eitou.
– Como sabe disso? Isso não foi publica... – ele se inter r ompeu. – Você foi ao necr otér io.
– Li o r elatór io da autópsia.
– E por que fez isso? Poder ia ter me per guntado.
– Eu quer ia mais infor mações antes de conver sar mos. Ele dever ia ter ido par a o Fir ehouse e não o Clube 10. Isso não lhe par ece suspeito? Que Pr enter dever ia ter se encontr ado com uma gar ota e acaba mor to a tr inta quilômetr os, do outr o lado do r io, mais ou menos na mesma hor a?
– Como você sabe que foi na mesma hor a?
– Por que ele foi mor to entr e 21h30 e 22 hor as. A notícia no jor nal disse que ele estava paquer ando no bar antes de sair com ela...
– Lucy, nós discutimos isso ontem à noite. Pensei que tivéssemos concor dado que ele per cebeu que o encontr o com Tanya er a uma ar madilha.
– Não sei – ela fr anziu o cenho e ficou olhando par a o café.
– Lucy?
Ela o fitou.
– Mesmo sendo um lugar popular, o Clube 10 fica no centr o de seis quar teir ões de má r eputação – Cody disse. – Por ali acontece pr aticamente um assalto por noite. E dois homicídios no mês passado. Encontr ar am dr ogas com ele; não vi o r elatór io do labor atór io, mas talvez ele estivesse quer endo se dar bem e não deu cer to. Sabe quantos assassinatos motivados por dr ogas acontecem em D.C.?
– Eu sei, mas... – ela suspir ou. Talvez Cody estivesse cer to. Havia uma ex plicação lógica.
– Você se sentir ia melhor se eu aver iguasse?
Ela assentiu.
– Eu ficar ia muito gr ata.
– O que você acha que pode ter acontecido?
– Não sei. Eu só quer o saber por que ele estava n aquele bar. Por que ele deu o bolo em Tanya? Se eu dei a entender quem eu er a, pr eciso saber o que foi que eu fiz. Repassei todas as tr anscr ições das conver sas com ele ontem à noite... Não entendo.
– Mande essas tr anscr ições par a mim. Vou dar uma olhada. E talvez não tenha sido você... Ele pode ter me visto.
– Obr igada – ela disse. – Mesmo que você descubr a que ele sempr e vai lá, isso bastar á par a mim. Ou talvez ele tenha r ecebido uma ofer ta melhor . Sei lá, qualquer que seja o motivo, eu quer o saber .
– Sua cur iosidade a tor nar á uma agente do FBI.
Ela sor r iu.
– Ainda não r ecebi a r esposta par a saber se ser ei entr evistada.
– Você ser á. Sabe como a bur ocr acia é lenta – ele se esticou e aper tou a mão dela. – Vou ver o que descubr o sobr e a mor te de Pr enter, aposto como ex iste uma ex plicação lógica par a o fato de ele ter dado o bolo em Tanya e apar ecido no Clube 10.
*
Robbie RNR Ralston mor ava em um apar tamento do ter ceir o andar de uma casa estr eita em uma ár ea decr épita nos limites de D.C. Sean bateu à por ta, depois deu um passo par a tr ás, atento a movimentos na par te de dentr o. Não ouviu nada, mas havia alguma coisa estr anha ali. Estr emeceu.
Agachou-se diante da por ta e pr essionou os dedos no espaço entr e a por ta e o chão. O ar estava fr io como o gelo, muito mais fr io do que dever ia se o homem estivesse com o aquecimento no mínimo par a poupar ener gia. No fr io daqueles dias, mesmo quando o céu estava azul, se Ralston tivesse desligado o aquecedor , devia fazer um bom tempo que havia saído.
Sean pensou em pr ocur ar alguém que o deix asse entr ar. Ele conseguia quase tudo o que quer ia, mas um apar tamento de aluguel tão pequeno como aquele pr ovavelmente não ter ia um ger ente no local o tempo inteir o, e ele não quer ia pr olongar a situação. Pegou a fer r amenta par a abr ir tr ancas e abr iu a fechadur a em questão de segundos.
Assim que entr ou e fechou a por ta atr ás de si, entendeu imediatamente por que o apar tamento estava tão fr io: todas as janelas estavam entr eaber tas. Ele empunhou a pistola, ainda que suspeitasse que se houvesse alguém ali dentr o, essa pessoa só podia estar mor ta.
O cômodo da fr ente estava atulhado, mas limpo. O computador, em uma mesa do outr o lado, estava destr uído. O disco r ígido for a r emovido, a caix a da CPU for a aber ta e estava ex posta. Só havia dois cômodos no apar tamento, e Sean encontr ou Ralston, mor to há bastante tempo, no chão do quar to, com um tir o atr ás da cabeça. Sobr e a cama estava uma mala feita até a metade.
– Dr oga... – Sean mur mur ou. Pux ou o telefone e olhou par a ele. Pensou, só por um instante, em ligar par a a polícia, inventando uma desculpa plausível par a a sua pr esença ali. Isso, no entanto, pr olongar ia o inevitável.
Ralston estava associado a Mor ton, o que pr ovavelmente ligava o seu homicídio ao dele. O que ligava o seu assassinato a Lucy.
O apar tamento for a mantido fr io par a r etar dar a decomposição do cor po, minimizando o odor a fim de evitar que fosse descober to de imediato. Por quê? Par a evitar a conex ão com o homicídio de Mor ton?
Ele ligou par a o númer o de Kate Donovan.
– É Sean Rogan. Eu ter ia chamado a cavalar ia, mas não sei quem está encar r egado da investigação do homicídio de Mor ton.
– O que está acontecendo?
– Eu estava fazendo uma investigação par alela e acabei me depar ando com um associado de Mor ton. Ele está mor to – Sean olhou par a o cadáver. – Bem mor to
CATORZE
Noah havia passado mais tempo do que o planejado em Quantico falando com Kate e a equipe de cr imes vir tuais sobr e os ar quivos que haviam sido encontr ados no computador de Mor ton. A isso se seguiu uma confer ência por telefone com Hans Vigo e Rick Stockton. Quando finalmente conseguiu escapar bem depois da hor a do almoço, Abigail esper ava-o com um sanduíche, o qual ele devor ou a caminho do Tr iple Tr ee per to do Aer opor to de Dulles.
O ger ente, Paul Gr unelli, er a um homem esquelético com cer ca de 50
anos de idade, cabelo gr isalho r alo e cheir o de quem fumava bastante. Ele desviou o olhar do televisor quando Noah e Abigail entr ar am no diminuto escr itór io do hotel.
– Quar to? – ele per guntou.
Noah mostr ou o distintivo.
– Per guntas.
Gr unelli se vir ou de novo par a a TV com um r esmungo.
– Manda ver .
– Desligue o apar elho, por favor , senhor Gr unelli – Abigail pediu.
– Não quer o per der ...
– Podemos fazer nossas per guntas em uma sala de inter r ogatór io na sede do FBI, se pr efer ir – Noah disse.
– Dr oga – Gr unelli r esmungou, mas desligou o televisor . – O que foi?
Abigail passou uma foto de Mor ton por cima do balcão.
– Este homem se r egistr ou na manhã do dia 6 de janeir o de acor do com seus ar quivos. Ele pagou tr ês diár ias em dinheir o, usando o nome de Cliff Skinner . Lembr a-se dele?
Gr unelli deu de ombr os.
– Ele não fechou a conta – Noah acr escentou.
– Ah, ele... – o ger ente estr eitou o olhar na dir eção deles. – Não foi um de vocês que veio aqui ontem par a pegar as coisas dele no quar to?
– Fui eu – Abigail disse. – Mas o ger ente do outr o tur no nunca chegou a ver o senhor Mor ton, disse que foi o senhor quem fez o r egistr o e quem tr abalhou naquele final de semana. Ele ficou no quar to 103, o senhor consegue vê-lo pela janela a par tir da sua cadeir a.
– Se as per sianas estiver em levantadas – Gr unelli ex plicou.
Noah não tinha paciência par a ficar nesse vaivém com um cr etino como Gr unelli.
– Mor ton foi assassinado em Alex andr ia menos de dois dias depois de ter se r egistr ado. Estamos r efazendo os passos dele. Quando o viu?
– Mor r eu é? Bem, ele se r egistr ou por volta das oito e pouco da manhã na quinta; anotei isso no livr o de r egistr os. Ele ficou for a boa par te daquele dia. Voltou à noite, depois saiu na sex ta de manhã. Não o vi depois disso.
– Como ele chegou? Veio de táx i?
Gr unelli balançou a cabeça.
– De car r o.
– Alugado? – eles ainda não tinham r ecebido nenhuma infor mação das locador as.
– É possível. Não ver ifiquei.
– Anotou a placa?
– Por que eu far ia isso?
– Bem, não sei, muitos hotéis fazem isso como medida de segur ança, a fim de que somente os hóspedes usem o estacionamento.
Gr unelli soltou uma r isada.
– Como se eu tivesse esse tipo de pr oblema. Não sei a placa, nem o modelo. Er a um car r o br anco, é só o que me lembr o. Um sedan estr angeir o. Como um Cor olla, Toyota ou Honda, alguma coisa nesse estilo.
Noah fez uma anotação mental par a par ar em Dulles, o lugar mais pr ovável par a Mor ton ter alugado um car r o. Os analistas investigar am as locador as, mas se Mor ton usou outr o nome que não o seu ou o do pr imo, talvez eles ainda não o tivessem localizado. Algumas vezes, per guntas feitas pessoalmente obtinham melhor es r esultados, e mais r apidamente.
– E a última vez em que viu Mor ton foi na sex ta-feir a de manhã. A que hor as?
– Antes do almoço. Não sei bem quando. Ele já tinha pagado; não pensei muito nele até domingo quando ele não deu baix a. Lá pelas tr ês, fui até o quar to dele. Ele não estava lá. Encaix otei as coisas dele e par ei por aí.
– Mor ton teve alguma visita enquanto esteve hospedado?
– Não – Gr unelli fr anziu o cenho e baix ou o olhar .
– Lembr ou-se de alguma coisa? – Abigail per guntou.
– O car r o. Pensei ter visto o car r o dele no sábado de manhã. Quer o dizer, de madr ugada, lá pelas duas ou tr ês da manhã. Eu estava na var anda fumando, já que o dono não quer que eu fume aqui dentr o. Estava fr io demais, mas eu não conseguia dor mir. E aí eu vi o car r o. Não o ouvi entr ar , mas enquanto eu fumava, vi esse car a sair do 103.
– Mor ton?
– Não, outr o car a. Não tão gr ande quanto Mor ton. Tamanho difer ente, mas não sei dizer se er a mais alto ou mais baix o. Sabe, estava escur o. Só sei que não er a o car a que tinha alugado o quar to, e ele entr ou no car r o e saiu. Foi a última vez que vi o car r o.
– E não ficou desconfiado?
– Diabos, não. Os hóspedes aqui têm pessoas entr ando e saindo o tempo inteir o. Contanto que não façam escândalo nem br iguem, eles cuidam da vida deles e eu da minha.
– Mas tem cer teza de que er a o mesmo car r o?
Ele deu de ombr os.
– Não, mas não tenho muitas pessoas com car r os novos a menos que sejam de aluguel, e, também, a maior ia das pessoas não dir ige car r os alugados por aqui.
Quando eles deix ar am o esquálido escr itór io de Gr unelli, Noah disse par a Abigail:
– Entr e em contato com Vigo e consiga um mandado par a as locador as.
Depois que encontr ar mos a empr esa, vamos pr ecisar de todos os r egistr os e das r otas do GPS, se eles tiver em.
– A maior ia tem, hoje em dia.
– Isso não deve dar muito tr abalho – Noah pegou o telefone. Ele tinha vibr ado diver sas vezes enquanto falavam com Gr unelli. – Donovan tentou falar comigo – ele ligou par a Kate em seguida. – Sou eu, Noah.
– Robbie Ralston, um dos associados mais pr óx imos de Mor ton, está mor to.
– Ralston? – Noah não se lembr ava do nome.
– Ele er a um cafetão de pouca impor tância, mas pr ovidenciava um flux o constante de gar otas par a Tr ask e Mor ton na época em que a Empr eendimentos Tr ask er a pr edominantemente legal. Eu o pesquisei enquanto esper ava que você r etor nasse a ligação. Passou alguns anos na pr isão, foi aposentado por invalidez, e, olha só, ele tinha passagem de ida e volta par a Miami no sábado passado.
Noah ficou confuso.
– Ele mor r eu em Miami?
– Não, foi assassinado no apar tamento. Ele nunca pegou o voo.
– Mande todas as infor mações, vou par a lá imediatamente. Quem está na cena do cr ime?
– Ninguém ainda. Tenho uma EIF a postos.
– Por que não chamou a polícia?
– Sean Rogan encontr ou o cor po.
– Rogan ? O quê?
Ele deve ter soado tão ir ado quanto estava de fato, pois Kate se apr essou em dizer :
– Fale com ele. Ele me ligou por que não tinha o seu númer o – ela fez uma pausa e disse: – Sean está investigando o passado de Mor ton por que a minha família pediu.
– E você s abia?
– Acabei de descobr ir. Afinal de contas, Patr ick é sócio dele e está for a da cidade super pr eocupado com essa situação. Sean me telefonou assim que encontr ou o cor po. Ele não mex eu em nada.
Um Rogan no meio da sua investigação não er a o que Noah quer ia.
– Noah?
– Onde está Rogan agor a?
– Na cena do cr ime.
– Estou a caminho.
*
Sean ficou do lado de for a do pr édio de Ralston enquanto a Equipe de Investigador es For enses tr abalhava no apar tamento. Supunha que ter ia de agr adecer a Kate por não ser detido par a inter r ogatór io, mas enquanto esper ava a chegada do agente Noah Ar mstr ong, ligou par a Jayne pedindo par a que ela investigasse a fundo a histór ia de Mor ton e Ralston, concentr ando-se em conex ões comuns. Clar amente o assassinato de Ralston não er a coincidência.
Por que Ser gey Yur an o havia enviado ali? Ser á que o tr aficante r usso sabia que Ralston estava mor to? Ser á que o havia matado quando os negócios de por nogr afia on-line não der am cer to? Aquilo não par ecia ser o tipo de cr ime de Yur an, afinal ele er a implacável, mas aquele não er a seu modus operan di. E o fato de o computador ter sido destr uído er a indício de que Ralston tinha infor mações que o assassino não quer ia que fossem divulgadas.
Ou ser ia alguma coisa completamente difer ente? Com quem mais Ralston falou sobr e o esquema de Mor ton? Quem se inter essou pelo negócio?
Ser á que Mor ton e Ralston tinham dispensado um sócio desconhecido?
Pegado o dinheir o e fugido? Ralston tinha a mala, Mor ton violar a o s urs is , havia algo ali. Pr ecisava de mais infor mações. No entanto, não tinha nenhuma dúvida de que os homicídios de Ralston e Mor ton estivessem ligados. Ele inspecionou o cor po e viu que o homem estava mor to há vár ios dias. O apar tamento gelado r etar dou a decomposição, mas Sean conhecia o suficiente sobr e medicina legal par a saber que o legista descontar ia a temper atur a ambiente e ser ia bem pr eciso quanto à hor a da mor te.
Uma senhor a negr a idosa com um pequeno Lulu da Pomer ânia na bolsa e uma sacola de compr as no ombr o vir ou a esquina e caminhava lentamente na calçada úmida na dir eção de Sean. Ele diminuiu a distância r apidamente e disse:
– Deix e-me ajudá-la.
Ela sor r iu, r evelando uma fileir a de dentes per feitos que não par eciam r eais.
– Obr igada, meu jovem – ela entr egou a sacola de compr as.
Sean apoiou uma mão no cotovelo dela.
– Aonde vai?
Ela indicou o pr édio de Ralston.
– Par a o apar tamento no pr imeir o andar à dir eita.
A entr ada ficava a apenas tr inta metr os, mas levar am alguns minutos par a chegar em à por ta. O cachor r inho fitava Sean, mas não latiu.
– Belo cachor r o – não que fosse seu tipo de bicho de estimação, mas a mulher er a uma possível testemunha.
– Ela é uma danadinha, mas gosto dela.
Sean r epr imiu um sor r iso.
A mulher fitou-o quando pisou no pr imeir o degr au.
– Você não é daqui.
– Não. Houve um homicídio logo aqui em cima.
Ela balançou a cabeça e suspir ou.
– Não estou sur pr esa. 2B ou 3D?
Ele levantou uma sobr ancelha.
– 3D.
– Robbie. Não o vejo há uma semana.
– Sabia que ele pr etendia viajar ?
– Ele não gostava de mim.
– Por que não? Ele não deve ter sido uma pessoa muito amigável.
– Ele não gostava de negr os. Só me toler ava. Eu sou a dona do pr édio – ela deu uma piscadela, subiu mais um degr au e apoiou-se em Sean. A mão dela estava r ígida por conta da ar tr ite.
– O ar mazém não entr ega as compr as?
– Aqui? – ela r iu. – Não. Eu saio uma vez por semana, e minha neta apar ece às quar tas-feir as par a me levar par a o bingo e tr azer meus r emédios e compr as. Mas, às vezes, pr eciso de outr as coisinhas. Dê uma olhada na sacola.
Sean viu uma gar r afinha de uísque de boa qualidade e um pacote de Mar lbor o Light, junto com um belo bife.
– Missy não me compr a bebida – ela balançou a cabeça em sinal de desapr ovação. – Não sou alcoólatr a, só tomo um gole à noite. E também não me compr a car ne. Ela diz que não faz bem par a as minhas ar tér ias. E
nem me fale dos cigar r os. Tenho 89 anos e não me impor to em não chegar aos 90. Não acho que um cigar r inho por dia vai me matar .
– Sou Sean Rogan – ele se apr esentou ao ajudá-la no último degr au. – Sou investigador par ticular e tenho muito pr azer em conhecê-la, senhor a...
– Tessie. Pode me chamar de Tessie, como todo mundo. Tem per guntas a r espeito de Robbie?
– Na ver dade, tenho sim.
Ele segur ou a por ta que dava par a a entr ada do conjunto de apar tamentos. Ela foi par a a por ta com 1A pintado de br anco.
– Quem está lá em cima? Não vi nenhum car r o de polícia.
– O FBI.
Ela vir ou-se e tor ceu o pescoço par a fitá-lo com olhos ar r egalados.
– O FBI? Or a, Robbie se meteu em alguma confusão, não é mesmo? Ele estava jogando par a os dois lados?
– Os dois lados?
Tessie r iu.
– Ele er a infor mante, sabe. Costumava ser, pelo menos. Entr e e eu lhe conto tudo sobr e ele. Sabia que ele já foi cafetão? É, mor ei aqui por 46
anos, Robbie se mudou par a cá em... 1993, ou 94? Foi par a a pr isão uma vez, mas pagou o aluguel par a que eu ar ejasse a casa dele uma vez por semana.
– Ele pagou o aluguel estando na pr isão?
Ela deu de ombr os.
– O tir a dele pagou.
O tira dele. Sean estava muito inter essado em saber quem er a esse policial e que tipo de infor mação Ralston passava que valesse o aluguel daquele lugar pelo tempo em que ele per maneceu pr eso.
Tessie continuou ao empur r ar a por ta.
– Ele ficava bêbado e blábláblá. Eu não sabia no que acr editar, mas depois de um tempo consegui separ ar a ver dade da fanfar r ice.
Sean entr ou no apar tamento imaculado, por ém aquecido demais.
Acer tar a na mosca e esper ava que o agente Ar mstr ong não ficasse ir r itado por ele falar com uma testemunha em potencial. Uma coisa que Sean sabia, por ém, er a que os feder ais não par tilhavam infor mações, e se ele quer ia ajudar Lucy, pr ecisar ia saber de tudo o que eles sabiam.
*
Noah subiu as escadas até o apar tamento de Ralston no ter ceir o andar , onde encontr ou o agente Dale Jar vis, líder da unidade da EIF.
– O que descobr iu? – Noah per guntou ao obser var o apar tamento.
Jar vis falou do caso par a Noah:
– Não há sinais de entr ada for çada. Como pode ver, o computador foi destr uído. O suspeito desconhecido r etir ou o disco r ígido e o destr oçou.
Pegamos todos os pedaços, mas boa par te dos cir cuitos e dos chips está completamente destr uída. Não há como r ecuper ar nada, mas vamos r epassar par a o nosso pessoal técnico. Eles já oper ar am alguns milagr es no passado.
– Vou pr ovidenciar um mandado par a o ser vidor par a ver ificar o histór ico de navegação e qualquer ar mazenamento de ar quivos que ele possa ter .
Jar vis olhou ao r edor .
– O apar tamento foi vasculhado, mas não ex tensivamente. É bem possível que o assassino estivesse pr ocur ando alguma coisa e a encontr ou.
Ele caminhou pelo cor r edor estr eito até o quar to. O cor po de Ralston estava ao pé da cama de casal. Uma mala estava aber ta.
– Ele tinha uma passagem par a Miami que não chegou a usar – Noah disse.
– Não há sinais de fer imentos de defesa, mas meu palpite é que ele foi empur r ado – Jar vis apontou par a as mãos da vítima com uma caneta a las er. – Ele caiu ou foi empur r ado enquanto segur ava alguma coisa... e se seguir a tr ajetór ia pr ovável...
Noah seguiu a luz ver melha até a base do ar már io aber to, onde diver sos fr ascos de pílulas r olar am até par ar. Um estava aber to e dele tinham caído pílulas pequenas e ovais. Jar vis apontou par a tr ás.
– O banheir o fica ali. A vítima pega os r emédios, volta par a o quar to, caminha até o ar már io, é empur r ada por tr ás, deix a as pílulas caír em e é alvejado sem hesitação.
– Por que diz isso?
– A vítima não moveu as mãos; elas estão apoiadas como quando alguém cai.
– Silenciador ? Ninguém no pr édio ouvir ia o tir o?
– É esse o meu palpite. Vamos descobr ir mais quando r etir ar mos a bala. Estão aí. Há duas entr adas, mas nenhuma saída. Baseado na localização, qualquer uma das balas ter ia r esolvido o caso.
– Pr ofissional, então?
– Entr ada silenciosa, sem desor dem, bala atr ás da cabeça e computador destr uído?
Noah assentiu e saiu do quar to.
– Encontr ou mais alguma coisa? Motivo?
– Sabe o que eu faço em r elação ao passado dele. Ele não foi pr eso desde a última condenação, há oito anos. Aposentado por invalidez.
Manteve-se debaix o do r adar .
– Abigail está passando o pente fino no passado dele, ver ificando as finanças, as viagens... Ele er a um antigo associado de um homem assassinado na Washington Mar ina.
– Ouvi dizer – Jar vis encar ou-o. – Difícil não saber quando o dir etor -
assistente em pessoa se inter essa pelo caso.
E por falar em dis crição...
– O que Rogan disse quanto a encontr ar o cor po?
– Disse que a por ta estava destr ancada.
– Até par ece.
Jar vis deu de ombr os.
– Pode ser ou ele é muito bom em destr ancar fechadur as.
– Fico com a segunda opção.
– Ele notou que o apar tamento estava fr io demais, viu o computador destr uído e ver ificou o estado dos possíveis ocupantes.
Mas por que Sean Rogan foi par ar ali par a início de conver sa?
– Onde ele está agor a?
– Lá embaix o.
– Eu não o vi.
– Ele disse que esper ar ia por você – Jar vis olhou pela janela. – O car r o dele ainda está aí.
– Vou atr ás dele.
*
Sean agr adeceu Tessie pelo café e pelos biscoitos; ele tinha um ponto fr aco por doces caseir os e os biscoitos de aveia estavam deliciosos; e saiu par a o pequeno vestíbulo. Viu um dos homens da EIF descendo as escadas.
– Ei, Rogan, o agente Ar mstr ong está pr ocur ando você.
– Estive aqui o tempo inteir o – ele tentou se fazer de inocente.
Sean seguiu o r apaz até a r ua, onde a van do legista tinha estacionado em fila dupla. Tentou localizar Noah Ar mstr ong em meio aos agentes agr upados. Não foi difícil quando uma pessoa de ter no e o queix o dur o caminhou na sua dir eção.
– Onde esteve?
– Estava fr io aqui for a – ele r espondeu, desgostando da imediata hostilidade do feder al. – A senhor ia me convidou par a tomar café. E par a ouvir algumas histór ias... – disse ao agente Ar mstr ong.
O feder al assentiu seco.
– Par a começar , por que estava aqui?
– Como infor mei Kate, só estou me cer tificando de que Lucy Kincaid esteja segur a. Sabe por que Mor ton veio par a a cidade? Se tinha um sócio?
Se estava tr abalhando com Ralston?
– Estamos seguindo todas as pistas, mas devo lembr á-lo de que esta é uma investigação feder al.
– Posso ter algumas infor mações e ajudá-lo nessa investigação feder al.
– Sugir o que par tilhe qualquer infor mação r efer ente a este assunto.
Não pr eciso lhe dizer que esconder infor mações da polícia é obstr ução de justiça, e que sua licença de investigador par ticular não vai pr otegê-lo.
Está sobr e gelo fino, Rogan.
Sean fr anziu o cenho. Esse homem estava agindo com muito mais hostilidade do que dever ia. Ele par ecia não gostar nada de Sean, o que er a estr anho, visto que Sean costumava causar uma bela pr imeir a impr essão; a menos que não quisesse.
– Escute, Ar mstr ong, estamos do mesmo lado, na maior par te das vezes. Nós dois quer emos que Lucy não cor r a nenhum per igo por qualquer que seja o motivo que tenha tr azido Mor ton par a D.C. antes de ser assassinado.
– Qual o seu inter esse nisso, além da sua associação com os Kincaid?
– Meu inter esse? É a minha empr esa. Mas já deve saber disso.
– O que fazia no apar tamento de Ralston?
Sean se for çou a r elax ar .
– Eu sabia que Ralston er a um dos associados de Mor ton e quer ia falar com ele, é só. Como já disse, é minha função me cer tificar de que Lucy não esteja cor r endo per igo. Eu pr ecisava ver ificar se algum dos associados de Mor ton r epr esentava uma ameaça par a ela.
– Você é o guar da-costas dela.
– Eu não dir ia isso.
– O que você dir ia?
– Ex atamente o que já disse. Roger Mor ton mor r eu na mesma ár ea em que uma das suas vítimas mor ava – Sean disse com fir meza. – Isso não é coincidência. Se ele planejava fer ir Lucy, ou se tinha um sócio, eu pr eciso descobr ir .
– Esse é o meu tr abalho.
– Não, o seu tr abalho é descobr ir quem matou o safado. O meu é gar antir a segur ança de Lucy. É o que faço, por tanto o s erviço de s eguran ça depois de Rogan -Carus o-Kin caid.
– Você se consider a acima da lei – Ar mstr ong disse.
– O quê? – Sean havia sentido que Ar mstr ong não gostava dele, mas aquilo fazia par ecer que ele o con hecia.
Ar mstr ong não r espondeu, mas disse:
– Você tocou ou tir ou algo do apar tamento?
– Não, só toquei na maçaneta – sor r iu. – Palavr a de escoteir o.
Ar mstr ong não achou engr açado.
– Eu ficar ia gr ato se deix asse a investigação por minha conta e pr otegesse a senhor ita Kincaid, em vez de inter r ogar minhas testemunhas.
Sean quer ia sair dali e deix ar que o feder al tentasse conseguir as infor mações sobr e Ralston de Tessie. Er a o tr abalho dele, cer to? Mas esse tipo de r eação impensada er a o que o meter a em apur os antes, e Sean estava tentando evitar essa sua tendência.
Por isso r efr eou a r eação inicial e disse em um tom casual e conciliatór io:
– Tive uma conver sa agr adável com a senhor ia. Ela conhecia Ralston há quase vinte anos.
– Falou com a testemunha?
– Eu a ajudei com as compr as. Só conver samos.
– Conver sar am... – Ar mstr ong encar ou-o descr ente.
– Ela me convidou par a comer biscoitos.
– E leite?
– Café – Sean sor r iu. Br incar com o senhor agente especial Ar mstr ong estava sendo diver tido. – Eu poder ia apr esentá-los, se desejar .
– Chega de br incadeir as, Rogan.
Sean endir eitou-se, imitando a postur a de um soldado. Dir eto aos fatos.
– A última vez que Tessie se lembr a de ter visto Ralston foi na quar ta-feir a à noite, quando a neta a tr oux e depois do bingo semanal. Contudo, ela o ouviu no átr io na sex ta-feir a de manhã, discutindo com outr o homem. Ela não saiu, pois ainda vestia o pijama, mas estava pr estes a chamar a polícia quando o visitante saiu e Ralston subiu as escadas fur ioso.
– Sex ta-feir a – Ar mstr ong r epetiu.
– Ela também sabe bastante sobr e a ficha cor r ida de Ralston, a qual eu tenho cer teza de que você já pux ou. Mas uma coisa que talvez você não saiba é que Ralston foi infor mante.
Sean diver tiu-se ao ver a r eação de Ar mstr ong ante essa novidade.
– Infor mante...
– Você nunca fala com uma fr ase completa? – Sean br incou.
Ar mstr ong deu um passo à fr ente, com uma veia pulsando no max ilar, e Sean não r ecuou, mas per cebeu que havia algo mais entr e ele e Ar mstr ong, algo que ele não sabia.
– Onde você ser viu? – per guntou, mudando de assunto.
Ar mstr ong nem piscou.
– For ça Aér ea. Ravens.
For ças Ar madas. Eles tr abalhavam na Amér ica do Sul e Centr al, onde seu ir mão, Kane, tinha gr ande influência. Ser á que seu ir mão mais velho havia mex ido com esse antigo Raven?
– Você nunca ser viu – Ar mstr ong disse com desdém.
Sean pr ecisava falar com Duke par a descobr ir ... Mas não quer ia tr azer o ir mão par a essa histór ia. For a bem difícil convencer Duke a per mitir que ele e Patr ick abr issem a filial da RCK na costa leste e com isso sair debaix o das asas dos ir mãos contr olador es. Descobr ir ia mais sobr e Noah Ar mstr ong com seus pr ópr ios r ecur sos. E qualquer que fosse o pr oblema, ele não tinha nada a ver com Lucy e com esse caso.
– Não, nunca ser vi. Mas sei voar .
– Sabe?
– Já deve saber disso.
Ar mstr ong não comentou.
– Ralston foi infor mante da polícia de D.C. dur ante anos, pelo tempo que Tessie o conhecia. O nome do tir a é Jer r y Biggler . Você o conhece?
– Não, mas vou conhecer .
QUINZE
Sean ficou sem fala quando Lucy atendeu à por ta com um vestido azul-r oyal que, de algum modo, conseguia ser modesto e s exy ao mesmo tempo.
O decote alto r evelava bem pouco, mas o vestido se moldava ao cor po atlético como se tivesse sido cr iado somente par a ela. A saia gir ava ao r edor dos calcanhar es como em uma dança. Com o cabelo pr eso em um penteado fr oux o às costas, ela estava simplesmente espetacular .
– Obr igada mais uma vez – Lucy disse como se ele estivesse lhe fazendo um favor . Ela ar mou o alar me e tr ancou a por ta.
Por fim, Sean encontr ou a voz.
– Or a, gatinha, é um pr azer .
Ela hesitou antes de guar dar as chaves na bolsa, e Sean mentalmente se chutou. Aquilo soou como uma cantada bar ata. Uma cantada que ele usar ia com qualquer uma de suas antigas namor adas, mas Lucy não er a nada como elas, e ele não quer ia tr atá-la como a escolhida do mês.
Com isso, abaix ou a voz:
– Falei sér io, Lucy, você está linda – ele esticou a mão e tocou um dos cachos espessos dela. Os cabelos er am macios e br ilhantes, e os lábios... Ele sabia que er a muito melhor não pensar nos lábios cheios e bem pintados naquele instante.
– Obr igada – ela sor r iu e ele r elax ou.
Sean quer ia pr opiciar uma noite descontr aída par a Lucy, mesmo que eles estivessem indo a um evento de ar r ecadação de fundos par a uma instituição pelos dir eitos das vítimas. Pr etendia convencê-la a sair par a comer a sobr emesa em algum outr o lugar depois.
Abr iu a por ta do passageir o, e ela disse: – O cavalheir ismo não mor r eu. Pensei que Dillon fosse o único homem que ainda abr isse as por tas.
– Não faço isso par a qualquer uma – ele disse ao fechar a por ta. Ela poder ia acr editar que essa fosse outr a cantada, mas er a a ver dade.
Assim que ele deu par tida e saiu, Lucy per guntou: – Sobr e o que disse ontem quanto a descobr ir por que Roger Mor ton estava em D.C...
– Não vamos ar r uinar a noite – ele quer ia contar tudo o que havia descober to par a Lucy, até mesmo sobr e a mor te de Ralston, mas não quer ia abor r ecê-la nem pr eocupá-la naquela noite.
– Não saber é pior do que saber .
– Não descobr i nada impor tante ainda – ele hesitou, depois disse: – Restr ingi a busca pelos associados de Mor ton par a um r aio de 150
quilômetr os que ainda estejam vivos e soltos. Os tr ês com quem falei não sabiam de nada.
Lucy estr eitou o olhar e as sobr ancelhas er guer am-se.
– E eles lhe disser am a ver dade?
– Sim – ele r espondeu. – Sou um Rogan.
– E isso é o mesmo que ter um laço dour ado? E seu codinome é Mulher Mar avilha?
– Não, não fico muito bonito em shor ts azuis com estr elas.
– Você não pr ecisa fazer isto.
– Eu sei – mas fazia.
Não conseguir ia ex plicar par a Lucy. Ainda não, visto que não saber ia ex plicar nem par a si mesmo. Mas Sean despr ezava valentões, e Roger Mor ton for a um desses valentões. Quem quer que o tivesse matado er a um valentão ainda maior, e essa pessoa er a uma ameaça em potencial par a o que impor tava par a Sean: seu sócio, seus negócios e Lucy. A família Kincaid inteir a tr atava-o como se ele fosse um deles, desde Jack e Patr ick até os ir mãos e ir mãs que conheceu quando ele foi par a San Diego par a ajudar Patr ick em um pr ojeto no ver ão passado. Sean tinha uma família gr ande, mas eles não er am como os Kincaid. Sua família estava espalhada pelo mundo: Kane estava na Amér ica do Sul, Duke, na Califór nia, Liam e Eden, na Eur opa.
Ele não conseguia deix ar de pensar (e quer er ) que se seus pais não tivessem mor r ido em um acidente aér eo quando ele tinha 14 anos, talvez seus ir mãos estivessem em outr os lugar es que não onde estavam no pr esente. Ou se ser iam mais unidos como os Kincaid. Pr ovavelmente não.
Todos eles, desde os pais até ele, tinham sede de cor r er o mundo. Somente Duke ficou em casa, e isso se deveu pr imor dialmente por ele ter assumido a r esponsabilidade de cr iar Sean, ainda adolescente, após o acidente.
– Sean? – Lucy chamou-o, desviando-o de seus pensamentos melancólicos.
– Há mais uma coisa – disse ele com r elutância. – Um dos contatos que tentei encontr ar está mor to. Ralston. Ainda não definir am a hor a da mor te, mas ele per deu um voo no domingo. Vou descobr ir qual é a ligação.
– Mas...
– Vamos deix ar isso de lado hoje. Que tal?
Ela suspir ou.
– Está bem.
Ele não acr editava que conseguir ia banir todos os pensamentos quanto àquela situação da mente dela, mas pelo menos ele se esfor çar ia par a que isso acontecesse.
– Sean, obr igada. Eu agr adeço a sua atenção.
Sean levou um segundo par a per ceber que ela não se r efer ia à sua atenção pessoal, mas sim ao seu inter esse pr ofissional quanto à mor te de Mor ton. Ele não quer ia que Lucy o visse apenas no âmbito pr ofissional. Ele costumava inter pr etar bem as mulher es, mas estava tendo dificuldades par a saber o que Lucy pensava. Ela mantinha uma boa par te de si tr ancada, e ele pr ecisava encontr ar um modo de fazê-la se abr ir .
No Omni Shor eham Hotel, Sean desviou dos manobr istas e estacionou ele mesmo o GT.
– Ninguém pode tocar no seu car r o? – Lucy per guntou quando ele abr iu a por ta.
– Es pecialmen te os manobr istas.
Lucy deu uma olhada par a Sean e a ansiedade em r elação à novidade de mais um cor po encontr ado sumiu. Sean deu-lhe uma piscadela e segur ou a mão dela par a ajudá-la a sair do car r o. Lucy sentiu r etor nar o for migar não tão sutil de quando o viu assim que abr iu a por ta de casa em seu impecável ter no cinza-escur o e gr avata azul-celeste, combinando com a cor dos olhos dele. Ele estava de tir ar o fôlego, e ela não estava acostumada à atr ação física. Ela admir ava a beleza em um nível intelectual. Mas com Sean Rogan, seu cor po r eagia antes da mente, r espondendo à voz dele, ao toque, ao modo como ele a fitava, antes que sua mente captasse que talvez ele estivesse fler tando. E que talvez ela estivesse gostando...
Sean passou o casaco de lã dela pelos ombr os em um gesto cativante; ela duvidava que tivesse sido calculado. Ele pegou-a pelo br aço e acompanhou-a até o átr io.
– Me faça um r esumo – Sean sussur r ou ao se apr ox imar em da r ecepção agitada. – Quem é quem e esse tipo de coisa.
Lucy olhou ao r edor .
– Aquela é Fr an Buckley, a dir etor a do PMC. Ela se aposentou do FBI há vár ios anos. O senador Pax ton nos apr esentou quando eu estagiei com ele, depois disso comecei meu tr abalho voluntár io.
– Você estagiou com um senador ?
– Ele estava no Comitê Judiciár io, e eu quer ia apr ender tudo o que pudesse quanto ao impacto do Congr esso nas leis policiais feder ais e nas questões de justiça cr iminal.
– Par a a sua car r eir a no FBI – Sean concluiu.
– Basicamente. Eu não gostava muito de tr abalhar no Congr esso, mas apr endi muito – ela passou o olhar nos convidados. – Há vár ios candidatos eleitos aqui, o pr efeito, e muitos policiais, já que diver sos fazem tr abalho voluntár io após o tur no de tr abalho. O chefe do depar tamento de polícia está aqui. Vê a loir a bonitinha per to do bufê? Ela é Gina Mancini, a assi st ent e ultraeficien te de Fr an. Ela está conver sando com Donald Thor ne, um dos nossos maior es doador es. Não sei quem é o casal com eles.
– Ok, sobr ecar ga de infor mações – Sean disse.
– Você está com sor te, par ece que os discur sos já vão começar. E não vão demor ar, pois Fr an gosta de se mistur ar. Ela diz que é nessa hor a que consegue boa par te das doações, na conver sa um a um.
– Aceita uma bebida?
– Sim. Vinho tinto, por favor .
Lucy obser vou-o caminhar até o bar, onde começou a conver sar amigavelmente com o bar man. Ele conseguia entr ar em qualquer sala, em qualquer situação e fazer amigos. Lucy não se lembr ava de como er a se sentir tão livr e e despr eocupada, embor a despr eocupado não fosse um ter mo aplicável a Sean. Ele alter nava entr e ser iedade e atenção, par a leveza e diver são. Ela se per guntava quem ser ia o ver dadeir o Sean Rogan, e se um dia descobr ir ia isso.
Depois de Fr an discor r er br evemente sobr e o PMC e fazer seus agr adecimentos, ela apr esentou o chefe de polícia, que fez um discur so baseado nas estatísticas dos cr imes em ger al e dos cr imes sex uais em D.C.
e na r egião pr óx ima.
Sean r etor nou com o vinho. Ele bebia cer veja dir eto no gar galo, e ela sor r iu. Caía-lhe bem, apesar do ter no fino.
– Fez uma nova amizade? – ela per guntou, indicando o bar man.
– Todos têm uma histór ia – ele disse. – Algumas são bem inter essantes – sussur r ou. – Quem está no palco?
– Aubr ey Lew is. A filha dela foi assassinada por um agr essor sex ual há dois anos. O senador Pax ton apr esentou uma lei par a r efor çar as r estr ições dos agr essor es sex uais e ela testemunhou no Congr esso. Ela é incr ível.
Depois de um br eve discur so, Aubr ey anunciou o senador Pax ton.
Jonathon Pax ton, 66 anos, jogava tênis e golfe com r egular idade e levava a saúde a sér io. Ele subiu no pequeno palco, abr açou Aubr ey e tomou o micr ofone. Ele começou com o motivo que o levou a se envolver com o PMC: o homicídio da filha há mais de duas décadas.
Foi difícil par a Lucy pr estar total atenção aos discur sos tendo Sean tão per to. Ele usar a uma sutil colônia pós-bar ba que a atr aía par a per to, a fim de descobr ir qual er a. Quando ele se inclinou par a sussur r ar em seu ouvido, ela estr emeceu.
– Olhe par a aquele casal – disse baix inho. – O senhor e a senhor a Andr ew Valér io; eles são os donos da VT Comunicações.
– Você os conhece?
– Eles contr atar am a RCK há alguns anos par a testar o sistema de segur ança deles. Pr ecisei de 17 hor as, mas consegui invadir .
– Você dever ia ir falar com eles. Não os conheço pessoalmente, mas são doador es do PMC há diver sos anos.
Ele deu de ombr os.
– Eles não me conhecem.
– Mas...
– Duke sempr e lida com os clientes.
– Como soube quem er am?
– Vi a foto deles uma vez.
– Boa memór ia – ela levantou o olhar e ficou sur pr esa em ver como o r osto dele estava pr óx imo ao seu enquanto conver savam baix inho no fundo da sala.
Subitamente foi como se milhar es de for migas caminhassem debaix o da sua pele. Ela olhou ao r edor, mas não viu ninguém em especial encar ando-a. Ainda assim, não conseguiu se livr ar da sensação de ser obser vada. Esfr egou os br aços, e Sean pôs o br aço ao seu r edor .
– Lucy?
Ela não r espondeu, fingindo ouvir o discur so do senador. Pr efer iu não notar as pessoas que a olhavam não sutilmente ao r edor. Sua histór ia não er a nenhum segr edo obscur o. Ela já discur sar a em escolas, já havia escr ito car tas par a ar r ecadação de fundos par a Fr an, até mesmo testemunhar a no Comitê Judiciár io par a apoiar a lei do senador Pax ton, que passou a ser chamada como Lei de Jessie. Ela nunca gostou disso, sempr e se consider ou maculada, e pior , odiava que as pessoas se apiedassem dela, que pensassem que ela havia sido uma adolescente estúpida e ir r esponsável. Ninguém nunca disse nada em voz alta, mas muitas a r esponsabilizavam por ter se colocado em uma posição vulner ável.
Ela havia concor dado em encontr ar seu agr essor em um local público por que acr editou que assim ser ia s eguro. Ela pensou que ele fosse um univer sitár io chamado Tr evor Conr ad. E se enganou.
Os aplausos sinalizar am que o senador havia ter minado o discur so, mas Lucy estava ner vosa. Por isso disse par a Sean: – Quer sair daqui?
Ele pegou a mão dela.
– Você está tr emendo.
– Só estou com fr io.
Sean encar ou-a.
– Lucy, o que está acontecendo? De ver dade.
Ela ficou par alisada, levantou o queix o e encar ou-o.
– Já disse – tentou pux ar a mão da dele, mas Sean a segur ou.
– Lucy, alguma coisa a assustou. Conte-me.
Lucy não quer ia par tilhar nada com Sean. Tentou r ecolocá-lo no posto de apenas sócio do seu ir mão, mas ela já tinha ultr apassado esse ponto. E o modo como ele a fitava suger iu um r elacionamento mais íntimo que o simples pr ofissionalismo.
– É pessoal – ela disse, na esper ança de que tivesse deix ado clar o com seu tom que o r elacionamento entr e eles não er a. Mesmo que não soubesse como se sentia, nem se estava ou não atr aída por ele.
Sentia-se à vontade com Sean, e gostava do fato de ele ser esper to.
Mas ele tinha seus br inquedos. O car r o. A mesa de bilhar. Patr ick inclusive lhe disse que ele tinha um avião par ticular par a viajar quando quisesse. Ela estava concentr ada demais na car r eir a e no futur o par a se envolver com alguém que não estava igualmente dedicado. A melhor coisa a fazer er a colocar uma distância entr e eles a fim de pensar clar amente.
Não que ele estivesse inter essado. Ou ela. Ou...