Se eu Morrer Antes de Você

Allison Brennan · Capítulo 1 de 1 · parte 4/17

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Se eu Morrer Antes de Você

1. Um

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 17 partes.

Patr ick suspir ou.

– Vou ter minar este tr abalho, a menos que Lucy pr ecise de mim.

Depois Duke ter á de se vir ar sem mim.

– É justo.

– Mantenha-me infor mado – Patr ick disse.

– Pr ometo.

Sean despediu-se e desligou enquanto ver ificava seus e-mails. Sor r iu ao ver a mensagem de Jayne Mor gan, a pesquisador a gur u da RCK. Ele bem que desejou ter convencido seu ir mão Duke a liber á-la par a que ela se juntasse a Patr ick e a ele em D.C., mas Duke se r ecusar a veementemente.

Tanto Patr ick quanto Sean er am especialistas em computador es, mas as habilidades de Sean consistiam em enganar a lei. Um dos objetivos pr imár ios da RCK da costa leste er a a segur ança de computador es. Sean conseguia invadir vir tualmente qualquer sistema, mas não tinha a ex per iência necessár ia par a conser tar a br echa. Patr ick tinha a ex per iência técnica par a assegur ar o sistema, assim como Duke. Quando Patr ick começou a tr abalhar na RCK de Sacr amento, no ano anter ior, eles logo se entender am, e ambos quiser am sair das sombr as dos ir mãos mais velhos.

Sean leu toda a documentação que Jayne conseguir a sobr e Roger Mor ton, Adam Scott e o sequestr o de Lucy Kincaid.

Desde a soltur a, Roger Mor ton passou a viver em Denver até vir a Washington, D.C., por algum motivo desconhecido, ar r iscando a suspensão da pena ao fazer isso. Confor me o acor do fir mado – o qual Sean agor a tinha uma cópia –, um simples deslize e Mor ton voltar ia par a a pr isão par a o r esto da vida. O que ser ia tão impor tante a ponto de fazê-lo se ar r iscar a voltar par a a pr isão depois de conseguir a liber dade? E o que ele sabia, ou o que havia feito, que o fez ser assassinado?

Dinheir o ou vingança.

Vingança er a a r esposta mais fácil, mas vingança apontava par a os Kincaid. Lucy for a uma das vítimas dele e toda a família tinha motivos justificáveis par a quer er que ele mor r esse. Mas eles ser iam capazes?

Sean acr editava que não. Se um dos Kincaid tivesse assassinado Mor ton, por que atr aí-lo par a D.C.? Se ele tivesse vindo par a a cidade por conta pr ópr ia e Kate ou Patr ick o tivessem visto, eles o mandar iam de volta par a a pr isão.

Jack Kincaid, por outr o lado, tinha a habilidade, o tr einamento e a per sonalidade par a matar. Com mais de duas décadas no ser viço militar, depois tr abalhando como mer cenár io, Jack saber ia o que fazer par a desapar ecer com Mor ton.

Sean fez uma anotação par a pesquisar as outr as vítimas de Mor ton.

Talvez uma delas tivesse meios de matá-lo. Mas mesmo antes de começar a pesquisa, sabia que, caso descobr isse alguma coisa, não entr egar ia a infor mação par a os feder ais. Ele não via justiça em punir uma vítima quando um cr iminoso saía da pr isão tão injustamente. Aquilo bastar ia par a enlouquecer a mais sã das pessoas.

Estar ia Mor ton atr ás de vingança? For a até ali par a fer ir Kate e Lucy por elas ter em par ticipação em colocá-lo atr ás das gr ades? Ele pr aticamente se livr ar a de uma boa, por tanto Sean não entendia por que ele ar r iscar ia a liber dade par a se vingar... A ver dade é que não entendia homens como Mor ton.

Se não foi por vingança, foi por dinheir o. Embor a Adam Scott fosse o cér ebr o por tr ás da Empr eendimentos Tr ask, Mor ton tocou os planos. Ele devia saber todo o necessár io sobr e o negócio da por nogr afia ilegal. Como alguém que nem Mor ton podia ganhar dinheir o sendo obser vado atentamente pelos feder ais?

por din heiro, isso ter ia de estar r elacionado à sua ex per iência. Vida pr évia, contatos pr évios.

Dinheir o. Par a pessoas como Mor ton, tudo estava sempr e ligado a dinheir o. A vingança r equer ia muito planejamento, or ganização e ódio. Ele violar ia o s urs is por dinheir o, não por vingança. Lendo a folha cor r ida de Mor ton, ficava muito clar o que ele se impor tava com dinheir o, com sex o e em degr adar as mulher es.

Sean suspeitava estar entr ando em ter r itór io per igoso. Estava atr aído por Lucy e temia que seus sentimentos cor r ompessem as evidências que tinha diante de si. Conseguir ia enx er gar o que er a impor tante? Não er a policial; talvez não agisse de modo justo. Ele não quer ia pesar na balança o que er a cer to ou er r ado, dando aos cr iminosos mais dir eitos do que às vítimas. Par a ele, pessoas como Roger Mor ton er am a escór ia e não mer eciam os dir eitos que tomava como cer tos. Por que no sistema er am os cr iminosos que tinham todos os dir eitos? Onde estava a justiça?

Ele não entendia o que Lucy Kincaid via no FBI, tampouco por que ela quer ia ser policial, sendo for çada a tr abalhar dentr o de r egr as r ígidas que pr otegiam os bandidos mais do que os inocentes. Mas er a o que ela quer ia, e não havia nada que ele admir asse mais em uma pessoa do que uma paix ão pr ofunda por algo.

Ele encantou-se por Lucy Kincaid na pr imeir a vez em que Patr ick os apr esentar a um mês antes de eles assinar em a papelada da sede RCK da costa leste e o contr ato da casa. Os tr ês comer am pizza no chão da cozinha vazia. Talvez tivesse acontecido ainda antes disso: na pr imeir a vez em que a viu quando ela foi visitar Patr ick e Jack em Sacr amento, mais de um ano atr ás. Ele a vir a pela janela, o modo como ela se movia, como os jeans moldavam as per nas longas e delgadas.

Clar o que a pr imeir a coisa que o atr aiu foi a sua apar ência. Nem alta, nem baix a, devia ter cer ca de 1,70 metr o de altur a; fisicamente, ela er a o seu tipo. Cor po com cur vas nos lugar es cer tos. Atlética. E quando ela r elax ava, tinha o mais lindo dos sor r isos. Mas não foi só o cor po pr opor cional que enfeitiçou Sean, er a o pacote completo: cabelos pr etos e longos, olhos castanhos gr andes e a sua mente. A inteligência, a paix ão pela justiça e a deter minação de Lucy a colocavam em um patamar pr ópr io.

Ele sabia tudo sobr e o passado dela, clar o. O que Patr ick não lhe contou, ele descobr iu com suas pr ópr ias pesquisas. Nada que não fosse público; ele jamais far ia isso com Lucy. E o modo como ela super ou o infer no pelo qual passou mostr ou ao mundo que ela jamais agir ia como vítima ou már tir .

Apar ência, inteligência e deter minação. Lucy dedicava-se ao futur o que quer ia ter, o de buscar justiça par a aqueles que não podiam cuidar de si.

Ele admir ava a motivação dela.

Foco er a uma coisa que Sean não tinha. Pelo menos er a isso que Duke sempr e lhe dizia. Havia tentado de tudo na faculdade por que não sabia o que quer ia. O que er a par cialmente ver dade. Ele entendia a necessidade de Lucy em apr ender coisas novas e difer entes, a passagem dela desde o depar tamento de polícia até o Congr esso e, por fim, o IML.

Ele só se per guntava se ela não se cansar ia do FBI, ficando pr esa aos pr ocessos lentos, à papelada tor tur ante, a todas aquelas r egr as. Sean jamais sobr eviver ia nessas condições. Lucy... talvez. E por mais que compr eendesse a motivação dela e admir asse a sua dedicação, ele ador ar ia tê-la na RCK. Ela ser ia uma aquisição inestimável par a a empr esa.

Acima de tudo, por ém, o que ele mais quer ia er a fazê-la sor r ir . Quer ia mostr ar que havia mais na vida do que tr abalhar 24 hor as por dia, sete dias por semana. Que aqueles que tr abalhavam dur o também tinham de se diver tir par a valer , e que ela mer ecia esse tipo de diver são.

Mas ela não se diver tir ia até que a situação a r espeito de Mor ton fosse r esolvida.

Sean continuou a ler os ar quivos enviados por Jayne e começou a planejar .

NOVE

Somente poucos minutos depois que Lucy Kincaid saiu da sede do FBI e Noah voltou par a sua mesa, Abigail ex clamou: – Eur eca!

– Our o? – Noah per guntou.

– Se você estiver pr ocur ando por um hotelzinho sujo infestado de moscas, então, sim, our o. O Tr iple Tr ee, per to de Dulles. O ger ente disse que um homem com a descr ição de Mor ton pagou por tr ês noites em dinheir o na quinta-feir a. Ele se r egistr ou como Cliff Skinner, o pr imo de Mor ton, e nunca fechou a conta – Abigail pegou as chaves. – Vou lá dar uma olhada, confir mar a identidade, ver se ele deix ou algum per tence no quar to, descobr ir a última vez em que foi visto, esse tipo de coisa.

Noah olhou par a suas mensagens.

– O depar tamento de Segur o Social de Denver ligou enquanto estávamos com Kincaid. Vou ver o que eles descobr ir am. Ligue par a mim quando tiver ter minado, assim tr ocamos infor mações.

– Até o fim do dia você vai r eceber a lista completa, nomes, ender eço e telefones par a contato, dos associados de Mor ton. Mencionei Rick Stockton quando a equipe r eclamou da quantidade de tr abalho par a atualizar a lista.

Funcionou às mar avilhas.

– Ótimo. Quer o r esolver isso o mais r ápido possível.

Abigail r ecostou-se na later al do cubículo.

– Sabe, talvez não seja tão r uim se não r esolver mos o caso.

Noah encar ou a nova par ceir a. Não estava gostando da dir eção daquela conver sa.

– Mor ton er a um patife, mas pr ecisamos descobr ir quem o matou. A punição é tar efa da Pr omotor ia dos Estados Unidos e do sistema judicial, não cabe a nós.

– Fizemos o que Stockton pediu: pr ovamos a inocência de uma agente do FBI, Kate Donovan. Sabemos que ela não fez nada, e nada nas finanças dela suger e que tenha contr atado um atir ador .

– Nem todos tr abalham por dinheir o.

– Está seguindo por um caminho escur o. Donovan não tr abalha em campo; ela não tem como soltar alguém em tr oca de um favor ou se meter com um policial disfar çado.

– Só estou dizendo que temos muitas per guntas sem r espostas. Mor ton estava apr ontando alguma coisa, não há outr o motivo que o fizesse vir par a D.C., violando o s urs is . A menos que alguma coisa gr ande estivesse par a acontecer. Pr ecisamos descobr ir o que é. Há mais por tr ás disso do que um simples homicídio.

– Você me pegou nessa. Talvez ele estivesse planejando dominar o mundo a par tir do quar to do hotel – ela piscou.

– Conte-me se descobr ir alguma coisa.

Depois que Abigail se foi, Noah pegou o telefone e ligou par a Monica Guar dino.

Guar dino atendeu a chamada br uscamente, e estava clar o, pelo bar ulho ao fundo, que ela estava em campo.

– Ar mstr ong de D.C. r etor nando a sua ligação.

– Seu cadáver er a um patife, só par a deix ar clar o.

– Eu sei. O que descobr iu?

– Mor ton estava r ecr iando o antigo negócio – Guar dino disse. – O

pr imo, o senhor Skinner, está cooper ando, após eu ter obser vado que ele poder ia ser apontado como par ticipante no esquema. Disse que Mor ton mantinha um flat, que seu oficial de s urs is desconhecia. Quebr amos a tr anca e descobr imos um computador de última ger ação com dúzias de caix as de por nogr afia, DVDs e fotos de gar otas. Aposto a minha aposentar ia que são menor es de idade. A jogada, por ém, é que nosso per ito em cr imes vir tuais disse que Mor ton estava baix ando os DVDs e pr epar ando-os par a ar quivos par tilhados na inter net. Alguma coisa r elacionada a minimizar o tamanho dos ar quivos par a que eles tr afegassem com mais facilidade pela r ede. Os comos e os por quês estão um pouco acima da minha capacidade, mas confio no meu r apaz. Posso colocar vocês dois em contato e...

Por mais que Noah fosse competente tecnologicamente falando, os cr imes vir tuais de ponta estavam além das suas possibilidades.

– Se puder encaix otar tudo e mandar par a mim, far ei com que a equipe de cr imes vir tuais passe o pente fino nos ar quivos.

– Já comecei a encaix otá-los.

– Ex celente. É possível colocar tudo isso em um tr anspor te militar ainda hoje?

– Por que a ur gência? Não se tr ata só do homicídio de um patife?

Dificilmente isso se encaix a em pr ior idade máx ima.

– É pr ior idade máx ima par a o dir etor -assistente Rick Stockton – Noah disse.

– Car amba, Ar mstr ong, você não disse que o escr itór io do dir etor estava envolvido.

– Agr adeço a sua ajuda – ele disse. – Fico devendo uma.

– Posso cobr ar... Ei, tem mais – Guar dino continuou. – Mor ton estava falido. Passamos as finanças dele, ele tinha menos de tr ezentos dólar es no banco. O pr imo pagava par a ele tr abalhar na oficina, mas não muito mais do que o mínimo, e todo esse dinheir o é r astr eável. Nada par ece suspeito.

– Algum indício de que ele tivesse dinheir o guar dado em algum lugar ? – Noah per guntou. – Ele é ex per iente em lavagem de dinheir o.

– Não há itens lux uosos, nada de viagens, nem car r os. Ele só gastou par a compr ar o computador, e isso está compatível com o que ele ganhava na oficina. Ele até tinha guar dado o r ecibo em um ar quivo.

– Então ele começar ia a oper ação com isso? – Noah per guntou-se em voz alta.

– Não sei dizer, mas ele cer tamente estava apr ontando alguma. Quer que a gente ligue o computador par a ver o que encontr amos?

Noah chegou a pensar em deix ar que o escr itór io de Denver cuidasse disso, mas r esolveu o contr ár io. Ele não sabia o que havia no computador e, ainda que confiasse plenamente no pessoal do depar tamento, depois de falar com Lucy Kincaid naquela manhã, ele quer ia manter o mais pr ivado possível qualquer ar quivo que tivesse infor mações sobr e ela. Quanto menos pessoas vissem, melhor . Mor ton poder ia ter algo sobr e Lucy.

– Não, mas obr igado.

– Ótimo, isso par ece que vai demandar um tempão par a pr ocessar .

Tempo. Como Noah convencer ia a equipe de cr imes vir tuais a pr ior izar esse caso?

– Obr igado pela ajuda, Monica. Avise-me quando o tr anspor te estiver mar cado par a que eu possa mandar um agente buscar as pr ovas.

– Mande um caminhão – ela disse em um meio sor r iso. – Vamos investigar um pouco mais, por ém acr edito que isso seja tudo no que ele estava envolvido. Se pr ecisar , é só chamar .

Depois que Noah desligou, telefonou par a Rick Stockton. Sur -

pr eendeu-se quando o pr ópr io dir etor -assistente atendeu ao telefonema.

– Aqui é o agente especial Noah Ar mstr ong – Noah identificou-se. – O

senhor tem tempo par a uma atualização?

– Alguns minutos – Stockton disse.

– O escr itór io r egional de Denver encontr ou um computador e ar quivos por nogr áficos; eles suspeitam de que boa par te seja por nogr afia ilegal infantil. A pr incípio, par ece que Mor ton estava tentando r ecr iar os negócios que mantinha com Adam Scott há seis anos. Pedi que eles encaix otassem tudo e me enviassem em um tr anspor te militar .

– Muito bom. Pr ecisamos confir mar ex atamente o que ele estava tr amando e com quem estava tr abalhando. A última coisa que pr ecisamos é de outr a Empr eendimentos Tr ask. Estamos assober bados com o que já temos em mãos.

– Sinto que este tr abalho vá demandar muitas pessoas e minha unidade de cr imes vir tuais está tomada de tr abalho – na última r eunião de equipe, Noah ouviu um agente especial r elatar os múltiplos casos em que tr abalhavam, muitos deles envolvendo cr ianças em per igo. A menos que houvesse algo similar nos ar quivos de Mor ton, Noah não poder ia, em sã consciência, desviá-los do tr abalho, mesmo se tivesse poder par a isso. – Não me sinto confor tável em sobr ecar r egá-los quando eles já estão tr abalhando com cr imes delicados de pr azos aper tados.

– Concor do – Stockton disse. – E quanto a Kate Donovan? Ela foi liber ada?

– Ela estava for a da cidade e não há como ela ou o mar ido ter em matado Mor ton. Os álibis são válidos e não há indícios que indiquem que ela ou qualquer membr o da família Kincaid tenha contr atado um assassino pr ofissional par a pegar Mor ton. Lucy Kincaid alegou não saber que ele havia sido solto, e eu acr edito nela.

– Como se sentir ia entr egando as pr ovas do computador par a Kate?

Noah r ecostou-se na cadeir a e fr anziu o cenho.

– Kate Donovan? – per guntou desnecessar iamente. – Enquanto tudo até o momento confer e, consigo pensar em outr os modos pelos quais ela ter ia acesso a...

– O que seus instintos lhe dizem?

– Pr efir o lidar com fatos, senhor .

– Eu também, mas, às vezes, é impossível conseguir pr ovas incontestáveis. O álibi dela confer e, as finanças também, e ela sabe mais a r espeito da Empr eendimentos Tr ask e de Roger Mor ton do que qualquer outr a pessoa no depar tamento. Ela pode acessar os dados e dir ecioná-los par a os agentes de campo mais apr opr iados. Ela não está tr abalhando em campo enquanto é instr utor a em Quantico, por tanto, tem tempo par a se dedicar a isso. Posso for çar a mão com a equipe de cr imes vir tuais, mas eles não conseguir ão se dedicar ex clusivamente a isso.

– Entendido – Noah não sabia como se sentia tr azendo uma antiga suspeita par a a investigação.

– Não estou suger indo que a deix e a par de todo o pr ocesso de investigação – Stockton pr osseguiu. – Isso é com você. No entanto, no que se r efer e ao pr ocessamento dos dados e do r astr eamento, ela é a melhor opção que temos, e ela vai tr abalhar até ter ter minado. Melhor, ela faz par te da unidade de cr imes vir tuais em Quantico e tem acesso a computador es mais r ápidos que os nossos.

– Sim, senhor .

– Bom tr abalho. Mande um r esumo par a mim e par a Hans por e-mail e telefone se pr ecisar de alguma coisa.

– Sim, senhor – Noah desligou. Não estava completamente à vontade com a sugestão de Rick Stockton, que mais par ecia uma or dem, mas não viu outr a opção.

Relutante, ligou par a Kate Donovan. Quando ela atendeu, ele disse: – É Noah Ar mstr ong.

– Lucy está bem? Quando ela saiu?

– Sim, quase uma hor a atr ás.

– Tem cer teza de que ela está bem?

– Não aper tei os par afusos da cabeça dela, a conver sa foi dir eta e civilizada – Noah ficar a impr essionado com a moça. Ela apar entou tr anquilidade, mesmo quando as per guntas se r efer iam a assuntos delicados. No entanto, ela for a fer ida pr ofundamente, e ele se per guntava s e de fato ela ter ia se r ecuper ado. Ela er a uma pessoa r eser vada e contr olada e, segundo a sua ex per iência, esse er a o tipo de pessoa que ex plodia quando menos se esper ava.

– Quando eu disse que quer ia que ela levasse um advogado, não significou que ela tivesse alguma coisa par a esconder – Kate ex plicou.

– Sei disso, Kate. Estou telefonando por outr o motivo. O escr itór io de Denver encontr ou um computador e uma ex tensa coleção de ar quivos por nogr áficos, inclusive de por nogr afia infantil, no apar tamento de Mor ton. Ter ei tudo hoje à noite, mas minha equipe de cr imes vir tuais não pode tr abalhar nisso imediatamente, e pode haver dados no computador que nos deem uma ideia do motivo que o tr oux e aqui, e mais: quem pode tê-lo matado.

– Você vai ter de pr essionar a equipe. É Robeaux , não? Eu o conheço...

ele pode cuidar disso par a mim.

Ela falou com completa confiança de que ter ia seu pedido atendido, e Noah sor r iu, apesar de Kate soar como se aquele caso fosse dela.

– Ele é bom, concor do, mas a equipe dele está assober bada no momento. Rick Stockton a autor izou a cuidar do caso. Eu gostar ia de levar as pr ovas par a Quantico hoje à noite.

– Eu? – ela fez uma pausa. – Então você me ex cluiu da lista de suspeitos?

– Seu álibi confer e, assim como o do seu mar ido.

– E Lucy?

– Acr edito nela – o álibi de Lucy, o de que ficou em casa sozinha er a impossível de confer ir .

– Quando o mater ial chegar á?

– Não tenho cer teza... Tar de. Eles ainda estão encaix otando tudo.

– Avise-me quando chegar, e eu mando uma equipe de Quantico par a a pista de pouso par a r etir ar as pr ovas, catalogar e guar dar no nosso labor atór io. Vamos começar bem cedo amanhã.

– Obr igado.

– Não pr ecisa agr adecer. Quer o saber ex atamente o que Mor ton estava tr amando e jur o que se ele tiver um sócio, vou descobr ir quem é e vou tr ancafiá-lo pelo r esto da vida.

*

A última coisa que Lucy quer ia er a ir par a o PMC na sex ta-feir a, mas tampouco desejava voltar par a casa par a sentir pena de si. Obr igou-se a par ar em uma lanchonete e se alimentar. Não havia conseguido comer nada de manhã antes de ir par a o FBI. Esper ava ter feito a coisa cer ta, por que, na ver dade, não tinha nada par a esconder. Não havia matado Roger Mor ton, ainda que não pudesse honestamente dizer que n ão o teria feito caso ele a confr ontasse.

Ainda sentia nós no estômago depois da longa conver sa com o agente Ar mstr ong. Tanto ele quanto Abigail Resnick for am pr ofissionais e par eciam acr editar que ela não tinha nada a ver com o homicídio, ou que ela soubesse de alguma coisa dos negócios dele de seis anos antes. Ela só quer ia manter o passado enter r ado, mas ele voltava e a estapeava no r osto mais uma vez.

Não conseguiu ter minar o sanduíche por que o estômago ainda estava enjoado, por isso caminhou até o PMC. Apesar de o sol penetr ar as nuvens, ainda estava fr io, e ela aper tou o casaco.

Quando entr ou no pr édio do PMC, sur pr eendeu-se ao ver que ele estava pr aticamente vazio. Fr an estava na sala de r eunião sozinha, compar ando as etiquetas a ser em utilizadas na ar r ecadação de fundos com uma lista.

– Onde estão todos? – Lucy per guntou.

– Eu tr oux e o almoço par a todos e nós ter minamos o que pr ecisava ser feito; já que vamos tr abalhar no sábado, dei a tar de de folga.

– Ter minou tudo mesmo?

– Só tenho uns detalhes de última hor a. Estou ver ificando a lista de convidados pela ter ceir a vez. A última coisa de que pr eciso é que o nome de um doador potencial esteja escr ito er r ado.

Lucy tentou não demonstr ar seu alívio.

Fr an levantou o olhar da lista e fr anziu o cenho.

– Você par ece cansada.

– Não dor mi bem na noite passada – Lucy pensou em contar sobr e Roger Mor ton par a Fr an. Ela conhecia o seu passado e er a uma das únicas pessoas com que Lucy podia conver sar a r espeito. Fr an er a das pessoas mais leais e constantes que Lucy conhecia e jamais a tr atar a com uma vítima. Pelo contr ár io, sempr e a incentivar a, sabendo que o tr abalho lhe tr ar ia or gulho.

Mas com a ar r ecadação de fundos em mente, Lucy r esolveu deix ar par a a semana seguinte. Mor ton continuar ia mor to, e talvez ela pr ecisasse de alguns dias par a se distanciar do passado. Naquele instante, er a tudo muito intenso, r eal demais... E ela não quer ia falar com ninguém a r espeito.

Já estava completamente enver gonhada por ter chor ado na pr esença de Sean Rogan... Ou melhor, não estava. Ele não falou muito, mas o que disse a acalmou. Em seguida, enfr entou Kate quando a cunhada tentou levá-

la par a casa. Havia concor dado que Lucy dever ia levar um advogado par a o encontr o no FBI, mas também disse que confiava nela par a tomar a decisão cer ta. Esse tipo de apoio, a fé em suas decisões, er a sur pr eendente, ainda mais vindo de uma pessoa que ela conhecia há pouco tempo. No mês em que o conheceu, Sean mostr ou-se mais diver tido do que sér io, mas na noite anter ior ele r evelar a uma nova faceta do seu car áter .

– Não tive notícias de Cody – Lucy disse, pegando os cr achás já ver ificados por Fr an e or ganizando-os em or dem alfabética. – Pr enter se apr esentou ao juiz hoje de manhã? Eles o mandar am de volta par a Hager stow n?

Fr an par ou o que fazia e olhou-a.

– Pensei que Cody tivesse lhe contado: Pr enter não apar eceu.

– Ele não apar eceu?

– Deve ter suspeitado que fosse uma ar madilha. Pr edador es sex uais têm sex to sentido em r elação a policiais. Não ser ia a pr imeir a vez, nem a última. Entr etanto, temos tido mais sucesso do que a maior ia das or ganizações que faz o mesmo tr abalho que o nosso.

– Mas Pr enter acr editou em mim.

– Talvez ele tenha visto que Cody Lor enzo tem jeito de policial.

– Cody fez isso uma dúzia de vezes! Ele sabe o que fazer. E caso Pr enter tivesse descober to Cody ou a mim, ele ter ia entr ado em contato com Tanya par a se gabar, par a zombar ou até mesmo ameaçar. Ele não ficar ia quieto. Não é do feitio dele. Foi a boca gr ande dele que o colocou em apur os no tr ibunal.

– Lucy, não é por que você tem gr aduação em Psicologia que se tor nou uma psiquiatr a cr iminalista – Fr an disse. Lucy piscou, sur pr esa com o comentár io dela. Fr an imediatamente se r etr atou: – Eu não quis par ecer tão dur a. Sabe que consider o o seu pr ogr ama de r astr eamento de pr edador es o melhor que já vi, ele for necer á fer r amentas incr íveis par a a For ça Policial encontr ar esses patifes antes que eles se escondam. É só que... Não tenho de lhe ex plicar a difer ença entr e comunicação vir tual, onde comentár ios podem ser consider ados antes de digitados, e uma conver sa pessoal. Esses homens sabem esconder a ver dadeir a identidade deles. Por isso, talvez você tenha r azão ao pensar que ele zombar ia de vocês caso identificasse Cody como policial. Ou talvez esteja er r ada e Pr enter quisesse desapar ecer em vez de fazer qualquer coisa que o mandasse de volta par a a pr isão. Talvez o pneu do car r o dele tenha fur ado. Por um motivo ou outr o, ele não apar eceu.

– Tem r azão. Talvez seja bom eu tentar encontr á-lo.

– Não acho que essa seja uma boa ideia. Se ele suspeitar que você seja policial ou que está tr abalhando com a polícia, ele pode se tor nar violento.

– Ele não sabe quem eu sou de ver dade.

– Sim, mas se ele mar car outr o encontr o, ele pode emboscar os nossos policiais. Se ele entr ar em contato com você, vá em fr ente, dê cor da. Mas não dê o pr imeir o passo, entendido?

Lucy concor dou com r elutância, pois não gostava de ser tão passiva e conser vador a.

– Tenho boas notícias. Você se lembr a do caso em que tr abalhou há alguns meses, sobr e a menina de sete anos que er a ex plor ada pelo pai na inter net?

– Em Atlanta? Eu jamais esquecer ia.

– Ele confessou ontem, quando foi confr ontado com pr ovas adicionais que o FBI encontr ou no computador dele e com evidências médicas de abuso. 18 anos.

– Isso é incr ível! Encontr ar am a mãe dela?

– Infelizmente não. Ela er a viciada em dr ogas há anos; pode ter mor r ido, ou estar tão dr ogada que nem sabe o pr ópr io nome. Contudo, localizar am a avó mater na, que está muito satisfeita em ter a guar da da cr iança.

A menina pr ecisar ia de ter apia e de amor , mas Lucy tinha confiança de que com boas doses de ambos, e muita vontade, ela sobr eviver ia e ter ia uma vida nor mal e feliz.

Normal. Alguém que sofr eu tal tipo de abuso poder ia voltar a ser nor mal? As vítimas dificilmente se esqueciam da violência sofr ida, mas podiam desenvolver estr atégias par a conviver com isso, par a toler ar a dor e as lembr anças. Nada fácil, mas essencial er a se desejavam encontr ar um mínimo de paz no futur o.

Fr an deu-lhe um abr aço espontâneo.

– Pr ecisamos celebr ar nossas vitór ias. Se Pr enter entr ar em contato, me avise. De qualquer modo eu a vejo amanhã, cer to? Vá par a casa e descanse.

– É o que vou fazer. Obr igada – Lucy pegou a bolsa. Olhou pela janela e viu que o sol havia sumido e que um vento fr io var r ia a r ua. Estava cansada demais pela noite mal dor mida, por isso r esolveu tomar um táx i.

*

A maldita cadela chamou um táxi.

Vejo quan do Lucy abre a porta de trás . Ela para e olha pela rua, atraves s an do-me com o olhar. Ela n ão me vê. Es tou n a lan chon ete, a mes ma em que ela en trou para comer um pouco an tes .

Es s a ign orân cia me en raivece, ain da que me excite. Não con s igo explicar a excitação que cres ce em meu peito. Detes to s er ign orado, mas ela n ão me ign ora de verdade, n ão é mes mo?

Eu con heço Lucy Kin caid. Sei on de ela mora. Sei on de trabalha, on de toma café, on de o irmão mora, on de corre n o parque.

Ela en tra n o táxi e vai embora. Para cas a? Para jan tar fora? Não s ei, mas s ou pacien te.

A família dela me deixa n ervos o. Um irmão é in ves tigador particular.

A cun hada é agen te do FBI. Por is s o s ou cautelos o; n ão pos s o me dar ao luxo de cometer erros .

Seria melhor eu me afas tar, lavan do as mãos n o cas o de Lucy Kin caid?

Eu poderia matá-la facilmen te, depois fugir, mas eles me pers eguiriam? A família dela? A organ ização para a qual ela trabalha? Pos s o ven cê-los ?

Quero crer que s im, mas n ão s ou idiota.

Sou pacien te, mas meu tempo é valios o. Eu faço regis tros do tempo que ela me cus ta. E es s e tempo s erá cobrado.

Nin guém en ten de a n oção de tempo como eu. Durmo exatas s eis horas todas as n oites . Nem mais , n em men os . Faço exercícios por vin te e dois min utos todas as man hãs , s eguidos por quatro min utos n o chuveiro.

E por mais que eu en ten da a n eces s idade de flexibilidade, s e eu n ão for dis ciplin ado,

como

pos s o

es perar

que

min has

fêmeas

s ejam

dis ciplin adas ?

Sou o guardião da verdade e n ão vou me es quecer da traição dela. Não es quecerei traição alguma. Todas s erão dis ciplin adas quan do chegar a vez delas . Todas s erão n ada, n ão vai s obrar n em mes mo um traço de DNA. O

que me parece apropriado uma vez que n ão pas s am de fêmeas ; pior, de fêmeas des obedien tes .

M as Lucy Kin caid é de lon ge a mulher mais des obedien te que já con heci. Precis o agir com s abedoria ou é melhor des aparecer.

Afas tar-me dela, porém, n ão é uma opção. Que tipo de homem s eria eu s e uma fêmea me amedron tas s e?

Con s idero min has opções . Pos s o pegá-la quan do bem quis er. Deixei duas belas oportun idades pas s arem porque n ão quero me apres s ar. Ações impen s adas levam a erros , e por caus a da família dela, eu n ão pos s o errar. Precis o de um plan o.

Nen huma mulher me ven cerá. Ela começou es te jogo. Es s a fêmea toda-poderos a n ão con hece o s eu lugar.

Não temo Lucy Kin caid. Ela n ão é uma ameaça. Os homen s n a vida dela s ão uma ameaça em poten cial, mas quan do eles des cobrirem tudo, s e con s eguirem, eu es tarei lon ge.

A s ituação revela certo des afio.

Saio da lan chon ete e s igo para o carro. Ideias preen chem min ha men te: como e quan do pegá-la. Precis arei ter tempo para en s in á-la. Todo o tempo que ela me cus tou s erá recompen s ado com a s ua obediên cia, ou s erá pago com s an gue.

DEZ

Houve uma época em que Sean poder ia ter se bandeado par a qualquer um dos lados: poder ia ser uma br ilhante mente cr iminosa ou escolher a tr ilha dos que seguem a lei. Se algum dia duvidou que ficar mais ou menos do lado da lei er a a escolha cer ta, hoje tinha cer teza.

Sean dir igiu par a o leste, a par te mais depr imente de D.C., com suas anotações sobr e os associados conhecidos de Mor ton e de Scott que habitavam na r egião da gr ande D.C. A empr esa cr iminosa deles dur ar a quase duas décadas e por mais que diver sos compar sas estivessem mor tos ou na pr isão, e alguns poucos, apar entemente, r edimidos, a maior ia ainda er a composta de cr iminosos de pouca monta até par ticipantes da máfia.

Tinha tempo par a falar com ao menos um naquele dia ainda. Como ela foi a mais fácil de localizar , escolheu a única mulher da lista.

A antiga pr ostituta Melinda Winslow havia sido liber tada da pr isão seis meses antes, após pagar tr ês anos por posse de her oína com a intenção de vender. Er a a quar ta condenação dela em onze anos. De acor do com as infor mações enviadas por Jayne, ela for a uma es trela costumeir a na Empr eendimentos Tr ask. Quando a Tr ask fechou depois que Mor ton e Scott fugir am após a mor te da agente feder al Paige Henshaw, a par ceir a de Kate, Winslow per deu o contr ole do vício e chegou ao fundo do poço.

Quando ela atendeu à por ta de sua casa, Sean quase deu as costas, cer to de que estava com a pessoa er r ada. Melinda Winslow tinha 36 anos; aquela mulher apar entava uns cinquenta, isso em um bom dia.

Aquele não er a um bom dia. Se as dr ogas não matavam de pr onto, elas cer tamente sugavam a vida das pessoas.

– Mas que dr oga, acham que vocês engomadinhos podem apar ecer aqui quando bem entendem? Por co.

– Olá, senhor ita Winslow – Sean disse um tanto diver tido. – Tenho algumas per guntas, se não se impor tar .

– E eu posso? Da última vez, um de vocês me mandou par a a cadeia só por que não quis fazer um boquete, por r a.

Ela acr editava que ele er a policial, e Sean não disse nada par a dissuadi-la disso. Nem sempr e ele se entendia com a For ça Policial. Alguns tir as er am legais; outr os, muito pr eto no br anco par a o seu gosto. E alguns er am, como a senhor ita Winslow tão gr aciosamente colocou, uns por cos.

– Não quer o vê-la na cadeia.

Ela bufou, depois limpou o nar iz com o dor so da mão. Sean não tocar ia nela nem em nada daquele apar tamento imundo.

– Só tenho algumas per guntas, como já lhe disse. Posso?

– Como se pr ecisasse pedir – ela abr iu a por ta, der r ubando uma pilha de tabloides amar elados que pendia de uma pr ateleir a. Ela par eceu não notar , pois pisou sobr e as folhas caídas.

Sean entr ou, mantendo as mãos junto ao cor po.

– Você teve um r elacionamento pr ofissional há onze anos com dois homens, Adam Scott, também conhecido como “Tr ask”, e Roger Mor ton.

Ante a menção dos nomes, o r osto pálido dela ficou ainda mais br anco.

Em seguida, ela empinou o queix o.

– Não os vi. Tr ask está mor to, pelo que me contar am. Roger, na pr isão. E eu não falar ia com ele nem que ele fosse o último cafetão do planeta.

– Você foi funcionár ia da Empr eendimentos Tr ask, cor r eto?

– Fun cion ária – ela r iu. – Sabe muito bem o que eu er a. Eles me pagavam pelas fitas de sex o. Er a legal, tudo legal... Pelo menos da minha par te.

Sean duvidava muito que ela declar asse sua r enda par a a Receita Feder al, mas nada disse.

– Eu não sabia o que eles faziam pelas beir adas. Jur o por Deus.

– Você se associou a eles por quanto tempo?

– Uns poucos meses. E depois, uma vez ou outr a, quando eu pr ecisava de dinheir o. Eles pagavam mais por ação da pesada. Mas... Dr oga, Tr ask quase me matou uma vez quando estava ter minando. Roger me deu 2 mil par a que eu ficasse calada. Disse que tive sor te por não ter mor r ido, e que eu não dever ia mais voltar, nem ligar. Eu não liguei. Isso já faz uns bons anos. Fui par a a pr isão depois disso, em Minnesota, por causa das dr ogas. Já estou limpa – ela acenou com or gulho.

Sean notou a abundância de gar r afas de vinho vazias espalhadas pelo apar tamento e o cheir o de suor mistur ado a álcool. Talvez ela não injetasse mais her oína, mas ainda estava se matando lentamente.

– Roger a pr ocur ou nos últimos seis meses? – ele per guntou.

– Não. E mesmo se tivesse, eu o mandar ia par a o infer no – ela encar ou Sean. – Pensei que ele estivesse pr eso.

– Sim, ele estava. Mas r ecebeu s urs is em julho passado.

Ela r iu com gosto, e Sean teve um leve vislumbr e da bela mulher que ela foi um dia.

– Surs is ? Depois do que ele fez? Eu peguei tr ês malditos anos por por te de dr ogas, e ele ficou com o quê? Cinco? Dez? Por pr ostituição, assassinato, dr ogas e sabe-se lá o que mais – ela pux ou a gola da camiseta, mostr ando o pescoço. – Vê esta cicatr iz?

Sean viu uma cicatr iz de cinco centímetr os na base do pescoço. Seu max ilar tr avou quando seus instintos de pr oteção vier am à tona.

– Roger fez isso com você?

Ela balançou a cabeça e soltou a gola.

– Tr ask. Eu pensei que tinha mor r ido, mas Roger viu tudo, depois me pagou. Ouvi dizer que eles fizer am uma for tuna com o vídeo do Tr ask me comendo. Roger fazia de tudo por aquele bastar do. Todos sabiam que Tr ask er a um psicopata, e que Roger encobr ia tudo por ele. Então, como foi que ele saiu?

– Por que o sistema judiciár io é uma dr oga.

Sean lar gou cinquenta dólar es no sofá e saiu, sem conseguir ficar nem mais um minuto ali.

Dizer que o que aconteceu com Mor ton foi causado por um sistema judiciár io atr apalhado er a a ver são mais atenuada da ver dade. Winslow não er a nenhuma santa, mas ninguém mer ecia ser tr atada como ela foi, sendo quase assassinada de maneir a cr uel. Adam Scott foi um psicopata, mas Mor ton testemunhava tudo, ajudava a limpar as besteir as de Scott, e mantinha o maldito tr em nos tr ilhos.

Sean entr ou no seu GT pr eto, olhando de r elance par a um gr upo de adolescentes que estava admir ando seu car r o. Eles não o abor dar am, e uma olhada no espelho r etr ovisor mostr ou o motivo. Ele par ecia pr onto par a uma luta.

Saiu com os pneus cantando, manobr ando o car r o espor te como se ele fosse uma ex tensão de si. Dir igir nor malmente o acalmava, mas, naquele instante, ele só sentia uma r aiva pr ofunda e bor bulhante.

Quando Melinda Winslow lhe mostr ar a a cicatr iz, ele visualizou Lucy.

Não foi por quer er, e ele nunca tinha visto cicatr iz em Lucy, mas isso não quer ia dizer que elas não ex istissem debaix o da r oupa.

Sean encontr ou o pr imeir o viaduto. Pr ecisava encontr ar uma autoestr ada par a pisar fundo. Como sentia falta do nor te da Califór nia naquele instante... Lá ele conhecia todas as r odovias por onde podia vir tualmente sair voando quando pr ecisava se acalmar. Mas ali havia pessoas demais, car r os demais em uma ár ea pequena. Foi par a o sul na dir eção da Vir gínia em busca de uma longa estr ada.

Winslow discor r er a aber tamente sobr e o seu ataque, mas ela não o consider ava um ataque. Ela não havia sido estupr ada. De modo estúpido, ela entr ar a na jogada por livr e e espontânea vontade, por causa de dinheir o. Sean sentiu pena ao ver o medo estampado nos olhos dela ao se lembr ar de que quase havia mor r ido. Onze anos depois e ela ainda se sentia ater r or izada.

For am as r espostas dir etas, a linguagem usada, a aceitação da vida desgr açada que ela tinha e pela pr ópr ia r esponsabilidade pela sua situação que fez Sean per der a cabeça. Lucy er a o ex tr emo oposto. Ela havia sido sequestr ada, não par ticipar a dos jogos sex uais de Adam Scott por que quis.

Havia sido tor tur ada, ator mentada, violentada e quase assassinada por que Adam Scott er a um bastar do sádico que sentia pr azer ao machucar as mulher es.

Lucy não falar a da sua pr ovação com mais do que alguns detalhes vagos, mas ele nem esper ava que ela o fizesse. O assassinato de Roger Mor ton estava tr azendo tudo de volta à super fície. Ele via isso no olhar dela, na tensão de cada músculo. Mas ele nunca a colocou na posição de vítima por que Lucy nenhuma vez agiu como tal. Até a noite anter ior, quando ela chor ou e ele a ampar ou. Sean ser ia capaz de fazer qualquer coisa ao seu alcance par a acabar com a angústia dela.

Ele pegou o acesso par a a estr ada 395 em dir eção ao sul e se moveu com gr aciosidade em meio ao flux o, gr ato que o sol inter mitente tivesse secado da estr ada a neve que havia caído. Er am tr ês da tar de e a hor a do rus h estava começando, mas ele estava adiantado. Aceler ou, tentando bloquear as palavr as de Winslow da mente, tentando par ar de imaginar Lucy no lugar dela.

Lucy er a a mulher mais for te que ele já conhecer a. Ela havia conquistado muito em pouco tempo, e com o peso do passado nos ombr os.

Mas, maldição, ela não dever ia nem ter passado por tudo aquilo! Nenhuma mulher dever ia ter sofr ido nas mãos de Scott e de Mor ton. O sistema judiciár io er a uma dr oga, e Sean quer ia bater em alguma coisa.

Mas não far ia isso. Sua válvula de escape er a dir igir, e ele dir igiu até sentir o cor ação voltar ao nor mal, até se acalmar o bastante par a se lembr ar de que os dois homens estavam mor tos, e que não poder iam mais atingir ninguém. Nunca mais tocar iam em Lucy.

O detector de r adar escondido no painel do car r o soou r apidamente, e ele instantaneamente diminuiu a velocidade par a 110, mantendo o completo contr ole do GT. “Dr oga!” Devia estar a uns 150 quilômetr os por hor a. Mas foi tar de demais. O patr ulheir o apar eceu atr ás dele com as luzes do car r o piscando.

Sean encostou o car r o, sem nenhuma esper ança de se livr ar de uma multa por ex cesso de velocidade.

Mas bem que se diver tir ia tentando.

ONZE

Lucy tinha evitado Kate na noite anter ior e pela manhã, mas a cunhada estava à sua esper a quando o táx i a deix ou em casa às quatr o e meia na sex ta-feir a.

– Lucy... – Kate disse assim que ela começou a subir a escada.

Lucy não quer ia falar sobr e o dia anter ior, nem sobr e Mor ton ou o inter r ogatór io no FBI, tampouco sobr e as mentir as da cunhada, pelo menos não naquele instante. Suas emoções ainda estavam fr escas e ela não quer ia br igar ou chor ar. Estava tão ex austa por conta do seu confr onto com Kate no dia anter ior que não desejava dizer alguma coisa que depois causasse ar r ependimento.

– Podemos fazer isso amanhã? – Lucy já estava pensando em maneir as de evitar Kate o fim de semana inteir o. Ter iam de conver sar, afinal, não havia como mor ar ali e escapar da conver sa inevitável. Ela simplesmente não tinha ener gia par a isso no momento.

Kate passou o cabelo loir o que lhe batia nos ombr os atr ás da or elha, levantando a cabeça par a fitar Lucy nos olhos.

– Lucy, eu só...

– O inter r ogatór io no FBI cor r eu bem. Não sou suspeita. É isso o que você quer ia saber , cer to?

– Eu sei, falei com Noah.

Lucy sentiu-se uma intr usa, visto que mais uma vez Kate agia pelas suas costas, guar dando infor mações dela.

– Mar avilha.

– Ele não me contou nada, só que você se saiu bem e que não é consider ada suspeita. Eu pr eciso falar com você a r espeito de uma coisa, é impor tante. Por favor. Tenho de sair daqui a pouco e quer o que você tenha todas as infor mações que eu tenho.

Lucy fechou a car a, mas seguiu Kate até a cozinha, pois a cur iosidade er a maior que o sentimento de tr aição.

O casaco de Kate, o laptop e as chaves estavam sobr e a mesa.

– Vou par a Quantico par a analisar pr ovas no caso de Mor ton.

– Estão deix ando que você tr abalhe nisso? Não é conflito de inter esse ou algo semelhante?

– O escr itór io de Denver encontr ou um computador e ar quivos no apar tamento de Mor ton e, ao que par ece, ele estava tentando r ecr iar a Empr eendimentos Tr ask. Tudo foi encaix otado e enviado par a Quantico.

Noah foi autor izado pela sede a per mitir que eu pr ocesse os dados do computador e cr ie uma linha do tempo das atividades de Mor ton. Minha tar efa é descobr ir se ele tinha algum sócio, o que ex atamente ele estava tr amando e acessar os dados par a descobr ir se alguém cor r e per igo.

Lucy sentou-se à mesa, sem saber como se sentia com as infor mações de Kate. Alívio em saber que nenhum estr anho estar ia envolvido. Raiva por Mor ton ter tido a liber dade de ex plor ar mulher es e cr ianças. E uma pontada de medo: s ócio.

Continuar: parte 5 de 17