Se eu Morrer Antes de Você
1. Um
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 17 partes.
Ela segur ou fir me.
– Patinar é equilíbr io e movimentação. Deix e as cox as tr abalhar em.
– Estamos nos movendo! – ela aper tou for te os br aços que a segur avam pela cintur a. A gar otinha futur a vencedor a da medalha de our o passou por eles como se estivesse flutuando. – Jur o, ela fez isso par a que eu me sentisse infer ior .
– Pr ovavelmente.
– Eu não falei sér io.
– Eu falei – ele beijou-a no r osto. – Agor a par e de se compar ar com as outr as cr ianças e concentr e-se.
Lucy r espir ou fundo, e o ar fr esco nos pulmões foi ao mesmo tempo r efr escante e gélido. Sean gentilmente se moveu par a fr ente, conduzindo-a.
– Sente minhas per nas se mover em?
Ela sentia, e engoliu em seco, bem ciente de que as per nas de Sean pr essionavam levemente as suas, pr imeir o a dir eita, depois a esquer da, em um r itmo sensual que tanto a acalmou quanto ex citou. Ela moveu-se na dir eção dele, e logo eles estavam patinando, devagar , mas continuamente.
– Ei, eu estou patinando! – ela deu um sor r iso lar go, ner vosa, mas or gulhosa pela sua conquista.
Der am a volta duas vezes pelo r inque par a que Lucy conquistasse confiança.
– Ok, vou soltar você, – Sean disse – mas estar ei logo atr ás.
– Não...
Mas ele já tinha abaix ado os br aços. Ela deslizou par a fr ente, tentando manter o mesmo r itmo, mas foi muito par a a dir eita, compensando demais em uma vir ada de 180 gr aus. Pr ocur ou segur ar a gr ade, por ém estava longe demais, e caiu com as per nas aber tas em dir eções opostas.
– Dr oga!
Sean r iu. Ela encar ou-o.
– Par e de r ir – depois sor r iu. – Sou uma idiota.
Ele estendeu a mão e pux ou-a em um movimento fluido.
– Está bem, vamos tentar algo difer ente nessa dança.
De fr ente par a ela, ele segur ou-a pela cintur a e começou a patinar par a tr ás, pux ando-a em vez de empur r á-la.
– Você está patinando de costas! – ela ex clamou.
– Pr efer e ir ?
Ela balançou a cabeça e apoiou as mãos nos ombr os dele.
Movimentar am-se com fluidez pela ponta do r inque. Ou melhor, Sean a pux ou com per feição, par ecendo saber instintivamente onde estavam no gelo, e onde todos os outr os estavam. Lucy r edescobr iu o r itmo, e eles deslizar am gr aciosamente pelo r inque, o mais per to que podiam sem se tocar em totalmente. Os movimentos de Sean par eciam não r equer er esfor ço. A dança fluida tr ansfor mou-se em mais do que dois amigos esquiando quando as br incadeir as entr e eles se for am e Sean a beijou na testa. Depois nos lábios. De leve, com doçur a, mostr ando um car inho infinito que a sur pr eendeu.
– Estou or gulhoso de você, Lucy.
Ela pigar r eou.
– Por quê?
– Pelas novas ex per iências.
– Acho que tenho disposição par a tentar coisas novas pelo menos uma vez.
– Uma vez? – ele fr anziu o cenho e par eceu pr eocupado. – Não está se diver tindo?
– Estou me diver tindo. Mais do que pensei ser possível. Você é incr ível.
Ele sor r iu e piscou par a ela, depois a beijou no r osto e mor discou-lhe a or elha de leve.
– Sou mesmo, não? – ele br incou.
– Or a, olhe o tamanho do seu ego!
– Tudo par a impr essioná-la, minha quer ida.
Lucy levantou a sobr ancelha e olhou ao r edor de Sean par a se cer tificar de que não havia ninguém no caminho. Ela se vir ou de r epente em um cír culo completo, sur pr eendendo-o, e ele tentou r ecuper ar o contr ole, mas ela havia conquistado suas pern as patin adoras e gir ou-o até ele cair no gelo. Ela segur ou-se na gr ade par a não cair e r iu.
– Então é assim que vai ser – ele sor r iu. – É melhor tomar cuidado, senhor ita Kincaid, por que a vingança é um pr ato que se come fr io.
– Mal posso esper ar – ela sur pr eendeu-se com a facilidade com que br incava com Sean.
Ele se levantou com destr eza e a pr essionou contr a a gr ade. Os olhos azuis cintilavam de bom humor quando ele disse: – Você não saber á nem quando, nem como, pr incesa.
– Estou mor r endo de medo – ela disse, supr imindo uma r isadinha.
Ele beijou-a, abr indo a boca de leve, aquecendo-lhe os lábios, enviando uma cor r ente de eletr icidade no cor po dela. As mãos subir am par a o r osto, as luvas de cour o estavam fr ias, mas ela mal notou. Ele segur ou-a ali, pr olongando o beijo. O cor po dele a pr endia contr a a gr ade, mas ela não se sentia pr esa, não entr ou em pânico, não sentiu nada além da pr esença poder osa de Sean Rogan.
Ele suspir ou, apoiou a testa na dela e sussur r ou: – Que tal chocolate quente?
Ela assentiu, por que, de r epente, ficou sem fala.
Saír am do r inque de patinação e devolver am os patins.
– Obr igada, Sean – Lucy disse e beijou-o espontaneamente. – Eu não me diver tia assim há muito tempo.
[1] Mulher deter minada e independente que não olhava osmeios par a conquistar seus objetivos. A sua histór ia é contada no Pr imeir o Livr o de Reis do Antigo Testamento.
DEZENOVE
Andr ew Ace Shuman er a um ex -pr esidiár io de boca suja e o que Noah mais quer ia er a ter um motivo par a pr endê-lo.
“Feder ais malditos” foi o que Ace disse ao abr ir a por ta e ver Noah e Abigail na soleir a da sua casa de concr eto decaída da época da 2ª Guer r a Mundial. Noah nem havia mostr ado o distintivo ainda.
– Minha condicional acabou há 18 meses; não tenho que falar com vocês – ele cobiçou Abigail com o olhar de cima a baix o.
Então Noah mostr ou o distintivo.
– Agente especial Noah Ar mstr ong, minha par ceir a, agente especial Abigail Resnick. Viemos fazer per guntas a r espeito do homicídio de Roger Mor ton.
O melhor er a dizer logo que aquilo er a um assunto sér io: cr ime qualificado.
Shuman fechou a car a.
– Roger M orton ? – ele se r ecostou no batente.
Ele não os convidou a entr ar, e Noah não sabia se quer ia entr ar naquele par dieir o. Havia passado um inver no em For t Dix em Nova Jer sey, e aquele dia ensolar ado não o incomodava, mas Abigail estava tentando não tr emer de fr io, por isso Noah foi dir eto ao assunto.
– Quando foi a última vez que manteve qualquer tipo de contato com Mor ton? Pessoalmente, por e-mail ou telefone?
– O filho da mãe está mor to? – Ace se mostr ou cético.
Noah assentiu e esper ou por uma r esposta. Quando Ace não r espondeu, ele acr escentou:
– Você é um ex -pr esidiár io, tem histór ia com Mor ton. Não me faça voltar com um mandado de pr isão.
– Ô, car amba... Você não pode me pr ender sem nenhum pr etex to.
– Posso e vou fazer você r esponder às minhas per guntas. Enquanto estou aqui, o FBI está lendo todos os e-mails mandados e r ecebidos por Mor ton nos últimos seis meses. Sabemos que você e ele se cor r esponder am.
– Então leia e volte depois – Shuman disse e começou a fechar a por ta.
Noah avançou o pé par a evitar que a por ta se fechasse.
– Minha semana foi longa, e você a está tor nando ainda maior. O chefe de polícia Richar d Blakesly é um amigo pessoal. Um telefonema, e ele tor nar á a sua vida infer nal. Você não conseguir á dar um passo sem que um car r o de patr ulha esteja na sua cola. Você não conseguir á ir a um bar, ao super mer cado, nem mesmo ir até a esquina sem que um policial de Baltimor e lhe per gunte que hor as são. Mor ton tinha por nogr afia infantil no computador dele. Você enviou alguma coisa par a ele. E se houver o mínimo indício de que enviou por nogr afia ilegal, vamos r evir ar este lugar do avesso. Uma única foto mal colocada, e você voltar á à pr isão. E todos saber ão que você gosta de gar otos nus.
Ace deu um passo à fr ente, com o r osto sombr io e per igoso.
– Maldito. Não vou atr ás de gar otos.
– Por favor , me bata – Noah disse sem se mover .
Ace lutou contr a a r aiva. Noah pr essionou.
– Sei que conver sou com Mor ton; quer o saber o que discutir am. Por que ele veio par a D.C. na semana passada?
Ace pr ofer iu uma tor r ente de impr opér ios que far ia o mar inheir o mais boca suja cor ar, mas Noah se mostr ou impassível. Ao fim do ataque ver bal, ele disse:
– Eu não sabia que Roger estava mor to, mas acr editei que tivesse acontecido alguma coisa quando ele não apar eceu. Ele disse que vir ia.
– Quando foi isso?
– Ele disse que tinha uma pr oposta de tr abalho. Ele dever ia ter vindo no sábado.
– O que ele disse sobr e essa pr oposta?
– O que vou dizer é a mais absoluta ver dade. Depois que ele saiu da pr isão, ele me pr ocur ou, disse que tinha de se cuidar, mas que tinha um plano e que talvez fosse pr ecisar de mim como chefe de segur ança.
Per guntou se eu estava inter essado. Eu estava. Não tive notícias dele por meses. De r epente, do nada, ele disse que estava vindo par a D.C. e que vir ia me ver no sábado. Se as coisas cor r essem bem, ele ter ia o capital inicial e pr ecisar ia da minha ajuda.
– Capital inicial par a o quê?
– Ele não disse, mas ouvi por aí que alguém estava montando outr o clube de sex o on-line. Câmer as ao vivo, vídeos de qualidade, bate-papo.
Par eceu pr omissor .
– E esse alguém ser ia Roger Mor ton?
– Não sei. For am boatos, um amigo meu se gabando. Mas quando Roger me pr ocur ou, pensei que fosse isso.
– Quem é esse amigo?
– Bem, isso eu não vou dizer .
Noah ar r iscou-se:
– Robbie Ralston?
Shuman deu de ombr os.
– Ralston também mor r eu.
Shuman não conseguiu esconder a r eação.
– Robbie mor r eu?
– Foi ele quem se gabou?
– Pode ser. Mas ele não er a esper to o suficiente par a tocar isso sozinho – Shuman fez uma pausa, depois acr escentou: – Eu pr efir o me ar r iscar na pr isão a me meter com cer tos beber r ões de vodca, se é que me entende.
Noah captou a mensagem.
– Obr igado, senhor Shuman.
Ace gar galhou.
– Obr igado, senhor Shuman? Que piada... – ele piscou par a Abigail.
No car r o, Abigail disse:
– Você tem amigos no alto escalão.
– Como é que é? – Noah se mostr ou sur pr eso.
– O chefe de polícia? Quem dir ia?
Noah deu de ombr os e ligou o car r o.
– Não sei. Richar d Blakesly foi meu pr imeir o tenente quando me alistei na For ça Aér ea. Ele ainda deve estar por aí.
– Você blefou com ele? – Abigail sor r iu. – Enganou um vigar ista como Shuman; estou impr essionada.
– Eu não tinha tempo par a os joguinhos dele, e eu não tinha motivo par a pr endê-lo. E nem pensar em passar uma hor a com ele no car r o. – Noah vir ou em uma avenida centr al e tomou a dir eção de D.C. – Mor ton e Ralston estavam jogando um jogo bem per igoso.
– Clar o. Estão mor tos.
– Eu estava pensando nos beber r ões de vodca a que Ace Shuman se r efer iu.
– Ter á de me dar uma pista.
– Ser gey Yur an é um tr aficante r usso. Se o que quer emos está na Rússia: dr ogas, pessoas ou ar mas, é ele quem consegue.
– Yur an?
Noah assentiu.
– Ele é o único r usso na lista de associados de Mor ton. De acor do com as anotações de Kate Donovan, ele for necia um flux o contínuo de pr ostitutas par a as gr avações de sex o da Empr eendimentos Tr ask. E se Mor ton o enfur eceu?
Ele par ou. Alguma coisa não se encaix ava.
– O que foi? – Abigail o pr essionou um minuto depois.
– Não sei. Não conheço Yur an muito bem, mas o homicídio de Mor ton me par eceu desleix ado.
– Desleix ado? Uma bala e ele mor r eu.
– Sim... Mas Yur an é melhor do que isso. Mesmo assim, – Noah disse, entr ando na via ex pr essa – Mor ton se meteu em alguma coisa que o levou à mor te, e isso significa que há alguém mais per igoso envolvido em qualquer que fosse o plano que Mor ton tinha na manga.
– Aonde vamos?
– Yur an. Pr eciso dar um telefonema, tenho cer teza de que temos pessoas na cola dele. Não quer o pôr em r isco nenhuma oper ação secr eta, mas ele deve saber alguma coisa, ou Shuman não ficar ia tão ner voso.
Dir igindo de volta par a D.C., Noah ligou par a Hans Vigo par a saber a situação de alguma investigação envolvendo Ser gey Yur an. Quando Hans r etor nou sua ligação, ele estacionava diante da sede do FBI.
– Você fez bem em ligar – Hans disse. – A Imigr ação está vigiando-o há meses, e eles não quer em que nos envolvamos a esta altur a. No entanto, consegui algumas infor mações deles. Boas e r uins. Ou boas e neutr as, dependendo do ponto de vista.
– Pode falar .
– Yur an e seus homens-chave, todos, têm álibi par a o último final de semana; eles estavam em Nova Yor k.
– Fazendo o quê? Par ticipavam de uma convenção de tr áfico humano? – Noah acr escentou sar cástico.
– Eles não disser am, eu não per guntei. A Imigr ação anda sensível ultimamente.
Noah disse:
– Ele pode ter contr atado alguém par a matar Mor ton.
– É ver dade, mas não há boatos a esse r espeito. De acor do com a minha fonte, Mor ton e Ralston nem estavam no r adar deles. Não há indícios de que Yur an esteja inter essado na indústr ia do sex o vir tual; ele pr efer e lidar ao vivo com as pessoas.
Noah não achava que Shuman estivesse atir ando no escur o.
– Minha fonte disse que Yur an er a um possível r ecur so par a o capital inicial desse empr eendimento.
– Isso pode ser possível, mas só sob a per spectiva financeir a. Sabemos que Yur an empr esta capital, com jur os altos. Acha que foi por isso que Mor ton e Ralston for am assassinados? Que eles não tenham pagado?
– Não – Noah admitiu. – Isso não me par ece cer to; não há indícios de que nenhum deles tivesse dinheir o, mesmo que por um cur to per íodo.
Yur an não é nenhum idiota; ele não os matar ia sem motivo.
– Concor do. Acho que Yur an é um beco sem saída, mas pedi par a o meu contato na Imigr ação investigar. Quantos e-mails for am tr ocados entr e Yur an e Mor ton?
– Um.
– Não me par ece uma aposta segur a. Kate já conseguiu o conteúdo?
– Não. Mais alguma coisa?
– Sim, a infor mação neutr a/r uim.
– Pensei que tivesse me dado a infor mação r uim.
– Por que você não encer r ou o caso? Isso ser ia fácil demais. Mas acho que pr ecisa saber que Sean Rogan fez uma visitinha a Ser gey Yur an ontem.
Noah ficou tenso.
– Rogan?
– Ficou lá por 27 minutos. Foi par a o bar antes do hor ár io de funcionamento. A hor a suger e que ele tenha ido pouco antes de ter encontr ado o cor po de Ralston.
– Yur an o mandou par a lá?
– Duvido. Ralston er a associado de Mor ton, e Sean estava tr abalhando no caso assim como você.
– Obstr uindo a justiça.
– Só estou dizendo que pode quer er usar Sean e a RCK do modo que puder . Eles têm um pouco mais de liber dade do que você.
Hans não estava dando uma or dem ex plícita, mas par eceu que sim.
Noah não quer ia cr uzar essa fr onteir a. Chamar um consultor par ticular er a uma coisa, mas uma empr esa que andava em águas escur as como a Rogan-Car uso-Kincaid?
– Acho que só vou per guntar a Rogan o que ele e Yur an falar am, e depois mandá-lo sair do meu caso.
– Entendo; eu só fiz uma sugestão – Hans disse.
Não er a uma opção que Noah quisesse ex er cer, a não ser em último caso.
VINTE
Cody confr ontou Lucy do lado de for a do Instituto Médico Legal na segunda-feir a de manhã.
– Você mentiu par a mim.
Lucy piscou r epetidas vezes, sem entender nada. Sentia a cabeça doer pela noite mal dor mida, o vento sopr ava for te, deix ando-a ainda mais gelada do que estava, e a detestável sensação de estar sendo obser vada r etor nar a.
Ele empur r ou um pedaço de papel na mão dela. Er a a impr essão de uma conver sa de uma das contas dos amigos vir tuais de Pr enter, a conta que for a apagada. A conver sa for a encaminhada par a o e-mail dele.
A mensagem or iginal vinha da conta de Tanya:
mudança de planos... tenho um compr omisso em D.C., podemos nos encontr ar no Clube 10? mal posso esper ar !! Tanya
Lucy r eleu cinco vezes antes que Cody ar r ancasse o papel das suas mãos.
– Não enviei isso – ela disse.
– Não acr edito em você.
Ela encar ou-o, magoada por ele acr editar que ela estivesse mentindo.
Um nó de medo r evir ou seu estômago quando ela per cebeu que alguém usar a a sua conta par a mandar Pr enter par a o Clube 10. Onde ele foi assassinado.
– Você me conhece há tr ês anos. Não confia em mim?
– Está negando que esta seja a sua conta? – ele balançou o papel diante dela.
– Não, mas...
– A sua conta segur a do PMC?
– Cody! Par e de me inter r ogar como se eu fosse uma suspeita.
Ele não disse nada, só a encar ou.
– Não enviei essa mensagem – ela r epetiu.
– Quem, então? – ele lançou a per gunta como se ela fosse uma testemunha hostil.
– Não sei! – Lucy ponder ou cada possível cenár io que conseguia pensar.
– Não é impossível que alguém tenha invadido a minha conta.
– Alguém ter ia de saber quem você é.
– Não. Não necessar iamente. Se alguém conseguiu acesso aos e-mails de Pr enter... Diabos, Cody, ele encaminhou as mensagens par a o e-mail pessoal, qualquer um poder ia ter visto meu nome! Talvez uma das ex -
namor adas dele ficou fur iosa e não quis que ele se encontr asse com mais ninguém. Talvez...
– Você está ouvindo o que você está dizendo?
– Estou tentando descobr ir como alguém pode ter usado a minha conta, ou disfar çado a pr ópr ia conta par a que par ecesse ser a minha, par a encaminhá-lo ao bar onde acabou sendo assassinado. Talvez seja apenas coincidência – assim que ela disse isso, soube que não podia ser coincidência. A decisão de mandar Pr enter ao Clube 10 foi deliber ada e calculada. Menos de duas hor as mais tar de, ele foi assassinado em um beco.
Com calma, ela per guntou: – O que você acha, Cody?
Ele esfr egou o r osto com a mão.
– Não sei o que pensar , Lucy.
– O homicídio foi planejado. Você leu o r elatór io da autópsia? Quatr o balas, lembr a? Tr ês no abdômen, uma atr ás da cabeça. Isso par ece tr abalho pr ofissional, cer to? Não uma br iga por conta de dr ogas que deu er r ado.
Lucy começou a tr emer . E não er a só de fr io.
Cody agar r ou a mão dela.
– Se você está metida em alguma encr enca, conte-me. Far ei tudo o que puder par a ajudá-la, mas você pr ecisa me contar a ver dade.
– Encr enca? Não estou metida em encr enca alguma!
– Alguém pediu que você enviasse essa mensagem? Ou talvez você tenha dado acesso a sua conta par a alguém? A quem está tentando pr oteger ?
Conte-me!
– Não! Cody, o que está pensando a meu r espeito?
– Então você contou par a alguém.
– Não contei par a ninguém! Fui eu quem pensou que houvesse alguma coisa estr anha no assassinato de Pr enter . Fui eu quem o pr ocur ou, lembr a?
– Talvez par a ver se você havia metido os pés pelas mãos.
Lucy r ecuou, pux ando a mão da de Cody. Ficou clar o que Cody acr editava que ela havia conspir ado par a matar Br ad Pr enter .
– Por favor , – Cody implor ou – deix e-me ajudá-la.
– Você não acr edita em mim – ela r efr eou a bile da tr aição que queimava a gar ganta e disse em uma voz sur pr eendentemente calma. – Se eu quisesse emboscar Pr enter, eu não o ter ia mandando par a outr o bar.
Eu não ter ia per mitido que você soubesse do encontr o mar cado. Eu não o ter ia matado na sua jur isdição, visto que você estava a par das minhas conver sas vir tuais com ele. E, cer tamente, eu jamais o ter ia pr ocur ado par a investigar as cir cunstâncias da mor te dele.
Os ombr os de Cody pender am, com a ver dade das palavr as dela atingindo-o. Lucy jamais voltar ia a confiar nele novamente.
– Eu... eu sinto muito – ele gaguejou.
– Como foi capaz de pensar que eu poder ia fazer algo desse tipo?
Ele não disse nada, e Lucy soube ex atamente por que ele acr editou no pior a seu r espeito. Levou as mãos à boca par a r efr ear um soluço de chor o.
Foi por que ela já matar a antes. Há seis anos ela atir ar a em Adam Scott à queimar oupa. Poucas pessoas conheciam toda a histór ia, mas Cody sabia. Quando ela e Cody namor avam, ela contou-lhe tudo sobr e o seu passado.
Ela vir ou, afastando-se, o quanto ousava sobr e o gelo escor r egadio da calçada. Cody chamou-a, mas ela o ignor ou. Ligou par a o chefe a caminho do metr ô, dizendo que estava doente e voltou par a casa. Cansada, gelada, e doente pela per da de um amigo.
No entanto, debaix o disso tudo havia a r aiva por alguém ter usado s eu n ome par a matar Br ad Pr enter. Pr ecisava voltar par a casa e r ever todos os r egistr os e contas e entender o que estava acontecendo, antes que quem quer que o tivesse matado per cebesse as suas suspeitas.
Infelizmente, com a investigação de Cody, isso talvez já fosse tar de demais.
No fundo da mente, ela sabia que se não tivesse sido ela, alguma outr a pessoa no PMC ter ia tr abalhado no caso Pr enter. O PMC tinha dúzias de voluntár ios e somente um punhado de funcionár ios assalar iados. Fr an ver ificava os antecedentes de todos. Alguns dos voluntár ios tinham tr agédias familiar es em suas vidas; outr os er am aposentados da For ça Policial; e outr os ainda tr abalhavam com a segur ança pública e usavam o tempo livr e par a ajudar. Todos tinham de ser apr ovados pelas ver ificações de segur ança, mas nada er a cem por cento cer to.
Lucy não contar ia nada a Fr an a menos que tivesse cer teza. A dir etor a ficar ia devastada caso soubesse que o gr upo for a usado par a matar um estupr ador. Os doador es e os fundos acabar iam. Todo o tr abalho bem r ealizado do passado ser ia inspecionado. Os policiais na ativa que tr abalhavam com eles estar iam em r isco. Como Cody.
As pessoas com quem Lucy tr abalhava não matavam pr edador es, mas os colocavam na pr isão. Lucy ficava doente só de pensar que o tr abalho dur o deles ser ia maculado por que uma pessoa desejou que Pr enter estivesse mor to.
Quando chegou em casa, Lucy sentiu cheir o de r osas antes de ver o buquê na mesa ao lado das escadas. Flor es ver melhas em um vaso de cr istal. Ela viu o car tão com seu nome escr ito. No bloco de anotações ao lado do telefone, Kate havia escr ito: “Elas chegar am quando eu estava de saída. Lindas! Quer o saber tudo quando eu voltar.” A tensão do tr ajeto meditativo no metr ô e da caminhada até a casa sumiu. Ela abr iu o car tão.
Eu me diver ti muito no r inque de patinação ontem. Até br eve.
Ele não assinou, só r abiscou algo ininteligível. Ela cheir ou as r osas.
Nunca pr efer iu r osas, mas hoje er am as suas favor itas. Sean havia se tor nado impor tante par a ela muito r apidamente. Ela gostou dele quando Patr ick os apr esentou, mas acr editou que ele não fosse um homem sér io. O
car r o, o avião, os joguinhos de computador... Ele par ecia totalmente centr ado em suas coisas. Os últimos dias, por ém, quando ficou mais tempo ao lado dele e passou a conhecê-lo melhor, e a beijá-lo... Ela sentiu uma paz e um confor to que não sentia há muito tempo, uma atr ação pr ofunda que a sur pr eendia. Sean podia par ecer fr ívolo na super fície, mas Lucy enx er gou a pr ofundidade do seu car áter e uma inteligência afiada que er am tão cativantes quanto o char me ir landês e a bela apar ência.
Relutante, abaix ou o car tão. Não faltar a ao tr abalho par a devanear, mas por que pr ecisava descobr ir ex atamente o que havia acontecido com Br ad Pr enter .
Seu assassino sabia como o PMC r astr eava os agr essor es sex uais e os mandava de volta par a a pr isão par a completar em as sentenças. Ser ia possível que alguém no PMC quisesse se vingar de Pr enter ?
A ex plicação mais lógica er a a de que uma das vítimas dele o per seguiu.
Lucy subiu par a o quar to e ligou o computador. Conseguia acessar os ar quivos do PMC de casa, ainda que r ar amente o fizesse. Pux ou a ficha cor r ida de Pr enter, embor a a conhecesse de cor, só par a r eler e se cer tificar de que não estava deix ando passar nada.
Ele for a condenado pelo estupr o de Sar a Tyson. Duas outr as mulher es apr esentar am-se e testemunhar am contr a ele, e Lucy não entendeu por que elas não haviam pr estado queix a. Falta de pr ovas? O juiz per mitiu os testemunhos, mas ao ler as tr anscr ições, Lucy per cebeu que eles for am limitados. Elas mencionar am apenas os fatos que podiam ser cor r obor ados por testemunhas; as duas par ecer am estar alcoolizadas em lugar es públicos e Pr enter levou-as de volta par a casa. Pr enter nunca negou ter se r elacionado sex ualmente com elas, mas alegou que foi um ato consensual.
Pr ovavelmente elas tinham sido dr ogadas, daí a apar ência de estar em embr iagadas, mas não havia nenhuma pr ova. Isso, contudo, deu a má impr essão ao júr i de que em duas ocasiões Pr enter se apr oveitou de estudantes univer sitár ias embr iagadas. Junto com as pr ovas de que havia dr ogado Sar a Tyson, o júr i o condenou.
Lucy pesquisou um pouco mais sobr e Sar a e as duas mulher es. Elas tinham se for mado. Nenhuma mor ava em um r aio de 150 quilômetr os dali.
Uma estava noiva, e Sar a estudava dir eito no Tex as.
Não na ficha de Pr enter, mas nas anotações de Lucy, estava a infor mação sobr e a namor ada de Pr enter da época do colégio em Rhode Island.
Evelyn Oldenbur g havia chegado tar de em um sábado à noite após uma festa. Os pais estavam dor mindo e não a ouvir am chegar, mas um ir mão mais novo disse que ouviu o por tão da gar agem abr ir per to da 1h40, mais de uma hor a depois da hor a em que ela dever ia ter chegado. Ele não quis que ela se metesse em apur os, por isso não disse nada. Na manhã seguinte, a mãe foi acor dá-la, mas ela não r eagia. A gar ota havia vomitado no chão ao lado da cama, indicando que devia estar consciente quando chegou. Os pais e os par amédicos acr editar am que ela estivesse intox icada por ex cesso de álcool, e a melhor amiga, Sheila, confessou chor ando que a levar a de volta par a casa no car r o de Evelyn, depois voltar a par a casa a pé.
O que aconteceu entr e 23h45 e 1h00, quando Sheila não conseguia encontr ar Evelyn, er a a par te suspeita. Ninguém, nem mesmo a polícia e a equipe do hospital, pensou que Evelyn estivesse sofr endo de outr a coisa que não fosse coma alcoólico. Os ex ames de dr ogas for am inconclusivos.
Outr os testes confir mar am que ela havia inger ido um ester oide anabólico desconhecido, semelhante, mas não igual a ecs tas y líquido.
Evelyn não tinha tr aços de abuso sex ual, ainda que tivesse tido r elação sex ual r ecente. Não havia nenhum DNA de outr a pessoa em seu cor po, mas o estupr ador podia ter usado pr eser vativo. Além disso, Sheyla encontr ou Evelyn nua em uma banheir a nos fundos. A água e sua temper atur a poder iam facilmente ter destr uído qualquer pr ova.
Pr enter esteve na festa, e Sheila testemunhou que Evelyn ficou com ele a noite inteir a, até eles desapar ecer em por volta das 23h45. Ninguém sabia onde ele estava quando a encontr ar am nua na banheir a. Outr as testemunhas confir mar am a histór ia. Ele disse que o sex o foi consensual, e o pr ópr io diár io de Evelyn confir mava que ela estava pensando em se r elacionar com Pr enter . Mas ele disse que saiu depois da meia-noite.
Ainda que a polícia suspeitasse que Pr enter a tivesse dr ogado, eles não tinham pr ovas, e Pr enter acabou se for mando no ensino médio e seguindo par a a faculdade.
Líquido
X
fabr icado
em
casa
mistur ado
com
álcool
muito
pr ovavelmente levou o sistema de Evelyn a entr ar em choque. Ela entr ou em coma, e continua nesse estado desde então, há oito anos.
Lucy fez uma pesquisa mais apr ofundada sobr e a família de Evelyn. O
ir mão, Kyle, er a calour o em uma faculdade da costa oeste. Os pais mor avam em Pr ovidence, e Evelyn estava em uma instituição de cuidados médicos intensivos. O pai er a ger ente de banco, a mãe, pr ofessor a. Viviam modestamente. A mãe tinha o per fil no Facebook, e Lucy leu as mensagens, sentindo o cor ação par tido e enlevado ao mesmo tempo. Na maior par te do tempo, a senhor a Oldenbur g mostr ava-se otimista, mas, no ano passado, no dia do 25º aniver sár io de Evelyn, ela escr eveu:
Feliz aniver sár io, Evelyn. Nós tínhamos tantos sonhos par a você e par a o seu futur o. Você er a inteligente e bela, uma sonhador a. Nunca vou deix ar de esper ar por uma solução médica, ou por um milagr e.
Lucy não notou as lágr imas que cor r iam pelas faces até elas caír em no tampo da mesa. Sentia a dor da mãe. Patr ick per manecer a em coma por quase dois anos, tudo por causa da ex plosão que Adam Scott pr epar ar a. Ele havia se mostr ado aler ta após a ex plosão, mas uma pr essão no cér ebr o r equer eu cir ur gia imediata, e ele não acor dou por vinte e dois meses.
Ela enx ugou as lágr imas, fur iosa com Br ad Pr enter e com os amigos de Evelyn que não contar am toda a ver dade. Alguém sabia o que havia acontecido na festa. Mesmo se Br ad Pr enter fosse inocente na questão de dr ogá-la, ele ainda tinha se r elacionado com uma gar ota que obviamente esteve inconsciente demais par a dar seu consentimento.
Pux ou a pasta onde mantinha todas as infor mações de cada um dos pr edador es que ela localizou no PMC. Nem todos faziam par te do pr ojeto de r astr eamento, alguns er am pr edador es que atr aíam cr ianças na inter net que ela conduziu à For ça Policial par a maior es investigações e consequente acusação judicial. Todavia, gr ande par te do seu tr abalho estava no pr ojeto dos pr esos em condicional.
Houve 27 casos especiais nos quais ela conver sou on-line com os agr essor es sex uais. Eles tinham sido identificados por vár ios meios, por ém, a maior ia er a for mada por cr iatur as com hábitos e que se moviam pelos mesmos cír culos ciber néticos. Uma vez que as pr efer ências do agr essor sex ual er am deter minadas, ele r ar amente se desviava do seu tipo pr efer encial de vítima. O pr ogr ama de computador de Lucy ajudava a identificar esses tipos e onde na inter net o pr edador mais pr ovavelmente atacar ia. O PMC monitor ava inúmer os painéis de mensagens e salas de bate-papo à pr ocur a de fr ases e de palavr as-chave. Se alguém chamasse a atenção de um funcionár io ou de um voluntár io do PMC, eles r astr ear iam o nome e, se possível, o e-mail. Eles compar ar iam os dados com os de cr iminosos conhecidos e, em caso de uma combinação, ir iam atr ás do agr essor sex ual.
Boa par te desses homens já havia quebr ado o acor do da condicional só por entr ar nas salas de bate-papo, mas a maior ia dos juízes não os mandar ia de volta par a a pr isão por causa disso. A super lotação e o contr ole de custos no sistema de justiça cr iminal er am um pr oblema enor me, e a For ça Policial não tinha nem tempo nem mão de obr a par a acompanhar cada cr iminoso em condicional que entr asse em uma sala de bate-papo. O PMC selecionava somente os com maior r isco de voltar em a cometer um cr ime, os pr edador es sex uais que jamais dever iam ter sido liber tados.
Dos 27 que Lucy localizou, nove não mor der am a isca. Os pr edador es er am conhecidos pelo far o em detectar atividade policial. Dezessete voltar am par a a pr isão. Não houve julgamento, uma vez que violar am a condicional. E quando se tr atava de agr essor es sex uais, os juízes simplesmente r evogavam a condicional quando eles cr uzavam os limites.
Entr etanto, dois cr iminosos em condicional se depar ar am com juízes que não consider ar am a violação gr ave o bastante par a mer ecer o r eencar cer amento. Eles ainda estavam nas r uas.
Fr ustr ada por não encontr ar uma r esposta, e não quer endo pr ocur ar Fr an sem ter algo tangível, Lucy se per guntou se havia alguma outr a conex ão com Pr enter. Talvez ele tivesse ir r itado alguém na pr isão. Mas ela pr ecisar ia de mais infor mações.
A cunhada não estava em casa, o que er a ótimo, uma vez que ela pr ecisava usar o computador dela.
Kate tinha acesso a r egistr os públicos e pr isionais por meio da cr edencial do FBI, e Lucy sabia a senha dela. Talvez Kate não soubesse que ela conhecia sua senha, ou, pr ovavelmente, jamais pensar ia que ela chegasse a usá-la. Lucy conseguir ia legalmente as infor mações que pr ecisava, mas levar ia tempo par a pr eencher todos os for mulár ios e seguir todos os tr âmites, e o tempo não estava ao seu lado. Não quando Cody Lor enzo acr editava que ela tinha par ticipação no cr ime.
Um a um, Lucy passou pelos nomes da lista usando o acesso de Kate aos ar quivos feder ais, escr eveu o nome das pr isões em que eles estiver am e o ano em que for am liber tados, quem er am seus colegas de cela e se tiver am pr oblemas na pr isão. Quando obteve todas as infor mações, cr uzou-as com as infor mações de Pr enter, com as vítimas dele, com os funcionár ios e voluntár ios do PMC a fim de enx er gar alguma ligação que não fosse óbvia.
Não havia nada for a do comum. Em seguida, usou o Lex is-Nex is par a pr ocur ar ar quivos de jor nais, imaginando se os cr iminosos em liber dade condicional que não apar ecer am tinham ido par ar em alguma pr isão estadual ou cadeia local por cr imes não r elacionados.
Lucy ver ificou cada um dos nomes.
Tobias Janeson estava mor to. For a assassinado em Raleigh, na Car olina do Nor te.
Ela sentiu o sangue fugir do r osto. Um a um ela ver ificou os nove homens em liber dade condicional.
Lucy não demor ou a descobr ir que sete dos nove homens que não apar ecer am no en con tro mar cado estavam, na ver dade, mor tos.
E cada um deles foi assassinado na noite em que Lucy ar r anjou par a que fossem pr esos.
VINTE E UM
Lucy abr açou for te Sean assim que ele chegou. Ou ele cor r eu ou voou pelos seis quar teir ões que os separ avam, por que chegou em menos de cinco minutos.
– O que fez você entr ar em pânico? – Sean per guntou calmo, apesar de os olhos r evelar em toda a sua ser iedade.
– Pr eciso contar tudo par a você, – ela disse ao levá-lo par a a sala de jantar – senão você não vai acr editar em mim.
– Clar o que vou acr editar em você.
Na semana passada, for am dois agentes do FBI a sacudir suas fundações, mas ela conseguiu super ar. Agor a? Er a muito pior. Ela se esticou par a pegar a mão de Sean.
– Lucy, pode me contar .
– Tr abalho como voluntár ia no PMC há quase tr ês anos – ela começou. – Tivemos muitos sucessos, conduzindo centenas de pr edador es na inter net par a a pr isão. – Lucy per cebeu que estava pr otelando, já que Sean devia ter descober to tudo isso na ar r ecadação de fundos, isso se já não soubesse.
– E... Bem... – bebeu metade da gar r afinha de água. – Outr o dos pr ojetos do PMC foca em agr essor es em condicional com alto r isco de r eincidência.
Sabemos que de cinquenta a oitenta por cento dos agr essor es que visam a cr ianças e a adolescentes e que estão em liber dade condicional ser ão pr esos novamente por um cr ime semelhante nos tr ês anos seguintes. Esses são os captur ados. Nós os encontr amos em salas de bate-papo popular es entr e as vítimas-alvo, e esper amos que eles entr em em contato conosco.
Cr iamos um per fil que combine com as pr efer ências deles, e r ar amente demor a mais que tr ês meses par a identificá-los e localizá-los. A maior ia desses homens, por entr ar em em contato com um menor on-line, já está violando a condicional, mas por conta da super população car cer ár ia, pr ecisamos de mais do que isso par a mandá-los de volta par a a pr isão.
Pr ecisamos que eles entr em em contato dir eto com uma vítima em potencial. Eu me envolvi em 27 casos – ela continuou, mas depois se cor r igiu. – 28. Br ad Pr enter foi o último cr iminoso em condicional localizado. A condicional dele er a bem r ígida, nada de álcool, r euniões obr igatór ias no AA, por ex emplo, e ser ia bem fácil colocá-lo em uma situação de quebr a da condicional. Conver sei com ele atr avés de uma sala de bate-papo popular entr e os univer sitár ios. Ele logo fez o pr imeir o movimento, eu o enr olei até a hor a cer ta. Então mar quei um encontr o par a a última quinta-feir a no bar e r estaur ante Fir ehouse, em Fair fax .
Cody Lor enzo aceita muitos desses casos quando está de folga. Mas Pr enter não apar eceu na quinta à noite. Ele foi assassinado do lado de for a de outr o bar – passou uma cópia da autópsia par a Sean. – Peguei o r elatór io de autópsia. Veja as entr adas das balas. Tr ês no abdômen, uma atr ás da cabeça. Logo depois descobr i que a conta de Pr enter na inter net havia sido cancelada. Apagada. De vez. Não consegui r ecuper á-la. Cody descobr iu por inter médio do bar man que Pr enter havia mar cado um encontr o no bar com alguém que conheceu vir tualmente, depois descobr iu um e-mail nos ar quivos da investigação policial que veio do meu codinome Tanya mandando Pr enter par a o outr o bar. Ele pensou que eu tivesse escr ito a mensagem – hesitou, depois completou: – De pr opósito. Par a matar Pr enter .
Seu lábio infer ior tr emeu, mas ela o mor deu par a contr olar as emoções.
Sean disse:
– Sente-se.
– Não consigo...
Sean segur ou-a pela mão e pux ou-a par a o assento ao seu lado.
– Por que seu ex -namor ado achar ia que você está envolvida em algo semelhante?
– Eu... Ele sabe que eu já matei antes.
A ex pr essão de Sean tor nou-se r ígida.
– Adam Scott?
– Sim, eu contei tudo a ele quando estávamos envolvidos. E... E ele pensou que... – ela balançou a cabeça, as lágr imas r epr esadas nos olhos ar der am. – Ele se desculpou. Mas eu sou capaz de matar ...
Ele pux ou-a par a si. Os olhos dele br ilhar am, depois se obscur ecer am, e em uma voz car r egada de fúr ia r epr esada, ele disse: – Aquilo não foi homicídio.
E depois a beijou. Isso a pegou despr evenida, a intensidade dos lábios, o modo como a mão dele pr endeu sua cabeça, segur ando-a a ele. Ele soltou-a logo, mas antes que conseguisse esconder as emoções, Lucy r econheceu a r aiva na ex pr essão dele.
– Lucy, Cody disse que pr etendia pr endê-la? Ou investigá-la?
Ela balançou a cabeça.
– Ele pensou que eu estivesse pr otegendo alguém, mas...
– Maldito. Não fale novamente com ele sozinha.
– Ele sabe que não tive nada a ver com a mor te de Pr enter . Eu mostr ei todos os motivos pelos quais não poder ia ter sido eu. Ele sabe disso agor a.
– Ele é um policial, Lucy. Não fale com ele sozinha sobr e Pr enter ou o PMC... Pr ometa.
Ela concor dou.
– Alguém me usou par a matar Pr enter. Usar am a min ha con ta – a voz dela estr emeceu e ela se obr igou a per manecer calma.
– Se a conta de Pr enter foi apagada, como Lor enzo conseguiu a mensagem?
– Pr enter tinha habilitado a função de dir ecionamento automático par a o e-mail pessoal. A polícia impr imiu uma cópia do celular dele.
– E ela pode ser r astr eada até você? – Sean per guntou.
– Não. É pr aticamente impossível r astr ear. O PMC tem contas cegas. Se alguém for r ealmente bom ou tiver um mandado pode seguir uma conta ativa até a fonte, que ser ia o PMC, e não a mim pessoalmente. Mas Cody conhece todos os meus codinomes e sabe qual eu usei com Pr enter .
Sean estava pensando, o cor po par ecia r elax ado, os olhos focavam Lucy, mas ela sabia que ele não a enx er gava.
Lucy estava tão desgastada pela situação que não conseguia par ar de falar , tentando desvendar o mistér io.
– A pr incípio, pensei que fosse algo pessoal, alguém que conhecesse alguma das vítimas de Pr enter – ela continuou. – Investiguei cada uma delas, e suas famílias, algo que eu não quer ia fazer .
Os olhos de Sean voltar am a ter foco, e ele fitou-a.
– Por que elas er am vítimas.
Não foi uma per gunta, e ela assentiu, aliviada em ver que Sean a compr eendia.
– Não impor ta a sensibilidade ou o tr eino do policial ou do pr omotor, as vítimas de estupr o sempr e se sentem violadas pelo sistema de justiça penal. Mas fiz isso por que pensei que uma delas tivesse me usado.
– E?
– Nada. Talvez você consiga encontr ar algo mais...
– Não pr ecisa nem pedir . E ser ei ex cepcionalmente discr eto.
Ela sabia que ele ser ia; outr o motivo pelo qual ela o havia chamado.
– Mas em seguida pensei que talvez Pr enter tivesse sido assassinado por algum outr o motivo, talvez r elacionado a dr ogas, já que sabemos que ele tinha dr ogas de estupr o consigo. E já que ele havia sido liber tado r ecentemente, algumas disputas das pr isões acabam nas r uas. Por isso cr uzei os dados dos companheir os de cela com as suas vítimas, com Pr enter e com a família dele, e com os funcionár ios e voluntár ios do PMC.
Acr escentei os outr os cr iminosos em condicional visados pelo PMC e não consegui nada. Dos 28, a maior ia foi pr esa novamente. Dez não caír am na cilada, não apar ecer am. Sete mor r er am. Oito, incluindo Pr enter – ela r espir ou fundo. – Todos eles mor r er am na noite em que ar mei par a que violassem
a
condicional. Assassinados.
Um
atr opelamento.
Tr ês
esfaqueamentos. E, com Pr enter, quatr o alvejados. Vinte por cento dos homens par a quem ar mei uma cilada for am assassinados na mesma noite.
Sean vir ou o r osto dela par a que o fitasse.
– O que esses oito têm em comum?
Ela disse:
– Nada além do fato de ser em agr essor es sex uais que r eceber am liber dade condicional antes do cumpr imento total da pena.
– E eles er am desta r egião?
– Não. Pr enter é o único da r egião da gr ande D.C. Eles se espalham até a costa leste. Um, inclusive, er a da Califór nia. O PMC tem contato com a For ça Policial em todo o país.
– E quanto aos cr imes. Estupr o?
– Pr enter foi o único pr eso por estupr o. Os outr os er am molestador es infantis. Mas – ela acr escentou – uma das vítimas de Pr enter foi estupr ada quando os dois ainda estavam no colégio. Ela ainda está em coma por causa do líquido X caseir o com o qual ele a dr ogou.
– Onde?
– Em Rhode Island. Investiguei a família. Não acr edito que estejam envolvidos, mas talvez... Eu pr ecisava falar com alguém antes de falar com Kate a r espeito.
– Não pode contar a Kate.
Lucy fr anziu o cenho.
– Ela é inteligente, vai conseguir enx er gar amplamente. E se alguém consegue ficar de bico fechado, esse alguém é Kate. Ela não me contou sobr e o acor do feito com Mor ton e não duvido que ela tenha mantido alguns segr edos pr ópr ios escondendo-os do FBI.
– Acha que agor a que Kate conseguiu r ecuper ar a car r eir a no FBI e está bem em seu posto em Quantico, ela pode ficar calada a r espeito de um assassino vingador ? – Sean per guntou.
– Pr eciso de mais infor mações – Lucy admitiu. – Pr eciso saber quem estava designado par a cada cr iminoso em condicional.
– Não er a o seu ex ?
Ela balançou a cabeça.
– Temos diver sos policiais voluntár ios ajudando o PMC nas hor as de folgas. Cody é um dos cinco ou seis na r egião da gr ande D.C., e isso sem contar as outr as r egiões.
– Pr eciso do nome deles. Far ei minha pr ópr ia investigação.
Lucy sentiu o estômago enjoado, mas concor dou. Não conseguia imaginar nenhum dos homens ou mulher es que conhecia no PMC que pudesse fazer par te de um gr upo de vingador es. Por mais que quisessem justiça, er am todos a favor das cor tes. Policiais. Agentes do FBI. Agentes cor r ecionais. Nenhum deles matar ia a sangue fr io, matar ia?
– Vou fazer uma compar ação mais a fundo de cada cr iminoso e ver se encontr o algo em comum que não esteja óbvio – ela disse. – O pr ogr ama que estou desenvolvendo tem todas as infor mações-chave já identificadas; é só uma questão de escolher uma das vítimas como compar ação.
Sean per guntou:
– Como vai descobr ir quem estava designado par a cada caso?
– Fr an vai saber – Lucy disse. – Vou falar com ela; pr eciso estar lá às 15