Se eu Morrer Antes de Você

Allison Brennan · Capítulo 1 de 1 · parte 17/17

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Se eu Morrer Antes de Você

1. Um

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 17 partes.

– Lucy...

Ela tinha sentido tanto fr io no por ão, agor a par ecia queimar de dentr o par a for a.

O lugar par ecia um infer no. Cada pr ancha de madeir a ar dia em chamas. E então a casa caiu com o peso do segundo andar, for çando a estr utur a inteir a a desabar .

Ela ficou de boca aber ta vendo aquilo acontecer . Sean.

Não. Oh, Deus , por favor.

Dillon aper tou a mão dela.

– Lucy, você pr ecisa de cuidados médicos. Por favor. Você está sangr ando.

Ela olhou par a a neve der r etida, viu gotas de sangue caindo do br aço, do tor nozelo, da cabeça. Lágr imas de sangue der r amadas por uma per da que ela não conseguia compr eender. A esper ança de um futur o dizimada pela cr ueldade do destino.

Kate ajoelhou-se ao lado dela. Lucy fitou-a.

– Por quê? – er a a eter na per gunta par a a qual ela nunca tinha r esposta. Nem Kate.

Dillon abr açou as duas, mas Lucy não sentiu nada. Estava mor r endo por dentr o.

Hans cor r eu na dir eção deles.

– Eles saír am pelos fundos!

Lucy fitou-o descr ente. Ser ia apenas uma ilusão? Ela tinha visto a casa desmor onar .

– Tem cer teza?

– Absoluta. Sean e Noah estão bem. Assim como a gar ota que você salvou. Ela já está no helicópter o.

Dois membr os da equipe da SWAT flanqueavam Noah, que tir ou a máscar a, o r osto completamente sujo de fuligem, e Sean, que agor a usava a máscar a de Noah, confor me avançavam pela neve que der r etia par a a ár ea de tr iagem pr óx ima à van da SWAT. Dillon ajudou Lucy a se levantar e ela cox eou até Sean.

Ele foi dir eto par a ela e abr açou-a com for ça.

QUARENTA E CINCO

 

Quatro dias depois

Lucy mancou escada abaix o, o pé esquer do estava enfaix ado, assim como o br aço dir eito. Os pontos coçavam, mas ela não podia fazer nada a r espeito.

Sean estava embaix o, na escada, à sua esper a. Ele par ecia cansado, mas além de alguns hematomas, estava novinho em folha.

Ela beijou-o e ele sor r iu. Ele passou a mão pelos cabelos sedosos, beijando-a novamente, longa e suavemente, segur ando-a per to de si.

– Estão todos aqui?

Ele assentiu.

Ela inclinou a cabeça.

– Você está bem?

Ele afastou o colar inho da camisa dela e fechou o r osto ao ver a mar ca da chicotada de Miller. Ela pux ou a r oupa par a esconder a mar ca ver melha, mas Sean a segur ou pela mão e a beijou.

– Eu sinto muito.

Ela balançou a cabeça.

– Não. Não...

– Eu dever ia ter ido par a a igr eja com você. Eu jamais dever ia tê-la deix ada sozinha.

Lucy tocou no r osto dele.

– Nós não sabíamos. Você não tinha como saber. Todos nós acr editávamos que Mick Mallor y tivesse matado Cody.

As palavr as dela não atenuavam a sua culpa, ainda que ela não o culpasse, não culpasse qualquer outr a pessoa que não Peter Miller .

– Falei com Car olyn hoje de manhã – ela disse.

– Ela já está falando?

– Não muito. Falei mais com a mãe dela, que voou da Pensilvânia par a ficar com ela. Ela vai r eceber alta do hospital hoje. Vai ter muito tr abalho a fazer, mas Dillon a está ajudando a encontr ar o melhor tipo de ajuda. E

eu disse a ela que ela é uma sobr evivente. Ela venceu por que está viva, e Peter Miller mor r eu. Não sei se isso vai ajudá-la, mas é o que me faz atr avessar cada dia.

Sean beijou-a de novo.

Kate pigar r eou do outr o lado do cor r edor .

– Vocês podem vir até aqui? Noah tem de voltar par a a sede par a uma r eunião com a pr omotor ia, e todos estamos com fome.

Lucy e Sean seguir am Kate até a cozinha, onde todos os envolvidos no caso estavam se ser vindo do bufê que Dillon tr oux e do r estaur ante favor ito de Lucy. Abigail, Noah, Hans... Estavam todos lá. A mão dir eita de Noah sofr eu queimadur as e estava enfaix ada.

Depois que todos se sentar am, Dillon fez uma br eve or ação de gr aças.

Comer am em silêncio, até Lucy per guntar a Noah: – Pr eciso saber o que aconteceu na fazenda. Quantas?

Ela não pr ecisou elabor ar a per gunta.

– For am encontr ados os r estos mor tais de doze mulher es – Noah disse.

– Sete só dos últimos seis meses. As outr as for am de antes da pr isão dele – ele sor veu um gole de água.

Comer am em silêncio um pouco mais, depois Noah continuou: – A pr omotor ia vai negociar um acor do com Mallor y e Buckley.

Lucy fechou os olhos. Sean pr ocur ou a mão dela debaix o da mesa e a aper tou.

– Eu esper ava por isso.

– É esse o motivo da minha r eunião hoje. Estamos pr ocur ando abafar o caso. Não pr eciso lhe dizer o que acontecer ia se o público descobr isse que dois antigos agentes do FBI se tor nar am vingador es assassinos.

– Metade da população os apoiar ia, a outr a metade difamar ia o depar tamento – Lucy disse. – Eu entendo.

Kate disse:

– Mas Mallor y nunca mais sair á da pr isão.

Noah r espondeu:

– Eles ainda estão tr atando dos detalhes, mas estão pensando em ofer ecer de quinze anos a pena per pétua par a Buckley e pr isão per pétua par a Mallor y sem o benefício do s urs is . Mallor y mostr ou-se disposto a cooper ar do início, mas foi pr eciso que acontecesse o caso de Miller par a que Buckley dissesse ao advogado que quer ia fazer um acor do.

– E quanto ao motivo que levou esses cr iminosos em condicional a ser em assassinados? – Kate per guntou.

Noah e Hans tr ocar am um olhar . Hans r espondeu com cautela: – É melhor deix ar algumas per guntas sem r esposta.

Eles suspeitavam, Lucy per cebeu, mas talvez não pudessem pr ovar. Ou não quisessem.

– Não pense demais nisso – Noah suger iu. – Não há pr ova definitiva, e nem Buckley, nem Mallor y tem mais nada a acr escentar às declar ações feitas.

– O que vai acontecer ao PMC? – Lucy per guntou. – Nosso tr abalho er a bom e...

– Ele ser á fechado. Pr ecisam fazer isso – Noah acr escentou. – Mas Hans está se esfor çando par a que o tr abalho desenvolvido por vocês, ex ceto o de r astr eamento dos condenados em condicional, continue.

Ela vir ou-se par a Hans.

– Vai mesmo fazer isso?

– Tenho amigos em uma or ganização semelhante sediada no Tex as.

Nosso escr itór io de lá tem tr abalhado bastante com eles, e eles não estão sob os holofotes. Assim que conseguir mos a autor ização do Depar tamento de Justiça, todos os ar quivos do PMC ser ão enviados par a eles.

– Obr igada – Lucy disse, ainda que essa notícia também fosse um pouco tr iste.

– Há mais uma coisa – Noah disse. – Per guntei a Mallor y onde a caix a de joias com os s ouven ires de Adam Scott estava. Ele não gostou muito, mas acabou entr egando a chave de um cofr e. Ele tinha uma ex igência, a qual eu concor dei, desde que você também aceite.

– Ele não tem dir eito de pedir nada a Lucy – Dillon inter veio.

– Não, ele não tem, mas... Basicamente ele pediu que você fosse pegá-la e decidisse se as famílias dever iam r eceber os itens de volta.

O gar fo caiu dos seus dedos.

– Por quê?

Hans r espondeu:

– Ele disse que nunca quis fer ir ninguém, e se as famílias for em sofr er mais vendo as joias, você saber ia o que fazer .

Lucy não sabia como os sobr eviventes poder iam r eagir. Alguns poder iam quer er ter de volta as joias, outr os não.

Noah disse:

– As peças for am r ecuper adas dur ante o pr ocesso de investigação feder al, e a r egr a do depar tamento é devolver todos os itens pessoais desnecessár ios par a julgamento às famílias das vítimas. No entanto, identificar o que per tenceu a cada vítima pode ser complicado.

Lucy sabia que isso não er a bem ver dade. A maior ia das famílias saber ia que item de uso pessoal estar ia faltando na r ecuper ação dos cor pos. Mas Noah estava lhe dando uma escapatór ia.

Todos fitavam-na.

– Lucy, você não tem de fazer nada, nem mesmo se decidir agor a – Sean disse baix inho.

– Eu gostar ia de ver a caix a antes de tomar uma decisão.

*

Noah levou Lucy até o banco após o almoço.

– Esper o que não chegue atr asado por minha causa – ela disse.

Ele balançou a cabeça.

– Não vou me atr asar muito.

Estavam estacionados atr ás do banco. O céu ainda estava cinzento, e o dia, bem fr io. Em alguns dias atr ás, Lucy pensou que o inver no nunca ter minar ia. Ela sentia saudades de San Diego, das pr aias e dos meses quentes.

– Obr igada – ela disse.

Ele sur pr eendeu-se.

– Pelo quê? Foi só um pequeno desvio.

– Pela semana passada. Por salvar a minha vida, a de Sean...

Ele levantou a mão.

– Não. Sei o que você fez. Colocou a vida daquela moça, Car olyn, à fr ente da sua. Eu quer ia falar com você a r espeito disso – ele pegou um envelope do bolso e o entr egou a ela.

Ela fr anziu o cenho, mas o pegou. O ender eço do destinatár io er a o da sede do FBI, mas o envelope não foi selado.

– Quer que eu abr a isto?

– Sim.

Subitamente ner vosa, ela abr iu o lacr e do envelope e pux ou uma única folha de dentr o.

Pr ezada senhor ita Kincaid,

O comitê de seleção do Feder al Bur eau of Investigation r evisou o seu pr ocesso e avaliou o seu ex ame escr ito. O seu ex ame esteve entr e o 1%

dos melhor es colocados, no seu gr upo de testes. Essas notas sozinhas não gar antem que o candidato continuar á o pr ocesso de seleção. O FBI leva em consider ação uma var iedade de infor mações sobr e cada candidato, incluindo, mas não só, ver ificação de antecedentes, notas em ex ames, educação e habilidades específicas.

Você foi selecionada pelo comitê de seleção par a par ticipar da entr evista individual, o pr óx imo passo no pr ocesso seletivo. A concessão da entr evista não gar ante que o candidato tenha conseguido uma vaga no FBI, tampouco que a entr evista seja a etapa final no pr ocesso de seleção. Sua entr evista está mar cada na:

Sede Nacional do FBI

Ter ça-feir a, 15 de fever eir o de 2011

Às 10h30

A maior ia das entr evistas dur a de quar enta e cinco minutos a uma hor a, mas, por favor, r eser ve um tempo adicional. Um questionár io ser á enviado à sua r esidência, sua assinatur a é obr igatór ia. O questionár io deve ser devolvido ao menos sete dias antes da entr evista agendada.

Par abéns!

Lucy r eleu a car ta duas vezes.

– Mas como... Não estou entendendo. Por que você estava com isto?

– Per guntei a Kate em que par te do pr ocesso você estava e ela me disse que você estava aguar dando uma r esposta a r espeito da entr evista, mas que não quer ia nenhum favor da par te dela ou de Hans. Isso não me incluía. Tudo o que fiz foi dar alguns telefonemas par a descobr ir onde estava a sua car ta. Você conquistou isto, Lucy. Não ar r anjei esta entr evista par a você. Só o que fiz foi colocá-la no topo da lista.

Ela inclinou-se na dir eção dele e abr açou-o.

– Obr igada – ela engoliu as lágr imas que ameaçavam sur gir. – Isso significa muito par a mim – ela fr anziu o cenho.

– O que foi? Esper o que essas lágr imas sejam de alegr ia.

Ela aper tou os dedos contr a os olhos par a enx ugá-las.

– Talvez eu esteja com dúvidas.

– Não tenha. Você é mais inteligente do que a metade dos agentes com quem fui par a Quantico. E você tem bom senso e compaix ão.

– Eu entr ei em pânico...

– Não enx er guei o seu pânico. Ninguém viu, o que significa que você contr olou o seu medo. Todos nós sentimos medo de vez em quando. A For ça Aér ea me pr epar ou par a que eu contr olasse meu medo, por que isso é o que os soldados têm de fazer par a sobr eviver. Mas isso não significa que ele não esteja lá, e o medo, quando contr olado, nos tor na mais esper tos – Noah hesitou, depois disse: – Eu estava cético quanto a você antes de nos conhecer mos. Eu sabia do seu passado, e eu não achava que você pudesse se tor nar uma agente do FBI. Abigail me disse par a não julgá-la antes de conhecê-la, mas fiz isso mesmo assim. Um dos per igos desta pr ofissão: julgamentos apr essados. Mas você não é nada do que eu esper ava, e per cebi que pr ecisamos de mais pessoas como você no depar tamento.

Lucy r espir ou fundo. O apoio de Noah a encheu de uma alegr ia que a sur pr eendeu. Deu um amplo sor r iso.

– Muito obr igada.

*

Dentr o do banco, dez minutos mais tar de, Lucy estava sozinha em uma salinha, com o cofr e de Mick Mallor y aber to diante dela. Dentr o dele havia uma antiga caix a de estanho com ter r a entr anhada nas fendas do desenho intr icado.

Não quer ia tocar nela. Ela ficou par ada só olhando por tanto tempo que o ger ente do banco entr ou só par a se cer tificar de que ela estivesse bem.

Lucy assentiu, e depois que o ger ente saiu, pr endeu a r espir ação e levantou a caix a do cofr e.

Nenhum cuidado foi tomado com as joias. Estavam todas mistur adas, as cor r entinhas todas enr oscadas umas nas outr as. Com ex ceção de uma caix inha br anca.

Ela pegou a caix inha e deix ou-a de lado, soltando a r espir ação. Nada dali poder ia atingi-la. Ela viu o seu anel, aquele que Adam Scott tir ou do seu dedo. A bile subiu à gar ganta, e ela soube que tinha r azão. Não o quer ia de volta.

Mas e se ela estivesse mor ta? Seus pais o quer er iam de volta? Ser ia um lembr ete da sua vida ou da sua mor te? Ela não tinha como tomar aquela decisão. Não o far ia pelos outr os.

Estava par a r ecolocar a caix inha br anca na caix a, pr etendendo dizer a Noah que deix asse que o depar tamento contatasse as famílias per guntando se desejavam r ecuper ar as joias, mas a cur iosidade sobr e o conteúdo da caix inha br anca a incitou a abr i-la. Scott consider ava aquilo impor tante.

Especial. Por quê?

Dentr o dela havia um medalhão de our o. Ela não sabia muito a r espeito de joias, mas aquela par ecia ver dadeir a.

Pegou o medalhão de dentr o da caix a e segur ou-o. Estava manchado e pr ecisava ser limpo, mas er a sólido. Na fr ente estavam gr avadas as letr as MEP.

Ela sentiu o sangue gelar .

Abr iu o medalhão par a ver se estava cer ta, mesmo tendo cer teza de que estava.

Agor a ela sabia a ver dade. Pior, Mallor y sabia que ela r econhecer ia aquilo. Ele colocou uma escolha impossível em suas mãos.

Lucy desejou jamais ter aber to aquela caix a.

*

Sean não per guntou a Lucy por que ela pr ecisava ir à Câmar a do Senado no fim da tar de de segunda-feir a. Ele simplesmente a levou par a lá.

Nem mesmo r eclamou quando ela lhe disse que pr ecisava subir o pr édio sozinha, embor a aceitasse sua ajuda par a entr ar .

– Você se impor ta em esper ar aqui embaix o? – ela per guntou, depois de passar em pela segur ança.

– Não vou sair até você voltar. Faça o que tem de fazer, eu estar ei aqui.

Ela beijou-o de leve, depois se vir ou e caminhou de muletas até o elevador .

Entr ou no escr itór io do senador Jonathon Pax ton e a r ecepcionista, Ann Lincoln, disse:

– Lucy! O que aconteceu?

– Sou uma desastr ada – ela disse, r ecusando-se a ex plicar os eventos da semana anter ior par a qualquer um. – O senador está à minha esper a.

– Ele ainda está na tr ibuna...

– Ele disse que subir ia quando eu chegasse. Posso esper ar na sala dele?

– Só um instante, por favor – Ann disse e ligou par a o senador .

Lucy olhou par a as fotos nas par edes. O senador Pax ton assinando a Lei de Jessie, com a mãe de Jessie ao seu lado. O senador em um comício apoiando a legislação a fim de estender as penas dos molestador es infantis.

O senador no ser viço memor ial da filha, a foto dela de escola ao fundo daquela foto.

Monique Pax ton se par ecia muito com Lucy. Ela sempr e soube da sua semelhança com a filha falecida do senador, e suspeitava de que fosse esse o motivo pelo qual ele se afeiçoou a ela e a ajudou no decor r er dos anos.

Mas agor a... Talvez houvesse outr os motivos.

Ann disse de sua mesa:

– Jonathon disse que você pode esper ar na sala dele. Ele já vai subir .

– Obr igada.

Ela entr ou na sala e fechou a por ta. Seu cor ação batia for te. Talvez ela não mer ecesse ser agente do FBI.

Mas pensando bem, ela não ter ia como pr ovar que o senador Pax ton estava por tr ás do gr upo de vingador es.

Quando viu o medalhão, tudo ficou clar o como água. O envolvimento do senador com o PMC. Seu r elacionamento pessoal com Fr an Buckley. Sua for tuna pessoal e como ele a usava.

Monique, a filha do senador Pax ton, foi a pr imeir a vítima de Adam Scott. Não foi coincidência Mallor y quer er a caix a que continha o medalhão de Monique, o medalhão que o pai deu a ela no seu décimo sex to aniver sár io. Mallor y sabia o que ex istia dentr o da caix a de Adam Scott.

Mas aquilo er a evidência cir cunstancial, e tanto Buckley quanto Mallor y não disser am uma palavr a sequer a r espeito de Pax ton. A menos que um deles o denunciasse, e Lucy não achava que nenhum deles o far ia, o envolvimento de Pax ton não passar ia de um boato imater ial.

Uma das coisas que Mallor y disse a Lucy quando ela falou com ele a havia incomodado.

Não lamen to a morte de M orton .

Uma maneir a estr anha de se ex pr essar. Seu inconsciente havia captado, mas ela só per cebia a impor tância da fr ase agor a. Mallor y disse eu matei em r elação às outr as vítimas, mas não em r elação a Mor ton. Não havia dúvida da pr esença de Mallor y lá, as evidências pr ovavam assim como a sua declar ação, e Noah disse que ele tinha assinado uma declar ação identificando cada homem que matou. Inclusive Mor ton.

Mas ao falar , ex pr essou-se de modo diver so. Par a o benefício dela.

“Não lamento a mor te de Mor ton.”

Mallor y não pux ou o gatilho. O motivo pelo qual Mor ton foi atr aído par a D.C. foi par a que o senador pudesse matá-lo.

De r epente Lucy per cebeu que não quer ia falar com o senador Pax ton.

O que ele fez er a er r ado, mas ela não podia confr ontá-lo, e nem contar a ninguém o que ela tinha cer teza absoluta. Que ele er a culpado por um assassinato.

Ela não podia nem odiá-lo por isso.

Rabiscou um bilhete e deix ou a caix a na cadeir a dele, depois saiu pela por ta later al, a que conduzia dir eto par a o átr io. E não olhou par a tr ás.

O senador Pax ton entr ou na sala.

– Lucy, eu...

Ele ouviu o clique na por ta later al e fr anziu o cenho. Quase foi atr ás dela, mas, em seguida, viu algo na sua cadeir a.

Com o cor ação aceler ado, ele pegou a caix inha br anca. Não podia ser...

Ele tir ou a tampa e fitou o medalhão de our o com as lágr imas r olando pelo r osto. “Monique.”

A mãe de Monique mor r er a de câncer quando ela er a ainda cr iança, e Pax ton a cr iar a sozinho. Não muito bem, por ém. Ele a amava mais do que tudo, mas esteve tão envolvido na car r eir a que não pr estou muita atenção nela. Ele não se envolvia no seu dia a dia. Foi um pai distante, tão distante que não soube que ela viajava mais de 100 quilômetr os todos os finais de semana par a visitar o namor ado, Adam Scott.

Ele a amava, mas não tinha per cebido o quanto ela lhe er a impor tante até ela ter desapar ecido.

Dur ante anos acr editou que ela tivesse fugido, e ele a culpou, depois culpou a si mesmo. Ele a quer ia de volta par a poder implor ar per dão pelos seus er r os como pai. Isso até seis anos antes, quando descobr iu o que de fato aconteceu com ela. Roger Mor ton negociou essa infor mação, bem como todos os dados financeir os, em tr oca de uma pena br anda. O senador Pax ton apoiou a decisão por que pr ecisava saber a ver dade.

Dur ante todo o tempo em que pr ocur ou por ela, ela já estava mor ta.

Ele abr iu o medalhão. Do lado dir eito havia uma foto de Monique no seu décimo sex to aniver sár io, com seu lindo sor r iso r adiante. Do lado esquer do havia uma foto dele, segur ando-a r ecém-nascida nos br aços.

Havia um pedaço de papel na cadeir a. Ele o pegou, depois se sentou pesadamente, ainda segur ando o medalhão de Monique, com um gemido de agonia e pesar se for mando fundo em seus pulmões.

Diver sos minutos mais tar de, ele desdobr ou o papel.

Isto per tence a você.

QUARENTA E SEIS

Lucy r elax ou pela pr imeir a vez em... muito, muito tempo. Enr oscou-se diante da lar eir a de Sean na quinta-feir a de manhã. Ele per guntou se ela quer ia a lar eir a acesa, consider ando-se o incêndio da semana anter ior, mas aquilo não a deix ou mais medr osa em r elação ao fogo assim como o que lhe aconteceu seis anos antes não a deix ou mais assustada em r elação aos homens.

Sean sentou-se ao lado dela, entr egando-lhe uma x ícar a de café. Ele usava calça de moletom, sem nenhuma camiseta. Lucy vestia seu pijama mais confor tável e estava enr olada em uma cober ta. Ela inclinou a cabeça par a tr ás par a beijá-lo.

– Eu poder ia me acostumar a ser mimada.

– Vá em fr ente, então – Sean r etr ibuiu o beijo.

Ela suspir ou.

– Patr ick volta amanhã.

– E?

Ela fr anziu a testa e ficou olhando par a a x ícar a.

– Lucy, fale comigo.

– Ele é meu ir mão.

– Mesmo? Também é o meu sócio.

– Ex ato.

– Ex ato... O quê?

Ela inclinou-se par a fr ente par a apoiar a x ícar a na mesa de centr o, depois vir ou-se e sentou-se no colo dele. Beijou-o apaix onadamente, apoiando as mãos no peito dele. Sean r eagiu tr azendo-a par a per to, as mãos subindo por baix o da par te de cima do pijama, as palmas ásper as ao encontr o da pele nua.

Ela inter r ompeu o beijo um minuto depois, cor ada e sor r indo.

– Isso é o quê.

Sean pr ecisou de um minuto par a entender . Mais ou menos.

– Não quer que seu ir mão saiba que estamos juntos?

– Acho que isso vai ser difícil de esconder, já que Dillon e Kate sabem que passei a semana aqui. É só que... Quer o fazer isso da maneir a cer ta.

– Eu pensei que es tives s e fazen do cer to – Sean disse com um sor r iso sensual, com as mãos descendo sob as calças do pijama.

Ela r evir ou os olhos, depois r iu quando ele fez cócegas.

– Ador o ouvir o seu r iso, Lucy. Você não r i com muita fr equência.

– Então você ter á o que almejar , não?

– Você quer ir devagar . Eu entendo.

– Não devagar demais. Mas também não posso me mudar par a cá, e não é só por que Patr ick está voltando. Embor a esse seja um motivo. Você está fazendo a empr esa decolar, e já está atr asado por conta das duas últimas semanas em que se viu envolvido nessa minha confusão.

Sean fr anziu o cenho.

– Não foi uma confusão sua. Se acr edita mesmo por um segundo que eu não quer ia...

Ela balançou a cabeça.

– Não, não foi isso o que eu quis dizer. Sei que o seu negócio é impor tante par a você. Quer pr ovar ao seu ir mão que você consegue, mais até do que pr ovar a si mesmo. Não só r espeito isso, como também entendo. Eu sinto como se tivesse que pr ovar o tempo inteir o par a a minha família que eu cr esci, que sou capaz de tomar as minhas pr ópr ias decisões, que sou mais for te do que eles imaginam. Eles vêm me pr otegendo há muito tempo, e eu os amo por isso, mas finalmente estou começando a minha vida. Tenho a entr evista com o FBI daqui a tr ês semanas. Isso é assunto meu, não é de Dillon, nem de Patr ick, e de ninguém mais da minha família. Tenho que ser bem-sucedida ou fr acassar com os meus mér itos.

– Você conseguir á – Sean passou os dedos pelo r osto dela.

Ela beijou-o, com o peito inflado pela confiança depositada.

– Por isso quer o que se concentr e nos seus negócios enquanto eu me concentr o na minha entr evista. Se tudo cor r er confor me o planejado, eu ir ei par a Quantico até o final do ano. Ser ão vinte e uma semanas de tr einamento e...

– Shh – ele colocou um dedo sobr e os lábios dela. – Eu entendo, Lucy. Não vou à par te alguma. Você foi a melhor coisa que me aconteceu. Você me tr ansfor mou em uma pessoa melhor. Quer o você na minha vida, mas compr eendo que queir a dar um passo de cada vez. Passo númer o um – ele beijou-a. – Descobr imos que gostamos um do outr o – sor r iu. – Passo númer o dois – começou a desabotoar a blusa do pijama dela. – Descobr imos que estamos atr aídos um pelo outr o – mais um botão desabotoado. – M uito atr aídos.

Os dedos r esvalar am o peito nu ao descer em par a o ter ceir o botão.

– Passo númer o tr ês – ele desabotoou o quar to e último botão. – Nós nos diver timos juntos. Você tem uma vida impor tante par a você. Eu tenho uma impor tante par a mim. Essas vidas são compatíveis – ele beijou um seio, depois o outr o.

Lucy pr endeu a r espir ação.

– Passo númer o quatr o, – Sean disse com voz r ouca – somos ex tr emamente compatíveis na cama.

– Não estamos na cama – Lucy sussur r ou.

– Não, não estamos. Pr ecisamos ir par a o passo númer o cinco.

– Que ser ia?

– Qual a nossa compatibilidade no sofá? – ele sor r iu e beijou-a. Lucy r ecostou-se nele, com o peito nu pr essionado contr a o dele.

– Esper o que passemos – ela sussur r ou no ouvido dele.

– Acr edito em segundas chances – ele segur ou o r osto dela entr e as mãos e ela o fitou, com um afeto pr ofundo emanando de um par a o outr o.

O cor ação dela deu um salto.

Ser ia amor ?

Ela não ousava ter esper anças, não assim, tão cedo. Mas seu cor ação se abr ia par a as possibilidades do que uma vida ao lado de Sean poder ia ser .

– Lucy, estou disposto a dar quantos passos for em necessár ios com você. Somos bons juntos. Eu sei disso, você sabe disso. Por isso se alguns passos demor ar em mais do que outr os, tudo bem por mim. Como eu disse antes, não vou à par te alguma.

Ela engoliu as emoções, temendo começar a chor ar por que Sean er a a melhor coisa que já lhe acontecer a.

– Estou tão feliz em ter você na minha vida – ela disse e beijou-o. E

mais uma vez. Pr endeu os lábios dele e sor r iu. – Agor a, – disse, r ecostando-se – vamos nos apr oveitar do nosso último dia sozinhos aqui. Estamos no passo númer o quatr o, cer to?

Sean balançou a cabeça.

– Podemos voltar par a o passo quatr o, se quer se cer tificar de que o fazemos dir eitinho, mas estamos no passo cinco. O sofá.

– Cer to – ela concor dou, tir ando a blusa do pijama. – Ser emos compatíveis no sofá?

– Meu palpite é de que somos muito compatíveis. Mas talvez eu tenha de testar essa teor ia, indo do passo quatr o ao cinco algumas vezes. Só par a ter cer teza.

Sean abr açou Lucy e beijou-a, as mãos passeando pelo cor po, sem conseguir par ar, quase desacr editando que tinha aquela mulher mar avilhosa na sua vida. Que ela er a sua. E que er a bem possível que eles tivessem um futur o juntos.

Er a tudo o que ele mais desejava, e Lucy também. Ela só não estava pr onta par a admitir isso. Mas ele esper ava convencê-la logo de que ela quer ia a mesma coisa.

E depois disso, eles começar iam o felizes par a sempr e dela.

PRÉVIA DO PRÓXIMO VOLUME

KISS ME, KILL ME *

Enquanto o vento fr io r odopiava a seu r edor, a agente do FBI Suzanne Madeaux levantou a ponta da lona amar ela – car acter ística de cenas de cr ime – que cobr ia a gar ota mor ta e pr aguejou num sussur r o.

A desconhecida devia ter entr e 16 e 20 anos, seu cabelo loir o tinha mechas cor -de-r osa. O vestido de festa da adolescente também er a r osa, e Suzanne se per guntou se ela ter ia mudado a cor das luzes par a combinar com o modelito. Não havia sinais ex ter nos de agr essão sex ual ou caus a mortis apar ente. Ainda assim, não havia dúvidas de que aquela er a mais uma vítima do assassino que Suzanne tinha sido designada par a deter .

A gar ota só calçava um sapato.

Abaix ando a lona, Suzanne inspecionou a cena, tentando em vão manter o longo cabelo loir o escur o longe do r osto. O vento incessante uivava no estacionamento deter ior ado e cheio de mato do ar mazém abandonado no Br ooklyn. Algumas ár vor es ali per to tinham sido der r ubadas pelo vento; pequenos galhos e r amos espalhavam-se pelo pavimento. O vento, muito pr ovavelmente, destr uír a também qualquer evidência for a do cor po da moça.

Embor a o cor po não par ecesse ter sido escondido intencionalmente, o mato na altur a da cintur a e uma pequena constr ução que um dia abr igou um ger ador ou latas de lix o escondiam-na do olhar cur ioso de um passante qualquer. Suzanne afastou-se da estr utur a gr ossa e olhou na dir eção da baía Upper. A minúscula baía Gow anus ficava ao nor te, e o hor izonte de Nova Jer sey, a oeste. À noite, se não estivesse fr io, o lugar poder ia ser muito bonito, com as luzes da cidade r efletindo na água.

Um policial à paisana da New Yor k Police Depar tment, a NYPD, apr ox imou-se com um meio sor r iso que Suzanne não chamar ia de amigável.

– Or a, se não é a Mad Dog Madeaux [1]. Ouvimos falar que este er a um dos seus.

Suzanne r evir ou os olhos. Mesmo de olhos fechados r econhecer ia Joey Hicks pelo sotaque nova-ior quino pr opositalmente ex ager ado.

– Não é nenhum segr edo – ela disse, fazendo anotações par a não ter que conver sar .

Hicks não er a mais velho do que ela. Em boa for ma, pr ovavelmente se consider ava bonito, levando-se em conta seu modo de andar. Ela tinha de admitir que ele tinha lá cer to char me, mas a atitude “todos os feder ais são cr etinos” que ele demonstr ar a na pr imeir a vez em que se vir am, anos atr ás, num caso de homicídio, colocar a-o per manentemente em sua lista negr a.

Ela olhou ao r edor pr ocur ando o super visor dele, mas não viu Vic Panetta. Pr efer ia lidar com o policial mais ex per iente, de quem de fato gostava.

– Quem encontr ou o cor po? – Suzanne per guntou.

– Um segur ança.

– O que ele disse?

– Ele a encontr ou dur ante a r onda da manhã, lá pelas cinco e meia.

Já er am onze hor as.

– Por que ninguém a levou ao necr otér io?

– Não temos nenhum car r o disponível. O legista está a caminho. Mais uma hor a, pelo que disser am. A polícia de Nova Yor k não tem os mesmos r ecur sos que vocês, feder ais.

Ela ignor ou a far pa.

– O que o segur ança fazia aqui ontem à noite? Ele patr ulha mais de um pr édio?

– Sim – Hicks consultou o bloco de anotações. Apesar de Suzanne não gostar dele, ele er a um tir a r azoável. – Ele bateu o ponto às quatr o da manhã, par a seu tur no de doze hor as. Faz um r odízio entr e as pr opr iedades vazias ao longo do Sunset Par k e ao r edor da baía. Ele disse que não se atém a um r oteir o específico por que os vândalos ficam de olho nisso.

– E quanto ao segur ança notur no?

– À noite ou é o Thompson ou é o Br uzzini. De acor do com o segur ança, Br uzzini é um r elapso.

– Pr eciso dos contatos deles – ela hesitou, mas, ao se lembr ar da or dem do super ior par a que fosse mais educada com a polícia, acr escentou: – Agr adeço a ajuda.

– O infer no congelou desde a última vez em que tr abalhamos num caso?

– Hicks r iu. – Vou chamar Panetta. Aposto como ele vai, pelo menos, fazer de conta que quer br igar por jur isdição – disse e afastou-se ainda sor r indo.

Suzanne ignor ou-o. Não haver ia nenhuma disputa por jur isdição; depois do ter ceir o cr ime semelhante, uma for ça-tar efa do FBI com a polícia de Nova Yor k tinha sido for mada. Seu super visor estava encar r egado administr ativamente, e ela er a a oficial r esponsável do FBI. Panetta er a o detetive de maior senior idade da NYPD.

Cansada do cabelo voando ao r edor do r osto, Suzanne tir ou do bolso um boné dos Mets e afundou-o na cabeça o máx imo que a massa volumosa de cabelos per mitia. Ter minou de escr ever suas obser vações e os poucos fatos que sabia no bloco de anotações.

Esta vítima, a quar ta, er a a pr imeir a encontr ada no Br ooklyn. A pr imeir a, uma calour a univer sitár ia, for a assassinada no Har lem, numa r ua popular entr e os sem-teto invasor es e a tur ma das festas, por que todos os pr édios er am tampados. Isso foi na vésper a do Hallow een. A segunda vítima foi encontr ada no sul do Br onx , ir onicamente de fr ente par a a Ilha Riker

s[2], em 2 de janeir o. A ter ceir a vítima, a que chamou a atenção do FBI par a os assassinatos em sér ie, foi mor ta em Manhattanville, per to da Columbia Univer sity, dezoito dias atr ás. Até a for ça-tar efa ser for mada e todas as evidências par tilhadas, par a todos os efeitos, Suzanne vinha tr abalhando no caso há menos de duas semanas.

Além do desapar ecimento de um sapato e da idade das vítimas, todas jovens com menos de 21 anos, outr os dois fatos em comum se destacavam: todas tinham sido sufocadas com uma sacola plástica que o assassino levava embor a consigo e todas for am assassinadas pr óx imo a pr édios abandonados com evidências de uma festa r ecente.

Festas secr etas ou under gr ound não er am nenhuma novidade. Algumas até er am r elativamente inofensivas com bebidas, música eletr ônica e dr ogas r ecr eativas, enquanto outr as er am muito mais desvair adas. As r aves nos Estados Unidos começar am no Br ooklyn, em túneis de tr em subter r âneos abandonados e, apesar de ainda ex istir em, o pico de popular idade já havia passado há algum tempo. A nova moda er am as festas do sex o r egadas a bebidas e dr ogas pesadas. Música e dança er am pr ecur sor es par a sex o com múltiplos par ceir os anônimos. Mesmo antes desses homicídios, for am r egistr adas diver sas mor tes r elacionadas ao uso de dr ogas. Se o padr ão se confir masse, as pr ovas dentr o do ar mazém indicar iam que a moça desconhecida ter ia par ticipado desse último tipo de festa, que o detetive Panetta chamava de “r aves ex tr emas”.

A impr ensa tinha batizado o assassino de Estr angulador de Cinder elas quando alguém com infor mações confidenciais deix ou vazar o fato de que as vítimas er am encontr adas sem um dos sapatos. A infor mação poder ia não ter vindo de um policial, já que dúzias de pessoas tr abalham numa cena de cr ime, mas muito pr ovavelmente veio do depar tamento de polícia.

A impr ensa par ecia não se impor tar com o fato de que as vítimas não er am estr anguladas, mas sim asfix iadas. Por ém, Asfix iador de Cinder elas não soar ia tão bem no noticiár io das onze.

Suzanne tinha enviado um memor ando a todas as empr esas de segur ança par ticular es nos cinco distr itos da cidade, pedindo que fossem mais pr oativos em r elação à inter r upção de qualquer festa em locais abandonados, mas o tr abalho par ecia inútil; par a cada local fechado, outr os dois sur giam.

Apesar de somente duas das tr ês pr imeir as vítimas ser em univer sitár ias, ela contatou todas as faculdades e colégios locais par a avisar os alunos de que havia um assassino visando a jovens nesses tipos de festa. Infelizmente, Suzanne suspeitava que fosse pr aticamente impossível tr anspor a cr ença do “isso jamais vai acontecer comigo” das jovens. Ela quase conseguia ouvir as justificativas delas. Não vamos s ozin has . Não vamos s air com um des con hecido. Não vamos beber demais . As mesmas desculpas de sempr e. Suzanne não entendia por que elas não podiam simplesmente se diver tir em festas “nor mais”, dentr o dos dor mitór ios ou das fr ater nidades, pr incipalmente quando se tr atava de uma questão de vida ou mor te. Clar o que esses locais também tinham pr oblemas, mas dificilmente haver ia um assassino em sér ie per cor r endo seus cor r edor es.

– Suzanne!

Ela levantou o olhar e acenou par a Vic Panetta, que se apr ox imava. Ela gostava do italiano magr elo. Ele tinha ex atamente a sua altur a, 1,75

metr o, e usava um casaco novo de lã cinza chumbo que combinava com seus cabelos.

– Olá, Vic – cumpr imentou-o quando ele se apr ox imou. – Casaco novo?

Ele r espondeu sem emoção:

– Pr esente de Natal da minha esposa.

– É muito bonito.

– É um pouco car o por causa de uma etiqueta que ninguém vê – r esmungou ele. Gesticulou par a a lona e disse: – Fotogr afamos a ár ea, depois colocamos a lona sobr e o cor po par a não per der ainda mais pr ovas.

– Bem, do jeito que o vento sopr ou sem tr égua nos últimos dias, acho que já per demos.

– Já deu uma olhada?

– Por alto.

– Per cebeu que falta um sapato?

– Clar o.

– Pode estar debaix o do cor po.

– Acha mesmo?

– Não – ele balançou a cabeça e pegou o celular no bolso do casaco. – Boas-novas. O legista está a caminho. Deve chegar em dez minutos.

Já era hora, Suzanne pensou sem dizer nada.

– Hicks me disse que você conver sou com o segur ança que encontr ou o cor po.

– Sim. Ele é um ex -policial da NYPD, aposentado por invalidez, tr abalha tr ês dias na semana. Leva o tr abalho a sér io. Falou um monte a r espeito do vigia notur no.

– Pr eciso saber de alguma coisa?

– Ele suspeita que Ronald Br uzzini r eceba pr opina. Ele tem dinheir o demais par a a pr ofissão que tem. Mas não há nenhuma pr ova concr eta disso.

– O seu homem sabia das festas?

Panetta balançou a cabeça.

– Só depois que aconteciam, pois ele não tr abalha à noite. Ele acr edita que Br uzzini finge que não vê cer tas coisas, pois pr aticamente toda semana apar ecem novas evidências de festas. Hicks e eu vamos investigar os dois vigias notur nos.

– Então acha que esta foi uma das r aves ex tr emas? – br incou ela.

Ele r evir ou os olhos e suspir ou ex asper ado.

– Pode cr er. Eles limpar am um pouco dentr o, mas deix ar am o lix o do outr o lado da constr ução. O vento espalhou tudo. A unidade de Cenas de Cr imes está tr abalhando tanto dentr o quanto for a, por ém a contaminação é um gr ande pr oblema. Estamos colhendo impr essões digitais, mas conseguir alguma coisa que pr este...

– Eu sei. Mais de uma centena de jovens dr ogados, uma confusão absoluta, r ecur sos limitados. Se pr ecisar do nosso labor atór io, é só falar .

– Pode deix ar .

A polícia de Nova Yor k tinha um labor atór io de cr iminalística r azoável, e por se tr atar de um caso local, ela pr efer ia manter as pr ovas ali.

Panetta er a um veter ano r espeitado e bem quisto por todos há 22 anos.

Por conta da ex per iência, ele manejava bem o sistema e costumava conseguir os r esultados com maior r apidez do que se Suzanne enviasse as pr ovas par a o labor atór io em Quantico.

– A impr ensa vai cair matando – r esmungou Panetta.

– Sem comentár ios.

Ela nunca falava com a impr ensa, especialmente depois das cr íticas violentas que r eceber a cinco anos atr ás, dur ante o caso do desapar ecimento de uma cr iança. A situação fez com que ela apar ecesse no noticiár io notur no e seu nome fosse par ar no Depar tamento de Responsabilidade Pr ofissional. Além disso, r ecebeu a ir r itante alcunha de “Mad Dog Madeaux ”.

– Temos um punhado de nada – disse Panetta.

Havia um monte de evidências físicas nos cor pos encontr ados, mas nada que pudessem usar par a r astr ear o assassino. As tr ês pr imeir as vítimas tiver am pelo menos dois par ceir os sex uais dur ante as 24 hor as que anteceder am as mor tes, mas o DNA encontr ado ou for a contaminado ou não identificado no sistema. Tinham pr ovas contr a sete homens até o momento, mas nenhum deles tiver a contato compr ovado com mais de uma vítima, suger indo que o assassino se esfor çava par a não deix ar nenhum DNA, e possivelmente não teve r elação sex ual com elas. Devido aos múltiplos par ceir os sex uais e à natur eza ex tr ema das festas, o legista não conseguia deter minar se as vítimas tinham sido estupr adas ou se tinham feito sex o consensual.

Sem ter em pr ovas conclusivas, bem como o motivo do assassino, ficava muito mais difícil delinear seu per fil. Um sádico sex ual tem um per fil difer ente de, por ex emplo, um homem que mata pr ostitutas por que as consider a vagabundas. Assassinos ser iais que estupr am e matam suas vítimas ter iam um per fil completamente diver so daqueles que não molestam as vítimas. A for ça-tar efa não conseguia nem mesmo deter minar se o culpado er a um dos fr equentador es das festas ou se simplesmente ficava nas r edondezas esper ando gar otas desacompanhadas par a atacar .

Além disso, o que quer que fosse usado par a asfix iar as gar otas er a levado embor a pelo assassino, juntamente com um único sapato, e os cor pos não er am tr ansfer idos de lugar. Elas já estavam mor tas ao caír em no chão.

Panetta disse:

– A pr opósito, essa daí não mor r eu ontem à noite.

– Não ver ifiquei o cor po atentamente.

– O segur ança diur no só tr abalha de quar ta à sábado. Ele duvida que os outr os dois façam mais do que dar uma passada apr essada pelas pr opr iedades. Nossa desconhecida pode estar aqui desde sábado à noite.

– Por quê?

– Nosso ex -policial passou por aqui no sábado à tar de, e ela não estava aqui.

– E você não acha que ele pode ser o assassino? – per guntou em tom de br incadeir a.

– Acho que não, mas vou investigá-lo mesmo assim. Dei uma boa olhada no cor po, a r igidez cadavér ica já está fr agmentada. Ela pr ovavelmente está aqui há mais de 48 hor as. O legista deve poder nos dar uma hor a mais apr ox imada.

– Deix ar ei os dados for enses em suas mãos mais do que capazes.

Pr eciso da identidade dela o mais r ápido possível e, nesse meio-tempo, vou r epassar os casos das outr as tr ês vítimas e conver sar novamente com os amigos delas. Alguém sabe de alguma coisa. Estou ficando fur iosa com esses univer sitár ios que ficam de bico fechado só par a não entr ar em apur os por causa das dr ogas ilegais e dessas festas, mas que par ecem pouco se impor tar que haja um assassino entr e eles.

[1] Optamos por não tr aduzir o apelido, mas significa alguém “dur ão”,

que br iga e esbr aveja como um “cachor r o louco”. (N.E.) [2] Ilha-pr isão

situada entr e o Br onx e o Queens. (N.T.) * Título do or iginal.

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Sumário

Agradecimentos

Prólogo

1. UM

2. DOIS

3. TRÊS

4. QUATRO

5. CINCO

6. SEIS

7. SETE

8. OITO

9. NOVE

10. DEZ

11. ONZE

12. DOZE

13. TREZE

14. CATORZE

15. QUINZE

16. DEZESSEIS

17. DEZESSETE

18. DEZOITO

19. DEZENOVE

20. VINTE

21. VINTE E UM

22. VINTE E DOIS

23. VINTE E TRÊS

24. VINTE E QUATRO

25. VINTE E CINCO

26. VINTE E SEIS

27. VINTE E SETE

28. VINTE E OITO

29. VINTE E NOVE

30. TRINTA

31. TRINTA E UM

32. TRINTA E DOIS

33. TRINTA E TRÊS

34. TRINTA E QUATRO

35. TRINTA E CINCO

36. TRINTA E SEIS

37. TRINTA E SETE

38. TRINTA E OITO

39. TRINTA E NOVE

40. QUARENTA

41. QUARENTA E UM

42. QUARENTA E DOIS

43. QUARENTA E TRÊS

44. QUARENTA E QUATRO

45. QUARENTA E CINCO

46. QUARENTA E SEIS

47. PRÉVIA DO PRÓXIMO VOLUME

Você terminou Se eu Morrer Antes de Você

Allison Brennan

Livros como este

Depois do livro

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