Se eu Morrer Antes de Você

Allison Brennan · Capítulo 1 de 1 · parte 12/17

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Se eu Morrer Antes de Você

1. Um

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 17 partes.

– For a! – or denou a Dillon. Mallor y poder ia atir ar nele, mas, de acor do com Dillon, ele não atir ar ia em um Kincaid. Sean estava contando com isso.

Mallor y saiu do car r o com a ar ma em punho e depois viu Dillon saindo do lado do passageir o.

– Mick, – Dillon chamou-o – está acabado. Sabemos a r espeito do pr ojeto de r astr eamento dos cr iminosos em condicional. Sabemos da sua ligação com Fr ances Buckley. O FBI está pr ovidenciando um mandado par a ela e par a o PMC neste instante – Dillon cr uzou a fr ente do car r o, colocando-se na mir a de fogo.

– Dillon! – Sean chamou-o. O que ele estava pensando? Sean só quer ia Mallor y distr aído. Não quer ia que ele tivesse um alvo fácil.

Mallor y balançou a cabeça.

– Você não entende o que estamos enfr entando, Kincaid.

– Entendo, sim. Mas este não é o caminho.

– Você não tem pr ovas.

– Temos mais do que você imagina. Só há uma coisa que eu não entendo. Por que o esquema elabor ado par a atr air Mor ton par a cá? Ter ia sido muito mais fácil par a você matá-lo em Denver. Isso tem alguma coisa com a ida de Ralston par a Seattle? Mor ton tinha algo que você quer ia, não é? O que er a?

Mallor y estava pensando e Sean não quer ia que ele tivesse tempo par a pensar. Er gueu-se, com a pistola apontada par a a cabeça de Mallor y, e apr ox imou-se do car r o.

– Não – Mallor y disse, vir ando a ar ma na dir eção de Sean.

– Vai me matar a sangue fr io? Dillon também? Safado maldito. Você tem uma foto de Lucy na sua casa. Como ousa?

Mallor y lar gou a ar ma e levantou as mãos. Sean não sabia o que esper ar, além da psicologia de Dillon, mas não imaginou que ser ia tão fácil assim.

– Quer o falar com Lucy.

– Não! – Sean ex clamou. – Vir e de costas. Dillon, vasculhe os bolsos dele e algeme-o – disse isso e jogou um par de algemas na dir eção de Dillon.

– Você não é um tir a – Mallor y disse.

– Acho que você sabe ex atamente quem eu sou – Sean disse. – Investigou o meu passado. Alguém tentou pux ar os meus dados; agor a sei quem foi.

Mallor y vir ou-se devagar e apoiou as mãos no capô do car r o. Sean disse:

– Ainda estou vivo. Isso significa que passei no seu teste?

– O júr i ainda está de olho em você, Rogan – Mallor y disse tr anquilo.

Dillon r evistou Mallor y, encontr ou outr a ar ma e a entr egou a Sean.

Algemou Mallor y e o fez se sentar na calçada. Sir enes se apr ox imavam; por cer to os tir os aler tar am as autor idades.

– Dillon, pr eciso ir buscar Lucy, par a o caso de ex istir outr as pessoas envolvidas que não sejam tão amigáveis em r elação aos Kincaid como Mallor y.

– Ninguém vai machucar Lucy – Mallor y disse.

– Me desculpe se não acr edito em você – Sean disse e vir ou-se par a Dillon. – Você está bem?

Dillon assentiu.

– Mick e eu temos algumas coisas par a conver sar .

Mallor y olhou par a os dois.

– Dillon, tenho um r espeito enor me por você e é por isso que não atir ei. Mas não temos nada par a conver sar .

– Eu posso ajudá-lo.

– Talvez eu não pr ecise de ajuda – ele disse com tr anquilidade. – Talvez eu esteja aliviado por tudo isso ter acabado.

[1] John Henr y Bonham foi um bater ista inglês que per tenceu à banda Led Zeppelin, gr upo de sucesso for mado em 1968 pelo guitar r ista Jimmy Page. (N.T.)

TRINTA

Faltavam quinze minutos par a as tr ês quando Lucy r ecebeu uma mensagem de tex to de Sean:

Sua car r uagem está um pouco atr asada. Tenho boas notícias. Não saia sem mim, pr incesa.

Ela sor r iu. No fundo, Sean er a um r omântico. E depois dos últimos dias, ela r ealmente apr eciava a atenção dele.

A r ecepcionista entr ou na sala de ar quivos onde Lucy estava tr abalhando.

– Há dois policiais aqui par a vê-la.

Ela hesitou. Ser ia Cody? Ele levou um amigo? Ele não tinha r etor nado a sua ligação; aquela visita sur pr esa ser ia um modo de se vingar dela?

– Eles disser am o motivo?

– Não.

– Pode conseguir o nome deles par a mim?

A r ecepcionista olhou par a ela com desconfiança, deu de ombr os e saiu.

Lucy apr oveitou par a or ganizar as pilhas de papéis que estava separ ando e ar quivando e cuidadosamente r ecolocou-os na caix a de entr ada. As mãos estavam fir mes, mas o cor ação batia tão for te que ela sentia os ouvidos r ever ber ar em. O que eles quer iam? Er am bandidos ou mocinhos?

E os bandidos ser iam “r uins” de ver dade?

Enquanto pensava a r espeito, se per guntou se estar ia mais abor r ecida pela mor te de Pr enter ou por ter sido usada par a que ele fosse assassinado. E quanto aos outr os cr iminosos em condicional? Diver sos Estados já não dispunham de um sistema ex tensivo de condicional. Eles não r astr eavam os cr iminosos, e quase já não os pr endiam por violar em a condicional por que as pr isões estavam super lotadas. A menos que o cr iminoso fosse r eincidente, dificilmente er a pr eso novamente.

Cor r eção. A menos que ele fosse “apanhado” em uma r eincidência.

Outr a pessoa tinha de ser violentada, assaltada ou assassinada antes que o cr iminoso voltasse par a a pr isão.

O telefone tocou, assustando-a. Ela pegou o apar elho, e a r ecepcionista disse:

– Investigador Light e policial Raleigh.

– Obr igada. Diga a eles que pr eciso de dois minutos. Pr eciso salvar estes ar quivos.

Ela desligou e mor deu o lábio, aliviada por não ter de enfr entar Cody, mas cur iosa por um investigador pr ocur á-la. Ser á que Cody contou sobr e suas suspeitas a um super ior ? Quer ele tenha ou não implicado Lucy, eles podiam estar investigando o homicídio de Pr enter .

Lucy não sentia nada a r espeito de cr iminosos que er am assassinados e isso a ener vava. Ser ia tão insensível? Sean havia lhe dito que ela er a a pessoa mais compassiva que ele conhecia, mas ela não enx er gava isso. Não quando não sentia um mínimo de empatia pelos cr iminosos assassinados.

O sistema penal estava longe da per feição. Pais de cr ianças mor tas er am ar r astados na lama dur ante a investigação, a vida deles er a dissecada por uma sociedade pr econceituosa que culpava as famílias pelo destino dos filhos. A mídia plantava-se do lado de for a da casa, da escola que as cr ianças fr equentavam, falavam com amigos e com a família, quer endo saber como eles se sentiam, o que eles estavam fazendo no minuto em que os filhos desapar ecer am, por que não estavam com eles 24

hor as por dia, sete dias por semana...

Lucy quer ia gr itar par a a impr ensa que jogava pedr as e que cr iava o medo do qual os cr iminosos se alimentavam. Os pr edador es quer iam dilacer ar a sociedade, separ ar pais e mães por causa do desapar ecimento de um filho; quer iam que os vizinhos comentassem, que a polícia questionasse um pai por amar demais ou de menos os filhos e as filhas.

Questionavam os amigos sobr e a atenção dada. Questionavam a família, semeando a dúvida, jogando ir mãos contr a ir mãos, esposas contr a mar idos, pais contr a filhos, mães contr a filhas.

Ir mãs contr a ir mãs.

Lucy tinha 7 anos quando seu sobr inho, também 7 anos, e melhor amigo, Justin, foi sequestr ado do quar to no meio da noite. Ela er a a Kincaid mais jovem; Nelia er a a mais velha e havia dado à luz Justin, ainda na faculdade de Dir eito, por ém, mais tar de, ela se for mou e se tor nou uma advogada empr esar ial. A ir mã do meio, Car ina, na época na faculdade, estava de babá de Justin naquela noite.

Lucy não passava de uma cr iança, mas as acusações car r egadas de ódio que Nelia despejou em Car ina nos dias que se seguir am após o assassinato de Justin queimar am a sua alma. Lucy ouviu comentár ios de que seu cunhado, Andr ew, estava dor mindo com outr a mulher na noite em que Justin foi sequestr ado. Depois, a fofoca de que Nelia sabia do caso ex tr aconjugal, mas que não se impor tava. Que ela tr abalhava até tar de toda noite par a não ter de ver o mar ido.

Nelia saiu de San Diego e deix ou a família e ainda que, com o tempo, ela tivesse voltado a falar com alguns membr os, nada voltar ia a ser como antes.

Mas o pior er a quando Nelia olhava par a Lucy e Lucy sentia a lamentação emanando da ir mã em ondas de agonia.

Por que Jus tin e n ão você?

Ela nunca disse essas palavr as, nem jamais admitiu que elas tivessem passado pela sua mente, mas Nelia nunca mais falou com Lucy desde o assassinato de Justin há dezoito anos. Nenhuma palavr a.

A por ta da sala de ar quivo se abr iu e Lucy se vir ou.

– Lucy, eles ainda estão esper ando – a r ecepcionista disse. – Eu os levei par a a sala de descanso dos funcionár ios por que a sala de r euniões está ocupada.

– Está bem, desculpe, já estou indo – r espir ou fundo. Não sabia quanto tempo Sean levar ia par a chegar, mas poder ia enfr entar a polícia. Se eles quer iam pr endê-la pela mor te de Pr enter, ela discutir ia com eles pelo tempo que pr ecisasse até a chegada de Sean.

Lucy não gostava de contar com qualquer outr a pessoa que não consigo, mas, às vezes, só saber que alguém estava por per to par a o caso de ela pr ecisar bastava par a que ela enfr entasse as pior es situações. Mas ela conseguir ia fazer aquilo sozinha.

Entr ou na sala de descanso. Um policial unifor mizado e um investigador em um ter no simples abr ir am caminho. Os dois er am negr os; o investigador, baix o e magr o; o policial, alto e de ombr os lar gos. Ela se sentiu menor do que er a de fato.

– Olá, sou Lucy Kincaid. Lamento tê-los feito esper ar – disse com um sor r iso, na esper ança de não demonstr ar ner vosismo.

– Entendemos, senhor ita Kincaid. Sou o investigador Light, este é o policial Raleigh. Estamos investigando um possível suicídio que atingiu o depar tamento. A pessoa é um dos nossos.

A pele dela queimou como se estivesse sendo atingida por pedaços micr oscópicos de vidr o.

Cody n ão havia retorn ado a ligação.

– Lamento ter de infor mar que o policial Cody Lor enzo mor r eu ontem à noite.

Os joelhos dela ceder am e ela apoiou-se na mesa. Lentamente se sentou, balançando a cabeça. Não lhe vinha nenhuma palavr a, embor a centenas de per guntas impr egnassem sua língua.

– Já teve um r elacionamento pessoal com o oficial Lor enzo, cer to? A par ceir a dele disse que vocês continuar am amigos.

Ela assentiu, ainda sem conseguir falar .

O investigador Light sentou-se diante dela. Ela não conseguia inter pr etar a ex pr essão dele. Mal conseguia enx er gar, na ver dade, er a como se a sala estivesse desapar ecendo diante dela.

Cody es tava morto?

– Quando foi a última vez que o viu ou que conver sou com ele? – o investigador per guntou.

– Ontem – ela sussur r ou e depois pigar r eou. As mãos estavam diante dela, congeladas no tampo da mesa. Fitou as unhas cur tas na ponta dos longos dedos lembr ando-se de suas últimas palavr as.

Como pôde s er capaz de pen s ar que eu pudes s e fazer algo des s e tipo?

Ela esteve tão fur iosa, tão br ava com Cody por ele ter acr editado que ela havia ar mado pr opositadamente contr a Pr enter, que nem aceitou as desculpas dele. Afastou-se sabendo que ele estava ar r ependido, mas não se impor tou. Não conseguia enx er gar nada além da pr ópr ia dor e do sentimento avassalador de tr aição por ele ter usado seu ato desesper ado quando matou Adam Scott contr a ela. Ser á que ela quis que ele sentisse culpa? Ser á que ela se afastou na esper ança de que ele se sentisse mal a r espeito das suas suposições?

Lucy esper ava não ser tão super ficial assim. Cody er a um dos seus amigos mais pr óx imos, mesmo ela não tendo se casado com ele.

– Senhor ita Kincaid? Está se sentindo bem?

Ela assentiu, embor a estivesse longe de se sentir bem.

Um minuto depois, o policial Raleigh colocou um copo descar tável de água diante dela. Ela sor veu um gole automaticamente.

– Sobr e o que conver sar am ontem? Foi algo pessoal?

– Não. Foi sobr e o PMC – quando eles a fitar am sem entender, ela ex plicou: – Nós dois tr abalhamos como voluntár ios no Pr ior idade par a Mulher es e Cr ianças, um gr upo a favor dos dir eitos das vítimas.

– Ouvi falar a r espeito – Raleigh comentou.

Lucy não podia contar a eles sobr e os homicídios, nem sobr e Pr enter, mas e se aquilo estivesse r elacionado à mor te de Cody? Não poder ia r eter infor mações se isso deix asse algum cr iminoso escapar .

– Vocês disser am “possível suicídio”? – ela per guntou.

– Ainda estamos investigando. Ainda não há nada oficial, mas havia um bilhete suicida.

– Cody não se suicidou – ela disse simplesmente.

– Como tem tanta cer teza?

– Ele é católico.

– Isso nem sempr e...

– Ele não far ia isso com a mãe dele. O pai mor r eu de infar to quando ele tinha 16 anos, muito antes de eu conhecê-lo; os ir mãos e ir mãs todos mor am longe daqui. Ele não far ia isso com a mãe dele. Não far ia – ela levou uma mão à boca e r efr eou um soluço de chor o.

Raleigh desdobr ou um pedaço de papel e colocou-o diante dela. Manchas escur as no papel, cópias de manchas de sangue, mar cavam o canto infer ior .

Par a quem quer que me encontr e, lamento que tenha de me ver assim.

Per dão.

Aos meus pais, eu falhei com vocês. Per doem-me.

Aos meus colegas, abusei da minha posição de autor idade. Per doem-me.

Par a a minha Lucy, a ver dade a liber tar á. Já me liber tou. Eu a ver ei em br eve.

Adeus.

Ela não conseguia par ar de tr emer. Or denou às mãos que par assem de tr emer, segur ando-as junto ao cor po. O estômago contr aiu-se e ela abaix ou a cabeça.

– Cody... Cody não escr eveu isto – a voz saiu contor cida em um gemido no final.

– Não r econhece a escr ita?

– Não se par ece ex atamente com a letr a dele, mas pode ser. Não sei.

Mas é esta linha a r espeito dos pais.

– Ele pode ter levado em consider ação a vida inteir a, não só a mais r ecente.

Ela balançou a cabeça.

– Isso não se par ece com ele.

– Quando alguém fica tão depr imido a ponto de cometer suicídio, nem sempr e está pensando clar amente.

– Eu só... Cody... Por quê?

A por ta se abr iu e Lucy levantou o olhar, depar ando-se com Sean. O

r osto dele estava dur o, a pr eocupação e a suspeita car r egavam seus olhos enquanto ele olhava de Lucy par a os policiais. Ele cr uzou a saleta até Lucy.

– Lucy... O que aconteceu?

Ela levantou-se nas per nas bambas, e Sean colocou o br aço na cintur a dela par a apoiá-la. Ela r ecostou-se.

– Cody está mor to.

E então as lágr imas sur gir am, e Lucy não conseguiu r efr eá-las.

TRINTA E UM

Quando Noah soube que Mick Mallor y estava sob custódia, deix ou Abigail encar r egada de ex ecutar o mandado contr a Fr an Buckley e o PMC, e seguiu com Kate par a o escr itór io r egional de Washington.

Ele entr ou na sala de inter r ogatór ios e se sur pr eendeu ao ver o dir etor-assistente Rick Stockton lá, junto com Dillon Kincaid e Hans Vigo.

Por ém aquele já er a o caso mais bizar r o na car r eir a de tr ês anos de Noah no FBI. Tampouco conseguia se lembr ar de algo r emotamente semelhante na sua época de For ça Aér ea.

Não obstante a amizade de Dillon Kincaid com Stockton e Vigo, Noah disse com fir meza:

– Eu lhe disse par a deix ar Mallor y a meu encar go.

– Eu entendo – Dillon disse. – Peço desculpas por qualquer contr atempo que eu tenha causado.

– Está pr otegendo Rogan?

– Desculpe, pr otegendo?

– Você não pr endeu Mallor y sozinho, uma vez que a polícia de Her ndon o tr oux e par a cá junto com Mallor y. Você não poder ia ter ido andando de Geor getow n até onde o pr endeu em Her ndon. Eu mandei Rogan ficar longe do meu caminho...

Rick Stockton disse:

– Vou deix ar que lide com a situação como achar melhor, Noah, mas tenho uma r eunião com o dir etor às cinco e pr eciso contar alguma coisa par a ele, mesmo que seja o fato de Mallor y se r ecusar a falar. Temos situações delicadas per ante a mídia com o envolvimento de dois antigos agentes or questr ando um gr upo de vingador es.

– Peço desculpas, senhor – ele usou seu tr eino militar par a conter a r aiva. – Qual psiquiatr a vai entr ar comigo?

– Hans – Rick disse sem maior es comentár ios. – E Kate. Lamento, Dillon, mas você está pr óx imo demais dessa situação no momento. Se Mallor y quiser falar com você mais tar de, tudo bem, mas pr eciso dos meus agentes lá.

– Não pr ecisa ex plicar – Dillon disse.

Noah per guntou a Hans:

– O que pr eciso saber ?

– Mallor y é ex tr emamente pr otetor em r elação à Lucy Kincaid. Ele falhou com ela há seis anos e não pôde, ou não quis, pr otegê-la. Quando sobr eviveu, ele pr ocur ou maneir as de acer tar o que estava er r ado. Ele sente necessidade de aplacar a culpa, mas ela jamais ser á saciada. E esse é o motivo pelo qual ele continua. Usando Lucy como isca atr avés do PMC.

Dillon disse:

– Ele encar a isso como se a deix asse ajudá-lo, mesmo que ela não saiba o que ele está fazendo. Ele tr ansfer e poder a ela.

– Ex ato – Hans concor dou. – Lucy conseguiu colocar bandidos atr ás das gr ades, o que lhe deu poder e a ajudou a desenvolver um for te senso de justiça e equidade. Fazer Lucy ajudar os vingador es foi fácil: ela estava disposta a fazer qualquer coisa legal par a tir ar essas pessoas das r uas.

Mas a nossa gangue de conspir ador es nunca a abor dou par a que ela fosse uma par te ativa da equipe de ex ter mínio. A pr ópr ia culpa de Mallor y necessitava de um tipo de sacr ifício. Ele, pr ovavelmente, decidia quando alguém pr ecisava mor r er, e Fr an selecionava o cr iminoso mais adequado.

Na ver dade, quando analisar mos os ar quivos do PMC, pr ovavelmente encontr ar emos um padr ão sugestivo ao de um assassino ser ial. Pelo menos uma vez ao mês, aumentando no decor r er do tempo por que a culpa de Mallor y não é atenuada com os homicídios. De fato, as ações dele o fazem se desconectar da humanidade. Por um lado, ele se enx er ga como um cavaleir o negr o r epetidamente salvando Lucy por que ele não conseguiu fazer isso do modo cer to da pr imeir a vez, e, por outr o, como um monstr o, um assassino, e isso é antiético com tudo o que ele cr ê.

– Mor ton não se encaix a nesse per fil – Noah disse. – E nem Pr enter, pois ele não visava a cr ianças.

– Por que foi Mallor y quem escolheu esses alvos, e não Buckley. E ele não usou Lucy par a o caso de Mor ton, por que Mor ton não entr ava nas salas de bate-papo. Ele er a desatento demais par a ficar hor as sentado diante de um computador . Ele pr ecisava de comunicação física, não vir tual.

Kate disse:

– Não temos pr ovas suficientes. Até agor a, os agentes na casa de Mallor y não encontr ar am nada incr iminatór io. Nenhuma ar ma, além das que ele por tava, mas já sabemos que a balística não bate com nenhuma das vítimas, sem falar que uma das vítimas foi atr opelada, e tr ês, esfaqueadas. Não há nada par a unir os casos.

– Pr ecisamos de uma confissão – Hans concluiu.

– Mallor y está cansado disto tudo – Dillon disse. – Foi o que ele me disse quando esper ávamos a chegada da polícia. Acho que, com a abor dagem cer ta, ele estar á disposto a contar tudo. Mas você ter á de conquistar a confiança dele. Ele vai quer er que você mer eça a infor mação.

Hans assentiu.

– Muito bem obser vado. E se não for ele, depois que tiver mos Biggler e Buckley sob custódia, ficar á mais fácil um deles ceder. Qual é a situação? – ele per guntou a Noah.

– Abigail está ex ecutando os mandados contr a Buckley e o PMC. Tenho dois agentes atr ás de Biggler e da ir mã dele. A ir mã está no meio de um tur no de 12 hor as no hospital Mer cy. Entr amos em contato com o dir etor da escola de Biggler , que confir mou que ele ainda está nas dependências. Os alunos já for am embor a.

– Não encar o Biggler como uma ameaça – Hans disse. – E ele não vai abandonar a ir mã. Se suspeitar de algo, ele ir á dir etamente par a o hospital par a falar com ela. Deix e-o. Assim poder emos pr ender os dois juntos.

– Por que Br enda Biggler ? – Kate per guntou. – Pensei que só quiséssemos o ir mão.

– Li o r elatór io policial de Pr enter e vi que uma loir a saiu do bar com ele. Isso me indica que Mallor y e Biggler estão tr abalhando com uma mulher, e ela é a única que conhecemos nessa histór ia. Se ela não estiver envolvida, Biggler confessar á par a que ela não seja ar r astada par a esta confusão. Se ela estiver, ele tentar á negociar uma pena br anda par a ela. O

envolvimento dele com os vingador es suger e que ele quer justiça pelo que aconteceu com a outr a ir mã. Por tanto par ece r azoável que ele seja pr otetor em r elação à Br enda.

– E temos de descobr ir por que ele atr aiu Mor ton par a D.C., se é que ele o fez, ou se só tir ou vantagem da situação – Dillon acr escentou.

– Sabemos o que levou Ralston até Seattle? – Kate per guntou.

– Não – Noah r espondeu.

– Mallor y sabe – Dillon afir mou.

– Acha mesmo que Mor ton tinha algo valioso? – Kate per guntou.

– Pode ter sido alguma infor mação. Isto não se tr ata de dinheir o, mas de vingança. Por Lucy, e pelas outr as.

– Infor mação – Rick r epetiu. – Se não tivéssemos confiscado todo o dinheir o de Mor ton quando ele foi pr eso, ele ter ia fugido assim que foi liber tado.

Noah disse:

– Uma lista de alvos.

– Como disse?

– O gr upo se juntou por um motivo: acabar com os cr iminosos que não estavam pr esos. E se Mor ton tivesse uma lista dos seus associados?

– Ai, car amba! – Kate ex clamou e todos se vir ar am par a ela. – E quanto aos espectador es? Todos os que pagar am par a assistir aos vídeos de Tr ask?

Mor ton jur ou que as infor mações dos car tões de cr édito er am mantidas em uma conta cega no ex ter ior e que ele não tinha os nomes, tampouco havia guar dado os númer os dos car tões. Ele nos for neceu as contas dos bancos e a nossa unidade de cr ime do colar inho br anco r ecuper ou o dinheir o; não tivemos motivos par a acr editar que ele tivesse escondido infor mações.

– Acha que ele mentiu?

– Ele er a um patife maldito, clar o que poder ia ter mentido. O nosso melhor pessoal var r eu o sistema de computador es da Empr eendimentos Tr ask, mas não encontr ou nada de útil. Por ém é bem possível que Adam Scott tivesse encontr ado um modo de esconder infor mações úteis. Ele er a br ilhante. Um assassino psicopata, mas br ilhante mesmo assim.

Noah acr escentou:

– Se Mor ton estava tentando r ecr iar a empr esa de Scott, ele pode ter usado uma lista de clientes como for ma de conseguir dinheir o.

– O que você acha que Mallor y far ia com tal lista? – Dillon per guntou. – Deve haver milhar es de nomes. Ele não pode matar todas essas pessoas.

– Não, mas pode tr ansfor mar a vida delas em um infer no – Kate disse. – Identidade r oubada, destr uição de r eputações.

– Chantagem – Noah disse. – Ger ir um gr upo de vingador es não deve ser nada bar ato. Talvez ele estivesse pr ocur ando nomes específicos.

Hans concor dou, mas disse:

– O dinheir o é um benefício secundár io. Isto se tr ata de castigo. Se chantagem fazia par te do jogo, eles não ficar iam com o dinheir o. Eles o usar iam na ex pansão do PMC ou doar iam par a outr os gr upos de dir eitos das vítimas ou pr ogr amas inter nacionais de apr eensão de fugitivos; justiça pr oativa.

– Estamos investigando as finanças do PMC e compar ando as contas com os r elatór ios financeir os não lucr ativos – Noah infor mou. – Vou pedir a alguém da divisão de Cr imes Administr ativos par a dar uma olhada depois que tiver mos tudo – fez um sinal par a Kate e par a Hans. – Estou pr onto.

Vamos?

– Vou só obser var por enquanto – Hans disse. – Acho que ele vai ficar na defensiva se vir um psicólogo na sala. Ele sabe que estamos aqui, mas, se não nos vir, vai par ecer que vocês são tr ês agentes, iguais, conver sando sobr e um incidente infeliz. Eu ir ei se for necessár io – ele olhou r apidamente par a Stockton, que assentiu.

Noah e Kate entr ar am na sala de inter r ogatór io. Mallor y estava sentado emper tigado na cadeir a, as per nas algemadas, mas as mãos estavam livr es, apoiadas no tampo da mesa. Um copo de água intocado estava diante dele. Ele par ecia quase ser eno e sor r iu quando viu Kate.

– O casamento lhe fez bem, Kate – ele disse. – Estou contente de vê-la feliz.

– Este é o r osto de uma pessoa feliz, Mick? – Kate per guntou.

– Na ver dade é sim. Vejo isso no seu olhar. Não impor ta o que ou quem você tenha de enfr entar, você tem alguém à sua esper a em casa. Estou muito contente por você.

Kate emitiu um suspir o ex asper ado.

– Este é o agente especial Noah Ar mstr ong.

Mick assentiu na dir eção de Noah, mas disse par a Kate: – Nunca, por ém, eu a imaginei como instr utor a em Quantico. Você sempr e foi ativa, sempr e se movimentando. Sentar -se em uma sala de aula deve enlouquecê-la.

– Não estamos aqui par a jogar conver sa for a, Mick. Vamos dir eto ao ponto. Este caso é de Noah; ser ia de gr ande ajuda se você r espondesse às nossas per guntas. Sem discussões; você já sabe que vai par a a pr isão.

Situação confor tável também, já que o caso é feder al, e você, um policial, ter á uma bela cela par ticular .

Mick balançou a cabeça.

– Eu jamais sobr eviver ia em uma pr isão.

– Os guar das o consider ar ão um her ói. Eles não per mitir ão que ninguém o toque.

– Não foi isso o que eu quis dizer .

Noah abr iu o bloco de anotações e pôs fim à conver sa fiada.

– Estamos ex ecutando um mandado de busca em sua casa, no seu apar tamento em D.C., no PMC, e tr azendo Fr ances Buckley enquanto estamos aqui conver sando. Tenho dois agentes seguindo Biggler. Quem você acha que vai ceder pr imeir o?

Mallor y não disse nada.

Noah pr osseguiu:

– Temos pr ovas suficientes par a detê-lo. A simples posse de ar ma de fogo basta.

Mallor y sor r iu.

– Qualquer advogado que valha metade do que r ecebe consegue jogar tudo isso pelos ar es. Por que vocês não têm nada além de pr ovas cir cunstanciais. Eu sei disso. Você sabe disso. Rogan par ar na minha casa é uma coisa, afinal ele é um investigador par ticular. Mas quer Kate soubesse ou não que o mar ido dela e Rogan estavam na minha casa não impor ta por que nenhum juiz vai acr editar que um consultor par ticular do FBI não sabia o que estava fazendo.

– Montamos um r elatór io com todos os cr iminosos em violação de condicional atr avés do pr ogr ama do PMC e daqueles que for am assassinados.

– Fascinante.

– Pr enter é aquele que r evelou tudo. Você ter ia se safado no caso de Mor ton. A menos que o ex ame de balística bata com uma das suas ar mas, mas acho que você é esper to demais par a isso.

Mallor y sor r iu e balançou a cabeça, como se tivesse um segr edo.

– Mas Pr enter... Foi Lucy Kincaid quem descobr iu tudo – Noah ex plicou.

– Isso não é ir ônico? Depois de ler a notícia da mor te de Pr enter, ela passou o fim de semana inteir o juntando dados de todos os cr iminosos com quem ela conver sou on-line. O seu pessoal não pegou o celular dele, onde havia uma mensagem par tindo da conta dela, uma que ela não enviou, mandando-o par a o Clube 10.

Mallor y quer ia dizer alguma coisa, mas visivelmente se contr olava.

Noah deix ou o silêncio se ar r astar por mais de um minuto. Mallor y, por ém, sabia se contr olar, e Noah per cebeu que o silêncio não o far ia confessar. Alguns cr iminosos não aguentavam o silêncio, e depois de alguns minutos com Noah encar ando ou fazendo anotações, eles acabavam abr indo o bico como que aliviados.

Mallor y não er a idiota.

– Os condenados em condicional, Mor ton, Pr enter, todos eles eu consigo entender. Infer no! De vez em quando até eu quer o tomar par te de alguma r eencenação do Velho Oeste. Você deve estar pensando que nenhum júr i o condenar ia à pena de mor te por você ter matado estupr ador es e molestador es infantis. Pr enter ? Esse talvez seja mais difícil, afinal ele er a um estudante univer sitár io que usava dr ogas de estupr o. Mas um bom advogado, e suspeito que o gover no não queir a que isso vá par ar nos tr ibunais, pr ovavelmente far ia um acor do for a da cor te, por que, veja bem, quem de nós quer ter os holofotes mir ando as falhas do sistema judiciár io? Ou uma sér ie de imitador es dos vingador es? – Noah continuou: – Mas há casos civis. Mesmo que não seja condenado, você ainda ter á a r ica família de Pr enter pr ocessando-o por todas as infor mações sór didas e pelo pouco dinheir o que talvez você ainda tenha. Você quer ia pr oteger Lucy?

Você só a tr ansfor mou em uma estr ela de novo.

– Besteir a.

– O que você acha que a impr ensa vai escr ever quando descobr ir que o estupr ador de Lucy foi uma das vítimas de um gr upo de vingador es que ela, sem saber, ajudava? O passado dela voltar á par a a pr imeir a página e isso é culpa sua. Podemos fazer isto de qualquer modo, mas, caso você pense um pouco em Lucy e no quanto ela vai sofr er de novo, então você vai falar comigo.

Mallor y cer r ou os punhos.

– Quer o falar com Lucy.

– Nunca – Kate r espondeu.

– Você quer saber tudo? Eu conto par a Lucy. Não tenho mais nada a dizer par a vocês dois – Mallor y se r ecostou e cr uzou os br aços.

Depois de vár ios minutos tentando fazê-lo falar, mas r ecebendo somente silêncio, Noah e Kate saír am da sala. Assim que fechou a por ta, Noah disse:

– Dr oga, isso não cor r eu muito bem.

Hans balançou a cabeça.

– Foi br ilhante. Per feito. Vamos ligar par a Lucy.

– Não! – Kate ex clamou. E olhou pela sala. – Onde está Dillon?

– Numa ligação – Hans r espondeu. – Kate, ele vai con tar tudo o que sabe par a Lucy. Ele quer se ex plicar par a ela, justificar -se. Ele quer o per dão de Lucy.

– Não vou fazê-la passar por isso.

– Kate, essa é a única saída.

– Também não gosto dessa ideia, – Rick Stockton disse a Kate – mas concor do com o doutor Vigo – olhou par a o r elógio de pulso. – Pr eciso ir falar com o dir etor. Me infor me o que acontecer com a senhor ita Kincaid – saiu da sala enquanto Dillon voltava.

O r osto do psiquiatr a estava pálido.

– O que aconteceu? – Kate per guntou, indo par a o lado dele.

– Cody Lor enzo está mor to. Havia um bilhete suicida, mas a polícia está desconfiada – fitou Mallor y pelo vidr o espelhado. – Cody estava investigando o homicídio de Pr enter .

– Acha que ele encontr ou alguma coisa? – Kate per guntou. – E que Mallor y o tenha matado?

– Não acho que Mallor y matar ia um policial – Dillon disse abalado.

– Talvez ele tenha descober to que Cody estava per seguindo Lucy – Hans suger iu. – Ele a estava pr otegendo.

– Hans, não quer o mais ouvir essa histór ia de Mallor y estar “pr otegendo” Lucy! Ele é um bastar do manipulador que está se fazendo de Deus, mesmo agor a! – Kate estava fur iosa.

Hans per guntou a Dillon:

– Você disse que a polícia está cética quanto a Lor enzo ter se matado?

– Havia um bilhete suicida junto ao cor po de Cody, mas há er r os nele, r efer ências ao pai que faleceu há vár ios anos, por ex emplo. Estão ver ificando com o especialista em caligr afia agor a. Quando Sean foi pegar Lucy, ele os convenceu a mandar o bilhete dir eto par a a sede do FBI par a análise, e eles concor dar am.

Kate disse par a Dillon:

– Mallor y não vai mais dizer nada. Ele quer falar com Lucy.

Todos se voltar am par a Dillon. Quando ele não disse nada de pr onto, Kate ex clamou:

– Não pode estar pensando em deix á-la falar com ele!

– Lucy é adulta – Dillon disse com voz emocionada. Olhou par a Mallor y pelo vidr o espelhado. – É ela quem tem que tomar essa decisão. Não nós.

*

Sean se condoía ao ver Lucy tão r etr aída. Até ele estacionar na sua gar agem, ela passou do chor o a um completo estado de tor por, os imensos olhos castanhos cheios de angústia. Ele far ia qualquer coisa par a estancar aquela dor .

Ele acomodou-a no sofá na sala de estar, depois se sentou ao lado dela, segur ando-lhe as mãos.

– Lucy, posso tr azer alguma coisa par a você?

Ela balançou a cabeça, mas o fitou com os olhos bor r ados.

– Pode me abr açar ?

Sean pegou-a no colo e acalentou-a. Ela não dever ia ter de pedir. Ele dever ia saber que ela pr ecisava ser abr açada, se sentir segur a quando tudo ao seu r edor r uía.

Uma ir a r ar a e intensa queimava em seu peito, dir ecionada ao bastar do que estava na sede do FBI naquele instante. Mallor y pr ecipitou aquela sucessão de eventos. Iniciou-a ao se tor nar um vingador . E tudo pelo quê? Por causa da sua maldita “culpa” por não ter defendido Lucy há seis anos?

A ir a er a uma novidade par a Sean, que não conseguia ex plicar a fúr ia que o dilacer ava ao meio. A necessidade intensa de pr oteger Lucy daquela dor se digladiava com uma ânsia quase pr imitiva de sur r ar Mick Mallor y.

Justiça vingativa par ecia-lhe uma boa coisa naquele instante.

– Sean?

Ele beijou-a na testa.

– Quer alguma coisa? É só me dizer .

– Você está br avo.

– Não, não estou.

– Consigo sentir a sua r aiva – ela pôs a mão no peito dele e pendeu a cabeça par a tr ás par a fitá-lo. – Sinto muito por tê-lo colocado no meio disto tudo.

– Não – ele beijou-a com avidez, com as mãos espalmadas nas costas dela. – Não pense – ele beijou-a outr a e outr a vez, sem se deliciar com a doçur a dos lábios, mas em um gesto de posse. As mãos subir am, tocando o r osto suave, mar cado por lágr imas. E ele continuou a beijá-la, detestando que a sua r aiva, tanto par a com Mallor y quanto par a com Cody Lor enzo, a tivesse afetado. – Não se desculpe – ele disse, os lábios r esvalando nos dela.

– Não me diga que lamenta qualquer coisa – beijou-a nas faces, no queix o, no pescoço, na or elha. O gosto dela er a doce e salgado, e ela usava um per fume sutil e flor al, algo suave como a pr imaver a e tão belo quanto. Ele sussur r ou no ouvido dela: – Eu estou aqui, Lucy, e não vou a par te alguma.

Os br aços dela segur ar am-no fir me pelo pescoço e ela vir ou o r osto par a poder beijá-lo.

– Eu andei tão per dida – sussur r ou.

O peito dele ficou aper tado. O fato de ela se sentir per dida e só, per tencendo a uma gr ande família que a amava tanto, er a o testemunho de que ela ainda mantinha as ver dadeir as emoções tr ancadas.

O telefone vibr ou na mesinha diante deles e Sean quis ignor á-lo. Deu uma olhada no identificador de chamadas e entr egou o apar elho par a Lucy.

– É o Dillon.

– Alô? – ela disse.

Sean podia dizer pelo modo como o cor po dela começou a tr emer que a notícia er a r uim.

– Estar ei aí em uma hor a – ela desligou e disse: – Mallor y quer falar comigo.

Sean balançava a cabeça enquanto ela falava.

– Não. Não!

– Ele vai me contar a ver dade. Ele pr ometeu.

– O homem está louco! Você sabia que ele tinha uma foto sua na casa dele? Bem ao lado da foto da esposa e do filho mor tos?

Lucy r ecuou, e Sean esfr egou os br aços dela.

– Desculpe, eu não dever ia ter contado isso.

– Você não me contou que entr ou na casa dele.

– Dillon e eu fomos par a Her ndon e eu vasculhei o lugar. Eu sabia que ele estava vigiando, senti isso, por isso esper ei até ele apar ecer, depois o pr endi. Mas... – ele hesitou.

– E?

– Saí de lá antes de a polícia chegar. Dillon não contou par a ninguém que eu também estava lá.

– Eles devem saber .

– Pr ovavelmente, mas agor a o que impor ta é você. O homem er a obcecado por você. Talvez não de maneir a sex ual, mas isso é er r ado.

– Sean, pr eciso que isso ter mine. Tenho de fazer isso.

Ela tinha r azão, clar o, mas Sean não a soltou. Ela subiu no colo dele e abr açou-o com for ça. Lentamente, Lucy começou a r elax ar nos br aços dele.

– Eu quer ia poder mantê-la aqui, segur a, par a sempr e – Sean sussur r ou.

– Esconder -se não é a r esposta. Posso fazer isso, Sean. Mick Mallor y não pode me machucar .

– Você é incr ível, Lucy. Nunca conheci ninguém mais valente do que você.

Ela apoiou a testa na dele.

– Não sou, não. Só não posso ficar em um canto, temendo as sombr as e os bar ulhos das escadas pelo r esto da minha vida. Tomei essa decisão há seis anos. Mallor y não vai mudar isso.

Lucy er a a epítome da cor agem, mas Sean não r epetiu o óbvio.

– Vou lavar o r osto, – ela disse – e depois podemos ir. Estou aliviada por isso tudo ter minar hoje.

TRINTA E DOIS

– Você não tem que falar com ele – Kate disse assim que viu Lucy.

Lucy admir ou Kate no instante em que a conheceu, por muito mais motivos que ela já tivesse r evelado à cunhada. O pr incipal motivo, por ém, er a o fato de Kate enfr entar a maldade e lutar pelo que consider ava cer to, que ela conseguisse deix ar a dor e a r aiva de lado par a fazer a coisa cer ta e m qualquer circun s tân cia, mesmo colocando em r isco a vida pessoal ou pr ofissional.

Lucy abr açou Kate espontaneamente; nenhuma das duas er a de demonstr ar afeto fisicamente e o gesto sur pr eendeu a ambas.

– Eu te amo, Kate. Acho que nunca disse isso par a você.

Lucy r etr ocedeu um passo, e Sean tomou a mão dela. Ele havia aceitado a sua decisão de conver sar com Mallor y, mesmo não estando muito satisfeito com isso.

Lucy obser vou Mick Mallor y pelo vidr o espelhado. Ele se sentava r ígido, mesmo tendo se passado vár ias hor as. As mãos estavam apoiadas na mesa, os pés, pr esos por algemas.

Ele er a muito mais velho do que ela se lembr ava. Mas ela não se lembr ava dele ex atamente. Ela o tinha bloqueado na mente, assim como bloqueou tudo o que acontecer a na ilha.

Só havia duas coisas de que ela se lembr ava vividamente: de quando Dillon a levantar a do chão imundo do chalé e lhe der a a camiseta par a se cobr ir , e de ter atir ado em Adam Scott dois dias mais tar de.

Todo o r esto er a um bor r ão escur o, e er a assim que ela pr efer ia que fosse.

No entanto, ela r econhecer ia Mick Mallor y se o visse na r ua. O fato de ele estar mor ando tão per to, em Her ndon, par ecia sur r eal. Ela não o odiava, e isso a sur pr eendia.

Ele não a tinha estupr ado.

M as as s is tiu.

Ele desculpou-se.

M as n ão fez n ada en quan to os outros a machucavam.

Ele quase mor r eu por ter passado infor mações par a Kate.

Ele pode ter matado Cody.

Lucy ser ia capaz de per doar o passado, na medida em que se apegar à r aiva e à dor só destr uir ia suas chances de ter uma vida nor mal. Mas e se Mallor y tivesse matado Cody por sua causa? Só por que ela havia pedido a Cody que investigasse a mor te de Pr enter ?

Talvez tivesse sido melhor se ela tivesse olhado par a o outr o lado. Se tivesse ignor ado suas suspeitas. Pr enter er a um estupr ador. Cr uel, sádico, ele pouco se impor tava com as mulher es que fer ia, dr ogava-as par a que elas não se lembr assem, não pudessem testemunhar. Dr ogava-as até ficar em em coma... Er a melhor que ele estivesse mor to. Ela não tinha r emor sos por ele ter desapar ecido da face da Ter r a. Nenhuma culpa.

Nenhuma lamentação. Nenhuma empatia.

Isso a tor nava tão fr ia e calculista quanto Mick Mallor y?

E mesmo assim ela jamais ter ia matado Pr enter. Jamais ter ia matado nenhum daqueles homens, a menos que r epr esentassem uma ameaça dir eta. Ela nunca pensou nisso... Mas pensou em matar Adam Scott. Não só pensou, como pegou uma ar ma do cofr e do pai, caminhou tr ês quar teir ões até a casa de Dillon e atir ou no bastar do que a havia sequestr ado. Seis vezes. Ela se lembr ava clar amente como se tivesse atir ado ainda ontem, ainda sentia o coice da ar ma de quando pux ou o gatilho.

Talvez ela fosse mais par ecida com Mick Mallor y do que pensava. Mais par ecida do que quer ia ser .

Cody estava mor to e ainda que ele a estivesse per seguindo, ele não er a nenhum sequestr ador, nem estupr ador. Ser á que ele tinha encontr ado alguma coisa que incr iminasse Mallor y? Se fosse assim, a mor te dele tinha sido em vão; o FBI havia encontr ado a ligação com Mallor y hor as depois de Cody ter sido assassinado.

Mas se Cody cometeu suicídio, então ele o fez por causa dela. Ela sabia, intelectualmente, que se Cody estivesse per tur bado o bastante par a tir ar a pr ópr ia vida, ele devia ter sér ios pr oblemas. Mas em seu cor ação, ela não conseguia deix ar de pensar no modo que o havia tr atado no dia anter ior, na sua inabilidade de amá-lo como ele desejava, na r ecusa ao pedido de casamento no ano anter ior, e que, de algum modo, tudo isso o tivesse tr ansfor mado em um suicida.

Ela não sabia se conseguir ia enfr entar aquele tipo de situação diar iamente como agente do FBI.

Bem baix o, ela per guntou:

– Sabe se já deter minar am a causa da mor te de Cody? Suicídio ou homicídio?

Noah r espondeu:

– A polícia de D.C. deu acesso ir r estr ito ao nosso pessoal. Temos os nossos melhor es investigador es for enses tr abalhando nas pr ovas. Nossa equipe também está tr abalhando em conjunto com a polícia par a encontr ar alguma testemunha. Estamos entr evistando todos com quem o policial Lor enzo possa ter mantido contato nas últimas 72 hor as. Ter emos uma r esposta, mas não podemos nos apr essar .

Lucy disse:

– Estou pr onta.

Noah foi na dir eção da por ta junto com ela, mas Lucy balançou a cabeça.

– Pr eciso falar com ele sozinha.

– Não, de jeito nenhum – Sean inter veio.

Ela aper tou a mão dele.

– Eu estou bem.

Noah concor dou com Sean.

– Não vou colocá-la em uma sala sozinha com um assassino. Ele pr ometeu dizer tudo a você, mas não disse nada a r espeito de estar em sozinhos. Não concor damos com isso.

Hans suger iu:

– Kate pode ficar com eles. Mallor y e ela têm uma histór ia em comum.

Ele pode ser mais fr anco com Kate na sala, Noah.

Ex asper ado, Noah passou a mão pelos cabelos.

– Está bem.

Hans vir ou-se par a Lucy.

– Tenho cer teza de que sabe o que dizer, mas ele pr ometeu uma confissão completa se você falasse com ele, por tanto, ar r anque tudo o que puder. Além disso, temos algumas per guntas a fazer : por que Rober t Ralston foi par a Seattle? Por que ele esper ou que Mor ton estivesse em D.C.

par a matá-lo? Confir me como eles selecionavam as vítimas, o motivo de Ralston ser assassinado. Ralston estava tr abalhando com Mor ton ou sozinho?

Lucy r espir ou fundo.

– E por que ele matou Cody...

Hans assentiu.

– No instante em que se sentir pouco à vontade, você pode sair. Não pr ecisa ficar . Se pr ecisar , saia alguns minutos.

Ela concor dou.

– Far ei o que puder .

Sean voltou-se par a ela.

– Estar ei bem aqui.

Ela lançou um sor r iso esper ando que não fosse tão fr ágil como ela imaginava, depois entr ou na sala de inter r ogatór ios atr ás de Kate.

Dizer que Mick Mallor y se iluminou quando a viu er a dizer pouco. Ele se sentou mais r eto. Não chegou a sor r ir, mas entr eabr iu a boca no que par ecia um sinal de mar avilha. Lucy pensou em dar meia volta e deix ar que Sean a levasse par a casa. Ela não quer ia ficar no mesmo cômodo que aquele homem.

Mas não havia como voltar. Ter ia de enfr entar Mallor y e obter todas as r espostas de que pr ecisavam. As r espostas que ela pr ecisava.

Sentou-se. Kate acomodou-se ao seu lado. Lucy não desviou o olhar do r osto de Mallor y.

– Você quer ia falar comigo.

– Obr igado.

Ela balançou a cabeça.

– Vim par a cá par a que você confesse. Quer o a ver dade. “A ver dade o liber tar á.” – ela intencionalmente citou as palavr as no bilhete falso de suicídio de Cody.

Mallor y assentiu, sem r ecuar nem demonstr ar nenhuma r eação. Ele er a fr io. Mais fr io do que ela se lembr ava.

– Eu sinto muito – ele disse baix o.

– Não quer o as suas desculpas. Quer o a ver dade. Comece pelo motivo que o levou a ter uma foto minha em sua casa – ela não pr etendia começar por essa par te, mas a mente dela ficou completamente em br anco assim que o viu.

Continuar: parte 13 de 17