Se eu Morrer Antes de Você

Allison Brennan · Capítulo 1 de 1 · parte 5/17

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Se eu Morrer Antes de Você

1. Um

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 17 partes.

Kate pux ou uma cadeir a e sentou-se ao lado dela.

– Lucy, não vou per mitir que seu nome apar eça. Se qualquer coisa naqueles ar quivos estiver r elacionada a você, vou cuidar do caso.

Lucy sabia ex atamente a que ela se r efer ia. Há anos ela sabia, ainda que ninguém da família tocasse no assunto, que Kate enviava vír us par a ser vidor es de computador es que tivessem cópias digitais da agr essão a Lucy. Ela r odava um pr ogr ama que encontr ava e identificava o ar quivo, baseado no tamanho, no nome ou na data e quando se cer tificava de se tr atar de dados or iginais da Tr ask, ela car r egava o vír us. Embor a o vír us atacasse somente aquele ar quivo especificamente, er a algo altamente ilegal e poder ia fazer com que Kate fosse demitida e, pr ovavelmente, pr ocessada. Ninguém nunca for neceu nenhum detalhe par a Lucy e, se questionada, Lucy não poder ia r esponder ver dadeir amente se sabia o que Kate fazia.

Não foi o r isco que Kate cor r ia que fez Lucy ficar tensa; foi a r epentina compr eensão de que aquilo nunca ter minar ia. Que o estupr o voltar ia à tona a qualquer momento, não só em seus pensamentos e pesadelos, mas publicamente, na inter net. E cada vez que isso acontecia, ela ficava mais dessensibilizada par a a pr ópr ia dor e sofr imento. Como se aquela gar ota não fosse ela, e ela não tivesse passado por aquilo. Suas emoções já er am r epr imidas em quase tudo o que fazia. Há muito tempo Kate disser a-lhe que aquilo se tr atava de compar timentalização, algo que a maior ia dos policiais fazia quanto confr ontado com alguma tr agédia ou caso que fosse emocionalmente per tur bador. Homicídio de cr ianças, um cr ime violento e br utal, inúmer as coisas que er am difíceis de pr ocessar sem per der o contr ole. E Lucy fez a mesma coisa ao conseguir se separ ar do seu sequestr o e estupr o.

No entanto, a falta de emoções tr anscendeu par a outr os aspectos de sua vida. Ela acabou se distanciando emocionalmente dos seus r elacionamentos, das amizades, e até mesmo da família por um bom tempo. O maior pr oblema em seu r elacionamento com Cody foi que ela não s en tia nada. Ela gostava de ficar com ele, gostava dele, mas não s en tia nada em seu íntimo: nem amor , pr azer ou compr ometimento. Er a como se ela fosse uma mar ionete agindo e r eagindo do modo que ela consider ava esper ado, mas vendo-se de longe, como uma dir etor a, sem conseguir vivenciar e apr oveitar de fato a vida.

– Lucy? – Kate esticou a mão, mas não a tocou.

– Quer o ajudar – ela disse. – Posso r epassar os ar quivos com você. Sei como isso funciona, eu posso...

Kate balançava a cabeça.

– Não.

– Maldição, par e de tentar me pr oteger !

– Não sou eu quem decide. Meus ser viços limitam-se ao computador de Mor ton e aos ar quivos digitais. Noah Ar mstr ong é o agente encar r egado e eu não vou pedir nada, senão ele me tir a do caso e eu não ter ei acesso às infor mações. E você ainda não é uma agente, Lucy. Eu me r ecuso a pôr em r isco as suas chances.

– Não me impor to – Lucy disse, sabendo que não er a ver dade.

Importava-s e s im em ser aceita pelo FBI. – Algumas coisas são mais impor tantes.

Kate sor r iu.

– Lucy, você é boa no r astr eamento de infor mações em computador es, boa mesmo, mas eu ainda sou melhor .

Kate estava tentando aliviar a conver sa.

– Sinto-me inútil.

– Você é a pessoa menos inútil que conheço. Além de mim – Kate disse.

Lucy suspir ou.

– Eu entendo. Mas, por favor, Kate, pr ometa-me uma coisa; isso é impor tante – quer ia que ela soubesse que estava falando sér io de ver dade.

– Se eu puder .

– Não tente me pr oteger mais. Quer o saber tudo o que você descobr ir sobr e a oper ação de Mor ton. A menos que esteja dir etamente r elacionado à segur ança nacional e você for julgada por tr aição se falar comigo a r espeito, eu quer o saber . Especialmente se for a meu r espeito.

Lucy viu o conflito no olhar de Kate.

– Já estou bem cr escidinha, Kate. Já enfr entei muito pior ao vivo.

Notícias r uins não vão me destr uir. Não me pr oteja da ver dade por que, em longo pr azo, isso atingir á a nós duas.

*

Depois que Kate saiu, Lucy ar mou o alar me de segur ança e foi par a o quar to ver ificar suas mensagens. Especificamente alguma mensagem par a Tanya. Ainda não entendia por que Pr enter não havia apar ecido.

Não havia nenhuma mensagem.

Ela pux ou todas as tr anscr ições das conver sas que teve com ele e r evisou-as. E se, inadver tidamente, tivesse soado como uma policial? Ela não tinha distintivo, não er a da polícia local nem feder al, mas por conta do seu tr einamento ex tensivo com Fr an, ela tinha mentalidade de policial.

Nada do que leu, mesmo cr iticamente, a fez par ecer outr a pessoa que não aquela que fingia ser .

Talvez ele tivesse alguma emer gência familiar for a da cidade e não se pr eocupou em cancelar o encontr o com uma gar ota que só conhecia vir tualmente?

Ela estava r eagindo além do nor mal a r espeito de tudo. Er a essa a situação com Mor ton.

Tomou banho e desceu par a pr epar ar alguma coisa par a comer. Não sentia fome, mas estava com uma dor de cabeça que lhe dizia que er a por falta de comida.

Deu uma olhada dentr o da geladeir a, depois na despensa. Nada lhe apeteceu. Pegou uma banana da fr uteir a e só havia dado uma mor dida quando o telefone tocou.

Er a Cody.

– Oi – ela disse r ápido, ter minando de engolir .

– Fr an me disse que você conver sou com ela a r espeito de Pr enter .

– Que ele não apar eceu?

– Não sei o que aconteceu, mas Angel estava comigo. Ela estava lá dentr o, eu do lado de for a. Ficamos lá por duas hor as. Nenhum sinal dele.

– Ele o viu?

– Não, ele nem apar eceu. Lamento, Lucy.

– Não mandei mensagem ontem cancelando o encontr o. Acabei de ver ificar hoje e ele não entr ou em contato. Talvez ele teve uma emer gência familiar ou, quem sabe, uma ofer ta melhor – acr escentou de br incadeir a.

– Acho que ele deduziu que Tanya er a policial. Pr edador es sex uais far ejam a polícia, ainda mais os esper tos como Pr enter .

Lucy não acr editava nisso, mas não se sur pr eendeu que Cody pensasse como Fr an.

– Ele não pensou que eu fosse policial.

Cody deu um suspir o alto.

– Ele não apar eceu, nem entr ou em contato com você. Isso já aconteceu antes. Não é a pr imeir a vez. Levando-se em conta os sucessos que teve nos últimos anos, estou até sur pr eso. Mas não é incomum.

Ela achou que Cody podia ter r azão, houve diver sos cr iminosos em condicional que nunca apar ecer am, e Pr enter não er a o pr imeir o, mas com os outr os ela não teve a mesma sensação que teve com Pr enter. Ela tinha cer teza absoluta de tê-lo fisgado.

Pr enter a incomodava mais do que os outr os pr esos em condicional.

Outr os tiver am mais vítimas, ou for am mais violentos, mas Pr enter er a um univer sitár io bonito que usava a apar ência e o dinheir o par a tir ar vantagem. Ele não se par ecia com um pr edador. Par ecia um r apaz nor mal.

Mas pior do que sua apar ência enganosa, er a a sua negligência com as mulher es que dr ogava. Isso er a comum a todos os estupr ador es, mas ele não demonstr ou r emor so algum, nenhuma empatia pela gar ota que deix ou em coma depois de ter lhe dado uma over dose. Ele negou, nunca foi condenado por esse cr ime, mas as pr ovas estavam lá, só não haviam sido levadas em consider ação. Ele nem mesmo fingiu que se impor tava com o destino dela. Tudo o que impor tava er a ele mesmo, o tempo todo. Ele acr editava que o dinheir o o livr ar ia da pr isão. E até Sar a Tyson testemunhar , er a isso o que acontecer ia.

Lucy quer ia que ele voltasse par a a pr isão de todo jeito. Par a que a justiça fosse feita no caso da gar ota que já não podia se defender .

– Lucy? – Cody chamou. – Ainda está aí?

– Eu não deix ei passar nenhuma dica.

– Não estou te acusando. Vamos mandá-lo de volta par a a pr isão. Vou encontr ar um modo.

– Antes ou depois que ele estupr e outr a mulher ? – ela r ebateu.

Imediatamente per cebeu que aquilo er a injusto. Cody tinha tr abalhado como voluntár io no PMC por incontáveis hor as, muito depois de o seu tur no acabar. – Desculpe. Não quis par ecer uma meger a. Só estou fr ustr ada, mas isso não é sua culpa.

– Você nunca é uma meger a, Lucy. Entendo como se sente. Pr enter pr estar á contas com a justiça novamente. Não vou deix ar isso passar. Mas você pr ecisa se afastar. Se ele não entr ar em contato logo, saber emos que ele desconfiou da ar madilha. Mas ele não sabe quem você é. Eu jamais deix ar ia que você fizesse isso se sua identidade r eal pudesse ser r evelada.

– Não estou pr eocupada com isso – e não estava mesmo. Ela tinha um númer o de pr otocolos de segur ança em seu computador pessoal suficiente par a r ivalizar com qualquer um do FBI, gr aças a Kate. Nada er a totalmente segur o, mas mesmo que Pr enter fosse um hacker com habilidades ex tr aor dinár ias par a r astr eá-la por meio das mensagens de Tanya, ele só chegar ia ao PMC, não a ela especificamente.

– Acho que você deve se afastar , deix e que eu cuido disso.

Lucy não sabia se ser ia capaz, por isso nada disse.

– Você vai à ar r ecadação de fundos amanhã, cer to? – Cody per guntou.

– Fr an ar r ancar ia a minha cabeça se eu não fosse. Vejo você lá – ela desligou antes que Cody pedisse par a acompanhá-la. Ela tinha planejado ir com Patr ick, mas já que ele estava for a da cidade, pegar ia um táx i por que não gostava de dir igir com gelo e neve.

Ter minou de comer a banana e tomou um copo de leite. Dificilmente aquilo ser ia uma r efeição completa, mas ela não conseguir ia comer mais.

Estava se coçando de vontade de mandar uma mensagem par a Pr enter, por ém talvez Cody estivesse cer to. Esper ar ia o fim de semana par a que ele a pr ocur asse. Se ele o fizesse, ela se passar ia por uma gar ota ofendida, por que falar ia com alguém que a deix ou plantada?

Ela tinha outr as coisas mais impor tantes com que se pr eocupar além de Pr enter. Quer ia que Kate a tivesse deix ado ajudar com os ar quivos de Mor ton, por que ser pr oativa a far ia esquecer, nem que fosse momentaneamente, que estava no limbo. Não tinha um empr ego de ver dade, apenas um estágio no IML. Estava esper ando que a bur ocr acia lenta lhe concedesse uma entr evista, o passo seguinte no longo pr ocesso de admissão do FBI. Quanto mais ficasse sentada sem fazer nada substancial, mais per cebia o quanto se sentia só. Mesmo com a família, com os amigos, com o estágio e o tr abalho voluntár io, Lucy sentia-se muito sozinha.

*

Sean r esolveu no último instante ver como Lucy estava e contar -lhe seus planos. Er a mentir a, supôs, por que ela esteve em sua cabeça a tar de inteir a e par ar lá par eceu-lhe inevitável.

Ela atendeu à por ta em calças de moletom e uma camiseta gasta da Geor getow n, com o buldogue mascote pr oeminente. O cabelo estava úmido e pr eso de leve, com as pontas sobr e o ombr o.

– Sean? – a sur pr esa ficou evidente no tom de voz dela.

– Posso entr ar um instante?

– Clar o – ela fechou a por ta depois que ele entr ou. Não nevou o dia inteir o, mas sem o sol, a temper atur a caír a muito, sem falar que nem o sol de antes tinha esquentado.

– Kate está?

– Não. Quer ia falar com ela?

Sean não sabia se er a a sua imaginação, mas acr editou ter ouvido uma pontada de desapontamento na voz de Lucy.

– Vim falar com você.

Lucy fez uma ex pr essão tão pesada que Sean pr aticamente viu um véu encobr ir -lhe as feições. Ela caminhava pelo cor r edor na dir eção da sala de jantar , mas Sean disse:

– Vamos par a a sala de estar . É um pouco mais confor tável, não acha?

Ela deu de ombr os, mas o seguiu. Ele tinha ido até aquela casa duas vezes com Patr ick. Ela er a mais for mal do que a casa da RCK, embor a a sala de estar fosse mais confor tável e bem usada.

Lucy sentou-se de per nas cr uzadas na poltr ona mais pr óx ima da lar eir a, que não er a aber ta como a da RCK, mas funcional, desenhada mer amente par a aquecer a casa.

– Bem, acho que temos de comemor ar – Sean disse ao se sentar no sofá – mas esqueci de tr azer champanhe.

– Comemor ar ?

– Consegui me livr ar de uma multa por ex cesso de velocidade.

Ele deu um sor r iso amplo ao qual Lucy r etr ibuiu de leve.

– É mesmo?

– É, o policial foi dur o, mas isso só se mostr ou um novo desafio.

– Como conseguiu?

– Com meu char me e astúcia.

Ela r iu e cobr iu a boca com a mão, como se isso a tivesse pegado despr evenida.

– Não posso r evelar todos os meus segr edos – Sean disse. – Mas quer o lhe falar sobr e uma coisa.

O tom dele, embor a Sean tivesse tentado manter leve, o denunciou, e o bom humor de Lucy logo desapar eceu. Ela er a ex cepcionalmente per ceptiva, mesmo ao mais leve dos sinais. Er a algo ener vante, e Sean quase não contou o que estava apr ontando. No entanto a família dela já a tinha mantido no escur o todos aqueles anos, ele não começar ia aquela amizade, aquele relacion amen to, com ilusões.

– Patr ick me ligou de manhã e quer ia voltar, mas eu o convenci a ficar na Califór nia e ter minar o tr abalho.

Lucy esfr egou o pescoço.

– Conver sei com ele ontem à noite e falei par a ele não vir, que estou bem. Mor ton está mor to, não pode me atingir .

Fis icamen te foi a palavr a não dita.

– Foi o que eu disse a ele, mas Patr ick está pr eocupado e me pediu par a ficar de olho em você. Quis ser fr anco sobr e isso, por que eu pr ometi a ele que o far ia.

Ela fr anziu o cenho, mas não disse nada. Sean continuou: – Uma das coisas que nos pr eocupa, com r elação à segur ança, é que não sabemos por que Mor ton veio par a D.C. Pr ovavelmente não tem nada a ver com você, mas como ele foi mor to nas pr ox imidades, e não sabemos o que ele estava apr ontando, vou investigar o homicídio; por debaix o dos panos, clar o.

Lucy devia ter ouvido mal. Sentiu o estômago ar der, o jantar leve pesando como uma bola de chumbo. Conseguia entender o pedido de Patr ick par a que Sean desse uma olhada nela. Na ver dade, isso não a incomodava em nada, mas o que isso tinha a ver com Mor ton? Por isso disse:

– Não entendi. Por quê?

Sean inclinou-se par a fr ente, apoiando os antebr aços nas cox as.

– Este é o meu tr abalho, é o que faço de melhor, Lucy, mas não quer o fazer nada pelas suas costas. Não vou inter fer ir na investigação do FBI, mas algumas das minhas investigações podem se cr uzar com as deles, e não quer o que se sur pr eenda.

Ela balançou a cabeça. Nada daquilo ter minar ia bem.

– Não posso per mitir que atraves s e o camin ho do FBI. Isso pode atr apalhar o meu pr ocesso de seleção.

– Tenho meus contatos e o FBI tem muitas r estr ições.

Talvez o pr oblema não fosse Sean mer gulhar nas águas quentes do FBI.

Talvez fosse o fato de ele cavar s ua vida e s eu passado. Ser ia inevitável, mesmo que o assassinato de Mor ton não estivesse r elacionado a ela.

Ex ceto por esse não ser o caso. Kate estava em Quantico agor a por que Mor ton esteve tentando r ecomeçar a Empr eendimentos Tr ask.

– Lucy?

– O FBI encontr ou pr ovas em Denver de que Mor ton estava r ecr iando um site de sex o – disse sem fitá-lo. – Kate está ver ificando todos os ar quivos em Quantico.

Sean não disse nada. Lucy sentiu o estômago contr air ainda mais e acr editou que fosse passar mal. Não quer ia falar sobr e isso com Sean, mas não sabia como poder ia evitar .

– Lucy – Sean segur ou as mãos dela nas dele.

Ela fitou as mãos unidas, sentiu o calor se espalhando, r elax ando-a mais do que qualquer uma das técnicas de contr ole de pânico, como se ele estivesse pux ando toda a sua tensão par a ele.

– Você não está sozinha. Kate é boa no que faz, você sabe disso. E eu também sou. Consigo encontr ar r espostas. No mínimo, pr ecisamos saber se você cor r e per igo.

– O único per igo que cor r o é o de ser humilhada e ex plor ada na inter net – ela disse amar ga.

As mãos dele envolver am as suas.

– Não vou per mitir que ninguém a ex plor e.

Ela levantou a cabeça e fitou-o. Nunca antes ele par eceu tão per igoso.

Até a noite anter ior, ele par ecia esper to e br incalhão. Inteligente, mas super ficial.

Ele tinha mais car acter ísticas do que ela supunha. O que a fez pensar se a postur a casual costumeir a não passava de uma casca de pr oteção.

– O FBI não vai deix ar este caso passar . Kate não vai per mitir .

– Concor do. Mas que mal há em eu dar minhas far ejadas? De leve.

– Só não se meta em apur os.

Nem a mim...

– Far ei o possível – ele disse, tentando par ecer casual sem conseguir. – Patr ick disse que você pr ecisa ir a um evento amanhã e que, se você não cancelar , eu tenho de acompanhá-la.

– É a ar r ecadação de fundos par a o PMC, o gr upo de dir eitos das vítimas onde pr esto tr abalho voluntár io. Você vai se abor r ecer .

– Mas você vai?

– Tenho que ir. E, honestamente, o que quer que Mor ton estivesse tr amando, mesmo que fosse me atingir, ele está mor to. Não conheço nenhum dos compar sas dele, por tanto duvido muito que alguém esteja atr ás de mim. Não há motivo.

– Concor do, mas nos dê essa satisfação, sim?

Ela assentiu, afinal, não quer ia ir sozinha.

– Ótimo. Bem, com que r oupa devo ir ?

– Social.

– E já estava eu pensando que poder ia usar meu s mokin g. Eu o compr ei par a o casamento do meu ir mão há dois anos e nunca mais o usei.

De r epente não havia nada mais que Lucy quisesse a não ser ver Sean em

um s mokin g. Ele ficava lindo vestindo qualquer coisa, mas de s mokin g... Ser ia incr ível.

– Talvez isso seja um tantinho for mal demais – Lucy disse.

– Fica par a outr a vez, então – ele sor r iu, e Lucy soube que ele se r efer ia a eles, a um novo encontr o.

Só pelo modo como ele sor r ia, a maneir a como os olhos azul-clar os r esplandeciam com tr avessur a, o modo como os dedos tambor ilavam na palma da sua mão, ela per cebeu que ele estava fler tando. Sutilmente, mas ela não tinha como não per ceber. Por isso, ficou sem fala e não conseguiu mais fitá-lo.

– Quer dir igir ou eu vou? – per guntou par a ele.

Ele fitou-a com indignação fingida.

– Eu sempr e dir ijo.

– Mesmo? – ela levantou a sobr ancelha.

– Sou homem. Você tem ir mãos, deve saber que é nosso dir eito. Isso não está no manual dos homens? Homens sempr e dir igem?

Ele disse isso tão sér io que ela não conseguiu deix ar de sor r ir .

– E se eu dir igir o seu car r o? – per guntou.

Isso atingiu-o.

– O meu car r o?

– Vai me dizer que não deix a ninguém dir igi-lo?

– Não – dessa vez ele falou sér io. – Pode ser que um dia eu a deix e dir igir , – disse com cautela – mas não amanhã.

– Vou fazer você cumpr ir essa pr omessa.

– É, foi o que pensei – ele r esmungou.

DOZE

Lucy ouviu Kate chegar bem tar de e esper ou ter a opor tunidade de discutir os ar quivos de Mor ton logo de manhã, mas enquanto tomava banho, Kate saiu, depois de ter deix ado uma mensagem de tex to no celular :

Vou passar o dia em Quantico. Nos falamos quando eu voltar. Te amo, cunhadinha.

Kate.

– Kate – Lucy balançou a cabeça, com um sor r iso mais amar go que contente nos lábios. Ela amava tanto a cunhada que isso tor nava mais difícil aceitar as mentir as. Pr ecisava encontr ar um modo de per doá-la, e a Dillon, ou não conseguir ia continuar vivendo debaix o do mesmo teto que eles. Mais do que isso, ela não quer ia que a desconfiança se tor nasse um abismo entr e eles, mas não sabia como se livr ar daquilo. Er a fácil dizer eu te perdoo, mas er a muito mais difícil sentir isso. Rezou par a que o tempo ajudasse.

Desceu as escadas e ouviu o baque do jor nal batendo na por ta da fr ente enquanto se ser via de uma x ícar a de café. Lucy r ar amente lia o jor nal impr esso, mas Dillon er a mais r etr ógr ado, mantendo a assinatur a do jor nal físico em vez de ler as notícias pelo computador como faziam Lucy e Kate. As edições anter ior es estavam empilhadas no escr itór io dele e Lucy pegou a de sábado par a juntá-la aos cinco ex emplar es que já estavam lá. Não pôde, por ém, deix ar de ler a pequena manchete no canto dir eito:

Aluno da Amer ican Univer sity assassinado em assalto Possível negociação de dr ogas fr acassada. Cotidiano B3.

Ela levou o jor nal à mesa da cozinha. Nor malmente não pr estava atenção aos cr imes r elacionados a dr ogas, mas visto que estava ligado a um aluno de uma univer sidade pr óx ima, ficou inter essada.

A histór ia er a chocante.

WASH D.C. – Em um cr ime comum demais em D.C., um estudante univer sitár io da Amer ican Univer sity foi alvejado apr ox imadamente às 21h45 na quinta-feir a, na altur a do númer o 900 da r ua T.

Br adley Har per Pr enter, 25, esteve no Clube 10 antes de ser assassinado. De acor do com a polícia local, ele saiu do bar acompanhado por uma moça por volta das 21h30. De acor do com testemunhas, um homem que apar entemente a conhecia confr ontou Pr enter no beco, mas as testemunhas, que pedir am par a ficar no anonimato, disser am que, após br eve discussão, Pr enter saiu sozinho. O homem e a moça, que a polícia pr ocur a como possíveis testemunhas, saír am na dir eção oposta. Fontes policiais não confir mar am nem negar am a declar ação das testemunhas.

Pr enter foi alvejado à queimar oupa e estava sem a car teir a quando um casal que passeava com os cachor r os o encontr ou pr óx imo ao seu car r o, um modelo novo da Por sche.

Pr enter havia sido condenado por dois cr imes sex uais em 2008 e estava sob condicional há tr ês meses, tendo saído da Instituição Cor r ecional de Mar yland em Hager stow n. Um tenente da polícia de D.C.

declar ou, com a condição de per manecer anônimo, que possíveis dr ogas for am encontr adas com o cor po.

“Nosso labor atór io está ex aminando pequenos fr ascos plásticos que for am encontr ados no falecido.”

Quando pr essionado, o policial disse que o fr asco se par ecia com o das dr ogas de estupr os, como quetamina, ecs tas y líquido ou Rohypnol.

A polícia pr ocur a qualquer testemunha que tenha visto ou falado com Pr enter no bar, ou que possa conhecer a mulher com quem ele foi visto deix ando o local. Por favor, entr e em contato com o Disque Denúncia da polícia de D.C.

Dr ogas de estupr o líquidas. Lucy ofegou; ondas, pr imeir o de calor, depois gélidas, atr avessar am seus ner vos. Sentiu a pele úmida e cambaleou ao se levantar e cor r er até o banheir o, temendo passar mal.

O estômago contr aía-se violentamente, mas ela apoiou a cabeça entr e as per nas e inalou pr ofundamente até que aquela sensação passasse.

Molhou o r osto com água fr ia e a nuca também.

Quer ia tomar banho, o desejo de esfr egar a pele er a quase insupor tável. Mas ela tinha acabado de sair do chuveir o e não ceder ia à obsessão por limpeza. Em vez disso, lavou o r osto e as mãos a ponto de os dedos ficar em ver melhos. Sentia o estômago doer e apoiou-se na bancada, or denando-se a se r ecompor .

Pr ecisava se r ecobr ar. Como poder ia se tor nar uma agente do FBI quando uma notícia de jor nal a deix ava naquele estado?

Con cen tre-s e.

Pr enter havia sido assaltado. D.C. er a uma cidade violenta. Quantos homicídios no ano passado? Dois mil? Mais do que um por dia. Um estupr o a cada dia. Os assaltos e as agr essões er am astr onômicos, dúzias, todos os dias.

Clube 10.

Por que ele estava no Clube 10 quando dever ia estar em Fair fax se encontr ando com seu ciber -ego fictício? Às 21h45, quando foi mor to, ele dever ia estar na cadeia. O que aconteceu?

Cody ter ia lhe contado se soubesse de alguma coisa, não? Ele er a policial; como poder ia não saber ?

No entanto ele não tr abalhava dir etamente com homicídios. Ele fazia r ondas, por tanto, mesmo que tivesse ouvido falar do assalto, não ter ia motivos par a per guntar a identidade da vítima.

Pr ecisava falar com ele, por ém necessitava de mais infor mações sobr e o assassinato.

Vestiu-se r apidamente e saiu. Pr ecisava de r espostas. Embor a fosse sábado, o necr otér io ainda estava aber to par a funcionár ios, e com fr equência o r elatór io da autópsia incluía uma cópia do r elatór io policial.

Por ter um plano tr açado, seu estômago acalmou-se e ela conseguiu a deter minação necessár ia par a chegar ao fim do dia.

E, apesar de seu choque, ela estava mais do que contente em ter algo mais com que se ocupar do que Roger Mor ton e o que Kate encontr ou, ou não encontr ou, no computador dele.

*

Noah Ar mstr ong não se sur pr eendeu em ver que Kate Donovan havia chegado antes do que ele em Quantico no sábado de manhã. Na noite anter ior, ela não quer ia ir embor a, mas ele a tinha convencido de que ter ia pouca ser ventia se não dor misse algumas hor as. Quando tiver am todo o mater ial tr anspor tado par a Quantico, catalogadas e pr ocessadas as pr ovas, já er am duas da manhã. Aquela não er a a hor a de apr essar as coisas. Se Mor ton tivesse mesmo um sócio e se esse sócio estivesse estabelecendo um site ilegal de por nogr afia, caso não pr eser vassem as pr ovas, algum cr etino poder ia se safar por conta de uma tecnicalidade.

Nada do que encontr assem naqueles ar quivos ser ia admissível em um julgamento se eles cometessem er r os básicos.

Kate entendia isso, ainda que se sentisse fr ustr ada.

– Quando chegou? – ele apoiou a pasta de tr abalho em uma mesinha em um dos cantos da caver na sem janelas em que Kate tr abalhava. A sala er a gr ande, mas estava tomada por eletr ônicos e computador es, alguns funcionando, outr os tomando espaço. Noah enlouquecer ia ali embaix o; Kate estava em seu ambiente.

– Às sete – ela r espondeu, fix ada na tela diante dela. A tela cor r ia com númer os e letr as em uma velocidade tão impr essionante que tor nava impossível qualquer leitur a.

– O que está fazendo?

– Quebr ando o código de Mor ton. Não é complex o; tenho um pr ogr ama que logo vai chegar nele, só faz dez minutos que está r odando. Copiei o disco pr imeir o, por isso não estou tr abalhando no or iginal par a o caso de ele ter instalado um Tr oia par a apagar os dados. Mas ele nunca foi muito esper to. Tr ask er a o cér ebr o.

– Tr ask?

– Adam Scott. Ele er a conhecido como Tr ask.

– E quanto aos discos? – Noah per guntou. – Quer que eu comece a tr abalhar neles?

– Eu coloquei Hans na por ta aqui do lado.

– Doutor Hans Vigo?

– É... Tudo bem, cer to? Você disse que estava tr abalhando com ele.

Noah não tinha nenhum pr oblema específico com isso.

– Poder ia ter me consultado antes.

– Eu dever ia. Desculpe – ela olhou de r elance na dir eção dele. – De ver dade. Mas este caso... Cometi um ter r ível engano há seis anos quando tomei par te no acor do judicial. Pr eciso encontr ar estas r espostas, por Lucy. Não estou assumindo nada, e vou tentar não pisar nos seus calos, mas Hans é um dos poucos que podem visualizar as infor mações em níveis múltiplos: avaliação dos r iscos par a vítimas, por nogr afia legal e ilegal, per igo infantil. Além disso, ele conhece os jogador es da época em que eu r astr eei Adam Scott e Roger Mor ton antes de Paige ter sido assassinada.

– Entendi – ele sentou-se em uma cadeir a de metal ao lado de Kate. – Pr eciso dar seguimento a uma investigação hoje, mas tenho de ter cer teza de que posso confiar em você.

Ela olhou-o.

– Se não confia em mim, por que me deix ou tr abalhar com essas infor mações?

– Por que ouvi que você é a melhor .

Os lábios dela cur var am-se de leve par a cima.

– Ver dade.

– Por tanto, pr eciso de você, mas também sei que você tem uma histór ia com Mor ton e um r elacionamento com uma vítima dele. O que quer que você encontr e, quer o saber . Tudo.

Ela concor dou, mas Noah não conseguiu inter pr etar a ex pr essão neutr a dela par a saber se ela cumpr ir ia o acor do.

– Já posso dizer ao olhar par a os ar quivos físicos que ele estava copiando discos manualmente no computador. Ele tinha um sistema bem dir eto: depois de assistir ao filme e, pr esumidamente impor tá-lo, ele catalogava-o com um código. X é por nogr afia leve; X X mais pesada; X X X é violência pesada, possivelmente sem consenso. WC é webcam, câmer a possivelmente escondida ou vídeos caseir os de sex o. A WC é catalogada de acor do com o fetiche: saia levantada, câmer a escondida etc. Tor nou-se moda entr e os adolescentes fazer sex o e postar o vídeo na inter net – ela balançou a cabeça. – Eles não sabem o que estão fazendo com o futur o deles – completou, entr egando uma folha par a Noah. – Hans escr eveu o que conseguiu há algumas hor as. Isso nos dá uma linha de pr ior idades.

– O que é P e por que está gr ifado em ver melho?

– Qualquer coisa com P significa que, pr ovavelmente, um menor de 14

anos está envolvido. Hans enviou isso imediatamente par a a for ça policial que cuida de por nogr afia infantil. Eles podem r odar isso no banco de dados de cr iminosos, o que poupar á muito do nosso tempo e nos per mitir á salvar alguns deles. Contudo, Mor ton não estava pr oduzindo esses ar quivos. Ele estava cr iando um tipo de câmar a de compensação, o que tor na o r astr eamento da pr ova até a fonte quase impossível.

Poucas coisas afetavam Noah, mas cr imes contr a cr ianças er a uma das coisas que o enfur eciam. Enquanto o FBI e a for ça policial local tivessem dado passos lar gos na investigação e na condenação com r elação à por nogr afia infantil, os númer os er am assustador es. Se não conseguissem identificar a vítima ou o agr essor, havia pouco que poder iam fazer a não ser colocar as imagens no banco de dados par a o caso de elas r eapar ecer em. Tr abalhar nos cr imes vir tuais contr a cr ianças er a um dos tr abalhos mais emocionalmente cansativos no depar tamento, e uma das poucas sessões em que os agentes conseguiam tr ansfer ência sem muita dificuldade.

Kate disse:

– Não vou cometer nenhuma estupidez, Noah. Entendo a confiança que depositou em mim, e acr edite que quer o acabar com o que quer que Mor ton estivesse planejando tanto quanto você. Do modo legal.

Noah levantou-se.

– Esper o não demor ar a voltar. Quando Abigail foi até o hotel ontem, o funcionár io da r ecepção que tr abalha meio per íodo estava lá. Hoje o ger ente está de volta, e foi com ele que Mor ton se r egistr ou. Esper o obter mais infor mações, pois ontem não conseguimos nada.

*

Embor a o estágio de Lucy fosse de meio per íodo, das segundas às sex tas-feir as, a maior ia dos funcionár ios do IML tr abalhava em tur nos alter nados, por isso ela conhecia pr aticamente todos os que tr abalhavam ali. Ela sempr e fez questão de cumpr imentar a todos, mesmo que a sua função não fosse per manente. Ela descobr iu que apr ender ia muito mais em r elação ao verdadeiro tr abalho se conhecesse as pessoas.

Também descobr iu que ninguém se impor tava com detalhes, como o motivo que a levava a olhar os r elatór ios, por isso, quando entr ou na sala par a pux ar o ar quivo de Br ad Pr enter, ninguém a questionou. Se alguém o tivesse feito, ela dar ia alguma r esposta plausível, como ver ificar se havia pr eenchido o for mulár io dir eito. Mas ninguém quis saber o que ela fazia.

A autópsia foi r ealizada na tar de anter ior, e ela estava cer ta, o cor po ser ia r etir ado por uma casa funer ár ia na segunda-feir a de manhã. Por ser um caso de homicídio, todas as pr ovas estavam guar dadas na sala de evidências. As r oupas e outr as coisas encontr adas com o cor po ainda estavam na câmar a de secagem, pois pr ecisavam estar secas par a ser em analisadas em busca de tr aços de sangue. Os ar tigos ser iam ar mazenados par a um possível julgamento.

As fotos da cena do cr ime e os cadáver es que cir cundavam Lucy quando ela tr abalhava no necr otér io não a incomodavam, mas aquilo er a difer ente: de uma maneir a estr anha, ela conhecer a Pr enter. Ele saiu na quinta à noite por que pensou que se encontr ar ia com seu alter ego: Tanya.

Um calafr io per cor r eu seu cor po, fazendo com que os cabelos na base da nuca se er içassem quando ela abr iu a pasta e viu a foto do cor po dele na mesa de autópsia. Havia um DVD anex ado; as autópsias de homicídio nor malmente er am gr avadas.

Ela não poder ia assistir ao DVD sem r omper o lacr e das pr ovas, por isso o deix ou de lado e leu o r elatór io. Havia tr ês entr adas de bala no abdômen, dispar adas de sessenta centímetr os a um metr o de distância.

Sem mar cas de saída. As balas for am mandadas par a o labor atór io par a ex ames r otineir os de balística. Elas também ir iam par a o FBI par a ser em acr escentadas ao banco de dados e compar adas com outr os r elatór ios de balística par a deter minar se a ar ma usada estava envolvida em algum outr o cr ime, solucionado ou não.

De acor do com o patologista, os fer imentos no tor so ser iam fatais, pois o fígado, um pulmão e o estômago haviam sido atingidos, mas o assassino também atir ou na par te poster ior da cabeça de Pr enter em um ângulo

que

pr ovava

que

ele

estava

ajoelhado.

Ele

mor r eu

instantaneamente com esse tir o.

Tr ês balas pela fr ente, depois um tir o por tr ás. Lucy fechou os olhos par a visualizar um cenár io possível. O atir ador enfr enta Pr enter. Ou Pr enter o conhecia e não tentou cor r er, ou o assassino o assustou e atir ou sem dar opor tunidade par a que Pr enter cor r esse. Pr enter cai de joelhos, suger indo uma ar ma de pequeno calibr e. Balas de gr ande calibr e pr ovavelmente for çar iam a vítima a cair par a tr ás e não de joelhos.

Em seguida, o assassino caminhar ia ao r edor de Pr enter e atir ar ia atr ás da cabeça. Par a se cer tificar de que ele estivesse mor to.

Mas Pr enter ter ia mor r ido de toda forma. Pr ovavelmente em questão de minutos. Ser á que Pr enter conhecia o assassino e o assassino temia que ele dissesse seu nome? Esse último tir o er a par a ter cer teza de que ele estivesse mor to antes de ser encontr ado?

Uma cópia do r egistr o das pr ovas estava no r elatór io, incluindo a localização de cada pedaço encontr ado. Itens encontr ados no cor po de Pr enter estavam ali no necr otér io ou no labor atór io, embor a por ex per iência anter ior Lucy soubesse que bens pessoais e dr ogas ser iam separ ados e enviados par a o labor atór io ou par a a sala de evidências. Os fr ascos encontr ados nas calças dele tinham sido enviados par a o labor atór io par a análise, mas os r esultados ainda não tinham r etor nado.

Haviam feito um ex ame padr ão nas amostr as de sangue na sala de autópsia e já sabiam o seu nível alcoólico: levemente embr iagado, ainda dentr o da legalidade, baix o o suficiente par a demonstr ar que ele não estava gr avemente alter ado.

Uma cópia do r elatór io policial pr eliminar estava incluída, mas não havia nada a r espeito das investigações subsequentes. Dr oga, ela quer ia ler o r esto do r elatór io e esper ava que Cody o conseguisse par a ela. Ser ia pedir demais? Ela esper ava que não, pois não quer ia abusar da amizade dele, por ém, ela tinha de saber o que havia acontecido com Pr enter .

Havia algo de muito er r ado ali, e, até que ela descobr isse as cir cunstâncias envolvendo aquele homicídio, ela não desistir ia.

TREZE

Sean saiu da cidade bem cedo no sábado e dir igiu uma hor a até uma casa de r epouso em Baltimor e par a se encontr ar com Dustin Fong, outr o antigo funcionár io da Empr eendimentos Tr ask, que per maneceu na empr esa mais tempo do que qualquer outr o funcionár io.

Fong mal se lembr ava do pr ópr io nome quanto mais quem er a Roger Mor ton. A enfer meir a do tur no disse que ele havia sido alvejado na cabeça e dado como mor to quatr o anos antes. Ele não tinha lembr ança alguma e por mais que lhe r estasse um mínimo de autonomia, ele tinha a atenção de uma cr iança de cinco anos de idade. Sua única visita er a a ir mã, que vinha de sua casa no Maine até lá todo pr imeir o final de semana do mês. Ela visitar a-o em 2 de janeir o, um domingo, e antes disso, em 4 de dezembr o.

Sean r iscou-o da lista; ele par ecia uma pr omessa no papel, mas caso tivesse alguma infor mação de valor, ela havia sido destr uída pela bala.

Roger não conseguir ia ter ar r ancado nada dele. Caso a ir mã estivesse em D.C. na janela de tempo em que Mor ton esteve lá, Sean a pr ocur ar ia, mas isso não par ecia uma possibilidade. Enviou uma mensagem a Jayne par a que ver ificasse Danielle Fong Clements e o mar ido, Br uce, só par a cobr ir as bases, mas nenhum dos nomes apar eceu como um possível associado de Mor ton ou de Scott, nem na época, nem no pr esente.

Sean voltou par a a cidade, par ando em um clube em Silver Spr ing de pr opr iedade de Ser gey Yur an, um conhecido tr aficante. Yur an tr azia o que fosse pr eciso da Rússia: pr ostitutas, dr ogas ou ar mas.

Duke, ir mão de Sean, jamais per mitir ia que ele falasse com Ser gey sozinho. Mas uma coisa que Sean tinha que Duke não tinha er a a habilidade de esconder as emoções e seguir o jogo. Duke não conseguir ia disfar çar o despr ezo que sentia pelo cr iminoso.

Ainda que o clube só abr isse dali a duas hor as, a por ta estava destr ancada. Sean entr ou com ex pr essão neutr a, deix ando a cr ítica do lado de for a.

Avaliou o clube em cinco segundos: cinco cabines ocupadas; o loir o bem-apessoado com cicatr izes sentado no fundo, ao lado de uma r ussa ilegal – Sean sabia pelo modo como ela r eagiu ao ver um estr anho entr ar –, er a Ser gey Yur an.

Havia quatr o segur anças em cada entr ada e um ao lado de Yur an.

Ex tr emo, na opinião de Sean, mas isso devia dar a sensação de completo contr ole a Yur an em qualquer situação por que ele ter ia múltiplos escudos.

Isso também r evelou a Sean que Yur an er a par anoico. Guar dou essa infor mação par a o futur o enquanto se apr ox imava do maior dos quatr o e entr egava um car tão de visitas.

– Sean Rogan par a falar com o senhor Yur an.

O guar da-costas mandou-o ficar e ele obedeceu. Aquela não er a a hor a par a movimentos r epentinos ou desentendimentos.

Ele não tentou ignor ar a tr oca de infor mações, mas obser vou quando o segur ança entr egou o car tão a Yur an, que estava com car a de jogador de pôquer. No entanto, seu pé o denunciou. Ele passou de cr uzado à altur a do tor nozelo debaix o da mesa a apoiado no chão. Nenhuma outr a par te do cor po dele r egistr ou alguma r eação. Ele falou baix o, em r usso, e o guar da-costas r etor nou.

– O senhor Yur an per guntou se o senhor tem um desejo de mor te.

– Não, senhor, não tenho – ele não elabor ou, em vez disso, aguar dou que o segur ança fizesse outr a per gunta.

– O que quer com o senhor Yur an?

– É pessoal – Sean r espondeu.

O segur ança fitou-o e não disse nada. Esse jogo poder ia dur ar o dia inteir o e nor malmente Sean apr eciar ia o desafio, mas estava sem tempo.

– Quer o saber se o senhor Yur an mandou matar Roger Mor ton na sex ta-feir a passada. Se for ver dade, eu gostar ia de cumpr imentá-lo e agr adecer. Se não, eu gostar ia de saber quem o fez, par a que eu possa cumpr imentar a pessoa cer ta.

Sua r esposta dir eta fez o segur ança mostr ar um br eve e r ar o indício de sur pr esa. Ele deix ou Sean novamente, embor a dois outr os o flanqueassem agor a.

Quando o gr andalhão r etor nou, or denou a Sean que se vir asse e se submetesse a uma inspeção. Sean aquiesceu. Nem pensar em chegar per to de Ser gey Yur an ar mado.

– Contanto que eu as r eceba de volta depois – ele disse.

– Se viver , as ter á – o gr andalhão disse.

Er a justo.

Sean entr egou a .45 e o seu .22 r eser va. Quando o guar da-costas ter minou, Sean disse alto o bastante par a que Yur an o ouvisse.

– Esqueceu de pegar a adaga H&K. Dentr o do bolso dir eito da jaqueta.

Ele não conseguiu se segur ar, mas isso lhe custou. Foi r evistado de novo, em seguida um punho o atingiu no r im dir eito. Ele fez uma car eta e fechou os olhos um minuto até a dor passar .

O guar da-costas levou-o até a mesa de Yur an. A gar ota r ussa tinha sumido. Os papéis que Yur an estiver a lendo também.

– Você tem cor agem, Rogan – Yur an disse com um sotaque r usso car r egado, por ém compr eensível. Sean sabia que er a falso. Yur an er a r usso, por ém nascer a e se cr iar a nos Estados Unidos.

– Já me disser am isso – ele não se sentou até ter a per missão do segur ança. Quando se sentou, o homem posicionou-se a fim de evitar que ele fizesse movimentos r epentinos.

– Sabe quem eu sou?

– Mais ou menos.

Yur an disse:

– Seu ir mão colocou um matador atr ás de mim há dez anos.

– Vocês devem ter se entendido, afinal, ainda está vivo.

Sean não fazia ideia de qual ir mão ele estava se r efer indo. Poder ia ser Liam, já que ele estava na Eur opa, mas Liam não contr atar ia um matador.

Ele pr ovavelmente matar ia Ser gey sozinho se pr ecisasse. Por ém, Liam não pr ecisava de nada com tanta intensidade. Ele não conseguia imaginar Duke contr atando um matador, mesmo por conta de um cr iminoso fr io como Yur an, mas Duke já o sur pr eender a no passado. Kane? Er a o mais pr ovável.

Mas Sean não per guntou. Sabia com quem conseguir essa r esposta mais tar de.

– Por que veio me pr ocur ar ?

– Roger Mor ton foi assassinado em Alex andr ia na semana passada.

Sex ta-feir a, per to da meia-noite, mais ou menos.

– Se eu tivesse matado o senhor Mor ton, não encontr ar iam o cor po.

– Não tenho dúvidas quanto a isso. Não pensei que o tivesse matado.

Ele estava em D.C. par a se encontr ar com alguém. Er a a uma opor tunidade de negócios, semelhante a que ele tinha com o falecido sócio Adam Scott.

Você deve conhecê-lo como Tr ask.

Ser gey r iu com vontade.

– Ahh, Tr ask. Ele per mitia que as mulher es o contr olassem. Só por que você mata uma mulher isso não faz de você um homem. Imagino que tenha sido... O que diz aquele povo ligado a Deus? Pr ovidência divina? Ser ia o des tin o que fez com que uma das gar otas dele o matasse a sangue fr io?

Sean teve de usar cada fr agmento de contr ole par a não r eagir quando Yur an se r efer iu a Lucy como uma das “gar otas” de Scott. Quer Yur an soubesse alguma coisa a r espeito de Lucy ou não, Sean não sabia, mas não quer ia que ela ficasse no r adar dele. Yur an olhava Sean como uma águia enquanto fingia se inter essar mais pela moça par camente vestida tr abalhando no bar .

– Por que me pr ocur ou? – Yur an per guntou, beber icando seu dr inque. – Por que ar r iscar a vida? Eu poder ia matá-lo e ninguém encontr ar ia seu cor po. Ser ia um pr azer enor me mandar sua cabeça par a o outr o lado do oceano.

Fora Liam. No que ele havia se metido? Dez an os atrás ? Mas essa er a uma histór ia par a outr o dia, por que Sean tinha de se concentr ar em descobr ir o assassino de Mor ton e se cer tificar de que Lucy não cor r ia per igo.

–

Seu

Continuar: parte 6 de 17