Se eu Morrer Antes de Você

Allison Brennan · Capítulo 1 de 1 · parte 14/17

Páginas do PDF

Se eu Morrer Antes de Você

1. Um

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 17 partes.

Hans fr anziu a testa.

– Isso faz sentido. Mas... Não se encaix a no modus operan di de Mallor y.

– Talvez ele tivesse mandando outr a pessoa cuidar do assunto. Por isso saiu tão malfeito – ele disse par a Abigail: – Pr ecisamos que alguém investigue o homicídio de Par ker Weather by cometido por Fr an Buckley em Boston. Há quatr o anos...

– Quatr o anos só em outubr o – ela disse.

– Já investigou?

– Só os fatos do caso depois que Mallor y o mencionou. Não havia suspeitos; a polícia concluiu que foi latr ocínio. Alguns quadr os apar ecer am há uns dois anos, mas nada que os ligassem a quem os vendeu.

– Pr ecisamos colocar Buckley em Boston naquela noite – Noah disse. – Qualquer coisa: infor mações de car tão de cr édito, passagem de avião, um fio de cabelo que não tenha batido o DNA com o r esto das pr ovas.

Pr ecisamos de algo concr eto par a fazê-la falar .

– Cuido disso. Posso ligar par a Rick Stockton caso eu pr ecise de alguma ajuda?

– Faça o que for pr eciso – Noah disse. Depois que Abigail saiu, ele disse par a Hans: – Não podemos per mitir que Buckley fique impune. Só poder emos detê-la por tr ês dias e a declar ação de Mallor y não vai gar antir que ela fique atr ás das gr ades. O advogado dela tem r azão quanto a isso.

– Duvido que ela fuja.

– Não podemos contar com isso. Hans, sei como esse caso pode ser afetado pela mídia. Per der emos ter r eno se Jager decidir usar as câmer as.

– Mas temos os fatos do nosso lado.

– Jager tem r azão em r elação à r eação do público. Ninguém se impor ta se um punhado de cr iminosos mor r eu. No entanto, o que eu temo de fato é que se Buckley sair ilesa dessa, outr os cidadãos podem tomar a lei nas pr ópr ias mãos. Como Lucy disse, ser ia uma anar quia.

– Não discor do de você, Noah.

Noah pr aguejou baix inho.

– Nós vamos ter de ofer ecer um acor do, não é?

– Fr an Buckley matou um homem em Boston, um homem que nunca foi condenado por um cr ime. Ele pr ovavelmente er a culpado, mas ainda assim não teve seu dia per ante o júr i, e por mais que nosso sistema seja imper feito, ele é bom demais. Se nossos antigos agentes do FBI e policiais começar em a agir como juízes, júr i e ex ecutor es, a sociedade sofr er á.

Sim, por isso a pr omotor ia far á um acor do. Mas nenhum dos nossos conspir ador es vai se livr ar da pr isão.

Noah tinha uma r eunião mar cada com a pr omotor ia naquela tar de e esper ava não ser massacr ado pela investigação e mandado agr essivos.

Antes, por ém, ele tinha de ligar par a Kate. Ela tinha de saber sobr e o homicídio de Lor enzo e sobr e a ameaça de Jager de usar o ar quivo de Lucy.

Noah acr editava na lei, mas não via nada de positivo em abr ir o r egistr o do caso de Lucy par a o mundo inspecionar e questionar. Ele agor a tinha um vislumbr e do que Kate e o r esto deles passar am há seis anos quando se depar ar am com o julgamento vers us o acor do com Roger Mor ton.

Com a ex ceção de que, se alguém saber ia lidar com essa pr essão, Noah não tinha dúvidas de que ser ia Lucy.

*

Sean guar dou o celular .

Lucy não ir ia gostar nada daquilo. Ele ter ia de contar de um modo que ela não levasse par a o lado pessoal. Par a que ela não se afundasse em culpa por algo sobr e o qual ela não tinha contr ole.

Lucy estava ador mecida no sofá da sala de estar. Sean tinha apr oveitado a manhã par a se atualizar no tr abalho que estava se avolumando. A RCK da costa leste não fazia pr opaganda por que não pr ecisava; a maior ia dos negócios sur gia por indicação de antigos clientes.

Com somente duas pessoas no escr itór io e sem aux iliar administr ativo, eles não desejavam ger ar mais tr abalho do que podiam dar conta.

Por ém, com Patr ick for a da cidade e Sean ocupado com tudo o que vinha acontecendo, ele tinha ignor ado os e-mails e as mensagens telefônicas. Já tinha quase ter minado quando Kate ligou com as novidades do homicídio de Lor enzo.

Ele não quer ia contar par a Lucy, cer tamente não desejava acor dá-la par a lhe dar a notícia, mas sabia que ela não gostar ia que ele a pr otegesse da ver dade.

Sentou-se na mesinha de centr o e a obser vou dor mir. Lucy er a mais madur a que a maior ia das jovens mulher es em início de car r eir a. Contudo, ador mecida, ela par ecia jovem e vulner ável. O r osto estava r elax ado, a boca ligeir amente aber ta, as mãos unidas debaix o da face. A Bela Ador mecida. E Sean quer ia que ela continuasse ser ena; ela pr ecisava desse descanso.

Ela abr iu os olhos r epentinamente, com um br eve olhar de pânico estampado.

– Sou eu – Sean disse, br avo consigo mesmo por tê-la fitado por tempo demais. Mesmo dor mindo, ela pr essentiu a obser vação dele.

– Que hor as são?

– Duas.

Ela sentou-se lentamente, ator doada.

– Dor mi até às duas da tar de?

– Você se levantou cedo; pr ecisava de um descanso.

Ela esfr egou os olhos e bocejou.

– Tr ês hor as. Eu nunca dur mo de dia – ela inclinou a cabeça e fr anziu o cenho. – O que há de er r ado?

Sean não imaginava que sua ex pr essão estivesse r evelando seu incômodo com a notícia. Foi dir eto ao ponto: – Cody não cometeu suicídio. O FBI pr ovou conclusivamente que ele foi assassinado.

Lucy começou a tr emer. Cody foi assassinado. Por causa da s ua investigação. Por que ela não avisou Kate antes? Ou Mallor y ter ia matado sua cunhada na tentativa fr acassada de encobr ir o gr upo de vingador es?

– Lucy? – Sean par eceu pr eocupado, e Lucy estendeu a mão.

As mãos dele segur ar am as dela bem aper tado e o cor po dela par ou de tr emer tão violentamente. Ela r espir ou fundo.

– Talvez... Talvez eu esteja aliviada.

– Aliviada?

Como ela poder ia ex plicar ? Fechou os olhos e concentr ou-se em r espir ar , em diminuir os batimentos car díacos.

– A ideia de que ele tivesse se matado por minha causa...

– Não foi por sua causa!

– Quer o dizer, pelo que ele sentia por mim. Que ele estivesse tão depr imido a ponto de se matar por que eu não o amava – a voz dela saiu entr ecor tada. – Eu jamais dever ia ter pedido que ele me ajudasse. Eu dever ia ter ido dir etamente par a Kate ou Dillon, ou qualquer pessoa no FBI. Não sei por que...

– Por que você não sabia o que estava acontecendo. Você estava pr otegendo pessoas que acr editava que fossem inocentes.

– E Cody mor r eu por que eu estava pr eocupada com Fr an – a r aiva tr anspar eceu na voz dela. – Eu a odeio! Mesmo que ela não tenha pux ado o gatilho, ela tinha de saber. Como ela pôde fazer isso com Cody? O tempo e a dedicação que ele dispensou ao PMC. E agor a... Dr oga! – a voz dela mais uma vez se par tiu e ela fechou a boca.

– Há mais uma coisa. Cody não estava per seguindo você.

Ela balançou a cabeça.

– O q-quê? – isso não fazia sentido. – Mas as r osas... Você falou com a flor ista.

– O FBI pr ovou que o mesmo homem que escr eveu o falso bilhete suicida também escr eveu o car tão das flor es. Compar ar am com a letr a de Cody e não há como ele ter escr ito nem um nem outr o.

– Mas a flor ista...

– Noah acr edita que Mallor y tenha planejado tudo. Cody estava investigando o homicídio de Pr enter ; se ele desacr editasse Cody aos seus olhos, fazendo com que você pensasse que ele a per seguia, você pensar ia que foi Cody quem matou Pr enter ou, no mínimo, que você não haver ia de quer er mais nada com ele. Eles estavam tentando pr oteger a oper ação.

– Ele mor r eu à toa ?

Sean levou a cabeça dela par a o peito dele. A pr incípio, ela r esistiu, depois deix ou que ele a segur asse. Ela não chor ou. Já não tinha mais lágr imas. A cabeça dela doía de pesar , e ficar ali com Sean ajudava.

Lentamente a tensão se esvaiu do seu cor po. Quando ela voltou a r espir ar nor malmente e o cor ação par ou de bater r ápido, ela olhou par a Sean.

– Pr eciso ir .

– Você não...

– Tenho de ir par a casa, tomar banho e me pr epar ar par a o funer al de Cody.

– Vou com você.

– Não. Pr eciso ir sozinha.

– Não acho que você deva ficar sozinha.

– Os amigos de Cody estar ão lá. A família. Não estar ei sozinha.

– Mas...

– Estão todos pr esos. Mallor y, Fr an...

– Eu ainda me sentir ia melhor se pudesse ficar de olho em você até que tenhamos cer teza de que o FBI pr endeu todos os envolvidos.

– Pode me levar se quiser . A igr eja estar á lotada de policiais.

– Lucy...

A voz dela tr emeu, mas os olhos dela estavam secos.

– Acr editei que tivesse sido Cody. Como pude? Ér amos amigos. Fiquei com ele por quase dois anos. E acr editei no pior. Deix ei que meu medo atr apalhasse meu julgamento. Eu dever ia saber que Cody jamais far ia qualquer coisa par a me magoar. Ele nunca fez antes, e mesmo assim... Eu não lhe dei o benefício da dúvida. Pr eciso pr antear a mor te dele, e quer o fazer isso sozinha. Você me entende?

Sean beijou-a no topo da cabeça e segur ou-a per to de si.

– Entendo. Vou levá-la até lá e depois buscá-la. Não saia da igr eja, está bem?

– Pr ometo. Obr igada por entender .

TRINTA E SEIS

Noah e Hans encar ar am Mallor y na sala de inter r ogatór ios na delegacia local.

– Você mentiu par a nós. Mentiu par a Lucy – Noah disse.

Mallor y encar ou-o. A ex pr essão dele er a de desafio, mas os olhos estavam cansados, como se ele não tivesse dor mido.

– Cody Lor enzo foi assassinado – Hans disse. – Não há dúvidas.

Mallor y fr anziu o cenho, mas nada disse.

– Você o matou por que ele estava chegando per to de ex por o gr upo de vingador es.

– Não matei Cody Lor enzo – Mallor y disse em um suspir o.

– Não acr editamos em você.

Mallor y fechou os olhos.

– Vocês encontr ar am minhas ar mas. Cada uma delas tem o nome de um patife. Nome e data. Cada uma delas. Cody Lor enzo não está lá.

Noah pr ecisou de um segundo par a per ceber qual er a o pr oblema naquele r aciocínio.

– Você deix ou a ar ma lá. Tentou for jar suicídio.

– Se fizer bem a sua pesquisa, descobr ir á que nem todas as balas naquelas ar mas for am dispar adas. Cada uma delas foi aposentada após o uso, por tanto, lembr o-me de cada uma delas. Não matei Lor enzo.

– Lor enzo er a policial. Pena de mor te automática – Noah disse.

Mallor y r iu sem humor .

– Pena de mor te? Pode mandar .

– Lor enzo foi mor to entr e onze e meia-noite da segunda-feir a. Não imagino que você tenha um álibi, cor r eto?

– Eu estava em casa. Fr an apar eceu pouco depois das sete, pr eocupada com as per guntas que Lor enzo vinha fazendo. Eu disse a ela par a que se acalmasse, que nada nos ligava ao assassinato de Pr enter .

– Fr an pode tê-lo matado. Você ser ia um acessór io.

– Fr an não o matou.

– Não acr edito nisso.

– Não me impor to – Mallor y suspir ou. – Seu mandado não gar antia muita coisa e você bem sabe disso, mas não vou pedir um advogado, nem vou me defender . Não quer o. Já lhes dei tudo. Chega.

Noah mostr ou-se mais sér io, um pensamento começou a sur gir, mas desapar eceu em seguida. Hans apr oveitou-se do silêncio e disse: – Fr an está cober ta pelo advogado. Clar k Jager .

Mallor y deu de ombr os.

– Quer mesmo pr endê-la?

– Ela matou um homem pelo menos.

– Que mer ecia mor r er .

– Que não foi julgado. Ela está com medo.

Mallor y assentiu.

– Ela sempr e foi o elo mais fr aco. Mas não vai confessar , por que a única pessoa que ela pode culpar sou eu, e eu já me entr eguei. O que mais posso contar par a vocês?

– O advogado de Fr an está ameaçando pux ar todos os r egistr os policiais dos funcionár ios e voluntár ios do PMC. A ar gumentação dele é que outr a pessoa no PMC esteja envolvida, não Fr an Buckley, mas alguém de dentr o.

Mallor y endir eitou-se. Imediatamente per cebeu as r eper cussões de tal ação, e er a com isso que Noah e Hans contavam.

– Isso é uma asneir a. Ninguém mais no PMC está envolvido. Vocês já pegar am Biggler, e ele nunca matou ninguém. Ele er a o meu r efor ço.

Cobr ia a minha r etaguar da.

– E a ir mã Br enda, que er a a sua isca – Hans disse. Eles ainda não tinham o r elatór io de Abigail quanto ao Clube 10, mas Hans sabia blefar .

– Por favor, sejam toler antes com Br enda – Mallor y pediu. – Ela ajudou por que idolatr a o ir mão. Não acr edito que ela tenha pensado a fundo no que estávamos fazendo.

– Er am só vocês tr ês, quatr o incluindo Fr an Buckley?

– Sim – Mallor y confir mou. – Lucy não tem nada a ver com isso, a não ser pelo fato de mar car os encontr os. Vocês dois sabem disso.

– Sim, sabemos – Noah disse. – Mas não ter emos como deter Jager se ele fizer uma petição par a todos os r egistr os cr iminais. O passado de Lucy ficar á escancar ado dur ante o julgamento...

– Fr an vai pedir um acor do. Ela não deix ar á que Lucy sofr a...

– Ela não está cooper ando. Negou qualquer envolvimento, e deu a entender que foi alguma outr a pessoa no PMC.

Mallor y deu um soco na mesa.

– Vocês podem pr ovar o contr ár io! Eu contei tudo o que aconteceu!

– Sua palavr a não vale nada no momento – Noah declar ou. – Jager vai destr uir você no tr ibunal. Você pode dizer que o sol nasce no leste, e ninguém no júr i vai acr editar quando Jager tiver acabado com o mínimo de cr edibilidade que você ainda tem. Não impor ta se nós acr editamos em você ou não.

– Tenho pr ovas – Mallor y deix ou a cabeça pender. – Eu não quer ia r ecor r er a isso, mas... – a voz dele se inter r ompeu, e ele ficou per dido em pensamentos por diver sos minutos. – Na noite antes que ela matasse Weather by, Fr an pegou um voo comer cial de Dulles par a Albany. A colega de quar to da época da univer sidade, Sylvia Dunham, mor a em Tr oy. Ela pegou empr estado o car r o de Sylvia par a dir igir até Boston. Sylvia não fazia a mínima ideia do que Fr an estava planejando fazer, não sei qual foi a desculpa que Fr an deu a ela, mas Sylvia vai se lembr ar dessa viagem por que Fr an se envolveu em um pequeno acidente voltando pela I-90. O

car r o não deu per da total, mas Fr an fez um cheque par a cobr ir os r epar os a fim de que ela não acionasse a segur ador a. O acidente foi na manhã após Weather by ser assassinado; eu disse a Fr an que cuidar ia de tudo, e ela foi embor a.

Tudo aquilo podia ser ver ificado.

– Isso não é pr ova concr eta.

– Além da minha palavr a, é tudo o que tenho.

Podia bastar par a pr eocupá-la, Noah pensou. Mas não Jager .

– E quanto à ar ma?

– Joguei-a for a; vocês nunca a encontr ar ão, e mesmo que a encontr em, o estr ago feito pela água tor nar ia qualquer pr ova inútil.

– Onde ela conseguiu a ar ma? – Noah per guntou.

Mallor y olhou par a ele como se o consider asse mais esper to do que o imaginado.

– Nunca per guntei.

Hans disse baix o:

– Por que envolveu Lucy? Você devia saber que, um dia, isso tudo desabar ia e você queimar ia justamente a pessoa que alega quer er pr oteger .

– Você não entende – Mallor y apoiou as mãos algemadas na testa. – Mesmo que ela não soubesse que estava nos ajudando, havia um senso de justiça nela em apanhar aqueles safados. Ela é boa nisso, Hans, ela é altamente qualificada em separ ar os patifes, os ver dadeir os pr edador es.

– Então você a per segue, mata o ex -namor ado dela por que a admira? – Noah estava per dendo a calma e isso tr anspar ecia na voz mais elevada.

– Eu não matei Lor enzo e não estava per seguindo Lucy!

– Mallor y, o falso bilhete suicida foi escr ito pela mesma pessoa que enviou uma dúzia de r osas par a Lucy na segunda-feir a de manhã. Se fosse Lor enzo, tudo ficar ia bem unido em um mesmo pacote. Mas não foi. Os ex ames for enses pr ovar am isso. Admita que foi você.

– Não mandei r osas par a Lucy!

– Desista...

– Jur o por Deus que não mandei – Mallor y se inclinou par a fr ente. – Estão mentindo par a mim?

– Não somos nós os mentir osos aqui.

Ele socou a mesa mais uma vez.

– Pr este atenção! Não enviei r osas, não matei Lor enzo e não escr evi nenhum bilhete nem car tão! Se essas r osas for am mandadas pela mesma pessoa que matou um policial, então Lucy cor r e per igo! Maldição, onde ela está? Que tipo de idiotas são vocês?

*

Uma das pessoas que entr ava na Holy Tr inity segur ou a por ta par a Lucy entr ar. Um floco gr ande de neve atingiu-a na nuca, e ela r evir ou os ombr os par a que o colar inho absor vesse a umidade.

– Obr igada – ela mur mur ou, e entr ou na igr eja logo após o cântico de pr ocissão. Olhou ao r edor e viu a par ceir a de Cody, Apr il Dunnigan, per to do fundo. Lucy sentou-se no banco atr ás dela.

Apr il er a uma policial negr a bem-avantajada, alguns poucos anos mais velha do que Cody, com os cabelos encar acolados cur tos e seis br incos em cada or elha. Eles haviam sido par ceir os por mais tempo do que Lucy se lembr ava.

Ela deu um tapinha no ombr o de Apr il. A policial olhou par a tr ás, com os olhos inchados e uma ex pr essão r eser vada. Quando viu que er a Lucy, deu a volta no banco e abr açou-a.

– Estou contente que tenha vindo – ela sussur r ou.

– Ficou sabendo das pr ovas?

Apr il assentiu.

– Você está bem?

Lucy deu de ombr os.

– Ficar ei. E você?

– Quer o atir ar no maldito que o matou – ela fez uma car eta ao falar. –

Eu não dever ia dizer isso aqui.

– Tenho cer teza de que Deus entende – ele tin ha de entender melhor do que ela.

A policial voltou par a seu lugar , e Lucy ficou contente por isso. Pr efer ia ficar sozinha par a lamentar a mor te de Cody.

Estava quente dentr o da igr eja, e Lucy tir ou o casaco, dobr ando-o ao seu lado. Respir ou fundo.

Só havia alguns policiais pr esentes, mas aquela er a a missa antes do velór io. Lucy suspeitava de que muitos chegar iam dur ante e após a missa.

E o funer al na sex ta-feir a ser ia uma pr ocissão em D.C. com todos os policiais pr esentes. Lucy tinha ido ao funer al de um policial mor to em ser viço, amigo de Cody nos tempos da academia. Ela e Cody estavam namor ando na época, e o assassinato mar cou muito Cody, mas, ao mesmo tempo, ele jamais se afastou dos seus dever es.

Nin guém n os garan tiu que viveríamos até n os apos en tarmos . M as morrer protegen do o que con s ideramos mais precios o é mais fácil de aceitar do que morrer em vão.

A culpa a cor r oía por que Cody não teve motivos par a mor r er.

Intelectualmente, sabia que Cody er a policial, mas, ao mesmo tempo, aquela er a uma situação difer ente: eles dever iam ter levado o caso ao FBI desde o começo. Talvez Cody ainda estivesse vivo.

Lucy se levantou uns segundos depois dos outr os par a r ezar o Pai Nosso, sur pr esa que a missa tivesse avançado tão r apidamente. Há quanto tempo ela estava ali? Não par ecia mais do que alguns poucos minutos.

Vagamente se lembr ava das leitur as. Ainda sentia calor, e os olhos estavam r essecados. Muitas lágr imas der r amadas em poucos dias.

No entanto, bem no fundo, sentia que havia algo de er r ado. Estar ia ficando doente? Sean a fez comer um almoço tar dio, mesmo ela alegando não estar com fome. Ele pr epar ou uma canja e fez um sanduíche de queijo quente. Ela comeu só metade, mas agor a a r efeição leve par ecia pesar uma tonelada em seu estômago.

Respir ou fundo.

– Lucy?

A voz de Apr il par ecia vir de muito longe.

– Você está bem?

– A-acho que vou passar mal.

– Vou acompanhá-la até o banheir o.

Lucy quer ia dizer que não er a pr eciso, que ficar ia bem sozinha, mas, em vez disso, assentiu. Apr il segur ou-a pelo br aço e conduziu-a na dir eção do banheir o do lado dir eito do átr io.

Dois policiais unifor mizados tr oux er am uma nuvem de neve ao entr ar em. O fr io vindo de for a par eceu mar avilhoso par a Lucy.

– Apr il, eu só vou lá par a for a por um minuto. Acho que pr eciso de um pouco de ar . Volto par a a comunhão.

– Posso ir com você – Apr il ofer eceu-se.

Lucy balançou a cabeça.

– Um minuto, só par a ar ejar a cabeça.

– Vou esper ar aqui – Apr il começou a falar baix inho com os policiais quando Lucy saiu.

O ar fr io clar eou sua mente, e ela obser vou a neve cair, mais espessa do que quando havia chegado há tr inta minutos. Ainda se sentia mal, mas r ar amente ficava doente. Ela deduziu que devia ser pelo pesar. Sentia saudades de Cody. Ela amar a-o, não do modo como ele desejava, mas isso não significava que não o quisesse bem.

– Sinto muito – ela sussur r ou no fr io. Perdão por acreditar que você pudes s e fazer qualquer cois a para me as s us tar.

Ainda que a pele queimasse, ela sentia fr io por dentr o. Vir ou-se par a entr ar, e a por ta par ecia mais longe do que havia imaginado. O suéter pr eto estava úmido e br anco por causa da neve, mas ela não se lembr ava de ter se afastado das por tas. Tudo estava tão br ilhante: a neve, as luzes da entr ada, as cor es r adiantes com as beir adas ofuscadas.

Havia algo de er r ado com ela, mas ela sabia que não estava doente.

Er a algo mais, e seu pânico elevou-se confor me o cor ação começou a bater mais r ápido. Não conseguia pensar com coer ência. Abr iu a boca par a chamar Apr il, mas só um guincho saiu da sua gar ganta. A igr eja e a neve gir ar am ao seu r edor, cada vez mais r ápido, e ela pensou que fosse um pião. Gir ando, gir ando, gir ando... Até estar na neve. Ela tinha caído... Mas estava per to das escadas. Como? A luz da r ua chamava-a, uma mão, como se Deus a quisesse levar par a o Par aíso.

Ela quer ia ir . Estava tão tr iste, tão per dida.

Sean .

O cor ação batia r ápido no peito, dolor osamente, e ela se concentr ou nas batidas aceler adas demais. Seu cor ação batia r ápido assim?

Sean , me ajude. Não quero morrer.

Ela tentou se levantar, mas não conseguiu. As mãos afundar am na neve fofa r ecém-caída. Pr ocur ou o telefone, mas não estava no bolso. Não estava lá por que ela o deix ar a no bolso do casaco que estava no banco da igr eja.

Quer ia chor ar, mas nenhum som, nem lágr imas sur gir am. Não tinha contr ole sobr e o cor po, como se estivesse par alisada. Quer ia desesper adamente que Sean a apanhasse e a levasse par a a cama dele. Que a segur asse. Que a beijasse. Que fizesse amor. Ela não tinha se per mitido pensar no futur o, nas possibilidades, mas Sean tinha entr ado em sua vida e ela simplesmente não quer ia que ele fosse embor a.

Rastejar ia. Poder ia r astejar par a casa. Não, ela ficava a 3 quilômetr os de distância. Apr il se per guntar ia por que ela estar ia demor ando. Apr il...

Quem er a Apr il? Ela sentia que dever ia saber, mas não se lembr ava. No que estava pensando? Em r astejar par a casa? Onde ficava sua casa? Ela tinha uma casa?

Tentou chamar alguém de novo, mas não conseguiu. A mente gir ava, como que dentr o de um liquidificador, a cabeça doía, o estômago r evir ava.

Sentia calor e olhou par a a neve esper ando ver uma nuvem de condensação onde os dedos se afundavam na neve.

Sean .

Quem er a Sean?

– Deix e-me ajudá-la.

A voz par ecia vir de tão longe. Rolou o cor po, ele estava pesado, caído sobr e a neve. Olhou par a cima, mas não viu nada, só uma for ma vaga e uma mão enluvada.

– Obr igada – ela tentou dizer , mas a língua estava espessa e seca.

Quero ir para cas a.

Não se lembr ava do ender eço.

Ela foi levantada da neve. Ela acr editou ouvir seu nome ao longe, muito longe...

Uma voz de mulher a chamava.

– Lucy? Lucy, onde você está?

TRINTA E SETE

Sean e Kate bater am na por ta de vidr o da flor ista. Passavam cinco minutos das 19 hor as, e a loja já estava fechada.

Ele estr agou tudo. Por que não for çou a flor ista a identificar a pessoa?

Poder ia ter voltado com a foto de Lor enzo e ver ificado o r ecibo, compr ovando que foi ele quem compr ou as r osas. Por que acr editou tão pr ontamente? Por que Lor enzo ainda estava obviamente apaix onado por Lucy? Por que er a o ex -namor ado dela?

Mallor y podia estar mentindo quanto ao fato de não ter per seguido Lucy, mas Sean não quer ia cor r er r iscos. Havia muitas dúvidas e muito em jogo.

Kate chamou a mulher atr ás do balcão.

– FBI. Temos uma emer gência – mostr ou o distintivo pelo vidr o.

Lucy não estava atendendo ao telefone, mas pr ovavelmente o havia colocado no modo silencioso dur ante a missa. Ele enviou uma mensagem de tex to na esper ança de ela a ler :

Dillon está a caminho da Holy Tr inity. Não saia da igr eja em nenhuma cir cunstância. Me envie uma mensagem par a eu saber que você está bem.

Se Noah tivesse telefonado tr inta minutos antes, Sean não ter ia levado Lucy par a a igr eja. Ter ia ficado ao lado dela, mesmo ela pedindo que ele não o fizesse. Mas ele acr editou que ela estar ia segur a. Mallor y e os outr os estavam atr ás das gr ades e ninguém poder ia fer i-la.

Imaginou-a fer ida e assustada, e sua mente voltou a focalizar. Piedade não ajudar ia.

Ele pr ecisava pensar com clar eza.

– Maldição! – Kate mur mur ou quando a mulher a fitou com uma car r anca, sem se apr ox imar da por ta. Kate bateu com mais for ça. – Polícia! Emer gência!

– Talvez ela não fale inglês – Sean disse.

– Ela fala inglês – Kate disse. – Só não quer ser impor tunada – bateu na por ta mais uma vez. – Polícia!

A mulher quase se ar r astou até a por ta. Destr ancou-a, entr eabr indo-a.

– Estamos fechados.

– FBI. Temos per guntas a r espeito de um fr eguês.

A mulher fechou a car a.

– Não posso ajudar .

– Pode sim. Tem câmer as de segur ança – Kate apontou par a as câmer as. – Esteve tr abalhando na segunda-feir a?

– Sim, mas...

– Tenho algumas fotos que quer o que veja. Por favor, deix e-nos entr ar – isso soou mais como um comando do que como um pedido.

A mulher hesitou, depois suspir ou e os deix ou entr ar .

– Minha filha disse que alguém veio per guntar a r espeito de uma entr ega. Ela não dever ia falar dos nossos clientes.

Kate andou até o balcão.

– Na segunda-feir a, a senhor a teve um cliente que se identificou como Cody Lor enzo e que encomendou uma dúzia de r osas ver melhas par a ser entr egue a Lucy Kincaid em Volta Place.

– Sim. Ele pagou em dinheir o.

– Pr eciso que olhe algumas fotos e nos diga se algum desses homens er a Cody Lor enzo.

Ela fr anziu o cenho.

– Não sei se posso ajudar ...

– Pode – Kate inter r ompeu. – Isso é impor tante.

A mulher deu de ombr os, e Kate mostr ou-lhe a foto de Lor enzo. A mulher não deu nenhum indício de r econhecimento e balançou a cabeça.

– Não. O homem que veio aqui er a br anco, não er a mex icano.

Sean ficou tenso.

Kate mostr ou a foto de Mick Mallor y. A mulher balançou a cabeça.

– Este aqui é velho demais, aquele que veio aqui não tinha cabelos br ancos.

– Ele podia estar usando uma per uca – Sean suger iu.

– Não é ele. Este aqui par ece ir landês, r osto r edondo, olhos azuis, mas o homem que veio aqui tinha o r osto fino. Na média, menos de 40 anos, baix o.

– Baix o quanto?

A mulher olhou de Sean par a Kate.

– Mais baix o que você – disse par a Kate.

Kate tinha quase a mesma altur a de Lucy, cer ca de 1,70 m. O homem devia ter apr ox imadamente 1,65 m.

Kate uniu as sobr ancelhas. A última foto er a de Biggler, e ele er a mais alto. Mostr ou a foto.

– Não – disse a mulher . – Nenhum deles. O que está acontecendo?

– Pr ecisamos das fitas de segur ança de segunda-feir a.

Quando a flor ista foi par a o fundo, Kate se vir ou par a Sean e disse: – Mallor y deve ter outr o compar sa.

Sean não tinha tanta cer teza.

– Sean, no que está pensando? Está quieto demais.

– Isto não tem nada a ver com Mick Mallor y.

– Cody ser mor to pelo mesmo homem que mandou flor es par a Lucy?

Isso tem tudo a ver com Mallor y.

Alguma coisa não estava cer ta par a Sean, mas ele não sabia o que er a.

Olhou par a o celular pela décima vez desde que enviou a mensagem par a Lucy. Ela não tinha r espondido. Enviou outr a.

Lucy, quer o saber se você está bem.

– Sean, fale comigo.

Ele não conseguir ia ex plicar par a Kate, por isso nem tentou.

– Pr eciso ir – ele disse. – Tenho de ir par a a igr eja.

– Sean...

O comando de Kate foi inter r ompido pela volta da flor ista com um DVD.

– Isto aqui tem tudo da semana passada. Está pr ogr amado par a r egr avar a par tir do domingo à noite.

Sean pegou o disco antes que Kate conseguisse segur á-lo.

– Obr igado – Sean disse e caminhou em dir eção ao car r o. Jogou as chaves par a Kate. – Vou olhar isto aqui enquanto você dir ige par a a igr eja.

Assim que se sentou no banco do passageir o, ele pegou o laptop e inser iu o DVD. A qualidade da imagem em pr eto e br anco não er a magnífica e estava ligeir amente distor cida por causa das lentes lar gas, mas ele conseguia ver o bastante.

Kate disse:

– Fale comigo, Sean.

– Sensação r uim.

– Se isso ajuda, ela disse que o homem chegou entr e 8h30 e 9h00.

– Obr igado – Sean ajustou a busca a par tir das 8h25 na segunda-feir a.

Adiantou a filmagem, pr ocur ando um homem br anco baix o.

Às 8h39 ele entr ou.

O per seguidor admir ou um ar r anjo per to da por ta. Ele tinha cabelo cur to, cor tado de modo conser vador , e er a agr adável de olhar , nem bonito nem feio. Na média. Nor mal. Ele tinha a apar ência de um bom homem, e Sean estimava a idade que ser ia de uns 30 e poucos par a uns 40 anos.

Ele par ou diante da geladeir a e Sean deduziu, por compar ação, que a altur a dele devia ser de 1,70 m. Ele conver sou com a pr opr ietár ia, apontou par a um vaso de r osas, que Sean pr esumiu que fossem ver melhas, e caminhou na dir eção do balcão.

Foi no balcão que ele conseguiu a melhor imagem. O homem escr eveu o car tão e entr egou-o à mulher .

Sean cor tou essa imagem, ampliou-a em um pr ogr ama de edição de fotos e mandou dir etamente par a Noah Ar mstr ong e Jayne Mor gan no escr itór io da costa oeste da RCK.

Pr eciso do nome e do ender eço desta pessoa o mais r ápido possível.

Noah, esse é o per seguidor de Lucy. Kate e eu estamos a caminho da igr eja.

Sean fechou o laptop e jogou-o no banco de tr ás. Estava ansioso por dir igir ; Kate ia devagar demais.

– Vamos, Kate!

– Está nevando, se é que você não notou – ela r eplicou. Os dedos agar r avam o volante.

– Só... – ele r efr eou a cr ítica ver bal. De nada adiantar ia. Tentou falar com Lucy de novo. Nenhuma r esposta. Olhou pela janela e viu a neve cair com mais intensidade. Temeu chegar em tar de demais.

Sean estava quase ligando par a Noah par a se cer tificar de que ele havia r ecebido a mensagem quando o telefone de Kate tocou. Ele só ouviu o lado dela da conver sa, mas seu cor ação congelou.

– Tem cer teza? Ver ificou os banheir os? As outr as salas?... Estamos a dois ou tr ês minutos de chegar . Vou falar com Noah.

Sean vir ou-se par a ela.

– O que aconteceu?

– Dillon está na igr eja. Lucy não está lá – Kate mor deu o lábio infer ior .

– E?

– Mas o casaco está. Ela saiu da igr eja par a tomar ar vinte minutos atr ás e ninguém a viu desde então.

*

Es tou s atis feito.

Lucy Kin caid dorme n o ban co de trás . Lucy Kin caid es tá des acordada.

Os puls os e os torn ozelos es tão amarrados com fita ades iva. Ela n ão es tava in con s cien te quan do a amarrei. Ela quas e en ten deu o que es tava acon tecen do. M as a combin ação de GHB com is opropan ol que eu mes mo preparei s urtiu o efeito des ejado. Quan do ela s aiu da igreja, já es tava des orien tada. Quan do caiu n a n eve, eu s abia que ela n ão teria como s e defen der.

Pos s o ter min is trado uma dos e forte demais , porém eu n ão tin ha certeza da rapidez da abs orção pela pele. Es s a foi a ún ica vez que a vi s ozin ha em um lugar em que eu a pudes s e capturar. Ela des perdiçou demais o meu tempo com s eus jogos . Eu n ão podia permitir que ela gas tas s e n em mais um min uto. Cas o o n amorado dela es tives s e n a igreja, eu tin ha um plan o altern ativo.

Es tou con ten te por n ão ter s ido obrigado a matar outro homem, por mais patético que ele s eja. M as , s e n eces s ário, eu o faria, as s im como, por n eces s idade, matei o policial.

Lucy Kin caid precis a s er trein ada. Precis o domá-la. Ela é o problema.

Eu s ou a s olução.

Não acredito que ela s erá uma boa alun a. M as ela n ão pode s air impun e da ten tativa patética de me man dar de volta para a pris ão.

Ten ho gran des plan os para ela. Já ten ho a primeira lição preparada. A lição que a en s in ará que s ou eu quem man da, que a vida dela é min ha e que eu pos s o tomá-la quan do bem quis er. A lição mos trará a ela que ela n ão tem poder algum, n en huma es peran ça. É o primeiro pas s o, mas s empre o meu predileto. Fin ais e começos .

En quan to dirijo, con tin uo olhan do para ela pelo es pelho retrovis or. Os olhos dela es tão abertos , porém vidrados . Es pero que n ão es teja morta.

Preocupo-me um pouco. Garotas mortas n ão têm graça; n ão tive meu tempo com Lucy. Paro n a beira da es trada e viro para trás n o ban co. Pego o chicote e chicoteio a fêmea.

Ela con vuls ion a, um grito é abafado pela boca amordaçada. Eu s orrio.

Ela es tá viva. Claro que es tá. Sou bom demais para cometer erros com dos agem, mes mo experimen tan do algo n ovo.

Eu me mis turo ao trân s ito. Normalmen te n ão gos to de dirigir tão devagar, mes mo em um tempo como aquele, mas es ta n oite?

Es ta n oite, eu es tou muito s atis feito.

TRINTA E OITO

Sean e Kate bater am na por ta de vidr o da flor ista. Passavam cinco minutos das 19 hor as, e a loja já estava fechada.

Ele estr agou tudo. Por que não for çou a flor ista a identificar a pessoa?

Poder ia ter voltado com a foto de Lor enzo e ver ificado o r ecibo, compr ovando que foi ele quem compr ou as r osas. Por que acr editou tão pr ontamente? Por que Lor enzo ainda estava obviamente apaix onado por Lucy? Por que er a o ex -namor ado dela?

Mallor y podia estar mentindo quanto ao fato de não ter per seguido Lucy, mas Sean não quer ia cor r er r iscos. Havia muitas dúvidas e muito em jogo.

Kate chamou a mulher atr ás do balcão.

– FBI. Temos uma emer gência – mostr ou o distintivo pelo vidr o.

Lucy não estava atendendo ao telefone, mas pr ovavelmente o havia colocado no modo silencioso dur ante a missa. Ele enviou uma mensagem de tex to na esper ança de ela a ler :

Dillon está a caminho da Holy Tr inity. Não saia da igr eja em nenhuma cir cunstância. Me envie uma mensagem par a eu saber que você está bem.

Se Noah tivesse telefonado tr inta minutos antes, Sean não ter ia levado Lucy par a a igr eja. Ter ia ficado ao lado dela, mesmo ela pedindo que ele não o fizesse. Mas ele acr editou que ela estar ia segur a. Mallor y e os outr os estavam atr ás das gr ades e ninguém poder ia fer i-la.

Imaginou-a fer ida e assustada, e sua mente voltou a focalizar. Piedade não ajudar ia.

Ele pr ecisava pensar com clar eza.

– Maldição! – Kate mur mur ou quando a mulher a fitou com uma car r anca, sem se apr ox imar da por ta. Kate bateu com mais for ça. – Polícia! Emer gência!

– Talvez ela não fale inglês – Sean disse.

– Ela fala inglês – Kate disse. – Só não quer ser impor tunada – bateu na por ta mais uma vez. – Polícia!

A mulher quase se ar r astou até a por ta. Destr ancou-a, entr eabr indo-a.

– Estamos fechados.

– FBI. Temos per guntas a r espeito de um fr eguês.

A mulher fechou a car a.

– Não posso ajudar .

– Pode sim. Tem câmer as de segur ança – Kate apontou par a as câmer as. – Esteve tr abalhando na segunda-feir a?

– Sim, mas...

– Tenho algumas fotos que quer o que veja. Por favor, deix e-nos entr ar – isso soou mais como um comando do que como um pedido.

A mulher hesitou, depois suspir ou e os deix ou entr ar .

– Minha filha disse que alguém veio per guntar a r espeito de uma entr ega. Ela não dever ia falar dos nossos clientes.

Kate andou até o balcão.

– Na segunda-feir a, a senhor a teve um cliente que se identificou como Cody Lor enzo e que encomendou uma dúzia de r osas ver melhas par a ser entr egue a Lucy Kincaid em Volta Place.

– Sim. Ele pagou em dinheir o.

– Pr eciso que olhe algumas fotos e nos diga se algum desses homens er a Cody Lor enzo.

Ela fr anziu o cenho.

– Não sei se posso ajudar ...

– Pode – Kate inter r ompeu. – Isso é impor tante.

A mulher deu de ombr os, e Kate mostr ou-lhe a foto de Lor enzo. A mulher não deu nenhum indício de r econhecimento e balançou a cabeça.

– Não. O homem que veio aqui er a br anco, não er a mex icano.

Sean ficou tenso.

Kate mostr ou a foto de Mick Mallor y. A mulher balançou a cabeça.

– Este aqui é velho demais, aquele que veio aqui não tinha cabelos br ancos.

– Ele podia estar usando uma per uca – Sean suger iu.

– Não é ele. Este aqui par ece ir landês, r osto r edondo, olhos azuis, mas o homem que veio aqui tinha o r osto fino. Na média, menos de 40 anos, baix o.

– Baix o quanto?

A mulher olhou de Sean par a Kate.

– Mais baix o que você – disse par a Kate.

Kate tinha quase a mesma altur a de Lucy, cer ca de 1,70 m. O homem devia ter apr ox imadamente 1,65 m.

Kate uniu as sobr ancelhas. A última foto er a de Biggler, e ele er a mais alto. Mostr ou a foto.

– Não – disse a mulher . – Nenhum deles. O que está acontecendo?

– Pr ecisamos das fitas de segur ança de segunda-feir a.

Quando a flor ista foi par a o fundo, Kate se vir ou par a Sean e disse: – Mallor y deve ter outr o compar sa.

Sean não tinha tanta cer teza.

– Sean, no que está pensando? Está quieto demais.

– Isto não tem nada a ver com Mick Mallor y.

– Cody ser mor to pelo mesmo homem que mandou flor es par a Lucy?

Isso tem tudo a ver com Mallor y.

Alguma coisa não estava cer ta par a Sean, mas ele não sabia o que er a.

Olhou par a o celular pela décima vez desde que enviou a mensagem par a Lucy. Ela não tinha r espondido. Enviou outr a.

Lucy, quer o saber se você está bem.

– Sean, fale comigo.

Ele não conseguir ia ex plicar par a Kate, por isso nem tentou.

– Pr eciso ir – ele disse. – Tenho de ir par a a igr eja.

– Sean...

O comando de Kate foi inter r ompido pela volta da flor ista com um DVD.

– Isto aqui tem tudo da semana passada. Está pr ogr amado par a r egr avar a par tir do domingo à noite.

Sean pegou o disco antes que Kate conseguisse segur á-lo.

– Obr igado – Sean disse e caminhou em dir eção ao car r o. Jogou as chaves par a Kate. – Vou olhar isto aqui enquanto você dir ige par a a igr eja.

Assim que se sentou no banco do passageir o, ele pegou o laptop e inser iu o DVD. A qualidade da imagem em pr eto e br anco não er a magnífica e estava ligeir amente distor cida por causa das lentes lar gas, mas ele conseguia ver o bastante.

Kate disse:

– Fale comigo, Sean.

– Sensação r uim.

– Se isso ajuda, ela disse que o homem chegou entr e 8h30 e 9h00.

– Obr igado – Sean ajustou a busca a par tir das 8h25 na segunda-feir a.

Adiantou a filmagem, pr ocur ando um homem br anco baix o.

Às 8h39 ele entr ou.

O per seguidor admir ou um ar r anjo per to da por ta. Ele tinha cabelo cur to, cor tado de modo conser vador , e er a agr adável de olhar , nem bonito nem feio. Na média. Nor mal. Ele tinha a apar ência de um bom homem, e Sean estimava a idade que ser ia de uns 30 e poucos par a uns 40 anos.

Ele par ou diante da geladeir a e Sean deduziu, por compar ação, que a altur a dele devia ser de 1,70 m. Ele conver sou com a pr opr ietár ia, apontou par a um vaso de r osas, que Sean pr esumiu que fossem ver melhas, e caminhou na dir eção do balcão.

Foi no balcão que ele conseguiu a melhor imagem. O homem escr eveu o car tão e entr egou-o à mulher .

Sean cor tou essa imagem, ampliou-a em um pr ogr ama de edição de fotos e mandou dir etamente par a Noah Ar mstr ong e Jayne Mor gan no escr itór io da costa oeste da RCK.

Pr eciso do nome e do ender eço desta pessoa o mais r ápido possível.

Noah, esse é o per seguidor de Lucy. Kate e eu estamos a caminho da igr eja.

Sean fechou o laptop e jogou-o no banco de tr ás. Estava ansioso por dir igir ; Kate ia devagar demais.

– Vamos, Kate!

– Está nevando, se é que você não notou – ela r eplicou. Os dedos agar r avam o volante.

– Só... – ele r efr eou a cr ítica ver bal. De nada adiantar ia. Tentou falar com Lucy de novo. Nenhuma r esposta. Olhou pela janela e viu a neve cair com mais intensidade. Temeu chegar em tar de demais.

Sean estava quase ligando par a Noah par a se cer tificar de que ele havia r ecebido a mensagem quando o telefone de Kate tocou. Ele só ouviu o lado dela da conver sa, mas seu cor ação congelou.

– Tem cer teza? Ver ificou os banheir os? As outr as salas?... Estamos a dois ou tr ês minutos de chegar . Vou falar com Noah.

Sean vir ou-se par a ela.

– O que aconteceu?

– Dillon está na igr eja. Lucy não está lá – Kate mor deu o lábio infer ior .

– E?

– Mas o casaco está. Ela saiu da igr eja par a tomar ar vinte minutos atr ás e ninguém a viu desde então.

*

Es tou s atis feito.

Lucy Kin caid dorme n o ban co de trás . Lucy Kin caid es tá des acordada.

Os puls os e os torn ozelos es tão amarrados com fita ades iva. Ela n ão es tava in con s cien te quan do a amarrei. Ela quas e en ten deu o que es tava acon tecen do. M as a combin ação de GHB com is opropan ol que eu mes mo preparei s urtiu o efeito des ejado. Quan do ela s aiu da igreja, já es tava des orien tada. Quan do caiu n a n eve, eu s abia que ela n ão teria como s e defen der.

Pos s o ter min is trado uma dos e forte demais , porém eu n ão tin ha certeza da rapidez da abs orção pela pele. Es s a foi a ún ica vez que a vi s ozin ha em um lugar em que eu a pudes s e capturar. Ela des perdiçou demais o meu tempo com s eus jogos . Eu n ão podia permitir que ela gas tas s e n em mais um min uto. Cas o o n amorado dela es tives s e n a igreja, eu tin ha um plan o altern ativo.

Es tou con ten te por n ão ter s ido obrigado a matar outro homem, por mais patético que ele s eja. M as , s e n eces s ário, eu o faria, as s im como, por n eces s idade, matei o policial.

Lucy Kin caid precis a s er trein ada. Precis o domá-la. Ela é o problema.

Eu s ou a s olução.

Não acredito que ela s erá uma boa alun a. M as ela n ão pode s air impun e da ten tativa patética de me man dar de volta para a pris ão.

Ten ho gran des plan os para ela. Já ten ho a primeira lição preparada. A lição que a en s in ará que s ou eu quem man da, que a vida dela é min ha e que eu pos s o tomá-la quan do bem quis er. A lição mos trará a ela que ela n ão tem poder algum, n en huma es peran ça. É o primeiro pas s o, mas s empre o meu predileto. Fin ais e começos .

Continuar: parte 15 de 17