Se eu Morrer Antes de Você

Allison Brennan · Capítulo 1 de 1 · parte 11/17

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Se eu Morrer Antes de Você

1. Um

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 17 partes.

Sean olhou par a ele sem entender .

– Há alguma coisa impor tante em Seattle?

Foi Dillon quem r espondeu:

– Foi par a onde Adam Scott e Mor ton levar am Lucy após o sequestr o.

Par a uma ilha per to de Seattle.

Sean sentiu a pele ar r epiar .

– Por que ele foi par a lá?

– Não sabemos, – Hans disse – mas a polícia de Seattle está investigando. Ele está envolvido nisso desde o início.

Sean foi até a bancada da cozinha e encheu a caneca, mesmo não gostando tanto assim de café. Pr ecisava de algo com que se ocupar ou ir ia buscar Lucy naquele instante.

– Por que não pode simplesmente levar Fr an Buckley par a uma sala de inter r ogatór io? – Sean disse, impaciente com tantas especulações e poucas r espostas. – Sabemos que ela está envolvida. Só não consigo acr editar que sete agr essor es sex uais, per dão, oito, incluindo Mor ton, tenham sido assassinados sem que ela soubesse ex atamente o que está acontecendo.

– Concor do, – Hans disse – mas não conhecemos a ex tensão desse gr upo de vingador es, se ela é a líder ou só um dos subalter nos. Se a tr oux er mos cedo demais sem pr ovas, acabar emos aler tando o gr upo e os sócios dela desapar ecer ão. Pr ecisamos de algo mais...

– Como o quê? – Sean inter r ompeu.

– Uma ligação.

Bem, aquilo er a bem vago. Sean fechou a car a e olhou por sobr e o ombr o de Dillon.

– Onde está o r egistr o de tr abalhos dela no FBI?

– Ainda não cheguei lá.

– Ela se aposentou. Aposto como ainda tem muitas conex ões. Em que divisão ela tr abalhava?

– Quanto você sabe sobr e o FBI? – Kate per guntou, tir ando a pasta das mãos de Dillon.

– Duke é casado com uma feder al. Ter r or ismo doméstico. Jack também é casado com uma. Temos muitos ex -feder ais tr abalhando na RCK, FBI, ICE, DEA, pode escolher o acr ônimo que quiser . Eu absor vo as infor mações.

Dillon infor mou:

– Ela se aposentou há dez anos, cinco antes do esper ado.

– Mas ela já tinha vinte de ser viço, não é algo incomum.

– Kate, você conheceu Fr an quando ela ainda estava no depar tamento?

Kate balançou a cabeça.

– Não ér amos do mesmo escr itór io: eu fiquei no de Washington todos os seis anos antes de ter de me esconder – Kate folheou a pasta de Fr an. – Ela passou seus pr imeir os tr ês anos na Filadélfia, dez anos em Richmond, depois os últimos sete em Boston como Agente Especial Super visor a – ela continuou passando pelas folhas quando ex clamou: – Ai, meu Deus!

Sean viu o sangue fugir do r osto de Kate. Ele nunca tinha visto a impassível agente com medo. Ela passou a pasta par a Dillon com mãos tr êmulas.

– Veja o tr abalho dela em Richmond pouco antes de ela se aposentar.

Dillon, esta é a ligação.

Sean olhou por cima do ombr o de Dillon, mas nada muito óbvio chamou sua atenção.

– O que foi?

Kate fitou Hans.

– Eu não sabia que Mick Mallor y esteve em Richmond.

– Quem é Mick Mallor y? – Sean ex igiu saber .

– Nem sei por onde começar – Kate mur mur ou.

Dillon ex plicou:

– Mallor y er a um policial disfar çado na Empr eendimentos Tr ask tr abalhando par a um agente do FBI. Ele ficou tão envolvido que se tor nou um deles.

O sangue nas veias de Sean congelou.

– Você não está quer endo dizer que...

– Ele foi longe demais ao não entr egar Tr ask quando teve a opor tunidade, mas o chefe dele quer ia infor mações específicas, e Mallor y estava sofr endo muita pr essão. Enquanto ele ainda er a um agente da ativa, se envolveu em uma missão do FBI com a Nar cóticos. Seu disfar ce foi descober to e o alvo matou a esposa e o filho dele – a pr incípio, Sean detectou uma pontada de simpatia no tom de Dillon, mas ela logo desapar eceu quando ele continuou ex plicando o que havia acontecido com o agente per tur bado: – Mallor y per deu tudo o que mais impor tava, e foi colocado em uma ár ea administr ativa, mas não conseguiu esquecer o assunto. Ele foi atr ás do alvo e a coisa acabou em um banho de sangue.

Dois agentes for am gr avemente fer idos no pr ocesso e todos os suspeitos for am mor tos. As infor mações que o FBI e a Nar cóticos pr ecisavam mor r er am com eles. Mallor y per deu o empr ego, e não se meteu em maior es confusões antes de ser r ecr utado par a se infiltr ar na Tr ask. Ele justificou suas ações por que a r ecompensa, colocar Tr ask e os demais na pr isão ou em uma cova, er a tudo o que ele conseguia enx er gar. E aquele maldito do Mer r itt o usou! – ele bateu no tampo da mesa com o punho.

Sean nunca tinha visto Dillon Kincaid tão br avo, por isso quase deu um passo par a tr ás de tão sur pr eso. Kate pousou uma mão no br aço de Dillon.

A mão dele cobr iu a dela.

– Não... – disse ela suavemente.

Hans disse:

– Mer r itt está mor to. Pode ter sido acidente de car r o ou suicídio, seis meses depois que tudo acabou. Ele deix ou um diár io detalhado de tudo o que fez e o que or denou que Mallor y fizesse. Mallor y foi consider ado mentalmente suicida e inter nado em uma instituição mental por dezoito meses.

– Per feito. Pr imeir o Mor ton só pega seis anos na pr isão, depois esse cr etino do Mallor y é consider ado doente mental? Acor dos mar avilhosos enquanto as pessoas mor r em! – Sean jamais entender ia o sistema penal.

Não er am aqueles cujas vidas er am ar r iscadas diar iamente que estr agavam as coisas, mas sim os políticos e os advogados. Os policiais faziam o tr abalho deles, mas no fim, se alguém ia ou não par ar na pr isão er a uma aposta que podia dar qualquer r esultado.

– Mallor y foi alvejado e dado como mor to quando Tr ask descobr iu que ele havia mandado uma infor mação sobr e a localização de Lucy.

– Você está dizendo que esse car a viu Lucy ser atacada? – Sean nunca antes ficou tão ir ado em toda a sua vida.

– Acalme-se, Sean. Você não estava lá – Kate r ebateu.

Ela tinha r azão. Mas, maldição, ele se impor tava com Lucy! Saber que um agente feder al per mitiu que ela fosse br utalmente estupr ada e não fez nada par a evitar isso deix ava Sean fisicamente doente e mor r endo de ódio.

Dillon disse:

– Se Mallor y e Fr an Buckley se juntar am, este tipo de oper ação de vingador es pode se encaix ar em ambas as per sonalidades.

Hans concor dou:

– Se Mallor y estiver envolvido, isso pode ex plicar o homicídio de Mor ton. Se ele achou que Mor ton estava tendo uma r ecaída, então Mallor y cer tamente ir ia atr ás dele.

– Eu acho que Mallor y ir ia atr ás de Mor ton não impor tando o motivo – Kate disse. – Mas isso ainda não ex plica por que Mor ton estava em D.C., nem por que Ralston foi par a Seattle.

– Onde está Mallor y agora? – Sean per guntou.

– Não sabemos – Kate disse. – Ele desapar eceu depois que saiu do hospital.

– Pr ecisamos encontr á-lo – Hans disse.

A campainha tocou, e Kate levantou-se par a atender à por ta. Hans inclinou-se par a fr ente e sussur r ou:

– Dillon me contou sobr e a escuta que você plantou. Vamos deix ar isso de lado.

Sean enx er gou Hans com outr os olhos. Ele não er a um agente feder al típico.

Kate r etor nou com os agentes Noah Ar mstr ong e Abigail Resnick.

– Mor ton foi par a Somer set, em Mar yland, na noite em que chegou a D.C. – Noah infor mou sem pr eâmbulos. – Ele estacionou na Rua Eucalipto, e Abigail e eu inter r ogamos todos os vizinhos que estavam em casa de manhã, aver iguamos os r egistr os de pr opr iedade das casas a cem metr os do ponto em que Mor ton estacionou. Ninguém bate com a lista de contatos de Mor ton, mas há algumas casas alugadas e ainda estamos aver iguando com os pr opr ietár ios.

Abigail disse:

– Vou voltar à noite par a falar com quem não encontr amos. Ele ficou lá por vinte e cinco minutos, por tanto deve ter tido um motivo.

– Talvez fosse apenas um encontr o mar cado na r ua, no car r o ou em um estacionamento – Kate ponder ou. – E não na casa de alguém.

– Impr ovável – Noah disse. – A vizinhança é bem estabelecida e mantida.

Alguém ter ia notado um estr anho, e ele foi par a lá depois das oito da noite. Mas tudo é possível – Noah se vir ou par a Sean. – Rogan, pr ecisamos conver sar sobr e Ser gey Yur an.

Sean pr ocur ou não se ir r itar com o tom oficial de Noah. Ele não confiava no senhor Lei e Or dem. Noah er a muito pr eto no br anco par a o seu gosto, mas o quanto antes par tilhassem infor mações e encontr assem o assassino de Mor ton, melhor ser ia par a Lucy. Se o homicídio de Mor ton estivesse ligado ao dos outr os cr iminosos em condicional como ele e Kate haviam especulado, todos os pr oblemas de Lucy ser iam solucionados e Sean poder ia afastá-la da cidade por alguns dias.

– Fui vê-lo no sábado.

– Por quê?

– Ele er a um dos associados de Mor ton. Eu o conhecia, não pessoalmente, mas a RCK tr abalhou em missões de r esgate no mundo inteir o; sabemos que ele lida com tr áfico de ser es humanos. Er a um lugar óbvio par a se começar .

– Par a eu começar , não você.

– Ele jamais ter ia falado com você, e você sabe disso. Cr iminosos como Yur an br incam com o sistema, e é por isso que ele está sob super visão.

Meu palpite ser ia a Imigr ação. Estou sur pr eso que eles tenham par tilhado infor mações com você.

Noah ir r itou-se.

– Quem lhe disse isso?

– Eu os vi.

– Duvido muito.

Sean não comentou; isso só ir r itar ia o feder al ainda mais.

– Se eu tivesse infor mações sobr e Mor ton ou sobr e quem o matou, eu ter ia lhe dito.

– Você não é um policial; não sabe o que está acontecendo nesta investigação, nem que per guntas deve fazer .

Sean levantou a sobr ancelha.

– Tudo o que ele disse foi que ouviu que alguém estava pr ocur ando um per ito em negociação de sex o pela inter net e que mandou investigar, mas não descobr iu nada. Disse que ou o homem tinha desapar ecido ou havia per dido o inter esse. Pr essentindo que havia algo estr anho, não foi atr ás.

– Maldição, Rogan, você está atr apalhando esta investigação!

– Não estou, não – Sean disse com fir meza. – Yur an não confiou na fonte por que ela não apar eceu pelos canais nor mais.

– E você acr editou nele? Yur an comanda uma das maior es or ganizações da máfia r ussa na r egião de D.C.

– Sei tudo a r espeito de Yur an. Não há por que ele mentir par a mim.

Eu não sou tir a e não estava atr ás dele.

– Ele poder ia estar envolvido no assassinato de Mor ton. Ele e Ralston for am executados .

– Algo comum na máfia, mas não é o estilo de Yur an.

– E você s abe disso...

– Faço a minha pesquisa.

– Eu gostar ia de saber de onde consegue as suas infor mações.

– Isso é confidencial.

Estavam em um impasse, mas Sean não r ecuar ia. Sabia o bastante a r espeito de Yur an par a saber que ele não se inter essava por por nogr afia vir tual. Se ele achasse que havia alguma coisa lá, ele par tilhar ia suas infor mações, mas Sean não queimar ia os ir mãos por eles ter em lhe feito um favor que fazia fr onteir a com a ilegalidade.

– Você está começando a me ir r itar, Rogan. Eu dever ia pr endê-lo par a inter r ogatór io.

Sean levantou-se.

– Se está me acusando de algum cr ime, chegamos ao fim da nossa conver sa.

– Que tal começar mos com inter fer ência em uma investigação cr iminal feder al?

Sean começou a andar na dir eção da por ta.

– Telefone par a o meu advogado.

Kate disse:

– Sean, não vá embor a.

– Não vou br incar de cabo de guer r a com um agente feder al. Já me queimei antes – olhou r apidamente par a Noah, que o encar ava.

– Não vai ficar longe de encr enca – Noah r etr ucou.

Hans inter veio:

– Noah, par e de pr ovocar Sean.

– Acho que ele quer me ver de coleir a – Sean mur mur ou.

– Tr égua – Hans pr opôs. – Estamos do mesmo lado.

Hans tinha r azão. Sean não pr ecisava gostar de Noah Ar mstr ong, mas dever ia ter agido com mais astúcia em vez de deix ar que o agente o ir r itasse.

Kate bateu na pasta pessoal de Fr an Buckley.

– Vingador es atr ás de cr iminosos em condicional. Mor ton se encaix a.

Sean vir ou-se par a Kate ator doado.

– O que você está fazendo?

– Está tudo ligado, Sean – ela lançou um olhar mandando-o r ecuar .

Relutante, ele obedeceu, mesmo fumegando por dentr o. Não confiava em Noah Ar mstr ong a ponto de ele não destr uir o sonho de Lucy de se tor nar uma agente do FBI. Se ele achasse que Lucy sabia desses homicídios, ela não ter ia a mínima chance.

Hans falou:

– Lucy descobr iu uma leva de assassinatos movidos a vingança r elacionada ao gr upo Pr ior idade par a Mulher es e Cr ianças. Ela mostr ou as infor mações par a Kate e par a Dillon, e eles me pedir am que eu tr oux esse os ar quivos das pessoas que pudessem estar envolvidas.

Sean gostou de Hans Vigo no instante em que o encontr ou, mas agor a a estima pelo per ito er a maior ainda. O veter ano do FBI foi br ilhante, dizendo a ver dade sem dar os detalhes que poder iam colocar em r isco as chances de Lucy no depar tamento.

– Está dizendo que Mor ton foi assassinado por um vingador ? – Noah per guntou.

Hans assentiu e contou a Noah um r esumo das descober tas de Lucy, do assassinato de Br ad Pr enter e dos outr os cr iminosos. Concluiu dizendo: – De acor do com os r egistr os detalhados de Lucy, dos 28 casos em que ela tr abalhou, a maior ia voltou par a a pr isão, mas oito estão mor tos.

– Estar mor to não significa que...

Hans inter r ompeu-o:

– Todos for am assassinados na noite em que dever iam ser pr esos.

– Há diver sas outr as pessoas no PMC fazendo a mesma coisa, – Kate disse – mas Lucy não tem acesso a esses r egistr os.

– Eu deduzo que a pr opor ção mantenha-se, – Hans disse – quatr o par a um par a cada funcionár io. Duvido que Fr an Buckley estivesse usando somente Lucy nesse pr ojeto.

Noah se sentou par a pr ocessar a infor mação. Sean voltou par a a cozinha e apoiou-se na bancada, de onde ele podia ver e ouvir .

– Tem pr ovas disso?

– Temos pr ovas de que oito homens mor r er am na noite em que dever iam ser pr esos – Hans r espondeu. – Também sabemos que alguém invadiu a conta do PMC de Lucy e mandou a última vítima, Br ad Pr enter, par a um lugar completamente difer ente do local ar r anjado par a efetuar a pr isão.

– Onde Mor ton se encaix a nisso? – Noah quis saber .

– Pouco antes de você chegar , encontr amos uma ligação entr e Buckley e Mor ton – Hans esclar eceu.

– Você conhece o ex -agente do FBI Mick Mallor y? – Kate per guntou.

Noah balançou a cabeça, mas a agente Resnick falou: – Lembr o-me de Mallor y. Depois que a família dele foi assassinada por um cr iminoso, ele per deu a cabeça. Foi tr abalhar disfar çado par a a empr esa cr iminosa de Adam Scott, nada disso autor izado pelo depar tamento.

– Mallor y é um patife com um juízo pr ópr io do que é cer to ou er r ado, mas nos ajudou a localizar Lucy – Kate disse. – Mallor y estava per dido. Ele estava tão infiltr ado, havia par ticipado de muitos cr imes, mas ainda assim seu contato o pr essionou.

Dillon esticou a mão par a segur ar a dela.

– Mallor y tr abalhou no escr itór io de Richmond com Buckley por dois anos – Hans ex plicou.

Noah não disse nada por uns bons minutos.

– Há quanto tempo isso?

– Há quase 20 anos. Mallor y er a um agente novato na época em que Buckley tr abalhava na divisão de cr imes violentos.

Noah esfr egou os olhos.

– O que você acha disso, Hans?

– Acr edito que tanto Buckley quanto Mallor y sejam capazes de cometer assassinatos em deter minadas cir cunstâncias.

Noah olhou par a o teto. Sean pr aticamente lia a mente dele apesar de ele manter o r osto impassível. Ele r epassava o caso, pesava as evidências contr a as suposições. Por fim, disse:

– Pr ecisamos inter r ogar Fr an Buckley e encontr ar Mallor y. Imagino que vocês não saibam onde ele está, cor r eto?

– Ainda não – Hans disse. – Acabamos de estabelecer a ligação agor a de manhã, nem começamos a pr ocur ar .

Noah voltou-se par a Abigail.

– Consegue a atual localização dele?

– Pode deix ar .

– A r espeito de Fr an, – Kate continuou – chamá-la pode não ser vantajoso.

– Por que não? Hans disse que temos pr ovas de que alguém no PMC

matou esses cr iminosos em condicional.

– Não, – Hans cor r igiu – temos pr ovas de que eles for am assassinados na noite em que dever iam ser pr esos por policias voluntár ios. Há mais uma coisa a consider ar : as per sonalidades.

– Ex plique-se.

– Buckley e Mallor y não são líder es. Mallor y sempr e acatou or dens. Foi militar, tr abalhou infiltr ado, mas sempr e agiu sob a super visão de um super ior. Nunca fez nada por conta. Mesmo quando tr abalhava disfar çado par a Tr ask, ele o fez a mando de um agente em um alto car go do FBI.

Buckley dir ige o PMC, e na super fície pode par ecer a líder, mas ela foi super visor a por sete anos em Boston e não se saiu bem em suas funções. Li os r elatór ios, e ela se apoiava nos seus super ior es mesmo nas decisões de pouca impor tância. A ponto de, mesmo mantendo o car go e o salár io de agente especial super visor a, ter sido demovida par a um papel de não super visão.

– Você está suger indo que há uma ter ceir a pessoa envolvida – Noah disse.

– Acho que isso é bem pr ovável. Não tenho cem por cento de cer teza, Mallor y tem a capacidade de ser líder, só nunca o foi – Hans tambor ilou os dedos e fitou o teto. – Se houver outr a pessoa envolvida, um líder, então ele per deu alguém pr óx imo a ele. Uma das vítimas está de alguma for ma ligada a ele. Pr eciso de mais detalhes sobr e os homicídios. Dillon fez uma cópia dos ar quivos de Lucy e vou r evisá-los par a ver se encontr o alguma outr a ligação.

– Acha que há mais de tr ês pessoas envolvidas? – Dillon per guntou. – Par a cr imes como esses, em sete difer entes estados, mais par ece uma r ede.

– É um gr upo pequeno – Hans disse. – Uma conspir ação muito maior não conseguir ia manter o contr ole das suas atividades por tanto tempo. Não há pr ovas nas cenas dos cr imes que liguem um a outr o. Isso me diz que há dinheir o envolvido par a compr ar ar mas e livr ar -se delas. Usam a ar ma uma vez, livr am-se dela, compr am outr a. Viagens... Mallor y pode facilmente viajar pelo país. Não há laços que o liguem às cidades em que os cr imes for am cometidos, o assassino per feito. Imagino que possa ex istir outr a pessoa envolvida, mas ter ia de ser alguém em que Mallor y confiasse.

Mallor y é a chave; ele sabe quem é o encar r egado.

Sean pensou no que Hans disse, a mente passando as pessoas possíveis que poder iam or ganizar um gr upo de vingador es tão elabor ado e bem-sucedido. Telefonar ia par a Duke assim que saísse dali. Entr e seu ir mão e T.J. Car uso, eles tinham contatos em todo o mundo.

Noah per guntou a Hans:

– Quem é o elo fr ágil?

Hans pesou as possibilidades com cuidado.

– Fr ances Buckley, se inter r ogada devidamente por uma autor idade masculina – olhou par a Kate. – Sem quer er ofender , Kate.

Ela dispensou o comentár io dele.

– Eu entendo. Ela é das antigas, consider a as mulher es como iguais e os homens seus super ior es.

– Não ex atamente – Dillon ponder ou. – Acho que ela despr eza as mulher es.

– Ex ato – Hans concor dou.

– Não entendo – Sean inter veio. – Ela gosta de Lucy, ou então é uma ex celente mentir osa.

– Tem r azão no que se r efer e a Lucy, Sean – Hans disse. – Pense no seguinte. Fr an tem 70 anos. Ela entr ou no depar tamento quando poucas mulher es o faziam, quando a mentalidade de Hoover er a a dominante. Ela br igou muito par a conseguir o que conquistou. Muitas das mulher es de sua época não conseguir am, ou escolher am pr ofissões em que não pr ecisar iam bater de fr ente com os homens. Por isso ela se consider a super ior à maior ia das mulher es; por que ela escolheu o caminho mais difícil. Em seguida pense no campo de tr abalho que ela escolheu depois da aposentador ia. Pr edador es sex uais. Eles caçam mulher es e cr ianças. Os fr acos, na mente dela. Ela pr otege os fr acos. Isso a coloca em um patamar elevado. Junte isso ao ultr apassar dos limites, ela não está só legalmen te tr abalhando par a pr oteger os fr acos, ela está fazendo muito mais. Ela está ar r iscando a sua vida e a sua liber dade par a pr oteger outr as mulher es e outr as cr ianças, não a si pr ópr ia.

– Talvez não seja ex atamente despr ezo, – Dillon cor r igiu-se – mas um complex o de super ior idade. Ela está fazendo o que outr os se r ecusam a fazer .

– O que fazemos par a ela falar ? – Noah per guntou.

– Colocamos Rick Stockton e Dillon na sala – Hans r espondeu. – Rick é a autor idade supr ema, só um passo abaix o do dir etor do FBI, e conhecido por ser dur o, por ém justo. Ele faz o papel do policial malvado. Dillon se solidar iza com ela, a compr eende, até a elogia. Afaga o seu ego, faz com que ela saiba que é admir ada e r espeitada por fazer a coisa cer ta diante de cir cunstâncias tão adver sas. Ninguém entende a pr essão que ela enfr enta etc. e tal.

– Isso não ser ia um conflito de inter esse par a mim? – Dillon per gunta.

Hans balança a cabeça.

– Não com Buckley, e ela se sente à vontade com você por que ela o conhece, conhece Lucy. Isso vai funcionar. Mas se encontr ar mos Mallor y?

Fique longe dele.

– Não pr ecisa me dizer isso duas vezes – Dillon disse.

– Vou falar com Stockton par a que sejam pr ovidenciados os mandados, depois tr ar emos Buckley – ele levantou a mão par a impedir qualquer outr o comentár io. – Você disse que Lucy tem suspeitas. Acr edita que Buckley possa saber que suspeitamos dela?

Hans assentiu.

– Ela pode estar demor ando a acr editar, mas isso não vai dur ar muito; ela logo vai começar a destr uir pr ovas.

– Se é que já não o fez – Noah comentou. – Não temos mais nada, não temos pr ovas concr etas, nem for enses, tampouco testemunhas.

– Lucy tem uma cópia de tudo o que...

Noah inter r ompeu Kate.

– É bom ter uma cópia, mas se não é o banco de dados or iginal, não ter emos pr ovas de que Lucy não tenha manipulado ou modificado as infor mações. Tenho cer teza de que ela não fez isso, – ele acr escentou r apidamente – mas tente pr ovar isso par a a Pr omotor ia dos Estados Unidos. Pr ecisamos de todos os ar quivos, de todos os computador es, de todos os backups , e se as pr ovas cir cunstanciais de Lucy for em boas o bastante par a um juiz, ter emos tudo até o fim do dia.

VINTE E OITO

Noah deix ou bem clar o a Sean que ele poder ia ser útil, mas que não dever ia atr apalhar a investigação. Kate pux ou Sean par a o lado e disse-lhe que o melhor que ele tinha a fazer er a ficar de olho em Lucy até a situação com o PMC ser solucionada. Sean concor dava, mas dispunha de muitas hor as até ter de ir buscá-la no IML. Não poder ia ficar sentado simplesmente sem fazer nada, por isso foi par a casa fazer sua pr ópr ia pesquisa.

Visto que as duas pessoas alegadamente envolvidas no gr upo de vingador es er am antigos agentes do FBI, Noah fazia a sua investigação bem secr eta. Ele mandou um r esumo par a Rick Stockton, que, pelo visto, estava a par do assunto, mas todo o r esto estava for a dos r egistr os. Eles não quer iam aler tar Fr an Buckley nem Mallor y a fim de que não tivessem a chance de fugir ou de destr uir pr ovas. Ser ia ex tr emamente difícil conseguir uma acusação, quanto mais um mandado de pr isão, uma vez que não ex istiam pr ovas físicas. Sean entendia a pr essão que Noah sofr ia par a que um dos dois abr isse o bico. A descober ta de Lucy a r espeito dos condenados em condicional que estavam sendo ex ecutados er a um aler ta ver melho, mas não havia evidências que atestassem que o PMC estava envolvido nisso tudo. A única pr ova de que dispunham vinha de Cody Lor enzo, que havia compilado um e-mail de um r elatór io de polícia. Eles pr ecisavam pr ovar que alguém dentr o do gr upo havia usado a senha de Lucy, o que valia dizer que eles necessitavam dos r egistr os do PMC antes que eles fossem destr uídos, se é que já não haviam sido.

E ligar tudo isso a Mor ton? Eles podiam ligar os pontos, mas os pontos estavam espalhados em todos os lugar es e a figur a for mada não estava muito nítida.

Sean ligou par a Duke par a colocá-lo a par da situação. Mesmo quando tinham desavenças, como no começo daquela investigação, Duke sempr e fazia de tudo par a ajudar. Ele disse que balançar ia algumas ár vor es par a ver o que cair ia.

– Você pr ecisa saber que alguém tentou vasculhar o seu passado – Duke aler tou-o.

Sean não estava sur pr eso.

– Quem?

– Não sei, mas foi de alguém de D.C.

– O FBI?

– Eu saber ia se fosse o FBI. Isso foi uma investigação par ticular .

Ele se per guntou quem poder ia ter sido. Lor enzo? Fr an Buckley? Ou não estava r elacionado com aquele caso?

– Posso chegar aí bem cedo amanhã. É só me pedir – Duke disse.

– Tenho tudo sob contr ole. Esta não é uma oper ação solo, o FBI está com os dois pés na situação.

– Tome cuidado.

Sean desligou e fez sua pr ópr ia investigação sobr e Mick Mallor y. Não ajudou muito o fato de que M ick M allory fosse um nome bem comum. Sean, por ém, sabia alguns tr uques e não demor ou muito par a encontr ar o homem.

Pesquisando nos ar quivos dos jor nais, ele encontr ou a notícia da bomba que matou a família de Mallor y. O nome dele havia sido deix ado de lado e a vítima, Janice Blair, e o filho não tinham o sobr enome de Mallor y, mas como estavam nos Estados Unidos, bombas plantadas em car r os er am ex tr emamente r ar as.

Sean não conseguiu encontr ar nada viável sob o nome de Janice Blair nem de Michael Mallor y, tampouco com a combinação dos dois nomes. Ele pux ou o obituár io de Janice e obser vou que ela er a a única filha de Mar gar et-Ann Blair, de Her ndon. Ele não pr ecisou de muito tempo par a descobr ir que a senhor a de 92 anos de idade mor ava em uma casa de r epouso em Chevy Chase, Mar yland, mas ainda tinha uma pr opr iedade em Her ndon. Sean teve um palpite, se a sogr a mor ava em um asilo, quem mor ar ia na casa?

Ainda er a meio-dia. Ter ia tempo de dir igir até Her ndon e voltar a tempo de buscar Lucy.

Sean buscou a ar ma r eser va. Ele sempr e car r egava a 9 mm consigo, mas pr efer ia a .45. Acr escentou uma Taser e mais munição antes de pegar as chaves. Já estava no car r o quando Dillon Kincaid estacionou o dele.

Sean quase aceler ou, fingindo não tê-lo visto, mas Dillon o fitou dir eto nos olhos. Ele abaix ou o vidr o do car ona par a falar, mas Dillon pux ou a tr ava da por ta e se sentou ao lado dele.

– Tenho uma coisa par a r esolver – Sean disse.

– Você vai atr ás de Mallor y.

– Por que acha isso?

– Sou bom no meu tr abalho.

– O que você é? Vidente?

– Vidente, psiquiatr a, são pr aticamente coisas idênticas, não é mesmo?

– Então você me analisou?

– Estou er r ado?

Sean não r espondeu.

– Vou com você.

– Não...

– Por quê? Por que é per igoso demais e eu não sou policial? – Dillon balançou a cabeça. – Sabe de uma coisa? Você também não é.

– Você sabe onde ele mor a?

– Não – Dillon r espondeu. – Mas acho que você já descobr iu.

– Kate vai me matar – Sean mur mur ou ao aceler ar .

– Pr ovavelmente.

– Ligue e conte par a ela.

– Que nós vamos confr ontar Mallor y? Ela vai me matar .

– Ao menos mande o ender eço par a ela. Não sabemos ao cer to se Mallor y está mor ando lá, mas não quer o Noah Ar mstr ong fungando no meu cangote, falando sobr e obstr ução de justiça ou qualquer asneir a do tipo. Só estou avaliando a situação, não quer o encr enca – Sean não sabia se isso er a ver dade ou não, mas o que disse soou bem.

*

De volta ao seu cubículo no escr itór io do FBI, Noah r apidamente enviou uma mensagem par a Rick Stockton par a que ele apr essasse os mandados contr a Fr an Buckley e o PMC. Stockton achava que eles tinham o bastante, mas Noah estava cético.

Ele r epassou o caso metodicamente, tanto as suas anotações quanto as de Abigail. Enviou tudo, bem quando Sandy, a analista que estava tr abalhando no caso com eles, mandou uma mensagem com a lista de pr opr ietár ios na r ua Eucalipto, em Somer set, e das duas r uas per pendicular es. Ele olhou r apidamente par a a lista, depois r eleu.

Biggler.

Ele consultou o mapa e a casa de pr opr iedade de David e Br enda Biggler estava vazia e havia sido colocada a venda há quatr o meses.

Não podia ser coincidência que Ralston tivesse sido o infor mante de Jerry Biggler .

Uma vez que Abigail estava a caminho de Somer set, Noah r apidamente enviou uma mensagem par a que ela aver iguasse a casa e falasse com os vizinhos a r espeito dos Biggler. Em seguida, ele fez uma r ápida investigação par a saber mais sobr e os dois. Logo descobr iu que não er am casados, mas sim ir mãos. A casa tinha sido do pai, o detetive Jer r y Biggler , que mor ou lá até mor r er .

Definitivamente nenhuma coincidência.

David Biggler, 34 anos, er a pr ofessor de inglês do Ensino Médio. Um profes s or. Noah pux ou a foto dele. Ele par ecia um bom r apaz, embor a fosse apenas um ano mais jovem do que Noah. Biggler er a for mado em Liter atur a Amer icana na Univer sidade John Hopkins.

Br enda Biggler , 26 anos, er a uma atr aente enfer meir a loir a.

Um pr ofessor e uma enfer meir a. Talvez estivesse equivocado quanto àquilo.

Obser vou mais atentamente a histór ia dos dois. David Biggler só havia se for mado quatr o anos antes. Noah vasculhou mais a fundo. Biggler havia se alistado como fuzileir o naval quando completou 18 anos. Passou oito anos na ativa. Voltou par a casa depois da mor te do pai e foi par a a univer sidade.

Noah r evisou as anotações sobr e Mallor y. Ele também foi fuzileir o.

Coincidência?

Biggler estar ia metido naquela histór ia? Estar ia ele com Mor ton e Ralston ou com Mallor y e Buckley?

Mas o que o far ia ajudar o infor mante do pai em um empr eendimento cr iminoso ou se tor nar um vingador ? Nem ele nem a ir mã tinham passagem pela polícia. David havia sido ex oner ado com honr ar ias.

Noah consider ou o que Hans Vigo disse sobr e as per sonalidades dos vingador es e se per guntou se estar ia deix ando passar alguma coisa no passado de Biggler. Onde estar ia a mãe? Divor ciou-se quando David tinha 14 anos. Ela foi par a o Ar izona e voltou a se casar. Não par ecia ter havido muita comunicação entr e as cr ianças e a mãe, e er a estr anho o pai ganhar a custódia, ainda mais há mais de duas décadas. Ele ter ia de pedir à analista que r evisasse o caso, mas não havia como obtê-lo ainda naquele dia.

Noah pr ecisou de vinte minutos par a encontr ar a conex ão. Aliás, jamais a ter ia encontr ado se não estivesse pr opositadamente pr ocur ando, ou se não tivesse conver sado com Hans pela manhã.

Quatr o meses antes de a senhor a Biggler dar entr ada na papelada do divór cio, Nicole Biggler, de 13 anos, foi violentada e assassinada por um conhecido agr essor sex ual, solto somente tr ês meses antes, após cumpr ir pena de quatr o anos por tentativa de estupr o de uma gar ota de 15 anos.

Hans disse que os vingador es envolvidos pr ovavelmente tinham per dido alguém de modo violento. Per der uma ir mã aliado à par tida da mãe pode ter sido o que motivou Biggler a se tor nar um vingador. Só por que ele não tinha ficha cor r ida não significava que não fosse um assassino. E só por que ele er a pr ofessor não significava que não pudesse se tor nar violento.

A ir mã de Biggler foi assassinada, a mãe abandona os filhos com o pai e se muda par a mais de 4 mil quilômetr os de distância. Biggler se alista na Mar inha assim que pode. Volta quando o pai mor r e.

Todas as peças sozinhas fazem sentido, mas juntas Noah só via uma gr ande confusão. Muitas conjectur as e nenhuma pr ova concr eta ligando Biggler a Mallor y ou a Mor ton.

Noah r ecostou-se na cadeir a e fechou os olhos. Ele tinha algumas opções, mas nenhuma delas o agr adava. Ele podia ir até a escola e apanhar Biggler ou podia esper ar até o fim das aulas. Podia ir até o ender eço atual e esper ar por ele em casa. Ou, simplesmente, colocar alguém par a segui-lo e ver aonde ele ia e o que fazia.

A última opção par ecia a mais viável. Assim que tivessem o mandado contr a Fr an Buckley e o PMC, as notícias se espalhar iam e Biggler poder ia fugir. Noah pr ecisava que alguém o vigiasse antes disso. Se o pegasse cedo demais, poder ia acabar mostr ando as suas car tas.

VINTE E NOVE

A casa da sogr a de Mallor y ficava a tr inta minutos, em Her ndon, em uma ár ea mais r eser vada.

– Vou bater – Dillon disse. – Ele me conhece.

– O que o faz pensar que ele não vai atir ar em você?

– Jack salvou a vida dele.

– Talvez ele devesse tê-lo deix ado mor r er .

Dillon hesitou.

– Mallor y tem a consciência pesada e cometeu enor mes er r os. Mas, se não fosse por ele ter enviado par a Kate a latitude e a longitude da ilha onde Lucy estava sendo mantida pr isioneir a, nós jamais a ter íamos r esgatado a tempo. Ele quase mor r eu por isso. Ele fez a coisa cer ta.

– Tar de demais.

– Você não vai conseguir discutir isso comigo, mas ele não vai me matar .

– Não pode ter cer teza disso. Já se passar am seis anos.

Sean não gostava da ideia de Dillon tomar a dianteir a, mas eles já tinham ultr apassado os limites desobedecendo as or dens de Noah Ar mstr ong par a que ficassem for a da investigação. Uma vez que Noah não er a seu chefe, Sean não estava levando isso muito a sér io, mas os dois sabiam que Kate podia ser pr ejudicada pelas ações deles.

Dillon tocou a campainha. Sean espiou a gar agem; havia um car r o estacionado, mas a gar agem compor tava tr ês.

Ninguém atendeu. Com cuidado, caminhar am ao r edor da casa. As janelas estavam cober tas por pr otetor es contr a tufões e as per sianas estavam abaix adas. Sean não ouviu nenhuma movimentação no inter ior.

Ajustou um fone no ouvido e posicionou um pequeno amplificador per to da por ta.

Dillon apr ox imou-se do equipamento. Sean tir ou o fone e sussur r ou: – Isto detecta e amplifica sons e movimentos. Não é totalmente segur o, mas já me ajudou antes – r ecolocou o fone e ficou escutando por um minuto. – Não acho que haja alguém na casa – ele disse, pegando uma fer r amenta par a abr ir a por ta.

– Nós não vamos invadir .

– Então volte par a o car r o.

– Dr oga, Sean!

Sean destr avou a por ta, em seguida olhou par a Dillon.

– Vou entr ar e sair . Não vou pegar nada. Você fica de guar da.

– Sean...

– Pr ecisamos de todo tipo de infor mação.

Sean entr ou e fechou a por ta antes que Dillon conseguisse ar gumentar .

A casa estava impecavelmente limpa, só havia um ligeir o cheir o de gor dur a do ar. Sean olhou no lix o da cozinha. Alguém havia cozinhado na noite anter ior . A comida não estava estr agada.

Vasculhou r apidamente o lugar e não viu nada for a do comum. Em seguida foi par a a sala de Mallor y.

Um computador. Er a tudo o que Sean pr ecisava. Havia pr ometido a Dillon que não tir ar ia nada, mas não disse que não far ia uma cópia. Nem tentou ligar o computador, simplesmente tir ou um computador por tátil do bolso e cuidadosamente r etir ou a tampa do disco r ígido. Depois ligou dois cabos na placa mãe e copiou todos os dados, pr oduzindo uma r éplica per feita. Recolocou tudo no lugar e estava par a sair quando viu duas fotogr afias em por ta-r etr atos em uma mesinha ao lado da poltr ona. Seu cor ação par ou.

A foto maior havia sido tir ada em uma pr aia: uma bela e jovem mor ena com um bebê no colo. Estavam sor r indo. A família de Mallor y.

Mas a segunda foto definitivamente inter essava mais a Sean. Uma jovem Lucy, talvez com 19 anos. Tão linda quanto nos dias de hoje, mas os olhos estavam tr istes. A foto havia sido tir ada de longe com uma lente de aumento.

M aldito bas tardo.

Sean saiu e disse par a Dillon:

– Ele tem uma foto de Lucy.

– Algo mais?

– Não. Mas fiz uma cópia do computador dele.

– O que você apr ontou?

– Não mex i em nada. Só fiz uma cópia.

– Kate vai me matar .

– Não vamos contar par a ela. A menos que tenhamos, é clar o.

Sean olhou par a a casa quando eles se afastar am no car r o. Havia algo de er r ado. Ele tinha a estr anha sensação de que Mallor y estava obser vando. Não da casa... Sean obser vou o per ímetr o. Havia diver sas ár vor es e moitas onde ele podia estar se escondendo.

E ele teve uma ideia.

*

Dillon esper ava paciente no assento do car ona. Como ele podia estar tão calmo? Os minutos se passavam e Sean se per guntava se estava er r ado e Mallor y não esteve vigiando a casa.

Não. Sean nunca duvidava dos seus instintos. Quando eles assobiavam, ele pr estava atenção. E desde o instante em que ele saiu da casa de Mallor y,

eles vinham batendo uma bater ia como John Bonham[1]. Mallor y os viu. Esper ou que eles fossem embor a. Por quanto tempo? Até ter cer teza de que eles tinham de fato ido embor a. Só havia duas saídas naquela vizinhança, uma de car r o, a outr a a pé. Uma única entr ada par a car r os na ár ea. Ele ter ia ido a pé? No gelo e na neve? Possível, por ém impr ovável. E

Sean não via Mallor y como um tipo de homem sem tr anspor te pr ópr io.

Clar o, ele poder ia ter escondido o car r o em algum lugar . Ou...

– Você não está acostumado a ficar esper ando, está? – Dillon per guntou.

Sean olhou de soslaio par a ele.

– Não sou tir a – ver ificou pela ter ceir a vez o sistema de GPS que ele mesmo havia montado, cer tificando-se de ter compensado os impr evistos das r uas escor r egadias. O gelo no chão não er a um amigo seu, e ele esper ava que o car r o o ajudasse na per seguição.

– Estou familiar izado com a RCK. Tenho cer teza de que ex istem diver sas ocasiões em que uma longa esper a seja necessár ia.

– Deix o isso par a os outr os. Sou o único que não pr estou ser viço militar. Quando você se alista, eles o ensinam a per manecer como uma estátua.

– Isso se chama sobr evivência – Dillon ex plicou. – Tem cer teza de que...

– Sim. Absoluta – es pero. – Estou com aquela sensação na boca do estômago que apr endi a não duvidar .

– Isso basta par a mim.

Sean obser vou o r elógio.

– Temos de ir embor a no máx imo em uma hor a par a que eu possa buscar Lucy na hor a combinada.

– Kate pode ir buscá-la.

– Não. Mallor y vai apar ecer antes disso. Pr eciso manter Kate for a disso até ser mos obr igados a envolvê-la. Ela não deve ficar em uma situação desfavor ável entr e mim e Ar mstr ong – Sean confiava nos Kincaid, ser ia um tolo se não confiasse, mas nenhum deles er a um segur ança tr einado. E por mais que Sean não fosse tr einado como segur ança pessoal, ele já havia par ticipado de muitos tr abalhos de pr oteção. Não gostava de ideia de Lucy ficar no IML sem pr oteção, mas se Mallor y estava ali, não estar ia lá. Ainda assim, Sean estava ner voso. Se estivesse er r ado, a vida de Lucy cor r ia per igo. Pouco se impor tava com a opinião de Dillon de que Mallor y não a machucar ia; Sean simplesmente não acr editava nisso.

O maldito tinha uma foto dela em seu escr itór io.

Sean entr eabr iu a janela, mesmo com o ar estando gelado, par a poder ouvir melhor a apr ox imação de algum car r o. O bair r o er a tr anquilo. Ele fechou os olhos e pr estou atenção. For çou-se a per manecer calmo.

– Você se impor ta com ela.

Aquilo foi um misto de declar ação com per gunta. Sean suspeitava que após ter passado os últimos dias com Lucy, acabar ia sendo inter r ogado por mais de um Kincaid.

– Sim – disse simplesmente.

Dillon não disse nada mais, e isso deix ou Sean ner voso. O que o ir mão de Lucy r ealmente pensava dele? Estar ia avaliando-o par a saber se ele ser via par a ela? Se ele sabia o que havia acontecido no passado dela? Se ir ia embor a caso as coisas pior assem?

Dillon continuou em silêncio. Ser ia tão fácil assim?

O ar gélido tr anspor tava os sons com clar eza, e Sean ouviu o car r o antes de vê-lo.

Eles estavam no fundo da r ua sem saída da casa de Mallor y adjacentes a um bosque, e Sean havia posicionado o car r o de modo a conseguir ver, atr avés das ár vor es, qualquer um que se apr ox imasse vindo das cer ca de dez casas na r ua de Mallor y.

Um sedan cinza.

Sean gir ou a ignição do GT e o motor r oncou.

– Cinto – disse a Dillon. Olhou r apidamente. – É melhor saber que sou piloto de car r os de cor r ida. Amador as, clar o, mas sou bom. Não entr e em pânico se a coisa esquentar .

Esper ou até o sedan chegar à esquina par a aceler ar e bloqueá-lo.

Mallor y fr eou, imediatamente deu r é, duzentos metr os gir ando a noventa gr aus, depois foi em fr ente, logo atr ás do car r o de Sean.

Sean havia antecipado essa manobr a e gir ou cento e oitenta gr aus em per seguição.

– Este bair r o é r esidencial – Dillon infor mou.

– Não vou atr opelar ninguém. Eu amo este car r o.

Mas Sean ser ia capaz de dar per da total se fosse pr eciso par a apanhar aquele bastar do. Pr essionou o númer o dois no GPS.

– O que é isso? – Dillon per guntou.

– Deix e as per guntas par a depois.

O GPS mostr ou uma r ota de inter ceptação e o r adar na fr ente do seu car r o infor mou ao computador a velocidade que Mallor y dir igia e a velocidade que Sean dever ia manter par a inter ceptá-lo.

Fez uma cur va acentuada à esquer da abandonando o r astr o de Mallor y.

– O que está fazendo? – Dillon ex clamou.

Sean não r espondeu. Os olhos r elanceavam da dir eita par a a esquer da à pr ocur a de per igos potenciais. Cr ianças. Animais. Bolas quicando. Er a o meio da semana e per to do hor ár io de saída das escolas, o que r equer ia atenção ex tr a.

Obser vou o mapa, vir ou à esquer da em um mor r o, cor tou o caminho por uma estr adinha e bateu com for ça ao ater r issar na r ua pr incipal.

Havia per dido tempo na estr adinha de ter r a, que tinha se tr ansfor mado em um lamaçal por conta do tempo. Suspeitava que Mallor y tivesse desaceler ado, só uma fr ação, quando não viu mais o car r o de Sean no r etr ovisor , mas ele não tinha como ter cer teza.

As r odas de tr ás deslizar am em um tr echo gelado, mas Sean manteve o contr ole do car r o. Diminuiu a velocidade, olhando par a a r ua onde antecipava que Mallor y sur gisse. Não havia ninguém.

– Dr oga! – ter ia calculado mal? Não, mas poder ia ter inter pr etado mal Mallor y. O assassino poder ia ter dado a volta e se escondido em algum lugar , em uma gar agem, por ex emplo.

Foi então que viu o car r o vir ar e seguir na sua dir eção, desaceler ando assim que Mallor y o viu. Sur pr eso?

– É melhor estar cer to a r espeito de Mallor y – Sean disse par a Dillon.

– O que quer dizer ?

– Saia do car r o quando eu mandar .

Sean vir ou o volante r apidamente par a a dir eita, usando o gelo em um deslize contr olado, confiando em seu conhecimento intuitivo e na manutenção impecável do car r o par a ele não atingir nenhum poste, nem subir em uma guia. Contr olou o gir o mantendo os pneus no gelo ao mesmo tempo em que a velocidade fazia o car r o avançar na dir eção do de Mallor y.

Como aquela er a a r ua pr incipal do bair r o, ela er a mais lar ga que as demais, dando espaço a Sean par a enfr entar Mallor y.

Mallor y teve de fr ear r apidamente par a evitar a colisão e der r apou, r odopiando até ficar de fr ente par a a dir eção da qual acabar a de vir .

Num movimento suave, Sean par ou o car r o, soltou o cinto e abr iu a por ta. Empunhava a ar ma e usava a por ta como bar r eir a. Deu dois tir os nas r odas de tr ás do car r o de Mallor y. O car r o escor r egou, vir ou e par ou.

Continuar: parte 12 de 17