Se eu Morrer Antes de Você
1. Um
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 17 partes.
Kate encar ou-o.
– Desculpe, Sean, mas isto não é da sua conta.
– Lucy per mitiu que fosse da minha conta quando apar eceu na minha soleir a.
– Par a ver Patr ick e não você.
– Qual é o seu pr oblema?
– Eu não tenho pr oblema algum, Sean, só estou tentando pr oteger minha cunhada.
Sean não tinha ouvido a apr ox imação de Lucy até ela dizer : – Me pr oteger ?
Kate avançou na dir eção dela.
– Eu sinto muito, Lucy, a r espeito de tudo, mas você não pode...
Lucy balançou a cabeça no instante em que Kate começou a falar e inter r ompeu-a.
– Não me diga o que eu não posso fazer , não agor a.
– Você não vai falar com Noah Ar mstr ong sem um advogado. Eu vou com você e...
– Não – Lucy vir ou-se e seguiu na dir eção da sala novamente. Kate seguiu-a, acompanhada por Sean. Lucy ficou de costas par a eles, olhando a lar eir a.
Kate, então, disse par a Sean:
– Sean, diga a ela que ela não pode falar com o FBI sem um advogado ou alguém que zele pelos inter esses dela!
Sean levantou uma sobr ancelha.
– Você disse que isso não er a da minha conta.
– Mas que dr oga! Isso não é uma br incadeir a!
Lucy vir ou-se e enfr entou Kate.
– Isso mesmo, não é uma br incadeir a. Você mentiu par a mim. Teve inúmer as opor tunidades par a me contar sobr e o acor do, mas não o fez.
Nem me contou que Mor ton havia saído da pr isão!
– Eu disse que lamento muito, mas...
– Mas? – Lucy balançou a cabeça. – Mas você só estava ten tan do me proteger? A ignor ância não ofer ece pr oteção!
M orton . Sean ficou par alisado, esfor çando-se par a não demonstr ar r aiva. Sabia muito bem quem er a Roger Mor ton. Sabia tudo a r espeito do sequestr o e do estupr o de Lucy no dia da for matur a da escola.
– Ele está for a da pr isão? – Sean per guntou.
Kate levantou a mão par a silenciá-lo e ele começou a se ir r itar .
– Sean...
– Com o devido r espeito, Kate, mas segur ança é a minha especialidade.
– Mor ton mor r eu – Lucy disse. – Ele saiu da pr isão há seis meses e ninguém me contou! – apontou um dedo na dir eção de Kate. – Eu tinha o dir eito de saber . Ele esteve aqui
Sean tin ha milhares de pergun tas a fazer, mas n ão n aquela hora. Ele cruzou a s ala e parou dian te de Lucy.
– Lucy, você pode ficar aqui pelo tempo que pr ecisar .
Kate disse:
– Essa não é a questão. Sean, você sabe que ela não pode falar com o FBI sem um advogado.
– Por que o FBI quer falar com ela?
– Mor ton foi assassinado na mar ina do outr o lado do Potomac – Kate infor mou. – Também tive de r esponder às per guntas deles, consider ando-se a minha histór ia com o maldito. Fui com Dillon par a Richmond na sex ta-feir a passada, depois voei de volta no domingo à noite e Dillon ficou em Peter sbur g a semana inteir a. Ser emos liber ados assim que Noah ver ificar nossos álibis.
Lucy ar fou:
– Eles não podem acr editar que fui eu quem o matou!
– Duvido, você foi bem convincente demonstr ando que não sabia da soltur a dele, mas, Lucy, eu sei como o sistema funciona. Por que r esponder a um inter r ogatór io quando você não tem nada a ver com o homicídio?
Eles só vão for çá-la a dar r espostas que você não tem.
– Par e – disse Lucy. – Par e de tentar me pr oteger. Sabe de uma coisa, Kate? Entendo o que fez Dillon esconder a ver dade de mim. Até mesmo o r esto da família. Não acr edito que eles tenham par ado de me enx er gar como uma vítima.
– Isso não é ver dade...
– Mas – Lucy inter r ompeu – você? – meneou a cabeça. – Eu esper ava mais da sua par te. De todas as pessoas, você foi a única que não me mimou. Você apoiou minha escolha de car r eir a, levou-me par a as aulas de tir o e me ensinou tudo o que sabia. Sempr e foi fr anca comigo. Pelo menos er a isso o que eu pensava. Agor a já não sei no que acr editar. Quantas outr as vezes você mentiu par a mim ou escondeu infor mações? Justificou-as... De que for ma? Tudo o que consigo concluir é que pensou que eu fosse desmor onar. Quando impor tava de ver dade, você pensou que eu não fosse supor tar .
– Não...
– Então por que não me contou?
Kate não r espondeu. Sean apoiou uma mão nas costas de Lucy. Ela tr emia de r aiva.
– Por quê? Maldição! – Lucy ex igiu saber .
Kate tinha lágr imas nos olhos.
– Eu não quer ia que você soubesse como estr agamos tudo! Ninguém dever ia ter concor dado com aqueles ter mos, mas estávamos desesper ados.
Er a uma cor r ida contr a o tempo e o maldito sabia disso. Er r amos feio, mas não sei se poder íamos ter agido de outr o modo. Se não tivéssemos conseguido a infor mação naquela hor a, Adam Scott poder ia ter conseguido matar Dillon e tomá-la como r efém de novo. Eu não sei. É fácil duvidar, mas eu lhe digo uma coisa: Dillon não sabia do acor do de cooper ação até tudo se concr etizar . Não o culpe. Isso vai acabar com ele.
As lágr imas cor r iam pelas faces de Lucy, e Sean passou os br aços ao seu r edor par a apoiá-la. Ela encostou-se nele.
– Mas depois você contou par a Dillon? Ele sabia, não sabia?
Kate confir mou.
Lucy balançou a cabeça e andou, quase cor r endo pela sala. Kate enx ugou as pr ópr ias lágr imas e encar ou Sean. O que ele havia feito par a mer ecer a r aiva dela? Ele estava do lado de Lucy.
– Far ei com que ela chegue a salvo em casa – ele pr ometeu.
– Pr eciso ex plicar ...
– Agor a não. Dê espaço a ela, ok?
Kate esfr egou as têmpor as com os dedos e concor dou.
– Conte-me o que aconteceu.
– O maldito tinha de ficar no Color ado. Veio par a D.C. na semana passada e acabou com uma bala na cabeça.
– Ex ecução?
Ela não comentou.
– O cor po foi encontr ado no sábado de manhã. O FBI pegou o caso ontem, quando a polícia identificou o cor po e per cebeu que ele havia violado os ter mos da condicional.
A mente de Sean per cor r eu os possíveis cenár ios. Kate par eceu notar o caminho dos pensamentos dele e disse:
– Fique for a disso, Sean.
Ele não r espondeu. Clar o que não ficar ia for a daquilo. De cer to modo, o homicídio de Mor ton afetava seus negócios. Patr ick er a seu sócio e Lucy er a ir mã de Patr ick. Isso tor nava o caso do seu inter esse e nada do que Kate dissesse o deter ia. O fato de ela ter tentado mostr ava que ela não o conhecia.
– Levo Lucy par a casa mais tar de – ele disse. – Mas um conselho: acho que ela não quer ouvir nem desculpas nem ex plicações. Eu ficar ia for a do caminho dela, deix ando que ela mesma pr ocesse isso tudo, ou vai acabar cavando um bur aco ainda mais fundo.
SEIS
Br ad Pr enter olhou o r elógio de pulso. Tanya estava atr asada.
Ele não gostava disso. Ela já o havia ir r itado com sua indecisão. Sua vida er a ocupada e ele havia chegado na hor a mar cada, por que ela não podia agir do mesmo modo? Um a zer o.
Olhou ao r edor do bar lotado, com a r aiva r emoendo suas entr anhas.
Todos esses r apazes, na maior ia estudantes univer sitár ios, r indo, jogando conver sa for a, ostentando a liber dade. Ele já for a como eles.
Quando sua vida se tor nar a uma dr oga? For a aquela vadia, Sar a Tyson.
Ela o acusar a de estupr o. Como se ele pr ecisasse estupr ar uma mulher par a se dar bem. As mulher es o desejavam. Sempr e for a assim, sempr e ser ia. Ele vinha de uma família abastada; sempr e pagou os jantar es, as bebidas, até mesmo show s e peças teatr ais (e nem er am os assentos mais bar atos). Ele er a atr aente, tinha um bom cor po e er a ótimo na cama. As mulher es com quem tr ansava sempr e o elogiavam. Até mesmo Sar a, mas de r epente ela per deu a cabeça quando a colega de quar to entr ou e os pegou de quatr o. Ficou maluca de vez e disse que foi o álcool que a fez agir daquela maneir a. Asneir a. Se a colega de quar to não fosse tão pur itana, ele ter ia conseguido convencer Sar a a não denunciá-lo por estupr o.
Foi a palavr a de Sar a contr a a sua. Todos a vir am pendur ada nele na boate. A polícia nem conseguiu pr ovar que ele mistur ar a o líquido X na bebida dela. Seu advogado disse que ele sair ia numa boa, que nenhum juiz no mundo o deix ar ia ir a julgamento.
Mas a maldita mensagem que Sar a mandou par a a amiga acabou com ele, e depois Maggie apar eceu dizendo que ele fez o mesmo com ela e o maldito juiz acabou cedendo.
Cadela men tiros a.
Dois anos e quatr o meses. Na pris ão. Ele não conseguiu ter minar o último semestr e e agor a estava de volta à faculdade, mesmo já tendo 25
anos, quando dever ia estar tr abalhando na cor r etor a do pai, ganhando uma bela gr ana em vez de viver do míser o fundo de pensão. Tudo por que a vadiazinha da Sar a não quer ia que as amigas soubessem que ela er a uma safada.
Br ad olhou de novo par a o r elógio. Oito e quinze.
– Dr oga, onde é que ela está? – se ela tivesse desistido, ele ficar ia possesso.
Ela já tinha mudado o lugar do encontr o em cima da hor a e, por pr essentir que ela er a instável, ele checou seus e-mails pouco antes de sair, mas ela não havia mandado mais mensagem alguma cancelando ou dizendo que se atr asar ia.
Vadia.
O bar man apr ox imou-se e apontou par a a caneca de cer veja vazia.
Br ad entendeu e disse:
– E uma dose de uísque – bem que ele pr ecisava depois do bolo que levar a.
– Más notícias?
– A gar ota com quem vou me encontr ar está atr asada – Br ad r eclamou.
O bar man ser viu a dose.
– Aquela que você conheceu na inter net?
Br ad tinha se esquecido de que já tinha conver sado com o car a antes, quando chegar a todo ex citado par a se encontr ar com Tanya. Tão ex citado que chegar a antes da hor a mar cada.
– Você pr ecisa ver as mensagens que ela mandou par a mim. E as fotos... Se ela for tão animada ao vivo, vai ser uma noite daquelas.
Tanya não havia mandado foto nenhuma, ex ceto a do per fil. Tampouco foi ex plícita nas mensagens, mas Br ad sabia ler nas entr elinhas. Por que outr o motivo ela mar car ia um encontr o se não fosse par a fazer sex o? Er a por isso que esses sites da inter net ser viam. Conver sa vai, conver sa vem, até que a gar ota concor dasse com um encontr o ao vivo, par a depois ir par a uma cavalgada.
– Esper o que ela apar eça, car a.
Era melhor mes mo.
Br ad olhou ao r edor de novo. Um monte de casais e gr upos. Gr upos de gays, outr os de gar otas. Só pr ecisava esper ar. Logo, logo a hor a ia chegar .
Pôs a mão no bolso e apalpou o fr asco com seu líquido X especial, feito em casa. Só par a r elax ar a gar ota. As meninas gostavam desse jogo. Dois, tr ês encontr os dando cor da, br incando com o homem. Ex citando-o, depois dizendo não quando ele escor r egava uma mão nas per nas delas. Elas sempr e diziam sim no ter ceir o encontr o, mas por que ele tinha de esper ar tanto tempo? Estava cansado disso e, depois da pr isão, ele estava far to desse tipo de joguinho estúpido.
Br ad tomou a dose de Jack Daniels em um gole só, sabor eando a queimação pr ovocada pelo uísque descendo pela gar ganta. Obser vou a multidão. Um casal se desentendia na por ta. Ele obser vou, e o r apaz gr itou o nome da menina; Br ad não conseguia entender o que eles diziam, depois o r apaz saiu. A gar ota, uma loir a, de uns 21 anos – a menos que tivesse identidade falsa –, olhou par a o namor ado em estado de choque. Enquanto Br ad obser vava, ela tomou todo o dr inque de uma única vez, gir ou sobr e os calcanhar es em saltos r eluzentes e caminhou dir etamente até o balcão do bar , par ando ao lado dele. Ela sor r iu par a o bar man e apoiou o copo.
– Mais um, por favor .
Br ad talvez nem pr ecisasse do líquido X par a r elax ar essa aí.
– Oi – ele disse.
Ela fitou-o, analisando-o, mas agiu como quem não quer nada.
– Oi – ela olhou par a os fr egueses e suspir ou.
– Seu namor ado foi embor a?
– Ele n ão é meu namor ado. Não mais.
– Azar o dele.
– Exato – ela balançou a cabeça par a enfatizar .
O nome dela er a Ashley, ela estudava administr ação de empr esas na GWU. Um tédio. Conver sar am um pouco e Br ad imediatamente per cebeu que ela quer ia tr ansar. Ele viu isso nos olhos escur os dela, no modo como ela lambia os lábios, na maneir a como os mamilos ficavam quando tr ocavam no fino suéter pr eto.
Alguém empur r ou Ashley por tr ás e ela pr essionou o cor po todo em Br ad. Ela sor r iu, um pouco ner vosa. Br ad er a ex per iente o bastante par a saber que ela ter ia de estar completamente embr iagada par a sair com ele sem um incentivo. As univer sitár ias achavam que par eciam menos vulgar es se pr ecisassem ser convencidas a tr ansar com um desconhecido.
Eu n un ca faço is s o... Nun ca durmo com um cara n o primeiro en con tro...
Eu n un ca...
Tudo um monte de besteir a.
Br ad só apr essar ia o inevitável. No dia em que saiu da pr isão, pagou uma pr ostituta, mas não far ia mais isso. Estava contando com Tanya e logo ele se acer tar ia com ela. Ela se ar r epender ia de tê-lo deix ado esper ando.
Tinha bastante ex per iência em colocar dr ogas nas bebidas das gar otas com quem se encontr ava. Ficava um pouco mais difícil com os bar mans olhando, mas em um bar cheio como aquele, ser ia bem fácil, sem pr oblemas.
Ela disse alguma coisa que ele fingiu não ouvir por causa do bar ulho.
Ela inclinou-se.
– Você também é da GWU?
Ele balançou a cabeça.
– Amer ican U.
– Gr aduação?
Er a onde ele deveria estar, mas por causa daquelas vadias, dois anos da sua vida haviam sido r oubados. Ele mentiu e disse: – Dir eito.
Ela ficou impr essionada.
– Uau. Eu só estou no ter ceir o ano. Ainda não sei o que quer o fazer, mas há muitas opções em D.C. com um diploma em administr ação, não acha?
Enquanto ela falava, ele apr ox imou o dr inque dos lábios, tomou um gole e, quando abaix ou o copo, usou um dedo par a aper tar o fr asquinho de líquido X que estava pr essionado contr a o copo. Diver sas gotas caír am na mar gar ita dela, que ela segur ava na altur a do peito. Mesmo se ela estivesse olhando par a a mão dele, não conseguir ia ver nada. E se per cebesse as gotas caindo em seu copo, poder ia pensar que er a a condensação vinda do copo dele.
– Você tem muito tempo par a decidir – ele disse. – Agor a pr ecisa se diver tir . Afinal, está na faculdade.
Ela sor r iu e deu um gole na mar gar ita.
– Você tem toda r azão.
– Quer sair um pouco?
– Está um gelo lá for a.
– Eles colocar am aquecedor es no pátio ex ter no. Está quente demais aqui.
– Está bem – ela disse e deu um sor r iso r adiante, beber icando um pouco mais do dr inque.
– Quer outr o? – Br ad per guntou.
– Estou bem assim, não quer o ficar bêbada! – ela deu uma r isadinha.
Tarde demais para is s o.
Br ad conduziu-a par a tr ás, a mão esfr egava o ombr o dela.
Estava gelado demais, mas a neve tinha par ado de cair e os aquecedor es a gás diminuíam um pouco o fr io. Ashley colocou o casaco, por ém, e disse:
– Tem cer teza de que não está com fr io?
– Não – ele mentiu. Não pr etendia ficar muito tempo ali.
Havia algumas pessoas do lado de for a, não muitas; a maior ia só saía par a fumar r ápido antes de entr ar novamente. Br ad viu a loir a ter minar o dr inque e escondeu o sor r iso. Ela oscilou um pouco, e ele ampar ou-a com o br aço na cintur a dela.
– Ops – ela disse com uma r isadinha.
Eles se beijar am e ela congelou. Ele não deix ou que essa pr imeir a r eação o detivesse por que conhecia as mulher es. Elas sempr e faziam esse jogo. Ele subiu a mão pela blusa dela par a aper tar um seio... Deus, a sensação er a incr ível. Ele a quer ia ali, naquele momento, mas a levar ia até o apar tamento. Ou pelo menos até o car r o. Não, maldição! Estava com o Por sche. Ela o chupar ia antes de levá-la par a casa par a o ser viço completo.
Já estava ex citado, mas pensar na boca dela nele o fez gemer. Ele pr essionou o cor po contr a o de Ashley só par a ela saber ex atamente o que tinha em mente. Ela poder ia dizer não e ele a deix ar ia. Sor r iu ao mor discar o lábio dela. Ela jamais dir ia não. Ele pr aticamente sentia a dr oga cor r endo pelas veias dela. Ashley estava ex citada e far ia qualquer coisa. Ele estava pr onto par a qualquer coisa.
– Vamos – ele disse.
Ela hesitou.
– Não sei. É tudo tão r ápido...
– Vamos. Só uma chupada. Não vou fazer nada que você não queir a que eu faça.
Ela não disse nada, seu r osto mostr ava confusão e ele pegou-a pela mão, conduzindo-a pelo por tão dos fundos do bar pelo beco. Havia estacionado no meio do quar teir ão da saída dos fundos e em cinco minutos a língua dela estar ia fazendo o que ele mais quer ia...
– Ashley!
Br ad hesitou, depois continuou andando. Não quer ia entr ar em uma br iga, mas, r aios! Não deix ar ia que a vadia voltasse par a o namor ado estando pr onta par a ser tr açada.
– Ashley, mas que mer da!
– É o meu namor ado – ela disse com a fala ar r astada.
M erda, merda, merda.
Ele par ou e vir ou-se.
O pentelho que abandonou a loir a menos de uma hor a antes não tir ava os olhos dele, mas disse:
– Ashley? O que está acontecendo?
– Vá embor a – ela disse.
Br ad logo viu que o namor ado er a inofensivo.
– Você foi embor a, ela quer ir comigo.
– Não mais, camar ada – o pentelho disse.
O max ilar de Br ad contr aiu-se e ele falou par a Ashley: – Quer ir com ele?
– Não.
– Não quer o nenhum pr oblema, – Br ad disse par a o outr o – mas a pr incesa aqui não quer ir com você.
– Ashley, – o r apaz disse com voz sér ia – você vem comigo agor a ou eu conto sobr e a identidade falsa par a o seu pai.
– Como que é? – Br ad disse.
– Ela tem dezessete anos.
– De jeito nenhum – Br ad soltou o br aço da moça e olhou par a ela. Ela não tinha car a de dezessete anos, mas... Ele não tinha cer teza. Pouco se impor tava com a idade dela, afinal, tinha idade o bastante par a tr ansar, mas a situação estava complicada. O namor ado poder ia identificá-lo.
– Ashley? – ele per guntou.
Ela fez bico, mas não disse nada.
Br ad quis estr angulá-la.
– Pode ficar com ela – disse empur r ando a vadia na dir eção do namor ado. – Maldita pr ovocador a.
– Palhaço – Ashley disse, mas Br ad ficou sem saber se ela falava com ele ou com o namor ado, e pouco se impor tava.
Quer ia um cor po quente par a tr epar, par a fazer ex atamente o que ele quer ia que ela fizesse, e agor a pr ecisava encontr ar uma pr ostituta por que mastur bação nem pensar !
Mal ouviu Ashley discutindo com o namor ado ao seguir pelo beco até o car r o. M aldita provocadora chave de cadeia.A
SETE
Eu s ou o profes s or. Sou o mes tre. Sou o guardião da verdade, da jus tiça, do modo american o de s er.
Silen cios amen te, meu ris o corta a n oite en quan to es pero, obs ervan do a cas a às es curas . Super-homem? Sim, s ou um s uper-herói. Faço o que n en hum outro homem tem coragem de fazer.
Educo as fêmeas , o quan to es s as criaturas fracas , vazias e es túpidas podem s er educadas .
As fêmeas me en ojam.
Cois as patéticas e pérfidas , elas men tem com a mes ma facilidade com que res piram. O cabelo delas raramen te é da cor que Deus lhes deu.
As cores fals as que adorn am o ros to delas s ão o tes temun ho fís ico das men tiras con tín uas . As joias n o pes coço, n as orelhas , n os dedos , diaman tes e s afiras e ouro, captam a luz e brilham, mas n ada dis s o s e compara à beleza s imples de uma gema perfeita.
A más cara que as fêmeas us am é a men tira. Quan do s e veem n o es pelho, elas men tem, até para elas próprias . Quan do olham para mim, men tem. Com os olhos , com a boca, com as mãos .
Elas men tem com o corpo. M en tem com as palavras , com os dedos , com os pen s amen tos . As mulheres s e con s ideram in ven cíveis , acham que podem fazer o que bem quis erem, que podem atrair os homen s com s uas fals idades e truques e depois n os es cravizar. Nós s empre damos , damos , damos ... Din heiro, cas a, carro, joias . Elas tomam, tomam, tomam e as men tiras s e avolumam.
Sou o guardião da verdade. Eu expon ho as fals idades , uma a uma, até que elas aceitem a verdade. Até que elas s e ajoelhem e obedeçam.
Elas fazem is s o para que eu viva. É o s acrifício fin al do amor. O
cas tigo pela traição.
Eu obs ervo e aguardo porque s ou pacien te. A cas a es tá às es curas de n ovo. Cheguei tarde es ta n oite, mas agora ten ho tempo para es perar.
Obs ervar. Es perar. Tique-taque. O tempo pas s a. M eu tempo é des perdiçado. M es es de tempo des perdiçado! E pelo quê?
M in ha raiva cres ce, é real, um s er vivo que me atormen ta. En che-me de calor que tan to é temido como é bem-vin do.
Ela acha que eu n ão s ou n ada.
Con s idero deixar o an on imato do meu carro, camin har pelo jardim e es perar por ela. Quan do ela chegar, vou cortar s ua gargan ta.
M in ha vis ão s e es curece e por um momen to n ão en xergo n ada. Quero que ela en ten da que as ações dela têm con s equên cias . Não pos s o educá-la s e ela es tiver morta.
Luzes cortam a n oite den s a, en evoada e in dis tin ta. O carro dimin ui a velocidade, para.
Lucy Kin caid es tá em cas a.
M eu coração bate forte, depois s alta n o peito. Ela n ão es tá s ó.
Ela es tá com um homem.
A fêmea que me en gan ou es tá n a en trada de carros com um homem.
Ela é uma cadela traiçoeira. M as n in guém tem a min ha paciên cia.
Nin guém tem a min ha habilidade.
Lucy Kin caid s erá a min ha próxima alun a.
Se min ha ún ica tran s gres s ão me en s in ou uma cois a, foi n un ca agir impuls ivamen te. Não vou pegá-la agora.
Sou um plan ejador meticulos o, todos os detalhes s ão en s aiados , melhorados , aperfeiçoados . Por an os tal organ ização me fez bem. É o tes temun ho da min ha con s is tên cia o fato de eu ter s ido atraído s omen te uma vez pelo gên ero men tiros o ao agir rápido demais .
Ela faz um jogo perigos o, chaman do min ha aten ção com s eus hábitos las civos e men tiros os para me atrair. Eu s ou muito mais es perto do que uma mera fêmea, porém.
Vejo o homem s air do carro, abrir a porta e acompan há-la até a en trada.
Quero matar os dois , embora ela provavelmen te ten ha men tido para ele as s im como men tiu para mim, aquela vadia.
Con tudo, n ão pos s o me dar ao luxo de cometer erros , precis o con trolar es s e impuls o poderos o. Res piro o ar n oturn o e frio de jan eiro en quan to min has mãos s e agarram ao volan te. A paz recaiu s obre min ha alma.
En xergo a verdade. Sou o guardião da verdade.
O homem s ai e eu con s idero a pos s ibilidade de en trar para con fron tá-
la.
M as precis o me preparar para a vadia – e is s o s ign ifica cuidar de as s un tos in acabados .
Saio de Georgetown e dirijo por quaren ta min utos até min ha cas a. Ou o que deveria levar quaren ta min utos s e n ão fos s e por es te tempo horrível. Quan to mais demoro, mais frus trado fico. Porque min ha alun a me es pera.
Fin almen te chego à cas a.
Camin ho pela n eve recém-caída e des tran co a porta da fren te da cas a que adoro. O cheiro familiar me faz s orrir; o plás tico que protege o chão, o aroma reman es cen te do bacon de hoje de man hã, a lavan da das flores s ecas que vovó pen durou em todos os can tos ... As flores s e foram, mas o perfume perman ece.
M in ha cas a. M eu s an tuário.
Eu an do e as tábuas de madeira ran gem a cada pas s o em um s om recon fortan te. Abro a porta do porão e acen do a luz. Ratos correm pelo chão s ujo em movimen tos leves e ligeiros que também s ão con hecidos . A fêmea grita, s e é por caus a dos ratos ou da luz pouco me importa.
A es cada é n ova. Precis ei recon s truí-la quan do dois degraus ruíram n a s eman a em que retorn ei, depois de ter ficado afas tado tan to tempo.
Pouco mudou n es ta cas a. A es cada. O porão. E claro, a jaula.
Ela es tá s en tada em um can to da gran de jaula, os braços s eguran do as pern as , o queixo apoiado n o joelho. Ela n ão con s egue ficar de pé, mas pode ficar s en tada, o que acho uma gran de gen eros idade da min ha parte.
E há es paço para que ela s e arras te e até s e es tique, pois a jaula mede trin ta metros por quin ze.
Ela me fita com olhos arregalados de medo. M edo e n ão des afio, bem como deve s er.
– Es tou pron ta para min ha aula, profes s or – ela diz.
Pen a que ten ha de morrer para dar lugar à n ova alun a. Ela s ó precis ou de três dias para apren der a man eira adequada de me cumprimen tar pela man hã. Ela es tá comigo há 27 dias e eu ten ho, ou tin ha, gran des expectativas a res peito dela.
Talvez eu pos s a man tê-la por um pouco mais . Um dia? Dois ?
Pego a chave e a coloco n a fechadura. Ela s e retrai ao s om da trava des tran can do, mas n ão s e mexe até eu dizer: – Pode s air agora.
Ela ras teja até a abertura, mas es pera até que eu a abra, fazen do-me pen s ar que vou s en tir falta des s a aí. Ela teria s obrevivido muito mais do que tan tas outras . Es colhi bem es s a fêmea. Tão obedien te. Tão ávida em agradar.
– De pé – eu coman do.
Ela s e levan ta, as pern as es tão trêmulas , mas eu n ão a ajudo. Ela perdeu pes o, mas , n a verdade, ela é que era gorda demais . Uma mulher do taman ho dela, 1,75 metro, deve pes ar de 50 a 55 quilos . Ela pes ava muito mais do que is s o.
– Vá – eu digo, e ela s egue para a es cada. Vou logo atrás . No topo da es cada ela es pera por mim, como foi en s in ada. Ela olha para a mes a da cozin ha.
– Não vamos ...
Eu a es bofeteio com o dors o da mão. Ela cai n o chão e fica lá, com a mão cobrin do a boca.
– Não lhe dei permis s ão para falar, fêmea – eu digo. – Levan te-s e.
Eu s aí depois do café da man hã. Já pas s a da meia-n oite. Sei que ela es tá com fome, mas n ão me importo.
A fêmea s e levan ta e fica de pé. Eu digo: – Vá – e in dico a s ala de es tar.
Ela an da e eu s igo. Eu abro a porta do armário perto da en trada e retiro meu cas aco lon go. Pego a arma da prateleira da porta.
– Vamos an dar – eu digo. – Abra a porta.
Ela gira a maçan eta. Uma lufada de ven to frio en tra e ela es tremece.
Ela abre a boca, mas n en huma palavra s ai porque ela s abe o que é o melhor.
Ela s abe que n ão deve pedir um cas aco ou s apatos .
Deixo que ela s e debata un s in s tan tes , pergun tan do-me s e ela quebrará a regra pedin do o que precis a. Ela n ão pede, eu digo: – Pegue os chin elos e o cas aco.
A fêmea s e vira para o armário e faz o que man dei.
– Boa garota – eu elogio. Quan do ela s e ves te, eu orden o: – Vá.
Ela obedece e eu s orrio. Sou um excelen te profes s or; min has alun as apren dem o que outros dizem s er impos s ível en s in ar. M as is s o s ó prova o que eu s empre s oube: as mulheres devem obediên cia aos homen s .
Ela camin ha n a n eve fres ca, as mãos es fregam os braços por s obre o cas aco fin o que ela ves te. Ela olha de relan ce n a min ha direção, mas n ão ous a falar. Seu ros to en rubes ce por con ta do frio, os lábios começam a ficar azuis . Não an damos muito lon ge, s ó até o celeiro vazio a cin quen ta metros da cas a. Não é n em a metade do comprimen to de um campo de futebol. M as s ei que es tá frio e que ela es tá ultrapas s an do min has expectativas ao n ão reclamar.
Es tou certo em man tê-la viva por mais algun s dias .
Pego outra chave e des tran co o cadeado da porta do celeiro. Empurro a trava de metal e o ven to empurra a porta para den tro. Nós en tramos e eu fecho a porta atrás de n ós , tran can do-a por den tro. Ain da es tá frio, mas pelo men os n ão há ven to, e min ha fêmea diz: – Obrigada.
“Obrigada” é a ún ica cois a que ela pode dizer s em a min ha permis s ão.
Eu acen o a cabeça e in dico que ela deve an dar até uma das baias à direita. Ela obedece.
– En tre – orden o.
Ela hes ita. Na última vez em que ela en trou n o celeiro foi para s er cas tigada. Ela levan ta a mão.
– Pode falar – eu digo.
– O que fiz para des agradá-lo? – ela pergun ta com a voz trêmula de frio e de medo. Prefiro o medo.
– Você é uma mulher – eu digo. In dico a s ela s obre o cavalete de madeira. Ela s abe o que fazer. Não precis o in s truí-la n ovamen te.
Não gos to de ter de me repetir.
Ela geme, mas s e in clin a s obre o cavalete e expõe as n ádegas n uas para mim.
Eu s orrio.
Pego o remo do gan cho e bato n o s eu tras eiro.
Você s e comportará. Apren derá s ua lição! Acredito gritar o coman do, grito, mas n ão digo n en huma palavra.
Eu bato e ela grita. Não importa o volume dos s eus gritos ; n in guém ouvirá. Bato com o remo de n ovo, o s om da madeira n a pele é excitan te.
M as n ão vou colocar meu pên is n es s a mulher des prezível. Nun ca toquei em n en huma delas des s e modo. Não s ei on de elas s e meteram.
Cuidarei das min has n eces s idades mais tarde.
Primeiro ten ho de pun ir es s a fêmea.
Bato uma vez depois da outra, mais e mais rápido, e ela grita e chora.
Um último golpe, e o cavalete cai, derruban do-a, ela fica lá, deitada, s oluçan do, com as n ádegas em s an gue.
– Levan te-s e – orden o.
Ela n ão s e levan ta. Eu a agarro e a pon ho de pé. Ela grita de dor e cai de joelhos .
– Vai s e arras tar de volta à jaula – eu orden o.
Levan to o remo.
Ela começa a ras tejar. Abro a porta do celeiro e ela ras teja pela n eve.
Eu s orrio.
Até mes mo a mais teimos a das mulheres pode apren der a obedecer.
Até mes mo Lucy Kin caid.
OITO
Após ter se encontr ado com Kate Donovan, Noah não a consider ou uma suspeita viável. Assim, a pr imeir a coisa que ele fez na sex ta-feir a de manhã foi inocentar tanto Donovan quanto o mar ido, Dillon Kincaid, do homicídio de Mor ton. Em sua mesa, ele olhou par a os r elatór ios e declar ações mais uma vez. Seus álibis er am incontestáveis, não só estavam for a da cidade, como também jantar am com o dir etor da Penitenciár ia Feder al de Peter sbur g na noite em que Mor ton foi assassinado.
Um álibi sólido não significava, por ém, que Kate não pudesse ter contr atado alguém par a matar o estupr ador. Mas não havia nada nas finanças dela, nem nas do mar ido, ou nas de Lucy Kincaid, indicando que tivessem contr atado um pistoleir o. Noah passou as finanças par a um analista, solicitando ex ames mais pr ecisos, mas não esper ava encontr ar nada difer ente do que já sabia.
Não er a impossível que Kate conhecesse um homem capaz de acabar com um patife como Mor ton por simples gener osidade, mas isso ser ia imaginar demais. Noah costumava julgar bem o car áter das pessoas.
Nor malmente, pr imeir o acr editava no pior a r espeito delas até ter pr ovas do contr ár io, contudo Kate não lhe passava a ideia de ser uma assassina fr ia e calculista. Mas, caso soubesse que Mor ton estava em D.C. e o quisesse mor to, Noah suspeitava de que ela o fizesse pessoalmente e que o cor po dele jamais ser ia encontr ado.
Abigail chegou pouco depois das nove com dois copos de café.
– Eu não sei como você gosta do seu café – ela disse ao colocar o copo na mesa e tir ar pacotinhos de cr eme e adoçante do bolso.
– Pr eto – ele infor mou. – Obr igado.
– Se um dia r esolver me tr azer café, gosto bem fr aquinho.
– Anotado.
– Alguma novidade quente? A ar ma? O álibi não bateu?
Ele balançou a cabeça negativamente.
– Lucy, Kate e Dillon, estão limpos. Mor ton foi assassinado com uma 9
mm. Kate tem uma pistola Glock .45 do tr abalho e um r evólver .38 de uso pessoal. O mar ido não tem ar ma r egistr ada em seu nome. Lucy Kincaid tem r egistr o e posse de um r evólver .22 e de uma pistola H&K .45. Não que isso signifique alguma coisa, levando-se em conta a ligação deles com a RCK e a polícia, sem falar que compr ar uma ar ma na r ua ser ia algo muito fácil par a alguém que saiba um mínimo sobr e o submundo como Donovan.
Abigail r iu de for ma ir ônica, sem humor algum.
– Até par ece que você quer que eles sejam culpados.
– Não, só não par to do pr incípio de que sejam inocentes.
– O que aconteceu com o “inocentes até que se pr ove o contr ár io”?
Ele só a olhou. Em seus br eves tr ês anos com o FBI, a maior ia dos suspeitos er a culpada.
Abigail balançou a cabeça.
– Vamos lá, Ar mstr ong. Kate Donovan não tem nada a ver com o homicídio de Roger Mor ton e você sabe disso.
– Estou inclinado a concor dar .
– Lucy Kincaid já apar eceu?
– Ela ligou logo cedo e disse que chegar ia às 10 hor as.
– Estou sur pr esa que Kate a deix e vir sozinha.
<– Tenho a impr essão de que Lucy faz o que quer – Noah não acr editava que Lucy tivesse fingido sua r eação ao saber que Mor ton havia sido liber tado. Foi r eal demais. É clar o que ela podia ser uma atr iz ex cepcional, mas ele não acr editava nisso. Na ver dade, ele enx er gava uma qualidade r ar a em Lucy: a inabilidade par a mentir .
Ele passou a metade da noite pensando no que ela disse e em como ela r eagir a. E ela esteve pr esente em seus pensamentos quando acor dou após quatr o hor as de sono. Ele chegou cedo ao escr itór io par a ter minar de ler os ar quivos e os r elatór ios financeir os que apar ecer am em sua mesa às 8
hor as. E ainda fez mais pesquisas sobr e Lucy Kincaid.
De todos os suspeitos, caso Lucy tivesse atir ado em Mor ton, matando-o, ela se livr ar ia da condenação mesmo se chamasse a polícia e confessasse o cr ime. Nenhum júr i a condenar ia depois de ouvir o que ela passou nas mãos de Mor ton e de seu sócio doentio.
Honestamente, Noah não sabia o que pensar de Lucy Kincaid, o que a tor nava tanto suspeita quanto intr igante. Seu ar quivo no FBI er a incr ivelmente gr ande e ele só conseguiu acesso a ele após a liber ação de Hans Vigo. Poucas pessoas sabiam que ela matar a Adam Scott, descar r egando o gatilho de um r evólver Magnum 357 seis vezes no peito dele. Isso incomodava Noah, pois indicava que ela saber ia matar e matar ia se fosse ameaçada.
Seis balas er a uma car nificina.
Mas ele não estiver a lá. E se havia uma coisa que apr ender a na car r eir a militar foi evitar a cr ítica sem embasamento dos políticos e da mídia que se escondiam em seus altos car gos e na segur ança de seus lar es e, ao mesmo tempo, censur avam decisões do comando quando não entendiam o per igo imediato.
Mor ton for a assassinado por uma única bala atr ás da cabeça. O ponto de impacto r evelava que o assassino sabia ex atamente o que estava fazendo e onde dever ia mir ar .
Ex ecuções aconteciam por causa de tr aição ou de dinheir o. E
dependendo dos negócios cr iminosos, er am feitas de diver sos modos. Uma só bala suger ia golpe calculado. Par ecia impessoal. Um golpe de negócios.
Ser ia possível que Mor ton tivesse sido assassinado por um motivo completamente sem r elação com seu passado cr iminoso? Ou por alguém desapontado por ele ter entr egado pr ovas impor tantes ao Estado? Quem levou a pior quando a Empr eendimentos Tr ask foi desmantelada?
– Abigail, você consegue a lista dos empr egados e dos sócios da Empr eendimentos Tr ask? Ender eços atuais, r egistr os, qualquer coisa.
– No que está pensando?
– No método. Bala atr ás da cabeça. É calculado e impessoal.
<– Os chutes nos testículos não for am impessoais – Abigail comentou.
– Sim, mas o assassino, ou assassinos, tinha a pr ivacidade a seu favor.
A mar ina estava deser ta. Não havia câmer as de segur ança na ár ea. Eles poder iam tê-lo sur r ado até a mor te. Poder iam tê-lo tor tur ado. Atir ado em cada membr o par a fazê-lo sofr er . Isso se fosse uma coisa pessoal.
– Lembr e-me de nunca ficar de mal com você, Ar mstr ong.
– Uma coisa eu ainda não entendi – Noah continuou. – Por que ele estava em D.C.? Ele pr ecisava de um motivo. Par ece tudo tão r epentino e impr ovisado. Alguma novidade com os hotéis?
– Estou pr ocur ando. Se ele usou um codinome, estamos fer r ados; a menos que algum ger ente o r econheça... Estamos ver ificando tanto o nome dele como o do pr imo.
– E quanto a alguém que não tenha feito o check-out?
<– Estou na sua fr ente. Também estamos atuando com essa possibilidade.
Os instintos de Noah diziam-lhe que o motivo que levou Mor ton a D.C.
estava dir etamente r elacionado com o homicídio.
No escr itór io de Denver estavam inter r ogando todos que haviam se associado a Mor ton desde a sua soltur a.
– Nenhuma novidade com Guar dino?
– São oito da manhã em Denver . Vou ligar daqui uma hor a.
O telefone de Noah tocou.
– Lucy Kincaid está aqui par a vê-lo.
Bem na hor a.
– Obr igado, já vou aí – acenou par a Abigail. – Vamos acabar logo com isso.
Lucy estava sozinha. Kate Donovan não havia ganhado a batalha do advogado.
– Obr igado por vir , senhor ita Kincaid.
Ela assentiu. Noah conduziu-a par a uma pequena sala de confer ência.
Lucy er a uma mulher muito atr aente e par ecia madur a par a a idade; seu 25º aniver sár io ser ia no mês que vem, mas ela tinha ar es de uma mulher com mais ex per iência e confiança, que não per mitia que as pessoas se apr oveitassem dela. Ao mesmo tempo, a linguagem cor por al, fir me, contr olada, com mínimas ex pr essões faciais, dizia a Noah que ela mantinha sua ver dadeir a per sonalidade tr ancada, que o ex ter ior er a apenas uma máscar a, uma casca. Ele per cebeu isso no dia anter ior quando ela entr ar a na sala; ele tinha captado o modo como ela lutou par a contr olar a r aiva ao saber que a cunhada havia mentido dur ante seis anos.
Lucy Kincaid er a intr igante e talvez um tanto mister iosa.
– Nós só pr ecisamos confir mar sua declar ação de ontem e fazer mais algumas per guntas – Noah ex plicou ao indicar a cadeir a diante da dele. – Posso lhe ofer ecer água? Café?
Ela balançou a cabeça.
– Não, obr igada.
Abigail sentou-se à mesa e sor r iu.
– Não tivemos a opor tunidade de nos apr esentar mos for malmente ontem – ela disse ao estender a mão. – Sou Abigail Resnick. Tr abalhei com o doutor Vigo em diver sos casos. Ele a tem em alta conta, bem como os seus ir mãos. Os quatr o.
Os lábios de Lucy cur var am-se ligeir amente.
– O sentimento é r ecípr oco.
– Impor ta-se se gr avar mos a nossa conver sa? – Abigail per guntou.
Lucy meneou a cabeça; o sor r iso havia sumido.
Abigail aper tou o botão de gr avação em um pequeno gr avador digital e disse:
– Aqui é a agente especial Abigail Resnick e o agente especial Noah Ar mstr ong com Lucy Kincaid, a r espeito do caso númer o 201101120197.
Senhor ita Kincaid, per mite que gr avemos esta conver sa?
– Sim – Lucy r espondeu.
– Par a que conste nos autos, a senhor ita espontaneamente concor dou em vir à sede do FBI par a r esponder às per guntas r efer entes à investigação do homicídio de Roger Mor ton?
– Sim – Lucy confir mou.
Noah assumiu o inter r ogatór io. Ele confir mou tudo o que ela havia dito na noite anter ior, que não sabia do acor do feito com Mor ton, tampouco que ele havia sido liber tado. Lucy foi dir eta, pr ofissional. Sabendo o que Noah sabia a r espeito do tr auma dela, sua admir ação pela mulher aumentou.
No entanto, não poder ia per mitir que isso atr apalhasse seu julgamento.
– Quando foi a última vez que viu ou falou com o senhor Mor ton?
Lucy ficou visivelmente tensa e r espondeu seca: – Há seis anos, em junho.
– Senhor ita Kincaid, pense na época em que o senhor Mor ton a manteve r efém. Você consegue se lembr ar de algo, alguma coisa que tenha visto ou ouvido, que possa nos levar ao assassino?
Ela enr olava-se com uma r esposta quando, por fim, disse: – Posso falar sem a gr avação?
Noah quase disse não. Mas, em seguida, assentiu par a Abigail, que desligou o gr avador .
– Pode falar .
Lucy esper ou diver sos segundos antes de falar com r aiva velada.
– Depois do meu sequestr o e estupr o, passei meses tentando esquecer, tentando afastar da minha mente tudo o que vi, ouvi e senti. E não consegui. Quando desisti, quando acr editei que ter ia de apr ender a supor tar os pesadelos, a r aiva, o medo, a pr ofunda e infindável humilhação, tudo finalmente começou a se dissipar. Não sei quanto tempo levou, mas me liber tei. Deix ei todas as lembr anças desapar ecer em. Hoje, tudo o que lembr o são apenas fr agmentos daquele infer no, e me r ecuso a voltar lá. Não por isso, cer tamente não por Roger Mor ton. Não o matei, não sei quem o fez, mas não lamento. Ele er a um estupr ador nojento e despr ezível, que sentia pr azer em machucar as mulher es. Ele jamais dever ia ter sido liber tado da pr isão. Estou feliz que tenha mor r ido.
Ela olhou positivamente par a Abigail, que hesitou antes de r eligar o gr avador .
– Respondendo à sua per gunta, agente Ar mstr ong – Lucy continuou como se não tivesse dito nada. – Não me lembr o muito daqueles dois dias, e nada que possa levar à pessoa que matou aquele monstr o.
*
Sean havia passado os últimos quinze minutos tentando convencer o ir mão de Lucy de que ele não pr ecisava voltar par a D.C.
– Patr ick, eu fico de olho nela. Pr ometo – aquilo não ser ia um pr oblema par a ele. Sean só desejava ter um motivo difer ente par a passar algum tempo com Lucy. – O bastar do está mor to. Não acr edito que ela esteja cor r endo per igo.
– Não sei – Patr ick sentia-se dividido, se aquele tr abalho não fosse tão impor tante, ele já estar ia em um avião a caminho de volta.
– Ligue par a ela – Sean suger iu. – Tenho cer teza de que ela dir á par a você ficar em Stanfor d e ter minar o tr abalho. Eles pedir am por você especificamente.
– Pelo que me lembr o, pedir am qualquer um que não fosse você.
– Não ex istem muitas pessoas por aí que saibam fazer o que fazemos em r elação à segur ança de computador es.