Se eu Morrer Antes de Você
1. Um
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 17 partes.
– Maldição. Esse é o meu castigo, ter um psiquiatr a como ir mão.
– Você também pode ser . São só mais alguns anos de estudo.
– Cansei de estudar .
– E?
– E gosto de Sean de ver dade – admitiu baix inho.
– E isso a assusta?
– Não posso falar sobr e isso com você.
– Por que sou seu ir mão?
Certo. Isso par ecia uma besteir a.
– Acha que podemos gostar de alguém e saber no fundo que essa pessoa é difer ente e especial, de um modo que não acr edita que outr a pessoa possa ser , depois de só alguns dias?
Dillon sor r iu.
– Eu sabia que passar ia o r esto da minha vida com Kate depois de dois dias. E meu caso er a pior que o seu.
– Pior ? Como?
– Eu tinha Jack como adver sár io.
– Jack? – Lucy gar galhou. – Não vejo Jack e Kate juntos de jeito n en hum.
– Eles têm muito em comum – Dillon disse, não vendo gr aça nenhuma naquilo como Lucy. – O modo como pensam, como desconfiam, como pr ocessam infor mações. Houve uma época em que acr editei que se tivesse de dar um ultimato a Kate, não sabia se ela me escolher ia. Mas eu ter ia feito isso. Mesmo mor r endo de medo de que ela escolhesse Jack.
Lucy pensou um momento.
– Nunca soube que Jack tivesse chance – disse. – Jack e Kate s ão semelhantes sob diver sos aspectos, mas ela sempr e quis, e pr ecisou, de estabilidade. De confiança. De honestidade. Ela se faz de dur ona, de agente do FBI for te e eficiente, mas no fundo ela não passa de uma mulher caseir a.
Ela é mais feliz quando está aqui, em casa com você. Isso lhe dá paz.
Dillon olhou adiante com um meio sor r iso nos lábios.
– Eu a amo de ver dade.
– Eu sei. É por isso que você a obr igou a se casar com você, apesar de ela dizer que essa não er a uma boa ideia.
– Ela é teimosa – Dillon olhou par a Lucy. – Por que não confia nos seus sentimentos?
– Não sei – ela olhou r apidamente par a o cor r edor, onde Sean tr abalhava na sala de jantar. Lembr ou-se do que ele disse, das pr omessas que ele fez. De como ela er a difer ente, mas não do modo que acr editava. – Acho que per cebi que me apaix onar por alguém que é pr aticamente da família, o sócio de Patr ick, pode cr iar diver sos pr oblemas, ainda mais se as coisas não der em cer to.
– Ou cr iar enor mes benefícios se der em cer to. Você e Patr ick têm um r elacionamento incr ível. Sean é o melhor amigo dele desde o acidente. E
Sean é cativante.
– Ah, meu Deus, você par ece papai falando.
Dillon gar galhou e abr açou-a.
– Não analise demais, Lucy. Eu também tenho esse pr oblema. Talvez seja a maldição de ter conhecimentos em psicologia.
*
Sean levou o laptop par a a sala de jantar e posicionou-o de modo a ver quem se apr ox imava da entr ada. Olhou r apidamente par a os papéis que Kate estava lendo quando ele e Lucy chegar am cer ca de uma hor a antes; eles par eciam cópias dos e-mails do computador de Mor ton. Não tinha tempo de lê-los agor a, pois tinha de se cer tificar de que as escutas plantadas estavam funcionando.
Eles tinham de contar a Dillon e a Kate sobr e o assassinato de Pr enter e da possível ligação do tr abalho de Lucy no PMC, mas pr imeir o ele pr ecisava colher mais infor mações. Lucy não descobr iu nada de muito valor na pesquisa dos ar quivos do PMC. Ela ver ificou que não havia uma única pessoa designada par a os oito condenados em condicional assassinados, o que fazia sentido, visto que os homicídios acontecer am espalhados pelo país. A única conex ão apar ente er a a que cada policial destacado par a efetuar a pr isão declar ou que o cr iminoso não havia apar ecido no lugar combinado e que os cr iminosos acabar am encontr ados mor tos a alguns quilômetr os do ponto de encontr o.
Sean ajeitou os fones de ouvido e acessou o ar quivo no qual estavam ar mazenadas as gr avações. Concentr ou-se nas gr avações feitas no escr itór io de Fr an. Depois que Lucy ex plicou a oper ação, ele sabia que nada acontecia no PMC sem que Fr an soubesse e consentisse. Lucy ficar ia magoada, mas Sean sabia inter pr etar bem as pessoas, e seus instintos diziam que Fr an estava envolvida de algum modo.
Os pr imeir os sons gr avados er am os de Fr an tr abalhando à mesa, digitando, uma conver sa entediante ao telefone, mas ele não quer ia avançar a gr avação, temendo per der alguma coisa. Conver sa, digitação.
Em seguida, o bar ulho da por ta.
– Você tem uns minutinhos?
Er a a voz de Cody.
– Clar o – Fr an r espondeu. A cadeir a r aspou no chão. – Alguma coisa er r ada?
– Pode-se dizer que sim. Br ad Pr enter está mor to.
Sean sentou-se emper tigado e ouviu novamente o último minuto de gr avação só par a se cer tificar de não ter per dido nada. Olhou par a o r elógio da gr avação. Cinco e quinze. Logo depois que ele buscou Lucy.
Lucy entr ou na sala com uma bandeja com café, leite e açúcar .
– Você gosta do seu só com leite, cer to? – ela estr eitou o olhar. – O que aconteceu?
Ele par ou a gr avação e olhou par a Dillon atr ás de Lucy.
– Lucy, estou ouvindo as escutas do escr itór io.
– O quê? – ela apoiou a bandeja e as x ícar as se chocar am.
– Você colocou es cutas ? – Dillon estava sur pr eso demais par a par ecer ir r itado.
Lucy mor discou o lábio.
– Eu ia contar tudo par a você e par a Kate, mas aí essa coisa com Cody aconteceu... Lembr a-se do pr ojeto do PMC de r astr eamento dos pr esos em condicional do qual lhe falei? Um dos r apazes que localizamos foi assassinado. Alguém usou a minha conta par a atr aí-lo par a uma ar madilha.
Kate apar eceu na por ta da sala.
– Que diabos vocês estão falando? – ela ex clamou.
– Sente-se – Lucy pediu. – Tenho muito par a contar .
VINTE E CINCO
Depois que Lucy ter minou de contar a Dillon e a Kate tudo o que sabia a r espeito do pr ojeto com os cr iminosos em condicional, Kate pr aguejou e Dillon ficou encar ando a ir mã atentamente. Lucy, por ém, não sabia o que Dillon estava pensando ex atamente, e ela se sentiu tão minúscula que desejou ir par a a cama se esconder debaix o das cober tas. Odiava o fato de ter sido envolvida nessa situação toda; e nem quer ia pensar que talvez fosse Fr an quem a tivesse usado.
– Diga alguma coisa! – ela disse por fim.
– Que dr oga! – Kate ex plodiu.
Lucy concor dava com Kate, mas, naquele instante, a opinião de Dillon significava mais par a ela. Sempr e significou.
– Mas que dr oga, Dillon, diga o quanto fui bur r a, mas diga alguma cois a!
A ex pr essão de Dillon suavizou.
– Você nunca foi bur r a, Lucy.
– Ingênua, então.
Ele balançou a cabeça.
– Já entr evistei centenas de cr iminosos condenados. E alguns eu sabia, caso fossem liber tados, que voltar iam a estupr ar ou matar. Eu sabia disso aqui – ele apontou par a o estômago. – Mas não havia nada que eu pudesse fazer a não ser declar ar que eles dever iam per manecer nas pr isões cumpr indo a sentença máx ima, e esper ar, rezar, que eles mor r essem antes de ser em soltos.
– Eu não matei ninguém. Eu não sabia – Lucy disse com o peito aper tado. – Não pode acr editar que fiz isso!
– Clar o que acr edito em você, Lucy.
– Então o que é que você está quer endo dizer ?
– Que entendo como alguém pode ter elabor ado tal plano. Ter ia de ser alguém com for te senso mor al, e por causa das cir cunstâncias, como algum evento tr aumático, essa pessoa r etor ceu a mor al par a justificar o assassinato.
– A síndr ome do vingador .
Dillon assentiu.
– Quando o sistema fr acassa, alguém tem de defender a justiça.
– Por tanto alguém está matando pelo que consider a ser em motivos nobr es – Sean disse.
– E eles são esper tos, não estão mir ando todos os cr iminosos em condicional, mas escolher am alguns poucos. Isso r equer contr ole, inteligência,
pr emeditação...
Mas quem eles estão escolhendo é impor tante.
Sean per guntou:
– E quanto a opor tunidade?
Dillon meneou a cabeça.
– Acr edito que não. É tudo pr emeditado. Os vingador es têm um for te senso do que é certo e do que é errado, mas o que eles consider am cer to e er r ado é visto atr avés de lentes distor cidas.
Lucy acr escentou:
– Eles acr editam que o mundo é uma anar quia, que a For ça Policial e o sistema penal são ineficientes. Justificam suas ações dizendo que só estão fazendo o que o gover no não pode ou não quer fazer .
– Eles justificam homicídios – Kate disse e esfr egou os olhos. – Maldição, eu quase acr edito nisso. Eu ter ia matado Tr ask par a detê-lo.
– Isso não é a mesma coisa – Dillon disse. – E você sabe disso. Tr ask er a um assassino fugindo da polícia.
– Há muitos cidadãos cumpr idor es das leis que não são violentos, embor a tenham alguns tr aços comuns aos dos vingador es – Lucy disse. – Eles lutam sem cessar par a ter mos leis mais r estr itas, penas r ápidas, o enr ijecimento da pena de mor te, mais r ecur sos par a a For ça Policial.
Dillon concor dou:
– Eles apoiam r estr ições à liber dade em nome da segur ança pública e, com fr equência, delatam amigos ou vizinhos que eles acr editam que estejam infr ingindo a lei. Eles não têm a mente de um cr iminoso.
– Contudo, – Lucy inter veio – aqueles com um for te senso de justiça vingativa aliado à habilidade ou à mente psicótica necessár ia par a tir ar uma vida humana, nor malmente por conta de alguma situação violenta em seu passado, podem ultr apassar essa fr onteir a.
Isso fazia de Lucy uma pessoa mais pr opensa a matar a sangue fr io?
Havia matado Adam Scott por que ele a fer iu, e a ter ia matado, e não ter ia par ado com ela. Ela r astr eava cr iminosos em condicional por que eles dever iam continuar pr esos pagando pelos seus cr imes. Estar ia ela no caminho de desenvolver um senso de justiça r etor cido que justificar ia assassinatos fr ios e calculados?
Um calafr io a tr espassou e ar r epiou os pelos do cor po. Sean olhou par a ela, mas não disse nada.
Dillon fr anziu o cenho, a ex pr essão er a intensa, estava tão envolvido em sua análise que nem notou o desconfor to e autoanálise de Lucy.
– Eles levar am essa cr uzada além da lei, quase par a o pr ópr io povo.
Por que, convenhamos, a maior ia das pessoas der r amar ia uma lágr ima por conta de um molestador de cr ianças que foi atr opelado e mor to? Ou um estupr ador que foi alvejado em um beco?
Sean disse:
– E então por que não declar ar guer r a ao pior da espécie e matar todos eles?
Dillon contr apôs:
– Relações públicas. Causas. Opor tunidades. Os vingador es não quer em ser detidos. Além disso, os alvos têm algum significado pessoal par a eles.
Eles podem estar visando a uma ár ea, por ex emplo, cr iminosos que são liber tados por conta de alguma tecnicalidade em uma jur isdição, ou a indivíduos que cometer am algum cr ime específico, como os molestador es infantis.
Lucy pigar r eou.
– Investiguei as oito vítimas e não vi nenhum tr aço em comum.
– Impor ta-se se eu der uma olhada?
Lucy entr egou os ar quivos.
– Usei meu pr ogr ama de dados; talvez haja uma falha na ex tr apolação dos dados. Pensei que...
Dillon deu uma olhada nos ar quivos.
– Seu pr ogr ama é br ilhante, Lucy. O melhor que já vi, que mescla ciência com psicologia – ele bateu na pr imeir a página. – Já encontr ei o pr oblema.
– O quê?
– Tir e Pr enter – falou enquanto devolvia os ar quivos.
Ela encar ou-o. A pr incípio ela não entendeu por que o r elatór io havia sido pr ocessado com as infor mações de Pr enter. Ter ia de r epassar tudo sem ele, e depois...
– Oh!
– Entendeu também, não?
– Sim. Todos os sete for am condenados por molestar em menor es de idade que já conheciam.
– É mais do que isso. O estupr ador tinha autor idade sobr e a vítima.
Um pastor. Um padr asto. Um pai. Dois tios. Um pr ofessor. Pr enter não se encaix a nesse per fil. Quando o r etir amos, temos um padr ão.
– Mas não podemos r etir á-lo por que ele foi assassinado do mesmo modo, ou seja, er a um cr iminoso em condicional r astr eado pelo PMC.
– Eu não disse que tinha todas as r espostas, mas acr edito que quem quer que esteja selecionando os cr iminosos em condicional está se concentr ando em cr iminosos que tenham cometido um cr ime similar ao imposto a uma pessoa amada por eles.
– Pr enter também estava em posição de autor idade – Kate disse. – Ele er a pr ofessor assistente e estupr ou uma aluna.
– Mas não er a uma aluna menor de idade – Dillon obser vou. – Sar a Tyson tinha 19 anos, cor r eto?
Lucy assentiu.
– Ainda er a bem jovem – Kate ponder ou.
– Mas houve uma vítima que não puder am ligar a ele, – Lucy acr escentou – uma antiga namor ada que está em coma por causa de uma dose quase letal de líquido X caseir o. Todos os envolvidos no caso Pr enter sabem disso. No entanto, esse caso não foi per mitido nos r egistr os legais.
– Como você conhece se não está nos r egistr os oficiais? – Kate per guntou.
– O PMC tem o histór ico de todos os pr edador es identificados e monitor ados. Mas... – fr anziu o cenho e se inter r ompeu.
– O que foi? – Dillon a incentivou a continuar .
– Ele tinha 17 anos na época. O r egistr o juvenil é selado, e o juiz se r ecusou a abr i-lo dur ante o julgamento.
– Então como você sabe sobr e a gar ota em coma? – Dillon per guntou.
– Por causa do r esumo do PMC. Fr an tem muitos contatos, ela pode ter falado com o investigador or iginal na cidade natal dele. Ou até mesmo com o detetive encar r egado em D.C., por que devem ter levantado a histór ia dur ante as investigações de acusação de Sar a Tyson.
– Ele é difer ente – Dillon disse. – Alguma coisa a r espeito de Pr enter não se encaix a no caso dos outr os cr iminosos, embor a você possa ter r azão e isso se aplique ao caso da pr imeir a vítima dele.
Sean olhou par a Kate.
– Talvez você queir a sair da sala um instante.
Ela encar ou-o.
– Por quê?
– Eu coloquei uma escuta no escr itór io de Fr an Buckley. É uma escuta digital, tudo é enviado par a um ser vidor cego que eu posso r ecuper ar. Eu, na ver dade, não tenho de ficar escutando em tempo r eal – Sean olhou par a Dillon. – É uma ár ea cinzenta.
– Acr edito que seja ilegal – Dillon r eplicou.
– É ilegal! – Kate ex clamou.
– Posso contestar isso. Não estou r oubando segr edos cor por ativos, nem usando estas gr avações par a incr iminá-la em uma investigação cr iminal.
– É fr uto da ár vor e pr oibida... – Kate comentou.
– Mais um motivo par a você sair da sala – Sean disse objetivamente.
Lucy mor deu o lábio. Fazia tempo que não via Kate assim tão br ava. A cunhada levantou-se em um r ompante e saiu da sala. Um segundo depois a por ta do escr itór io bateu.
– Desculpe, – Lucy disse a Dillon – mas alguém está ar mando contr a mim, e eu não podia simplesmente ficar sentada esper ando alguma coisa acontecer .
– Kate sabe disso – Dillon disse. – Ela não está br ava com você. Acho que é esta situação; ela detesta quando uma investigação foge do contr ole.
Finalmente ela r econquistou a vida dela. O FBI não é muito conhecido por dar segundas chances. Ter ceir as? Pode esquecer .
– Não quer o colocar Kate em uma posição difícil – Sean disse – e eu não quer ia infor má-la de nada até ter mos algo de concr eto – Sean pr endeu Lucy com o olhar . – Tudo bem com você em r elação a isso?
Ela assentiu.
– Pode mostr ar .
Sean ligou o alto-falante do laptop e colocou na gr avação. Um instante depois a voz de Fr an saiu sur pr eendentemente clar a. Ela falava com Gina, a assistente, quanto a acompanhar o compr ometimento de alguns doador es após o evento de ar r ecadação de fundos.
Em seguida, Fr an falou com alguém ao telefone. Eles só ouviam o lado dela da conver sa, mas par ecia ser o ger ente do hotel do evento com o qual ela acer tava alguns detalhes. Sean avançou um pouco a gr avação, depois disse:
– Isso foi cer ca de sete minutos depois que a assistente saiu.
Na gr avação, ouvir am a por ta fechar .
– Você tem uns minutinhos?
Er a Cody.
– Clar o – Fr an r espondeu. – Alguma coisa er r ada?
– Pode-se dizer que sim. Br ad Pr enter está mor to.
– Eu sei, li a r espeito...
– Sei que você sabe mais a r espeito.
Lucy pr endeu a r espir ação. Sean pegou a mão dela e aper tou-a.
– Cody...
Cody suspir ou alto o bastante par a a gr avação captar o som.
– Sinto muito, é que... Não sei de mais nada.
– Conte-me o que aconteceu. Não estou entendendo aonde você quer chegar .
– Alguém usou a conta de Lucy, a mesma conta usada par a ela contatar Pr enter, par a mandá-lo ao Clube 10. Ele foi alvejado e mor to a um quar teir ão de lá.
– Isso não pode ter acontecido.
– Mas aconteceu. Tenho pr ovas. A pr incípio... Meu Deus, Fr an, a pr incípio pensei que tivesse sido Lucy por que er a a conta dela e sei o quanto ela é meticulosa. Ela jamais dar ia a senha a ninguém. E ela estava tão centr ada em Pr enter por causa da gar ota em coma. Ela me disse, quando Pr enter foi colocado na nossa lista, que Evelyn Oldenbur g não teve justiça.
– Lucy?
– Pensei que ela estivesse tr abalhando com alguém.
– Você não a acusou...
– Eu me sinto tão mal. Não consigo acr editar que disse isso a ela, mas ela não tem nada a ver com isso. Não pelo que ela disse, mas por que simplesmente ela não ser ia capaz. Eu dever ia saber disso desde o início, mas fui engolido pelas pr ovas.
– Que pr ovas?
– A polícia encontr ou uma mensagem no celular de Pr enter que havia sido enviada por Tanya pela conta de Lucy mandando-o par a o Clube 10 em vez de o Fir ehouse, onde minha par ceir a e eu o esper ávamos.
– Ainda não tenho cer teza do que você pensa que pode ter acontecido.
– Alguém usou a identidade vir tual de Lucy par a mandar essa mensagem par a Pr enter .
– O que quer dizer é que alguém do PMC o mandou par a aquele bar .
– E o matou.
Silêncio. Um bom tempo depois, Fr an disse: – Está acusando alguém da minha equipe de assassinato? – ela soava tão zangada quanto tr iste, embor a a voz digital, sem o acompanhamento da ex pr essão facial, também par ecesse seca.
– Sim, estou.
– Não sei o que dizer .
Uma cadeir a r olou sobr e plástico.
– Não acr edito.
– Pr ecisamos investigar o passado de todos. Acho que alguém aqui tem alguma conex ão com Pr enter e tir ou vantagem do PMC par a assassiná-lo.
Alguém com habilidade em computador es, por que essa pessoa também entr ou e apagou toda a conta de bate-papo de Pr enter. Simplesmente desapar eceu. A única r azão pela qual encontr ei essa mensagem foi por que ela foi enviada automaticamente par a o e-mail pessoal de Pr enter que estava em seu BlackBer r y. Está no r elatór io policial.
– Acr edita que a polícia pensa que alguém no PMC esteja envolvido? Ou Lucy?
– Não, eles não acham que esteja ligado. Eles estão se concentr ando em encontr ar um homem e uma mulher que discutir am com ele no beco.
– Me conte tudo. Pr eciso estar a par desse caso.
– Pr enter contou ao bar man que estava esper ando uma mulher que conheceu na inter net. Cer ca de quar enta minutos depois de ele ter chegado, uma gar ota apar eceu e deu em cima dele; o bar man disse que ela havia chegado com outr o homem, mas eles br igar am e ele foi embor a. Os dois conver sar am um pouco e, uns quinze minutos mais tar de, saír am. O
namor ado da moça, de acor do com testemunhas, o confr ontou e ele e a namor ada for am embor a. Menos de cinco minutos depois, Pr enter foi alvejado e mor to ao lado do car r o. Quatr o balas.
– Assalto?
– A car teir a foi levada. Mas não o Por sche, e as chaves estavam na mão dele.
– Talvez o atir ador tenha se assustado. Ouviu alguém.
– E não pegou o tr anspor te mais r ápido disponível? Fugiu a pé? Acho que não. Acho que a car teir a só foi levada par a encobr ir um assassinato mar cado. Acho que Pr enter foi intencionalmente alvejado e quem quer que tenha feito isso tinha acesso aos nossos computador es.
– Nossos objetivos não são sigilosos – Fr an disse. – Não que digamos aos quatr o ventos o que fazemos, mas também não mantemos segr edo.
– Dr oga – Cody andava de um lado par a o outr o da sala, a voz aumentando ou diminuindo confor me ele se apr ox imava ou distanciava da escuta. – Fr an, isso é sér io.
– Concor do. Deix e-me investigar. Ser ei discr eta, clar o... Far ei com que Gina me tr aga os r egistr os de todos os computador es e ver emos quem acessou a sala de bate-papo par a mandar a mensagem depois que Lucy foi embor a na quar ta-feir a à tar de.
– Isso é bom, mas acho que você dever ia r ever os antecedentes de novo, ver se alguém tem alguma conex ão com Pr enter .
– Far ei isso – disse fazendo uma pausa. – Você disse que contou par a Lucy?
– Tive que fazer isso, foi ela quem pediu par a que eu investigasse o homicídio de Pr enter .
– Lucy? – silêncio. – Por que ela far ia isso?
– Ela viu a r epor tagem no jor nal, depois pegou o r elatór io de autópsia.
Ela disse que par eceu suspeito. Eu não acr editei muito no começo, mas quando li o r elatór io, per cebi que ela tinha r azão. Tudo isso é muito estr anho.
A por ta se abr iu e a voz de Cody apar eceu como se ele estivesse em um túnel.
– Lamento, Fr an. Se descobr ir quem é, nós lidar emos com isso inter namente.
– Obr igada, Cody.
A por ta se fechou.
– Maldição – Fr an disse.
Silêncio absoluto.
Dillon disse:
– Há alguma coisa de er r ado nessa conver sa.
Sean assentiu.
– Nenhuma menção de pr ocur ar a polícia. A pr imeir a r eação de Fr an, depois da descr ença, ser ia infor mar as autor idades.
Lucy discor dou.
– O pr ojeto de r astr eamento dos condenados em condicional está em uma ár ea cinzenta. Não é, tecnicamente, uma ar madilha, mas Fr an não quer ia que ele fosse divulgado por causa da potencial má publicidade. A vida dela inteir a é o PMC. Se ela acr edita que alguém de dentr o está usando a or ganização par a benefício pr ópr io, não sei o que ela ser ia capaz de fazer , além de tudo, par a pr oteger o gr upo.
– Mas isto é assassinato – Dillon disse.
A gr avação digital r egistr ou um bar ulho alto, depois ar quivos batendo e papéis sendo vasculhados. A voz de Fr an:
– Diabos, onde isso foi par ar ? – mais movimentação seguida de um longo e pr ofundo suspir o. – Não acr edito nisso – sons do ar quivo sendo aber to, uma pr ocur a fur iosa entr e papéis, depois silêncio por uns bons dois minutos. Lucy pensou que Fr an tivesse saído, depois veio o tintilar de chaves seguido pela por ta sendo batida.
Sean olhou par a Dillon.
– Eu dever ia ter encontr ado um modo de colocar uma escuta na bolsa dela.
– Não Fr an... – Lucy disse sem quer er acr editar . Ela olhou par a Dillon.
– Você também acha que foi ela – ele disse calmamente.
Ela assentiu e piscou par a afastar as lágr imas.
– Foi o que você disse antes, sobr e os vingador es mir ar em deter minados tipos de cr iminosos. A ir mã mais nova de Fr an foi r epetidamente molestada pelo tio delas. Elas viviam na mais absoluta pobr eza, a mãe tr abalhava em dois empr egos, Fr an tr abalhava o dia inteir o além de ir par a a escola par a poupar dinheir o par a a faculdade e ninguém sabia que safado per ver so er a o tio.
– A maior ia dos molestador es infantis sabe como silenciar as vítimas – Dillon disse. – Uma combinação de ameaças e bons tr atos, e quando a cr iança super a isso, eles fazem com que elas se sintam tão culpadas, convencendo-as de que a culpa pelo abuso sofr ido é delas mesmas, que elas nunca falam a r espeito. Como Fr an descobr iu?
– Quando a ir mã foi estr angulada pelo tio. No dia em que ela menstr uou pela pr imeir a vez, ele a estupr ou e a matou. Ele disse à polícia que ela havia per dido a inocência e que ele tinha de evitar que ela se tr ansfor masse em uma pr ostituta – Lucy falou de modo pr agmático, mas o caso tocava fundo em um ponto que ela mantinha selado.
– Há outr a difer ença nestes alvos – Dillon comentou olhando par a os papéis de Lucy.
– Cer to, eles estão espalhados. Não há dois na mesma cidade.
– Ou, se você olhar de outr o ângulo, Pr enter é o único em con dicion al da r egião. Esse é outr o motivo pelo qual Pr enter não se encaix a.
– Está suger indo assassinos difer entes? – Sean per guntou.
– Não, mesmo assassino. Ou mesmo gr upo; tenho cer teza de que se tr ata no mínimo de dois assassinos, mais pr ovavelmente tr ês ou mais envolvidos, par a uma conspir ação gr ande assim. Eles mir ar am Pr enter por um motivo difer ente, de outr o modo eles não ar r iscar iam um assassinato tão per to de casa, não só D.C., mas um assassinato pes s oal. Pr ecisamos olhar todas as vítimas. Acho que uma das pessoas envolvidas está r elacionada a uma das vítimas. Quando ele foi liber tado, essa pessoa usou sua posição no gr upo e colocou Pr enter na lista, mesmo ele não se encaix ando no per fil.
– Já ver ifiquei as vítimas – Lucy ex plicou. – Nada salta aos olhos. Pedi a Sean que investigasse mais a fundo.
– Ótimo – Dillon disse.
– Pr ecisamos falar com Cody – ela disse. – Ele vai nos ajudar, nos contar todos com quem falou. Talvez algo dispar e um alar me.
– Lucy – Sean disse secamente. – Cody tem outr os pr oblemas. Ele está per seguindo você.
– Talvez ele não tivesse a intenção de escr ever uma mensagem tão per tur bador a.
– E quanto àquelas vezes em que você teve a sensação de estar sendo obser vada? Isso não a assustou?
– Sim, mas...
– Não ar r anje desculpas par a esse homem!
– Devagar , Rogan – Dillon disse.
Lucy balançou a cabeça.
– Sean tem r azão – ela tinha de aceitar o fato de que Cody tentar a assustá-la. – Cody nos seguiu da igr eja par a o r inque de patinação, eu não disse nada a ele por que eu nem sabia. É que é tão difícil colocá-lo no papel de bandido.
– Ele r etor nou a sua ligação?
Ela negou com a cabeça.
– Vou tentar falar com ele pela manhã.
– Não vai sozinha – Sean disse.
Ela olhou de r elance par a Sean; entendia por que ele se pr eocupava e bancava o pr otetor, mas a tensão emanando dele er a palpável. Antes ele par eceu tão compr eensivo, mas agor a agia como os seus ir mãos.
Ela levantou uma sobr ancelha e, mantendo a voz impassível, disse: – Não tenho vontade de mor r er, Sean, e já tenho quatr o ir mãos super pr otetor es; não pr eciso de mais um.
Ele passou a mão pelos cabelos.
– Desculpe.
– Contudo, apr ecio a sua pr eocupação, e, pr ometo, não vou facilitar as coisas par a ele, está bem? Mas acho que Dillon dever ia vir comigo quando eu for falar com ele. Menos testoster ona.
– Pux a, obr igado – Dillon disse, suavizando a conver sa.
Ela r evir ou os olhos.
– Sabe o que estou dizendo.
VINTE E SEIS
Abigail chamou Noah assim que ele vir ou no cor r edor entr e os cubículos do escr itór io na ter ça-feir a de manhã.
– Consegui as infor mações do GPS.
– Nós devíamos ter essa infor mação ontem.
– É, e eu ator mentei o pobr e CEO sem dó o dia inteir o ontem, embor a não haja r isco de vida imediato dependendo desta infor mação.
– Desculpe – Noah esfr egou os olhos. – Kate e eu dividimos os e-mails de Mor ton. Ainda estou com dor de cabeça.
– Descobr iu alguma coisa?
– Bastante. Sabe a nossa vítima de sábado, Rober t Ralston?
– Sei.
– Se li dir eito estas mensagens, foi ele quem contatou Mor ton pr imeir o. Mor ton saiu da pr isão, mandou algumas mensagens par a avisar que estava livr e e nada. Até a pr imeir a semana de agosto, quando Ralston enviou a pr imeir a mensagem par a ele.
Noah abaix ou os r elatór ios e pux ou um r esumo digitado em casa.
– Em 6 de agosto, Ralston per gunta a Mor ton se ele está inter essado em uma nova jogada, diz que quer se aposentar na Flór ida, mas que está sem dinheir o. Mor ton r esponde que também está quebr ado e que detesta ser mecânico. Ralston diz que vai pr estar atenção nas novidades, mas que não é nenhum especialista.
– Mor ton compr ou o computador algumas semanas depois disso.
– Acho que pode ter sido coincidência; ele pr ecisava juntar dinheir o par a isso, e depois de sete semanas de tr abalho, ele tinha o suficiente. Ele imediatamente começou a acessar todos os sites por nôs. Pr ovavelmente pesquisando as mudanças de tecnologia e de negócios.
– Ou talvez só fosse um bastar do ex citado após ter passado seis anos na pr isão.
Noah deu de ombr os.
– Em seguida, Mor ton contata Ralston no fim de setembr o e diz que tem uma nova jogada, a mesma fr ase usada por Ralston, e que estar ia pr onto em alguns meses. Foi mais ou menos nessa época que ele começou a juntar por nogr afia e ar quivá-la no computador. Muitas fitas e discos er am velhos. Não sei qual er a o plano dele, nada nas mensagens r evela os detalhes. Mas ele tinha muitos filmes caseir os os quais os nossos técnicos dizem que um ou os dois par ticipantes não sabiam que estavam sendo filmados.
– Chantagem, talvez?
– É possível. E ele pr ecisar ia de dinheir o par a o equipamento, par a o esquema, planejamento e, clar o, par a ar mar a chantagem, se é isso o que ele planejava. Ou ele simplesmente estava cr iando um site de voyeuris mo.
Não sei se um dia vamos saber da ver dade, consider ando-se que tanto Mor ton quanto Ralston estão mor tos.
– Até que quem quer que os tenha matado dê pr osseguimento a esse novo empr eendimento.
Noah assentiu.
– Não temos os e-mails de Ralston, mas ele devia estar fazendo algum tr abalho par a Mor ton, pois ele volta a contatar Mor ton no fim de novembr o par a dizer que encontr ou um novo jogador.
– Por que Mor ton não veio par a cá nessa época, então?
– Não sei. Não consegui encontr ar nenhuma outr a mensagem entr e eles até o fim de dezembr o. Fico me per guntando se eles se falar am por telefone; Guar dino, em Denver, está analisando os r egistr os telefônicos de Mor ton. Não há nenhum telefone com pr efix o 202, nem 703, mas hoje em dia, com os telefones des cartáveis , pode-se ligar com qualquer código de ár ea. Mor ton até pode ter tido um que não localizamos. Nossos analistas estão aver iguando os r egistr os de Ralston. Alguma infor mação vai bater, mas isso leva tempo par a descobr ir .
– Então, em dezembr o o que foi que Ralston disse?
– Par a escolher um lugar e uma data. Mas veja só: Mor ton não r espondeu. Não há nenhuma outr a comunicação entr e eles.
– Então você vai ador ar o que eu tenho aqui – Abigail sor r iu como o
Gato Risonho de Alice [1] e esticou o mapa de D.C. sobr e a mesa. – Mapeei todos os lugar es que Mor ton foi com o car r o alugado a par tir do instante em que saiu do estacionamento do aer opor to. Duas das suas par adas? O
apar tamento de Ralston.
Noah seguiu o dedo de Abigail pelo mapa.
– Ele ficou bem ocupado esses dois dias.
– Ficou mesmo.
Noah deu uma olhada. Além do apar tamento de Ralston, também estava mar cada a mar ina onde ele foi mor to. Ele chegou lá às 23h23. Mor r eu apr ox imadamente à meia-noite. O cor po não havia sido tr anspor tado. Às 23h59 o car r o saiu.
– Ele foi par a um encontr o com as pessoas dos fundos, possivelmente par a pegar o dinheir o da nova jogada, e eles o matar am. Pegar am o car r o, voltar am par a o hotel... Por quê?
– Se seguir mos o ângulo da chantagem, talvez isso fosse bancar seu novo pr ojeto, e ele chantageou a pessoa er r ada.
Noah pensou a r espeito.
– Ele não leva as pr ovas incr iminatór ias, por isso o assassino vai até o hotel par a pr ocur ar. Então dir ige o car r o até per to do aer opor to de Dulles.
– Não, o car r o vai par a outr o lugar – ela desceu o dedo.
Noah ficou de boca aber ta.
– De volta ao apar tamento de Ralston?
– Sabe o que estou pensando? Acho que o assassino estava pr ocur ando alguma coisa.
– Isso apoiar ia a nossa teor ia de chantagem.
– Mor ton não tinha as pr ovas com ele; não estavam no car r o, nem no hotel...
– Por isso for am atr ás de Ralston.
Abigail assentiu.
– E o matar am. Depois eles deix ar am o car r o no ar mazém per to do aer opor to às 4h30 da manhã.
Chantagem. Isso poder ia custear a nova jogada de Mor ton.
– Como o assassino chegou à mar ina se saiu dir igindo o car r o de Mor ton? – Noah pensou.
– Ele foi com Mor ton?
– Dificilmente. A menos que estivessem lá par a se encontr ar em com outr a pessoa.
– Então o assassino tinha um sócio. Ou pegou tr anspor te público.
Noah pensou.
– Ou Ralston foi com Mor ton.
Abigail fr anziu o cenho.
– Mas se Ralston e Mor ton estavam tr abalhando juntos, como mostr am as evidências, por que voltar ao hotel de Mor ton depois que ele foi assassinado? A descr ição do ger ente, embor a vaga, nem chega per to de Ralston. Se o assassino quer ia os dois mor tos, por que levar Ralston de volta ao apar tamento?
– Talvez Ralston estivesse assustado, tentando ganhar tempo.
– É possível.
Alguma coisa estava faltando nessa teor ia. O plano par ecia enr olado demais, mas até eles descobr ir em com quem Mor ton ir ia se encontr ar e o que ele dever ia tr ocar pelo dinheir o, eles não tinham como saber .
– Você ver ificou os táx is e as companhias de limusines?
– Nenhum motor ista pr ofissional foi par a a mar ina naquela noite.
Noah bateu o dedo em uma mar ca em Somer set, Mar yland.
– O que é isto? Par ece r esidencial.
– Ainda não ver ifiquei; só r ecebi essa infor mação há uma hor a.
– Ele dir igiu par a lá na quinta à noite.
O computador dele bipou, avisando a chegada de um novo e-mail. Ele olhou, depois r eleu par a ter cer teza.
– Temos novidade – Noah disse.
Quando ele abr iu a mensagem, Abigail espiou por sobr e o ombr o. Er a do analista.
Agente Ar mstr ong,
Seguindo as suas instr uções, r astr eei os passos de Roger Mor ton antes de sua chegada ao aer opor to de Dulles. Com o nome dele não há nenhuma viagem; com o do pr imo, Cliff Skinner, só havia a passagem de Denver par a o Aer opor to Inter nacional de Dulles. Contudo, no car tão de cr édito de Skinner, há uma cobr ança de uma viagem de ida e volta de Dulles par a Seattle em 3 de janeir o, com r etor no no dia 4, com o nome de Rober t Ralston. Contatei a companhia aér ea que confir mou a compr a e o uso das passagens.
Avise-me se pr ecisar de mais alguma coisa.
Sandy Young, Analista II.
– Ralston foi par a Seattle? Por quê? – Abigail per guntou.
Noah não r espondeu. Mor ton pagou pelos bilhetes, mas Ralston viajou.
Um dia só, por quê? Qual a ligação de Mor ton com Seattle?
Ele r espondeu par a Sandy:
Obr igado, Sandy. Veja o que consegue descobr ir sobr e Ralston em Seattle. Se ele usou car r o alugado, se r egistr ou-se em algum hotel, com o nome dele ou o de Skinner . Noah.
– Cada vez mais inter essante... – Abigail comentou.
Noah concor dou.
– Vamos ver ificar essa localização em Somer set – ele começou a andar, mas par ou tão de r epente que Abigail deu um encontr ão nele.
– Per cebo um lampejo... – Abigail deduziu.
– Seattle. Estava nos ar quivos que Stockton me entr egou. Foi onde Adam Scott e Mor ton levar am Lucy Kincaid depois de a sequestr ar em.
– Acha que ex iste alguma ligação?
– Duvido que seja coincidência.
Noah vir ou-se e voltou par a o computador. Rapidamente enviou uma mensagem a Rick Stockton e a Hans Vigo, que conseguir iam obter as r espostas mais r apidamente.
[1] Gato Risonho ou Gato Cheshir e, per sonagem de um sor r iso lar go e ir ônico do livr o Alice n o País das M aravilhas , de Char les Lutw idge Dodgson, publicado em 4 de julho de 1865 sob o pseudônimo de Lew is Car r oll.
VINTE E SETE
Sean apr ox imou-se o quanto pôde da entr ada de funcionár ios do IML de D.C., par ando em fila dupla por que não havia lugar par a estacionar. Não per mitir ia que Lucy caminhasse muito; não enquanto não soubesse o que Cody estava tr amando. E se Fr an Buckley ou as pessoas que tr abalhavam com ela er am ou não per igosas. Lucy não havia nem concor dado nem discor dado com a cr ença de Dillon e de Sean de que Fr an estava por tr ás desse gr upo de vingador es, e Sean não a pr essionou. Ela estava sendo soter r ada nos últimos dias, e ele quer ia que ela tivesse espaço par a chegar às pr ópr ias conclusões. Ela chegar ia lá.
Lucy disse:
– Acho que posso me acostumar a ter um motor ista. Belo car r o, r apaz s exy, ser viço por ta a por ta...
– Não dever ia ser carro s exy, belo rapaz ? – Sean br incou e beijou o sor r iso dela. – Cuidado, Lucy. Lembr e-se, se Cody apar ecer , ligue par a Kate ou par a o seu ir mão. E evite Fr an até descobr ir mos se ela está envolvida ou não.
– Não pr ecisa me r epetir isso.
– Só estou pr eocupado – disse enquanto tocava o r osto dela. Lucy par ecia cansada, e ele disse: – Sabe, quando tudo isso ter minar, você mer ece umas fér ias. Um fim de semana pr olongado par a qualquer lugar que meu avião possa nos levar .
Ela sor r iu tr avessa.
– Qualquer lugar ? Acho que não dever ia me dar essa liber dade de escolha.
– Se eu disse qualquer lugar , pode contar . A que hor as você sai?
– Às tr ês.
– Estar ei aqui.
Sean obser vou-a até que ela entr asse no pr édio, depois se cer tificou de que ninguém a seguia até a por ta de segur ança se fechar .
Dir igiu de volta à casa de Lucy. Kate havia mandado uma mensagem pedindo que ele fosse até lá às 10 hor as.
Quando Kate abr iu a por ta, ela olhou par a o r elógio.
– Chegou uma hor a antes – ela comentou.
– Não demor ei em pegar Lucy, levá-la par a o tr abalho e voltar .
Ela fechou a por ta atr ás dele.
– O café está na cozinha.
Sean a seguiu pelo cor r edor. Como Lucy, ela par ecia ex austa. O cabelo ainda estava úmido por conta do banho e caía em mechas espessas pelo r osto. Impaciente, ela colocou-as atr ás da or elha.
Dillon estava na cozinha lendo um r elatór io gr osso. Um homem de cer ca de 50 anos, com uma ligeir a bar r iga e cabelo ficando gr isalho se sentava diante de Dillon, levantou o olhar .
– Sean, – ele disse indicando o estr anho – este é um bom e velho amigo meu, doutor Hans Vigo. Ele é do FBI.
– Vigo – Sean conhecia aquele nome. – É o per ito em per fis?
– Boa memór ia – Hans estendeu a mão par a Sean. – Não nos conhecemos.
– Não, mas meu ir mão Duke e todos na RCK falam muito bem de você.
– Como está Duke? – Hans per guntou.
– Como sempr e – Sean vinha se apr ox imando par a saber o que Dillon estava lendo.
Kate par ou ao lado de Sean e disse:
– É a ficha da funcionár ia de Fr an Buckley do tempo do FBI, Senhor Intr ometido.
– Foi por isso que pediu par a que eu viesse?
– Não, Noah Ar mstr ong quer falar com você.
Sean subitamente se vir ou par a ela.
– Está ar mando um encontr o meu com o FBI?
Foi Hans quem r espondeu:
– Você apar eceu em uma gr avação de vigilância entr ando em um r estaur ante cujo dono é Ser gey Yur an. Levando-se em conta que o nome dele veio à tona no decor r er desta investigação, pr ecisamos saber o que foi que ele disse.
Sean fr anziu o cenho.
– Se eu tivesse descober to alguma cosa que ajudasse, eu já ter ia passado a infor mação ao agente Ar mstr ong no sábado.
Sean não se sentia à vontade falando com o FBI sobr e qualquer coisa que o colocasse em um caldeir ão de água fer vente. Pensou em ligar par a Duke, pedindo conselhos sobr e se dever ia chamar um advogado ou não, mas logo desconsider ou essa ideia. Não poder ia se apoiar no ir mão toda vez que batesse de fr ente com a For ça Policial. Er a um gar oto cr escido, podia tomar as pr ópr ias decisões, e sabia que não havia ex tr apolado nenhum limite ao falar com Ser gey Yur an. De jeito nenhum Yur an ter ia conver sado com um policial, e se er a ver dade que ele estava sendo vigiado, Ar mstr ong não ter ia per missão par a abor dá-lo. Pr ender o tr aficante pela mor te de um tr atante como Mor ton estava muito abaix o da lista de pr ior idades fr ente ao tr áfico de ar mas e de ser es humanos, o que dizia a Sean que Ar mstr ong quer ia uma conver sa confidencial, por tanto, o encontr o na casa de Kate. Talvez aquele agente não fosse tão certin ho quanto Sean havia pensado ao encontr á-lo no sábado.
Contudo, toda vez que Sean teve de falar com policiais no passado, ele acabava escaldado.
Antes de ser ex pulso de Stanfor d, Sean descobr iu que um dos pr ofessor es gostava de por nogr afia infantil. Sean ex pôs essa obsessão r epulsiva par a que todos soubessem que tipo de per ver tido ele r ealmente er a. Os feder ais pr ometer am que nada lhe acontecer ia caso Sean r evelasse como ele entr ou no sistema do pr ofessor e o que o fez desconfiar no início.
Sean contou a ver dade. Sem nem per ceber , em seguida Stanfor d o ex pulsou por invadir o banco de dados da univer sidade. Duke disse-lhe que o FBI fez o que pôde e que Sean dever ia se dar por satisfeito por não ser mandado par a a pr isão. Eles concor dar am em apagar os r egistr os; no entanto, Sean tinha cer teza de que seus ar quivos no FBI deviam ter mais de tr ês centímetr os de gr ossur a. O incidente com o pr ofessor per ver tido de Stanfor d não foi a única vez em que esteve em águas quentes ao tentar acer tar o que havia de er r ado.
Kate disse:
– Sean, é melhor tomar cuidado per to de Ar mstr ong. Ele é bom e não gosta de inter fer ências.
– Eu não inter fer i em nada.
– Apar ecer no apar tamento de Ralston não foi inter fer ir ?
– Não vou r epetir isso. Você sabe por que eu estava lá. Não atr apalhei a investigação.
– Ninguém quer metê-lo em apur os, Sean – Hans afir mou.
Sean não sabia se devia confiar nele, mas Duke acr editava que Hans Vigo conseguia caminhar sobr e a água, e isso não podia se dizer a r espeito de muitas pessoas, por isso Sean concedeu o benefício da dúvida ao homem.
– Está bem, mas se Ar mstr ong me pr ender, é melhor você pagar a fiança.
Hans sor r iu.
– Eu lhe dou a minha palavr a.
Sean r elax ou um tanto e foi se ser vir de café.
Hans disse a Dillon:
– Mudando de assunto, há alguma coisa nos r egistr os de Buckley que a coloque na lista de suspeitos?
Sean olhou discr etamente par a Hans, que disse: – Dillon me telefonou ontem à noite e me contou do assassinato de Pr enter e da pr eocupação de Lucy quanto à ex istência de um esquema par a matar os pr esos em condicional.
Sean fr anziu o cenho.
– Isso não vai ser um pr oblema par a Lucy? Ela está no meio do pr ocesso de seleção do FBI.
– Estou ciente disso, fui eu quem fez a r ecomendação. E nada do que ela tenha feito vai afetar a minha r ecomendação. Todavia, não posso, honestamente, dizer como isto vai afetar a decisão do depar tamento.
– Mas não podemos manter segr edo disso – Kate disse. – Isso me manteve acor dada a noite inteir a. Mor ton estava sob s urs is , mas foi alvejado atr ás da cabeça, assim como Pr enter e muitos dos outr os condenados em condicional que Lucy descobr iu ontem à noite.
A teor ia de Kate ator doou Sean. Ele não havia pensado que o homicídio de Mor ton pudesse estar r elacionado ao PMC.
– Acha que a mesma pessoa que matou Mor ton é o assassino de Pr enter e dos outr os? – ele per guntou.
Hans r espondeu:
– Sem levantar suspeitas, eu estou pux ando as fichas de todos, estamos lidando com difer entes jur isdições aqui, a fim de ver se há algo que ligue o assassino às vítimas. Há difer entes causas de mor te e, até agor a, os ex ames de balística não confer em. Estou pr ocur ando outr os padr ões, como, por ex emplo, o fato de ter em mor r ido à noite. Todos estavam em locais públicos. Nenhum dos cr imes foi solucionado. Ninguém o r astr eou por meio do sistema do PMC – Hans pr osseguiu. – Ter ia sido ex tr emamente fácil mandá-lo de volta par a a pr isão pelo r esto da vida se alguém o encontr asse violando o s urs is por ter viajado até D.C.
– Voltar ia par a a pr isão par a sempr e – Kate mur mur ou, sentando-se ao lado de Dillon com uma x ícar a de café na mão.
– Eles o quer iam mor to – Hans disse. – E não na pr isão.
– Mas isso ainda não ex plica por que o tr oux er am até aqui em vez de matá-lo no Color ado – Sean ar gumentou.
– Noah descobr iu hoje que Ralston voou par a Seattle tr ês dias antes de Mor ton chegar em D.C. – Hans disse.