Se eu Morrer Antes de Você

Allison Brennan · Capítulo 1 de 1 · parte 13/17

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Se eu Morrer Antes de Você

1. Um

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 17 partes.

Ele assentiu e mostr ou o pr imeir o sinal de desconfor to ao levar a mão à nuca par a esfr egá-la, lambendo os lábios ao mesmo tempo.

– Tir ei aquela foto um ano depois de sair do hospital. Vim par a cá sem saber o que fazer. Eu quer ia me matar, mas não tinha cor agem. Então fiquei sabendo do acor do feito entr e o gover no e Roger Mor ton, e minha r aiva me manteve vivo. Culpa e vingança me abastecem; é o que cor r e em minhas veias. Está no ar que r espir o – ele inclinou a cabeça. – Você não sabia, não é mesmo?

Ela balançou a cabeça.

– Eu quis ver como você estava, se estava... não sei, tendo uma vida nor mal, o mais nor mal possível. Eu não dever ia ter tentado localizá-la, mas não consegui me conter. Descobr i os seus hor ár ios e uma tar de esper ei que saísse da aula, não me lembr o qual. Você par ecia tr iste e contente ao mesmo tempo, não sei se isso é possível. Eu olhava par a você atr avés da lente de aumento da câmer a por que não quer ia que você me visse. Eu não quer ia assustá-la. E bati a foto, sem nem pensar .

Pela pr imeir a vez Lucy temeu ter se enganado a r espeito de Cody, que talvez não fosse ele a pessoa que a per seguia. Tentando afastar a r aiva da voz, per guntou:

– Você vem me per seguindo?

– Não, eu jur o. A última vez em que a vi foi na festa de ar r ecadação de fundos do PMC, mas antes disso, já havia se passado muito tempo.

Lucy não conseguiu disfar çar seu choque.

– Você esteve lá?

– Sim. Você não ter ia me r econhecido.

– Estava disfar çado? – a cabeça dela começou a gir ar. For çou-se a r espir ar pausadamente.

– Basicamente.

– E quanto ao r inque de patinação?

Ele fitou-a sem entender .

– Eu não patino.

– Não, estou falando do r inque de patinação em Ar lington.

Ele balançou a cabeça.

– Antes de sábado, fazia mais de um ano que eu não a via.

– Por que foi à ar r ecadação de fundos?

– Não vou dizer .

– Você disse que contar ia tudo par a mim se eu viesse vê-lo. Estou aqui.

Estou conver sando com você. É a sua vez de falar .

Kate inter r ompeu pela pr imeir a vez.

– Pode ser útil, Mick, se disser a Lucy por que a usou par a atr air os cr iminosos em condicional par a a sua ar madilha. Ela mer ece saber, não acha?

– Sim – ele engoliu em seco, a cabeça pendeu entr e as mãos, os ombr os subir am, depois descer am. E de novo.

Lucy não se sentia mal por ele. Não sentia nem uma centelha de empatia.

Mallor y concentr ou-se em Lucy. Er a como se Kate não estivesse na sala, embor a estivesse clar o que ele a ouvir a.

– Depois que minha esposa e meu filho for am assassinados, per di meu cor ação e minha alma. Per di tudo o que er a bom, todos os que eu amava.

Depois da... s ituação pela qual fui demitido, Fr an foi a única pessoa com quem eu podia conver sar . Nós mantivemos contato.

– Isso não r esponde à per gunta de Kate – Lucy disse. – Por que me usou?

– Não usamos. Eu nunca quis que você soubesse.

– Tar de demais. Descobr i tudo. Mas só depois de sete cr iminosos ser em mor tos, sete que eu atr aí par a um lugar público.

– Não sinta r emor so por aqueles animais! Eles er am pr edador es violentos que estão muito melhor mor tos.

– Por que você é Deus? É assim que você se vê? – Lucy per guntou.

– Não, acho que vou par a o infer no. Mas achei melhor mandar alguns desses bastar dos antes de eu chegar – fez uma pausa, olhou par a Kate, depois se vir ou par a Lucy. – Há quatr o anos, Fr an me chamou a Boston. Ela havia sabido de um estupr ador que não foi incr iminado por causa de uma tecnicalidade. O bastar do vinha estupr ando a sobr inha dos 10 aos 15 anos.

Ela cometeu suicídio em vez de contar par a a família que teve de fazer dois abor tos. Eles só descobr ir am depois da mor te dela, por meio do seu diár io. O juiz não admitiu o diár io como pr ova e não havia mais nada que pr ovasse que ele er a um molestador infantil. A situação fez Fr an se lembr ar do acontecido com a ir mã. Ela foi par a Boston e o matou. Na casa dele. Depois, me chamou par a ajudá-la a encobr ir o caso. Foi o que fiz.

Roubei os quadr os dele e os vendi. Ele er a um gr ande colecionador. Pode pesquisar, o nome dele er a Par ker Weather by – Mallor y fez uma pausa, depois acr escentou: – Eu li o diár io, Lucy. Er a de dar ânsia. Fr an dever ia ter matado o maldito juiz também. Quando o nosso maldito sistema falha com os inocentes! – ele bateu a mão no tampo da mesa e assustou Lucy.

Mallor y par eceu se incomodar por tê-la assustado e disse apr essado: – Depois disso, tive uma ideia. Eu pr ecisava fazer “alguma coisa” par a deter esses homens. Eu só matava alguns poucos por ano par a evitar o estabelecimento de um padr ão, nunca cobr ei mais do que minhas despesas básicas e r ar amente fiz mais de um tr abalho no mesmo estado. Se o FBI tivesse descober to alguma coisa, não ter iam como me pr ocur ar. Mas não foi o suficiente. Eu não estava satisfeito, mas não poder ia ir além. Não por falta de opor tunidade. E se eu fosse atr ás dos assassinos e estupr ador es que escapavam por tecnicalidade como o safado de Boston que Fr an matou, os feder ais descobr ir iam tudo r apidamente. Por isso pedi a Fr an que identificasse os cr iminosos em condicional par a que eu os matasse. Ela já havia começado o pr ogr ama de r astr eamento, er a um sucesso, mas, fr ancamente, por que esses monstr os dever iam voltar par a a pr isão à custa do contr ibuinte por mais dois, tr ês, quatr o anos até o fim da sentença, quando bem sabemos que, no instante em que são liber tados, voltam a caçar a pr óx ima vítima?

– Você sabia do meu tr abalho voluntár io par a a Fr an?

Ele não disse nada a pr incípio.

– Não minta par a mim!

– Eu sabia. Eu me atualizava com r elação ao que você fazia.

– E isso não é per seguição? Imagino que já tenha r eescr ito o código penal par a se ajustar à sua justiça vingativa, por que não r edefinir per seguição?

– Desculpe.

– Não aceito as suas desculpas! – Lucy r espir ou fundo. A sua r aiva não fazia com que obtivessem as r espostas necessár ias. – Então vocês pr epar avam ar madilhas par a esses homens. Copiei o banco de dados e identifiquei s eis pelos quais eu er a r esponsável. Sete, incluindo Br ad Pr enter .

– Você, r esponsável? Fui eu quem os matou!

– Fui eu quem os localizou. Como acha que isso faz eu me sentir ? Que eu tenha pr ovocado a mor te de outr o ser humano?

– Você dever ia se sentir aliviada pelo fato de eles não poder em mais machucar ninguém, de eles não destr uír em outr a família.

Bem no fundo, Lucy sabia que es tava aliviada pelo fato de eles não estar em mais nas r uas. Contudo, ela não podia aceitar assassinato a sangue fr io. Se a justiça vingativa dominasse, logo a anar quia se instaur ar ia.

– O sistema está longe da per feição, mas o seu modo não é a r esposta.

É assassinato fr io e pr emeditado. Isso o tr ansfor ma no mesmo tipo de monstr o que eles.

Ele par eceu magoado.

– Pensei que você fosse entender. Você fez justiça com as pr ópr ias mãos.

Kate deu um salto.

– Não vá por aí, Mallor y!

– Está tudo bem, Kate – Lucy apoiou uma mão no br aço de Kate sem despr egar os olhos de Mallor y. – Vou contar a difer ença. Adam Scott me violentou. Ele quase matou meu ir mão. Ele esfaqueou Dillon, que já não sente nada na mão esquer da. Ele tem sor te de ainda ter essa mão! Foi pes s oal. Ele fer iu a mim e às pessoas que eu amava. Eu matei.

Quando Lucy soube que Adam Scott havia plantado ex plosivos da casa de Dillon, quando soube que a ex plosão que tinham ouvido foi no car r o de Jack, ela não pensou. Não planejou. Pegou uma das diver sas ar mas da casa e cor r eu até a casa de Dillon. Ela viu Scott e Dillon br igando no jar dim. Não havia nenhum policial por per to; ninguém par a ajudar. Ela tinha de cuidar da situação. Scott er a um psicopata doentio até o cer ne do seu ser. Ele acr editou que ela tivesse ido até lá par a fugir com ele. Abaix ou a guar da, se apr ox imou e disse: “Você está atr asada”.

Ela atir ou e o matou.

– Por seis anos, – ela disse – atir ar em Adam Scott me cor r oeu por que eu não sentia r emor so.

Lucy r espir ou fundo e, antes que Kate ou Mallor y pudessem dizer qualquer coisa, ela per guntou:

– Por que Pr enter ? Ele não se encaix ava no per fil das outr as vítimas.

– Encaix ava, sim – Mallor y disse sem se ex plicar .

– Como?

Mallor y deu de ombr os.

– Tente descobr ir .

– Pr efir o que você diga logo e par e com esses joguinhos. Estou cansada disso.

Ele não disse nada, mas a ficou encar ando, esper ando.

– E Roger Mor ton? Por que você o matou?

– Você pr ecisa per guntar ? Não lamento a mor te de Mor ton. Eu dançar ia sobr e o túmulo dele se pudesse.

Kate disse:

– Eu poder ia tê-lo mandado par a a pr isão pelo r esto da vida. Você o manipulou par a que viesse par a cá, ou descobr iu que ele veio e depois planejou matá-lo?

– Pr isão – Mallor y r epetiu amar go, vir ando-se par a Kate pela pr imeir a vez. – Mesmo? Pr efir o uma bala atr ás da cabeça. Justiça mais r ápida e bar ata.

Lucy disse baix o:

– Então você matou Mor ton por que ele er a estupr ador e havia ajudado Adam Scott a encobr ir um sem númer os de assassinatos. E estava livr e.

– Eu a ter ia salvado se pudesse...

Lucy levantou a mão.

– Mas não o fez. Por não tê-lo impedido de me estupr ar, você tinha de puni-lo por causa da s ua pr ópr ia culpa. Você tir ou uma foto minha deliber adamente depois que eu saí de uma aula. Você a colocou em um por ta-r etr atos e o deix ou na sua casa. Você pr ecisava saber onde eu tr abalhava e o que eu fazia. Você atr aiu Roger Mor ton par a poder matá-lo no meu quintal. E você diz que n ão é obcecado por mim?

– Lucy, você pr ecisava saber que ele estava mor to. Eu quer ia lhe dar paz.

– Paz – Lucy quase deix ou escapar as acusações de ele ter matado Cody, mas ela pr ecisava fazer o que Hans havia lhe pedido e não usar aquele inter r ogatór io por que ela lutava com a pr ópr ia culpa. – Por que tr oux e Mor ton par a cá? Você er a um assassino nobr e – disse sar cástica. – Por que atr aí-lo par a cá, par a onde eu mor o?

– Eu tive que fazer isso.

– Por quê?

Mallor y não r espondeu.

– Maldição, conte-me!

Ele br igava com a consciência, ela viu isso na ex pr essão dele, mas um segundo depois ele suspir ou e os ombr os pender am.

– Adam Scott mantinha s ouven ires de todas as suas vítimas.

Nor malmente, alguma joia. Denise, aquela mulher que o ajudava, me contou. Ela encontr ou a caix a de joias na mala quando estávamos na ilha e a jogou for a. Scott descobr iu e a r ecuper ou. Sur r ou-a por causa disso. Fui par a Seattle par a ver se a encontr ava, mas não consegui. Eu tr abalhava com Dave Biggler há dois anos e ele conhecia Ralston, um dos infor mantes do pai. A pr imeir a vez que tentei contatar Mor ton er a par a que ele fosse par a Seattle r ecuper ar a caix a. Pagamos Ralston par a que ele plantasse a ideia de que havia uma soma substancial de dinheir o, de apólices, e de joias que Scott havia escondido na ilha em uma caix a metálica com detalhes intr incados. Eu tinha cer teza de que Mor ton sabia ex atamente onde ela estava.

– Por que Mor ton achar ia que Ralston sabia dessa caix a? – Kate per guntou. – Ele não suspeitou?

– Não. Ralston foi compar sa de Adam Scott por muito tempo, e nós fizemos Ralston dizer que a infor mação vinha de um antigo segur ança de Scott que tinha um financiador inter essado em outr o site de sex o.

– Esper e – Kate disse. – Nada disso er a r eal? Todos os vídeos que Mor ton juntou for am por causa desse esquema?

– Eu jamais per mitir ia que eles fossem ao ar .

– Você está louco – Kate disse. – Foi você quem deu a ideia a Mor ton de r ecr iar a Empr eendimentos Tr ask!

– Não, ele já estava pensando nisso; eu só dei o incentivo par a que ele agisse mais r ápido.

– Mas Mor ton não foi par a Seattle, Ralston foi – Lucy disse, tentando fazer com que Mallor y voltasse par a os tr ilhos.

– Eu não sabia que ele havia pedido a Ralston par a r ecuper ar a caix a.

Contudo, eu soube que Ralston estava guar dando a caix a par a Mor ton.

– E você matou Ralston por isso.

– Eu o matei por que ele jogava par a os dois lados. Ele achou que poder ia ar r anjar mais dinheir o se tr abalhasse com Mor ton.

– Mas por que Ralston r esolveu ajudá-lo?

– Por que Dave pediu par a ele e nós pagamos bem. Eu dever ia ter per cebido que ele er a agente duplo, por assim dizer. Mor ton não apar eceu com a caix a como dever ia na quinta-feir a. Então depois do encontr o na mar ina, fui par a o hotel dele. A caix a não estava lá. Per cebi que Ralston dever ia saber do seu par adeir o; Mor ton tinha uma das bijuter ias consigo, por tanto a caix a devia estar em algum lugar, e Ralston foi a única pessoa com quem Mor ton falou desde a sua chegada.

– Que motivo doentio o fez quer er os s ouven ires de Adam Scott? – Kate per guntou.

Lucy sabia.

– Você quer ia devolver as joias par a as famílias.

Ele assentiu.

– Tenho seu anel, Lucy. Eu só não sabia como entr egá-lo.

Ela piscou par a afastar as lágr imas que não quer ia der r amar na fr ente de Mallor y.

– Sabe, eu quase entendo. Não concor do com nada que tenha feito, mas entendo. Tudo. Ex ceto a mor te de Cody. Por que o matou?

Mallor y par eceu ter levado um tapa, mas Lucy pr osseguiu sem par ar .

– Ele er a um bom homem – Lucy disse. – Nunca me machucou, nunca machucou ninguém! Ele acr editava no que estávamos fazendo, devolvendo os cr iminosos par a a pr isão. Ele er a leal a Fr an. E você o matou por que ele descobr iu a r espeito do seu gr upo de vingador es covar des!

Mallor y balançava a cabeça e se inclinou par a fr ente.

– Não. De jeito nenhum, eu não matei Cody Lor enzo. Jur o sobr e o túmulo da minha esposa que eu não o matei.

Lucy esfr egou os olhos par a evitar que as lágr imas caíssem. Ela não quer ia acr editar em Mallor y, mas todo o r esto que ele contou par ecia ver dade, por que não aquilo também? Contudo, ela pr efer ia pensar que Mallor y tivesse matado Cody em vez de pensar que ele havia se matado.

– Não matou? Quem você mandou, então? Fr an? David Biggler ? Quem o matou?

– Não foi ninguém de nós, eu jur o, Lucy. Eu jamais machucar ia alguém de quem você gosta. Tudo o que quis nesses últimos seis anos foi o seu per dão.

Lucy levantou-se e inclinou-se par a fr ente.

– Eu o per doo pelo que aconteceu há seis anos. Mas jamais o per doar ei pelo que tem feito desde então. Não quer o o meu anel de volta. Não quer o ver você nem o anel até o julgamento.

Lucy saiu da sala.

*

Sean encontr ou Lucy em um cor r edor da sede do FBI. Sentou-se ao lado dela e segur ou-lhe a mão. Ela levantou a cabeça e o fitou, ele a beijou.

– Kate e Dillon vão demor ar um pouco e Ar mstr ong e Resnick estão a caminho da casa de Mallor y par a concluir a busca de pr ovas. Eles ainda não encontr ar am as ar mas.

– Ele deve ter se livr ado delas. Ao que par ece ele saber ia ex atamente como fazer isso.

Sean detestava o ar der r otado de Lucy. Quer ia o ar dor dela de volta, a chama que a fez iniciar aquela investigação, que lhe deu cor agem par a enfr entar Mick Mallor y.

– Venha par a casa comigo, ok?

– Acha que ele matou Cody?

– Honestamente, não sei.

Lucy fechou os olhos e r ecostou-se.

– Nem eu. Quando entr ei lá, tive tanta cer teza de que tinha sido ele. E

agor a... Se Cody se matou, não posso culpar mais ninguém a não ser a ele.

E não quer o fazer isso.

– Amanhã eles saber ão com cer teza se foi suicídio ou homicídio – Sean disse.

– Ser á?

– Você conhece medicina for ense melhor do que eu, mas Noah disse que eles estão pr ior izando isto e esper am ter uma r esposta definitiva amanhã. O que você acha?

– Com a balística, eles têm cer teza absoluta em mais de noventa por cento dos casos, mas a autópsia ainda pode ser inconclusiva.

– Aposto nas estatísticas – ele beijou-a na testa. – Você ter á a r esposta amanhã. Não fique se ator mentando com isso até lá.

– E quanto a Fr an?

– Ela vai passar a noite na cadeia. Bem como David Biggler. Ar mstr ong diz que eles não têm nada contr a a ir mã, mas disse a ela par a não sair da cidade. Mallor y não a entr egou, por isso, talvez ela não esteja mesmo envolvida.

– Ou ele está tentando pr otegê-la por que ela é uma mulher jovem. Ela tem a minha idade – Lucy odiava Mallor y, odiava o que ele havia feito, o que ele havia per ver tido em seu senso r etor cido de cer to e er r ado. E o fato de que ela, de alguma for ma, tivesse sido o incentivo par a as decisões dele, a enojava.

– Você está ex austa, Lucy. Vamos embor a.

– Estou cansada – ela concor dou.

Sean levantou-se, pux ou-a e envolveu-a ao r edor do ombr o.

– Não podemos fazer mais nada por hoje.

*

Quando Noah e Hans chegar am à casa de Mallor y já passava das oito da noite e a temper atur a estava abaix o de zer o, com uma pr omessa de tempestade par a a manhã de quinta-feir a. A equipe de busca já havia ter minado o tr abalho, mas a agente especial encar r egada, Laur en Cheville, pediu que Noah fosse até lá.

– Eu quer ia que você visse isto – Laur en disse. – As fotogr afias não far iam jus.

Ele e Hans for am com Laur en até a cozinha.

– Pensei que a busca não dar ia em nada – ela ex plicou. – Não tínhamos encontr ado nada que implicasse Mallor y em nenhum dos cr imes. Mas me lembr ei do que você disse, Hans.

– Que ele ter ia guar dado as ar mas.

– Ex ato. Só não imaginei que ele facilitar ia tanto o nosso tr abalho de r astr eá-las, mas dificultar ia a localização.

Seguir am Laur en até o por ão por meio de uma escada que par tia da cozinha. O por ão estava úmido e tinha um cheir o de mofo que fez Noah espir r ar. O lugar er a iluminado por luz fluor escente e estava r epleto de bancadas de tr abalho, fer r amentas estavam meticulosamente pendur adas e havia pr odutos enlatados em uma pr ateleir a de metal.

– Ver ificamos o por ão antes e fizemos uma var r edur a completa, mas nada nos chamou a atenção. Depois de vasculhar mos a casa sem encontr ar nada, per cor r i o lugar inteir o de novo, pensando onde ele poder ia ter escondido a coleção de ar mas. Bati em par edes e mesas, e depois encontr ei isto – ela chamou um agente que estava ao lado de uma bancada de tr abalho. – Mostr e par a eles, Car l.

Car l bateu em uma das longas bancadas. Er a feita de madeir a sólida.

Ele bateu na outr a. Er a oca.

– Veja isto – ele esticou o br aço o quanto pôde e alcançou as duas beir as da bancada. – Há duas tr avas, é pr eciso pr essioná-las ao mesmo tempo e...

Voilà!

O tampo da bancada levantou-se com uma mola, r evelando o inter ior . A par te inter na er a um compar timento for r ado com feltr o onde havia dúzias de ar mas, a maior ia 9 mm e .38; tr ês r ifles, uma M21 e duas M24

estavam pr esas no lado infer ior da tampa da bancada. Também havia diver sas adagas à mostr a.

Cada ar ma tinha um nome pintado em br anco no cabo.

– Meu Deus! – Hans ex clamou. Até ele par eceu sur pr eso, embor a tivesse antecipado que Mallor y guar dar ia as ar mas usadas. – Ex istem quantas?

– Dezessete 9 mm, dez r evólver es .38, duas pistolas Glock .45 – Laur en disse. – Esta é uma for tuna em ar mas par a ser em etiquetadas e guar dadas como s ouven ir.

– Mas tor na muito mais difícil ligar um assassinato a outr o sem o teste de balística par a confir mar .

Noah leu os nomes. A maior ia ele não r econheceu. Então ele viu Roger Mor ton ao lado de Rober t Ralston.

– Viu estas? – ele apontou par a as ar mas.

– Impossível não vê-las. Notou o que há debaix o de cada ar ma?

– Ar quivos.

– Meu palpite? É a justificativa dele par a cada assassinato: uma lista de cr imes, sentenças, infor mações de condicional. Mallor y não quer que pensem que ele é um monstr o, por isso convence a si mesmo que é um salvador .

Noah olhou par a as ar mas e ficou se per guntando o que ser ia necessár io par a que alguém se tr ansfor masse em um vingador. O que os motivava? Par a Mallor y, o gatilho foi o assassinato da esposa e do filho, aliado à sua inabilidade de pr oteger Lucy Kincaid quando ela foi sequestr ada e estupr ada. Mas Fr an Buckley... Outr as pessoas tinham sido vítimas ou per dido familiar es e não faziam justiça com as pr ópr ias mãos...

Por que Fr an? O que a motivou?

Nada de bom vir ia daquela investigação. Um policial estava mor to, vidas estavam ar r uinadas, e Noah suspeitava que aquilo não ter minar ia com a confissão de Mick Mallor y.

TRINTA E TRÊS

Lucy não sabia se foi por causa da sucessão estr anha de eventos do dia, mas depois de só tr ês hor as de sono agitado, ela se levantou e não conseguiu mais pegar no sono.

Sentou-se na cama e pensou em ler , mas pr ecisava dor mir .

Não quer ia ficar sozinha.

Estava usando uma das camisetas de Sean, uma gasta do MIT que lhe chegava à metade das cox as.

Talvez fosse por estar dor mindo com a camiseta de Sean, envolvida em seu cheir o, que acor dou. Com a ideia que teve, ficou contente por Patr ick estar na Califór nia.

Andou em silêncio pelo cor r edor que levava ao quar to de Sean. Er am duas da manhã, mas a luz ainda estava acesa. Sentiu o cor ação dar um pulo. Ele estava tr abalhando até tar de por sua causa. Tentando juntar todas as peças do quebr a-cabeças, mesmo com Mallor y, Fr an e Dave Biggler na cadeia.

Até mesmo super -her óis pr ecisavam de descanso, ela pensou, com a intenção de dizer isso ao empur r ar a por ta.

Sean estava ador mecido, usando somente uma calça de moletom, sem camiseta. Ele tinha dois laptops aber tos, um ao seu lado, o outr o no colo, e uma pasta cheia de papéis apoiada no peito.

Lucy fechou a por ta devagar e apr ox imou-se. Não quer ia assustar Sean, viver com uma família de policiais a ensinou que isso não er a uma coisa boa, por isso o chamou:

– Sean...

Os olhos dele se abr ir am. Estavam enevoados pelo sono, mas em duas piscadas ele estava completamente desper to.

– Lucy... Tudo bem?

– Eu estou bem. Você dever ia se deitar .

– Já vou – e, então, ele pigar r eou e fechou os computador es. – Eu só estava monitor ando o sistema de segur ança.

– Não há ninguém lá for a.

– Não sabemos se todos os envolvidos for am pr esos.

– Não, mas por que vir iam atr ás de mim? – ela balançou a cabeça.

– Quer que eu pegue alguma coisa par a você?

– Não – ela tir ou os computador es da cama, deix ando-os na cômoda. Ele colocou a pasta na mesinha de cabeceir a. Sem pedir per missão, ela deslizou par a baix o das cober tas.

– Lucy...

– Quer o dor mir aqui hoje. Tudo bem par a você?

Por um momento ela acr editou que ele a mandar ia de volta par a o quar to de hóspedes; que ele lhe dar ia alguma desculpa esfar r apada, mas que no fundo não quer ia dor mir com ela por causa do seu passado; por que ele não quer ia se apr essar, nem machucá-la, e por mais que ela apr eciasse esse tipo de sensibilidade, não passava de desculpas. Por que, se ela fosse qualquer outr a mulher , ele ter ia ido par a a cama dela antes.

Os medos antigos sur gir am e ela abr iu a boca par a inventar alguma coisa, dar a ele uma desculpa par a se safar , mas então ele a beijou.

Todas as suas dúvidas, todos os seus medos de que ela fosse menos do que per feita par a Sean se dissolver am em seu afeto.

Er a ex atamente ali que ela devia estar .

Do instante em que Sean começou a tr abalhar em seu sistema de segur ança, ele pensou em Lucy e se debateu entr e ir ou não ao quar to dela. Deus bem sabia o quanto ele quer ia, mas ela estava ex austa.

Consider ou apenas abr açá-la, dizer que só quer ia se deitar ao lado dela, mas ele suspeitava que não conseguir ia. Ele a desejava, quer ia abr açá-la, beijá-la, fazer amor com ela.

Estava r adiante por ela ter ido pr ocur á-lo. E agor a ele quer ia tor nar aquele momento per feito. Memor ável. A mente quer ia que ele fosse devagar, mas o cor po estava com pr essa. Seu cor po a quer ia por inteir o, mas ele se obr igou a ir devagar . Com calma. Com contr ole.

Mas quer ia tanto per der o contr ole com Lucy.

Ele sabor eava a boca, o leve sabor de menta da pasta de dentes, o calor da língua. Beijou-a até caír em sobr e os tr avesseir os, debaix o do edr edom. As mãos dela estavam em seu peito, os dedos longos se moviam, ex per imentando. Ele afastou-lhe as mãos a fim de que o peito nu ficasse pr essionado ao tr onco dela. Quer ia tir ar a camiseta dela.

Lembr ou-se do que ela havia dito antes: que quer ia que ele a tr atasse como qualquer outr a das suas namor adas. Mas ela não er a como as outr as.

Ele falou sér io naquele dia, e ainda pensava assim. Não tir ar ia simplesmente a camiseta dela, ou melhor, a dele, pensou sor r indo, par a ter acesso completo aos seios.

Em vez disso, moveu a mão debaix o da camiseta, sentindo o cor po dela ficar tenso e depois r elax ar. Beijou-a no pescoço enquanto a mão subia mais, até ampar ar o seio, massageando a pele suave com gentileza. O

polegar passou por cima de uma linha mais ásper a, e por um instante ele pensou que fosse um fio solto do cober tor, em seguida per cebeu que er a uma cicatr iz que a mar cava de um seio ao outr o.

Quando ele a tocou, Lucy voltou a ficar tensa, e ele quis dizer que não se impor tava, mas falar er a a última coisa que os dois pr ecisavam naquele instante. Por isso ele continuou a massagem sensual, sobr e os seios, atr ás das costas, voltando aos seios, r esvalando os dedos e esfr egando a palma das mãos em cada centímetr o de pele até que sentiu um suspir o de pr azer dentr o do peito dela, ouviu o ligeir o ar far que lhe contava que ela estava gostando das suas atenções.

– Quer o tir ar a sua camiseta – ele sussur r ou.

– Por favor – ela disse, levantando os br aços.

Ele tir ou-a devagar, olhando par a os seios. Viu a cicatr iz, leve, por ém longa, e pr ecisou de todo o seu contr ole par a não r eagir. Não por que a cicatr iz diminuísse Lucy de algum modo, mas por desejar ter matado ele mesmo Adam Scott e Roger Mor ton.

Lucy esticou-se par a apagar a luz.

– Lucy... – ele começou.

– Você não se impor ta, não é?

– Não – ele quer ia vê-la, mas daquela vez far ia amor seguindo as r egr as dela. Diabos, far ia amor com ela seguindo as r egr as dela todas as vezes. Beijou-a, sentindo agor a o peito nu ao encontr o do seu e suspir ando com um contentamento que nor malmente não sentia em nenhum dos seus r elacionamentos.

Concentr ou-se acima da cintur a, mas não deix ou nenhuma par te intocada, sem beijos. O pescoço, os ombr os, os seios. Beijou-a no estômago, depois na par te sensível da later al dos seios, e r esvalou a língua sobr e os mamilos, até a base do pescoço. Ela ar fou quando ele sopr ou a tr ilha úmida deix ada pela língua, e ele sor r iu. Então beijou-a de novo e sentiu-a r eagir desde seu íntimo.

Lucy esteve ner vosa desde o momento em que foi par a a cama de Sean, mas o ner vosismo desapar ecia com a ex plor ação metódica dele. A pele pulsava a cada toque, quer endo mais, o que er a uma sensação desconhecida par a ela. Gostava de sex o, mas, bem no fundo da mente, tinha dúvidas. Sempr e se conteve, temendo que algo de r uim acontecesse, ou que ela fizesse algo er r ado. Mas naquela noite, ansiava por Sean.

Quer ia-o par a si, o cor po dele contr a o seu, os lábios em todos os lugar es, as mãos tocando seus pontos mais sensíveis.

O membr o túr gido dele pr essionou a per na dela, e ela estr emeceu em antecipação, envolvendo o pescoço dele com os br aços.

– Confia em mim, Lucy?

– Sim – ela sussur r ou.

Os lábios mover am-se da boca par a o pescoço de novo. Ela ador ava o modo como ele a beijava logo abaix o do max ilar, usando a língua de leve, como em um fler te, fazendo-a se r etor cer. Do pescoço par a a par te macia logo abaix o da clavícula. Ela agar r ou os ombr os, sentindo os músculos fir mes debaix o das mãos. Ela per cor r eu as costas com os dedos e subiu pelos br aços, sentindo a definição de cada músculo e quase pediu a Sean que acendesse a luz par a que pudesse vê-lo.

Ele beijou os seios r epetidamente, longamente, beijos suaves que a aqueciam e faziam com que ela visse estr elas. Nunca sentiu tal enlevo.

Suspir ou alto, sur pr eendendo-se com o som que par tiu da gar ganta.

Sean beijou-a no estômago e ela se r etor ceu. As mãos passar am por baix o do elástico da calcinha, e ele lentamente a abaix ou até tir á-la completamente, deix ando-a em algum lugar ao pé da cama. Ou do chão. Ela não se impor tava. Afastou as per nas, antecipando a manobr a dele e disse: – Camisinha?

Ela pr etendeu fazer uma per gunta completa, mas só essa palavr a saiu.

Ele r iu de leve.

– Sim, mas ainda não estou pr onto.

Ela fr anziu o cenho e abaix ou a mão, sur pr eendendo-se ao segur á-lo despudor adamente.

– Você me par ece pr onto.

– Ah, Lucy, guar de esse pensamento um pouquinho...

Ele foi par a o pé da cama e a mão dela escapou. O pr imeir o movimento da língua entr e as per nas dela a fez ar far. As mãos estavam na par te inter na das cox as, gentilmente coagindo-a a se soltar, e os beijos, tão mar avilhosos em seus lábios, tor nar am-se elétr icos. Ela não sabia o que esper ar ; nunca antes havia feito amor daquela for ma. Já havia lido a r espeito, mas er am apenas palavr as.

A sensação no estômago er a como se ela estivesse caindo; o cor po inteir o estava quente e fr io ao mesmo tempo. Sean sugava e br incava com a língua e, de r epente, seu quadr il começou a se movimentar sozinho, e uma onda de tensão indefinida contr aiu até ela ar quejar mais alto do que pr etendia; em seguida tudo em seu inter ior se r etor ceu e se debateu, como uma onda que a pux ava por baix o da mar é, jogando-a par a o alto, acima das ondas. Ela mal conseguia r espir ar. Todos os músculos r ígidos r elax ar am

simultaneamente,

fazendo-a

se

sentir

agr adavelmente

langor osa.

Sean beijou as cox as, depois o ventr e, em seguida os seios de novo confor me o peito subia e descia ar fando.

– Isso... – ela começou, mas se esqueceu do que pr etendia dizer .

– Concor do – ele sussur r ou, e ela sentiu o sor r iso dele ao lado do seu pescoço.

– Está satisfeito consigo? – ela per guntou.

– Demais – ele beijou-a, depois r olou de lado e abr iu a gaveta. Ele se pr epar ou r apidamente e r olou de volta.

Sean deitou-se sobr e ela, sem apoiar o peso, mas o cor po dela voltou a ficar tenso de novo, e não em antecipação por fazer em amor. O pânico bem familiar cr esceu dentr o do peito. Ela or denou que ele sumisse, detestando essa sensação sobr e a qual não tinha contr ole algum. Mal conseguia r espir ar, por ém seguiu em fr ente. Aquilo er a impor tante demais; Sean er a impor tante demais par a que ela per mitisse a inter fer ência do passado.

De r epente ele a enlaçou pela cintur a e a pux ou par a cima dele, as per nas afastadas em posição de montar ia.

– Você cavalga, pr incesa – ele disse.

Ela não questionou; não quer ia analisar como ele sabia o que ela quer ia sem que ela dissesse sequer uma palavr a. Como ele tor nou tudo natur al e sensual ao mesmo tempo. A sua tr epidação subiu de súbito e ela o beijou.

Desceu devagar, guiando-o par a dentr o de si uma fr ação de centímetr o de cada vez. Ela levantou os br aços e encontr ou uma das mãos dele, entr elaçando os dedos com fir meza. A outr a a segur ava pelo quadr il.

Ela movimentou-se par a ajustar a posição, e ele gemeu, com a mão aper tando a cintur a, segur ando-a ali. Ela afundou, sentindo a tr anspir ação da sua pele e da dele. A boca se abr iu, sedenta, e quando ele a penetr ou fundo, um som estr angulado de ex citação escapou; em seguida, ela gemeu suavemente enquanto se abaix ava completamente sobr e ele, seu ponto mais sensível r esvalando a pélvis de Sean, a onda lentamente voltando a cr escer dentr o dela.

– Sean – ela sussur r ou e se per guntou se havia falado alto demais.

Depois ela não pensou mais, só sentiu enquanto ele a segur ava pelo quadr il, impedindo-a de se movimentar .

– Lucy, você está me deix ando louco.

– Como?

– Abr a os olhos.

Ela não quer ia. Não desejava quebr ar aquela magia, onde ela não pr ecisava ver, não tinha de pensar, só sentir. Tudo o que ela quer ia er a sentir Sean, sobr e, dentr o e com ela.

A mão dele tocou-a no r osto.

– Lucy.

Relutante, ela fitou-o no escur o. Mas não estava completamente escur o.

Ela enx er gava-o per feitamente bem com a luz da r ua que entr ava pelas per sianas par cialmente fechadas. O queix o dele estava fir me, mas os olhos que a fitavam tinham tamanha intensidade que ela não conseguiu se desviar .

Sean soltou o quadr il e entr elaçou sua outr a mão, pux ando as duas acima da sua cabeça a fim de que ela se deitasse sobr e seu peito. Ele se ar queou par a beijá-la, a pele molhada de suor, os músculos dur os com a paix ão r epr imida.

As entr anhas dela se contr aír am, e ele gemeu, as mãos segur avam-na fir me. Enquanto o encar ava, Lucy movimentou o quadr il devagar, par a fr ente e par a tr ás, e a mais incr ível sensação r etor nou. Como ser ia possível? Ela não sabia, não se impor tava, só estava gr ata por que seu cor po er a inflamável e estava pr estes a ex plodir .

Sean soltou as mãos par a aper tar as nádegas, segur ando-a por um segundo. Ela não quer ia ficar par ada, a fr icção er a indescr itível e enviava pequenos choques em todo o seu cor po.

Ela se contor ceu, sentindo o cor po quente de Sean debaix o do seu. Ele sussur r ou:

– Faça isso e esta viagem ser á bem cur ta.

Ela par ou de se mover, mas sem quer er seus músculos inter nos se contr aír am e ele sibilou.

– Acho que... – ela sussur r ou.

– O quê?

– A onda. De novo.

Ela er gueu o quadr il até quase deix á-lo escor r egar, depois afundou de novo. Ar fou, per plex a e feliz ao mesmo tempo, e seu cor po r ecebeu Sean bem fundo. Ele abr açou-a pela cintur a, segur ando-a bem per to e juntando-se ao or gasmo dela.

Lucy r elax ou de uma vez só, o cor po iner te caindo sobr e Sean.

Ele não quer ia se mover. Lucy estava maleável, deitada em cima dele com um sor r iso estampado no r osto. Sean tocou o canto dos lábios dela e Lucy sor r iu.

– Hum? – ela disse.

Ele beijou-a, depois deitou-a de lado com suavidade.

– Fique aqui.

– Não consigo me mex er .

– Per feito.

Um segundo depois ele voltava nu par a a cama, acomodando o edr edom ao r edor deles. Lucy encaix ou-se nele com a r espir ação cadenciada. Com o br aço ao r edor da cintur a dela, beijou-a na face, no queix o, na or elha e jur ou nunca mais soltá-la.

TRINTA E QUATRO

O s ol ain da n ão s e levan tou. Vejo a n eve cair do lado de fora da min ha jan ela e me levan to da min ha cama quen te.

Es tou calmo, como s empre fico quan do termin o um ciclo e começo outro. Ain da que es ta man hã eu n ão es teja tão s atis feito quan to deveria, e me pergun to o motivo en quan to tomo ban ho.

Um dos motivos é que a fêmea que ten ho n o momen to tem poten cial; ela apren de bem a obedecer. Se eu tives s e mais tempo, eu s ei que poderia deixá-la da man eira que Deus preten dia.

Lucy Kin caid, porém, roubou meu tempo. Não con s igo tirá-la dos meus pen s amen tos e dos meus pes adelos . Ten ho de en s in á-la. Ela é a mais mal preparada para os meus en s in amen tos . É a mais des afiadora. Vejo is s o n o olhar dela, n o modo como ela camin ha. Eu a ten ho obs ervado há s eman as e jamais a teria s elecion ado para s er uma das min has alun as .

M as n em s empre cabe a mim decidir. Poderes mais elevados es tão em jogo. Quem s ou eu para ques tion ar? Ela s e colocou n a min ha vida quan do ten tou me man dar de volta para a pris ão. Ela pas s ou dos limites , is s o s e aceitar que os tem.

Ela s erá um des afio para mim, um tes te. Deus n ão n os dá mais do que podemos s uportar, e ela é s ó uma mulher, pos s o domá-la.

Preparo o meu café da man hã e como ao n as cer do s ol, embora as n uven s cin zen tas s ó permitam que eu veja uma ligeira mudan ça n a luz do dia. Coloco as s obras em uma tigela.

Cruzo a cozin ha e vou até o porão, como faço todas as man hãs . A fêmea es tá deitada em um can to da jaula, debaixo da ún ica coberta que fui gen eros o em providen ciar.

Ela olha para mim, mas n ão demon s tra n ada. Nem medo. Nem raiva.

Nem a alma.

Eu a domei.

Coloco a tigela n a jaula para ver s e ten ho razão. Ela n ão s e move, n ão ras teja em direção à comida, ain da que as n arin as in flem como as de um gato. Ela s en te o cheiro. Ela quer a comida.

E es pera.

– Pode comer – eu digo.

Len tamen te ela ras teja pelo chão batido do porão. Há s an gue n o can to, provocado pelo cas tigo da n oite an terior. Eu lhe dei um un guen to e uma toalha limpa. Não s ou des uman o.

Coloco água n a tigela dela e deixo-a com a comida.

A reação dela deveria me agradar, mas n ão es tou feliz. Ela foi domada mais rapidamen te do que as outras . Um truque talvez?

Eu poderia en tregá-la para outro que apreciaria meu trein amen to, para que ela s eja uma es pos a adequada e obedien te.

Porém n ão con fio n ela. No fim, todas elas s e afas tam da Verdade.

Ela choramin ga ao comer.

Eu s us piro. Não importa. Ela logo vai morrer de qualquer forma. Não ten ho tempo para termin ar o trein amen to dela. Domá-las para depois jun tar os pedaços da man eira que elas precis am s er.

Eu me viro e s ubo as es cadas para me preparar para a próxima fêmea.

TRINTA E CINCO

Fazia um bom tempo que Noah não sentia tanta r aiva e fr ustr ação com um caso.

Fr an Buckley não estava falando, e o advogado dela, Clar k Jager, estava se valendo de ar timanhas legais par a manter Noah afastado. De fato, Jager ameaçou pegar os ar quivos de Lucy e usar a histór ia dela como par te de sua defesa. Não impor tava o fato de haver ou não algo nos ar quivos dela; o fato de ele ser aber to e fazer par te dos pr ocedimentos cr iminais aumentavam as chances de tor ná-lo público.

Biggler foi mais acessível, por ém não acr escentou muito mais à confissão de Mallor y. Noah enviou Abigail par a o bar par a mostr ar fotos de Mallor y e Biggler e da ir mã dele par a o bar man que atender a Pr enter.

Quem sabe eles conseguiam uma testemunha cor r obor ando a confissão de Mallor y.

Abigail entr ou na sala de confer ência, que havia se tr ansfor mado em uma sala de guer r a dur ante a noite par a a investigação sobr e o PMC. Noah e Hans liam declar ações e ar quivos. Havia papelada suficiente par a mantê-

los ocupados dur ante semanas.

– Você tem um minutinho? – ela per guntou.

– Clar o, mas pensei que você fosse pr ocur ar o bar man.

– Cedo demais, ele só entr a às cinco, mas eu liguei par a a casa dele e ele concor dou em vir aqui dar uma olhada nas fotos.

– O que mais? – Noah se levantou par a esticar as per nas, e também fazer uma pequena modificação na linha do tempo que montavam em uma lousa.

– A equipe de investigação for ense ligou. Estão escr evendo o r elatór io agor a, mas quiser am nos infor mar de que já ter minar am a investigação pr eliminar e ela é conclusiva: Cody Lor enzo não cometeu suicídio. Além de outr as evidências que compr ovam homicídio, a tr ajetór ia da bala demonstr a que não havia como ele ter pux ado o gatilho.

– Dr oga! – Noah se r ecostou contr a a mesa, com os dedos pr essionando a testa.

– Mas você achou que Mallor y estivesse mentindo. Por que está sur pr eso?

– Por que eu quer ia acr editar que ele estivesse dizendo a ver dade. Eu quer ia acr editar que ele não matar ia um policial.

– Não há pr ovas físicas que o liguem a esse assassinato – Hans disse, levantando os olhos do r elatór io que lia. – É o único homicídio que ele não confessou.

– Isso não vai dissuadir um júr i. Não quando a vítima é um policial.

– Sem pr ovas concr etas, a pr omotor ia não vai pedir a pena de mor te – Hans disse. – Consider ando-se que todas as outr as vítimas dele er am cr iminosos, um júr i pode ser mais clemente do que se ele estivesse matando pessoas ver dadeir amente inocentes.

Devia ex istir uma pr ova em algum lugar. Uma câmer a de segur ança pode ter captado Mallor y na cena do cr ime. Rastr os de pr ovas. Uma testemunha que não sabia o que estava vendo. Ele ter ia de tr abalhar dur o, mas devia haver algo que pr ovasse além de qualquer dúvida que Mallor y havia matado Cody Lor enzo.

Lor enzo er a um policial cumpr indo o seu dever . Dever ia ex istir justiça par a ele. Noah não toler ar ia um assassino de policial saindo ileso.

– Há algo mais – Abigail disse. – Lembr a-se das flor es que Lucy r ecebeu na segunda-feir a? Ela acr editou que Lor enzo a estivesse per seguindo por que quando Rogan foi ao flor ista, eles tinham r egistr ado uma compr a em dinheir o e o compr ador se identificou como Cody Lor enzo. Por ém eles não pedir am a identidade dele par a enviar as flor es.

– E não foi Lor enzo?

– A EIF disse que o car tão que foi entr egue com as flor es e o bilhete suicida for am escr itos pela mesma pessoa.

Noah pr ecisou de um instante par a pr ocessar a infor mação.

– Então Mallor y escr eveu os dois? Ele enviou flor es par a Lucy e usou o nome de Lor enzo?

– Par ece que sim – Abigail r espondeu.

– Mas por quê? – Hans per guntou. – Par a ar mar par a Cody? Par a tor nar o suicídio mais plausível?

– Ele planejou tudo – Noah disse ainda mais br avo com Mallor y do que antes. – Patife. Vou voltar par a a cadeia par a falar com ele. Ele vem manipulando as pessoas por tempo demais, e vai ter de pagar o pr eço – depois, pegou o telefone.

Hans disse:

– Noah, entendo seus sentimentos em r elação a Mick Mallor y, mas ele é esper to. Se quisesse que a mor te de Cody par ecesse suicídio, acho que ter íamos mais dúvidas quanto a ser homicídio ou suicídio.

– Tudo isso aconteceu em poucos dias – Noah disse. – Lor enzo estava far ejando alguém... Mallor y? Fr an Buckley? Não sei, mas ele estava atr ás de alguma coisa. Ele e Lucy er am os únicos que estavam investigando as mor tes dos cr iminosos em condicional, mas Lucy não saiu por aí fazendo per guntas ou pux ando r elatór ios policiais. Cody Lor enzo deve ter falado com a pessoa er r ada. Não vejo outr o modo par a isso ter acontecido.

Continuar: parte 14 de 17