Trabalhe 4 Horas por Semana

Timothy Ferriss · Capítulo 1 de 26

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Trabalhe 4 Horas por Semana

Prefácio à edição ampliada e atualizada

PREFÁCIO À EDIÇÃO AMPLIADA E

ATUALIZADA

 

Trabalhe 4 horas por semana foi recusado por 26 de 27

editores.

Depois que foi vendido, o presidente de uma

potencial parceira de marketing, uma grande livraria,

me enviou um e-mail com estatísticas de best-sellers

para deixar bem claro: esse não seria um grande

sucesso.

Então fiz tudo o que eu sabia fazer. Escrevi tendo em

mente dois dos meus melhores amigos, falando

diretamente com eles e seus problemas – problemas

que eu tinha há muito tempo – e focando nas opções

incomuns que haviam funcionado comigo em todo o

mundo.

É claro que tentei definir condições que

possibilitassem um sucesso inesperado, mas sabia que

não era provável. Torci pelo melhor e me preparei para

o pior.

No dia 2 de maio de 2007 recebi um telefonema da

minha editora.

“Tim, você entrou na lista.”

Passava das cinco horas da tarde em Nova York e eu

estava exausto. O livro havia sido lançado cinco dias

antes, e eu tinha acabado de fazer uma série de vinte

entrevistas de rádio, que haviam começado às seis

horas da manhã. Nunca pensei em viajar para divulgar

o livro, preferindo fazer “passeios” via satélite.

“Heather, eu te amo, mas por favor, não #%$*

comigo!”

“É verdade, você entrou na lista. Parabéns, senhor

autor da lista de best-sellers do New York Times!”

Eu me encostei na parede e fui escorregando até

chegar no chão. Fechei os olhos, sorri e respirei

profundamente. As coisas iriam mudar.

Tudo seria diferente.

 

Projeto de vida de Dubai a Berlim

 

T rabalhe 4 horas por semana foi publicado em 35 idiomas. Está há mais de dois anos nas listas dos

livros mais vendidos e todos os meses surgem novas

histórias, novas descobertas.

Da Economist à capa da New York Times Style, das ruas

de Dubai aos Cafés de Berlim, o tema do projeto de vida

penetrou diversas culturas e se tornou um movimento

mundial. As ideias do livro se multiplicaram,

melhoraram, e foram testadas em ambientes e de

formas que eu jamais havia imaginado.

Então, por que a nova edição se as coisas estão indo

tão bem? Porque eu sabia que poderia ficar melhor e

que havia um ingrediente faltando: você.

Esta edição ampliada e atualizada tem mais de 100

páginas de conteúdo novo, incluindo tecnologias de

ponta, recursos testados e – o mais importante –

histórias de sucesso do mundo real, escolhidas em mais

de 400 páginas de estudos de casos apresentados por

leitores.

Famílias e estudantes? CEOs e vagabundos

profissionais? Faça sua escolha. Deve haver alguém

cujos resultados você poderá emular. Você precisa de

um modelo para negociar um trabalho remoto, um ano

pago na Argentina, quem sabe? Desta vez, você

encontrará aqui.

O blog Experiments in Lifestyle Design

(www.fourhourblog.com) foi lançado junto com o livro

e em seis meses ficou entre os mil blogs mais importantes do mundo, num universo de 120 milhões

de blogs. Milhares de leitores compartilharam

ferramentas e truques incríveis, produzindo resultados

fenomenais e inesperados. O blog se transformou no

laboratório que sempre desejei e acho que você deveria

se juntar a nós nesse espaço.

O novo capítulo “O melhor do blog” inclui vários

dos posts mais populares. No blog você poderá

encontrar recomendações de todos os tipos de pessoas,

de Warren Bu ett (sério, eu fui atrás e conto tudo) a

Josh Waitzkin, prodígio do xadrez. É um playground

experimental para aqueles que desejam obter os

melhores resultados em menos tempo.

 

Não “revista”

 

E sta não é uma edição “revista” no sentido de que a original já não funciona. Erros pequenos e de

digitação foram corrigidos em mais de quarenta

impressões nos Estados Unidos. Esta é a primeira

grande revisão, mas não pelas razões que você pode

estar imaginando.

As coisas mudaram muito desde abril de 2007. Os

bancos estão com problemas, os fundos de pensões e

aposentadorias estão evaporando e o nível de

desemprego atinge recordes. Leitores e céticos de todos

os tipos têm perguntado: os princípios e técnicas deste

livro ainda funcionam em um momento de recessão ou

retração econômica?

Sim e sim.

Na verdade, questões que levantei em palestras no

período que precedeu o lançamento do livro, como “De

que forma suas decisões e prioridades mudariam se

você nunca conseguisse se aposentar?” já não são mais

hipotéticas. Milhões de pessoas tiveram perdas de 40%

ou mais no valor de suas economias e agora estão em

busca de outras opções. Seria possível redistribuir a

aposentadoria ao longo da vida para torná-la mais

acessível? Mudar para lugares como Costa Rica ou

Tailândia durante alguns meses do ano para aproveitar

ao máximo seu estilo de vida apesar das perdas em

suas economias? Vender seus serviços para empresas

do Reino Unido para receber em moeda mais forte? A

resposta para todos eles, mais do que nunca, é: sim.

O conceito de projeto de vida como um substituto

para um planejamento de carreira em várias etapas é válido. É mais flexível e permite que você teste

diferentes estilos de vida sem se comprometer com um

plano de aposentadoria de 10 ou 20 anos que pode não

dar certo devido a flutuações do mercado que escapam

ao seu controle. As pessoas estão abertas a alternativas

(e mais dispostas a aceitar que os outros façam o

mesmo) já que muitas das outras opções – que antes

eram as opções “seguras” – não deram certo.

Quando tudo começa a dar errado para todo mundo,

que custa experimentar algo fora das normas?

Frequentemente, nada. Avancemos até 2011: na

entrevista de emprego o recrutador quer saber o que foi

aquele ano sabático.

“Todo mundo estava sendo demitido e essa era

minha chance de viajar pelo mundo. Foi incrível.”

O máximo que pode acontecer é perguntarem como

fazer isso. Os roteiros deste livro ainda funcionam.

O Facebook e o LinkedIn foram lançados depois da

“crise ponto. com” pós−2000. Entre os bebês pós-

recessão estão Apple, Clif Bar, KFC, Domino’s Pizza,

FedEx e Microsoft. Não se trata de simples coincidência

pois as crises econômicas produzem um barateamento

da infraestrutura, freelancers excelentes cobrando muito pouco e contratos de publicidade a preço de

banana – coisas impensáveis quando reina o otimismo.

Seja um ano sabático, uma nova ideia para um

negócio, a reengenharia da sua vida ou sonhos que você

vem adiando para “um dia”, nunca houve melhor

época para testar o incomum.

O que é que pode acontecer de tão ruim?

Insisto para que você lembre sempre de fazer esta

pergunta quando começar a ver as infinitas

possibilidades que estão fora da sua zona de conforto.

Este período de pânico coletivo é sua grande chance de

experimentar.

Foi uma honra compartilhar os últimos dois anos

com leitores incríveis de todo o mundo e espero que

gostem desta nova edição tanto quanto eu gostei de

prepará-la.

Sou, e continuarei a ser, um humilde estudante de

todos vocês.

 

Un abrazo fuerte,

Tim Ferriss

São Francisco, Califórnia

21 de abril de 2009