Trabalhe 4 Horas por Semana
PASSO 2 E de Eliminação
PASSO 2
E de Eliminação
“Ninguém acumula, apenas elimina.
Não se trata de aumento diário, mas
de perda diária.
O caminho do cultivo sempre vai em
direção
à simplicidade.”
BRUCE LEE
O fim do gerenciamento de
tempo
Ilusões e italianos
“Perfeição não é quando não há nada mais a acrescentar,
mas sim quando não há nada mais a tirar.”
ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY,
pioneiro do correio aéreo internacional
e autor de O pequeno príncipe
“É inútil fazer com mais quando se pode fazer com menos.”
GUILHERME DE OCKHAM (1300-1350), criador da “Navalha de Ockham”
A penas algumas palavras sobre gerenciamento de tempo. Esqueça tudo o que você sabe sobre isso.
Especificamente, você não deveria tentar fazer mais
a cada dia, tentar preencher cada segundo com algum
tipo de trabalho compulsivo. Levei muito tempo para
perceber isso. Eu gostava bastante do método de
resultados por quantidade.
Estar ocupado é frequentemente usado como
pretexto para evitar as poucas ações criticamente
importantes, porém bastante desconfortáveis. As opções para se inventar “ocupações” são quase
infinitas: ligar para algumas centenas de possíveis
(porém improváveis) clientes, reorganizar seus
contatos do Outlook, passear pelo escritório
requisitando documentos de que você não precisa ou
ficar brincando com seu BlackBerry por algumas horas,
quando deveria estar fazendo o que é prioridade.
Na verdade, se você quiser progredir no mundo
corporativo americano, considerando-se que nunca se
checa realmente o que você está fazendo (sejamos
francos), apenas fique andando pelo escritório com um
celular no ouvido e carregando papéis. Vejam, eis o
funcionário ocupado! Dêem a ele um aumento.
Infelizmente para os NR, esse comportamento não vai
tirá-lo do escritório nem pô-lo num avião para o
Brasil. Menino mau. Bata em você mesmo com um
jornal dobrado e pare de agir assim.
Fora isso, há uma opção muito melhor, que fará
mais do que simplesmente melhorar seus resultados:
ela vai multiplicá-los. Acredite ou não, não é apenas
possível conseguir mais fazendo menos, é imperativo.
Entre no mundo da eliminação.
Como você usará a produtividade
A gora que definiu o que quer fazer com o seu tempo, você tem que arrumar tempo livre. O truque, é
claro, é fazer isso, mas manter ou aumentar sua renda.
A intenção deste capítulo, e o que você vai conseguir
se seguir as instruções, é aumentar a sua produtividade
pessoal em algo entre 100% e 500%. Os princípios são
os mesmos para empregados e empresários, mas os
objetivos desse aumento de produtividade são
completamente a distância.
Primeiro, o empregado. Alguém que trabalha como
funcionário aumenta sua produtividade para aumentar
seu poder de barganha com dois objetivos simultâneos:
conseguir aumentos e um acordo de trabalho remoto.
Lembre-se de que, como vimos no primeiro capítulo
deste livro, o processo geral de juntar-se aos Novos
Ricos é o D-E-A-L, nessa ordem, mas empregados que
queiram permanecer empregados por enquanto
precisariam implementar o processo na ordem D-E-L-
A. A razão disso tem a ver com o ambiente de trabalho.
Eles precisam se liberar do escritório antes que possam
trabalhar dez horas por semana, por exemplo, porque a expectativa nesse tipo de ambiente é que você esteja
em movimento constante das nove às cinco. Mesmo
que produza o dobro dos resultados que produzia antes,
se você estiver trabalhando um quarto das horas que
seus colegas trabalham, há uma boa chance de você
receber um cartão vermelho. Mesmo que esteja
trabalhando 10 horas por semana e produzindo o dobro
do que produzem as pessoas que trabalham quarenta, a
exigência coletiva será que você trabalhe 40 horas por
semana e produza oito vezes mais do que os outros.
Isso é um círculo vicioso e você quer evitá-lo. Daí a
necessidade de Liberação primeiro.
Se você é um empregado, este capítulo aumentará
seu valor e tornará mais difícil para a empresa demiti-
lo do que aumentar seu salário e permitir que você
trabalhe fora do escritório. Esse é seu objetivo. Uma vez
que você consiga trabalhar longe do escritório, poderá
evitar horas gastas com interferências burocráticas e
usar o tempo livre restante para cumprir seus
cronogramas para realizar seus sonhos.
Os objetivos de quem tem seu próprio negócio são
menos complexos, uma vez que ele é normalmente o
beneficiário direto do aumento da lucratividade. O
objetivo passa a ser diminuir a quantidade de trabalho ao mesmo tempo que as receitas aumentam. Isso
acertará as condições para substituir você pela
Automação, que por sua vez permite a Liberação.
Para ambos os caminhos, algumas definições estão
na fila.
Ser eficaz vs. ser eficiente
E ficácia é fazer as coisas necessárias para deixá-lo mais próximo de seus objetivos. Eficiência é fazer
uma determinada tarefa (seja importante ou não) da
forma mais econômica possível. Ser eficiente, sem
relação com a eficácia, é a regra geral do universo.
Eu consideraria o melhor vendedor porta-a-porta
eficiente – isto é, refinado e excelente nas vendas
porta-a-porta, sem perder tempo – mas
intrinsecamente ineficaz. Ele venderia muito mais
usando um veículo melhor como e-mail ou
correspondência.
Isso também é verdade para a pessoa que checa seus
e-mails 30 vezes por dia e desenvolve um sistema
elaborado de pastas e técnicas sofisticadas para fazer
cada um daqueles espasmos cerebrais se moverem o mais rápido possível. Eu era um especialista em tais
enrolações. São eficientes em um nível perverso, mas
longe de ser eficazes.
Aqui há dois truísmos para ficar em sua cabeça:
1. Fazer bem algo desimportante não o torna
importante.
2. Tomar muito tempo não torna uma tarefa
importante.
Desse momento em diante, lembre-se disto: O que
você faz é infinitamente mais importante de como você
faz. Eficiência é uma coisa importante, mas é
absolutamente inútil, a menos que seja aplicada às
coisas certas.
Para encontrar as coisas certas, precisamos passear
no jardim.
Pareto e seu jardim: 80/20 e
liberdade a partir da futilidade
“O que é medido é gerenciado.”
PETER DRUCKER, teórico da administração, autor de 31 livros,
agraciado com a Medalha Presidencial da Liberdade Q uatro anos atrás, um economista mudou para sempre minha vida. É uma pena que eu nunca
tenha tido a chance de pagar um drinque para ele. Meu
querido Vilfredo morreu quase cem anos atrás.
Vilfredo Pareto era um astuto e controverso
economista e sociólogo que viveu entre 1848 e 1923.
Engenheiro por formação, começou sua carreira plural
gerenciando minas de carvão e, posteriormente,
sucedeu a Leon Walras como professor titular de
economia política na Universidade de Lausanne, na
Suíça. Seu trabalho mais influente, Curso de economia
política, abordava uma então pouco explorada “lei” da
distribuição de renda que depois passaria a ter o seu
nome: “Lei de Pareto” ou “Distribuição de Pareto”, que
ficou famosa na década passada como o “Princípio
80/20”.
A fórmula matemática que ele usou para demonstrar
uma distribuição altamente desigual mas previsível da
riqueza na sociedade – 80% da riqueza e da renda era
produzida e possuída por 20% da população – também
pode ser aplicada fora da economia. Além disso, pode
ser encontrada em qualquer lugar. Oitenta por cento
das peras do pomar de Pareto eram produzidas por
20% das pereiras que ele havia plantado, por exemplo. A lei de Pareto pode ser resumida assim: 80% dos
resultados são produzidos por 20% dos esforços.
Formas alternativas de se enunciar isto, dependendo do
contexto, são:
80% das consequências decorrem de 20% das
causas;
80% dos resultados vêm de 20% do tempo gasto em
esforço;
80% dos lucros de uma empresa vêm de 20% dos
produtos e dos clientes;
80% de todos os ganhos da bolsa de valores são
percebidos por 20% dos investidores e por 20% de um
portfolio pessoal.
Essa lista é infinitamente longa e diversa, e a
proporção frequentemente buscada é ainda mais
severa: 90/10, 95/5 e até mesmo 99/1 não são
incomuns, mas a proporção mínima a ser buscada é
80/20.
Quando me deparei, certa noite, com o trabalho de
Pareto, eu vinha trabalhando como um escravo por 15
horas por dia, sete dias por semana, sentindo-me
completamente exausto e num beco sem saída. Eu
acordava antes do sol nascer para ligar para a Inglaterra, cuidava dos negócios com os Estados
Unidos durante o horário comercial e trabalhava até
quase meia-noite para poder ligar para o Japão e para a
Nova Zelândia. Estava preso em um trem sem freios e
colocava mais carvão na fornalha por falta de opção
melhor. Entre um desastre inevitável e testar as ideias
de Pareto, optei pela segunda alternativa. Na manhã
seguinte, comecei a dissecar minha empresa e minha
vida pessoal sob a ótica de duas perguntas:
1. Quais os 20% de causas responsáveis por 80% dos
meus problemas e de minha infelicidade?
2. Quais 20% de causas responsáveis por 80% dos
meus resultados positivos e de minha felicidade?
Durante todo o dia, deixei de lado tudo o que era
aparentemente urgente e desnudei a verdade da forma
mais intensa possível, aplicando essas questões em
tudo, de amigos a clientes, de publicidade a atividades
de lazer. Não espere descobrir que você está fazendo
tudo certo – a verdade dói. O objetivo é descobrir suas
ineficiências, de modo a eliminá-las, e descobrir seus
pontos fortes, para que possa multiplicá-los. Nas 24
horas seguintes, tomei várias decisões simples, porém emocionalmente difíceis, que literalmente mudaram
minha vida para sempre e permitiram o estilo de vida
que eu tenho hoje.
A primeira decisão que tomei foi um excelente
exemplo do quão dramático e rápido o retorno sobre o
investimento desse corte de gorduras analítico pode
ser: parei de contatar 95% dos meus clientes e eliminei
2% deles, deixando-me com 3% para analisar e
duplicar.
De mais de 120 clientes, meros 5 produziam 95% da
minha receita. Estava gastando 98% do meu tempo
atrás do restante dos clientes, enquanto os 5
supramencionados faziam pedidos regulares sem que
eu ficasse ligando, tentando persuadir ou lisonjear. Em
outras palavras, eu estava trabalhando porque achava
que deveria trabalhar das nove às cinco. Eu não
percebia que trabalhar das nove às cinco não era o
objetivo; isso era simplesmente a estrutura que a maior
parte das pessoas usa, seja ela necessária ou não. Eu
estava em um caso grave de trabalho pelo trabalho, a
expressão mais odiada no vocabulário dos NR.
Todos os meus problemas e preocupações, e com
“todos” eu quero dizer 100%, vinham dessa maioria
improdutiva, com exceção de dois clientes grandes que eram simplesmente campeões mundiais da ideologia
comercial de “bem, aqui está o incêndio que eu
comecei, agora você vai lá e apaga”. Coloquei todos
esses clientes improdutivos em modo passivo: se
fizessem pedidos, ótimo – que eles mandem um fax
com a ordem de compra. Se não, eu não faria nada para
estimulá-los – nada de telefonemas, e-mails, nada
disso. Com isso, eu tinha que lidar com esses dois
grandes clientes, que eram criadores profissionais de
problemas, mas contribuíam somente com 10% do
resultado final de minha empresa naquela época.
Você sempre tem alguns desses clientes,
responsáveis pela incerteza que causa todos os tipos de
problemas, para não falar em depressão e raiva de si
mesmo. Até aquele momento, eu tinha aguentado suas
ameaças, insultos, longos argumentos e invectivas,
considerando-os custos de se fazer negócio. Percebi
durante a análise dos 80/20 que esses dois clientes
eram a fonte de quase toda a minha infelicidade e da
minha raiva ao longo do dia, o que frequentemente se
refletia em meu tempo “pessoal”, me fazendo pensar à
noite naquela autoflagelação rotineira: “Devia ter dito
X, Y e Z para aquele cretino”. Finalmente, concluí o
óbvio: o efeito sobre minha auto-estima e sobre meu estado de nervos não valia a pena o ganho financeiro.
Eu não precisava do dinheiro por nenhuma razão
específica, simplesmente assumi que precisava
consegui-lo. O cliente tem sempre razão, não? Ossos do
ofício, certo? Claro que não. Não para os NR, pelo
menos. Eu os mandei à merda e curti cada segundo
disso. A primeira conversa foi mais ou menos assim:
Cliente: Que &#@$? Eu fiz um pedido de duas caixas
e elas chegaram com dois dias de atraso! [Nota: ele
enviara o pedido à pessoa errada pela via errada,
apesar de ter sido repetidamente advertido.] Vocês
são o bando de idiotas mais desorganizado com
quem eu já trabalhei. Eu tenho 20 anos de
experiência no ramo, e esse é certamente o pior.
Qualquer NR – nesse caso, eu: Eu vou te matar.
Tenha medo, tenha muito medo.
Eu gostaria de ter dito isso. Ensaiei falar isso um
milhão de vezes em meu teatro mental, mas na prática
a conversa foi mais ou menos assim:
Sinto muito, senhor. Sabe, eu ouço seus insultos
já há algum tempo, e lamento informar que
parece que não poderemos mais fazer negócios.
Recomendo que o senhor procure saber de onde
vem toda essa raiva e toda essa infelicidade que
sente. De qualquer forma, desejo tudo de melhor
ao senhor. Se quiser pedir algum de nossos
produtos, ficaremos felizes em fornecer, mas
apenas se o senhor comportar-se com uma
linguagem apropriada e sem insultos
desnecessários. O senhor tem nosso número de
fax. Tudo de bom e tenha um bom dia. [Desligo.]
Fiz isso uma vez por e-mail e uma vez por telefone.
E aí, o que aconteceu? Perdi um cliente, mas o outro
corrigiu seu rumo e simplesmente passou a mandar os
pedidos por fax, repetidas vezes. Problema resolvido,
perdas minimizadas. Imediatamente, fiquei 10 vezes
mais feliz.
Então, parti para identificar as características
comuns dos meus cinco melhores clientes e encontrar
mais ou menos uns três com perfil semelhante, na
semana seguinte. Lembre-se: mais clientes não
significam automaticamente mais receita. Mais clientes
não são o objetivo e normalmente trazem 90% mais
trabalho e meros 1% a 3% de acréscimo na receita. Não
se engane, o objetivo primário é obter receita máxima com o menor esforço necessário (incluindo menor
número possível de clientes). Dupliquei minha força,
neste caso os meus principais clientes, e me concentrei
em aumentar o tamanho e a frequência de seus
pedidos.
O resultado final? Deixei de perseguir e satisfazer
120 clientes para passar a receber pedidos grandes de
apenas 8, sem absolutamente nenhum telefonema
implorando ou longos e-mails. Minha renda mensal
subiu de 30 mil dólares para 60 mil em um mês, e
minhas horas de trabalho semanais despencaram de
mais de 80 para aproximadamente 15. Mais importante
do que isso, eu estava feliz comigo mesmo e me sentia
otimista e livre pela primeira vez em mais de dois anos.
Nas semanas que se seguiram, apliquei o Princípio
80/20 a inúmeras áreas, incluindo estas:
1. Propaganda
Identifiquei os anúncios que geravam 80% ou mais
de retorno, procurei as características comuns entre
eles e os multipliquei, ao mesmo tempo que eliminei
todos os outros. Meus custos de propaganda caíram
mais de 70% e minhas vendas diretas praticamente
dobraram, de 15 mil dólares mensais para 25 mil, em 8 semanas. Teriam dobrado imediatamente se eu usasse
rádio, jornais ou televisão, em vez de revistas, em que
leva mais tempo para o anúncio ser publicado.
2. Afiliadas e parceiros on-line
Dispensei mais de 250 afiliadas on-line com baixo
rendimento ou as pus em compasso de espera, para
focar nas duas afiliadas que geravam 90% da receita.
Meu tempo de gerenciamento despencou de 5-10 horas
por semana para 1 hora por mês. A renda dos parceiros
on-line subiu mais de 50% no mesmo período.
Tire o pé do acelerador e lembre-se disso: a maior
parte das coisas não faz diferença nenhuma. Estar
ocupado é uma forma de preguiça – pensamento preguiçoso
e ação indiscriminada.
Estar assoberbado é normalmente tão improdutivo
quanto ficar sem fazer nada, e muito menos agradável.
Ser seletivo – fazer menos coisas – é o caminho da
produtividade. Concentre-se no pouco que é
importante e ignore o resto.
É claro, antes que você possa separar o joio do trigo
e eliminar atividades num ambiente novo (seja um
emprego novo ou uma nova empreitada empresarial), você precisará tentar vários caminhos para identificar o
que pesa mais. Jogue tudo na parede e veja o que fica
grudado. Isso é parte do processo, mas não deve levar
mais do que um ou dois meses.
É fácil se afogar em um mar de minúcias, e o
segredo para não se sentir atropelado é lembrar-se de
que falta de tempo é na verdade falta de prioridades. Tire
algum tempo para apreciar as rosas, ou – nesse caso –
para contar as pereiras.
A Ilusão 9-5 e a Lei de Parkinson
“Eu vi escrito num banco ‘Banco 24 horas’
mas eu não tenho esse tempo todo.”
STEVEN WRIGHT, comediante
S e você é empregado, gastar tempo com coisas inúteis não é, até certo ponto, culpa sua.
Normalmente não há incentivos para usar bem seu
tempo, a menos que você seja remunerado por
comissão. O mundo inteiro concordou em ficar
embaralhando papéis das 9 às 5, e uma vez que você
está preso no escritório durante esse período de escravidão, sente-se compelido a criar atividades para
preencher esse tempo. Você desperdiça tempo porque
há muito tempo disponível. É compreensível. Agora que
tem o objetivo de negociar um acordo de trabalho fora
do escritório, em vez de apenas esperar pelo
contracheque, é hora de revisitar o status quo e tornar-
se eficaz. Os melhores empregados possuem mais força
para negociar.
Para os empresários, o desperdício de tempo é uma
questão de hábitos ruins e de imitação. Eu não sou
exceção. A maior parte dos empresários algum dia já foi
empregada e veio da cultura das 9 às 5. Por isso,
adotam o mesmo horário, ainda que não funcionem
direito às 9 horas da manhã ou que não precisem de
oito horas de trabalho para produzir a renda
necessária. Esse horário é um acordo social coletivo e
um legado jurássico da abordagem de resultados por
volume. Como é possível que todas as pessoas no
mundo precisem exatamente de 8 horas para completar
seu trabalho? Não é. Esse período é uma arbitrariedade.
Você não precisa de 8 horas por dia para se tornar
um milionário legítimo – basta ter os meios para viver
como um. Oito horas por semana frequentemente será
excessivo, mas não espero que você já acredite em mim. Sei que você provavelmente se sente como eu me
senti por longo tempo: simplesmente não há horas
suficientes no dia.
Mas vamos refletir sobre algumas coisas nas quais a
gente provavelmente concorda.
Uma vez que temos 8 horas para nos ocupar,
preenchemos as 8 horas. Se tivéssemos 15,
preencheríamos as 15. Se tivéssemos uma emergência e
precisássemos sair do trabalho em 2 horas, mas com
prazos a serem cumpridos, milagrosamente
completaríamos todo o trabalho nessas duas horas.
Isso tudo está relacionado com uma lei que me foi
apresentada por Ed Zschau na primavera do ano 2000.
Eu cheguei à aula nervoso e incapaz de me
concentrar. O trabalho final, que valia 25% da nota do
semestre, era para ser entregue em 24 horas. Uma das
opções, a que eu escolhi, era entrevistar os executivos
do alto escalão de uma empresa em início de operação e
apresentar uma análise profunda do seu modelo de
negócios. Mas decidiram no último minuto que eu não
poderia entrevistar dois dos executivos ou usar a
informação que me dessem por conta de problemas de
confidencialidade e precauções pré-oferta de ações na
Bolsa de Valores. Fim da linha para mim.
Abordei Ed depois da aula para dar as más notícias.
“Ed, acho que vou precisar de mais prazo para o
trabalho.” Expliquei a situação, e Ed sorriu antes de me
responder sem muita preocupação.
“Acho que você vai conseguir. Empreendedores são
aqueles que fazem as coisas acontecer, certo?”
Vinte e quatro horas depois, e um minuto depois do
prazo final, a assistente de Ed estava trancando a porta
do gabinete e eu cheguei com o trabalho final de 30
páginas. Foi baseado numa empresa diferente, que eu
encontrei, entrevistei e dissequei com a intensidade de
uma noite em claro e com cafeína suficiente para
desqualificar a equipe olímpica de atletismo inteira.
Acabou sendo um dos melhores trabalhos que escrevi
em quatro anos, e tirei 10.
Antes de eu deixar a sala de aulas no dia anterior, Ed
deu-me um conselho de despedida: a Lei de Parkinson.
A Lei de Parkinson diz que uma tarefa aumentará de
importância (a sua percepção de) e de complexidade
em relação ao tempo alocado para sua realização. É a
mágica do prazo iminente. Se eu lhe der 24 horas para
completar um projeto, a pressão do tempo força-o a se
concentrar na execução e você passa a não ter escolha a
não ser fazer apenas o que é estritamente essencial. Se eu lhe der uma semana para fazer a mesma tarefa, são
seis dias para transformar um montinho de terra numa
montanha. Se eu lhe der dois meses, torna-se um
monstro na sua cabeça. O produto final de prazos
curtos é quase inevitavelmente de qualidade maior ou
igual graças à concentração.
Isto carrega um fenômeno curioso. Há duas
abordagens sinérgicas para aumentar a produtividade
que acabam sendo inversões uma da outra:
1. Limite as tarefas ao que é importante para reduzir
o tempo de trabalho (80/20).
2. Encurte o tempo de trabalho para limitar as tarefas
ao que é importante (Lei de Parkinson).
A melhor solução é usar ambos ao mesmo tempo:
identifique as poucas tarefas críticas que contribuem
para a maior parte da renda e planeje realizá-las com
um prazo bem curto e bem definido.
Se você não identificou as tarefas críticas para sua
missão e não estabeleceu prazos inicial e final
agressivos para cumpri-las, o desimportante torna-se
o importante. Mesmo que você saiba o que é crítico,
sem prazos para criar foco, as tarefas menores impostas a você (ou inventadas, no caso do
empresário) se avolumarão e consumirão tempo até
que outro bocado de minúcias entre para substituí-las,
deixando-o ao final do dia sem ter feito nada. De que
outra forma despachar um pacote pelo correio, marcar
alguns compromissos e checar seus e-mails
consumiria um dia inteiro, das 9 às 5? Não se sinta
mal. Passei meses pulando de uma interrupção para
outra, sentindo-me gerenciado pela minha empresa ao
invés do contrário.
O Princípio de 80/20 e a Lei de Parkinson são as
duas pedras angulares que serão revisitados de
diferentes formas ao longo desta seção inteira. A maior
parte dos esforços é inútil e o tempo é desperdiçado na
proporção de sua abundância.
Um desempenho objetivo e liberdade de tempo
começam ao se limitar a sobrecarga de trabalho. No
próximo capítulo, serviremos a você a verdadeira
refeição dos campeões: a Dieta Pobre em Informações.
Uma dúzia de bolinhos e uma
pergunta
“Amor impetuoso não é indústria.”
SÊNECA
Mountain View, Califórnia
“Minhas folgas são aos sábados”, eu ofereci para a multidão de
estranhos que me encarava, amigos de um amigo. Era verdade. Você
consegue comer sucrilhos e frango sete dias por semana? Eu
também não. Não sejam tão críticos.
Entre meu décimo e meu duodécimo bolinho, larguei-me no sofá
para curtir o nível alto de açúcar até que o relógio batesse meia-noite
e me mandasse de volta para minha “dieta dos adultos” de domingo
a sexta. Havia outro convidado da festa sentado próximo a mim
numa cadeira, segurando um copo de vinho, não seu duodécimo,
mas certamente não seu primeiro, e começamos a conversar. Como
de praxe, tive que enfrentar a pergunta “O que você faz?” e, como de
praxe, minha resposta deve tê-lo feito pensar se eu era um mentiroso
patológico ou um criminoso.
Como era possível gastar tão pouco tempo gerando renda? É
uma boa pergunta. É A pergunta.
Em quase todas as áreas, Charney tinha tudo. Tinha um
casamento feliz, um filho de 2 anos e outro previsto para nascer em
três meses. Era um vendedor bem-sucedido de tecnologia e, ainda
que quisesse ganhar mais meio milhão de dólares por ano, como
todos querem, suas finanças eram sólidas.
Além disso, ele fazia boas perguntas. Eu tinha acabado de voltar
de outra viagem pelo mundo e planejava uma nova aventura no
Japão. Ele me perseguiu por duas horas com um refrão: Como é
possível gastar tão pouco tempo gerando renda?
“Se você estiver interessado, posso fazer de você um caso de
estudo e mostrar-lhe como”, ofereci.
Charney aceitou. A única coisa que ele não tinha era tempo.
Um e-mail e cinco semanas de prática depois, Charney tinha
boas notícias: tinha conseguido vender mais na última semana do
que nas quatro anteriores juntas. Fez isso ficando sem trabalhar na
segunda e na sexta e passando pelo menos duas horas por dia a
mais com sua família. De 40 horas por semana, ele passou a
trabalhar 18 e a produzir quatro vezes mais.
Algum retiro nas montanhas ou algum treinamento secreto de
kung fu? Não. Foi algum segredo japonês de gerenciamento ou
algum so ware novo? Também não. Simplesmente pedi a ele para
fazer uma única coisa simples, consistentemente, sem falhar.
Pelo menos três vezes por dia, em horas previamente agendadas,
ele tinha que fazer a si mesmo a seguinte pergunta:
Estou sendo produtivo ou somente ativo?
Charney entendeu a essência disso com palavras
menos abstratas:
Estou inventando coisas para fazer para evitar o
importante?
Ele eliminou todas as atividades que usava como muletas e
começou a concentrar-se em mostrar resultados em vez de mostrar
dedicação. Dedicação é comumente trabalho inútil disfarçado. Seja
impiedoso e corte o inútil.
É possível conseguir seus bolinhos, e comê-los.
• Perguntas e ações •
“Criamos estresse para nós mesmos porque sentimos que
precisamos
fazê-lo. Você precisa fazê-lo. Eu não sinto mais isso.”
OPRAH WINFREY, atriz e apresentadora,
The Oprah Winfrey Show
O segredo de ter mais tempo é fazer menos coisas; há dois modos de chegar lá, e ambos devem ser
usados juntos: (1) definir uma breve lista de coisas a
fazer e (2) definir uma lista de coisas para não fazer.
Aqui há vários casos hipotéticos que nos ajudarão a
começar:
1. Se você tivesse um ataque cardíaco e só pudesse
trabalhar duas horas por dia, o que faria?
Não cinco horas, não quatro horas, não três –
apenas duas horas. Não é onde quero que você chegue,
mas é um começo. Além disso, posso ouvir seu cérebro
já resmungando: Isso é ridículo. Impossível. Eu sei, eu
sei. Se eu lhe dissesse que você pode sobreviver por
meses a fio, funcionando razoavelmente bem, com
quatro horas de sono por noite, você acreditaria em
mim? Provavelmente não. Entretanto, milhões de
mulheres recém-mamães fazem isso o tempo todo.
Esse exercício não é opcional. O médico o avisou,
depois de três pontes de safena, que, se não reduzir seu
trabalho a duas horas diárias nos três meses de pós-
operatório, você vai morrer. Vai cortar?
2. Se você tivesse um segundo ataque cardíaco e só
pudesse trabalhar duas horas por semana, o que faria?
3. Se você tivesse uma arma apontada para sua
cabeça e tivesse que parar de fazer 4/5 das diferentes
atividades que mais consomem seu tempo, o que
removeria?
Simplicidade exige impiedade. Se você tivesse que
parar com 4/5 das atividades que mais exigem tempo –
e-mail, telefonemas, conversas, burocracia,
propaganda, clientes, fornecedores, produtos, serviços,
etc. –, o que eliminaria, mantendo em níveis mínimos
o impacto negativo sobre as receitas?
4. Quais são as três principais atividades que uso
para preencher o tempo para me sentir como se
estivesse sendo produtivo?
Essas são as atividades normalmente usadas para
adiar as ações mais importantes (frequentemente
desconfortáveis porque há uma chance de falha ou
rejeição). Seja honesto com você mesmo, como todos
fazemos nessa ocasião. Que muletas você usa?
5. Quem são os 20% de pessoas responsáveis por
80% do que lhe dá prazer e o empurra para a frente, e
quem são os 20% responsáveis por 80% do que lhe
causa depressão, raiva e lhe inspira dúvidas?
Identifique:
Amigos positivos x amigos que tomam seu tempo,
quem o ajuda x quem o magoa, e como aumentar
seu tempo com os primeiros e diminuir ou eliminar
o tempo com os últimos?
Quem está me causando um estresse
desproporcional em relação ao tempo que passo
com eles? O que acontecerá se eu simplesmente
parar de interagir com essas pessoas? A definição
de medo ajuda neste caso.
Quando me sinto faminto por um tempo? Que
compromissos, pensamentos e pessoas posso
eliminar para resolver esse problema?
Não são necessários números exatos para perceber
que passamos muito tempo com pessoas que nos
envenenam com pessimismo, preguiça e baixas
expectativas em relação a elas mesmas e ao mundo.
Nesses casos, você precisa se livrar de certos amigos ou
se afastar de determinados círculos sociais para ter a
vida que você deseja. Isso não é ser cruel, e sim prático.
As pessoas tóxicas não merecem seu tempo. Pensar o
contrário é masoquismo.
A melhor maneira de lidar com um potencial
rompimento é simples: seja sincero, mas use muito
tato para expor suas preocupações. Se reagirem com
uma resposta atravessada, suas conclusões estão confirmadas. Descarte-as como descartaria um hábito
ruim. Se prometerem que vão mudar, fique longe por
pelo menos duas semanas para desenvolver outras
influências positivas e diminuir a dependência
psicológica. Depois disso, o período de teste deve ter
uma duração determinada, com critérios para a
eliminação definitiva.
Se você acha que essa abordagem é muito agressiva,
recuse-se educadamente a interagir com essas pessoas.
Diga que está fazendo alguma coisa quando o telefone
tocar, diga que já tem um compromisso marcado
quando o convite for feito. Quando você começar a
sentir os benefícios do afastamento, será mais fácil
romper de uma vez.
Não vou mentir. É muito ruim. Dói como quando
você arranca uma farpa. Mas você é a média das cinco
pessoas com quem mais convive, por isso não
subestime os efeitos dos amigos pessimistas,
desorganizados e sem ambição. Se alguém não estiver
fazendo com que você se torne mais forte, é porque
está fazendo com que fique mais fraco.
Arranque as lascas e irá se agradecer por isso.
6. Aprenda a perguntar-se: “Se essa for a única
coisa que eu fizer hoje, ficarei satisfeito com meu
dia?”.
Nunca chegue ao seu escritório, ou à frente do seu
computador, sem uma lista clara de prioridades. Você
apenas lerá e-mails irrelevantes e bagunçará seu
cérebro pelo resto do dia. Compile sua lista de coisas a
fazer amanhã impreterivelmente até hoje de noite. Não
recomendo usar o Outlook ou listas computadorizadas,
porque é possível acrescentar um número infinito de
itens. Eu uso uma folha de papel dobrada três vezes,
que cabe perfeitamente no bolso e limita o espaço a
apenas alguns poucos itens.
Nunca deve haver mais de dois itens críticos para se
fazer a cada dia. Nunca. Não é necessário se eles
realmente forem de alto impacto. Se você estiver com
dificuldades para decidir entre vários itens, todos eles
parecendo cruciais, como acontece com todos nós, olhe
para um de cada vez e pergunte-se: “Se essa for a única
coisa que eu fizer hoje, ficarei satisfeito com meu dia?”.
Para evitar o aparentemente urgente, pergunte-se:
“O que acontecerá se eu não fizer isto, e vale a pena
deixar de lado algo importante para fazê-lo?”. Se você
não realizou sequer uma tarefa importante no dia, não gaste sua última hora útil para levar um DVD na
locadora e evitar uma multa de 5 dólares. Faça a tarefa
importante e pague a multa de 5 dólares.
7. Coloque um post-it no monitor do seu
computador ou crie um lembrete no Outlook para
alertá-lo, pelo menos três vezes por dia, com a
pergunta: “Você está inventando coisas para evitar o
que é importante?”.
8. Não faça várias coisas ao mesmo tempo.
Vou dizer algo que você já sabe. Tentar escovar os
dentes, falar ao telefone e responder e-mails ao mesmo
tempo não dá certo. Comer enquanto faz uma pesquisa
na Internet e conversa via comunicador instantâneo?
Idem.
Se você priorizar suas atividades corretamente, não
há necessidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo.
Isso é um sintoma da “síndrome da tarefa” – fazer
mais coisas para se sentir produtivo, ao passo que
conclui menos coisas importantes. Repetindo: você
deve ter, no máximo, dois objetivos primários por dia.
Faça-os separadamente do início ao fim, sem distração.
Dividir sua atenção resultará em interrupções mais frequentes, lapsos na concentração, resultados
inferiores e gratificações menores.
9. Use a Lei de Parkinson em esferas macro e micro.
Use a Lei de Parkinson para realizar mais coisas em
menos tempo. Encurte seus prazos para forçar uma
concentração maior e evitar a procrastinação.
Em uma esfera macro – semanal e diária –, tente ir
embora do escritório por volta de 4 da tarde e tirar a
segunda e/ou a sexta-feira de folga. Isso o forçará a
priorizar algumas atividades e possivelmente
desenvolver uma vida social. Se você está sob o olhar
atento de um patrão, discutiremos formas de escapar
em capítulos posteriores.
Em uma esfera micro, das tarefas, limite o número
de itens em sua lista de coisas a fazer e use prazos
impossivelmente curtos para forçar a ação imediata e
ignorar minúcias irrelevantes.
• Desafiando o conforto •
Aprenda a propor (2 dias)
Pare de pedir opiniões e comece a propor soluções.
Comece com coisas pequenas. Se alguém vai perguntar, ou pergunta: “Onde vamos comer?”. “Que filme
deveríamos ver?” “O que vamos fazer hoje à noite?” ou
algo similar, NÃO responda com “Bem, o que você quer
fazer...?”. Ofereça uma solução. Pare com as idas e vindas
e tome uma decisão. Pratique isto nos meios
profissional e pessoal. Eis aqui uma pequena lista de
frases que podem ajudar (minhas favoritas são a
primeira e a última):
“Posso dar uma sugestão?”
“Proponho...”
“Gostaria de propor...”
“Sugiro que... o que você acha?”
“Vamos tentar... e depois a gente tenta outra coisa
se não der certo.”
PROJETO DE VIDA NA PRÁTICA
Sou um músico que leu seu livro por recomendação de Derek
Sivers da CD Baby. Aplicando a Lei de Pareto, percebi que 78% dos
meus downloads eram de apenas um dos meus CDs e que 55% de
toda a minha receita com downloads vinha de apenas cinco
músicas! Isso mostrou o que é que meus fãs buscavam e me permitiu
mostrar isso no meu site. Downloads são o caminho a seguir. O
iTunes vende a música e a CD Baby faz o depósito diretamente na minha conta. Totalmente automatizado uma vez feita a gravação. Em
alguns meses posso viver só da renda dos downloads. Depois que eu
terminar de pagar a dívida, não deverá ser problema viajar como
artista e conquistar novos fãs por todo o mundo e ter um fluxo de
renda cibernético.
− Victor Johnson
...
Como “terceirização” de suas operações bancárias, qualquer
empresa que precise receber cheques deveria considerar o uso de
uma Caixa Postal. Todos os bancos oferecem esse serviço. Todos os
cheques vão para uma Caixa Postal no banco, que faz a
compensação e o depósito em conta corrente; de acordo com suas
instruções, eles podem mandar um arquivo com a relação de todos
os cheques depositados. Isso pode ser feito em uma planilha de
Excel ou em qualquer outro programa com interface para qualquer
programa de contabilidade simples, compatível com Quicken ou
SAP, algo bem econômico.
− Anônimo