Trabalhe 4 Horas por Semana
14 Miniaposentadorias
Miniaposentadorias
Adotando a mobilidade como estilo de
vida
“Antes do desenvolvimento do turismo,
viajar era concebido como um estudo, e seus frutos
eram a ornamentação
da mente e a formação do julgamento.”
PAUL FUSSEL , Abroad
“A simples vontade de improvisar é mais vital,
no longo prazo, do que a pesquisa.”
ROLF POTTS , Vagabonding
Depois que Sherwood voltou da Oktoberfest, atordoado de tanto matar neurônios, mas feliz como não se sentira nos últimos quatro anos, o período de
testes se transformou em uma política e Sherwood foi
apresentado ao mundo dos Novos Ricos. Tudo o que ele
precisa agora é uma ideia de como explorar essa liberdade e as ferramentas para dar a seu dinheiro
limitado as possibilidades de resultado de um estilo de
vida com recursos quase infinitos.
Se você cumpriu os passos anteriores, eliminando,
automatizando e destruindo as amarras que o prendem
a um único lugar, é hora de realizar algumas fantasias
e explorar o mundo.
Mesmo que você não tenha muita vontade de fazer
viagens longas, ou acha que é impossível – seja por
causa do casamento, das prestações ou daquelas
pequenas coisas chamadas crianças –, este capítulo
ainda assim é o próximo passo. Há mudanças
fundamentais que eu e a maior parte dos outros
adiamos até que a ausência (ou a preparação para ela)
as force. Este capítulo é a prova final no
desenvolvimento de sua musa.
A transformação começa em um pequeno vilarejo
mexicano.
Fábulas e caçadores de fortunas
Um executivo americano tirou férias e foi para uma pequena vila de pescadores no litoral do México, por ordens médicas. Sem conseguir voltar a dormir por causa de uma ligação urgente do escritório, na primeira
manhã ele saiu para dar uma volta no píer, para esfriar
a cabeça. Um pequeno barco com um único pescador
atracava, e dentro do barco havia vários atuns robustos.
O americano cumprimentou o mexicano pela qualidade
dos peixes.
“Quanto tempo levou para pescá-los?”, perguntou o
americano.
“Apenas um pouquinho”, o mexicano respondeu em
inglês surpreendentemente bom.
“Por que você não ficou mais tempo para pescar
ainda mais peixes?”, o americano tornou a perguntar.
“Eu tenho o bastante para sustentar minha família e
dar um pouco para os meus amigos”, disse o mexicano
enquanto tirava os peixes do barco e os colocava em
uma cesta.
“Mas... o que você faz com o resto do seu tempo?”
O mexicano olhou para ele e sorriu. “Eu acordo
tarde, pesco um pouco, brinco com meus filhos, tiro
uma sesta com minha esposa, Julia, e dou uma volta
pela vila à noitinha, para beber vinho e tocar violão
com meus amigos. Tenho uma vida completa e
bastante cheia, señor.”
O americano deu uma gargalhada e se empertigou.
“Senhor, eu tenho um MBA em Harvard e posso ajudá-
lo. Você deveria passar mais tempo pescando e, com os
lucros maiores, comprar um barco maior. Em pouco
tempo, você poderia comprar vários barcos com o
aumento em seus rendimentos. Finalmente, poderá ter
uma frota de barcos de pesca.”
Ele prosseguiu: “Em vez de vender sua pesca para
um intermediário, poderia vender diretamente para os
consumidores, finalmente abrindo sua própria fábrica
de enlatados. Você controlaria a produção, o
processamento e a distribuição. Teria que sair deste
pequeno vilarejo de pescadores, é claro, e mudar-se
para a Cidade do México, depois para Los Angeles e
finalmente para Nova York, de onde poderia gerir seu
império em expansão com a administração adequada”.
O pescador mexicano perguntou: “Mas, senõr,
quanto tempo isso vai levar?”.
Rapidamente, o americano respondeu: “Quinze a 20
anos, 25 no máximo.”
“Mas e aí, senõr?”
O americano riu e respondeu: “Essa é a melhor
parte. Quando for a hora certa, você poderá vender ações de sua empresa na bolsa e se tornar muito rico.
Você poderia ganhar milhões”.
“Milhões, señor? Mas e aí?”
“Aí você poderia se aposentar, mudar-se para um
pequeno vilarejo na praia, onde você poderá acordar
tarde, pescar um pouco, brincar com seus filhos, tirar a
sesta com sua esposa e passear na vila à noitinha para
beber vinho e tocar violão com seus amigos...”
RECENTEMENTE, ALMOCEI, em San Francisco, com um
grande amigo e ex-colega de quarto da época da
faculdade. Em breve, ele se formará em uma
importante escola de negócios e voltará ao mercado dos
investimentos bancários. Detesta chegar em casa do
escritório à meia-noite, mas explicou-me que, se ele
trabalhar 80 horas por semana durante 9 anos, poderá
se tornar diretor administrativo e ganhar ótimos 3 a 10
milhões de dólares por ano. Aí ele seria um homem de
sucesso.
“Mas, cara, o que você vai fazer neste mundo com 3
a 10 milhões por ano?”, perguntei. Sua resposta? “Vou
fazer uma longa viagem pela Tailândia.”
Isso traduz claramente uma das maiores
autodecepções da era moderna: viagens longas pelo
mundo como exclusivas dos ultra-ricos. Também já
ouvi coisas assim:
“Vou trabalhar nesta empresa por 15 anos. Aí eu me
tornarei sócio e poderei diminuir o número de horas
trabalhadas por semana. Assim que tiver 1 milhão no
banco, vou aplicar em algum investimento seguro, tirar
80 mil dólares por ano de rendimento e me aposentar
para velejar no Caribe.”
“Só vou trabalhar como consultor até os 35 anos,
depois vou me aposentar e viajar de moto pela China.”
Veja só, se seu sonho – o pote de ouro no final do
arco-íris da carreira – é passar bastante tempo na
Tailândia, velejar no Caribe ou percorrer a China de
moto, tudo isso pode ser feito com menos de 3 mil
dólares. Eu já fiz as três coisas. Eis aqui apenas dois
exemplos do quão longe se pode ir com pouco dinheiro.
[1]
250 dólares Cinco dias em uma ilha tropical de
pesquisa com três pescadores locais, que pescavam e
preparavam todas as minhas refeições e ainda me Em fevereiro de 2004, eu estava péssimo e assoberbado de trabalho.
levavam para os melhores locais escondidos de
mergulho no Panamá.
150 dólares Três dias alugando um avião particular
em Mendoza, região vinícola da Argentina, e
sobrevoando os mais belos vinhedos ao redor dos
Andes, totalmente nevados, com um guia particular.
Pergunta: Em que você gastou os seus últimos 400
dólares? Isso equivale a dois ou três fins de semana de
agitação non-sense para esquecer a semana árdua de
trabalho, na maior parte das cidades americanas.
Quatrocentos dólares não são nada para um período
completo de oito dias de experiências para mudar sua
vida. Mas oito dias não é o que eu recomendo. São
apenas interlúdios para uma produção muito maior.
Proponho mais, muito mais.
O nascimento das miniaposentadorias e a
morte das férias
“Há mais na vida do que apenas acelerá-la.”
MOHANDAS GANDHI
Meu sonho de viagem começou como um plano para
visitar a Costa Rica em março de 2004, para quatro
semanas de espanhol e de descanso. Eu precisava de
um descanso e quatro semanas me pareciam um tempo
“razoável” por qualquer parâmetro esdrúxulo que se
use para medir essas coisas.
Um amigo, que conhece bem a América Central,
diligentemente me disse que nunca iria dar certo,
porque iria começar a temporada de chuvas na Costa
Rica. Tempestades torrenciais não eram exatamente o
clima revigorante de que eu precisava, de modo que
mudei meu foco para quatro semanas na Espanha. No
entanto, era uma viagem longa sobre o Atlântico e a
Espanha fica próxima a países que eu sempre quis
visitar. Perdi o conceito de “razoável” em algum lugar
logo depois disso e decidi que eu merecia três meses
para explorar minhas raízes nos países escandinavos
depois das quatro semanas na Espanha.
Se houvesse alguma bomba-relógio ou algum
desastre pendente em minha vida, certamente seriam
detonados nas primeiras quatro semanas, então não havia risco adicional em esticar minha viagem em três
meses. Três meses seriam algo excelente.
Esses 3 meses viraram 15, e eu comecei a me
perguntar: “Por que não pegar os 20 a 30 anos normais
de aposentadoria e redistribuí-los ao longo da vida, em
vez de guardar tudo para o final?”.
A alternativa às viagens aceleradas
“Graças ao Sistema de Rodovias Interestaduais, agora é
possível viajar de
costa a costa sem ver absolutamente nada.”
CHARLES KURALT, repórter da CBS
Se você está acostumado a trabalhar 50 semanas por ano, a tendência, mesmo depois de gerar a mobilidade necessária para viagens longas, será ficar louco e
visitar 10 países em 14 dias e terminar arruinado. É
como levar um cachorro faminto para um bufê à
vontade. Ele vai comer até morrer.
Eu fiz isso durante três dos 15 meses da minha
viagem visionária, visitando 7 países e passando por
pelo menos 20 check-ins e checkouts com um amigo que
tirou três semanas de férias. A viagem foi uma explosão de adrenalina, mas foi como assistir à vida em
fast-forward. Foi difícil para nós lembrar o que
aconteceu em cada país (exceto em Amsterdã),[2]
ficamos ambos cansados a maior parte do tempo e
bastante irritados por ter que partir de alguns lugares
apenas porque nossos vôos pré-marcados nos
obrigavam.
Recomendo fazer exatamente o oposto.
A alternativa às viagens aceleradas – as
miniaposentadorias – pressupõe que você vá de lugar a
lugar durante seis meses, antes de voltar para casa ou
se mudar para outro lugar. São as antiférias, no sentido
mais positivo. Ainda que possa ser relaxante, a
miniaposentadoria não é uma escapada da vida, mas
um reexame dela – a criação de uma ficha em branco.
Se seguirmos a eliminação e a automação, do que
estaremos escapando? Em vez de buscar ver o mundo,
procuramos experimentá-lo em uma velocidade que
permita que ele mexa conosco.
Isso também é diferente de um ano sabático. Anos
sabáticos são frequentemente vistos como
aposentadorias: um evento único. Aproveite agora
enquanto você pode. A miniaposentadoria é definida
como recorrente – é um estilo de vida. Atualmente tiro três ou quatro miniaposentadorias por ano e sei de
dúzias de pessoas que fazem a mesma coisa.
Purgando os demônios: liberdade
emocional
“A verdadeira perfeição de um homem
é descobrir sua própria imperfeição.”
SANTO AGOSTINHO (354-430 d.C.)
Averdadeira liberdade é mais do que apenas ter tempo e dinheiro bastantes para fazer o que você quiser. É perfeitamente possível – na verdade, é mais a
regra do que a exceção – ter liberdade de tempo e
dinheiro, mas ainda assim ser pego nas agruras da
peleja diária. Ninguém pode estar livre dos estresses de
uma cultura obcecada pelo tamanho e pela velocidade
até que esteja livre de vícios materiais, mentalidade
dominada pela falta de tempo e impulsos comparativos
que criaram esta cultura.
Isso leva tempo. O efeito não é cumulativo, e não há
número de viagens turísticas de duas semanas
(também chamadas de “fracas demais”)[3] que possam
substituir uma boa viagem como as que descrevemos.
[4]
Pela experiência daqueles que entrevistei, leva de
dois a três meses para se desligar das rotinas obsoletas
e se ligar no quanto nós nos distraímos com o
movimento constante. Você consegue sentar-se para
jantar durante duas horas com seus amigos espanhóis
sem ficar ansioso? Você consegue se acostumar com
uma cidade pequena em que todo o comércio faz a
sesta durante duas horas, na tarde, e então fecha às 4
horas? Se não, você precisa se perguntar “Por quê?”
Aprenda a reduzir o ritmo. Fique perdido
intencionalmente. Observe como você se julga e como
julga os outros ao seu redor. O provável é que já faça
algum tempo. Tire pelo menos dois meses para
desincorporar velhos hábitos e redescubra-se sem a
lembrança de um iminente vôo de volta.
Realidades financeiras: as coisas só
melhoram
Oargumento econômico a favor das miniaposentadorias é a cereja do bolo. Quatro dias em um hotel decente, ou uma semana para dois em um
hotel legal custam a mesma coisa que o aluguel de um
mês de um bom apartamento. Se você relocar o seu apartamento, suas despesas em viagem começam a
substituir – normalmente a um custo muito menor –
contas que você pode a partir daí cancelar. Eis aqui
alguns relatos de viagens recentes. Destaques tanto da
América do Sul quanto da Europa são postos lado a lado
para provar que o luxo é limitado pela sua criatividade
e pela sua familiaridade com o local, não com a
diferença cambial para os países do Terceiro Mundo. É
óbvio que não vivi a pão e água, nem esmolando – vivi
como uma estrela de rock – e ambas as experiências
podem ser feitas com menos de 50% do que eu gastei.
Meu objetivo era curtir, e não ter uma vida austera.
Passagem aérea
Gratuita, cortesia do cartão de crédito AMEX Gold e
do Mastercard Chase Continental Airlines.[5]
Hospedagem
Apartamento de cobertura em Buenos Aires
equivalente aos da Quinta Avenida em Nova York,
incluindo faxineiras, segurança, telefone, luz e
Internet banda larga: 550 dólares por mês.
Apartamento enorme no charmoso (como o SoHo)
distrito de Prenzlauerberg, em Berlim, incluindo
telefone e luz: 300 dólares por mês.
Refeições
Restaurante de quatro ou cinco estrelas em Buenos
Aires, duas refeições por dia: 10 dólares (300 dólares
por mês).
Berlim: 18 dólares (540 dólares por mês).
Entretenimento
Mesa VIP e champagne à vontade para oito pessoas
na melhor casa noturna de Buenos Aires, Opera Bay:
150 dólares (18,75 dólares por pessoa x quatro
visitas por mês = 75 dólares por mês por pessoa).
Entrada e bebidas nas melhores casas noturnas de
Berlim Ocidental: 20 dólares por pessoa por noite x
4 = 80 dólares por mês.
Educação
Duas horas diárias de aulas particulares de
espanhol, em Buenos Aires, cinco vezes por semana:
5 dólares por hora x 40 horas por mês = 200 dólares
por mês.
Duas horas de aulas particulares de tango com dois
professores dançarinos de nível internacional: 8,33
dólares por hora x 40 horas por mês = 333,20
dólares por mês.
Quatro horas diárias de instrução em alemão em
uma das melhores escolas do mundo, a
Nollendorfplatz, em Berlim: 175 dólares por mês,
que teriam pagado a si mesmas ainda que eu não
tivesse ido às aulas, porque o cartão de estudante
me dava 40% de desconto em todos os meios de
transporte.
Seis horas por semana de treinamento em MMA
(mixed martial arts, artes marciais mistas) na melhor
academia de Berlim: grátis, em troca de duas horas
de aula de inglês por semana.
Transporte
Passe mensal de metrô e corridas diárias de táxi
para as aulas de tango: 75 dólares por mês.
Passe mensal para metrô, trem e ônibus, em Berlim,
com desconto de estudante: 85 dólares por mês.
Total para quatro semanas de uma vida de luxo
Buenos Aires: 1533,20 dólares – incluindo uma
conexão aérea para o JFK, com um mês de parada no
Panamá. Praticamente um terço deste valor é a
instrução particular com professores de alto nível de
tango e de espanhol.
Berlim: 1180 dólares – incluindo uma conexão aérea
para o JFK e uma parada de uma semana em
Londres.
Como comparar esses números com sua despesa
mensal doméstica atual, incluindo aluguel, seguro do
carro, contas, gastos de fim de semana, festas,
transporte público, gasolina, mensalidades,
assinaturas, comida e todo o resto? Some tudo e você
poderá perceber, como eu fiz, que viajar ao redor do
mundo e viver as melhores experiências da sua vida
pode economizar muito dinheiro.
Fatores de medo: superando desculpas
para não viajar
“Viajar é a ruína da felicidade! Não há como olhar para
um prédio aqui
depois de ter conhecido a Itália.”
FANNY BURNEY (1752-1840), escritora inglesa
Mas eu tenho casa e filhos. Não posso viajar!
E o plano de saúde? E se algo acontece? Viajar não é
perigoso?
E se eu for assaltada ou sequestrada?
Mas eu sou uma mulher – viajar sozinha pode ser
perigoso.
Amaior parte das desculpas para não viajar é exatamente isso – uma desculpa. Já fiz isso, então não é um sermão sagrado a que devemos obedecer. Sei
muito bem que é mais fácil viver consigo mesmo se
citarmos uma razão externa para a inação.
Já conheci paraplégicos e surdos, idosos e mães
solteiras, proprietários de imóveis e paupérrimos,
todos encontraram razões excelentes para mudar de
vida e fazer viagens longas em vez de ficar
colecionando milhões de pequenas razões para não
fazê-lo.
A maior parte das preocupações acima é tratada nas
“Perguntas e ações”, mas uma em particular exige um
calmante preventivo.
São 10 horas da noite. Você sabe onde estão seus
filhos?
O principal medo dos pais antes de sua primeira
viagem internacional é perder de alguma forma um
filho na confusão.
A boa notícia é que, se você se sente confortável em
levar seus filhos para Nova York, San Francisco,
Washington, D.C. ou Londres, você terá menos ainda
com o que se preocupar nas cidades que eu recomendo
nas “Perguntas e ações”. Há menos armas e menos
crimes violentos em todas elas, se comparadas com a
maior parte das grandes cidades americanas. A
probabilidade de problemas acontecerem diminui ainda
mais quando a viagem tem menos aeroportos e
hospedagens em hotéis entre estranhos e mais
mudança para um segundo lar: uma
miniaposentadoria.
Mas, ainda assim, e se acontecer?
Jen Errico, uma mãe solteira que levou seus dois
filhos em uma viagem de cinco meses ao redor do
mundo, tinha um medo mais agudo do que a maioria,
que frequentemente a fazia acordar de madrugada
suando frio: e se alguma coisa acontecer comigo?
Ela queria preparar seus filhos para o pior cenário
possível, mas não queria assustá-los com a morte,
então – como todas as boas mães – ela transformou isso num jogo: quem consegue memorizar melhor os
itinerários, endereços dos hotéis e o telefone da
mamãe? Ela tinha contatos para emergência em cada
país, cujos números eram gravados na discagem rápida
de seu celular, que tinha roaming internacional. No
final das contas, nada aconteceu. Agora ela planeja se
mudar para um chalé nas montanhas na Europa e
mandar seus filhos para uma escola multilíngue na
França. Sucesso gera sucesso.
Ela teve mais medo em Cingapura, e, em
retrospecto, foi onde menos teve razão para se
preocupar (ela foi com os filhos para a África do Sul,
entre outros lugares). Ficou assustada porque era a
primeira parada e ela ainda não estava acostumada a
viajar com os filhos. Era percepção, não realidade.
Robin Malinsky-Rummell, que passou um ano
viajando pela América do Sul com o marido e o filho de
7 anos, foi alertada por amigos e familiares para não
visitar a Argentina depois das manifestações populares
em 2001. Ela fez o dever de casa, decidiu que o medo
era infundado e prosseguiu para ter bons momentos na
Patagônia. Quando dizia a nativos que era de Nova
York, seus olhos se arregalavam e suas bocas se
abriam: “Eu vi na TV aqueles prédios explodindo! Eu jamais iria a um lugar tão perigoso!”. Não assuma que
lugares distantes são mais perigosos do que sua cidade
natal. A maioria não é.
Robin está convencida, como eu, de que as pessoas
usam os filhos como uma desculpa para permanecer
em suas zonas de conforto. É uma desculpa fácil para
não fazer algo com gosto de aventura. Como sobrepujar
o medo? Robin recomenda duas coisas:
1. Antes de embarcar em uma longa viagem
internacional com seus filhos, pela primeira vez,
faça uma viagem teste de algumas semanas.
2. A cada parada, arrume uma semana de aulas de
idioma que comece na chegada e aproveite o
transporte direto do aeroporto, se estiver disponível.
A equipe da escola oferecerá a você apartamentos
para alugar, e você terá a oportunidade de fazer
amigos e conhecer a área antes de se estabelecer por
conta própria.
Mas e se sua preocupação não for tanto perder seus
filhos, mas perder a paciência por causa de seus filhos?
Inúmeras famílias que entrevistei para este livro
recomendam a ferramenta de persuasão mais antiga: o suborno. Cada criança recebe uma determinada quantia
de dinheiro virtual, 25-50 centavos, para cada hora de
bom comportamento. A mesma quantia é subtraída de
suas contas se quebrarem as regras. Todas as compras
para diversão – suvenires, sorvete, etc. – vêm de suas
contas individuais. Se não têm saldo, nada feito. Isso
normalmente requer mais autocontrole dos pais do que
das crianças.
Como conseguir passagens aéreas com 50-80% de
desconto
Este livro não é sobre orçamentos de viagem.
A maior parte das recomendações para economizar que se encontra em guias de viagem é destinada aos viajantes acelerados. Para alguém que embarca para uma miniaposentadoria, um custo extra de 150 dólares para uma passagem aérea livre de problemas, amortizada ao longo de dois meses, é um negócio melhor do que 20 horas passeando por vários pontos com uma companhia desconhecida ou ficar buscando vantagens questionáveis.
Depois de duas semanas de pesquisa, comprei certa vez uma passagem de ida para a Europa, em aberto, por 120 dólares. Cheguei ao JFK transbordando de entusiasmo e confiança – olhe para todos esses idiotas comprando a preço de varejo! – e 90% das empresas participantes recusaram meu bilhete. As que não recusaram estavam lotadas por semanas. Terminei ficando em um hotel por duas noites, a um custo de 300 dólares, usando pontos do AMEX. Depois, liguei frustrado do JFK para 1-800-FLY-EUROPE, onde comprei uma conexão para Londres na Virgin Atlantic por 300 dólares e embarquei uma hora depois. A mesma passagem custava, uma semana antes, mais de 700 dólares.
Depois de 25 países, descobri algumas estratégias simples que fazem você conseguir 90% da economia possível sem desperdiçar tempo ou discutir migalhas. 1. Use cartões de crédito com programas de recompensa para a maior parte da
propaganda e da fabricação de sua “musa”.
Não estou gastando mais dinheiro para conseguir centavos em troca de
dólares – esses custos são inevitáveis, então capitalize sobre eles. Isso sozinho
me permite uma passagem internacional gratuita a cada três meses.
2. Compre passagens com antecedência (três meses ou mais) ou no último
minuto e tente embarcar ou retornar entre terça e quinta-feira.
Planejamento de viagens a longo prazo me cansa e pode sair caro se os
planos mudarem, então eu opto por comprar todas as passagens nos últimos
três ou quatro dias antes do embarque planejado. O valor de um assento vazio
é zero assim que o avião decola, então passagens no último minuto são mais
baratas.
Use o Orbitz (www.orbitz.com) primeiro. Determine a data de partida e
retorno entre terça e quinta-feira. Então, procure preços para datas de partida
nos três dias anteriores e nos três dias seguintes. Usando a data mais barata,
faça o mesmo com a data de retorno para encontrar a combinação mais
barata. Cheque o preço fornecido com as tarifas no site da própria empresa
aérea. Então, comece a dar lances no www.priceline.com a 50% do melhor dos
dois valores, aumentando 50 dólares até conseguir um preço melhor ou ver
que não é possível.
3. Pense em comprar uma passagem para um centro de conexões internacionais
e então outro vôo com uma empresa aérea local mais barata.
Quando vou à Europa, normalmente compro três passagens. Uma gratuita
da Southwest (transferindo pontos do AMEX), da Califórnia para o JFK, daí a
passagem mais barata para Heathrow, em Londres, e então uma passagem
ultrabarata ou pela Ryanair ou pela EasyJet para meu destino final. Já paguei
algo como 10 dólares para ir de Londres para Berlim ou de Londres para a
Espanha. Não é brincadeira. Empresas aéreas locais frequentemente oferecem
assentos em vôos apenas pelo preço dos impostos e da gasolina. Para destinos
na América Central ou do Sul, normalmente procuro vôos locais saindo do
Panamá ou vôos internacionais saindo de Miami.
Quando mais é menos: eliminar a confusão
“Os seres humanos possuem a capacidade de aprender
a querer
quase todos os objetos materiais concebíveis. Dada, daí,
a emergência de uma cultura industrial moderna capaz
de produzir
praticamente qualquer coisa, a época é propícia a abrir
as portas
dos depósitos de necessidades infinitas! ... É a versão
moderna da
Caixa de Pandora, e seus males estão lançados sobre o
mundo.”
JULES HENRY
“Ser livre, feliz e produtivo só pode ser conseguido
através do sacrifício de
muitas coisas comuns mas superestimadas.”
ROBERT HENRI
Conheço o filho de um multimilionário, amigo de Bill Gates, que atualmente gerencia investimentos privados e fazendas. Ele acumulou uma coleção de belas casas ao longo da última década, todas com
cozinheiras em tempo integral, empregados, faxineiros
e equipe de apoio. Como se sente tendo uma casa em
cada fuso horário? É um chute no saco! É como se
estivesse trabalhando para seus empregados, que
passam mais tempo em suas casas do que ele.
Uma viagem longa é a desculpa perfeita para
reverter o dano dos anos de consumo, tanto quanto
você puder. É hora de se livrar de toda a confusão
disfarçada de necessidades antes de você arrastar uma
mala de cinco peças ao redor do mundo. Isso é o
próprio inferno.
Não vou dizer para você andar de robe e chinelos
olhando sombriamente para as pessoas que possuem
televisão em casa. Detesto esse papo fundamentalista.
Minha intenção não é transformar você em um escriba
do desapego material. No entanto, vamos encarar o
problema: há centenas de coisas em sua casa e em sua
vida que você não usa, não precisa nem
particularmente quer. Apenas entraram em sua vida
como material inútil e nunca encontraram uma boa
saída. Esteja você consciente ou não disso, essa
confusão de coisas gera indecisão e distrações,
consome atenção e faz da felicidade livre uma tarefa real. É impossível perceber o tanto que nos distrai todo
esse lixo – sejam bonecas de porcelana, carros
esportivos ou camisetas rasgadas – até se livrar dele.
Antes de minha viagem de 15 meses, eu estava
estressado por não saber como fazer caber todas as
minhas coisas em um espaço de 5m x 3m em um
guarda-móveis. Foi aí que percebi que nunca releria as
revistas antigas que guardava, que usava as mesmas
cinco camisetas e quatro calças em 90% do tempo, que
já era hora de comprar móveis novos e que nunca tinha
usado a churrasqueira portátil ou os móveis de jardim.
Livrar-me de coisas que nunca tinha usado foi um
curto-circuito capitalista. Foi difícil me desfazer de
coisas que em alguma época julguei valiosas o bastante
para gastar dinheiro nelas. Os primeiros dez minutos
separando minhas roupas foram como escolher que
filho meu deveria viver ou morrer. Nunca tinha
exercitado meus músculos de jogar as coisas fora. Foi
um grande esforço colocar uma roupa de Natal
excelente, mas na qual eu nunca caberia, na pilha
“para dar” e, tão árduo quanto, me separar de roupas
rasgadas ou que não me serviam, mas que guardava
por razões sentimentais. Assim que passei pelas
primeiras decisões difíceis, no entanto, o ímpeto foi criado e ficou bem fácil. Doei todas as roupas que
raramente usava para uma instituição de caridade. Dos
móveis, em menos de 10 horas eu me desfiz usando o
Craigslist, e ainda que tenha recebido 50% do valor por
alguns móveis e nada por outros, quem se importa?
Usei e abusei deles por cinco anos e comprarei um novo
jogo de móveis quando chegar de volta aos Estados
Unidos. Dei a churrasqueira e os móveis de jardim para
uma amiga, que ficou feliz como criança em época de
Natal. Ela ganhou o mês. Senti-me muito bem com isso
e ganhei 300 dólares extras para pagar pelo menos
algumas poucas semanas de aluguel em outro país.
Criei em meu apartamento mais 40% de espaço, do
qual sequer havia visto a superfície. Não foi o espaço
físico extra que mais senti, mas o espaço mental. Foi
como se eu antes tivesse 20 aplicativos mentais
funcionando simultaneamente, e agora apenas um ou
dois. Meu pensamento estava mais claro e eu estava
muito, muito mais feliz.
Perguntei a cada “nômade” que entrevistei para
este livro, qual a única recomendação que fariam a
alguém que fosse fazer uma viagem longa pela
primeira vez. A resposta foi unânime: leve o menos
possível com você.
Fazer malas grandes é um impulso difícil de vencer.
A solução é criar o que chamo de um “fundo de
estabelecimento”. Em vez de colocar na mala coisas
para todas as situações, trago o mínimo possível e
destino de 100 a 300 dólares para comprar o que for
preciso depois que chegar a um novo lugar. Carrego
itens de higiene pessoal e roupas para não mais do que
uma semana. É incrível. Encontrar uma camisa social
ou creme de barbear em outros países pode produzir
por si só uma aventura.
Faça malas como se fosse voltar em uma semana. As
coisas mais essenciais, listadas em ordem de
importância, são:
1. Roupas para uma semana, apropriadas à estação do
ano, incluindo uma camisa semiformal e um par de
calças ou saia para a alfândega. Pense em camisetas,
um par de bermudas e um par de jeans multiuso.
2. Fotocópias autenticadas ou cópias escaneadas de
todos os seus documentos importantes: cartão do
plano de saúde, passaporte, vistos, cartões de
créditos, cartões de débito, etc.
3. Cartões de débito, cartões de crédito e o equivalente
a 200 dólares em moeda local, em notas pequenas
(traveler’s checks não são aceitos em muitos lugares e
são altamente controversos).
4. Uma pequena corrente de bicicletas para proteger
sua bagagem quando estiver em trânsito ou em
albergues; um pequeno cadeado para armários, se
necessário.
5. Dicionários eletrônicos dos idiomas que você usará
(versões em livro são muito lentas para serem
usadas durante uma conversa) e pequenos guias de
gramática.
6. Um guia de viagem bom e completo.
É isto. Laptop, levar ou não levar? A menos que você
seja um escritor, eu não recomendo levar, por ser
bastante incômodo e distrativo. Usar o GoToMyPC para
acessar o seu computador de casa a partir de cibercafés
estimula o hábito que queremos desenvolver: fazer o
melhor uso do tempo em vez de acabar com ele.
O negociante de Bora-Bora
Ilha Baffin, Nunavut
Josh Steinitz[6] parou na beira do mundo e contemplou maravilhado. Ele
pisava com suas botas em quase 2 m de gelo sobre o mar, e os unicórnios dançavam.
Dez narvais – primos distantes da beluga – vieram à tona e apontaram para os céus suas enormes presas. O bando de baleias de 1,5 tonelada desceu às profundezas do oceano novamente. Narvais são mergulhadores de águas profundas – mais de mil metros, em alguns casos –, então Josh tinha pelo menos uns 20 minutos até que reaparecessem.
Parecia-lhe apropriado que estivesse com os narvais. O nome desse animal vinha do norueguês antigo e se referia à pele branca e cinzenta marmorizada.
Náhvalr – cadáver.
Ele sorriu, como frequentemente fazia nos últimos anos. Josh tinha sido um cadáver ambulante.
Um ano depois de se formar na faculdade, Josh descobriu que tinha carcinoma oral escamoso – câncer. Tinha planos de ser consultor de gerenciamento. Tinha planos de ser várias coisas. De repente, nenhum deles importava mais. Menos da metade dos que sofriam desse tipo de câncer
sobrevivia.[7] A morte não discriminava e vinha sem aviso.
Ficou claro que o maior risco na vida não é cometer erros, mas arrepender-se: perder oportunidades. Ele nunca poderia voltar atrás e recapturar anos gastos fazendo coisas de que não gostava.
Dois anos depois, livre do câncer, Josh partiu para uma viagem ao redor do mundo, indefinida, cobrindo os gastos como escritor freelancer. Depois, tornou-se co-fundador de um site que fornece itinerários personalizados para pretendentes a “nômades”. Seu status de executivo não diminuiu seu vício pela mobilidade. Ficava tão confortável para lidar com seus negócios nas palafitas em Bora-Bora quanto em chalés nos Alpes suíços.
Certa vez, ele recebeu um telefonema de um cliente quando estava no Acampamento Muir, no monte Rainier. O cliente precisava confirmar alguns números de vendas e perguntou a Josh sobre o barulho de vento ao fundo. Josh respondeu: “Estou a mais de 3 mil metros de altitude, em uma geleira, e nessa tarde o vento está nos empurrando montanha abaixo”. O cliente disse que iria deixar Josh voltar ao que estava fazendo.
Outro cliente ligou para Josh no momento em que ele deixava um templo em Bali e ouviu os gongos ao fundo. O cliente perguntou a Josh se ele estava na igreja. Incerto do que responder, a única coisa que saiu foi: “Sim?”.
De volta aos narvais, Josh tinha alguns minutos antes de voltar para o
acampamento, de modo a evitar ursos polares. Vinte e quatro horas de luz do sol por dia significavam que ele tinha muito que contar a seus amigos quando voltasse à terra dos cubículos. Sentou-se novamente no gelo e tirou de uma bolsa à prova d’água seu telefone via satélite e seu laptop. Começou a escrever um e-mail como sempre começava.
“Sei que vocês estão cansados de me ver me divertindo tanto, mas adivinhem
onde eu estou?”
• Perguntas e ações •
“É fatal saber demais sobre o resultado:
o tédio se abate sobre o viajante que conhece sua rota
tão facilmente quanto sobre o escritor convicto de sua
narrativa.”
PAUL THEROUX , To the Ends of the Earth
Se você está pensando pela primeira vez em adotar o estilo de vida móvel e aventuras duradouras, sinto inveja de você! Dar o último passo e adentrar novos
mundos que o esperam é como melhorar seu papel na
vida de passageiro para piloto.
O grosso destas “Perguntas e ações” focará nos
passos exatos que você deve dar – e no cronograma
regressivo que pode usar – quando for preparar sua
primeira miniaposentadoria. A maior parte dos passos pode ser eliminada ou condensada, se você já tiver feito
alguma viagem. Alguns dos passos são eventos únicos,
de modo que, depois de tê-los dado, as próximas
miniaposentadorias tomarão no máximo duas ou três
semanas de preparação. Atualmente, eu levo três
tardes.
Pegue lápis e papel – isso será divertido.
1. Faça um gráfico instantâneo de receitas e
investimentos.
Coloque duas folhas de papel sobre uma mesa. Use
uma para registrar todos os investimentos e seus
valores correspondentes, incluindo contas bancárias,
previdência privada, ações, empréstimos, casa, etc. Na
segunda, trace um risco ao meio e escreva todo o fluxo
esperado de renda (salário, renda dos produtos, renda
dos investimentos, etc.) e despesas (empréstimos,
pagamentos, prestações, etc.). O que você pode
eliminar, que seja ou pouco usado ou que crie estresse
ou distração, sem acrescentar muito valor?
2. Defina os medos que você sentiria em uma
miniaposentadoria de um ano em um lugar dos
sonhos na Europa.
Use as perguntas do capítulo 3 para avaliar seus
medos do pior cenário possível e avaliar as reais
consequências em potencial. Exceto em casos raros, a
maior parte delas será evitável e o resto será reversível,
3. Escolha um lugar para sua própria
miniaposentadoria. Onde começar?
Eis a grande questão. Defendo duas opções:
a. Escolher um ponto inicial e passear até encontrar
seu segundo lar. Foi isso o que fiz com uma
passagem só de ida para Londres, passei pela
Europa até me apaixonar por Berlim, onde fiquei por
três meses.
b. Explore uma região e estabeleça-se no lugar que
mais gostar. Fiz isso quando percorri as Américas
Central e do Sul, passando algo entre uma e quatro
semanas em várias cidades, depois das quais
retornei para a minha favorita – Buenos Aires – e
fiquei seis meses.
É possível tirar uma miniaposentadoria em seu
próprio país, mas o efeito transformador é prejudicado
se você estiver cercado de pessoas que carregam a
mesma bagagem socialmente reiterada.
Recomendo escolher um país estrangeiro e que não
seja perigoso. Pratico lutas, corridas de motos, faço
várias coisas “de macho”, mas fico longe de favelas,
civis com metralhadoras, pedestres andando com
facões e lutas sociais. Um lugar barato é legal, mas
buracos de bala não são. Confira alertas de viagens no
site do Departamento de Estado americano antes de
comprar passagens (http://travel.state.gov).
Eis aqui uma pequena lista de alguns dos meus
pontos de início favoritos. Sinta-se à vontade para
escolher outros lugares. Os mais propícios para o
câmbio do dólar estão sublinhados: Argentina (Buenos
Aires, Córdoba), China (Xangai, Hong Kong, Taipei),
Japão (Tóquio, Osaka), Inglaterra (Londres), Irlanda
(Galway), Tailândia (Bangkok, Chiang Mai), Alemanha
(Berlim, Munique), Noruega (Oslo), Austrália (Sydney),
Nova Zelândia (Queenstown), Itália (Roma, Milão,
Florença), Espanha (Madri, Valência, Sevilha), e
Holanda (Amsterdã). Em todos esses lugares, é possível
viver bem e gastar pouco. Gastei menos em Tóquio do
que na Califórnia, porque conheço muito bem o Japão.
Áreas legais, redutos artísticos, não diferentes do
Brooklyn dez anos atrás, podem ser encontradas em
praticamente todas as cidades. O único lugar onde não consegui encontrar um almoço decente por menos de
20 dólares? Londres.
Alguns lugares exóticos que não recomendo para
nômades de primeira viagem: todos os países da África
e do Oriente Médio, Américas Central e do Sul (exceto
Costa Rica e Argentina). Cidade do México e a fronteira
mexicana com os Estados Unidos também são um
pouco assustadoras demais para entrarem em minha
lista de favoritos.
4. Prepare-se para sua viagem. A seguir, a
contagem regressiva.
Faltando três meses – Eliminar
Acostume-se ao minimalismo antes do embarque.
Algumas perguntas que você pode se fazer, e também
agir inspirado por elas, mesmo se nunca pretender
viajar:
Quais são os 20% dos meus pertences que consomem
80% do meu tempo?
Elimine os 80% restantes das roupas, revistas,
livros e tudo o mais. Seja impiedoso – você sempre
pode comprar novamente coisas sem as quais não
consegue viver.
Que pertences criam estresse em minha vida?
Isso pode estar ligado à manutenção (dinheiro e
energia), seguro, despesas mensais, gasto de tempo ou
simplesmente distração. Elimine, elimine, elimine. Se
você vender apenas alguns poucos itens caros, isso
pode financiar uma boa parte de sua
miniaposentadoria. Não tire da lista seu carro e sua
casa. É sempre possível comprá-los novamente quando
voltar, normalmente sem perder nenhum dinheiro.
Confira a cobertura do plano de saúde em viagens
longas para outros países. Comece a se mexer para
vender ou alugar sua casa – alugar é mais
recomendado para nômades em série – ou encerre o
leasing do seu apartamento e ponha todos os seus
pertences em um guarda-móveis
Sempre que dúvidas aparecerem, pergunte-se: “Se
eu tivesse uma arma apontada para minha cabeça e
precisasse fazer isso, como o faria?”. Não é tão difícil
quanto você acha.
Faltando dois meses – Automatize Depois de eliminar o excesso, entre em contato com
empresas (incluindo fornecedores) que o cobram
regularmente e estabeleça o autopagamento através dos cartões de crédito com programa de recompensas.
Dizer a eles que você passará um ano viajando pelo
mundo normalmente os convence a aceitar cartões de
crédito em vez de ficar tentando localizá-lo pelo
mundo, como a Carmen Sandiego.
Para as próprias empresas de cartão de crédito e
para as que recusarem, configure o débito automático
em conta corrente. Disponibilize pagamentos de contas
e outros serviços bancários via Internet. Marque todas
as empresas que não aceitam pagamentos com cartão
de crédito ou débito automático para serem pagas via
Internet. Destine valores agendados de 15 a 20 dólares
a mais do que o esperado quando forem pagamentos de
contas de serviços públicos e outras despesas variáveis.
Isso cobrirá taxas variadas, evitará perder tempo com
problemas de cobrança e acumula crédito. Cancele
correspondência de papel de seu banco e a entrega das
faturas de cartão de crédito. Peça a seu banco cartões
de crédito para todas as suas contas correntes –
normalmente um para a conta comercial e um para a
pessoal – e estabeleça o limite de saque no crédito em
zero, para evitar o potencial de danos. Deixe esses
cartões em casa, porque são apenas para emergência.
Dê uma procuração a um membro de confiança da
sua família e/ou a seu contador,[8] outorgando a essa
pessoa a autoridade de assinar documentos
(declarações tributárias e cheques, por exemplo) em
seu nome. Nada acaba mais rápido com seu bom humor
em viagens do que ter que assinar documentos
originais quando não são aceitos faxes.
Faltando um mês
Fale com o gerente da sua agência local dos correios
para que encaminhe toda a sua correspondência para
um amigo, familiar ou assistente pessoal, que será
remunerado em 100-200 dólares por mês para mandar
para você um e-mail, todas as segundas-feiras, com o
resumo de todas as correspondências recebidas.
Tome todas as vacinas exigidas e recomendadas
para a região para onde você vai. Lembre-se de que
algumas vezes é preciso apresentar prova de
imunização para passar em alfândegas estrangeiras.
Crie uma conta de teste no GoToMyPC ou em algum
programa similar de acesso remoto e faça testes para
garantir que não há obstáculos tecnológicos.[9]
Se revendedores (ou distribuidores) ainda lhe
mandam cheques – neste ponto, a empresa de empacotamento já deve lidar com os cheques de
clientes –, faça uma das três coisas a seguir: dê aos
revendedores o número de sua conta bancária para
depósito direto (ideal), faça com que a empresa de
empacotamento lide com esses cheques (segunda
opção) ou faça com que os revendedores paguem via
PayPal ou envie os cheques pelo correio para a pessoa a
quem você deu uma procuração (distante terceiro
lugar). Neste caso, dê a seu procurador guias de
depósito para que ele possa assinar, ou selar, e enviar
pelo correio. É conveniente abrir uma conta em um
banco grande (Bank of America, Wells Fargo,
Washington Mutual, Citibank, etc.) com agências
próximas à pessoa que o ajuda, de modo que ele possa
fazer os depósitos quando sair para fazer outras coisas.
Não há necessidade de passar todas as suas contas para
esse banco, se você não quiser; abra uma conta
simples, usada apenas para esses depósitos.
Faltando duas semanas
Escaneie todos seus documentos de identificação, plano
de saúde e cartões de débito e crédito e os deixe em um
computador, para que você possa imprimir várias
cópias; deixe algumas delas com familiares e outras para levar consigo em bolsas separadas. Mande por e-
mail os arquivos escaneados para você mesmo, para
que possa acessá-los de onde estiver, caso perca as
cópias em papel.
Se você for um empresário, mude o seu telefone
celular para o plano mais barato e coloque uma
mensagem na caixa postal, dizendo: “Estou atualmente
em uma viagem de negócios fora do país. Por favor,
não deixe recado, pois não receberei. Mande-me um e-
mail para ________________ se o assunto for
importante. Obrigado por sua compreensão”. Então,
configure respostas automáticas em seu e-mail que
deixem claro que suas respostas podem levar até sete
dias (ou o prazo que você decidir) devido a uma viagem
internacional de negócios.
Se você for um funcionário, pense em comprar um
celular quadribanda ou compatível com GSM, para que
seu chefe possa contatá-lo. Compre um BlackBerry
apenas se seu chefe for checar via e-mail se você está
trabalhando. Assegure-se de desativar o ato falho
“Enviado de um BlackBerry” como assinatura de e-
mails enviados. Outras opções incluem usar uma conta
SkypeIn que encaminha todas as chamadas para seu
celular estrangeiro (a minha preferida) ou uma caixa de IP Vonage, que permite que você receba chamadas de
telefone fixo em qualquer lugar do mundo, através de
um telefone que começa com o código de área da sua
casa.
Encontre um apartamento para seu destino final de
miniaposentadoria, ou reserve um hotel ou albergue
em seu ponto de início, por três ou quatro dias.
Reservar um apartamento antes de chegar é mais
arriscado e será bem mais caro do que usar os
próximos três ou quatro dias para encontrar um
apartamento adequado. Recomendo albergues como
ponto de início, se for possível – não por considerações
de preço, mas porque a equipe do lugar e outros
viajantes sabem das coisas e são prestativos com
mudanças.
Faça um seguro de evacuação médica no
estrangeiro, se você precisar fazê-lo por desencargo de
consciência. Isso tende a ser redundante, se você
estiver em um país de Primeiro Mundo, além do que
você pode fazer um plano de saúde local para
incrementar o seu, coisa que eu faço; um seguro de
evacuação é inútil se você estiver a menos de 10 horas
da civilização. Fiz um seguro desses no Panamá,
mesmo estando a apenas 2 horas de Miami, mas não me preocupei em fazê-lo nos outros lugares. Não se
estresse com isso; é tão útil quanto como se você
estivesse no meio do nada no meio dos Estados Unidos.
Faltando uma semana
Decida uma agenda de tarefas rotineiras, como e-mail,
banco via Internet, etc. para eliminar desculpas para
procrastinação inútil. Sugiro segundas-feiras pela
manhã para checar e-mails e banco via Internet. A
primeira e terceira segundas-feiras do mês podem ser
usadas para conferir faturas de cartão de crédito na
Internet e para fazer outros pagamentos on-line. As
promessas que você faz a si mesmo são as mais difíceis
de manter, então assuma um compromisso agora e
pode esperar uma vontade forte de quebrá-lo.
Salve documentos importantes – incluindo os
arquivos escaneados de seus documentos de
identidade, seguros e cartões de débito/crédito – para
um pequeno dispositivo de armazenagem que seja
plugável na porta USB de um computador.
Mude todas as coisas da sua casa ou apartamento
para o guardamóveis, faça uma única mochila pequena
e uma mala para a aventura e fique brevemente na casa
de um amigo ou familiar.
Faltando dois dias
Coloque os carros em um depósito ou na garagem de
um amigo. Coloque um estabilizador de combustível no
tanque, desconecte o pólo negativo da bateria para
evitar que ela descarregue e ponha o veículo sobre
cavaletes para evitar danos aos pneus e à lataria.
Cancele o seguro exceto para a cobertura de roubo.
Assim que chegar (assumindo que você não
reservou um apartamento com antecedência) Primeira manhã e tarde depois de chegar – Faça um
tour de ônibus pela cidade seguido de um passeio de
bicicleta por bairros onde você potencialmente alugaria
um apartamento.
Primeiro fim de tarde e noite – Compre um celular
desbloqueado[10] com um cartão SIM que possa ser
recarregado com cartões pré-pagos simples. Mande e-
mails para proprietários de apartamentos para alugar
ou para corretores, pesquisando no Craigslist.com e em
versões on-line de classificados de jornais locais,
marcando visitas para os dois dias seguintes.
Segundo e terceiro dias – Encontre um apartamento
e reserve-o por um mês. Não se comprometa com mais
de um mês até que você tenha dormido lá. Certa vez, paguei antecipados dois meses para descobrir logo
depois que o ponto de ônibus mais movimentado da
cidade era bem do outro lado da parede do meu quarto.
Dia da mudança – Estabeleça-se e compre um plano
de saúde local. Pergunte a donos de albergues e a
outros nativos que plano eles usam. Decida não
comprar suvenires ou outros itens para levar até duas
semanas antes da partida.
Uma semana depois – Elimine o excesso de coisas
que você trouxe mas que não usa com frequência. Ou dê
a alguém que precisa mais, ou envie de volta para os
Estados Unidos, ou jogue fora.
• Truques e ferramentas •
Para pensar em locais para miniaposentadorias
Virtual Tourist (www.virtualtourist.com)
Simplesmente a maior fonte do mundo de conteúdo
sobre viagens, criado por usuários e imparcial. Mais de
775 mil membros contribuem com dicas e alertas em
mais de 25 mil lugares. Cada lugar é detalhado em 13
categorias separadas, como “Coisas para fazer”,
“Costumes locais”, “Compras” e “Armadilhas para turistas”. Para a maior parte das miniaposentadorias,
sua única parada é aqui.
Escape Artist (www.escapeartist.com)
Interessado em ter um segundo passaporte, contas
na Suíça e em todas as outras coisas que eu não ousaria
colocar neste livro? Este site é um recurso fantástico.
Quando nosso presidente deflagrar a Terceira Guerra
Mundial, você quererá ter um plano de fuga. Mande-
me uma carta das ilhas Cayman ou da cadeia, o que vier
primeiro.
Arquivos gratuitos on-line da revista Outside
(http://outside.away.com)
Os arquivos completos da revista Outside estão
disponíveis gratuitamente na Internet. De
acampamentos de meditação a pontos de adrenalina,
de empregos maravilhosos a destaques do inverno na
Patagônia, há centenas de artigos com belas fotos para
lhe dar vontade de viajar.
GridSkipper: O Guia Urbano de Viagens
(www.gridskipper.com)
Para aqueles que amam coisas do estilo Bladerunner
e curtem explorar os esconderijos e submundos das cidades em qualquer canto do mundo, este é o site. É
um dos 13 melhores sites de viagem eleitos pela Forbes
e tem “linguagem bombástica e simplória” (Frommer’s)
ao mesmo tempo. Tradução: muito do conteúdo não é
exatamente livre para todas as idades. Se palavrões ou
uma enquete sobre a “cidade mais favelada do mundo”
o incomodam, não perca tempo de visitar este site
(nem o Rio de Janeiro, no caso). Se visitar, veja a
escrita histérica e o “100 dólares por dia” para várias
cidades do mundo.
Lonely Planet: The Thorn Tree
(http://thorntree.lonelyplanet.com)
Fórum de discussão para viajantes, com linhas
separadas por região.
Family Travel Forum (www.familytravelforum.com)
Um fórum abrangente sobre, adivinha?, viagens com
a família. Quer vender seus filhos por um bom dinheiro
no Oriente? Ou economizar alguns dólares cremando
sua sogra na Tailândia? Então este não é o site. Mas, se
você tem filhos e está planejando uma grande viagem,
esse é o lugar.
Perfis de Países do Departamento de Estado
americano
(www.state.gov/r/pa/ei/bgn/)
World Travel Watch (www.worldtravelwatch.com)
Relatório on-line semanal feito por Larry Habegger e
por James O’Reilly sobre eventos globais e
acontecimentos incomuns relevantes para a segurança
de viagens; classificado por tópicos e por região
geográfica. Conciso e imprescindível para finalizar seus
planos.
Alertas de viagem do Departamento de Estado
americano
(http://travel.state.gov)
Planejamento e preparação de
miniaposentadorias – Fundamentos
Round-the-World FAQ (incluindo seguros de
viagem)
(www.perpetualtravel.com/rtw)
Este FAQ salva vidas. Originalmente escrito por
Marc Brosius, foi aumentado por participantes de uma
lista de discussão durante anos e agora cobre praticamente tudo, de planejamento financeiro ao
choque de culturas ao voltar, e tudo o que há entre
esses extremos. Quanto tempo você pode bancar ficar
fora? Precisa de seguro de viagem? Afastamento
temporário de seu emprego? Isto é um almanaque de
volta ao mundo.
Removing Clutter: I-800-GOT-JUNK
(www.I800gotjunk.com), Freecycle
(www.freecycle.org), e Craiglist (www.craiglist.org)
Usei a categoria “grátis” do Craiglist para me livrar
de coisas acumuladas por quatro anos em menos de
três horas de uma noite de sábado. Também me livrei
de alguns itens para venda por cerca de 30−40% do
preço original. Além disso, mandei embora alguns itens
usando o serviço pago super-rápido I-800-GOT-JUNK.
O Freecycle é comparável ao Craiglist se você quiser se
livrar de algumas coisas gratuitamente com rapidez.
Aprenda a se desapegar e isso se tornará um hábito.
Faço uma limpeza geral a cada 6−9 meses, geralmente
incluindo doações a entidades como a Goodwill
(www.goodwill.org), que retiram as coisas sem cobrar
nada.
One-Bag: The Art and Science of Packing Light
(www.onebag.com)
Um dos sites Top 100 da revista PC. Carregue pouca
coisa e experimente a leveza do ser.
Centro de Controle e Prevenção de Doenças do
governo americano (www.cdc.gov/travel)
Vacinas recomendadas e planejamento de saúde
para cada país do mundo. Certos países exigem provas
de imunização para passar pela alfândega – tome as
precauções com antecedência, porque algumas vacinas
levam semanas para serem pedidas.
Planejamento tributário
(www.irs.gov/publications/p54/index.html)
Mais boas notícias. Mesmo que você se mude
permanentemente para outro país, você terá que pagar
impostos americanos enquanto tiver um passaporte
americano! Não precisa chorar – há alguns atalhos
criativos dentro da lei, como o formulário 2555-EZ, que
pode dar até 80 mil dólares de abatimento em sua
renda declarada caso você tenha passado 330 dias, em
um período de 365 dias consecutivos, fora do território
americano. Essa é parte da razão pela qual minha viagem se estendeu por 15 meses. Arrume um bom
contador e deixe que ele cuide dos detalhes para
manter você fora de problemas.
Escolas estrangeiras patrocinadas pelos Estados
Unidos
Se a ideia de tirar seus filhos da escola durante um
ano não lhe agrada, enfie-os em uma dessas 185
escolas de ensino fundamental e médio patrocinadas
pelo Departamento de Estado, em 132 países. As
crianças adoram dever de casa.
Homeschooling 101 and Quickstart Guide
(http://bit.ly/homeschooling101)
Esta subseção encontrada em
http://homeschooling.about.com/ oferece um processo
passo-a-passo para avaliar as opções de educação em
casa que podem ser adotadas durante viagens mais
longas. As crianças em geral conseguem voltar para
suas escolas públicas ou particulares à frente dos
colegas de classe.
Home Education Magazine (www.homeedmag.com)
Rica em recursos para o ensino em casa, famílias em
viagem e não estudantes. Os links incluem currículo, grupos de apoio virtual, recursos legais e arquivos.
Bons motivos para conhecer a lei: alguns estados dos
Estados Unidos oferecem até 1600 dólares anuais para
despesas com ensino qualificado em casa, pois o Estado
economiza dinheiro quando as pessoas decidem não
usar o sistema público para educar seus filhos.
Conversor universal de moedas (www.xe.com)
Antes de se empolgar e esquecer que 5 libras não
equivalem a 5 dólares, use esta ferramenta para
traduzir custos locais em números que você entende.
Tente não ter muitos momentos do tipo “Essas moedas
valem 4 dólares cada uma?”.
Adaptador universal
(www.fourhourblog.com/franzus)
Carregar cabos e conectores é irritante – compre um
adaptador universal Travel Smart ® com fusíveis. É do
tamanho de um baralho dobrado ao meio e é o único
adaptador que usei em todos os lugares do mundo sem
problemas. Note que é um adaptador (ajuda você a
plugar as coisas na tomada), mas não é um
transformador. Se a tomada em outro país tiver o dobro
da voltagem americana, seus dispositivos se autodestruirão. Outra razão para comprar itens
necessários quando chegar, em vez de levá-los todos
com você.
Guia elétrico do mundo (www.kropla.com)
Descubra tomadas, voltagens, celulares, códigos
telefônicos internacionais e todas as coisas
relacionadas à confusão elétrica ao redor do mundo.
Passagens baratas ao redor do mundo
Orbitz (www.orbitz.com), Kayak (www.kayak.com) e
Sidestep (www.sidestep.com)
Mais de 400 companhias aéreas de todo o mundo. O
Orbitz é meu ponto de partida para a comparação de
preços; depois dou uma olhada no Kayak e no Sidestep.
O Sidestep tem sido mais eficaz quando procuro voos
que começam e terminam fora dos Estados Unidos.
Travel200 Top20 (http://top20.travelzoo.com/)
Passagem só de ida para Moscou por 129 dólares?
Ofertas de última hora como esta podem ser o
empurrão que você precisa para começar.
Priceline (www.priceline.com)
Comece oferecendo 50% do menor preço do Orbitz e
vá aumentando de 50 em 50 dólares.
CFares (www.cfares.com)
Tarifas consolidadas com inscrições gratuitas ou de
baixo custo. Consegui uma passagem da Califórnia para
o Japão por 500 dólares.
1-800-FLY-EUROPE (www.1800flyeurope.com)
Usei esse serviço para conseguir a passagem de 300
dólares do JFK para Londres, que partiu duas horas
depois.
Empresas aéreas baratas para vôos dentro da Europa
(www.ryanair.com, www.easyjet.com)
Hospedagem gratuita – curtos períodos
Global Freeloaders (www.globalfreeloaders.com)
Esta comunidade on-line junta pessoas que
oferecem acomodação gratuita por todo o mundo.
Economize dinheiro e faça novos amigos ao mesmo
tempo que vê o mundo da perspectiva de um nativo.
The Couchsurfing Project (www.couchsurfing.com)
Similar ao site acima, mas tende a atrair gente mais
nova e mais disposta a festas.
Hospitality Club (www.hospitalityclub.org)
Conheça lugares no mundo inteiro onde você
consegue tours ou hospedagem gratuitos através desta
excelente rede de mais de 200 mil membros em 200
países.
Hospedagem gratuita – longos períodos
Home Exchange International
(www.homeexchange.com)
(800-877-8723)
Esta é uma listagem de intercâmbio de lares e um
serviço de busca em mais de 12 mil listagens em 85
países. Mande e-mails diretamente para lares em
potencial, coloque sua própria casa ou apartamento no
site e tenha acesso ilimitado para ver as listagens,
durante um ano, com uma pequena taxa de adesão.
Hospedagem paga – da chegada em diante
Otalo (www.otalo.com)
Mecanismo de busca que pesquisa os sites de
locação de imóveis de férias da internet e mais de 200
mil casas. O Otalo funciona como o Kayak: o site varre
outros sites de busca por imóveis de férias e reúne os
resultados em uma ferramenta de busca fácil de usar.
Hostels.com (www.hostels.com)
Este site não é apenas de albergues da juventude.
Encontrei um ótimo hotel no centro de Londres a 20
dólares por noite, e usei este site para acomodações
similares em oito países. Pense no lugar e nos
comentários (veja o HotelChatter abaixo) em vez de
amenidades. Hotéis de quatro estrelas são para turistas
e viajantes acelerados; este site pode oferecer um sabor
local real antes de você encontrar um apartamento ou
outra hospedagem de longo prazo.
HotelChatter (www.hotelchatter.com)
Consiga as melhores coisas neste jornal diário na
Web com comentários honestos e detalhados sobre
hospedagens em todo o mundo. Atualizado várias vezes
durante o dia, este site oferece histórias de hóspedes
frustrados e daqueles que encontraram preciosidades.
Reservas on-line estão disponíveis.
Craigslist (www.craigslist.org)
Depois de revistas semanais locais com
classificados, como a Bild ou a Zitty em Berlim, descobri
que o Craigslist é o melhor ponto de partida para
procurar apartamentos mobiliados para alugar em
outros países. Quando escrevi este livro, eram mais de
50 países representados. Além disso, o preço será de
30% a 70% menor do que em revistas locais. Se você
tiver um orçamento apertado, peça a um funcionário do
albergue ou alguma outra pessoa local para ligar e
acertar o preço. Peça para não dizer que você é
estrangeiro até que o preço tenha sido fechado.
Interhome International (www.interhome.com)
Baseado em Zurique, mais de 20 mil casas para
alugar na Europa.
Rentvillas.com (www.rentvillas.com) (800-726-
6702)
Proporciona experiências únicas de aluguel – de
choupanas e sedes de fazenda a castelos – na Europa,
incluindo a França, Itália, Grécia, Espanha e Portugal.
Ferramentas de acesso remoto a computadores
GoToMyPC (www.gotomypc.com)
Este programa facilita um acesso remoto fácil e
rápido aos arquivos, programas, redes e e-mails em
seu computador. Pode ser usado de qualquer navegador
ou dispositivos wireless com plataforma Windows e
trabalha em tempo real. Uso o GoToMyPC
religiosamente por mais de cinco anos para acessar
meu computador nos Estados Unidos de países e ilhas
ao redor do mundo.
WebExPCNow (http://pcnow.webex.com)
A WebEx, líder mundial em acesso remoto
corporativo, agora oferece este programa que faz a
maior parte do que faz o GoToMyPC, incluindo copiar e
colar entre computadores remotos, impressão local a
partir de computadores remotos, transferências de
arquivos e muito mais.
DropBox (www.getdropbox.com) e
SugarSync (www.fourhourblog.com/sugarsync);
JungleDisk (www.jungledisk.com) e Mozy
(www.mozy.com)
Tanto o DropBox quanto o SugarSync executam
backups e sincronização de arquivos entre vários computadores (computador doméstico e aquele usado
na viagem, por exemplo). O JungleDisk e o Mozy – uso
este último – têm menos recursos e são mais
especificamente projetados para backups automáticos
do seu armazenamento on-line.
Telefones gratuitos e de baixo custo na Internet
(IP)
Skype (www.skype.com)
Desde que esse programa gratuito apareceu, não fiz
nenhuma chamada internacional que não fosse por ele.
Este programa permite que você ligue para telefones
fixos e celulares no mundo inteiro por uma média de 2
ou 3 centavos por minuto, ou fale com outros usuários
do Skype gratuitamente. Por aproximadamente 40
euros por ano, você pode ter um número de telefone
americano, com o código de área da sua casa e receber
chamadas que são encaminhadas para o seu celular
fora do país. Isso torna sua viagem invisível. Fique
numa praia do Rio e atenda aos telefonemas feitos para
seu “escritório” na Califórnia. Excelente.
Vonage (www.vonage.com)
O Vonage oferece um pequeno adaptador que
conecta seu modem de banda larga a um telefone
normal. Leve-o em suas viagens e instale-o em seu
apartamento para receber chamadas feitas para um
número de telefone americano.
VoIPBuster (www.voipbuster.com) e
RebTel (www.fourhourblog.com/rebtel)
Tanto o VoIPBuster quanto o RebTel podem fornecer
números “falsos”. Digite o número de um amigo no
exterior nesses sites e eles lhe darão um número local
em seu código de área que o dire-cionará para seu
amigo. O VoIPBuster também funciona como um Skype
mais barato com chamadas gratuitas para mais de 20
países.
Telefones internacionais multibanda e
compatíveis com GSM
My World Phone (www.myworldphone.com)
Sou parcial em relação aos telefones Nokia. Garanta
que qualquer telefone que você comprar seja
“desbloqueado”, o que significa que o cartão SIM pode
ser trocado em diferentes países usando diferentes
operadoras.
World Electronics USA
(www.worldelectronicsusa.com)
Ótima explicação de que frequências de GSM e
“bandas” funcionam em cada país. Isso determinará
que telefone você deve comprar para viajar (e talvez
também para ter em casa).
Ferramentas para lugares pouco convencionais
Satellite Phones (www.satphonestore.com)
Se você vai para as montanhas do Nepal ou para
uma ilha distante e quer ter a paz (ou o inferno) de ter
um telefone por perto, estes telefones funcionam via
satélite, em vez de torres. A Iridium é recomendada por
causa de sua melhor recepção em todo o mundo, com a
GlobalStar em segundo lugar em dois ou três
continentes. Para alugar ou comprar.
Pocket-sized Solar Panels (www.solio.com)
Telefones via satélite e outros pequenos artefatos
eletrônicos são de pouca utilidade (arremessar longe,
talvez?) se ficarem sem bateria. O Solio é do tamanho
de dois baralhos e abre em pequenos painéis solares.
Fiquei surpreso por ele ter carregado meu celular em
menos de 15 minutos – mais de duas vezes mais rápido do que uma tomada convencional. Há adaptadores para
praticamente tudo.
O que fazer quando você chegar lá – experiências
profissionais e muito mais
Verge Magazine
(Ver leituras restritas do apêndice)
Meet Up (www.meetup.com)
Procure por cidade e por atividade para achar
pessoas que têm interesses em comum com você.
Become a Travel Writer (www.writtenroad.com)
Ser pago para viajar o mundo e escrever suas
experiências e ideias? Este é o emprego dos sonhos de
milhões de pessoas. Veja o mundo dos livros de viagens
por dentro, através da veterana escritora Jen Leo,
autora de Sand in My Bra and Other Misadventures: Funny
Women Write from the Road [Areia no meu sutiã e outras
desaventuras: mulheres divertidas escrevem da
estrada]. Este blog foi indicado pelo Frommer’s e
também traz excelentes artigos práticos sobre como
viajar sem apetrechos e artefatos tecnológicos.
Ensine ingrês (www.eslcafe.com)
O Café ESL[11] de Dave é uma das ferramentas mais
antigas e mais úteis para professores, aspirantes a
professores e estudiosos de inglês. Contém fóruns de
discussão e anúncios de vagas para professores de
inglês em vários lugares do mundo.
Transforme seu cérebro em Play-Doh
(www.jiwire.com)
Viaje o mundo e troque mensagens instantâneas
com seus amigos em casa. Este site lista mais de 150
mil pontos de acesso onde você pode navegar
compulsivamente. Sinta-se envergonhado se isso se
tornar sua principal atividade. Se você está entediado,
lembre-se – a culpa é sua. Já passei por isso, não estou
apenas pregando. Acontece com os melhores de nós de
tempos em tempos, mas seja mais criativo.
Teste uma nova carreira em meio período ou em
tempo integral (www.workingoverseas.com)
Esta enciclopédia é um extenso menu de opções
para os que pensam globalmente. Compilada e
atualizada por Jean-Marc Hachey, o editor
internacional de carreiras da revista Transitions Abroad.
Um ano de acesso custa 15 dólares.
Oportunidades em fazendas orgânicas pelo mundo
(www.wwoof.com)
Aprenda e depois ensine técnicas de agricultura
orgânica sustentável em dúzias de países, incluindo
Turquia, Nova Zelândia, Noruega e Polinésia Francesa.
Converse e mande e-mails em idiomas que você
não conhece
Google Chat Bots (http://bit.ly/imbot)
Para conversas em tempo real usando praticamente
todos os idiomas. Mensagens instantâneas diretamente
da sua conta no Gmail para qualquer lugar do mundo.
Nice Translator (www.nicetranslator.com) e
Free Translation (www.freetranslation.com)
Traduzem textos do inglês para uma dezena de
línguas e vice-versa. São surpreendentemente precisos
embora os 10−20% de erros de tradução possam lhe
criar problemas. O Nice Translator é mais rápido e pode
ser usado do iPhone.
Torne-se fluente em tempo recorde
Viciados em idiomas e aprendizagem acelerada
(www.fourhourworkweek.com)
Para todas as coisas ligadas a idiomas, de artigos
detalhados sobre “como fazer” (como reativar idiomas
esquecidos, como memorizar mil palavras por semana,
dominar os sotaques etc.) à mnemônica e aos melhores
atalhos eletrônicos, visite
www.fourhourworkweek.com. Aprender idiomas é um
vício que tenho e uma perícia que desenvolvi e adaptei
para torná-la mais rápida. É possível tornar-se fluente
para conversar em qualquer língua em três a seis
meses.
Encontre Materiais e Parceiros de Intercâmbio de
Idioma
LiveMocha (www.livemocha.com),
EduFire (www.edufire.com) e Smart.fm
(http://smart.fm/)
Gosto especialmente dos jogos de aprendizado que
envolvem agilidade mental.
About.com (www.about.com)
Alguns dos idiomas mais populares têm excelentes
tutoriais no About.com:
http://italian.about.com
http://spanish.about.com
http://german.about.com
http://french.about.com